PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “…Teve compaixão deles …” (cf. Marcos 6, 34) “… O Evangelho de hoje (Mc 6,30-34) narranos que os apóstolos, depois da sua primeira missão, voltaram para junto de Jesus e lhe contaram «tudo o que haviam feito e ensinado» (v. 30). Após a experiência da missão, certamente entusiasmante mas também cansativa, eles sentem a exigência de repousar. E Jesus, cheio de compreensão, preocupa-se em garantir-lhes um pouco de alívio e diz: «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto, e descansai um pouco». Mas, desta vez, a intenção de Jesus não se pode realizar, porque a multidão, intuindo o lugar solitário para onde se teria dirigido de barco, juntamente com os seus discípulos, apressou-se para estar lá antes da sua chegada. O mesmo pode verificar-se, também, hoje. Por vezes, não conseguimos realizar os nossos projectos, porque acontece um imprevisto urgente que altera os nossos programas e requer flexibilidade e disponibilidade em relação às necessidades dos outros. Nestas circunstâncias, somos chamados a imitar o que Jesus fez: «Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas» (v. 34). Nesta breve frase, o evangelista apresenta-nos um flash de singular intensidade, fotografando os olhos do Mestre divino e o seu ensinamento. Observemos os três verbos deste fotograma: ver, ter compaixão, ensinar. Podemos chamá-los os verbos do Pastor. O olhar de Jesus não é neutro nem, pior ainda, frio e distante, porque Ele vê sempre com os olhos do coração. E o seu coração é tão terno e cheio de compaixão, que sabe sentir as necessidades inclusive as mais escondidas das pessoas. Além disso, a sua compaixão não indica simplesmente uma reacção emotiva perante uma situação de dificuldade das pessoas, mas é muito mais: é a atitude e a predisposição de Deus para com o homem e a sua história. Jesus manifesta-se como a realização da solicitude e da bondade de Deus pelo seu povo. Dado que Jesus se comoveu ao ver toda aquela gente necessitada de guia e de ajuda, esperaríamos que ele se preparasse para fazer algum milagre. Ao contrário, começou a ensinar-lhes muitas coisas. Eis o primeiro pão que o Messias oferece à multidão faminta e desorientada: o pão da Palavra. Todos nós precisamos da palavra da verdade, que guie e ilumine o caminho. Sem a verdade, que é o próprio Cristo, não é possível encontrar a orientação certa da vida. Quando nos afastamos de Jesus e do seu amor, ficamos desorientados e a existência transforma-se em desilusão e insatisfação. Com Jesus ao nosso lado, é possível proceder com segurança; é possível superar as provações; progredir no amor a Deus e ao próximo. Jesus fez-se dom para os outros, tornando-se assim modelo de amor e de serviço para cada um de nós…” (Papa Francisco, Ângelus, 22 de Julho de 2018)

sábado, 29 de março de 2025

DA PALAVRA DO SENHOR

 


XVI DOMINGOS COMUM     

“…Os Apóstolos voltaram para junto de Jesus
e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado.
Então Jesus disse-lhes:
«Vinde comigo para um lugar isolado
e descansai um pouco».
De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir
que eles nem tinham tempo de comer.
Partiram, então, de barco
para um lugar isolado, sem mais ninguém.
Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam;
e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar
e chegaram lá primeiro que eles.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão
e compadeceu-Se de toda aquela gente,
que eram como ovelhas sem pastor.
E começou a ensinar-lhes muitas coisas…”
(cf. Marcos 6, 30-34)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro,  Roma, no dia 18 de Julho de 2021


A atitude de Jesus, que observamos no Evangelho da Liturgia de hoje (Mc 6, 30-34), ajuda-nos a compreender dois aspetos importantes da vida. O primeiro é o descanso. Aos Apóstolos, que regressam cansados da missão e narram com entusiasmo tudo o que fizeram, Jesus dirige com ternura um convite: «Vinde à parte, para um lugar deserto, e descansai um pouco» (v. 31). Convida ao descanso.
Agindo assim, Jesus oferece-nos um ensinamento precioso. Embora se regozije ao ver os seus discípulos felizes por causa dos prodígios da pregação, não se detém em elogios e perguntas, mas preocupa-se com o seu cansaço físico e interior. E por que faz isto? Porque quer alertá-los para um perigo, que está sempre à espreita também para nós: o perigo de nos deixarmos enredar pelo frenesi do fazer, de cairmos na armadilha do ativismo, onde o mais importante são os resultados que alcançamos, e de nos sentirmos protagonistas absolutos. Quantas vezes acontece até na Igreja: estamos atarefados, corremos, pensamos que tudo depende de nós e, no final, corremos o risco de negligenciar Jesus e no centro voltamos a pôr-nos sempre nós. É por isso que convida os seus discípulos a descansar um pouco à parte, com Ele. Não se trata apenas de descanso físico, mas é também repouso do coração. Dado que não é suficiente “desligar a tomada”, é preciso descansar verdadeiramente. E como se faz isto? Para o fazer, é necessário voltar à essência das coisas: parar, ficar em silêncio, rezar, para não passar da correria do trabalho à correria das férias. Jesus não evitava as necessidades da multidão, mas todos os dias, antes de mais nada, retirava-se em oração, em silêncio, na intimidade com o Pai. O seu terno convite - descansai um pouco - deveria acompanhar-nos: irmãos e irmãs, tenhamos cuidado com o eficientismo, acabemos com a corrida frenética que dita as nossas agendas. Aprendamos a parar, a desligar o telemóvel, a contemplar a natureza, a regenerar-nos no diálogo com Deus.
No entanto, o Evangelho narra que Jesus e os discípulos não conseguem descansar como gostariam. As pessoas encontram-nos e afluem de todas as partes. Nessa altura, o Senhor compadece-se. Eis o segundo aspeto: a compaixão, que é o estilo de Deus. O estilo de Deus é proximidade, compaixão e ternura. Quantas vezes no Evangelho, na Bíblia, encontramos esta frase: “Teve compaixão”. Comovido, Jesus dedica-se às pessoas e recomeça a ensinar (cf. vv. 33-34). Parece uma contradição, mas na realidade não é. Na verdade, só o coração que não se deixa levar pela pressa é capaz de se comover, ou seja, de não se deixar arrebatar por si mesmo e pelas coisas a fazer, e de se dar conta dos outros, das suas feridas, das suas necessidades. A compaixão nasce da contemplação. Se aprendermos a descansar verdadeiramente, seremos capazes de autêntica compaixão; se cultivarmos um olhar contemplativo, levaremos a cabo as nossas atividades sem a atitude voraz de quem quer possuir e consumir tudo; se permanecermos em contacto com o Senhor e não anestesiarmos a parte mais profunda de nós mesmos, as coisas a fazer não terão o poder de nos tirar o fôlego nem de nos devorar. Necessitamos – prestai atenção a isto – necessitamos de uma “ecologia do coração”, que se compõe de descanso, contemplação e compaixão. Aproveitemos a temporada de verão para isto! (cf. Santa Sé) 

PARA REZAR

 


- SALMO 22

 

Refrão: O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.


SANTOS POPULARES



SANTA BRÍGIDA DA SUÉCIA

 

Brígida nasceu, em 1303, em Finster, na Suécia, uma nação do Norte da Europa que, há três séculos, havia acolhido a fé cristã, com o mesmo entusiasmo com que Brígida a tinha recebido dos seus pais, pessoas muito piedosas, pertencentes a nobres famílias, próximas à Casa real.

A personalidade de Brígida certamente foi forte e decidida, desde criança. Pertencia a uma família aristocrática. Sentiu o chamamento a consagrar a sua vida a Jesus; mas concordou em casar-se com Ulf, governante de um importante distrito do Reino da Suécia, como o seu pai queria. A primeira parte da sua vida, marcada por uma fé forte, foi vivida num casamento feliz, do qual nasceram oito filhos. Uma delas, Catarina – que a seguirá até Roma – também foi canonizada. Juntamente com o seu marido, adoptou a Regra dos Terciários Franciscanos e fundou um pequeno hospital. Guiada por um estudioso religioso, estudou a Bíblia e foi tão apreciada pela sua pedagogia que foi chamada pelo rei da Suécia para apresentar, à jovem rainha, a cultura sueca. Depois de mais de vinte anos de casamento, o seu marido morreu.

Então, começou a segunda parte da sua vida.

Brígida fez uma escolha radical e decisiva: despojou-se dos seus bens e foi viver no Mosteiro Cisterciense de Alvastra.

As experiências místicas que serão relatadas nos seus oito livros do ‘Apocalipse’ datam desse período, e, a partir daqui, começa, também, a sua nova missão.

Em 1349, foi a Roma para obter o reconhecimento da sua Ordem, chamada do ‘Santíssimo Salvador’ e que desejava que fosse composta por freiras e religiosos. Decidiu, então, instalar-se na Cidade Eterna (Roma), numa casa na Piazza Farnese que ainda hoje alberga a Cúria Geral das ‘Brigidinas’ (religiosas de Santa Brígida). No entanto, sofreu com os maus costumes e a degradação generalizada que se vivia na cidade, na qual se fazia sentir fortemente a ausência do Papa, na época, a residir em Avinhão, França. O cerne da sua missão – como a da sua contemporânea Santa Catarina de Sena – foi, portanto, pedir ao Papa que regressasse ao Túmulo de São Pedro, a Roma.

A outra “frente”, em que o seu compromisso foi forte, foi a da paz na Europa. Escreveu aos príncipes para pôr fim à Guerra dos Cem Anos, entre a França e a Inglaterra. As suas obras de caridade foram decisivas nesse período. Ela, que era nobre, viveu na pobreza, chegando a mendigar às portas das igrejas. São os anos das suas peregrinações a vários pontos da Itália: de Assis ao Gargano, ao Santuário de São Miguel Arcanjo; e, finalmente, a peregrinação das peregrinações - à Terra Santa: tinha quase 70 anos, mas isso não a impediu de cumprir o seu propósito.

Foi central, para sua experiência de fé, a contemplação e devoção à Paixão de Cristo e da Virgem Maria. Isto é demonstrado, ainda hoje,pelo “Rosário Brigidino” e pelas orações, ligadas a agradecimentos particulares que Jesus lhe prometeu por quem as recitasse.

Brígida da Suécia morreu no dia 23 de Julho de 1373, em Roma. Confiou a Ordem à sua filha Catarina que, uma vez viúva, se juntou a ela quando Brígida estava em Farfa. A sua grande desilusão foi o facto de o Papa não ter regressado, permanentemente, a Roma. Em 1367, o Papa Urbano V regressou lá, mas apenas por um curto período. Gregório XI ali se estabelecerá definitivamente, ainda que alguns anos após a morte de Brígida.

Foi canonizada, em 1391, pelo Papa Bonifácio IX. Santa Brígida é a padroeira da Suécia. Foi declarada co-padroeira da Europa, em 1999, pelo Papa João Paulo II, que sublinhou como “a Igreja, sem se pronunciar sobre revelações individuais, aceitou a autenticidade global da sua experiência interior”. A sua figura é muito cara aos últimos Papas. Bento XVI dedicou-lhe uma catequese, na audiência geral; e o Papa Francisco quis canonizar a mulher que no século XX renovou a Ordem do Santíssimo Salvador, Maria Elisabete Hesselblad, a quem daria uma forte marca ecuménica, sempre no despertar daquela busca de paz e de unidade, tão cara a Brígida.

A sua memória litúrgica é celebrada no dia 23 de Julho.

sábado, 15 de março de 2025

EM DESTAQUE:

 


*Semana Nacional Cáritas - de 16 a 23 de Março
Mensagem de D. José Traquina, Bispo de Santarém e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana
 
Amor que transforma em tempo de Jubileu
“Cáritas é a carícia da Igreja para com o seu povo; a carícia da Mãe Igreja para com os seus filhos, a sua ternura e a sua proximidade”. Papa Francisco
 
Na sociedade em que vivemos, emergem diversas situações de pessoas e famílias que necessitam de respostas de apoio. No desejo de uma sociedade mais justa e melhor, não é suficiente responsabilizar, por todas as soluções, os que assumem cargos políticos. Como membros da sociedade, podemos e devemos fazer parte da solução. Além disso, como cristãos, não é apenas um imperativo ético, mas também uma questão de fidelidade ao Evangelho. Não podemos viver com distanciamento, desinteresse ou indiferença para com a realidade social a que pertencemos.
Existem pessoas pobres que, todavia, sentem felicidade na vida porque se amam e respeitam. Em sentido contrário, a violência entre pessoas, em diversos ambientes, incluindo o familiar, é um problema que tem vindo a acentuar-se. A violência e a falta de qualidade nos relacionamentos humanos geram pessoas infelizes e fazem aumentar a pobreza. Os outros não são o inferno. O inferno é a pessoa existir sem amor por nada nem ninguém, sem nenhuma causa justa que dê sentido à sua vida.
A ‘Semana Cáritas’ (de 16 a 23 de Março), em contexto de caminhada para a Páscoa e em Ano Santo – Jubileu 2025, é uma oportunidade para exortar todos a participar na edificação do bem comum da sociedade, através da Cáritas. E é oportunidade, também, para reconhecer e valorizar o empenho das muitas centenas de pessoas que se dedicam ao bem do próximo, salientando o ‘fogo’ do Amor-Cáritas que as anima e mobiliza.
A Cáritas tem uma identidade que lhe vem do Evangelho. “Jesus chamou os discípulos e disse: tenho compaixão desta multidão” (Mc 8,2). É necessário alimentar e manter este Amor de compaixão, o fogo interior que nos motiva e identifica como uma graça, uma vontade que nos supera. Neste sentido, os profissionais e os voluntários que trabalham na rede Cáritas representam todos os que fazem chegar o seu donativo económico para aplicar nos diversos projectos de apoio.
É oportuno salientar o esforço das Cáritas Diocesanas que têm valências de respostas sociais permanentes, com acordos estabelecidos com a Segurança Social, onde os valores dos contratos dos mesmos são sempre inferiores ao volume das despesas. Todos os anos enfrentam a preocupação com a subida dos custos de funcionamento.
Por ser uma actividade integrada no tempo quaresmal, a Semana Nacional Cáritas não tem uma data fixa. Acontece todos os anos, na semana que antecede o Dia Cáritas, instituído pela Conferência Episcopal Portuguesa, no 3º Domingo da Quaresma. Durante esta semana, as diferentes Cáritas diocesanas que compõem a rede nacional Cáritas, promovem momentos de envolvimento público e de animação local. A nível nacional, o destaque vai para a realização do Peditório de rua e online. Também, no Dia Nacional Cáritas, o ofertório das celebrações eucarísticas é consignado à Cáritas Diocesana correspondente.
Este é um momento que a Cáritas privilegia, não apenas pela sua dimensão de angariação de verbas, que se destinam à acção local de todas as Cáritas diocesanas, mas por ser uma oportunidade de contacto directo com a população, com aqueles que apoiam a missão da Cáritas e, também, em muitas situações, com aqueles que são beneficiários da acção da Cáritas, em Portugal.
“O Amor-Cáritas não é uma filantropia. É o amor que brota de Deus e transforma a pessoa humana, iluminando-a com a graça de poder olhar a todos a partir do coração de Deus. Porque a capacidade natural do amor enfraquece pela fragilidade humana, devemos aproveitar o tempo que nos é oferecido para renovar a nossa identidade e missão com a graça do Amor-Cáritas, dom de Cristo Pascal.
 

DA PALAVRA DO SENHOR

 


II DOMINGO DA QUARESMA

 

“…Sede meus imitadores
e ponde os olhos naqueles
que procedem segundo o modelo que tendes em nós.
Porque há muitos,
de quem tenho falado várias vezes
e agora falo a chorar,
que procedem como inimigos da cruz de Cristo.
O fim deles é a perdição:
têm por deus o ventre,
orgulham-se da sua vergonha
e só apreciam as coisas terrenas.
Mas a nossa pátria está nos Céus,
donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
que transformará o nosso corpo miserável,
para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso,
pelo poder que Ele tem
de sujeitar a Si todo o universo.
Portanto, meus amados e queridos irmãos,
minha alegria e minha coroa,
permanecei firmes no Senhor. (cf. Filipenses 3, 17 -  4, 1)


EM DESTAQUE:



*VIVER O JUBILEU
(continuação)
 
A LITURGIA
 
A liturgia é a oração pública da Igreja: de acordo com o Concílio Vaticano II, é "a meta para a qual se encaminha" toda a sua acção "e a fonte de onde promana toda a sua força" (Sacrosanctum Concilium, 10). No centro, está a celebração eucarística, onde o Corpo e o Sangue de Cristo são recebidos: como peregrino, Ele caminha ao lado dos discípulos e revela-lhes os segredos do Pai, para que possam dizer: " Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso" (Lc 24,29).
Um rito litúrgico, característico do Ano Santo, é a abertura da Porta Santa: até ao século passado, o Papa - mais ou menos simbolicamente - dava início ao ano jubilar demolindo o muro que a selava. Os pedreiros tinham o cuidado de remover os tijolos completamente. Desde 1950, o muro é demolido anteriormente e, durante uma liturgia coral solene, o Papa empurra a porta do lado de fora, passando-a como o primeiro peregrino. Esta e outras expressões litúrgicas que acompanham o Ano Santo enfatizam que a peregrinação do Jubileu não é um acto íntimo e individual, mas um sinal do caminho de todo o Povo de Deus em direcção ao Reino.
                                                                                                     (a continuar)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na homilia da Missa, no dia 3 de março de 2019
 
Caros irmãos e irmãs:
Há dias, ouvimos no Evangelho que Jesus explica ao povo a sabedoria cristã, com parábolas. Por exemplo, um cego não pode guiar outro cego; depois, o discípulo não é maior do que o Mestre; ainda, não há uma árvore boa que produza um fruto mau. Assim, com estas parábolas, ensina as pessoas.
Gostaria de analisar apenas uma, que não repeti. Digo-a, agora:: «Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não reparas na trave que está na tua própria vista? Como podes dizer ao teu irmão: “Irmão, deixa-me tirar o argueiro da tua vista”, tu que não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás para tirar o argueiro da vista do teu irmão». E com isto, o Senhor quer ensinar-nos a não criticar os outros, a não reparar nos defeitos dos outros: repara primeiro nos teus, nos teus defeitos. “Mas, Padre, eu não os tenho!” — Ah, muito bem! Garanto-te que se não te apercebes de os ter agora, encontrá-los-ás no Purgatório! É melhor vê-los neste mundo.
Todos temos defeitos, todos. Mas estamos habituados, um pouco por inércia, um pouco pela força de gravidade do egoísmo, a reparar nos defeitos alheios: nisto todos somos peritos. Vemos imediatamente os defeitos dos outros. E falamos deles. Pois falar mal dos outros parece bom, agrada-nos. Não, nesta paróquia talvez isso não aconteça, mas noutras partes é muito comum. Acontece sempre assim: “Ah, como está?” — “Bem, muito bem, com este tempo, tudo está bem...” — “Mas viu aquele...?” E, imediatamente, se cai nisto...
Não sei se ouvis estas coisas, mas não é bom. E isto não é novo: já se fazia no tempo de Jesus. É uma coisa que, com o pecado original que temos, nos leva a condenar os outros, a condenar. E somos imediatamente especialistas em encontrar os aspectos maus dos outros, sem ver os nossos. E Jesus diz: “Tu condenas este por uma coisa mínima, e tu tens tantas faltas maiores, mas não as vês”. Isto é verdade: a nossa maldade não é muita, porque estamos habituados a não ver os nossos limites, a não ver os nossos defeitos, mas somos especialistas em ver os defeitos dos demais.
E Jesus diz-nos uma palavra muito má, muito feia: “Se percorrerdes esse caminho, sereis hipócritas”. É desagradável dizer hipócrita: Jesus dizia-o aos fariseus, aos doutores da lei, que pregavam uma coisa e faziam outra. Hipócrita. Hipócrita significa alguém que tem um pensamento duplo, uma opinião dupla: um diz isso abertamente e o outro secretamente, com a qual condena os outros. Significa ter uma maneira dupla de pensar, uma maneira dupla de se mostrar. Mostram-se como pessoas boas, perfeitas, e por detrás condenam. Por isso Jesus evita esta hipocrisia e aconselha-nos: “É melhor que tu repares nos teus defeitos e deixa que os outros vivam em paz. Não te intrometas na vida alheia: pensa na tua”.
E isto é uma coisa que não acaba ali: o coscuvilheiro não acaba com a coscuvilhice; o mexeriqueiro vai além, semeia discórdia, semeia inimizade, semeia o mal. Ouvi isto, não exagero: com a língua começam as guerras. Tu, falando mal dos outros, começas uma guerra. Um passo rumo à guerra, uma destruição. Pois, é o mesmo destruir o outro com a língua ou com uma bomba atómica; é o mesmo. Tu destróis. E a língua tem o poder de destruir como uma bomba atómica. É muito potente. E não sou eu que o digo, é o apóstolo Tiago, na sua Carta. Pegai na Bíblia e reparai nisto. É muito potente! É capaz de destruir. E com os insultos, com o falar mal dos outros começam muitas guerras: guerras domésticas — começa-se a gritar — guerra no bairro, no lugar de trabalho, na escola, na paróquia... Por isso Jesus diz: “Antes de falar mal dos outros, pega num espelho e olha para ti mesmo; repara nos teus defeitos e envergonha-te por os teres. E deste modo ficarás mudo sobre os defeitos dos demais”. “Não, Padre, é que muitas vezes há pessoas más, com tantos defeitos...”. Mas, está bem, sê corajoso, sê corajosa, e diz-lho na cara: “Tu és mau, tu és má, por estares a fazer isto e aquilo”. Di-lo directamente, não pelas costas, por trás. Directamente. “Mas não me quer ouvir”. Então di-lo a quem pode remediar a situação, a quem a pode corrigir, mas não com o mexerico, pois a bisbilhotice nada resolve, pelo contrário. Agrava a situação e leva-te à guerra.
Começamos o tempo da Quaresma: seria tão bom que cada um de nós, nesta Quaresma, reflectisse sobre isto. Como me comporto eu com as pessoas? Como é o meu coração diante das pessoas? Sou um hipócrita, que faço um sorriso e depois pelas costas critico e destruo os outros? Sou um hipócrita, que sorrio e depois por trás critico e destruo com a minha língua? E se nós, no final da Quaresma, tivermos sido capazes de corrigir um pouco isto, e não criticarmos sempre os demais pelas costas, garanto-vos que a Ressurreição de Jesus se verá mais bela, maior entre nós. “Mas como, Padre, é muito difícil, porque vem-me espontâneo criticar os outros” — pode haver quem diga, pois é um costume que o diabo semeia entre nós. É verdade, não é fácil. Mas há dois remédios que ajudam muito. Antes de tudo, a oração. Se sentires vontade de “falar mal” do outro, de criticar alguém, reza por ele, reza por ela, e pede ao Senhor para resolver esse problema, e a ti, que te feche a boca. Primeiro remédio: a oração. Sem a oração nada podemos fazer. E segundo, há outro remédio, também ele muito prático como a prece: quando sentires vontade de falar mal de alguém, morde a língua. Com força! Pois assim ela incha e não poderás falar. Trata-se de um remédio prático, muito prático.
Pensai a sério no que diz Jesus: “Porque reparas nos defeitos dos outros e não vês os teus, que são maiores?”. Reflecti bem! Pensai que este mau hábito é o princípio de tantas desuniões, de tantas guerras domésticas, guerras no bairro, guerras no lugar de trabalho, de tantas inimizades. Refleti sobre isto. E rezai ao Senhor. Rezai para que nos conceda a graça de não falar mal dos outros… (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 26
 
Refrão: O Senhor é minha luz e minha salvação.
 
O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei de temer?
O Senhor é protetor da minha vida:
de quem hei de ter medo?
 
Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,
tende compaixão de mim e atendei-me.
Diz-me o coração: «Procurai a sua face».
A vossa face, Senhor, eu procuro.
 
Não escondais de mim o vosso rosto,
nem afasteis com ira o vosso servo.
Não me rejeiteis nem me abandoneis,
meu Deus e meu Salvador.
 
Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.

SANTOS POPULARES

 


SANTA BENEDITA CAMBIAGIO
 
Benedita Cambiagio Frassinello nasceu em Langasco, Génova, Itália, no dia 2 de Outubro de 1791, numa família de camponeses, sendo a mais nova dos sete filhos de José Cambiagio e de Francisca Ghiglione. Foi baptizada dois dias depois. Ainda menina, a família mudou-se para Pavia, Itália.
Recebeu dos pais uma profunda educação cristã que enraíza nela os princípios da fé, formando, assim, um carácter forte e perseverante. Perto dos vinte anos, viveu uma experiência interior muito forte que a levou a uma vida intensa de oração e penitência. Nesta altura, sentiu o desejo de abandonar tudo para se consagrar, inteiramente, a Deus.
No dia 7 de Fevereiro de 1816, por insistência dos seus pais, casou-se com João Baptista Frassinello, um jovem que tinha chegado de Génova, com os pais.
O caminho de Benedita à procura da bondade de Deus é bastante difícil. Tendo sentido, interiormente, desde a adolescência, o desejo por uma vida virginal consagrada, viveu o seu matrimónio na simplicidade e na doação, durante dois anos. Viveu a alegria de realizar, no estado matrimonial, uma dimensão profunda e sublime da virgindade espiritual. O seu marido, atraído pela santidade de Benedita, quis seguir o ideal dela e moraram juntos como irmãos. Preocupam-se, com singular amor, com a irmã de Benedita, Maria, gravemente doente de cancro intestinal e hospedada na sua casa.
Benedita e José experimentaram, então, uma maternidade e paternidade espirituais sobrenaturais, na fidelidade ao amor conjugal sublimado.
Em 1825, quando Maria morreu, João Baptista Frassinello entrou na comunidade religiosa dos Somascos [A Ordem dos Clérigos Regulares de Somasca é uma Ordem Religiosa Católica fundada por São Jerónimo Emiliano, no século XVI. O Carisma da família somasca está voltado para as crianças carentes e para os jovens abandonados] e Benedita entrou na comunidade das Irmãs Ursulinas de Capriolo.
Em 1826, por problemas de saúde, Benedita retornou a Pavia. Curada milagrosamente por S. Jerónimo Emiliano, começou a ocupar-se das jovens e crianças, com a aprovação do bispo D. Luís Tosi.
Precisando de ajuda, que o seu pai não podia dar-lhe, o Bispo chamou João Baptista: ele deixou o noviciado e voltou para a sua esposa-irmã, renovando juntos o voto de castidade perfeita, diante do bispo. Os dois dedicaram-se, generosamente, no acolhimento e na educação humana e cristã das jovens e crianças pobres e abandonadas.
A obra de Benedita introduziu-se na vida social de Pavia, num período no qual a instituição escolar é acolhida, como uma verdadeira colaboradora para o bem da sociedade. Foi a primeira mulher da cidade e do Estado a chamar a atenção para a importância da educação integral das crianças e dos jovens e o governo austríaco (na época, Génova e Pavia faziam parte do Império austríaco) reconheceu o seu trabalho e concedeu-lhe o título de “Promotora da Educação Pública”.
Nesta sua obra, foi ajudada por algumas jovens e voluntárias, para as quais preparou um estatuto aprovado pelas Autoridades Eclesiásticas. Uniu ao ensinamento escolar a formação catequética e o trabalho. São estas as “armas” das quais se serve para transformar as jovens e as crianças em modelos de vida cristã e assegurar, desse modo, a verdadeira formação delas.
A constante dedicação de Benedita nasce e cresce do fervor eucarístico e da contemplação do crucifixo, segura de que Deus é o seu sustento e a sua válida defesa.
Na sua vida não faltaram experiências místicas, que se repetiam, particularmente, nas festas litúrgicas; mas, isto não interferiu nos compromissos quotidianos de Benedita. Por amor das jovens e das crianças estava disposta a qualquer sacrifício pessoal, prescindindo dos bens materiais e até da fama, mostrando, assim, a incomparável grandeza da “pedagogia do Evangelho”.
A particularidade da sua Obra e o programa educativo de Benedita foram duramente criticados, quer pela oposição de alguns poderosos que se sentiam contrariados nos seus desonestos desejos, quer pela incompreensão de algumas pessoas do próprio clero.
Em Julho de 1838, Benedita cedeu a sua Instituição ao Bispo D. Luís Tosi e, com o marido e cinco Irmãs, deixou Pavia e mudou-se para Ligúria.
Em Ronco Scrivia, iniciou uma escola para jovens, e fundou a congregação das “Irmãs Beneditinas da Providência”, para as quais escreveu as Regras e as Constituições, que revelam o desenvolvimento do seu carisma, estendendo a todas as jovens e crianças a educação, a instrução e a formação cristã, com o inconfundível espírito de ilimitada confiança e abandono na Divina Providência e do amor a Deus, através da pobreza e da caridade.
A Congregação das Irmãs Beneditinas da Providência desenvolveu-se rapidamente. Em 1847, estabeleceu-se também em Voghera. Esta Obra, 40 anos depois da morte de Benedita, por iniciativa do Bispo, transformou-se num instituto independente. Nesta circunstância, as Irmãs assumem o nome“Irmãs Beneditinas da Divina Providência” em memória da sua fundadora, Benedita Cambiagio.
Em 1851, Benedita voltou a Pavia e em.1857, abriu uma escola na cidade de Valpolcevera, chamada São Quirico.
Benedita Cambiagio Frassinello faleceu no dia 21 de Março de 1858, em Ronco Scrivia. Ao seu redor juntou-se um grande número de pessoas para uma última manifestação de estima e chorar aquela que consideravam uma Santa.
Em Benedita Cambiagio Frassinello a Igreja mostra-nos um exemplo de Santa esposa, madre, religiosa e fundadora. Ela deixou-se conduzir pelo Espírito, através da experiência matrimonial, a de educadora e a de consagração religiosa, até fundar, juntamente com o seu marido, uma congregação que é o único caso na história da Igreja.
Ainda hoje, Benedita pode ser proposta como modelo e intercessora: às pessoas consagradas: para imitar Cristo no abandono amoroso nas mãos do Pai; aos esposos para uma total partilha de amor, para uma mais profunda maternidade e paternidade; aos jovens para abrir o coração a Cristo, fonte de alegria e ideal de vida; aos educadores para prevenir, compreender, abrir horizontes de futuro para os mais novos; às famílias para que experimentem coragem e confiança nos momentos de dificuldades, saibam aceitar as dificuldades quando obrigados a mudar-se do lugar de origem, saibam acolher a doença e ajudar os mais velhos a morrer serenamente.
Benedita foi beatificada, no dia 10 de Maio de 1987, e canonizada no dia 19 de Maio de 2002, pelo Papa João Paulo II, na Praça de São Pedro, em Roma. Na sua homilia, disse o Papa: “…"Ó luz ditosa, invade no íntimo o coração dos teus fiéis". As palavras da Sequência constituem uma bonita síntese de toda a existência de Benedita Cambiagio Frassinello e explicam a sua extraordinária riqueza espiritual. Orientada pela graça divina, a nova Santa preocupou-se em cumprir, com fidelidade e coerência, a vontade de Deus. Com confiança ilimitada na bondade do Senhor, abandonava-se à sua "Providência amorosa", profundamente convencida de que, como gostava de repetir, é preciso "fazer tudo por amor a Deus e para Lhe agradar". Eis a preciosa herança que Santa Benedita Cambiagio Frassinello deixa às suas filhas espirituais, e que hoje é proposta a toda a Comunidade cristã…”
A memória litúrgica de Santa Benedita Cambiagio Frassinello é celebrada no dia 21 de Março.

domingo, 9 de março de 2025

DA PALAVRA DO SENHOR




I DOMINGO DA QUARESMA

 

“…Moisés falou ao povo, dizendo:
«O sacerdote receberá da tua mão
as primícias dos frutos da terra
e colocá-las-ás diante do altar do Senhor teu Deus.
E diante do Senhor teu Deus, dirás as seguintes palavras:
‘Meu pai era um arameu errante,
que desceu ao Egipto com poucas pessoas,
e aí viveu como estrangeiro
até se tornar uma nação grande, forte e numerosa.
Mas os egípcios maltrataram-nos, oprimiram-nos
e sujeitaram-nos a dura escravidão.
Então invocámos o Senhor Deus dos nossos pais
e o Senhor ouviu a nossa voz,
viu a nossa miséria, o nosso sofrimento
e a opressão que nos dominava.
O Senhor fez-nos sair do Egipto
com mão poderosa e braço estendido,
espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios.
Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra,
uma terra onde corre leite e mel.
E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra
que me destes, Senhor’.
Então colocarás diante do Senhor teu Deus
as primícias dos frutos da terra
e te prostrarás diante do Senhor teu Deus».
 (cf. Deuteronómio 26, 4-10)


EM DESTAQUE:



*VIVER O JUBILEU
(continuação)
 
A ORAÇÃO
 
Há muitas maneiras e muitas razões para rezar; na base há sempre o desejo de se abrir à presença de Deus e à sua oferenda de amor. A comunidade cristã sente-se chamada e sabe que só pode recorrer ao Pai porque recebeu o Espírito do Filho. E é, de facto, Jesus que confiou aos seus discípulos a oração do Pai-Nosso, também comentada pelo Catecismo da Igreja Católica (cf. CCC 2759-2865). A tradição cristã oferece outros textos, como a Ave-Maria, que ajudam a encontrar as palavras para se dirigir a Deus: "É através de uma transmissão viva, tradição, que, na Igreja, o Espírito Santo ensina os filhos de Deus a rezar" (CCC 2661).
Os momentos de oração, feitos durante o caminho, mostram que o peregrino tem os caminhos de Deus "no seu coração" (Sl 83,6). Também, para esse tipo de descanso servem as paragens e as várias etapas, muitas vezes fixadas em torno de pequenos nichos, alminhas, santuários ou outros lugares particularmente ricos do ponto de vista do significado espiritual, onde se percebe que – antes e ao mesmo tempo – outros peregrinos passaram e que caminhos de santidade percorreram nessas mesmas estradas.  As estradas que levam a Roma, na verdade, muitas vezes coincidem com o caminho de  muitos santos.
 
                                                                                                     (a continuar)

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO

 


- Catequese preparada do Papa para o dia 5 de Março de 2025
 
Caros irmãos e irmãs:
Nesta última catequese, dedicada à infância de Jesus, inspiremo-nos no episódio em que, aos doze anos, Ele permaneceu no Templo sem avisar os pais, que o procuraram ansiosamente e o encontraram depois de três dias. Esta narração apresenta-nos um diálogo muito interessante entre Maria e Jesus, que nos ajuda a reflectir sobre o caminho da mãe de Jesus, um percurso que certamente não foi fácil. Com efeito, Maria percorreu um itinerário espiritual ao longo do qual progrediu na compreensão do mistério do seu Filho.
Repensemos nas várias etapas deste percurso. No início da sua gravidez, Maria visita Isabel e permanece com ela durante três meses, até ao nascimento do pequeno João. Depois, quando já está no nono mês, por causa do recenseamento, vai com José a Belém, onde dá à luz Jesus. Após quarenta dias, vão a Jerusalém para a apresentação do menino; e depois, todos os anos, regressam em peregrinação ao Templo. Mas, com Jesus ainda pequenino, refugiaram-se, durante muito tempo, no Egipto, para o proteger de Herodes e, só após a morte do rei, voltaram a estabelecer-se em Nazaré. Quando Jesus, já adulto, inicia o seu ministério, Maria está presente e é protagonista nas bodas de Caná; sucessivamente, segue-o “à distância”, até à última viagem a Jerusalém, até à paixão e morte. Depois da Ressurreição, Maria permanece em Jerusalém como Mãe dos discípulos, sustentando a sua fé à espera da efusão do Espírito Santo.
Ao longo de todo este caminho, a Virgem é peregrina de esperança, no sentido forte, que se torna “filha do seu Filho”, sua primeira discípula. Maria trouxe ao mundo Jesus, Esperança da humanidade: alimentou-o, fê-lo crescer, seguiu-o, deixando-se plasmar primeiro pela Palavra de Deus. Nela - como disse Bento XVI - Maria «sente-se verdadeiramente em casa; dela sai e a ela volta com naturalidade. Fala e pensa com a Palavra de Deus [...] fica assim patente que os seus pensamentos estão em sintonia com os de Deus; que a sua vontade está unida à de Deus. Vivendo intimamente permeada pela Palavra de Deus, Ela pôde tornar-se mãe da Palavra encarnada» (Encíclica Deus caritas est, 41). No entanto, esta comunhão singular com a Palavra de Deus não a poupa ao esforço de uma “aprendizagem” exigente.
A experiência da perda de Jesus aos doze anos, durante a peregrinação anual a Jerusalém, assusta Maria a tal ponto que se faz porta-voz até de José, repreendendo o filho: «Meu filho, por que nos fizeste isto? Eis que o teu pai e eu te procurávamos, cheios de aflição» (Lc 2, 48). Maria e José sentiram a dor dos pais que perdem um filho: ambos acreditavam que Jesus estava na caravana dos parentes, mas não o tendo visto durante um dia inteiro, começam a busca que os levará a fazer a viagem de regresso. Quando voltam ao Templo, descobrem que Aquele que aos seus olhos, até há pouco tempo, era um menino a proteger, cresceu como que repentinamente e já era capaz de participar em debates sobre as Escrituras e de enfrentar os mestres da Lei.
À repreensão da mãe, Jesus responde com uma simplicidade desarmante: «Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas do meu Pai?» (Lc 2, 49). Maria e José não compreendem: o mistério do Deus que se fez menino supera a sua inteligência. Os pais querem proteger aquele filho preciosíssimo sob as asas do seu amor; Jesus, pelo contrário, quer viver a sua vocação de Filho do Pai que está ao seu serviço e vive mergulhado na sua Palavra.
Assim, as Narrações da Infância de Lucas encerram-se com as últimas palavras de Maria, que recordam a paternidade de José em relação a Jesus, e com as primeiras palavras de Jesus, que reconhecem como esta paternidade tem origem na do seu Pai celeste, de quem reconhece o primado inquestionável.
Prezados irmãos e irmãs: como Maria e José, cheios de esperança, sigamos também nós os passos do Senhor, que não se deixa limitar pelos nossos esquemas, fazendo-se encontrar não tanto num lugar, mas na resposta de amor à terna paternidade divina, resposta de amor que é a vida filial. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 90
 
Refrão: Estai comigo, Senhor, no meio da adversidade.
 
Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo
e moras à sombra do Omnipotente,
Diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela:
meu Deus, em Vós confio».
 
Nenhum mal te acontecerá
nem a desgraça se aproximará da tua tenda,
porque Ele mandará aos seus Anjos
que te guardem em todos os teus caminhos.
 
Na palma das mãos te levarão,
para que não tropeces em alguma pedra.
Poderás andar sobre víboras e serpentes,
calcar aos pés o leão e o dragão.
 
Porque em Mim confiou, hei-de salvá-lo;
Hei-de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.
Quando Me invocar, hei-de atendê-lo,
estarei com ele na tribulação,
hei-de libertá-lo e dar-lhe glória.
 
 

SANTOS POPULARES

 


SÃO CLEMENTE MARIA HOFBAUER
 
João Hofbauer nasceu em Tasswitz no dia 26 de Dezembro de 1751. Foi o último dos doze filhos de Paulo Hofbauer e de Maria Steer. O pai trabalhava como talhante. A família era muito pobre e o pequeno João frequentou muito pouco a escola. Com a morte do pai, foi trabalhar como servente no Mosteiro dos premonstratenses de Burra, onde desempenhou o ofício de padeiro. [A Ordem Premonstratense foi fundada por São Norberto (nascido no ano de 1080, em Xanten, situado no Baixo Ren) em 1121 no vale de Premontré (“mostrado antes”), um lugarejo isolado na floresta de Coucy, na diocese de Laon, França. Os “cónegos regulares de Prémontré contribuíram significativamente para o desenvolvimento das populações e para a renovação da Igreja, sobretudo na Europa”.
Na Idade Média, cerca de 400 casas da Ordem estavam disseminadas por toda a Europa, desde a Noruega até à Palestina, exercendo uma considerável influência na cultura ocidental da época.]
Durante algum tempo viveu como eremita. Foi quando mudou o nome para Clemente. De volta a Viena, e graças à generosidade de três senhoras piedosas e ricas, pôde estudar na universidade. Em 1784, viajou para Roma juntamente com o seu colega e amigo Tadeu. Os dois peregrinos foram parar à casa dos redentoristas, recentemente estabelecidos em São Julião, no Monte Esquilino, onde foram recebidos como candidatos.
Depois de um noviciado breve, fizeram a profissão no dia 19 de Março de 1785 e, dez dias depois, em 29 de Março de 1785, foram ordenados sacerdotes, em Alatri. Juntamente com o Padre Tadeu, voltou a Viena onde quis estabelecer a Congregação. Mas isto não era possível devido às leis josefismas. [José II da Áustria, apesar de muito apegado ao catolicismo, não hesitou em colocar a Igreja sob a sua autoridade, exercendo uma política religiosa autónoma de Roma, que ficou conhecida por josefismo. Suprimiu as ordens contemplativas e vendeu os bens destas em proveito das obras assistenciais; fez com que os clérigos seculares se tornassem funcionários civis e instituiu seminários estatais. Limitou o culto das relíquias, os feriados e as peregrinações].
Foram então para Varsóvia onde se encarregou da igreja alemã de São Beno. Começou uma intensa actividade pastoral, e lá atraiu numerosos candidatos, desejosos de se unirem a ele. A igreja de São Beno tornou-se sede de uma missão contínua, com um programa diário de pregações, instruções, confissões e devoções. Fundou, também, um orfanato para meninos e meninas. Esta actividade continuou até os 1808, quando Napoleão Bonaparte fechou a igreja e dispersou a comunidade.
Clemente estabeleceu-se novamente em Viena e lá permaneceu até à sua morte. Como capelão do convento e da igreja das Ursulinas, teve uma influência extraordinária na cidade inteira. Aconselhou e encorajou alguns líderes do novo movimento romântico e outros que trabalhavam para a renovação católica nos países de língua alemã.
Foi-lhe conferido o título e a responsabilidade de Vigário-Geral da congregação redentorista fora da Itália, principalmente para o sul da Alemanha e Suíça. São Clemente foi a base da renovação da vida redentorista, na Europa do Norte.
São Clemente morreu em Viena, no dia 15 de Março de 1820. Quando o Papa Pio VII teve notícia da sua morte e disse: “A religião perdeu, na Áustria, o seu apoio principal.”
São Clemente Hofbauer foi declarado patrono de Viena e venerado como o principal propagador da Congregação Redentorista.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 15 de Março.
 

domingo, 2 de março de 2025

DA PALAVRA DO SENHOR

 


VIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
 
“…Quando este nosso corpo corruptível se tornar incorruptível
e este nosso corpo mortal se tornar imortal,
então se realizará a palavra da Escritura:
«A morte foi absorvida na vitória.
Ó morte, onde está a tua vitória?
Ó morte, onde está o teu aguilhão?»
O aguilhão da morte é o pecado
e a força do pecado é a Lei.
Mas dêmos graças a Deus,
que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim, caríssimos irmãos,
permanecei firmes e inabaláveis,
cada vez mais diligentes na obra do Senhor,
Sabendo que o vosso esforço não é inútil no Senhor…”
(cf. 1 Coríntios 15, 54-58)

EM DESTAQUE:

 


*VIVER O JUBILEU
(continuação)
 
A RECONCILIAÇÃO
 
O Jubileu é um sinal de reconciliação, pois abre um "tempo favorável" (cf. 2 Cor 6:2) para a própria conversão: colocar Deus no centro da sua existência, movendo-se em direcção a Ele e reconhecendo a Sua primazia. Até mesmo a referência à restauração da justiça social e do respeito pela terra, na Bíblia, surge de uma exigência teológica: se Deus é o criador do universo, Ele deve ter prioridade sobre todas as realidades, mesmo sobre os interesses pessoais e até partidários. É Ele quem torna este ano santo, dando-lhe a sua própria santidade.
Como lembrou o Papa Francisco, ao anunciar o Jubileu Extraordinário de 2015: "A misericórdia não é contrária à justiça, mas expressa o comportamento de Deus em relação ao pecador, oferecendo-lhe mais uma possibilidade de se arrepender, converter e acreditar [...]. Esta justiça de Deus é a misericórdia concedida a todos, como graça, em virtude da morte e ressurreição de Jesus Cristo. A Cruz de Cristo, portanto, é o julgamento de Deus sobre todos nós e sobre o mundo, porque nos oferece a certeza do amor e da nova vida" (Misericordiae Vultus, 21).
Os cristãos, durante o Jubileu, são desafiados a celebrar o sacramento da reconciliação, a aproveitar este tempo para redescobrir o valor da confissão e receber, pessoalmente, a palavra do perdão de Deus. Existem algumas igrejas jubilares que oferecem esta possibilidade.
 
                                                                                                     (a continuar)
 

IGREJA MATRIZ DE SANTA MARIA DA FEIRA IGREJA JUBILAR



 

HORÁRIO DE ABERTURA DA IGREJA:

 

          - de Segunda a Sábado -------  9,00 – 12,00  h.

                                                          14,00 – 17,00 h.

          - Domingo -----------------   ---   14,00 – 18,00 h.

 

Celebração da Eucaristia:

 

          - Terça e Sexta ------------------ 18,00 h.

          - Sábado …………………….  18,30 h.

          - Domingo …………………      8,00 h. e 18,00 h.

 

TEMPO DA QUARESMA

 


A Igreja inicia, no dia 5 de Março, a vivência do Tempo Santo da Quaresma: peregrinação de conversão, de penitência, de abertura do coração a Deus e aos outros, tempo de recolhimento espiritual.
Com início na Quarta-feira de Cinzas e termo na Quinta-Feira Santa, a Igreja Católica convida-nos, também, à prática do jejum, da abstinência e da esmola como expressão do nosso esforço de mudança, aderindo, com fidelidade e alegria, às propostas de Jesus.
O tempo da Quaresma deve ser um exercício de verdadeira comunhão com Deus através de uma oração mais intensa e profunda. Na oração, encontramos fortaleza combate contra o espírito do mal que insiste em habitar no mundo e nos abrindo a graça do Senhor. Abre-se então, o caminho para o itinerário de 40 dias rumo à Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, caminho de participação e inserção no mistério de Cristo.
O percurso percorrido consiste na busca pela nossa conversão, à procura de um “tempo” do Deus – Encarnado que se manifesta em nosso meio. A Igreja sugere práticas para este tempo que iluminam a vida do cristão: Jejum, Oração e Caridade. Nas palavras do Santo Padre, o Papa Francisco: “Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de ´devorar´ tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Oração, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola (caridade), para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence”.
 

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO

 


- Mensagem do Papa para a Quaresma de 2025
 
- Caminhemos juntos na esperança -
 
Queridos irmãos e irmãs!
Com o sinal penitencial das cinzas sobre as nossas cabeças, iniciamos, na fé e na esperança, a peregrinação anual da Santa Quaresma. A Igreja, mãe e mestra, convida-nos a preparar os nossos corações e a abrir-nos à graça de Deus para podermos celebrar, com grande alegria, o triunfo pascal de Cristo, o Senhor, sobre o pecado e a morte, como exclamava São Paulo: «A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» ( 1Cor 15, 54-55). Realmente, Jesus Cristo, morto e ressuscitado, é o centro da nossa fé e a garantia da nossa esperança na grande promessa do Pai, já realizada n’Ele, Seu Filho amado: a vida eterna (cf. Jo 10, 28; 17, 3).
Nesta Quaresma, enriquecida pela graça do Ano Jubilar, gostaria de oferecer algumas reflexões sobre o que significa caminhar juntos na esperança e evidenciar os apelos à conversão que a misericórdia de Deus dirige a todos nós, enquanto indivíduos e comunidades.
Antes de tudo, caminhar. O lema do Jubileu – “Peregrinos de Esperança” – traz à mente a longa travessia do povo de Israel em direcção à Terra Prometida, narrada no livro do Êxodo: a difícil passagem da escravidão para a liberdade, desejada e guiada pelo Senhor, que ama o seu povo e sempre lhe é fiel. E não podemos recordar o êxodo bíblico sem pensar em tantos irmãos e irmãs que, hoje, fogem de situações de miséria e violência e vão à procura de uma vida melhor para si e para seus entes queridos. Aqui, surge um primeiro apelo à conversão, porque todos nós somos peregrinos na vida. Mas, cada um pode perguntar-se: como me deixo interpelar por esta condição? Estou realmente a caminho ou estou paralisado, estático, com medo e sem esperança, acomodado na minha zona de conforto? Busco caminhos de libertação das situações de pecado e falta de dignidade? Seria um bom exercício quaresmal confrontar-nos com a realidade concreta de algum migrante ou peregrino e deixar que ela nos interpele, a fim de descobrir o que Deus nos pede para sermos melhores viajantes, rumo à casa do Pai. Esse é um bom “exame” para o viandante.
Em segundo lugar, façamos esta viagem juntos. Caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja. Os cristãos são chamados a percorrer o caminho em conjunto, jamais como viajantes solitários. O Espírito Santo impele-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro de Deus e dos nossos irmãos, e nunca a fechar-nos em nós mesmos. Caminhar juntos significa ser tecelões de unidade, partindo da nossa dignidade comum de filhos de Deus (cf. Gl 3, 26-28); significa caminhar lado a lado, sem pisar ou subjugar o outro; sem alimentar invejas ou hipocrisias; sem deixar que ninguém fique para trás ou se sinta excluído. Sigamos na mesma direcção, rumo a uma única meta, ouvindo-nos uns aos outros com amor e paciência.
Nesta Quaresma, Deus pede-nos que verifiquemos se nas nossas vidas e famílias, nos locais onde trabalhamos, nas comunidades paroquiais ou religiosas, somos capazes de caminhar com os outros, de ouvir, de vencer a tentação de nos entrincheirarmos na nossa autorreferencialidade e de olharmos apenas para as nossas próprias necessidades. Perguntemo-nos diante do Senhor se somos capazes de trabalhar juntos ao serviço do Reino de Deus, como bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos; se, com gestos concretos, temos uma atitude acolhedora em relação àqueles que se aproximam de nós e a quantos se encontram distantes; se fazemos com que as pessoas se sintam parte da comunidade ou se as mantemos à margem. Este é o segundo apelo: a conversão à sinodalidade.
Em terceiro lugar, façamos este caminho juntos na esperança de uma promessa. A esperança que não engana (cf. Rm 5, 5), mensagem central do Jubileu, seja para nós o horizonte do caminho quaresmal, rumo à vitória pascal. Como o Papa Bento XVI nos ensinou, na Encíclica ‘Spe salvi’ (Salvos na esperança), «o ser humano necessita do amor incondicionado. Precisa daquela certeza que o faz exclamar: “Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8, 38-39)». Jesus, nosso amor e nossa esperança, ressuscitou e, vivo, reina glorioso. A morte foi transformada em vitória e aqui reside a fé e a grande esperança dos cristãos: na ressurreição de Cristo!
Eis o terceiro apelo à conversão: o da esperança, da confiança em Deus e na sua grande promessa, a da vida eterna. Devemos perguntar-nos: estou convicto de que Deus me perdoa os pecados? Ou comporto-me como se me pudesse salvar sozinho? Aspiro à salvação e peço a ajuda de Deus para a receber? Vivo concretamente a esperança que me ajuda a ler os acontecimentos da história e me impele a um compromisso com a justiça, a fraternidade, o cuidado da casa comum, garantindo que ninguém seja deixado para trás?
Irmãs e irmãos: graças ao amor de Deus em Jesus Cristo, somos conservados na esperança que não engana (cf. Rm 5, 5). A esperança é “a âncora da alma”, inabalável e segura. Nela, a Igreja reza para que «todos os homens sejam salvos» ( 1Tm 2, 4) e ela própria anseia estar na glória do céu, unida a Cristo, seu esposo. Santa Teresa de Jesus expressou isso da seguinte forma: «Espera, espera, que não sabes quando virá o dia nem a hora. Vela com cuidado, que tudo passa com brevidade, embora o teu desejo faça o certo duvidoso, e longo o tempo breve» (Exclamações, XV, 3).
Que a Virgem Maria, Mãe da Esperança, interceda por nós e nos acompanhe no caminho quaresmal.
 
Roma, São João de Latrão, na Memória dos Santos mártires Paulo Miki e companheiros, 6 de Fevereiro de 2025.
 
FRANCISCO                                                                                                              (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 91
 
Refrão: É bom louvar-Vos, Senhor.
 
É bom louvar o Senhor
e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,
proclamar pela manhã a vossa bondade
e durante a noite a vossa fidelidade.
 
O justo florescerá como a palmeira,
crescerá como o cedro do Líbano:
plantado na casa do Senhor,
florescerá nos átrios do nosso Deus.
 
 
Mesmo na velhice dará o seu fruto,
cheio de seiva e de vigor,
para proclamar que o Senhor é justo;
n’Ele, que é o meu refúgio, não há iniquidade.
 

SANTOS POPULARES

 


BEATO JOSÉ OLALLO VALDÈS
 
José Olallo Valdès nasceu no dia 12 de Fevereiro de 1820, em Havana - Cuba. Um mês depois, mãos desconhecidas colocaram-no na roda dos enjeitados que o bispo havia instalado na entrada do orfanato de Havana, na ilha de Cuba. No embrulho, além da data de nascimento, uma nota explica que a criança ainda não tinha sido baptizada. Filho de pais desconhecidos, foi confiado ao Orfanato de São José, em Havana, onde recebeu o baptismo, no dia 15 de Março de 1820. Deram-lhe o nome de José Olallo Valdès: o primeiro nome é em homenagem ao santo a quem o instituto é dedicado; o segundo nome, atribuído a todos os enjeitados por precaução, quase como sobrenome materno, segundo o costume espanhol, para que não pareça que nasceram de “pais desconhecidos”, corresponde ao apelido de Santa Eulália, celebrado no dia do nascimento da criança; o sobrenome Valdès é o do bispo, que corajosamente quer que todos os enjeitados da sua diocese sejam chamados por este nome. Em seguida, José foi levado do orfanato para a “casa da caridade”, Aqui, recebeu uma boa educação que, certamente, não teria recebido na sua própria casa, porque isso era, realmente, um luxo reservado aos ricos. Em 1833, uma epidemia de cólera eclodiu em Havana e o jovem de treze anos ofereceu-se para ajudar: foi assim que descobriu a vocação da sua vida. Alguns anos depois, entrou no noviciado da Ordem Hospitaleira de São João de Deus, (também conhecidos pela expressão “Fazei bem, irmãos”), na comunidade do Hospital dos Santos Filipe e Tiago, em Havana.
Esta Ordem - fundada por São João de Deus, nascido em Montemor-o-Novo, Portugal, no dia 8 de Março de 1495 e falecido em Granada, Espanha, no dia 8 de Março de 1550, é um santo da Igreja Católica que se distinguiu na assistência aos pobres e aos doentes, através de um hospital, por ele fundado, em Granada, em 1539, com o objectivo de o ajudarem nessa missão e noutras extensões de serviço aos outros que viriam a surgir - aos três votos de pobreza, castidade e obediência acrescentam o voto específico da hospitalidade, naturalmente para com os doentes mais marginalizados e abandonados, seguindo o exemplo do seu fundador, que foi um autêntico gigante da caridade.
Nesta comunidade, o jovem José sente-se verdadeiramente à vontade: aprende a cuidar dos que sofrem e também a moldar-se, já que durante o noviciado criticaram o seu carácter, por ser muito na aparência e pouco na substância. Desse trabalho interior, emergiu um homem religioso, vertical e de ideias extremamente claras. Ele precisava bem desta fortaleza de alma e coração, porque tempos difíceis estavam a chegar para os religiosos cubanos: abolição dos conventos com menos de doze frades; confiscação dos bens eclesiásticos; imposição do abandono do estado eclesiástico; proibição da prática religiosa, como já acontecia em Espanha, desde 1835.
Naquele ano, o Irmão Olallo foi designado para o hospital de Camaguey, e cerca de noventa doentes são confiados aos seus cuidados. Chamado a escolher entre esta missão ou ir para uma outra, num contexto melhor, ele abraçou, incondicionalmente, a causa dos pobres. O preço desta escolha foi ser reduzido a ser um frade sem convento, sem irmãos e sem hábito religioso: uma exclaustração completa Ele viveu neste hospital durante 54 anos, dormindo apenas uma noite fora daquele espaço e devido a força maior. Aproveitava o seu tempo livre para actualizar os seus conhecimentos de enfermagem; prestar atenção a algumas noções médicas - já que havia escassez de médicos na cidade – porque, algumas vezes era chamado a realizar pequenas cirurgias. Muitas vezes, ia até ao rio para lavar as roupas dos pacientes, quando o hospital não tinha condições de pagar a uma lavadeira. Sempre sorridente e disponível, ele é, no entanto, capaz de gestos corajosos e pouco convencionais, como quando recolheu, na rua, e enterrou o corpo do general Agramonte, morto pelos espanhóis, ou quando se opôs às disposições governamentais sobre o tipo de doentes que devem ser internados no hospital, porque para ele os pobres não têm rótulo.
Pobre como eles, vivia de esmolas porque não tinha nada que fosse verdadeiramente seu. Dedicava-se ao seu trabalho e a cuidar dos mais pobres até esgotar todas as suas forças.
Morreu como um simples irmão leigo (porque não se sentia digno do sacerdócio), no dia 7 de Março de 1889. A sua morte foi considerada a "morte de um homem justo", de um santo: morte, vigília, funeral e sepultamento, com um mausoléu-monumento, que tem sido continuamente visitado, desde então, testemunham a sua santidade e a veneração dos seus devotos. Ele morreu, mas permaneceu vivo no coração do povo, que gostava de chamá-lo de “Pai Olallo”.
A grande fama de santidade que o cercava nasceu da sua vida de homem modesto, justo e generoso, de modelo de virtude e de coração ardente de amor pelos "meus amados irmãos": sóbrio, alegre, afável, mas sobretudo excelente servidor na caridade. Ele soube ser um fiel imitador do seu Fundador. Deus era sua vida e, consequentemente, iluminado pelo amor de Deus, ele retribuía muito amor da mesma maneira. “Deus ocupava o primeiro lugar nas suas intenções e obras: com os olhos fixos no bem, ele trazia constantemente Jesus na sua alma”. Esta caridade heróica tinha os seus fundamentos numa fé que reconhecia em “Deus, seu Pai, e em Jesus, todo o centro da sua vida, fundamento do seu amor e da sua misericórdia; Jesus crucificado era o segredo da sua fidelidade ao amor de Deus que movia todas as suas obras”.
Embora tenaz de espírito, sempre se submeteu a Deus para melhor enfrentar e suportar as duras e quotidianas fadigas impostas pelo trabalho hospitalar e pelas situações difíceis e delicadas que envolviam riscos de vida, procurando sempre obter o bem dos seus pacientes.
Quando construíram um monumento em sua homenagem, tiveram o cuidado de referir que "ele tocaria o céu, se os corações gratos dos pobres que ele assistia, fossem, ali, acrescentados".
Frei José Olallo Valdès foi beatificado, na cidade de Camagüey, Cuba, no dia 29 de Novembro de 2008, em cerimónia presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, em nome do Papa Bento XVI. Foi o primeiro cubano a ser beatificado.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 7 de Março.