PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Recebei o Espírito Santo…” (cf. João 20, 22) Hoje celebramos a grande festa de Pentecostes, em memória da efusão do Espírito Santo sobre a primeira comunidade cristã. O Evangelho de hoje (cf. Jo 20, 19-23) leva-nos à tarde do dia de Páscoa e mostra-nos Jesus ressuscitado que aparece no Cenáculo, onde os discípulos se refugiaram. Eles tinham medo. «Colocou-se no meio deles e disse-lhes: “A paz seja convosco!”» (v. 19). Estas primeiras palavras pronunciadas pelo Ressuscitado: «A paz seja convosco» devem ser consideradas mais do que uma saudação: exprimem o perdão, o perdão concedido aos discípulos que, para dizer a verdade, o tinham abandonado. São palavras de reconciliação e de perdão. E também nós, quando desejamos a paz aos outros, estamos a perdoar e a pedir perdão. Jesus oferece a sua paz precisamente a estes discípulos que têm medo, que sentem dificuldade em acreditar no que viram, ou seja, no túmulo vazio, e que subestimam o testemunho de Maria de Madalena e das outras mulheres. Jesus perdoa - perdoa sempre - e oferece a paz aos seus amigos. Não vos esqueçais: Jesus nunca se cansa de perdoar. Somos nós que nos cansamos de pedir perdão. Ao perdoar e reunir os discípulos à sua volta, Jesus faz deles uma Igreja, a sua Igreja: uma comunidade reconciliada e pronta para a missão. Reconciliada e pronta para a missão. Quando uma comunidade não está reconciliada, não está pronta para a missão: está pronta para discutir consigo mesma; está pronta para discussões internas. O encontro com o Senhor ressuscitado inverte a existência dos Apóstolos e transforma-os em testemunhas corajosas. Na verdade, imediatamente a seguir, Jesus diz: «Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós» (v. 21). Estas palavras deixam claro que os Apóstolos são enviados para prolongar a mesma missão que o Pai confiou a Jesus. «Eu envio-te»: não é tempo de ficar preso, nem de se lamentar: de lamentar os “bons tempos”, aqueles tempos passados com o Mestre. A alegria da Ressurreição é grande, mas é uma alegria expansiva, que não deve ser guardada para si mesmo, mas deve ser doada. Nos domingos do Tempo pascal, ouvimos, primeiro, este mesmo episódio; em seguida, o encontro com os discípulos de Emaús; depois, o Bom Pastor; os discursos de despedida e a promessa do Espírito Santo: tudo isto com o objectivo de fortalecer a fé dos discípulos - e também a nossa - tendo em vista a missão. E, precisamente para animar a missão, Jesus dá aos Apóstolos o seu Espírito. O Evangelho diz: «soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo”» (v. 22). O Espírito Santo é fogo que queima os pecados e cria novos homens e mulheres; é fogo de amor com o qual os discípulos poderão “incendiar o mundo”: esse amor de ternura que prefere os pequeninos, os pobres, os excluídos... Nos sacramentos do Baptismo e da Confirmação, recebemos o Espírito Santo com os seus dons: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, conhecimento, piedade, temor de Deus. Este último dom - o temor de Deus - é precisamente o oposto do temor que antes paralisava os discípulos: é o amor ao Senhor; é a certeza da sua misericórdia e bondade; é a confiança de que podemos avançar no rumo por Ele indicado, sem nunca perder a sua presença e apoio. A festa de Pentecostes renova a consciência de que a presença vivificante do Espírito Santo habita em nós. Também nos dá a coragem de sair das paredes protectoras dos nossos “cenáculos”, pequenos grupos, sem nos acomodarmos numa vida tranquila nem nos fecharmos em hábitos estéreis. Elevemos agora o nosso pensamento a Maria. Ela estava lá, com os Apóstolos, quando o Espírito Santo veio; foi protagonista da primeira Comunidade, da admirável experiência do Pentecostes. Peçamos-Lhe para que obtenha para a Igreja um espírito missionário fervoroso. (Papa Francisco na Oração Regina Cae-li, no dia 31 de Maio de 2020, Solenidade do Pentecostes, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

domingo, 24 de maio de 2026

EM DESTAQUE

 


*SOLENIDADE DO PENTECOSTES

A Igreja celebra, neste Domingo, a solenidade do Pentecostes: a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, que estavam reunidos no mesmo lugar, em Jerusalém.
O Espírito manifestou-se como um vento impetuoso, que encheu toda a casa; e como uma espécie de línguas de fogo que pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo…
Pentecostes é a festa da unidade na diversidade, é a festa da luz diante das trevas do pecado e da morte. É a festa do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida.
Os judeus celebravam o Pentecostes com uma grande festa de alegria: era a festa das colheitas, de acção de graças pelas colheitas do trigo. Vinha gente de toda a parte: judeus piedosos que voltavam a Jerusalém, acompanhados pelos seus amigos pagão e prosélitos (recém-convertidos). Nesta celebração, os judeus ofereciam, no templo, as primícias das colheitas. Era, também, chamada ‘Festa das sete semanas’ por ser celebrada sete semanas depois da festa da Páscoa, no quinquagésimo dia. Daí o nome ‘Pentecostes’, que significa “quinquagésimo dia”.
Depois da morte de Jesus, cinquenta dias depois da páscoa da ressurreição, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade cristã de Jerusalém.
O Domingo de Pentecostes encerra o Tempo Pascal e anuncia o nascimento da Igreja, comunidade animada pelo Espírito, que vive em comunhão, partilha os bens, persevera na oração, no ensinamento dos apóstolos e na fracção do pão.

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- DOMINGO DE PENTECOSTES 

 

“…Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos»…” (
cf. João 20, 19-23)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 20 de Maio de 2026
 
Caros irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Hoje, damos início a uma série de catequeses sobre o primeiro Documento, promulgado pelo Concílio Vaticano II: a Constituição sobre a sagrada liturgia ‘Sacrosanctum Concilium’ (SC).
Ao elaborar esta Constituição, os Padres conciliares quiseram não só empreender uma reforma dos ritos, mas levar a Igreja a contemplar e a aprofundar aquele vínculo vivo que a constitui e a une: o mistério de Cristo. Com efeito, a liturgia toca o próprio coração deste mistério: ela é simultaneamente o espaço, o tempo e o contexto em que a Igreja recebe, de Cristo, a própria vida. Sim, na liturgia «cumpre-se a obra da nossa Redenção» (SC, 2), que faz de nós uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido por Deus (cf. 1 Pd 2, 9).
Como manifestou a tripla renovação – bíblica, patrística e litúrgica – que atravessou a Igreja, ao longo do século XX, o Mistério em questão não designa uma realidade obscura, mas o desígnio salvífico de Deus, escondido desde a eternidade e revelado em Cristo, segundo a afirmação de São Paulo (cf. Ef 3, 3-6). Eis, pois, o Mistério cristão: o acontecimento pascal, ou seja, a paixão, a morte, a ressurreição e a glorificação de Cristo, que, precisamente, na liturgia, torna-se sacramentalmente presente, de tal modo que, cada vez que participamos na assembleia congregada «em seu nome» (Mt 18, 20), mergulhamos neste Mistério.
O próprio Cristo é o princípio interior do mistério da Igreja, santo povo de Deus, nascido do seu lado trespassado na cruz. Na sagrada liturgia, com o poder do seu Espírito, Ele continua a agir. Santifica e associa a Igreja, sua esposa, à sua oferenda ao Pai. Exerce o seu sacerdócio absolutamente singular, Ele que está presente na Palavra proclamada, nos Sacramentos, nos ministros que celebram, na comunidade congregada e, em sumo grau, na Eucaristia (cf. SC, 7). É assim que, segundo Santo Agostinho (cf. Serm., 277), celebrando a Eucaristia, a Igreja «recebe o Corpo do Senhor, tornando-se aquilo que recebe»: torna-se o Corpo de Cristo, «morada de Deus pelo Espírito» (Ef 2, 22). Esta é «a obra da nossa Redenção», que nos configura a Cristo e nos edifica na comunhão.
Na sagrada liturgia, esta comunhão realiza-se «por meio dos ritos e das orações» (SC, 48). A ritualidade da Igreja expressa a sua fé – de acordo com o famoso ditado ‘lex orandi, lex credendi’ – e, ao mesmo tempo, modela a identidade eclesial: a Palavra proclamada, a celebração do Sacramento, os gestos, os momentos de silêncio, o espaço - tudo isto representa e dá forma ao povo convocado pelo Pai, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo. Assim, cada celebração torna-se uma verdadeira epifania da Igreja em oração, como recordou São João Paulo II (Carta apostólica Vicesimus quintus annus, 9).
Se a liturgia está ao serviço do mistério de Cristo, compreende-se por que motivo foi definida como, «simultaneamente, a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força» (SC, 10). É verdade que a acção da Igreja não se limita unicamente à liturgia; no entanto, todas as suas actividades (pregação, serviço aos pobres, acompanhamento das realidades humanas) convergem para esta «meta». No sentido inverso, a liturgia sustenta os fiéis, mergulhando-os, sempre e de novo, na Páscoa do Senhor e, por isso, através da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos e da oração comum, eles são revigorados, encorajados e renovados no seu compromisso de fé e na sua missão. Em síntese, a participação dos fiéis na acção litúrgica é «interior» e, ao mesmo tempo, «exterior».
Isto significa também que ela é chamada a manifestar-se concretamente ao longo de toda a vida diária, numa dinâmica ética e espiritual, de tal maneira que a liturgia celebrada se traduz em vida e exige uma existência fiel, capaz de tornar concreto o que foi vivido na celebração: é desta forma que a nossa vida se torna «sacrifício vivo, santo e agradável a Deus», realizando o nosso «culto espiritual» (Rm 12, 1).
Deste modo, «a liturgia edifica, os que estão na Igreja, em templo santo no Senhor» (SC, 2), e forma uma comunidade aberta e acolhedora para todos. Com efeito, ela é habitada pelo Espírito Santo, introduz-nos na vida de Cristo, torna-nos seu Corpo e, em todas as suas dimensões, representa um sinal da unidade de toda a humanidade em Cristo. Como dizia o Papa Francisco, «o mundo ainda não o sabe, mas todos “são convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap 19, 9)» (Carta apostólica Desiderio desideravi, 5).
Caríssimos, deixemo-nos plasmar interiormente pelos ritos, símbolos, gestos e principalmente pela presença viva de Cristo na liturgia, que ainda teremos a oportunidade de aprofundar nas próximas Catequeses. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 




- SALMO 103

 

Refrão: Mandai, Senhor, o Vosso Espírito

               e renovai a terra!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.

Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.


SANTOS POPULARES

 


BEATO CARLOS LIVIERO
 
Carlos Liviero nasceu em Vicenza, no dia 29 de Maio de 1866, filho mais velho de Paulo Liviero e Caetana Gialain. Foi baptizado, no dia seguinte, na Igreja Paroquial de São Pedro Apóstolo.
De Vicenza, a família mudou-se para Monselice, na província de Pádua, para onde o seu pai, ferroviário, foi transferido. Ali, frequentou a escola primária e o ensino médio, revelando, também, desde cedo, a sua vocação para o sacerdócio.
Em Outubro de 1881, entrou no seminário de Pádua, onde se destacou pela sua profunda piedade, diligência e dedicação aos estudos.
Em 30 de Novembro de 1888, foi ordenado sacerdote, aos 22 anos. Pouco depois, foi enviado para Gallio, no planalto de Asiago, na região de Vicenza, conhecido como as ‘Sete Cidades’, para leccionar no Seminário.
Em 1890, tornou-se arcipreste de Gallio e, dez anos depois (1900), foi transferido para Agna, na Baixa Pádua: a região encontrava-se em condições económicas desfavoráveis, e isso teve grandes repercussões na vida religiosa e moral dos seus habitantes.
O Padre Liviero dedicou-se a obras de grande alcance, colocando as suas excelentes qualidades humanas e espirituais ao serviço do Reino de Deus, para libertar os fiéis, a ele confiados, de todas as formas de pobreza. Empreendeu, também, uma dura luta contra o anticlericalismo predominante, defendido pela acção subversiva dos revolucionários socialistas; os seus paroquianos chamavam-lhe "martelo do socialismo".
O seu trabalho apostólico, organizacional e ideológico valeu-lhe o reconhecimento dos seus superiores e, em 6 de Março de 1910, foi nomeado bispo de Città di Castello, cidade histórica da província de Perugia.
Aqui, também, e desde o início, foi forçado, como em Agna, a entrar em combate aberto contra os inimigos da Igreja - socialistas, liberais e maçons - com todo o ardor da sua juventude e das suas convicções bem fundamentadas.
A hostilidade inicial transformou-se em admiração, pelas numerosas obras espirituais e de caridade que surgiram rapidamente por meio do seu ministério pastoral. O Seminário floresceu com muitas vocações; em 1915, foi fundado o "Hospício do Sagrado Coração" para a educação de crianças pobres e órfãs; em 1920, o "Pensionato Sacro Cuore" para estudantes; e em 1925, um acampamento de férias, à beira-mar, em Pesaro para órfãos e crianças escrofulosas [doentes com escrófula - termo vulgar da patologia Linfadenite Cervical Micobacteriana - que designa uma linfadenite cervical dos linfonodos associados à tuberculose, assim como as não tuberculosas (em casos atípicos) micobacterianas. Designada popularmente alporca ou alporque. É uma afecção mórbida geral do organismo, dando lugar a várias moléstias, quase todas de natureza tuberculosa, sobretudo dos gânglios linfáticos (adenites tuberculosas), principalmente do pescoço, da pele e das mucosas, com tendência à cronicidade, à supuração e à ulceração] e debilitadas, da diocese.
Além disso, não podemos esquecer a 'Escola Primária Católica' de 1910, a 'Gráfica Católica' de 1912, a 'Livraria Católica' de 1919, que contava com uma biblioteca circulante; uma sala de projecção de filmes foi inaugurada em 1912 e, posteriormente, um cinema propriamente dito, em 1931.
Para prestar assistência aos órfãos e vítimas desamparadas da Primeira Guerra Mundial, acolhidos no seu "Hospício do Sagrado Coração" e no acampamento de férias à beira-mar, ele fundou uma congregação religiosa feminina chamada "Pequenas Servas do Sagrado Coração". Esta congregação foi aprovada em 16 de Outubro de 1916, pelo Papa Bento XV, e hoje possui um número expressivo de lares e de religiosas.
Fundou, também, o semanário diocesano "Voce di Popolo" e um "Boletim Diocesano" para todos os seus padres. O seu compromisso particular era a formação cristã e moral dos jovens e o valor educativo insubstituível da família.
Em 24 de Junho de 1932, enquanto viajava para o acampamento de férias à beira-mar, em Pesaro, sofreu um grave acidente de viação. Ferido, foi internado no hospital de Fano, onde faleceu no dia 7 de Julho, tão pobre quanto vivera.
Foi sepultado no cemitério de Città di Castello e, em 5 de Março de 1933, os seus restos mortais foram transladados para a cripta da Catedral, colocados num sarcófago de mármore, que se tornou objecto de agradecida homenagem de muitos fiéis.
Foi beatificado, no dia 27 de Maio de 2007, Domingo de Pentecostes, na Praça Gabriotti, na Città di Castello, pelo Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em nome do Papa Bento XVI.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 30 de Maio.
 

domingo, 17 de maio de 2026

EM DESTAQUE

 


*SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR       
 
A Solenidade da Ascensão do Senhor é celebrada 40 dias depois da Páscoa, na Quinta-Feira da Ascensão. Como em muitos países este dia não é considerado feriado religioso, a Festa da Ascensão do Senhor é transferida para o Domingo seguinte.
Esta Festa encerra o Tempo Pascal. Jesus despede-se dos seus apóstolos, confiando-lhes a missão de anunciar o Evangelho em toda a parte. Poderíamos pensar que, subindo ao Céu, Jesus nos deixaria sós. Porém, a separação é só aparente, porque o Senhor continua a actuar, na Igreja e no Mundo, através da acção do seu Espírito que habita no coração dos seus discípulos e torna o Senhor Jesus presente, em comunhão com eles até ao fim dos tempos.
A celebração da Ascensão tem origens antigas e é referida por Eusébio de Cesareia [foi bispo de Cesareia e é referido como o pai da história da Igreja porque nos seus escritos estão os primeiros relatos da história do Cristianismo primitivo] e pela peregrina Egéria [nasceu no século IV d.C. na Hispânia, provavelmente na Galécia, região actualmente ocupada pelo Norte de Portugal e pela Galiza. Foi autora de um dos primeiros relatos sobre uma viagem à Terra Santa, onde esteve entre 381 e 384. Provavelmente fez parte de uma comunidade religiosa, tendo, segundo algumas fontes, chegado a abadessa]. São João Crisóstomo e Santo Agostinho já se referiam a esta solenidade, em várias das suas homilias. Mas, uma influência decisiva, na sua difusão, deve-se a São Gregório de Nazianzo.

DA PALAVRA DO SENHOR

 


VII DOMINGO DA PÁSCOA

- SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR       

 

“…Os onze discípulos partiram para a Galileia,
em direcção ao monte que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram n’O;
mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou Se e disse lhes:
«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.
Ide e ensinai todas as nações,
baptizando as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
ensinando as a cumprir tudo o que vos mandei.
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos»…” (
cf. Mateus 28, 16-20)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 13 de Maio de 2026
 
Caros irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
O Concílio Vaticano II quis dedicar o último capítulo da Constituição dogmática sobre a Igreja à Virgem Maria (cf. Lumen Gentium, 52-69). Ela é «saudada como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, figura e modelo perfeitíssimo na fé e na caridade» (n. 53). Estas palavras convidam-nos a compreender como em Maria - que sob a acção do Espírito Santo recebeu e gerou o Filho de Deus que se fez carne - é possível reconhecer tanto o modelo, como o membro excelente e a mãe de toda a comunidade eclesial.
Deixando-se plasmar pela obra da Graça, que n’Ela se cumpriu, e acolhendo o dom do Altíssimo com a sua fé e o seu amor virginal, Maria é modelo perfeito daquilo que toda a Igreja é chamada a ser: criatura da Palavra do Senhor e mãe dos filhos de Deus, gerados na docilidade à ação do Espírito Santo. Além disso, uma vez que é a crente por excelência, em quem nos é oferecida a forma perfeita da abertura incondicional ao mistério divino, na comunhão do santo povo de Deus, Maria é membro eminente da comunidade eclesial. Afinal, dado que gera filhos no Filho, amados no Amado eterno que veio entre nós, Maria é mãe de toda a Igreja, que pode dirigir-se a Ela com confiança filial, na certeza de ser ouvida, preservada e amada.
Poder-se-ia expressar o conjunto destas características da Virgem Maria, falando d’Ela como mulher ícone do Mistério. Com o termo mulher põe-se em evidência a realidade histórica desta jovem filha de Israel, a quem foi concedido viver a extraordinária experiência de se tornar a mãe do Messias. Com a expressão ícone salienta-se que n’Ela se concretiza o duplo movimento de descida e subida: nela resplandecem tanto a eleição gratuita por parte de Deus, como o livre consentimento da fé n’Ele. Por conseguinte, Maria é a mulher ícone do Mistério, ou seja, do desígnio divino de salvação, outrora escondido, e revelado plenamente em Jesus Cristo.
O Concílio deixou-nos um ensinamento claro sobre o lugar singular reservado à Virgem Maria, na obra da Redenção (cf. Lumen Gentium, 60-62). Recordou que o único Mediador da salvação é Jesus Cristo (cf. 1 Tm 2, 5-6) e que a sua Santíssima Mãe «de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta, antes, a sua eficácia» (LG, 60). Ao mesmo tempo, «a Virgem Santíssima, predestinada para ser Mãe de Deus, desde toda a eternidade, simultaneamente com a encarnação do Verbo […] cooperou de modo singular, com a obediência, a fé, a esperança e a ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É, por esta razão, nossa mãe, na ordem da graça» (ibid., 61).
Na Virgem Maria reflecte-se, inclusive, o mistério da Igreja: n’Ela, o povo de Deus encontra representados a sua origem, o seu modelo e a sua pátria. Na Mãe do Senhor, a Igreja contempla o próprio mistério, não só porque n’Ela encontra o modelo da fé virginal, da caridade materna e da aliança esponsal a que é chamada, mas também e sobretudo porque n’Ela reconhece o próprio arquétipo, a figura ideal daquilo a que é chamada a ser.
Como se pode ver, as reflexões sobre a Virgem Mãe reunidas na Lumen Gentium ensinam-nos a amar a Igreja e a nela servir o cumprimento do Reino de Deus que vem e que se realizará plenamente na glória.
Então, deixemo-nos interpelar por este modelo sublime que é Maria, Virgem e Mãe, e peçamos-lhe que, com a sua intercessão, nos ajude a responder ao que nos é solicitado através do seu exemplo: vivo com fé humilde e activa a minha pertença à Igreja? Reconheço nela a comunidade da aliança que Deus me concedeu, para corresponder ao seu amor infinito? Sinto-me parte viva da Igreja, em obediência aos pastores designados por Deus? Olho para Maria como modelo, membro excelente e mãe da Igreja, e peço-lhe que me ajude a ser discípulo fiel do seu Filho?
Irmãs e irmãos, que o Espírito Santo, que desceu sobre Maria e que invocamos com humildade e confiança, nos conceda viver plenamente estas maravilhosas realidades. E, depois de ter aprofundado a Constituição Lumen Gentium, peçamos à Virgem que nos conceda este dom: cresça em todos nós o amor à Santa Mãe Igreja. Assim seja! (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 46

 

Refrão: Ergue-se Deus, o Senhor, em júbilo

               e ao som de trombetas.

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.


SANTOS POPULARES

 


BEATO RAFAEL LUÍS RAFIRINGA
 
Rafael Luís Rafiringa nasceu no dia 3 de Novembro de 1856, no bairro de Mahamasina, em Antananarivo, Madagáscar.
Sendo pagão, converteu-se ao cristianismo e tornou-se um grande líder católico: um leigo convicto que se dedicou a manter viva a Igreja, em Madagáscar, quando, no final do século XIX, todos os sacerdotes foram expulsos.
Este é o retrato do Irmão Lassalista Rafael Luís Rafiringa, beatificado pelo Papa Bento XVI, no Domingo, 7 de Junho de 2009, em Antananarivo, capital de Madagáscar. Considerado uma figura significativa na evolução do seu país, foi educador, catequista e mediador da paz; mas, também, poeta e erudito de renome, a ponto de ser incluído na academia nacional.
A importância da beatificação de Rafiringa, uma das figuras mais representativas de Madagáscar - precisamente pela sua "modernidade excepcional" - foi reafirmada pelo Arcebispo de Antananarivo, Dom Odon Maria Arsène Razanakolona, ​​que, na homilia da celebração eucarística que presidiu, falou de uma oportunidade de esperança e crescimento para todo o país. A cerimónia de beatificação foi presidida pelo Arcebispo Ângelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Entre os presentes, estava o Superior-Geral dos Irmãos das Escolas Cristãs.
Na festa da Santíssima Trindade, um religioso lassalista torna-se o terceiro beato de Madagáscar, seguindo os passos da leiga Vitória Rasoamanarivo e do padre jesuíta Jacques Berthieu. "Rafiringa é, antes de tudo, um modelo sempre válido; um exemplo a ser seguido", disse o arcebispo malgaxe. "O seu testemunho de fé permanece como uma lembrança para todos os baptizados. Basta dizer que a sua infância foi marcada pelo paganismo opressivo do seu clã”. O seu pai era, de facto, um importante oficial da rainha, e o próprio beato havia sido instruído por feiticeiros.
O ponto de viragem ocorreu em 1866, graças a um encontro com três missionários do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, fundado por São João Baptista de La Salle. Um testemunho que o levou a tornar-se o primeiro religioso lassalista em Madagáscar. "Aos treze anos, ele foi baptizado", explicou o arcebispo. "Rafael, um amante da liberdade, deixou-se guiar pelo Espírito de Deus, e a graça do baptismo transformaria completamente a sua vida, a sua percepção do mundo, a sua maneira de pensar e de agir. A fé permeava o seu cotidiano, influenciando as suas escolhas e impulsionando-o à acção, apesar de muitas e duras provações: a falta de compreensão da sua própria família, que permanecia pagã; as críticas infundadas dos seus adversários; calúnias, ameaças de morte, prisão e o peso de enormes responsabilidades. Mas ele permaneceu firme e tenaz, graças à sua fé inabalável."
O arcebispo observou que a grande popularidade de Rafiringa se devia à sua capacidade de representar as esperanças do povo, ao seu talento como educador e ao seu trabalho como homem de cultura. "Apesar da sua rica personalidade, ele foi capaz de dar aos seus compromissos a unidade e a coerência que a vida religiosa exigia", afirmou. "Ele não teria sido poeta se a sua primeira musa não tivesse sido a fé. Ele não ter-se-ia destacado com o eu domínio das línguas malgaxe e francesa se não fosse para difundir a palavra de Deus."
O arcebispo descreveu-o como "heroico na sua fidelidade à profissão religiosa e à sua missão. Ele foi um cidadão e um cristão responsável. É, portanto, essa fé consciente, vivida diariamente, que nos é apresentada como exemplo. Uma fé que transformou um homem e o seu meio." É especialmente para os jovens que Rafiringa tem uma mensagem especial, hoje. "Elevai os vossos olhares e contemplai este novo bem-aventurado", disse o arcebispo Razanakolona, dirigindo-se directamente às gerações mais jovens. “Meditai sobre a sua vida e deixai-vos guiar pelos seus ensinamentos e pelo seu exemplo. Seguir os seus passos conduzir-vos-á ao caminho certo. Apesar de tudo estar contra ele, o jovem Rafael escolheu dizer livremente ‘sim’ ao chamamento de Cristo. E ele permaneceu fiel a esse sim até a sua morte, a todo o custo, repetindo-o continuamente.”
Aos educadores e pais, bem como aos líderes dos movimentos juvenis, o arcebispo também lançou “um apelo urgente: fazei vossa a vida deste educador excepcional, que alcançou a santidade graças, em parte, aos seus educadores, cristãos convictos que testemunharam o que ensinavam. O segredo reside em manter a coerência entre palavras e acções; entre crença e vida.”
O novo beato atingiu o seu auge, entre 1883 e 1886, quando a situação política levou à expulsão dos missionários da ilha. Ele foi proclamado pelos católicos como o seu líder e, durante três anos, manteve acesa a chama da fé. O que poderia ter sido um golpe mortal para a nascente Igreja de Madagáscar, acabou por se revelar um sucesso inesperado. Com coragem e criatividade, Rafiringa não se esquivou da responsabilidade. Contou com o apoio de Victoria Rasoamanarivo, beatificada em 1989, filha do primeiro-ministro e também cristã, apesar da sua família. Assim, ao retornarem, os missionários encontraram uma comunidade não apenas vibrante, mas também maior. O bispo, mais tarde, referiu-se a ele como tendo sido o seu "substituto durante os anos de exílio". Pela sua obra literária, Rafiringa enfrentou a prisão e o julgamento; porém, a acusação de conspiração contra o Estado foi declarada infundada, e ele foi libertado. Faleceu no dia 19 de Maio de 1919.
O celebrante dirigiu uma palavra especial de gratidão ao Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. "Seguindo os passos do seu santo fundador, Rafiringa esforçou-se por imitar Cristo, observando escrupulosamente a regra da sua congregação, até nos mínimos detalhes". Por essa razão, ele resistiu à pressão. "Permanecendo sozinho, após a expulsão dos missionários, Rafiringa continuou a viver como se a comunidade ainda existisse, 'tocando o sino todos os dias, ao amanhecer e nos momentos de oração'", concluiu o arcebispo, destacando os religiosos e religiosas malgaxes pelo seu trabalho constante em enraizar o Evangelho na cultura de Madagáscar. Como foi enfatizado na sua beatificação, Rafiringa foi elevado às honras do altar não apenas "pelo que fez, mas como o fez".
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 19 de Maio.

sábado, 9 de maio de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


VI DOMINGO DA PÁSCOA

 

“…Filipe desceu a uma cidade da Samaria
e começou a pregar o Messias àquela gente.
As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe,
ao ouvi las e ao ver os milagres que fazia.
De muitos possessos saíam espíritos impuros,
soltando enormes gritos,
e numerosos paralíticos e coxos foram curados.
E houve muita alegria naquela cidade.
Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém
ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus,
enviaram lhes Pedro e João.
Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos,
para que recebessem o Espírito Santo,
que ainda não tinha descido sobre eles.
Então impunham lhes as mãos
e eles recebiam o Espírito Santo…” (
cf. Actos dos Apóstolos 8, 5-8.14-17)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 6 de Maio de 2026
 
Caros irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Reflectindo, hoje, acerca de uma parte do cap. VII da Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Igreja, meditaremos sobre uma das suas características fundamentais: a dimensão escatológica. Com efeito, a Igreja caminha nesta história terrena sempre orientada para a meta final, que é a pátria celeste. Trata-se de uma dimensão essencial que, no entanto, muitas vezes, negligenciamos ou minimizamos, porque estamos demasiado concentrados no que é imediatamente visível e nas dinâmicas mais concretas da vida da comunidade cristã.
A Igreja é o povo de Deus a caminho na história, que tem o Reino de Deus como finalidade de todo o seu agir (cf. LG, 9). Jesus deu início à Igreja, precisamente, anunciando este Reino de amor, de justiça e de paz (cf. LG, 5). Portanto, somos chamados a considerar a dimensão comunitária e cósmica da salvação em Cristo, dirigindo o olhar para este horizonte final, a fim de medir e avaliar tudo nesta perspectiva.
A Igreja vive na história, ao serviço da vinda do Reino de Deus, ao mundo. Ela anuncia, a todos e sempre, as palavras desta promessa; recebe dela uma garantia, na celebração dos Sacramentos, em particular da Eucaristia, concretizando e experimentando a sua lógica nas relações de amor e serviço. Além disso, ela sabe que é lugar e meio onde a união com Cristo se realiza «mais estreitamente» (LG, 48), reconhecendo, ao mesmo tempo, que a salvação pode ser concedida por Deus, no Espírito Santo, até fora dos seus confins visíveis.
A este propósito, a Constituição Lumen gentium faz uma afirmação importante: a Igreja é «sacramento universal de salvação» (LG, 48), ou seja, sinal e instrumento daquela plenitude de vida e de paz prometida por Deus. Isto significa que ela não se identifica perfeitamente com o Reino de Deus, mas é o seu embrião e início, pois o cumprimento só será concedido à humanidade e ao cosmos no fim. Por isso, os crentes em Cristo caminham nesta história terrena, marcada pelo amadurecimento do bem, mas também por injustiças e sofrimentos, sem se deixar iludir nem desesperar; eles vivem orientados pela promessa recebida d’Aquele «que renova todas as coisas» (Ap 21, 5). Por isso, a Igreja cumpre a sua missão entre o “já” do início do Reino de Deus em Jesus e o “ainda não” do cumprimento prometido e esperado. Guardiã de uma esperança que ilumina o caminho, ela está investida, também, da missão de pronunciar palavras claras para rejeitar tudo o que mortifica a vida e impede o seu desenvolvimento, e de tomar posição a favor dos pobres, dos explorados, das vítimas da violência e da guerra e de quantos sofrem no corpo e no espírito (cf. Compêndio da doutrina social da Igreja, n. 159).
Sinal e sacramento do Reino, a Igreja é o povo de Deus peregrino na terra que, precisamente a partir da promessa final, partindo do Evangelho lê e interpreta as dinâmicas da história, denunciando o mal em todas as suas formas e anunciando, com palavras e obras, a salvação que Cristo deseja realizar para toda a humanidade e o seu Reino de justiça, amor e paz. Assim, a Igreja não se anuncia a si própria; pelo contrário, nela tudo deve remeter para a salvação em Cristo.
Nesta perspectiva, a Igreja é chamada a reconhecer humildemente a fragilidade e caducidade humanas das próprias instituições que, embora estejam ao serviço do Reino de Deus, assumem a figura fugaz deste mundo (cf. LG, 48). Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada; aliás, uma vez que vivem na história e no tempo, são chamadas a uma conversão contínua, à renovação das formas e à reforma das estruturas, à regeneração contínua das relações, de modo a poder realmente corresponder à sua missão.
No horizonte do Reino de Deus deve ser compreendida também a relação entre os cristãos que hoje cumprem a sua missão e quantos já terminaram a existência terrena e estão numa fase de purificação ou de bem-aventurança. Com efeito, a Lumen gentium afirma que todos os cristãos formam uma única Igreja, que existe uma comunhão e uma partilha dos bens espirituais fundamentada na união com Cristo de todos os crentes, uma sollicitudo fraterna entre Igreja terrena e Igreja celeste: aquela comunhão dos santos que se experimenta, em particular, na liturgia (cf. LG, 49-51). Orando pelos falecidos e seguindo as pegadas de quantos já viveram como discípulos de Jesus, também nós somos amparados no caminho e fortalecidos na adoração a Deus: marcados pelo único Espírito e unidos, na única liturgia, com aqueles que nos precederam na fé, louvemos e demos glória à Santíssima Trindade.
Agradecemos aos Padres conciliares por nos terem recordado esta dimensão tão importante e tão bela do ser cristão, e procuremos cultivá-la na nossa vida!  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 65

 

Refrão: A terra inteira aclame o Senhor!

Aclamai a Deus, terra inteira,
cantai a glória do seu nome,
celebrai os seus louvores,
dizei a Deus: «Maravilhosas são as vossas obras».

«A terra inteira Vos adore e celebre,
entoe hinos ao vosso nome».
Vinde contemplar as obras de Deus,
admirável na sua acção pelos homens.

Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,
vou narrar vos quanto Ele fez por mim.
Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece,
nem me retirou a sua misericórdia.


SANTOS POPULARES



SÃO MATEUS LE VAN GAM
 
Mateus Le Van Gam nasceu em Long Dai, na província de Bien Hoa, Vietmane, em 1813. Os seus pais eram muito devotos e perseverantes na fé.
Aos quinze anos, Mateus entrou no Seminário de Lai Thieu, mas, assim que começou a estudar latim, foi obrigado a voltar para casa: como filho mais velho, tinha de colaborar no sustento da sua da família.
Quando atingiu a idade de casar, os seus pais apresentaram-no a uma jovem da sua aldeia: deste casamento nasceram quatro filhos, dois dos quais foram martirizados.
Mateus não ocupou cargos importantes, nem eclesiásticos nem políticos, mas gozava de grande estima entre os seus concidadãos. Movido pela força da fé, decidiu servir, activamente, a diocese e os padres missionários, justamente quando a perseguição começou a intensificar-se.
A sua ajuda foi crucial quando, em 1846, tornou-se necessário liderar os seminaristas vietnamitas que serviam em várias cidades da Malásia. Os missionários sabiam que Mateus era um marinheiro habilidoso, capaz de enfrentar os desafios das tempestades, em alto mar.
A primeira viagem transcorreu sem incidentes mas, antes de embarcar para a segunda viagem, Mateus demonstrou uma certa preocupação. O tesoureiro da diocese, contudo, obrigou-o a partir. Antes de deixar o Vietname despediu-se dos seus parentes idosos: "A minha viagem anterior à Malásia foi descoberta pelas autoridades, que suspeitaram que eu tivesse levado mercadorias proibidas pelo governo; por isso, fui perseguido. Creio que a minha vida estará em perigo, nesta segunda viagem, mas confio em Deus, mesmo que seja preso e torturado por amor ao Senhor."
Em 6 de Junho de 1846, Mateus voltou da Malásia no seu barco e preparava-se para entrar no estuário do rio Can Gio. Sabendo que a situação se tornaria perigosa no seu regresso, antes de deixar o Vietname, instruiu o chefe leigo da região de Cho Quan a levar um pequeno sampana (um barco leve) até ao estuário para buscar o bispo. O chefe foi, mas após seis dias retornou: o barco não conseguia avançar, devido às fortes correntes marítimas. No sétimo dia, Mateus, apesar de tudo, tentou avançar e decidiu fazê-lo à noite, na esperança de não ser visto pelos postos de controlo. Infelizmente para ele, era lua cheia: as sentinelas avistaram-no e partiram em perseguição.
Temendo que os soldados o entregassem, juntamente com os seus passageiros, às autoridades, ele ofereceu barras de prata a cada um deles, mas eles recusaram. Somente depois de lhes ter dado mais barras, foi-lhe permitido partir. Os passageiros ficaram aliviados, mas o barco da patrulha voltou e Mateus teve que pagar ainda mais aos soldados. Contudo, o pagamento não havia sido dividido igualmente entre eles; então, o sobrinho do chefe reclamou, acusando os soldados de terem libertado os donos de bens proibidos, mediante pagamento. Então, o chefe militar enviou mais soldados e mais barcos para capturar Mateus e os seus homens.
Alguns dias depois, Mateus foi levado a julgamento para ser interrogado sobre a protecção dada a pregadores europeus. Foi severamente espancado, mas ainda assim recusou-se a profanar a Cruz e as imagens sagradas. Os mandarins ordenaram que ele se deitasse de bruços no chão; depois, agrediram-no com barbaridade e, finalmente, meteram-no na cadeia durante vinte dias. Durante esse tempo, Mateus sofreu mais torturas. A sentença que o condenou à morte por decapitação acusava-o de três crimes: contrabando, transporte ilícito de pessoas e livros religiosos europeus e recusa de profanar a Cruz.
Mateus continuou preso enquanto os mandarins aguardavam a aprovação do rei para a sentença proposta. Durante o seu encarceramento, deu um exemplo aos seus companheiros. Embora estivesse acorrentado e tivesse que usar um instrumento de tortura chamado "cangue" (um tipo de pelourinho), frequentemente dizia: "É da vontade de Deus que eu suporte estes sofrimentos. Estou muito feliz em aceitá-los e obedecer à vontade de Deus."
A sua mãe procurou, muitas vezes, visitá-lo na penitenciária de Saigão. Ficava profundamente comovida, e derramou muitas lágrimas, ao vê-lo acorrentado e enjaulado. O seu filho pediu-lhe que parasse de chorar e se alegrasse, pois ele tinha coragem suficiente para sofrer a morte pela fé cristã; ele não queria perder a oportunidade de receber a graça do martírio.
Sete meses depois, a sentença de morte foi proferida pelos mandarins. No dia 11 de Maio de 1848, Mateus foi levado da prisão para o local da execução. O governador local tentou persuadi-lo a renunciar à sua fé, mas ele respondeu firmemente: "Jamais apostatarei, mesmo que me matem à espada e sofram os maus-tratos da prisão; nada me desanimará; podem decapitar-me." Diante dessa atitude, o governador ordenou que o levassem ao local da execução. Enquanto caminhava alegremente, Mateus repreendeu os seus parentes e amigos, que choravam, por demonstrarem a mesma fraqueza que os pagãos.
Os mandarins deram-lhe alguns instantes para se preparar para a morte e ordenaram ao carrasco que o golpeasse quando o gongo parasse de soar. Após o toque final, ele desferiu o golpe fatal, mas não conseguiu decepar a cabeça; teve que tentar mais duas vezes. Ao cumprir a sua sentença, ergueu a cabeça do mártir, demonstrando que cumpriu o seu dever, mas depois abaixou-a e fugiu.
Mateus Le Van Gam foi beatificado no dia 27 de Maio de 1900, e canonizado, pelo Papa João Paulo II, no dia 19 de Junho de 1988, juntamente com 116 mártires do Vietname.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 11 de Maio.

sábado, 2 de maio de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


V DOMINGO DA PÁSCOA 

 

“…Aproximai vos do Senhor, que é a pedra viva,
rejeitada pelos homens,
mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus.
E vós mesmos, como pedras vivas,
entrai na construção deste templo espiritual,
para constituirdes um sacerdócio santo,
destinado a oferecer sacrifícios espirituais,
agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Por isso se lê na Escritura:
«Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa;
e quem nela puser a sua confiança não será confundido».
Honra, portanto, a vós que acreditais.
Para os incrédulos, porém,
«a pedra que os construtores rejeitaram
tornou se pedra angular»,
«pedra de tropeço e pedra de escândalo».
Tropeçaram por não acreditarem na palavra,
à qual foram destinados.
Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real,
nação santa, povo adquirido por Deus,
para anunciar os louvores»
d’Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável…” (
cf. I Pedro 2,4-9)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 29 de Abril de 2026
 
Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
Hoje desejo falar sobre a Viagem Apostólica que realizei de 13 a 23 de Abril, visitando quatro países africanos: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
Desde o início do meu pontificado, pensei numa viagem a África. Dou graças ao Senhor por me ter concedido realizá-la, como Pastor, para encontrar e encorajar o povo de Deus; e, também, por a ter vivido como mensageiro de paz num momento histórico, marcado por guerras e por graves e frequentes violações do direito internacional. E expresso o meu mais sentido “obrigado” aos Bispos e às Autoridades civis que me receberam e a todos aqueles que colaboraram na a organização.
A Providência quis que a primeira etapa fosse, precisamente, o país onde se encontram os lugares de Santo Agostinho, ou seja, a Argélia. Assim, vi-me, por um lado, a recomeçar pelas raízes da minha identidade espiritual e, por outro, a atravessar e a consolidar pontes muito importantes para o mundo e a Igreja de hoje: a ponte com a época, extremamente fecunda, dos Padres da Igreja; a ponte com o mundo islâmico; a ponte com o continente africano.
Na Argélia, recebi uma hospitalidade não só respeitosa, mas cordial, e pudemos constatar, de perto, e mostrar ao mundo que é possível viver juntos como irmãos e irmãs, até de diferentes religiões, quando nos reconhecemos filhos do mesmo Pai misericordioso. Além disso, foi uma ocasião propícia para nos colocarmos na escola de Santo Agostinho: com a sua experiência de vida, os seus escritos e a sua espiritualidade, ele é mestre na busca de Deus e da verdade. Um testemunho, hoje, mais importante do que nunca para os cristãos e para todas as pessoas.
Nos outros três países que visitei, a população é, na sua grande maioria, cristã e, por isso, mergulhei num clima de festa da fé e de hospitalidade calorosa, favorecido, também, pelos traços típicos do povo africano. Também eu, como os meus predecessores, experimentei um pouco do que acontecia a Jesus com as multidões da Galileia: Ele via-as sedentas e famintas de justiça, anunciando-lhes: “Bem-aventurados os pobres, bem-aventurados os mansos, bem-aventurados os pacificadores...” e, reconhecendo a sua fé, dizia: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo” (cf. Mt 5, 1-16).
A visita aos Camarões, permitiu-me revigorar o apelo ao compromisso conjunto pela reconciliação e a paz, porque também aquele país, infelizmente, está marcado por tensões e violências. Estou feliz por ter visitado Bamenda, na região anglófona, onde incentivei a trabalhar juntos pela paz. Os Camarões são chamados “África em miniatura”, em referência à variedade e à riqueza da sua natureza e dos seus recursos, mas podemos entender esta expressão também no sentido de que as grandes necessidades de todo o continente se encontram nos Camarões: a necessidade de uma distribuição equitativa das riquezas; de dar espaço aos jovens, superando a corrupção endémica; de promover o desenvolvimento integral e sustentável, opondo às várias formas de neocolonialismo uma cooperação internacional clarividente. Agradeço à Igreja nos Camarões e a todo o povo camaronês, que me recebeu com tanto amor, e rezo a fim de que o espírito de unidade, que se manifestou durante a minha visita, se mantenha vivo e guie as escolhas e as acções futuras.
A terceira etapa da Viagem foi Angola, grande país a sul do equador, de tradição cristã plurissecular, ligada à colonização portuguesa. Assim como muitos países africanos, após ter alcançado a independência, Angola atravessou um período convulso, que, no seu caso, foi ensanguentado por uma longa guerra interna. No cadinho desta história, Deus guiou e purificou a Igreja, convertendo-a cada vez mais ao serviço do Evangelho, da promoção humana, da reconciliação e da paz. Igreja livre para um povo livre! No Santuário mariano de Mamã Muxima – que significa “Mãe do coração” – senti pulsar o coração do povo angolano. E, nos vários encontros, vi com alegria tantas religiosas e religiosos de todas as idades, profecia do Reino dos céus no meio do seu povo; vi catequistas que se dedicam inteiramente ao bem das comunidades; vi rostos de idosos esculpidos por fadigas e sofrimentos, mas transparentes à alegria do Evangelho; vi mulheres e homens que dançavam ao ritmo de cânticos de louvor ao Senhor ressuscitado, fundamento de uma esperança que resiste às desilusões causadas pelas ideologias e pelas promessas vãs dos poderosos.
Esta esperança exige um compromisso concreto, e a Igreja tem a responsabilidade, com o testemunho e o anúncio intrépido da Palavra de Deus, de reconhecer os direitos de todos e de promover o seu respeito efectivo. Com as Autoridades civis angolanas, mas também com aquelas dos outros países, pude assegurar a vontade da Igreja católica de continuar a dar esta contribuição, em particular nos campos da saúde e da educação.
O último país que visitei foi a Guiné Equatorial, 170 anos depois da primeira evangelização. Com a sabedoria da tradição e a luz de Cristo, o povo guineense atravessou as vicissitudes da sua história e, nos últimos dias, na presença do Papa, renovou com grande entusiasmo a sua vontade de caminhar unido rumo a um futuro de esperança.
Não posso esquecer o que ocorreu na prisão de Bata, na Guiné Equatorial: os presos entoaram a plenos pulmões um cântico de acção de graças a Deus e ao Papa, pedindo para rezar “pelos seus pecados e a sua liberdade”. Nunca tinha visto nada de semelhante! E depois recitaram comigo o “Pai-Nosso” debaixo de uma chuva torrencial. Um sinal genuíno do Reino de Deus! E ainda debaixo da chuva teve início o grande encontro com a juventude, no estádio de Bata. Uma festa de júbilo cristão, com testemunhos comoventes de jovens que encontraram no Evangelho a vereda para um crescimento livre e responsável. Esta festa culminou na celebração eucarística do dia seguinte, que coroou dignamente a visita à Guiné Equatorial e também toda a Viagem apostólica.
Caros irmãos e irmãs, para as populações africanas, a visita do Papa é ocasião para fazer ouvir a sua voz, para manifestar a alegria de ser povo de Deus e a esperança num porvir melhor, de dignidade para cada um e para todos. Estou feliz por lhes ter proporcionado esta possibilidade e, ao mesmo tempo, dou graças ao Senhor pelo que eles me ofereceram, uma riqueza inestimável para o meu coração e o meu ministério. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 32

 

Refrão: Dai-nos a Vossa Misericórdia,

              de Vós a esperamos, Senhor

 

Justos, aclamai o Senhor,
os corações retos devem louvá-l’O.
Louvai o Senhor com a cítara,
cantai-Lhe salmos ao som da harpa.

A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.


SANTOS POPULARES

 


SÃO JOÃO DE ÁVILA
 
João de Ávila viveu na primeira metade do século XVI. Nasceu a 6 de Janeiro de 1499, ou 1500, em Almodóvar del Campo, Ciudad Real, diocese de Toledo. Foi o único filho de Alonso Ávila e de Catalina Gijón, pais muito cristãos e com uma elevada posição económica e social. Com 14 anos foi estudar Direito na prestigiosa Universidade de Salamanca; porém, abandonou os estudos quando concluiu o quarto curso porque, por causa de uma experiência muito profunda de conversão, decidiu regressar ao domicílio familiar para se dedicar à meditação e à oração.
Com o propósito de se tornar sacerdote, em 1520, foi estudar Artes e Teologia na Universidade de Alcalá de Henares, aberta às grandes escolas teológicas dessa época e à corrente do humanismo renascentista. Em 1526, recebeu a ordenação presbiteral e celebrou a primeira Missa solene na paróquia do seu povoado e, com a finalidade de partir como missionário para as Índias, decidiu distribuir a sua rica herança entre os mais necessitados. Depois, de acordo com aquele que viria a ser o primeiro Bispo de Tlaxcala, na Nova Espanha (México), foi para Sevilha para esperar o momento de embarcar rumo ao Novo Mundo.
Enquanto se preparava para viajar, dedicou-se a pregar na cidade e nas localidades circunvizinhas. Ali encontrou-se com o venerável Servo de Deus, Fernando de Contreras, doutor em Alcalá e prestigioso catequista. Ele, entusiasmado com o testemunho de vida e com a oratória do jovem sacerdote João, conseguiu que o arcebispo sevilhano o levasse a desistir da sua ideia de partir para a América e a ficar na Andaluzia e permanecesse em Sevilha, compartilhando casa, pobreza e vida de oração com Contreras e, enquanto se dedicava à pregação e à direcção espiritual, continuou os estudos de Teologia no Colégio de S. Tomás, onde talvez tenha obtido o título de Mestre.
No entanto, em 1531, por causa de uma sua pregação mal entendida, foi aprisionado. No cárcere, começou a escrever a primeira versão do Audi, filia. Durante aqueles anos, recebeu a graça de penetrar com profundidade singular o mistério do amor de Deus e o grande benefício feito à humanidade pelo Redentor Jesus Cristo. Doravante será este o eixo da sua vida espiritual e o tema central da sua pregação.
Tendo sido emitida a sentença absolutória em 1533, continuou a pregar com notável êxito diante do povo e das autoridades, mas preferiu transferir-se para Córdova, incardinando-se na diocese. Pouco depois, em 1536, o arcebispo de Granada chamou-o para obter dele um conselho, e ali, além de continuar a sua obra de evangelização, completou os estudos nessa Universidade.
Bom conhecedor do seu tempo e com uma formação académica excelente, João de Ávila foi um ilustre teólogo e um humanista verdadeiro. Propôs a criação de um Tribunal Internacional de arbitragem para evitar as guerras e foi também capaz de inventar e patentear algumas obras de engenharia. No entanto, vivendo na pobreza, centrou a sua actividade em acalentar a vida cristã de quantos comprazidos ouviam os seus sermões e o seguiam onde quer que fosse. Especialmente preocupado pela educação e a instrução das crianças e dos jovens, sobretudo daqueles que se preparavam para o sacerdócio, fundou vários Colégios menores e maiores que, depois de Trento, se transformariam em Seminários conciliares. Fundou, outrossim, a Universidade de Baeza (Jaén), importante ponto de referência durante séculos para a formação qualificada de clérigos e seculares.
Depois de ter percorrido a Andaluzia e outras regiões do centro e do oeste da Espanha, pregando e orando, já enfermo, em 1554 retirou-se definitivamente numa casa simples em Montilla (Córdova), onde exerceu o seu apostolado elaborando algumas das suas obras através de uma correspondência abundante. O arcebispo de Granada quis levá-lo como assessor teólogo para as duas últimas sessões do Concílio de Trento; dado que não podia viajar por falta de saúde, redigiu os Memoriales que tiveram grande influência nesta reunião eclesial.
Acompanhado pelos seus discípulos e amigos e padecendo dores agudíssimas, com um Crucifixo nas mãos, entregou a sua alma ao Senhor na sua casa humilde de Montilla, na manhã de 10 de Maio de 1569. (cf. Carta apostólica do Papa Bento XVI sobre São João de Ávila, sacerdote diocesano, na sua proclamado como doutor da igreja universal, para perpétua memória)
João de Ávila foi beatificado, em Roma, pelo Papa Leão XIII, no dia 12 de Novembro de 1893 e canonizado, pelo Papa Paulo VI, no dia 31 de Maio de 1973.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 10 de Maio.

domingo, 26 de abril de 2026

EM DESTAQUE:

 


*DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
 
No dia 26 de Abril de 2026, no IV domingo da Páscoa, chamado “domingo do Bom Pastor”, a Igreja celebra o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Na sua Mensagem para este 63º Dia, o Papa Leão XIV escolheu como tema “A descoberta interior do dom de Deus” e compartilha algumas reflexões sobre a dimensão interior da vocação, “entendida como descoberta do dom gratuito de Deus que brota no profundo do coração de cada um de nós”.
Percorrendo, metaforicamente, o caminho de “uma vida verdadeiramente bela, que o Pastor nos indica”, apresenta quatro pensamentos: O caminho da beleza, o conhecimento recíproco, a confiança e o amadurecimento.
A Mensagem sublinha a importância da ascese, na contemplação, que permite à pessoa parar, escutar, rezar e acolher o olhar de Deus sobre si, a ponto de se confiar ao Pastor, “que fascina: quem o contempla descobre que a vida é realmente bela se O segue”. Um dos traços que distingue os Santos é, precisamente, “a beleza espiritual luminosa que irradia de quem vive em Cristo. Assim, a vocação cristã revela-se em toda a sua profundidade: participar da sua vida, partilhar a sua missão, resplandecer da sua mesma beleza”.
Apresentando o exemplo de Santo Agostinho, mestre de interioridade, o Papa Leão fala da importância “do cuidado da interioridade, como espaço de relação com Jesus; como caminho para experimentar a beleza e a bondade de Deus na própria vida” e da vocação como dom que “nunca é uma imposição ou um esquema prefixado ao qual simplesmente aderir, mas um projetco de amor e de felicidade”.
Do cuidado da interioridade, “é urgente recomeçar na pastoral vocacional e no compromisso sempre novo da evangelização”, diz o Santo Padre, que convida todos – famílias, paróquias, comunidades religiosas, bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas, educadores e fiéis leigos – “a empenhar-se, sempre mais, na criação de contextos favoráveis para que esse dom possa ser acolhido, alimentado, cuidado e acompanhado, para produzir abundantes frutos”.
Sendo a vocação um chamamento único e pessoal, começa pela experiência pessoal do amor de Deus; aquele Deus que conhece e ama profundamente cada um/a e que tem, para cada um/a, um caminho único de santidade e de serviço. Esse conhecimento é recíproco e, por isso, “somos convidados a conhecer Deus por meio da oração, da escuta da Palavra, dos Sacramentos, da vida da Igreja e da doação aos irmãos e irmãs”.
O jovem Samuel, que soube colocar-se à escuta e aprender a reconhecer, com a ajuda de Eli, a voz do Senhor (cf. 1Sm 3,1-10), e ainda Santo Agostinho, segundo o qual “a Verdade habita no homem interior”, recordam a importância de “parar, construir espaços de silêncio interior para poder escutar a voz de Jesus Cristo”.
Daqui o apelo de Leão XIV: “Queridos jovens, escutai esta voz! Escutai a voz do Senhor que vos convida a viver uma vida plena, realizada, frutificando os próprios talentos (cf. Mt 25,14-30) e pregando na Cruz gloriosa de Cristo os próprios limites e fraquezas. Parai, portanto, em adoração eucarística; meditai assiduamente a Palavra de Deus para vivê-la todos os dias; participai, activa e plenamente, da vida sacramental e eclesial. Desse modo, conhecereis o Senhor e, na intimidade própria da amizade, descobrireis como doar-vos a vós mesmos, no caminho do matrimônio, ou do sacerdócio, ou do diaconado permanente, ou ainda na vida consagrada, religiosa ou secular: toda vocação é um dom imenso para a Igreja e para quem a acolhe com alegria”.
É desse conhecimento que nasce a confiança no Senhor e se descobre, a cada dia, que a vida é “um contínuo confiar e entregar-se ao Senhor, mesmo quando os seus planos perturbam os nossos”. Como São José, “um ícone de confiança total no desígnio de Deus”, e como o Jubileu da Esperança ensinou: “é necessário cultivar uma confiança firme e estável nas promessas de Deus, sem jamais ceder ao desespero”.
A vocação, portanto, não é meta alcançada de uma vez para sempre. De facto, é “um processo dinâmico de amadurecimento, favorecido pela intimidade com o Senhor: estar com Jesus, deixar o Espírito Santo agir nos corações e nas situações da vida e reler tudo à luz do dom recebido”. Nesse caminho contínuo de amadurecimento, sublinha o Papa, “como é precioso ter um bom guia espiritual que acompanhe a descoberta e o desenvolvimento da nossa vocação!”, que acompanha no discernimento e na avaliação à luz do Espírito Santo. (cf. cgfmanet.org)
 

DA PALAVRA DO SENHOR

 


IV DOMINGO DA PÁSCOA

 

“…Se vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência,

isto é uma graça aos olhos de Deus.

Para isto é que fostes chamados,

porque Cristo sofreu também por vós,

deixando-vos o exemplo,

para que sigais os seus passos.

Ele não cometeu pecado algum

e, na sua boca, não se encontrou mentira.

Insultado, não pagava com injúrias;

maltratado, não respondia com ameaças;

mas, entregava-Se Àquele que julga com justiça.

Ele suportou os nossos pecados

no seu Corpo, no madeiro da cruz,

a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça:

pelas suas chagas fomos curados.

Vós éreis como ovelhas desgarradas,

mas, agora, voltastes para o pastor e guarda das vossas almas…” (cf. I Pedro 2, 20b - 25)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Homilia da Missa, na Esplanada de Saurimo (Saurimo), na Segunda-Feira, 20 de Abril de 2026, na Visita Apostólica a Angola.
 
Em todas as partes do mundo, a Igreja vive como povo que caminha no seguimento de Cristo, nosso irmão e Redentor: Ele, o Ressuscitado, ilumina-nos a via para o Pai e santifica-nos com a força do Espírito, para que transformemos o nosso estilo de vida segundo o seu amor. Esta é a Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias, sustentando-nos ao longo do caminho. Um caminho que hoje me trouxe até aqui, para estar convosco! Na alegria e na beleza da nossa assembleia, reunida em nome de Jesus, escutamos com coração aberto a sua Palavra de salvação, porque nos faz refletir sobre o motivo e o fim pelos quais seguimos o Senhor.
Quando o Filho de Deus se faz homem, realiza gestos eloquentes para manifestar a vontade do Pai: ilumina as trevas dando a vista aos cegos, dá voz aos oprimidos soltando a língua dos mudos, sacia a nossa fome de justiça multiplicando o pão para os pobres e os fracos. Quem ouve falar destas obras põe-se à procura de Jesus. Ao mesmo tempo, o Senhor vê o nosso coração, perguntando-nos se o procuramos por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor. Com efeito, à gente que o seguia diz: «Vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes» (Jo 6, 26). As suas palavras manifestam os projetos de quem não deseja o encontro com uma pessoa, mas o consumo de objetos. A multidão vê Jesus como um instrumento para atingir outros fins, vê-o como um prestador de serviços. Se Ele não lhes desse de comer, os seus gestos e ensinamentos não interessariam.
O mesmo acontece quando a fé autêntica é substituída por um comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve. Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prémio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe. O relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte. Também o objetivo que aquela multidão se propõe é inadequado: não procuram, efetivamente, um mestre a quem amar, mas um líder a reverenciar por interesse.
Bem diferente é a atitude de Jesus para connosco: Ele não rejeita esta procura sincera, mas incentiva à sua conversão. Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser. Para corresponder com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e imitar a sua iniciativa. Quando, no sinal do pão partilhado, vemos a vontade do Salvador, que se dá a si mesmo por nós, então aproximamo-nos do verdadeiro encontro com Jesus, que se torna seguimento, missão e vida.
A advertência que o Senhor dirige à multidão transforma-se assim num convite: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (Jo 6, 27). Com estas palavras, Cristo indica o seu verdadeiro dom para nós: não nos chama ao desinteresse pelo pão quotidiano, que aliás multiplica em abundância e ensina a pedir na oração. Ele educa-nos a procurar de modo correto o pão da vida, alimento que nos sustenta para sempre. O desejo da multidão encontra assim uma resposta ainda maior e surpreendente: Jesus não nos dá um alimento que acaba, mas um pão que não nos deixa acabar, porque é alimento de vida eterna.
O seu dom ilumina o nosso presente: com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos. Perante tais males, Cristo escuta o clamor dos povos e renova a nossa história: em cada queda levanta-nos, em cada sofrimento conforta-nos, na missão encoraja-nos. Tal como o pão vivo que sempre nos dá – a Eucaristia, assim a sua história não tem fim e, por isso mesmo, remove o fim, ou seja, a morte, da nossa história, que o Ressuscitado abre com a força do seu Espírito. Cristo vive! Ele é o nosso Redentor. Este é o Evangelho que partilhamos, fazendo irmãos todos os povos da terra. Este é o anúncio que transforma o pecado em perdão. Esta é a fé que salva a vida!
O testemunho pascal, portanto, diz respeito certamente a Cristo, o crucificado que ressuscitou, mas precisamente por isso também nos diz respeito a nós: n’Ele ganha voz o anúncio da nossa ressurreição. Não viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade. Na verdade, esta libertação do mal e da morte não acontece apenas no fim dos tempos, mas na história de todos os dias. O que devemos fazer para acolher tal dom? O próprio Evangelho no-lo ensina: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou» (Jo 6, 29). Sim, nós cremos! Hoje, juntos, dizemo-lo com força e gratidão para Convosco, Senhor Jesus. Queremos seguir-Vos e servir-Vos no nosso próximo: a vossa palavra é para nós regra de vida e critério de verdade.
«Ditosos os que seguem a lei do Senhor» (cf. Sl 119/118,1): assim cantámos com o Salmo. Caríssimos, é o Senhor quem traça a via para esta caminhada, não as nossas urgências, nem as modas do momento. Por isso, seguindo Jesus, o caminho eclesial é sempre um «Sínodo da ressurreição e da esperança» (Exort. ap. Ecclesia in Africa, 13), como afirmava São João Paulo II na sua Exortação Apostólica para a África: continuemos nesta sábia direção! Com o Evangelho no coração, tereis coragem diante das dificuldades e desilusões: o caminho, que Deus abriu para nós, nunca desilude. O Senhor caminha sempre ao nosso lado, para que possamos prosseguir na sua estrada: o próprio Cristo dá orientação e força à caminhada, uma caminhada que queremos aprender a viver cada vez mais como deve ser, ou seja, de modo sinodal.
Em particular, «a Igreja anuncia a Boa Nova não só através da proclamação da palavra que recebeu do Senhor, mas também mediante o testemunho de vida, pelo qual os discípulos de Cristo dão razão da fé, da esperança e do amor que neles existe» (ibid., 55). Partilhando a Eucaristia, pão da vida eterna, somos chamados a servir o nosso povo com uma dedicação que levanta de todas as quedas, que reconstrói o que a violência arruína e que partilha com alegria dos vínculos fraternos. Através de nós, a iniciativa da graça divina dá bons frutos sobretudo nas adversidades, como mostra o exemplo do protomártir Estevão (cf. Act 6, 8-15).
Caríssimos, o testemunho dos mártires e dos santos encoraja-nos e impele-nos a um caminho de esperança, de reconciliação e de paz, ao longo do qual o dom de Deus se torna o compromisso do homem na família, na comunidade cristã, na sociedade civil. Percorrendo-o juntos, à luz do Evangelho, a Igreja em Angola cresce segundo aquela fecundidade espiritual que começa na Eucaristia e se prolonga no cuidado integral de cada pessoa e de todo o povo. A vitalidade das vocações que vivenciais é, de modo particular, sinal da correspondência ao dom do Senhor, sempre abundante para quem o acolhe com coração puro. Graças ao Pão de vida nova, que hoje partilhamos, podemos continuar no caminho de toda a Igreja, que tem por meta o Reino de Deus, por luz a fé e por alma a caridade. (cf. Santa Sé)