PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

CRISTO, REI E SENHOR DO UNIVERSO





O ano litúrgico termina com a Solenidade de Cristo, Rei e Senhor do Universo. A Festa de Cristo Rei é uma das festas mais importantes do calendário litúrgico: celebramos Cristo, Rei do universo. O seu reino é reino de verdade e de vida, de santidade e de graça, de justiça, de amor e de paz. Anunciamos a Sua vitória sobre o pecado e a morte e acolhemo-lo como o Senhor da nossa vida. O reino de Jesus está alicerçado no serviço, na doação, na promoção da vida e da justiça, na fidelidade e na esperança. Os cristãos não querem celebrar um Rei justiceiro, violento, dominador, que se impõe pela grandeza do seu poder e que esmaga o mundo com gestos espetaculares; querem, sim, celebrar um Rei que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor. Neste dia de Cristo, Rei, encerra o Ano da Fé, proposto pelo Papa Bento XVI.

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência geral de 13 de Novembro, Praça de São Pedro - Roma

“…Na Quarta-Feira passada, falei sobre a remissão dos pecados referida, de modo especial, ao Baptismo. Hoje, aprofundaremos o tema da remissão dos pecados, mas em referência ao chamado «poder das chaves», que é um símbolo bíblico da missão que Jesus confiou aos Apóstolos.
Antes de tudo, devemos recordar que o protagonista do perdão dos pecados é o Espírito Santo. Na sua primeira aparição aos Apóstolos, no Cenáculo, Jesus ressuscitado fez o gesto de soprar sobre eles, dizendo: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos» (Jo 20, 22-23). Transfigurado no seu corpo, Jesus já é o homem novo que oferece os dons pascais, fruto da sua morte e ressurreição. Quais são estes dons? A paz, a alegria, o perdão dos pecados e a missão mas, sobretudo, o Espírito Santo que é fonte de tudo isto. O sopro de Jesus, acompanhado pelas palavras com as quais comunica o Espírito, indica a transmissão da vida, a vida nova regenerada pelo perdão.
Mas, antes de fazer o gesto de soprar e conceder o Espírito, Jesus mostra as suas chagas, nas mãos e no lado: essas feridas representam o preço da nossa salvação. O Espírito Santo concede-nos o perdão de Deus, «passando através» das chagas de Jesus: feridas que Ele quis conservar…Também, neste momento, no Céu, Ele mostra ao Pai as chagas com as quais nos resgatou. Em virtude destas feridas, os nossos pecados são perdoados: assim Jesus ofereceu a sua vida pela nossa paz, pela nossa alegria, pelo dom da graça na nossa alma, pelo perdão dos nossos pecados. É muito bom contemplar Jesus assim!
Consideremos o segundo elemento: Jesus concede aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados. É um pouco difícil compreender como é que um homem pode perdoar os pecados, mas Jesus confere este poder. A Igreja é depositária do poder das chaves, de abrir ou fechar ao perdão. Na sua misericórdia soberana, Deus perdoa cada homem; mas Ele mesmo quis que quantos pertencem a Cristo e à Igreja recebam o perdão, mediante os ministros da Comunidade. Através do ministério apostólico, a misericórdia de Deus toca-me; as minhas culpas são-me perdoadas e é-me conferida a alegria. Deste modo, Jesus chama a viver a reconciliação também na dimensão eclesial, comunitária. E isto é muito bom! A Igreja, que é santa e ao mesmo tempo necessitada de penitência, acompanha o nosso caminho de conversão durante a vida inteira. A Igreja não é senhora do poder das chaves, mas é serva do ministério da misericórdia e rejubila todas as vezes que pode oferecer este dom divino.
Talvez muitas pessoas não compreendam a dimensão eclesial do perdão, porque predominam sempre o individualismo e o subjectivismo e, até nós cristãos, sentimos isso. Sem dúvida, Deus perdoa a cada pecador arrependido, pessoalmente; mas o cristão está unido a Cristo, e Cristo à Igreja. Para nós cristãos, há um dom a mais, há sempre um compromisso a mais: passar humildemente através do ministério eclesial. Devemos valorizá-lo; é uma dádiva, uma atenção, uma salvaguarda e, também, a certeza de que Deus me perdoou. Vou ter com o irmão sacerdote e digo: «Padre, cometi isto...». E ele responde: «Mas eu perdoo-te; Deus perdoa-te!». Naquele momento, estou convicto de que Deus me perdoou! E isto é bom, é ter a segurança de que Deus nos perdoa sempre, nunca se cansa de perdoar. E não devemos cansar-nos de ir pedir perdão. Podemos ter vergonha de confessar os nossos pecados, mas as nossas mães e avós já diziam que é melhor corar uma vez do que empalidecer mil vezes. Coramos uma vez, mas os pecados são-nos perdoados e vamos em frente.
Enfim, um último ponto: o sacerdote, instrumento para o perdão dos pecados. O perdão de Deus, que nos é concedido na Igreja, é-nos transmitido mediante o ministério do nosso irmão, o sacerdote; ele - um homem que, como nós, também precisa de misericórdia - torna-se verdadeiramente instrumento de misericórdia, comunicando-nos o amor ilimitado de Deus Pai. Também os Presbíteros e os Bispos devem confessar-se: todos nós somos pecadores. Até o Papa se confessa, a cada quinze dias, porque o Papa também é pecador. O confessor ouve os pecados que lhe confesso, aconselha-me e perdoa-me, porque todos nós precisamos deste perdão. Às vezes, ouvimos certas pessoas afirmar que se confessam directamente com Deus... Sim, como eu dizia antes, Deus ouve sempre, mas no sacramento da Reconciliação envia um irmão a trazer-nos o perdão, a segurança do perdão em nome da Igreja.
O serviço que o sacerdote presta - como ministro de Deus, para perdoar os pecados - é muito delicado e exige que o seu coração esteja em paz; que o presbítero tenha o coração em paz; que não maltrate os fiéis, mas que seja manso, benévolo e misericordioso; que saiba semear esperança nos corações e sobretudo que esteja consciente de que o irmão ou a irmã que se aproxima do sacramento da Reconciliação procura o perdão e fá-lo como as numerosas pessoas que se aproximavam de Jesus para serem curadas. O sacerdote que não tiver esta disposição de espírito é melhor que, enquanto não se corrigir, não administre este Sacramento. Os fiéis penitentes têm o direito - todos os fiéis têm o direito - de encontrar, nos sacerdotes, servidores do perdão de Deus.
Caros irmãos, como membros da Igreja, estamos conscientes da beleza desta dádiva que o próprio Deus nos concede? Sentimos a alegria deste esmero, desta atenção materna que a Igreja tem por nós? Sabemos valorizá-la com simplicidade e assiduidade? Não esqueçamos que Deus nunca se cansa de nos perdoar; mediante o ministério do sacerdote, Ele aperta-nos num novo abraço que nos regenera e nos permite erguermo-nos de novo e retomar o caminho. Porque esta é a nossa vida: devemos erguer-nos sempre de novo e retomar o caminho!...”

PARA REZAR



SALMO 122

R/. Vamos com alegria para a casa do Senhor.

 

Alegrei-me quando me disseram:

«Vamos para a casa do Senhor».

Detiveram-se os nossos passos

            às tuas portas, Jerusalém.

 

Jerusalém, cidade bem edificada,

que forma tão belo conjunto!

Para lá sobem as tribos,

as tribos do Senhor.

 

Para celebrar o nome do Senhor,

segundo o costume de Israel;

ali estão os tribunais da justiça,

                       os tribunais da casa de David.

SANTOS POPULARES



SÃO LEONARDO DE PORTO MAURÍCIO

Paulo Jerónimo Casanova nasceu em Porto Maurício, perto de Génova, Itália, em 20 de Dezembro de 1676. O seu pai, Domingos Casanova, era capitão da marinha. Ficou órfão de mãe ainda muito pequeno e, por isso, foi criado e educado pelo seu tio. Cedo, sentiu o chamamento ao sacerdócio e foi para Roma, para se formar no Colégio da Companhia de Jesus. Pela sua simplicidade, inocência de carácter e sólida virtude, conquistou a simpatia e a alta consideração dos seus superiores, que viam nele um outro Luís Gonzaga. Mais tarde, deixou Colégio da Companhia de Jesus e entrou para a Ordem Franciscana, no Convento de São Boaventura, onde tomou o hábito e mudou o seu nome, passando a chamar-se Leonardo de Porto Maurício, a terra da sua naturalidade. Foi ordenado sacerdote aos 26 anos. Neste convento, começou a experimentar e a viver toda a riqueza do Evangelho e a radicalidade típica dos imitadores de São Francisco. Profundamente devoto de Nossa Senhora - que lhe salvou a vida num tempo de incurável doença (tuberculose) - Frei Leonardo foi, também, muito devoto do Sagrado Coração de Jesus, valorizando a adoração de Jesus Eucarístico. 
Foi ele, no século XVIII, o idealizador e promotor da prática da Via Crucis (Via-Sacra), aproveitando o espaço do Coliseu de Roma para tal efeito. Esta prática - Via-Sacra no Coliseu -continua, ainda hoje, viva, sendo presidida pelo Papa.
Pregou por toda a Itália, mas, sobretudo, na Toscana, por causa do jansenismo, heresia que se propôs combater com todo o seu empenho, abordando os temas que lhe pareceram mais eficazes: o nome de Jesus, a Virgem Maria e a Via Sacra. Numa das suas missões, na Ilha de Córsega, a sua pregação foi interrompida pelos bandidos desta atormentada ilha que, dando tiros para o ar, gritavam: “Viva Frei Leonardo! Viva a Paz!”.
Foi grande amante da pobreza radical e franciscana. Durante toda a vida fez penitências e orações pela salvação das almas. Era tal o fervor, a ardente caridade e o entusiasmo que transpareciam das suas pregações, que o célebre orador Bapherini - enviado pelo Papa Clemente XII a ouvir os sermões de Leonardo para depois o informar a este respeito – afirmou "que nunca ouvira pregador mais arrebatador, que o efeito dos seus discursos era irresistível e que ele próprio não pudera reter as lágrimas". Leonardo era um digno sucessor de Santo António de Lisboa, de São Bernardino de Sena e de São João Capistrano. O próprio Papa, Bento XIV, quis ouvir o famoso missionário e, para isso, chamou-o a Roma, em 1749, a fim de preparar os fiéis para o Ano Santo.
Apesar de bastante desgastado pelos constantes trabalhos apostólicos, foi a Roma, onde, em apaixonados sermões a que o próprio Papa, por vezes, assistia, preparou o clima espiritual para o jubileu de 1750. Foi nessa altura que dinamizou a Via Sacra no Coliseu, declarando sagrado aquele lugar onde muitos mártires tinham vertido o sangue por Jesus Cristo. No ano seguinte, ainda se deslocou à região de Bolonha, para as suas últimas pregações. Tendo regressando a Roma, ao convento de São Boaventura no Palatino, a 26 de Novembro de 1751, faleceu com 75 anos de idade. As autoridades tiveram de recorrer às forças de segurança para controlarem a multidão dos devotos que queriam ver o Santo e levar relíquias dele. O próprio Papa, Bento XIV, ajoelhado ao lado de seu corpo, afirmou: “Perdemos um amigo na terra, mas ganhamos um Santo no céu”. Sobre o túmulo do santo foi exposta uma carta escrita por Frei Leonardo, pouco antes da morte, e que se tornou profética. Nela preconizava-se a proclamação do dogma da Imaculada Conceição.
Frei Leonardo foi beatificado em19 de Junho de 1796, pelo Papa Pio VI, e canonizado, em 29 de Junho de 1867, pelo papa Pio IX.
São Leonardo de Porto Maurício foi proclamado, pela Igreja, Padroeiro das missões populares, pela orientação particular que deu ao seu apostolado e pela amplidão da sua obra missionária, que se estendeu a todas as cidades da Itália.
A sua memória litúrgica faz-se no dia 27 de Novembro.