O ano
litúrgico termina com a Solenidade de Cristo, Rei e Senhor do Universo. A Festa
de Cristo Rei é uma das festas mais importantes do calendário litúrgico:
celebramos Cristo, Rei do universo. O seu reino é reino de verdade e de vida,
de santidade e de graça, de justiça, de amor e de paz. Anunciamos a Sua vitória
sobre o pecado e a morte e acolhemo-lo como o Senhor da nossa vida. O reino de
Jesus está alicerçado no serviço, na doação, na promoção da vida e da justiça,
na fidelidade e na esperança. Os cristãos não querem celebrar um Rei
justiceiro, violento, dominador, que se impõe pela grandeza do seu poder e que
esmaga o mundo com gestos espetaculares; querem, sim, celebrar um Rei que
serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor. Neste
dia de Cristo, Rei, encerra o Ano da Fé, proposto pelo Papa Bento XVI.
PALAVRA COM SENTIDO
PALAVRA COM SENTIDO
“… O Senhor ressuscitou, verdadeiramente!…” (cf. Antífona do Domingo de Páscoa)
Hoje ecoa em todo o mundo o anúncio da Igreja: «Jesus Cristo ressuscitou»; «ressuscitou verdadeiramente»!
Como uma nova chama, se acendeu esta Boa Nova na noite: a noite dum mundo já a braços com desafios epocais e agora oprimido pela pandemia, que coloca à dura prova a nossa grande família humana. Nesta noite, ressoou a voz da Igreja: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» (Sequência da Páscoa).
É um «contágio» diferente, que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» Não se trata duma fórmula mágica, que faça desvanecerem-se os problemas. Não! A ressurreição de Cristo não é isso. Mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, uma vitória que não «salta» por cima do sofrimento e da morte, mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus.
O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram frestas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada.
Hoje penso sobretudo em quantos foram atingidos diretamente pelo coronavírus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus queridos e por vezes sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus.
O Senhor da vida acolha junto de Si no seu Reino os falecidos e dê conforto e esperança a quem ainda está na prova, especialmente aos idosos e às pessoas sem ninguém. Não deixe faltar a sua consolação e os auxílios necessários a quem se encontra em condições de particular vulnerabilidade, como aqueles que trabalham nas casas de cura ou vivem nos quartéis e nas prisões.
Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida entre lutos e tantos incómodos que a pandemia está a causar, desde os sofrimentos físicos até aos problemas económicos.
Esta epidemia não nos privou apenas dos afetos, mas também da possibilidade de recorrer pessoalmente à consolação que brota dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação. Em muitos países, não foi possível aceder a eles, mas o Senhor não nos deixou sozinhos! Permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que Ele colocou sobre nós a sua mão (cf. Sal 139/138, 5), repetindo a cada um com veemência: Não tenhas medo! «Ressuscitei e estou contigo para sempre» (cf. Missal Romano).
Jesus, nossa Páscoa, dê força e esperança aos médicos e enfermeiros, que por todo o lado oferecem um testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e, por vezes, até ao sacrifício da própria saúde. Para eles, bem como para quantos trabalham assiduamente para garantir os serviços essenciais necessários à convivência civil, para as forças da ordem e os militares que em muitos países contribuíram para aliviar as dificuldades e tribulações da população, vai a nossa saudação afetuosa juntamente com a nossa gratidão.
Nestas semanas, alterou-se improvisamente a vida de milhões de pessoas. Para muitos, ficar em casa foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e desfrutar da sua companhia. Mas, para muitos outros, é também um momento de preocupação pelo futuro que se apresenta incerto, pelo emprego que se corre o risco de perder e pelas outras consequências que acarreta a atual crise. Encorajo todas as pessoas que detêm responsabilidades políticas a trabalhar ativamente em prol do bem comum dos cidadãos, fornecendo os meios e instrumentos necessários para permitir a todos que levem uma vida digna e favorecer – logo que as circunstâncias o permitam – a retoma das atividades diárias habituais.
Este não é tempo para a indiferença, porque o mundo inteiro está a sofrer e deve sentir-se unido ao enfrentar a pandemia. Jesus ressuscitado dê esperança a todos os pobres, a quantos vivem nas periferias, aos refugiados e aos sem abrigo. Não sejam deixados sozinhos estes irmãos e irmãs mais frágeis, que povoam as cidades e as periferias de todas as partes do mundo. Não lhes deixemos faltar os bens de primeira necessidade, mais difíceis de encontrar agora que muitas atividades estão encerradas, bem como os medicamentos e sobretudo a possibilidade duma assistência sanitária adequada. Em consideração das presentes circunstâncias, sejam abrandadas também as sanções internacionais que impedem os países visados de proporcionar apoio adequado aos seus cidadãos e seja permitido a todos os Estados acudir às maiores necessidades do momento atual, reduzindo – se não mesmo perdoando – a dívida que pesa sobre os orçamentos dos mais pobres.
Este não é tempo para egoísmos, pois o desafio que enfrentamos nos une a todos e não faz distinção de pessoas. Dentre as muitas áreas do mundo afetadas pelo coronavírus, penso de modo especial na Europa. Depois da II Guerra Mundial, este Continente pôde ressurgir graças a um espírito concreto de solidariedade, que lhe permitiu superar as rivalidades do passado. É muito urgente, sobretudo nas circunstâncias presentes, que tais rivalidades não retomem vigor; antes, pelo contrário, todos se reconheçam como parte duma única família e se apoiem mutuamente. Hoje, à sua frente, a União Europeia tem um desafio epocal, de que dependerá não apenas o futuro dela, mas também o do mundo inteiro. Não se perca esta ocasião para dar nova prova de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções inovadoras. Como alternativa, resta apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação dum regresso ao passado, com o risco de colocar à dura prova a convivência pacífica e o progresso das próximas gerações.
Este não é tempo para divisões. Cristo, nossa paz, ilumine a quantos têm responsabilidades nos conflitos, para que tenham a coragem de aderir ao apelo a um cessar-fogo global e imediato em todos os cantos do mundo. Este não é tempo para continuar a fabricar e comercializar armas, gastando somas enormes que deveriam ser usadas para cuidar das pessoas e salvar vidas. Ao contrário, seja o tempo em que finalmente se ponha termo à longa guerra que ensanguentou a amada Síria, ao conflito no Iémen e às tensões no Iraque, bem como no Líbano. Seja este o tempo em que israelitas e palestinianos retomem o diálogo para encontrar uma solução estável e duradoura que permita a ambos os povos viverem em paz. Cessem os sofrimentos da população que vive nas regiões orientais da Ucrânia. Ponha-se termo aos ataques terroristas perpetrados contra tantas pessoas inocentes em vários países da África.
Este não é tempo para o esquecimento. A crise que estamos a enfrentar não nos faça esquecer muitas outras emergências que acarretam sofrimentos a tantas pessoas. Que o Senhor da vida Se mostre próximo das populações da Ásia e da África que estão a atravessar graves crises humanitárias, como na Região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Acalente o coração das inúmeras pessoas refugiadas e deslocadas por causa de guerras, seca e carestia. Proteja os inúmeros migrantes e refugiados, muitos deles crianças, que vivem em condições insuportáveis, especialmente na Líbia e na fronteira entre a Grécia e a Turquia. E não quero esquecer a ilha de Lesbos. Faça com que na Venezuela se chegue a soluções concretas e imediatas, destinadas a permitir a ajuda internacional à população que sofre por causa da grave conjuntura política, socioeconómica e sanitária.
Queridos irmãos e irmãs,
Verdadeiramente palavras como indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento não são as que queremos ouvir neste tempo. Mais, queremos bani-las de todos os tempos! Aquelas parecem prevalecer quando em nós vencem o medo e a morte, isto é, quando não deixamos o Senhor Jesus vencer no nosso coração e na nossa vida. Ele, que já derrotou a morte abrindo-nos a senda da salvação eterna, dissipe as trevas da nossa pobre humanidade e introduza-nos no seu dia glorioso, que não conhece ocaso.
Com estas reflexões, gostaria de vos desejar a todos uma Páscoa feliz. (Mensagem do Papa Francisco na Bênção Urbi et Orbe, no Domingo de Páscoa de 2020).
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
PALAVRA DO PAPA FRANCISCO
- na Audiência
geral de 13 de Novembro, Praça de São Pedro - Roma
“…Na Quarta-Feira passada, falei sobre a remissão
dos pecados referida, de modo especial, ao Baptismo. Hoje, aprofundaremos o
tema da remissão dos pecados, mas em referência ao chamado «poder das
chaves», que é um símbolo bíblico da missão que Jesus confiou aos Apóstolos.
Antes de tudo, devemos recordar que o protagonista
do perdão dos pecados é o Espírito Santo. Na sua primeira aparição aos
Apóstolos, no Cenáculo, Jesus ressuscitado fez o gesto de soprar sobre eles,
dizendo: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados,
ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos» (Jo
20, 22-23). Transfigurado no seu corpo, Jesus já é o homem novo que oferece os
dons pascais, fruto da sua morte e ressurreição. Quais são estes dons? A paz, a
alegria, o perdão dos pecados e a missão mas, sobretudo, o Espírito Santo que é
fonte de tudo isto. O sopro de Jesus, acompanhado pelas palavras com as quais
comunica o Espírito, indica a transmissão da vida, a vida nova regenerada pelo
perdão.Mas, antes de fazer o gesto de soprar e conceder o Espírito, Jesus mostra as suas chagas, nas mãos e no lado: essas feridas representam o preço da nossa salvação. O Espírito Santo concede-nos o perdão de Deus, «passando através» das chagas de Jesus: feridas que Ele quis conservar…Também, neste momento, no Céu, Ele mostra ao Pai as chagas com as quais nos resgatou. Em virtude destas feridas, os nossos pecados são perdoados: assim Jesus ofereceu a sua vida pela nossa paz, pela nossa alegria, pelo dom da graça na nossa alma, pelo perdão dos nossos pecados. É muito bom contemplar Jesus assim!
Consideremos o segundo elemento: Jesus concede aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados. É um pouco difícil compreender como é que um homem pode perdoar os pecados, mas Jesus confere este poder. A Igreja é depositária do poder das chaves, de abrir ou fechar ao perdão. Na sua misericórdia soberana, Deus perdoa cada homem; mas Ele mesmo quis que quantos pertencem a Cristo e à Igreja recebam o perdão, mediante os ministros da Comunidade. Através do ministério apostólico, a misericórdia de Deus toca-me; as minhas culpas são-me perdoadas e é-me conferida a alegria. Deste modo, Jesus chama a viver a reconciliação também na dimensão eclesial, comunitária. E isto é muito bom! A Igreja, que é santa e ao mesmo tempo necessitada de penitência, acompanha o nosso caminho de conversão durante a vida inteira. A Igreja não é senhora do poder das chaves, mas é serva do ministério da misericórdia e rejubila todas as vezes que pode oferecer este dom divino.
Talvez muitas pessoas não compreendam a dimensão eclesial do perdão, porque predominam sempre o individualismo e o subjectivismo e, até nós cristãos, sentimos isso. Sem dúvida, Deus perdoa a cada pecador arrependido, pessoalmente; mas o cristão está unido a Cristo, e Cristo à Igreja. Para nós cristãos, há um dom a mais, há sempre um compromisso a mais: passar humildemente através do ministério eclesial. Devemos valorizá-lo; é uma dádiva, uma atenção, uma salvaguarda e, também, a certeza de que Deus me perdoou. Vou ter com o irmão sacerdote e digo: «Padre, cometi isto...». E ele responde: «Mas eu perdoo-te; Deus perdoa-te!». Naquele momento, estou convicto de que Deus me perdoou! E isto é bom, é ter a segurança de que Deus nos perdoa sempre, nunca se cansa de perdoar. E não devemos cansar-nos de ir pedir perdão. Podemos ter vergonha de confessar os nossos pecados, mas as nossas mães e avós já diziam que é melhor corar uma vez do que empalidecer mil vezes. Coramos uma vez, mas os pecados são-nos perdoados e vamos em frente.
Enfim, um último ponto: o sacerdote, instrumento para o perdão dos pecados. O perdão de Deus, que nos é concedido na Igreja, é-nos transmitido mediante o ministério do nosso irmão, o sacerdote; ele - um homem que, como nós, também precisa de misericórdia - torna-se verdadeiramente instrumento de misericórdia, comunicando-nos o amor ilimitado de Deus Pai. Também os Presbíteros e os Bispos devem confessar-se: todos nós somos pecadores. Até o Papa se confessa, a cada quinze dias, porque o Papa também é pecador. O confessor ouve os pecados que lhe confesso, aconselha-me e perdoa-me, porque todos nós precisamos deste perdão. Às vezes, ouvimos certas pessoas afirmar que se confessam directamente com Deus... Sim, como eu dizia antes, Deus ouve sempre, mas no sacramento da Reconciliação envia um irmão a trazer-nos o perdão, a segurança do perdão em nome da Igreja.
O serviço que o sacerdote presta - como ministro de Deus, para perdoar os pecados - é muito delicado e exige que o seu coração esteja em paz; que o presbítero tenha o coração em paz; que não maltrate os fiéis, mas que seja manso, benévolo e misericordioso; que saiba semear esperança nos corações e sobretudo que esteja consciente de que o irmão ou a irmã que se aproxima do sacramento da Reconciliação procura o perdão e fá-lo como as numerosas pessoas que se aproximavam de Jesus para serem curadas. O sacerdote que não tiver esta disposição de espírito é melhor que, enquanto não se corrigir, não administre este Sacramento. Os fiéis penitentes têm o direito - todos os fiéis têm o direito - de encontrar, nos sacerdotes, servidores do perdão de Deus.
Caros irmãos, como membros da Igreja, estamos conscientes da beleza desta dádiva que o próprio Deus nos concede? Sentimos a alegria deste esmero, desta atenção materna que a Igreja tem por nós? Sabemos valorizá-la com simplicidade e assiduidade? Não esqueçamos que Deus nunca se cansa de nos perdoar; mediante o ministério do sacerdote, Ele aperta-nos num novo abraço que nos regenera e nos permite erguermo-nos de novo e retomar o caminho. Porque esta é a nossa vida: devemos erguer-nos sempre de novo e retomar o caminho!...”
PARA REZAR
SALMO
122
R/. Vamos com alegria para a casa
do Senhor.
Alegrei-me quando me disseram:
«Vamos para a casa do Senhor».
Detiveram-se os nossos passos
às tuas portas, Jerusalém.
Jerusalém,
cidade bem edificada,
que
forma tão belo conjunto!
Para
lá sobem as tribos,
as
tribos do Senhor.
Para
celebrar o nome do Senhor,
segundo
o costume de Israel;
ali
estão os tribunais da justiça,
os tribunais da casa de David.
SANTOS POPULARES
SÃO LEONARDO DE PORTO
MAURÍCIO
Paulo
Jerónimo Casanova nasceu em Porto Maurício, perto de Génova, Itália, em 20 de Dezembro
de 1676. O seu pai, Domingos Casanova, era capitão da
marinha. Ficou órfão de mãe ainda muito pequeno e, por isso, foi criado e educado
pelo seu tio. Cedo, sentiu o chamamento ao sacerdócio e foi para Roma, para se
formar no Colégio da Companhia de Jesus. Pela sua simplicidade, inocência de
carácter e sólida virtude, conquistou a simpatia e a alta consideração dos seus
superiores, que viam nele um outro Luís Gonzaga. Mais tarde, deixou Colégio da
Companhia de Jesus e entrou para a Ordem Franciscana, no Convento de São
Boaventura, onde tomou o hábito e mudou o seu nome, passando a chamar-se
Leonardo de Porto Maurício, a terra da sua naturalidade. Foi ordenado sacerdote
aos 26 anos. Neste convento, começou a experimentar e a viver toda a riqueza do
Evangelho e a radicalidade típica dos imitadores de São Francisco. Profundamente
devoto de Nossa Senhora - que lhe salvou a vida num tempo de incurável doença
(tuberculose) - Frei Leonardo foi, também, muito devoto do Sagrado Coração de
Jesus, valorizando a adoração de Jesus Eucarístico.
Foi ele, no século XVIII, o
idealizador e promotor da prática da Via Crucis (Via-Sacra), aproveitando o espaço
do Coliseu de Roma para tal efeito. Esta prática - Via-Sacra no Coliseu -continua,
ainda hoje, viva, sendo presidida pelo Papa.Pregou por toda a Itália, mas, sobretudo, na Toscana, por causa do jansenismo, heresia que se propôs combater com todo o seu empenho, abordando os temas que lhe pareceram mais eficazes: o nome de Jesus, a Virgem Maria e a Via Sacra. Numa das suas missões, na Ilha de Córsega, a sua pregação foi interrompida pelos bandidos desta atormentada ilha que, dando tiros para o ar, gritavam: “Viva Frei Leonardo! Viva a Paz!”.
Foi grande amante da pobreza radical e franciscana. Durante toda a vida fez penitências e orações pela salvação das almas. Era tal o fervor, a ardente caridade e o entusiasmo que transpareciam das suas pregações, que o célebre orador Bapherini - enviado pelo Papa Clemente XII a ouvir os sermões de Leonardo para depois o informar a este respeito – afirmou "que nunca ouvira pregador mais arrebatador, que o efeito dos seus discursos era irresistível e que ele próprio não pudera reter as lágrimas". Leonardo era um digno sucessor de Santo António de Lisboa, de São Bernardino de Sena e de São João Capistrano. O próprio Papa, Bento XIV, quis ouvir o famoso missionário e, para isso, chamou-o a Roma, em 1749, a fim de preparar os fiéis para o Ano Santo.
Apesar de bastante desgastado pelos constantes trabalhos apostólicos, foi a Roma, onde, em apaixonados sermões a que o próprio Papa, por vezes, assistia, preparou o clima espiritual para o jubileu de 1750. Foi nessa altura que dinamizou a Via Sacra no Coliseu, declarando sagrado aquele lugar onde muitos mártires tinham vertido o sangue por Jesus Cristo. No ano seguinte, ainda se deslocou à região de Bolonha, para as suas últimas pregações. Tendo regressando a Roma, ao convento de São Boaventura no Palatino, a 26 de Novembro de 1751, faleceu com 75 anos de idade. As autoridades tiveram de recorrer às forças de segurança para controlarem a multidão dos devotos que queriam ver o Santo e levar relíquias dele. O próprio Papa, Bento XIV, ajoelhado ao lado de seu corpo, afirmou: “Perdemos um amigo na terra, mas ganhamos um Santo no céu”. Sobre o túmulo do santo foi exposta uma carta escrita por Frei Leonardo, pouco antes da morte, e que se tornou profética. Nela preconizava-se a proclamação do dogma da Imaculada Conceição.
Frei Leonardo foi beatificado em19 de Junho de 1796, pelo Papa Pio VI, e canonizado, em 29 de Junho de 1867, pelo papa Pio IX.
São Leonardo de Porto Maurício foi proclamado, pela Igreja, Padroeiro das missões populares, pela orientação particular que deu ao seu apostolado e pela amplidão da sua obra missionária, que se estendeu a todas as cidades da Itália.
A sua memória litúrgica faz-se no dia 27 de Novembro.
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