PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

FESTA DAS BEM-AVENTURANÇAS


 
Sábado 01-02- 2014, o grupo do sétimo ano da catequese, da Igreja Matriz, celebrou com a comunidade a festa das bem-aventuranças. Celebrar a festa das bem-aventuranças, é acolher o código de felicidade e pôr em prática o rumo novo que Jesus propõe à vida de cada um de nós: simples, humilde, cheia de bondade, aberta à inquietação da paz e justiça, responsável no testemunho dos valores do Evangelho; é viver em atitude de serviço e de generosidade, ao bem dos outros; é estarmos na vida esforçando-nos por manter um coração puro; é aceitar a fé como um desafio de entrega confiada ao amor de Deus e a mostrarmos, nas nossas obras, que é Jesus a Luz do nosso caminho.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


 
- na Audiência Geral, no dia 29 de Janeiro, na Praça de São Pedro, Roma

“…Nesta terceira catequese sobre os Sacramentos, meditemos sobre a Confirmação ou Crisma, que deve ser entendida em continuidade com o Baptismo, ao qual ela está vinculada de modo inseparável. Estes dois Sacramentos, juntamente com a Eucaristia, formam um único acontecimento salvífico, que se denomina «iniciação cristã», no qual somos inseridos em Jesus Cristo morto e ressuscitado, tornando-nos novas criaturas e membros da Igreja. Eis por que motivo, na origem destes três Sacramentos, eram celebrados num único momento, no final do caminho catecumenal, normalmente na Vigília pascal. Era assim que se selava o percurso de formação e de inserção gradual no seio da comunidade cristã, que podia durar até alguns anos. Procedia-se passo a passo para chegar ao Baptismo, depois ao Crisma e, enfim, à Eucaristia.
Em geral, fala-se de Sacramento do «Crisma», palavra que significa «unção». E, com efeito, através do óleo, chamado «Crisma sagrado», nós somos conformados, no poder do Espírito, a Jesus Cristo, o Único verdadeiro «Ungido», o «Messias», o Santo de Deus. Além disso, o termo «Confirmação» recorda-nos que este Sacramento contribui com um aumento da graça baptismal: une-nos mais solidamente a Cristo; leva a cumprimento o nosso vínculo com a Igreja; infunde em nós uma especial força do Espírito Santo para difundir e defender a fé, para confessar o nome de Cristo e para nunca nos envergonharmos da sua Cruz (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1.303).
Por isso, é importante prestar atenção a fim de que as nossas crianças, os nossos jovens recebam este Sacramento. Todos nós temos cuidado de que sejam baptizados, e isto é bom, mas talvez não nos preocupemos muito a fim de que recebam o Crisma. Deste modo, eles permanecerão a meio caminho e não receberão o Espírito Santo, que é muito importante na vida cristã, porque nos concede a força para ir em frente. Pensemos um pouco nisto, cada um de nós: preocupamo-nos verdadeiramente para que as nossas crianças, os nossos jovens recebam o Crisma! Isto é importante, é importante! E se vós, em casa, tendes crianças e jovens que ainda não a receberam, e que já estão na idade de a receber, fazei todo o possível para que terminem a iniciação cristã e recebam a força do Espírito Santo. É importante!
Naturalmente, é necessário oferecer aos crismandos uma boa preparação, que deve ter em vista levá-los a uma adesão pessoal à fé em Cristo e despertar neles o sentido da pertença à Igreja.
Como cada Sacramento, a Confirmação não é obra dos homens mas de Deus, que cuida da nossa vida, de maneira a plasmar-nos à imagem do seu Filho, para nos tornar capazes de amar como Ele. E fá-lo infundindo em nós o seu Espírito Santo, cuja acção permeia cada pessoa e a vida inteira, como transparece dos sete dons que a Tradição, à luz da Sagrada Escritura, sempre evidenciou. Eis os sete dons: não quero perguntar-vos se vos recordais quais são os sete dons. Talvez todos vós os saibais... Mas cito-os em vosso nome. Quais são estes dons? A Sabedoria, a Inteligência, o Conselho, a Fortaleza, a Ciência, a Piedade e o Temor de Deus. E estes dons são concedidos precisamente através do Espírito Santo no Sacramento da Confirmação. Além disso, tenciono dedicar, a estes dons, as próximas catequeses, dentro das reservadas aos Sacramentos.
Quando acolhemos o Espírito Santo no nosso coração e deixamos que Ele aja, é o próprio Cristo que se torna presente em nós e adquire forma na nossa vida; através de nós será Ele, o próprio Cristo, que rezará, perdoará, infundirá esperança e consolação, servirá os irmãos, estará próximo dos necessitados e dos últimos, que criará comunhão e semeará paz. Pensai como isto é importante: mediante o Espírito Santo, é o próprio Cristo que vem para fazer tudo isto no meio de nós e por nós. Por isso, é importante que as crianças e os jovens recebam o Sacramento do Crisma.
Estimados irmãos e irmãs, recordemo-nos que recebemos a Confirmação. Todos nós! Recordemo-lo antes de tudo para dar graças ao Senhor por esta dádiva, e além disso para lhe pedir que nos ajude a viver como cristãos autênticos e a caminhar sempre com alegria, segundo o Espírito Santo que nos foi concedido…”

PARA REZAR


SALMO 24

 

            R/.  O Senhor do Universo é o Rei da glória.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor forte e poderoso,

o Senhor poderoso nas batalhas.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.

SANTOS POPULARES



SANTA JOSEFINA BAKHITA

Josefina Bakhita nasceu no Sudão (África), em 1869. Bakhita não é o nome recebido dos seus pais ao nascer. O susto apanhado no dia em que foi raptada, provocou-lhe profundos lapsos de memória. Aquela terrível experiência, fizera-a esquecer, até, o próprio nome.
Bakhita - que significa «afortunada» -  foi o nome imposto por seus raptores. Vendida e comprada várias vezes nos mercados de El Obeid e de Cartum, conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão. Na capital do Sudão, Bakhita foi, finalmente, comprada pelo Cônsul italiano, Calixto Legnani. Pela primeira vez, desde o dia em que fora raptada, percebeu com agradável surpresa, que ninguém usava o chicote ao dar-lhe ordens mas, ao contrário, era tratada com maneiras afáveis e cordiais. Na casa do Cônsul, Bakhita encontrou serenidade, carinho e momentos de alegria, ainda que sempre velados pela saudade da sua própria família, talvez perdida para sempre. Circunstâncias políticas obrigaram o Cônsul a regressar a Itália. Bakhita pediu-lhe que a levasse consigo e foi atendida. Com eles partiu também um amigo do Cônsul, Augusto Michieli. Chegados em Génova, Calixto Legnani - pressionado pelos pedidos da esposa de Augusto Michieli - concordou que Bakhita fosse morar com eles. Assim, ela seguiu, com a nova família, para a residência de Zeniago (Veneza) e, quando nasceu Mimina, a filhinha do casal, Bakhita tornou-se sua ama e sua amiga. A compra e a administração de um grande hotel em Suakin, no Mar Vermelho, obrigaram a esposa do Sr. Michieli, dona Maria Turina, a transferir-se para lá, a fim de ajudar o marido no desempenho dos vários trabalhos. Entretanto, a conselho do seu administrador, a criança e Bakhita foram confiadas aos cuidados das Irmãs Canossianas, do Instituto dos Catecúmenos de Veneza. E foi aqui que, a seu pedido, Bakhita veio a conhecer aquele Deus que, desde pequena, ela «sentia no coração, sem saber quem Ele era». Vendo o sol, a lua e as estrelas, dizia comigo mesma: “Quem é o Patrão dessas coisas tão bonitas?” E sentia uma vontade imensa de vê-Lo, conhecê-Lo e prestar-lhe homenagem.
Depois de alguns meses de catecumenado, Bakhita recebeu os Sacramentos da Iniciação Cristã - Baptismo, Confirmação e Eucaristia - e um novo nome ‘Josefina’. Era o dia 9 de Janeiro de 1890 e Bakhita tinha 21 anos. Naquele dia, não sabia como exprimir a sua alegria. Os seus olhos, grandes e expressivos, brilhavam revelando uma intensa comoção. Desse dia em diante, era fácil vê-la beijar a pia batismal e dizer: «Aqui me tornei filha de Deus!». Cada novo dia a tornava sempre mais consciente de como aquele Deus, que agora conhecia e amava, a havia conduzido a Si, por caminhos misteriosos, segurando-a pela mão. Quando dona Maria Turina retornou da África para buscar a filha e Bakhita, esta, com firme decisão e coragem fora do comum, manifestou a sua vontade de permanecer com as Irmãs Canossianas e servir aquele Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor. A jovem africana, agora maior de idade, gozava da liberdade de acção que a lei italiana lhe assegurava. Bakhita continuou no Catecumenado, onde sentiu, com muita clareza, o chamado para se tornar religiosa e doar-se totalmente ao Senhor, no Instituto de Santa Madalena de Canossa. No dia 8 de Dezembro de 1896, Josefina Bakhita consagrou-se para sempre ao seu Deus, que ela chamava com carinho «o meu Patrão!». Durante mais de 50 anos, esta humilde Filha da Caridade, verdadeira testemunha do amor de Deus, dedicou-se às diversas ocupações, na casa de Schio. De facto, ela foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. Quando se dedicou a este último serviço, as suas mãos pousavam, docemente, sobre a cabecinha das crianças que, diariamente, frequentavam as escolas do Instituto. A sua voz amável - que tinha a inflexão da tristeza e das cantigas da sua terra - chegava prazenteira aos pequeninos, reconfortante aos pobres e doentes e encorajadoras a todos os que vinham bater à porta do Instituto. A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de todos os habitantes de Schio. As Irmãs estimavam-na muito pela sua inalterável afabilidade, pela fineza da sua bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. «Sede bons, amai a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se, soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!...».
Com o avançar da idade, chegou a doença longa e dolorosa. Mas, a Irmã Bakhita continuou a oferecer o seu testemunho de fé, de bondade e de esperança cristã. A quem a visitava e lhe perguntava como se sentia, respondia sorridente: «Como o Patrão quer». Esta linda flor africana, que conheceu a angústia do rapto e da escravidão, abriu-se admiravelmente à Graça junto das Filhas de Santa Madalena de Canossa, na Itália. Em Schio, onde viveu muitos anos, todos ainda a chamam «a nossa Irmã Morena». Na agonia, reviveu os terríveis anos da sua escravidão e, várias vezes, suplicou à enfermeira que a assistia: «Solta-me as correntes...pesam muito!». Foi Maria Santíssima que a livrou de todos os sofrimentos. As suas últimas palavras foram: «Nossa Senhora! Nossa Senhora!», enquanto o seu último sorriso testemunhava o encontro com a Mãe de Jesus.
A Irmã Bakhita faleceu no dia 8 de Fevereiro de 1947, na Casa de Schio, rodeada pela comunidade em pranto e em oração. Uma multidão acorreu logo à casa do Instituto para ver, pela última vez, a sua «Santa Irmã Morena», e pedir-lhe a sua protecção lá do céu. Muitas são as graças alcançadas pela sua intercessão. Os seus restos mortais estão, agora, sepultados sob o altar-mor da igreja do Convento de Schio. O processo para a causa de Canonização foi iniciado doze anos depois da sua morte. No dia 1 de Dezembro de 1978, a Igreja emanava o Decreto sobre a heroicidade das suas virtudes. A Providência Divina que «cuida das flores do campo e dos pássaros do céu», guiou esta escrava sudanesa, através de inumeráveis e indizíveis sofrimentos, à liberdade humana e àquela da fé, até a consagração de toda a sua vida a Deus, para o advento do Reino. Josefina Bakhita foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 17 de Maio de 1993 e canonizada, no Vaticano, por João Paulo II, no dia 1 de Outubro do ano 2000. A sua memória litúrgica faz-se no dia 8 de Fevereiro.