- na Audiência
Geral, no dia 5 de Fevereiro, na Praça de São Pedro, Roma
“…Hoje, vou falar-vos da Eucaristia. A Eucaristia
insere-se no âmago da «iniciação cristã», juntamente com o Baptismo e a
Confirmação, constituindo a nascente da própria vida da Igreja. Com efeito, é
deste Sacramento do Amor que derivam todos os caminhos autênticos de fé, de
comunhão e de testemunho. O que vemos quando nos reunimos para celebrar a
Eucaristia - a Missa - já nos faz intuir o que estamos prestes a viver. No
centro do espaço destinado à celebração, encontra-se o altar, que é uma mesa
coberta com uma toalha e isto faz-nos pensar num banquete. Sobre a mesa há uma
cruz, que indica que naquele altar se oferece o sacrifício de Cristo: é Ele o
alimento espiritual que ali recebemos, sob as espécies do pão e do vinho. Ao
lado da mesa, encontra-se o ambão, ou seja, o lugar de onde se proclama a
Palavra de Deus: e ele indica que ali nos reunimos para ouvir o Senhor, que
fala mediante as Sagradas Escrituras e, portanto, o alimento que recebemos é também
a sua Palavra. Na Missa, Palavra e Pão tornam-se uma só coisa, como na Última
Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que Ele tinha
realizado, se condensaram no gesto de partir o pão e de oferecer o cálice - antecipação
do sacrifício da cruz - e naquelas palavras: «Tomai e comei, isto é o meu
corpo... Tomai e bebei, isto é o meu sangue». O gesto levado a cabo por Jesus
na Última Ceia é a suprema acção de graças ao Pai pelo seu amor, pela sua
misericórdia. Em grego, «acção de graças» diz-se «eucaristia». É por isso que o
Sacramento se chama Eucaristia: é a suprema acção de graças ao Pai, o qual nos
amou a tal ponto, que nos ofereceu o seu Filho por amor. Eis por que motivo o
termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é de Deus e ao mesmo tempo do
homem, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por
conseguinte, a celebração eucarística é
muito mais do que um simples banquete: é precisamente o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério fulcral da salvação.
«Memorial» não significa apenas uma recordação, uma simples lembrança, mas quer
dizer que cada vez que nós celebramos
este Sacramento participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de
Cristo. A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus. Com
efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda
a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa
existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos.
É por isso que, geralmente, quando nos aproximamos deste Sacramento, dizemos
que «recebemos a Comunhão», que «fazemos a Comunhão»: isto significa que, no
poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística nos conforma com
Cristo de modo singular e profundo, levando-nos a gozar antecipadamente a plena
comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde, juntamente
com todos os Santos, teremos a felicidade de contemplar Deus face a face.
Estimados amigos, nunca daremos suficientemente graças ao Senhor
pela dádiva que nos concedeu através da Eucaristia! Trata-se de um dom deveras
grandioso e por isso é tão importante ir
à Missa aos domingos. Ir à Missa não só para rezar, mas para receber a
Comunhão, o pão que é o corpo de Jesus Cristo que nos salva, nos perdoa e nos
une ao Pai. É bom fazer isto! E todos os domingos vamos à Missa, porque é
precisamente o dia da Ressurreição do Senhor. É por isso que o Domingo é tão
importante para nós! E, com a Eucaristia, experimentamos a pertença à Igreja,
ao Povo de Deus, ao Corpo de Deus, a Jesus Cristo. Nunca compreenderemos todo o
seu valor e toda a sua riqueza. Então, peçamos-lhe que este Sacramento possa
continuar a manter viva na Igreja a sua presença e a plasmar as nossas
comunidades na caridade e na comunhão, segundo o Coração do Pai. Fazemos isto
durante a vida inteira, mas começamos a fazê-lo no dia da nossa primeira
Comunhão. É importante que as crianças se preparem bem para a primeira Comunhão
e que cada criança a faça, pois trata-se do primeiro passo desta pertença forte
a Jesus Cristo, depois do Baptismo e do Crisma…”