PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “…Vigiai… Estai preparados” (cf. Mateus 24, 37-44) Hoje começamos o caminho do Advento, que culminará no Natal. O Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar ao regresso de Cristo. Ele voltará a nós na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-lo, e virá de novo no fim dos tempos para «julgar os vivos e os mortos». Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expetativa de o encontrar. A liturgia hodierna introduz-nos precisamente neste tema sugestivo da vigilância e da expetativa. No Evangelho (cf. Mc 13, 33-37) Jesus exorta a prestar atenção e a vigiar, a fim de estarmos prontos para o acolher no momento do regresso. Diz-nos: «Ficai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo [...]; vigiai, para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo» (vv. 33-36). A pessoa atenta é a que, em meio ao barulho do mundo, não se deixa tomar pela distração ou pela superficialidade, mas vive de maneira plena e consciente, com uma preocupação voltada antes de tudo aos outros. Com esta atitude percebemos as lágrimas e as necessidades do próximo e podemos dar-nos conta também das suas capacidades e qualidades humanas e espirituais. A pessoa atenta também se preocupa com o mundo, procurando contrastar a indiferença e a crueldade presentes nele, e alegrando-se pelos tesouros de beleza que contudo existem e devem ser preservados. Trata-se de ter um olhar de compreensão para reconhecer quer as misérias e as pobrezas dos indivíduos e da sociedade, quer a riqueza escondida nas pequenas coisas de cada dia, precisamente ali onde nos colocou o Senhor. A pessoa vigilante é a que aceita o convite a vigiar, ou seja, a não se deixar dominar pelo sono do desencorajamento, da falta de esperança, da desilusão; e ao mesmo tempo, rejeita a solicitação de tantas vaidades de que o mundo está cheio e atrás das quais, por vezes, se sacrificam tempo e serenidade pessoal e familiar. É a experiência dolorosa do povo de Israel, narrada pelo profeta Isaías: Deus parecia ter deixado desviar para longe dos seus caminhos o seu povo (cf. 63, 17), mas estes era um efeito da infidelidade do próprio povo (cf. 64, 4b). Também nós encontramo-nos frequentemente nesta situação de infidelidade à chamada do Senhor: Ele indica-nos o caminho bom, o caminho da fé, o caminho do amor, mas nós procuramos a nossa felicidade noutro lugar. Estar atentos e vigilantes são os pressupostos para não continuar a “desviar para longe dos caminhos do Senhor”, perdidos nos nossos pecados e nas nossa infidelidades; estar atentos e ser vigilantes são as condições para permitir que Deus irrompa na nossa existência, para lhe restituir significado e valor com a sua presença cheia de bondade e ternura. Maria Santíssima, modelo na expetativa de Deus e ícone da vigilância, nos guie ao encontro do filho Jesus, revigorando o nosso amor por Ele. (cf. Papa Francisco, na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro, Roma, no dia 3 de Dezembro de 2017)

sábado, 29 de novembro de 2025

EM DESTAQUE



*TEMPO DE ADVENTO
 
A Igreja, neste fim-de-semana de 29/30 de Novembro, inicia um novo ano litúrgico, que vai desde o 1º Domingo do Advento até à Solenidade de Cristo-Rei.
O Advento é o tempo litúrgico que prepara e precede o Natal . Nos ritos cristãos ocidentais, marca o início do novo ano litúrgico . O termo "Advento" vem do latim ‘adventus’, que significa ‘vinda’, ‘chegada’; mas, em sentido mais comum, é entendido como a espera do Senhor, preparação para o Natal: os fiéis renovam a alegre esperança do nascimento de Jesus.
Na tradição do Rito Romano da Igreja Católica, o Advento dura quatro domingos e é dividido em dois períodos. O primeiro período contempla a futura vinda de Cristo em glória, no fim dos tempos, desafiando os cristãos para a urgência da conversão e da penitência.
No segundo período, que começa no dia 17 de Dezembro, a liturgia concentra-se na vinda de Cristo,  pela sua Encarnação.
Acreditamos que, hoje, Jesus quer nascer no coração de cada fiel e, através dele, nascar no meio do mundo, em todas as realidades que precisam de ser salvas.
Durante o Advento, as vestes sagradas do sacerdote são roxas, com excepção do 3º Domingo, no qual o sacerdote pode usar paramentos cor-de-rosa. este domingo é chamado ‘Gaudete’, reflectindo o significado da antífona de entrada da Santa Missa, que cita uma passagem da Carta aos Filipenses onde São Paulo nos convida à alegria: “Alegrai-vos, sempre, no Senhor; repito: alegrai-vos!”.
Aqui, o caráter penitencial do Advento é ofuscado pela esperança da gloriosa vinda de Cristo.
 


 
*O PAPA LEÃO XIV, NA TURQUIA E NO LÍBANO
 
O Papa iniciou, no dia 27 de Novembro, a sua primeira viagem internacional, visitando a Turquia e o Líbano. Da visita constam várias celebrações ecuménicas e a evocação do 1700.º aniversário do Concílio de Niceia. Esta viagem decorre desde 27 de Novembro a 2 de Dezembro.
No primeiro dia da sua visita, em Istambul (antiga Constantinopla) o Papa vai participar em momentos de oração com membros da comunidade católica, antes de deslocar para Íznik, (antida Niceia) onde tem lugar um encontro ecuménico de oração, no local das escavações arqueológicas da Basílica de São Neófito. A cidade Niceia recebeu, no ano 325, 1º Concílio Ecuménico, com a missão de preservar a unidade da Igreja, perante correntes teológicas que negavam a plena divindade de Jesus Cristo e a sua igualdade com o Pai, reunindo cerca de 300 bispos, convocados pelo imperador Constantino. Os participantes acabaram por definir o ‘Símbolo de fé’, o Credo, que ainda hoje se professa nas celebrações eucarísticas dominicais.
O Papa vai encontrar-se, também, com o Patriarca Bartolomeu, na igreja de São Jorge, sede do Patriarcado de Constantinopla.
Depois da sua estada na Turquia, o Papa deslocar-se-á ao Líbano, um país martirizado pela violência da guerra.
O Papa Leão XIV leva uma mensagem de esperança, de “concórdia, diálogo e paz” ao Médio Oriente, sublinhando a importância da presença cristã na região.
De acordo com palavras do Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, o Papa assume o “cajado do peregrino”, no rasto dos seus antecessores, preparando-se para esta visita com sentimentos de alegria para “confirmar na fé” as comunidades locais. (cf. agência ecclesia)

DA PALAVRA DO SENHOR

 


I DOMINGO DO ADVENTO     

“…Vós sabeis em que tempo estamos:
Chegou a hora de nos levantarmos do sono,
porque a salvação está agora mais perto de nós
do que quando abraçámos a fé.
A noite vai adiantada e o dia está próximo.
Abandonemos as obras das trevas
e revistamo-nos das armas da luz.
Andemos dignamente, como em pleno dia,
evitando comezainas e excessos de bebida,
as devassidões e libertinagens, as discórdias e os ciúmes;
não vos preocupeis com a natureza carnal,
para satisfazer os seus apetites,
mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo…”
(cf. Romanos 13, 11-14)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, Praça de São Pedro, Vaticano - Roma, no dia 26 de Novembro de 2025
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
A Páscoa de Cristo ilumina o mistério da vida, permitindo-nos olhar para ele com esperança. Isto nem sempre é fácil ou óbvio. Em todas as partes do mundo, muitas vidas parecem difíceis, dolorosas, cheias de problemas e obstáculos a superar. No entanto, o ser humano recebe a vida como um dom: não a pede; não a escolhe; experimenta-a no seu mistério, desde o primeiro dia até ao último. A vida tem uma especificidade extraordinária: é-nos oferecida; não podemos dá-la a nós mesmos, mas deve ser alimentada, constantemente: é necessário um cuidado que a mantenha, dinamize, preserve, relance.
Pode dizer-se que a interrogação sobre a vida é uma das questões abissais do coração humano. Entramos na existência sem ter feito nada para o decidir. Desta evidência brotam, como um rio cheio, as perguntas de todos os tempos: quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual é o derradeiro sentido de toda esta viagem?
Com efeito, viver invoca um sentido, um rumo, uma esperança. E a esperança age como o profundo impulso que nos faz caminhar no meio das dificuldades; que não nos faz desistir no cansaço da viagem; que nos torna certos de que a peregrinação da existência nos conduz para casa. Sem esperança, a vida corre o risco de parecer um parêntese entre duas noites eternas; uma breve pausa entre o antes e o depois da nossa passagem pela terra. Ao contrário, esperar na vida significa antecipar a meta; dar por certo aquilo que ainda não vemos e não tocamos; confiar e entregar-nos ao amor de um Pai que nos criou porque nos amou e nos quer felizes.
Caríssimos: no mundo, existe uma doença generalizada: a falta de confiança na vida. É como se nos tivéssemos resignado a uma fatalidade negativa, de renúncia. A vida corre o risco de não ser mais uma possibilidade recebida como dom, mas uma incógnita, quase uma ameaça da qual é preciso proteger-se para não ficar desiludido. Por isso, a coragem de viver e de gerar vida, de testemunhar que Deus é, por excelência, «o amante da vida», como afirma o Livro da Sabedoria  (11, 26), é hoje um apelo mais urgente do que nunca.
No Evangelho, Jesus confirma, constantemente, a sua solicitude em curar os doentes, sarar corpos e espíritos feridos, restituir a vida aos mortos. Agindo assim, o Filho encarnado revela o Pai: devolve a dignidade aos pecadores; concede a remissão dos pecados, incluindo todos, especialmente os desesperados, os excluídos, os distantes na sua promessa de salvação.
Gerado pelo Pai, Cristo é a vida e gerou vida sem se poupar, a ponto de nos oferecer a Sua, e convida-nos, também a nós, a dar a nossa vida. Gerar significa dar a vida a outrem. O universo dos seres vivos ampliou-se através desta lei que, na sinfonia das criaturas, conhece um admirável “crescendo” que culmina no dueto do homem e da mulher: Deus criou-os à própria imagem, confiando-lhes a missão de gerar, também, à sua imagem, isto é, por amor e no amor.
Desde os primórdios, a Sagrada Escritura revela-nos que a vida, precisamente na sua forma mais excelsa, a humana, recebe o dom da liberdade, tornando-se um drama. Assim, as relações humanas são marcadas, também, pela contradição, até ao fratricídio. Caim vê no irmão Abel um concorrente, uma ameaça, e na sua frustração não se sente capaz de o amar e estimar. E eis a inveja, o ciúme, o sangue (cf. Gn 4, 1-16). Ao contrário, a lógica de Deus é muito diferente. Deus permanece fiel, para sempre, ao seu desígnio de amor e vida; não se cansa de sustentar a humanidade, nem sequer quando, na esteira de Caim, ela obedece ao instinto cego da violência nas guerras, nas discriminações, nos racismos, nas múltiplas formas de escravidão.
Então, gerar significa confiar no Deus da vida e promover o humano, em todas as suas expressões: antes de tudo, na maravilhosa aventura da maternidade e da paternidade, até em contextos sociais em que as famílias lutam para suportar o peso do quotidiano, permanecendo muitas vezes bloqueadas nos seus projectos e sonhos. Nesta mesma lógica, gerar significa comprometer-se por uma economia solidária; procurar o bem comum equitativamente desfrutado por todos; respeitar e cuidar da criação; oferecer alívio mediante a escuta, a presença, a ajuda concreta e abnegada.
Irmãs e irmãos: a Ressurreição de Jesus Cristo é a força que nos sustenta neste desafio, mesmo onde as trevas do mal obscurecem o coração e a mente. Quando a vida parece esmorecida, bloqueada, eis que o Senhor Ressuscitado volta a passar, até ao fim dos tempos, e caminha ao nosso lado e por nós. Ele é a nossa esperança! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 121

Refrão: Vamos com alegria para a casa do Senhor.

Alegrei-me quando me disseram:
«Vamos para a casa do Senhor».
Detiveram-se os nossos passos
às tuas portas, Jerusalém.

Jerusalém, cidade bem edificada,
que forma tão belo conjunto!
Para lá sobem as tribos,
as tribos do Senhor.

Para celebrar o nome do Senhor,
segundo o costume de Israel;
ali estão os tribunais da justiça,
os tribunais da casa de David.


SANTOS POPULARES

 


SÃO JOÃO DE CALÁBRIA
 
Algumas pessoas de São Vicente, ao entrarem em sua casa, tomavam a liberdade de levantar as testos das panelas para verificar "o que estava a ser cozinhado" e repreendiam o seu pai por fumar, como se esse vício fosse a origem da ruína da família. Essa lembrança marca toda a profundidade da pobreza em que ele nasceu e cresceu.
João nasceu em Verona, no dia 8 de Outubro de 1873. Foi o sétimo e último filho de Luí de Calábria, sapateiro, e de Ângela Foschio, empregada doméstica de grande fé, muito religiosa, de espírito gentil, piedade sincera, grande confiança em Deus e grande devoção a Nossa Senhora das Dores, tendo sido educada pelo padre Nicola Mazza, no seu Instituto para meninas pobres
O seu pai, com o seu trabalho de sapateiro, não conseguia providenciar comida suficiente para todos, e sua mãe também não, embora trabalhasse arduamente como lavadeira e passadeira.
A situação piorou com a morte prematura do pai, e ele teve de procurar um trabalho para ajudar no sustento da casa; mas, a família estava falida; foi despejada e acolhida por pura caridade. A mãe estava especialmente preocupada com o filho, que não conseguia encontrar um emprego adequado: ele queria ser padre, mas era sonhador e idealista demais, e estragava tudo o que empreendia, a ponto de ser sempre despedido, ao fim de alguns meses.
Um padre de Verona, o Padre Pedro Scapini, Pároco de São Lourenço, percebendo as virtudes do jovem, levou-o a sério e prometeu prepará-lo, em particular, para entrar no Seminário. E conseguiu, provando que o rapaz não era tolo, apesar da sua formação cultural ser marcada por muitas lacunas nos estudos e conhecimentos pouco adquiridos. Mesmo no Seminário, ele não conseguiu inspirar ninguém, pois, embora reconhecido por todos como bom, devoto e sensível. A sua falta de instrução continuava a ser um obstáculo intransponível. Debateram se seria apropriado que ele vestisse a batina e iniciasse os seus estudos teológicos e, para ganhar tempo, enviaram-no para o serviço militar. De uniforme, ele não foi excepção: desajeitado com armas, atrapalhado em exercícios militares, completamente inadequado para dar ordens e exigir obediência, descobriram a sua gentileza e sensibilidade ao tratar e confortar, especialmente, aqueles que sofriam de sífilis e doenças infecciosas. O debate sobre sua ordenação reabriu com o seu regresso ao Seminário, com os seus detractores a continuar a apontar as suas deficiências e os admiradores (principalmente o próprio Padre Scapini) exaltando os seus talentos e as suas qualidades. Por fim, prevaleceu esta última opção: ele foi ordenado sacerdote, no dia 11 de Agosto de 1901, aos 28 anos de idade.
O episódio que direcionou, decisivamente, a sua vida para a caridade - como aconteceu com Dom Bosco - envolveu uma criança cigana que tinha fugido do seu grupo, que ele acolheu, em sua casa, e confiou aos cuidados da sua mãe. Depois dela, vieram muitas outras, resgatadas das ruas e de uma vida de pobreza, e que frequentemente representavam um foco de travessuras, rasando a delinquência, que seguiram o exemplo das primeiras crianças. Ele chamava-as "Boas Crianças" e para as quais, em 1907, abriu a primeira instituição, pois a sua casa já não comportava todas.
Comentários pouco lisonjeiros e julgamentos pouco gentis começaram a surgir, especialmente dos seus irmãos, que apelidavam a sua preocupação com os pobres de pura e simples loucura. Tão maliciosos quanto esses são os comentários sobre sua nomeação como confessor do clero, desejada pelo bispo, que não deixou de notar como as pessoas se aglomeram no seu confessionário, em busca de absolvição e conselho, evidentemente pressentindo nele aquela santidade sacerdotal, que normalmente nunca passa despercebida pelo Povo de Deus.
Assim nasceram os "Pobres Servos da Divina Providência", seguidos, alguns anos depois, pelo ramo feminino, todos chamados a "mostrar ao mundo que a divina Providência existe; que Deus não é um estranho, mas é Pai e pensa em nós". Ele queria que eles actuassem nas áreas mais pobres, "onde não há nada de humano a se esperar", e designou, como seus tesouros, "criaturas abandonadas, rejeitadas e desprezadas: os idosos, os doentes, os pecadores", com o objectivo primordial de "reviver no mundo a fé e a confiança em Deus, Pai de todos, através do abandono total à sua divina Providência, em tudo o que diz respeito às necessidades da vida". Ao ensinar aos seus ‘filhos’ que "a primeira Providência é a cabeça no pescoço", ele exortava-os e encorajava-os: "Um retorno prático às fontes puras do Evangelho é urgentemente necessário... Ou se crê, ou não se crê; se não se crê, deve rasgar-se o Evangelho".
Uma franja dos seus ‘filhos’ não o poupou de amargura e decepção, mesmo após um apelo ao Vaticano que provocou uma "visita apostólica" que durou 12 anos. Em 3 de Dezembro de 1954, ele realizou o seu último acto de caridade, oferecendo a sua vida ao Senhor pelo Papa Pio XII, que estava a morrer. Faleceu no dia seguinte, enquanto o Papa, misteriosa e repentinamente, recuperou a saúde, vivendo em plena actividade por mais quatro anos.
O Padre João Calábria é conhecido como o "santo da Divina Providência", confiante e filialmente abandonado nas mãos de Deus Pai. Ele é também o santo da caridade, que abraça a vida machucada e ferida que encontramos ao longo do nosso caminho. Uma caridade repleta de compaixão e amor. O seu lema era "Santo ou morto", reflectindo o desejo de uma vida santa como fôlego da sua existência, vivendo a santidade como uma vivência radical do próprio baptismo e da vida cristã; uma santidade que nos conduz à verdadeira plenitude da vida.
Padre João Calábria fundou duas congregações: os Pobres Servos e as Pobres Servas da Divina Providência. Após a sua morte, surgiu, na América Latina, a Congregação das Missionárias dos Pobres. Além dessas congregações, há muitos leigos e leigas, irmãos e irmãs externos, alunos e diversos grupos que, juntos, formam a Família Calabriana, presente em 13 países, nos cinco continentes. Esse legado continua a inspirar e guiar a Igreja e o mundo contemporâneo na busca pela vivência autêntica do Evangelho e pela caridade em acção.
O Padre João de Calábria foi beatificado no dia 17 de Abril de 1988, pelo Papa João Paulo II que o canonizado no dia 18 de Abril de 1999. (cf. santi beati ) 
 

sábado, 22 de novembro de 2025

DA PALAVRA DO SENHOR

 


XXXIV DOMINGO COMUM

          - SOLENIDADE DE CRISTO REI    

“…Todas as tribos de Israel
foram ter com David a Hebron e disseram-lhe:
«Nós somos dos teus ossos e da tua carne.
Já antes, quando Saul era o nosso rei,
eras tu quem dirigia as entradas e saídas de Israel.
E o Senhor disse-te:
“Tu apascentarás o meu povo de Israel,
tu serás rei de Israel”».
Todos os anciãos de Israel foram à presença do rei, a Hebron.
O rei David concluiu com eles uma aliança diante do Senhor
e eles ungiram David como rei de Israel…”
(cf. II Samuel 5, 1-3)

PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, Praça de São Pedro, Vaticano - Roma, no dia 19 de Novembro de 2025
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Neste Ano jubilar, dedicado à esperança, estamos a reflectir sobre a relação entre a Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo actual, ou seja, os nossos desafios. Às vezes, Jesus, o Vivente, também nos quer perguntar: «Por que choras? Quem procuras?». Com efeito, os desafios não podem ser enfrentados sozinhos e as lágrimas constituem um dom de vida quando purificam os nossos olhos e libertam a nossa vista.
O evangelista João sugere, à nossa atenção, um detalhe que não encontramos nos demais Evangelhos: chorando diante do túmulo vazio, Madalena não reconheceu, imediatamente, Jesus ressuscitado, mas pensou que fosse o jardineiro. Efectivamente, já narrando o sepultamento de Jesus, no crepúsculo da sexta-feira santa, o texto era muito específico: «Ora, no lugar onde Ele fora crucificado, havia um jardim e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ninguém ainda fora colocado. Ali, pois, depositaram Jesus, por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do sepulcro» (Jo 19, 40-41).
Assim termina, na paz do sábado e na beleza de um jardim, a dramática luta entre as trevas e a luz, desencadeada pela traição, a prisão, o abandono, a condenação, a humilhação e a morte do Filho, que «tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim» (cf. Jo 13, 1). Cultivar e cuidar do jardim é a tarefa original (cf. Gn 2, 15) que Jesus levou a cabo. A sua última palavra na cruz – «Tudo está consumado» (Jo 19, 30) – convida, cada um, a reencontrar a mesma tarefa, a sua tarefa. Por isso, «inclinando a cabeça, entregou o espírito» (v. 30).
Então, amados irmãos e irmãs, Maria Madalena não estava completamente enganada, julgando que encontrara o jardineiro, o guardião do jardim! Na verdade, devia reouvir o seu nome e compreender a sua tarefa do Homem novo, aquele que, noutro texto joanino, diz: «Eis que renovo todas as coisas» (Ap 21, 5). Com a Encíclica ‘Laudato si’’, o Papa Francisco indicou-nos a extrema necessidade de um olhar contemplativo: se não for guardião do jardim, o ser humano torna-se seu devastador. Portanto, a esperança cristã responde aos desafios aos quais, hoje, toda a humanidade está exposta, permanecendo no jardim onde o Crucificado foi depositado como semente, para ressuscitar e dar muito fruto.
O Paraíso não está perdido, mas foi reencontrado. Assim, a morte e a ressurreição de Jesus são fundamento de uma espiritualidade da ecologia integral, fora da qual as palavras da fé permanecem sem influência sobre a realidade, e as palavras das ciências permanecem fora do coração. «A cultura ecológica não se pode reduzir a uma série de respostas urgentes e parciais para os problemas que vão surgindo à volta da degradação ambiental, do esgotamento das reservas naturais e da poluição. Deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência» (Laudato si’, 111).
Por isso, falamos de uma conversão ecológica, que os cristãos não podem separar daquela inversão de rota que seguir Jesus exige deles. Sinal disto é o virar-se de Maria, naquela manhã de Páscoa: só de conversão em conversão passamos deste vale de lágrimas para a nova Jerusalém. Aquela passagem, que começa no coração e é espiritual, modifica a história, compromete-nos publicamente, activa a solidariedade que desde já protege pessoas e criaturas dos apetites dos lobos, em nome e pela força do Cordeiro Pastor.
Assim, hoje, os filhos e as filhas da Igreja podem encontrar milhões de jovens e de outros homens e mulheres de boa vontade que ouviram o clamor dos pobres e da terra, deixando-se tocar no coração. São numerosas, também, as pessoas que desejam, através de uma relação mais directa com a criação, uma nova harmonia que as leve além de tantas dilacerações. Por outro lado, ainda «os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia passa ao outro esta mensagem e uma noite a dá a conhecer à outra noite. Não são palavras nem discursos cujo sentido se não perceba. O seu eco ressoou por toda a terra, e a sua palavra, até aos confins do mundo» (Sl 18, 1-5a).
Que o Espírito nos conceda a capacidade de ouvir a voz de quem não tem voz. Então, veremos o que os olhos ainda não vêem: aquele jardim, ou Paraíso, para o qual nos dirigimos apenas acolhendo e cumprindo cada qual a sua tarefa. (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 121

 

Refrão: Iremos com alegria para a casa do Senhor.

Alegrei-me quando me disseram:
«Vamos para a casa do Senhor».
Detiveram-se os nossos passos
às tuas portas, Jerusalém.

Jerusalém, cidade bem edificada,
que forma tão belo conjunto!
Para lá sobem as tribos,
as tribos do Senhor.

Para celebrar o nome do Senhor,
segundo o costume de Israel;
ali estão os tribunais da justiça,
os tribunais da casa de David.


SANTOS POPULARES


 

BEATO ALBERTO JOUBERT
 
Alberto Joubert nasceu em São Luís de Mrumbi, actual Moba, na República Democrática do Congo, no dia 21 de Novembro de 1908. Em documentos antigos sobre ele, o seu nome foi, erradamente, registado como Atanásio; pesquisas posteriores confirmaram que, na verdade, era o nome de um dos seus irmãos.
O seu pai, o Capitão Luís Leopoldo Joubert, era natural de Nantes, França. Serviu o exército francês e mais tarde, fez parte dos Zuavos Pontifícios [eram um batalhão de infantaria - mais tarde um regimento - dedicado à defesa dos Estados Papais. Nomeados em homenagem aos regimentos de zuavos franceses, os Zuavos Pontifícios eram formados, principalmente, por homens jovens, solteiros e católicos]. Fora enviado, em 1890, por Monsenhor Carlos Lavigerie, Arcebispo de Argel, fundador dos Padres Brancos e mais tarde cardeal, para proteger as caravanas dos missionários dos ataques dos traficantes de escravos. A ‘Sociedade dos Missionários da África’, conhecida por Padres Brancos, foi fundada, em 1868, é um instituto missionário composto por sacerdotes e religiosos que vivem em comunidade. O seu objectivo é anunciar o Evangelho aos homens do mundo africano. Desde as suas origens, esta congregação religiosa católica sempre dedicou uma atenção especial aos fiéis de origem islâmica. Estão presentes em 21 países africanos e, também, fora de África, que continua, no entanto, a ser a sua prioridade. Dedicam-se, também, a assistir migrantes africanos, na Europa e na América.
O Capitão Luís Joubert naturalizou-se congolês, depois de se ter casado com Inês Atakae, congolesa de nascimento, em 1888. O casal teve dez filhos, todos educados de acordo com os valores cristãos: dois morreram na infância e dois, Alberto e João, os mais novos, tornaram-se padres. Uma das suas filhas escolheu a vida religiosa, mas teve que abandoná-la por motivos de saúde.
Alberto passou os primeiros três anos da sua vida na sua aldeia natal, até que o flagelo da doença do sono obrigou todos os habitantes a mudarem-se para Santa Maria (actual Misenge), perto de Baudoinville (Kirungu), a oito quilómetros de distância.
Alberto recebeu o Sacramento da Confirmação, no dia 13 de Junho de 1915, naquela que foi a primeira catedral do Congo, a dois quilómetros da sua casa. Depois de frequentar a escola primária, aos doze anos, entrou no Seminário Menor, em Lusaka, a cerca de cinquenta quilómetros de Baudoinville.
Nesse mesmo ano, no dia 6 de Junho de 1920, o Papa Bento XV beatificou Carlos Lwanga e os seus companheiros, mártires de Uganda, que foram, posteriormente, canonizados em 1964. O Vigário Apostólico do Alto Congo, Monsenhor Victor Roelens, apresentou o exemplo do jovem Carlos e dos seus companheiros aos seminaristas: a sua coragem e fidelidade a Cristo impressionaram, profundamente, o jovem Alberto.
Na sua caminhada rumo à ordenação sacerdotal, o jovem dedicou-se, intensamente, à sua formação, moldando o seu carácter, tornando-se humilde e discreto. Todos o conheciam como filho do Capitão Joubert, mas ele não se interessava por honrarias e desejava crescer em obediência e disponibilidade.
Depois de entrar no Seminário Maior, no dia 23 de Novembro de 1925, para os estudos teológicos, nunca mais abandonou as suas vestes eclesiásticas que, para ele, eram um auxílio externo para viver com dignidade o dom do sacerdócio. Antes da ordenação sacerdotal, fez um ano de formação, em Lusaka, trabalhando na Missão de São Tiago, no Seminário Menor e em várias escolas.
Foi ordenado sacerdote no dia 6 de Outubro de 1935.
O Padre Joubert disponibilizou-se imediatamente para partir para as missões mais distantes. O seu primeiro destino foi Kasongo, a 750 quilómetros de Baudoinville; Ele permaneceu ali até 1937, quando foi designado para Kala, onde ficou até 1941. Em seguida, foi enviado para Lusaka, Moyo, Kabambare, Kibangula e, novamente, para Moyo, Mungombe, Kibanga e Fizi.
Para poder assistir as pessoas das aldeias mais distantes, caminhava dias inteiros para levar-lhes os Sacramentos e formar e encorajar os catequistas. Mesmo quando lhe foi atribuída a função de professor nos seminários menores de Lusaka e Mungombe, em momentos importantes, disponibilizou-se para ajudar os seus irmãos nas tarefas do ministério.
Os símbolos do seu serviço pastoral podem ser representados por alguns objectos: a Bíblia: a Palavra de Deus era a luz da qual extraía a força para as suas decisões e para a sua vida de oração, regular e constante; a caneta, sinal da sua preocupação com a educação, que ele também praticava como professor, nas aldeias para onde era enviado; ele acreditava que a educação era o alicerce de todo o desenvolvimento. Para animar os recreios dos seus alunos, frequentemente tocava violão, expressando, através da música, a sua alegria de viver em comunhão com os seus irmãos. Finalmente, a Cruz, sempre presente na sua vida, desde a sua fuga da sua aldeia natal até à sua morte.
O seu trabalho missionário não foi bem recebido pelos rebeldes Simba: inspirados pelo comunismo, opunham-se abertamente à liberdade, trazida pelos missionários, através do Evangelho. Certo dia, um grupo Simba foi a Kibanga procurar o Padre Joubert: capturaram-no e torturaram-no durante quinze dias; depois, levaram-no para Fizi, onde o libertaram. O seu ódio era alimentado pelo facto de que ele, apesar de ser negro, havia abraçado a nova religião, importada pelos "brancos".
Em Fizi, foi acolhido pelo Padre João Didonè, dos Missionários Xaverianos, que optara por permanecer, apesar das capturas e massacres, cada vez mais frequentes, de padres e religiosos. Durante dois meses, ajudou-o na sua missão.
O clima de ódio contra os missionários intensificou-se: os rebeldes acusaram-nos de esconder o "fonì", o transmissor de rádio, que alegavam usar para transmitir informações ao exército. Em 28 de Novembro de 1964, alguns Simba, liderados por Abedi Masanga, assassinaram dois religiosos xaverianos em Baraka: o Irmão Vitório Faccin e o Padre Luís Carrara. Na mesma noite, dirigiram-se para Fizi: foi a vez do Padre João Didonè, atingido, na testa, por uma bala. O Padre Alberto Joubert mal teve tempo de se aperceber o que estava a acontecer quando, também, foi atingido: caiu morto a dois metros do Padre Didonè, a poucos passos da casa religiosa.
Os Padres Xaverianos [são os membros da Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Estrangeiras, uma congregação religiosa católica fundada por Guido Maria Conforti em 1895. A sua principal missão é anunciar o Evangelho a povos não-cristãos em todo o mundo, seguindo o exemplo de São Francisco Xavier] sempre consideraram os seus irmãos e o Padre Joubert como mártires.
Estes padre Xaverianos e o Padre Alberto Joubert foram beatificados, em Uvira, no dia 18 de Agosto de 2024, pelo Papa Francisco, em cerimónia presidida pelo Cardeal Fridolin Ambongo Besungu, Arcebispo de Kinshasa, como delegado do Santo Padre.
Os restos mortais do Padre Alberto Joubert repousam na nova igreja de Fizi, no mesmo túmulo do Padre João Didonè.
A memória litúrgica do Beato Alberto Joubert é celebrada no dia 28 de Novembro.

sábado, 15 de novembro de 2025

EM DESTAQUE:

 


*DIA MUNDIAL DOS POBRES: 16. NOVEMBRO.2025

MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O IX DIA MUNDIAL DOS POBRES

 

Tu és a minha esperança (cf. Sl 71,5)

1. «Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus» (Sl 71,5). Essas palavras emanam de um coração oprimido por graves dificuldades: «Fizeste-me sofrer grandes males e aflições mortais» (v. 20), diz o Salmista. Apesar disso, o seu espírito está aberto e confiante, porque, firme na fé, reconhece o amparo de Deus e professa-o: «És o meu rochedo e a minha fortaleza» (v. 3). Daí deriva a confiança inabalável de que a esperança n’Ele não decepciona: «Em ti, Senhor, me refugio, jamais serei confundido» (v. 1).No meio das provações da vida, a esperança é animada pela firme e encorajadora certeza do amor de Deus, derramado nos corações pelo Espírito Santo. Por isso, ela não decepciona (cf. Rm 5, 5) e São Paulo pode escrever a Timóteo: «Pois, se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa esperança no Deus vivo» (1 Tm 4, 10). O Deus vivo é, verdadeiramente, o «Deus da esperança» (Rm 15, 13), que, em Cristo, pela sua morte e ressurreição, se tornou a «nossa esperança» (1 Tm 1, 1). Não podemos esquecer que fomos salvos nesta esperança, na qual precisamos permanecer enraizados.
 
2. O pobre pode tornar-se testemunha de uma esperança forte e confiável, precisamente porque professada numa condição de vida precária, feita de privações, fragilidade e marginalização. Ele não conta com as seguranças do poder e do ter; pelo contrário, sofre-as e, muitas vezes, é vítima delas. A sua esperança só pode repousar noutro lugar. Reconhecendo que Deus é a nossa primeira e única esperança, também nós fazemos a passagem entre as esperanças que passam e a esperança que permanece. As riquezas são relativizadas perante o desejo de ter Deus como companheiro de caminho, porque se descobre o verdadeiro tesouro de que, realmente, precisamos. Ressoam claras e fortes as palavras com que o Senhor Jesus exortou os seus discípulos: «Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam» (Mt 6, 19-20).
 
3. A pobreza mais grave é não conhecer a Deus. Recordou-nos isso o Papa Francisco quando escreveu na Evangelii gaudium: «A pior discriminação que os pobres sofrem é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhe oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé» (n. 200). Há, aqui, uma consciência fundamental e totalmente original sobre como encontrar em Deus o próprio tesouro. Realmente, insiste o apóstolo João: «Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê» (1 Jo 4, 20).
É uma regra da fé e um segredo da esperança: embora importantes, todos os bens desta terra, as realidades materiais, os prazeres do mundo ou o bem-estar económico não são suficientes para fazer o coração feliz. Frequentemente, as riquezas iludem e conduzem a situações dramáticas de pobreza, sendo a primeira dessas ilusões pensar que não precisamos de Deus e conduzir a nossa vida independentemente d’Ele. Vêm-me à mente as palavras de Santo Agostinho: «Seja Deus todo motivo de presumires. Sente necessidade d’Ele para que Ele te cumule. Tudo o que possuíres fora d’Ele é imensamente vazio» (Enarr. in Ps. 85,3).
 
4. A esperança cristã, à qual a Palavra de Deus remete, é certeza no caminho da vida, porque não depende da força humana, mas da promessa de Deus, que é sempre fiel. Por isso, desde os primórdios, os cristãos quiseram identificar a esperança com o símbolo da âncora, que oferece estabilidade e segurança. A esperança cristã é como uma âncora, que fixa o nosso coração na promessa do Senhor Jesus, que nos salvou com a sua morte e ressurreição e que retornará novamente ao meio de nós. Esta esperança continua a indicar como verdadeiro horizonte da vida os «novos céus» e a «nova terra» (2 Pe 3, 13), onde a existência de todas as criaturas encontrará o seu sentido autêntico, visto que a nossa verdadeira pátria está nos céus (cf. Fl 3, 20).
Consequentemente, a cidade de Deus compromete-nos com as cidades dos homens, que, desde agora, devem começar a assemelhar-se àquela. A esperança, sustentada pelo amor de Deus, derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5, 5), transforma o coração humano em terra fértil, onde pode germinar a caridade para a vida do mundo. A Tradição da Igreja reafirma, constantemente, esta circularidade entre as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. A esperança nasce da fé, que a alimenta e sustenta, sobre o fundamento da caridade, que é a mãe de todas as virtudes. E precisamos de caridade hoje, agora. Não é uma promessa, mas uma realidade para a qual olhamos com alegria e responsabilidade: envolve-nos, orientando as nossas decisões para o bem comum. Em vez disso, quem carece de caridade não só carece de fé e esperança, mas tira a esperança ao seu próximo.
 
5. O convite bíblico à esperança traz consigo o dever de assumir, sem demora, responsabilidades coerentes na história. Com efeito, a caridade é «o maior mandamento social» (Catecismo da Igreja Católica, 1889). A pobreza tem causas estruturais que devem ser enfrentadas e eliminadas. À medida que isso acontece, todos somos chamados a criar novos sinais de esperança que testemunhem a caridade cristã, como fizeram, em todas as épocas, muitos santos e santas. Os hospitais e as escolas, por exemplo, são instituições criadas para expressar o acolhimento aos mais fracos e marginalizados. Eles deveriam fazer parte das políticas públicas de todos os países, mas as guerras e as desigualdades, frequentemente, ainda o impedem. Hoje, cada vez mais, as casas-família, as comunidades para menores, os centros de acolhimento e escuta, as refeições para os pobres, os dormitórios e as escolas populares tornam-se sinais de esperança: são tantos sinais, muitas vezes ocultos, aos quais, talvez, não prestemos atenção, mas que são muito importantes para se desvencilhar da indiferença e provocar o empenho nas diversas formas de voluntariado!
Os pobres não são um passatempo para a Igreja, mas sim os irmãos e irmãs mais amados, porque cada um deles, com a sua existência e também com as palavras e a sabedoria que trazem consigo, levam-nos a tocar com as mãos a verdade do Evangelho. Por isso, o Dia Mundial dos Pobres pretende recordar, às nossas comunidades, que os pobres estão no centro de toda a acção pastoral. Não só na sua dimensão caritativa, mas igualmente naquilo que a Igreja celebra e anuncia. Através das suas vozes, das suas histórias, dos seus rostos, Deus assumiu a sua pobreza para nos tornar ricos. Todas as formas de pobreza, sem excluir nenhuma, são um apelo a viver concretamente o Evangelho e a oferecer sinais eficazes de esperança.
 
6. Este é o convite que emerge da celebração do Jubileu. Não é por acaso que o Dia Mundial dos Pobres seja celebrado no final deste ano de graça. Quando a Porta Santa for fechada, deveremos conservar e transmitir os dons divinos que foram derramados nas nossas mãos, ao longo de um ano inteiro de oração, conversão e testemunho. Os pobres não são objectos da nossa pastoral, mas sujeitos criativos que nos estimulam a encontrar sempre novas formas de viver o Evangelho, hoje. Diante da sucessão de novas ondas de empobrecimento, corre-se o risco de se habituar e resignar-se. Todos os dias, encontramos pessoas pobres ou empobrecidas e, às vezes, pode acontecer que sejamos nós mesmos a possuir menos, a perder o que antes nos parecia seguro: uma casa, comida suficiente para o dia, acesso a cuidados de saúde, um bom nível de educação e informação, liberdade religiosa e de expressão.
Promovendo o bem comum, a nossa responsabilidade social tem o seu fundamento no gesto criador de Deus, que dá a todos os bens da terra: assim como estes, também os frutos do trabalho do homem devem ser igualmente acessíveis. Com efeito, ajudar os pobres é uma questão de justiça, muito antes de ser uma questão de caridade. Como observa Santo Agostinho: «Damos pão a quem tem fome, mas seria muito melhor que ninguém passasse fome e não precisássemos ser generosos para com ninguém. Damos roupas a quem está nu, mas Deus queira que todos estivessem vestidos e que ninguém passasse necessidades sobre isto» (Comentário à 1 Jo, VIII, 5).
Desejo, portanto, que este Ano Jubilar possa incentivar o desenvolvimento de políticas de combate às antigas e novas formas de pobreza, além de novas iniciativas de apoio e ajuda aos mais pobres entre os pobres. Trabalho, educação, habitação e saúde são condições para uma segurança que jamais se alcançará com armas. Congratulo-me com as iniciativas já existentes e com o empenho que é manifestado diariamente a nível internacional por um grande número de homens e mulheres de boa vontade.
Confiemos em Maria Santíssima, Consoladora dos aflitos, e com Ela entoemos um canto de esperança, fazendo nossas as palavras do Te Deum: «In Te, Domine, speravi, non confundar in aeternum – Em Vós espero, Meu Deus, não serei confundido eternamente».
 
Vaticano, 13 de Junho de 2025, memória de Santo António de Lisboa, Patrono dos pobres
 

DA PALAVRA DO SENHOR

 


XXXIII DOMINGO COMUM      

“…Há-de vir o dia do Senhor,
ardente como uma fornalha;
e serão como a palha todos os soberbos e malfeitores.
O dia que há-de vir os abrasará
– diz o Senhor do Universo –
e não lhes deixará raiz nem ramos.
Mas para vós que temeis o meu nome,
nascerá o sol de justiça,
trazendo nos seus raios a salvação…”
(cf. Malaquias 4, 1-2)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, Praça de São Pedro, Vaticano - Roma, no dia 12 de Novembro de 2025
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Acreditar na morte e ressurreição de Cristo e viver a espiritualidade da Páscoa incute esperança na vida e encoraja-nos a investir na bondade. Em particular, ajuda-nos a amar e a cultivar a fraternidade, que é, sem dúvida, um dos grandes desafios da humanidade contemporânea, como o Papa Francisco viu claramente.
A fraternidade surge de um dado profundamente humano. Somos capazes de nos relacionar e, se quisermos, sabemos construir laços autênticos entre nós. Sem relações, que nos apoiam e enriquecem desde o início da nossa vida, não poderíamos sobreviver, crescer ou aprender. Essas relações são muitas, diversas em forma e profundidade. Mas, é certo que a nossa humanidade se realiza plenamente quando estamos e vivemos juntos; quando somos capazes de experimentar laços autênticos, não formais, com as pessoas que nos rodeiam. Se nos isolarmos, corremos o risco de adoecer de solidão e até de um narcisismo que se preocupa com os outros apenas por interesse. O outro reduz-se, então, a alguém a quem tiramos, sem que nunca estejamos verdadeiramente dispostos a dar, a doar-nos.
Bem sabemos que, ainda hoje, a fraternidade não pode ser tomada como garantida: não é algo imediato. Muitos conflitos, tantas guerras espalhadas pelo mundo, tensões sociais e sentimentos de ódio demonstram isso mesmo. Contudo, a fraternidade não é um sonho belo e impossível; não é o desejo de alguns iludidos. Mas, para vencer as sombras que a ameaçam, devemos ir às fontes e, sobretudo, procurar a luz e a força n’Aquele que é o único que nos liberta do veneno da inimizade.
A palavra “irmão” vem de uma raiz muito antiga, que significa cuidar, preocupar-se, apoiar e sustentar. Aplicada a todo o ser humano, torna-se um apelo, um convite. Muitas vezes, pensamos que o papel de irmão, de irmã se refere ao parentesco, ao laço sanguíneo, ao fazer parte da mesma família. Na verdade, sabemos bem como o desentendimento, a ruptura e, por vezes, o ódio podem devastar as relações entre parentes, não apenas entre estranhos.
Isto demonstra a necessidade, hoje urgente como nunca, de reconsiderar a saudação com que São Francisco de Assis se dirigia a todas e a todos, independentemente das origens geográficas, culturais, religiosas ou doutrinais: ‘omnes fratres’ era a forma inclusiva com a qual São Francisco colocava todos os seres humanos no mesmo patamar, precisamente porque reconhecia o seu destino comum de dignidade, diálogo, acolhimento e salvação. O Papa Francisco reiterou esta abordagem do Pobrezinho de Assis, destacando a sua actualidade, depois de 800 anos, na Encíclica ‘Fratelli tutti’.
Este “todos” (tutti), que, para São Francisco, significava o sinal acolhedor da fraternidade universal, exprime um traço essencial do cristianismo, que, desde o princípio, foi a proclamação da Boa Nova destinada à salvação de todos, nunca de forma exclusiva ou privada. Essa fraternidade assenta no mandamento de Jesus, que é novo porque foi cumprido por Ele mesmo, o cumprimento superabundante da vontade do Pai: graças a Ele, que nos amou e Se entregou por nós, podemos, por nossa vez, amarmo-nos e dar a vida pelos outros, como filhos do único Pai e verdadeiros irmãos, em Jesus Cristo.
Jesus amou-nos até ao fim, diz o Evangelho de João (cf. 13, 1). À medida que a Paixão se aproxima, o Mestre sabe bem que o seu tempo histórico está a chegar ao seu fim. Teme o que está por acontecer; experimenta o mais terrível tormento e abandono. A sua Ressurreição, ao terceiro dia, é o início de uma nova história. E os discípulos tornam-se irmãos plenamente - depois de tanto tempo a conviver - não apenas quando experimentam a dor da morte de Jesus, mas, sobretudo, quando O reconhecem como o Ressuscitado, recebem o dom do Espírito e tornam-se Suas testemunhas.
Os irmãos e as irmãs apoiam-se, mutuamente, nas provações; não viram as costas aos necessitados: choram e alegram-se juntos, na perspectiva activa da unidade, da confiança e do acolhimento mútuo. Essa dinâmica é a que o próprio Jesus nos ensina: «que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (cf. Jo 15, 12). A fraternidade concedida por Cristo, morto e ressuscitado, liberta-nos da lógica negativa dos egoísmos, das divisões e das prepotências, e reconduz-nos à nossa vocação original, em nome de um amor e de uma esperança que se renovam todos os dias. O Ressuscitado mostrou-nos o caminho a percorrer com Ele, para nos sentirmos, para sermos “todos irmãos” (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 97

 

Refrão: O Senhor virá governar com justiça.

Cantai ao Senhor ao som da cítara,
ao som da cítara e da lira;
ao som da tuba e da trombeta,
aclamai o Senhor, nosso Rei.

Ressoe o mar e tudo o que ele encerra,
a terra inteira e tudo o que nela habita;
aplaudam os rios
e as montanhas exultem de alegria.

Diante do Senhor que vem,
que vem para julgar a terra;
julgará o mundo com justiça
e os povos com equidade.

SANTOS POPULARES

 


BEATO MIGUEL AGOSTINHO PRO JUÁREZ
 
Miguel Agostinho nasceu no dia 13 de Janeiro de 1891, em Zacatecas - Guadalupe, no México. Era o terceiro de onze irmãos, filho de Miguel Pro e Josefa Juárez. O seu pai, que não era apenas um bom cristão, mas também engenheiro de minas, não o criou em condições confortáveis. Desde cedo, levava-o para visitar as minas, para que pudesse testemunhar a dura vida daqueles trabalhadores.
Assim, o menino cresceu com uma sensibilidade apurada e uma preocupação particular com as questões sociais.
Aos quinze anos, começou a trabalhar com o pai, na Agência de Mineração do Ministério do Desenvolvimento.
O jovem Miguel tornou-se um colaborador próximo do pai, até que uma das suas irmãs entrou para um convento. Isto obrigou-o a parar e a entrar numa dinâmica de discernimento: a vocação da irmã levou-o a reconsiderar o seu caminho e o seu futuro.
Miguel decidiu entrar na Companhia de Jesus, aos 20 anos, pensando que, como sacerdote, poderia estar mais próximo dos necessitados e pregar o Evangelho de Cristo, buscando unir caridade e justiça.
Quatro anos depois, Miguel viajou para Espanha com os jesuítas. Ali, dedicou-se a estudar filosofia e retórica. Permaneceu na Europa até 1919, quando foi enviado para a Nicarágua, onde exerceu a missão de professor. No entanto, pouco tempo depois, voltou a Espanha e, logo a seguir, partiu para a Bélgica para formar uma comunidade de 130 jesuítas.
O superior provincial do México desejava que Miguel Agostinho recebesse formação nas áreas sociais enquanto estivesse na Bélgica. O objectivo era promover o movimento social católico e preparar o jesuíta para o trabalho pastoral com os trabalhadores mexicanos.
Em 30 de Agosto 1925, Miguel Pro foi ordenado sacerdote. No entanto, um mês depois, adoeceu gravemente com uma infecção e passou por uma longa convalescença. Pensando que ele iria morrer, os seus superiores enviaram-no de volta ao México. Na viagem de retorno, o jovem sacerdote passou por Lourdes e escreveu que a sua visita à gruta foi um dos dias mais felizes da sua vida.
Quando chegou ao seu país, em Julho de 1926, o governo havia promulgado diversas leis para reprimir e sufocar a Igreja Católica. Contrariando as leis repressivas do governo, o Padre Miguel Agostinho decidiu continuar o seu ministério: havia muito a ser feito para amparar os católicos perseguidos, ajudar os pobres e oferecer assistência aos doentes e moribundos.
O Padre Miguel faz tudo isso com optimismo e vitalidade, além de uma boa dose de coragem, recorrendo a disfarces, mais ou menos sérios, que lhe permitem escapar das batidas policiais e realizar o seu trabalho sacerdotal clandestino, celebrando secretamente a Eucaristia e pregando exercícios espirituais às escondidas. Estima-se que num único dia ele tenha conseguido distribuir até 1.500 comunhões. Acompanhado pelo seu violão e auxiliado pelos seus comentários espirituosos e a sua inimitável capacidade de imitar pessoas, ele tenta animar e apoiar todos os que encontra.
Este sacerdote, que aparenta ter um optimismo abundante, está, na verdade, a viver o sofrimento e a depressão devido à perseguição, ao sofrimento que o seu povo e a sua família estão a enfrentar e aos problemas que a sua saúde debilitada lhe causam. O segredo para superar tudo isso e ser útil aos outros, apesar de tudo, está na união com Jesus, pois ele descobriu que "não há maneira mais rápida e eficaz de viver intensamente unido a Jesus do que a Santa Missa".
Constantemente vigiado pela polícia, ele acabou por ser preso sob a falsa acusação de participar de uma tentativa de assassinato de um general. Após a farsa um julgamento e em violação dos direitos humanos mais básicos, o Padre Miguel Pro foi executado por um pelotão de fuzilamento, na Cidade do México, no dia 23 de Novembro de 1927. Tinha apenas 36 anos e era sacerdote há dois anos, mas seu espírito era tão intenso e alegre que valeu uma vida inteira.
No momento da execução, o Padre abriu os braços em cruz e disse ao oficial que comandava o pelotão de fuzilamento que lhe perdoava. Caminhou, sozinho até o local do suplício, sem venda nos olhos, com um crucifixo numa mão e um terço na outra. Pediu para poder rezar, um pouco, antes de morrer. Aguardando os disparos, exclamou: "Viva Cristo Rei!" Um soldado do pelotão de fuzilamento, como o centurião aos pés da cruz, ao ver o modo como o Padre enfrentou a morte, terá exclamado: "Assim morrem os justos!".
O governo mexicano tinha convidado a imprensa para a execução, acreditando que isso acalmaria o sentimento antirreligioso, difundido pelo governo, entre a população. Muito pelo contrário: as imagens dos momentos finais do Padre Miguel Agostinho tornaram-se objecto de devoção. A atenção internacional que o evento atraiu provocou profunda indignação contra os excessos do regime.
No seu funeral, desafiando a polícia e a proibição das autoridades, compareceram mais de 20.000 pessoas, gratas pelo que dele haviam recebido e convictas de que ele era um mártir de Cristo.
Sessenta e um anos depois, no dia 15 de Setembro de 1988, o Papa João Paulo II beatificou o Padre Miguel Agostinho Pro: é o primeiro mártir, em solo mexicano, declarado pela Igreja Católica e um exemplo para muitas pessoas.
A memória litúrgica do Beato Miguel Agostinho Pro é celebrada no dia 23 de Novembro.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

EM DESTAQUE:

 


* SEMANA DOS SEMINÁRIOS 2025
 
Nota pastoral de D. Vitorino Soares,
Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios
 
Nesta semana de Oração pelos Seminários Diocesanos, que decorre entre 2 e 9 de novembro, o lema escolhido sai fora dos alvos tradicionais e dos desenhos a que estamos habituados. A começar pela imagem, desta vez é o rosto do Papa Leão XIV, o sucessor de Pedro, que com o dedo indicador aponta para cada um e apela: "Precisamos de ti". Não é uma proposta feita a partir do pessoal e do singular, mas no plural e em contornos eclesiais.
É aquele que, como Pedro, sabe que não é o único que foi chamado por Jesus, mas com outros, para continuar uma missão que se renova na colaboração de muitos que são "precisos", não só devido às carências, mas sobretudo contando com as potencialidades e os talentos de cada um.
O Papa precisa, a Igreja precisa, as Dioceses precisam, as Comunidades precisam e os Seminários, particularmente, precisam de jovens que sigam o convite de Jesus, para que como discípulos se disponham a ser sacerdotes diante dos desafios de hoje.
Todos nós “precisamos de ti" pessoalmente, com dúvidas e com medos, mesmo que nunca tenhas pensado nesta possibilidade de imitar Jesus, o Bom Pastor. Também tu podes ajudar a conduzir, a reunir, a defender, a alimentar o rebanho, que são as pessoas, tantas vezes dispersas, tristes, desanimadas e abandonadas.
A Igreja precisa de ti, para que, como ovelha que já faz parte do rebanho, mais próximo ou mais distante, possas fazer a experiência de pastor, como sacerdote.
Nós “precisamos de ti", e não só as outras ovelhas, mas aqueles que, sendo pastores, também se sentem parte do mesmo rebanho do qual só Jesus é o único e bom pastor.
O papa, os bispos, os sacerdotes, os leigos, todos precisamos de ti. Através destes mediadores, é o próprio Jesus que se dirige a ti e aponta para ti: "Eu preciso de ti".
Alguns vão respondendo, são os que já estão nos Seminários e que vão percorrendo o seu caminho de discernimento. A esses também dizemos, através do Papa Leão XIV: nós “precisamos de ti". Outros são os que constituem as equipas formadoras dos Seminários, a quem também dizemos: nós “precisamos de ti", de cada membro que acompanha, com mais visibilidade ou com menos protagonismo. A cada família também dizemos: nós “precisamos de ti", da generosidade e da participação.
E a ti que sentes que o dedo indicador do Papa aponta na tua direcção, recorda que há muitas ovelhas, muitos rebanhos que não conheces, mas que "precisam de ti". Precisamos de sacerdotes, precisamos de seminaristas, "precisamos de ti". Os convites de Jesus dirigidos a Pedro e aos doze a quem chamou porque precisava deles, não estão esgotados, mas continuam a ser oferecidos por aqueles que já os receberam.



Oração
 
Senhor Jesus, precisamos de Ti.
Como Tu precisas de nós,
também nós precisamos de Ti.
Precisamos do teu amor.
Precisamos da tua coragem.
Precisamos do teu perdão.
Precisamos da tua entrega.
Precisamos da tua presença.
Precisamos do teu Espírito.
 
Senhor Jesus, precisamos de Ti,
para termos sacerdotes.
Senhor, não nos abandones.
Precisamos de Ti,
como Tu precisas de nós.
Senhor Jesus,
que Tu e nós sejamos um só.
Que a Igreja seja conduzida por Ti, o Bom Pastor,
e que das ovelhas do teu rebanho,
saiam pastores-sacerdotes
que sempre precisam de Ti.
 
Senhor Jesus contamos Contigo
e com o conforto da tua Mãe, Maria,
que é nossa Mãe.
 
Amém
 


* BASÍLICA DE SÃO JOÃO DE LATRÃO
 
A Igreja Católica celebra, no dia 9 de Novembro, a Festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão ou do Santíssimo Salvador. No início do cristianismo, não havia igrejas, capelas, templos. Os cristãos reuniam-se nas casas uns dos outros. Os primeiros cristãos tinham consciência de que todos os lugares eram lugares do encontro de Deus com os homens. Tinham bem presente as palavras de Jesus à Samaritana: “Mulher, acredita em mim: chegou a hora em que, nem neste monte, nem em Jerusalém, haveis de adorar o Pai….  Os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade…” (Jo. 4, 21-23).
A construção de templos começou mais tarde, quando os cristãos sentiram necessidade de um local maior onde se pudessem reunir.
Esta Basílica é o templo mais antigo da cristandade. Foi fundada pelo Papa Melquíades, no início do século IV, provavelmente entre os anos 311 e 314, em terras doadas pelo Imperador Constantino, e construída ao lado da residência imperial que, mais tarde, passou a ser a residência do Papa. Foi o Papa Silvestre que inspirou Constantino a transformar o Palácio de Latrão - sede do governo - na primeira basílica dedicada ao Divino Salvador.
A Basílica de Latrão - destruída e reconstruída várias vezes - é a Catedral do Papa, a Igreja Mãe e cabeça de todas as Igrejas do mundo. Nela e no Palácio Lateranense, realizaram-se cinco Concílios.
A Festa de Dedicação da Basílica de São João de Latrão começou no século XII: a sua origem é desconhecida.
Esta festa reveste-se de um carácter importante, porque tem a finalidade de celebrar a unidade da Igreja e lembrar o respeito das demais Igrejas para com a Sé Romana.
Embora o templo preferido de Deus seja o coração do homem, a Festa da Dedicação da Igreja de São João de Latrão - a Igreja Mãe, símbolo da unidade da Igreja, - ensina-nos a importância de termos um lugar onde, juntos como irmãos, possamos celebrar a nossa fé; partilhar as nossas vidas e fortalecer a nossa esperança. Esta celebração convida-nos a fortalecer os nossos esforços na busca da unidade da Igreja de Jesus, a fim de que a sua vontade se torne verdade entre nós: “para que todos sejam um só” (Jo. 17, 21) (cf. Instituto Hesed)

DA PALAVRA DO SENHOR

 


XXXII DOMINGO COMUM

 - FESTA DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE SÃO JOÃO DE LATRÃO

 

“…Vós sois edifício de Deus.
Segundo a graça de Deus que me foi dada,
eu, como sábio arquitecto, coloquei o alicerce
e outro levanta o edifício.
Veja cada um como constrói:
ninguém pode colocar outro alicerce
além do que está posto, que é Jesus Cristo.
Não sabeis que sois templo de Deus
e que o Espírito de Deus habita em vós?
Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá.
Porque o templo de Deus é santo
e vós sois esse templo…”
(cf. I Coríntios 3, 9-11. 16-17)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, Praça de São Pedro, Vaticano - Roma, no dia 5 de Novembro de 2025
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia! E bem-vindos a todos.
 
A Páscoa de Jesus é um acontecimento que não pertence a um passado distante, agora sedimentado na tradição como tantos outros episódios da história humana. A Igreja ensina-nos a fazer memória actualizante da Ressurreição todos os anos, no Domingo de Páscoa, e todos os dias, na celebração eucarística, durante a qual se realiza, de forma mais plena, a promessa do Senhor ressuscitado: «E eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20).
Por isso, o mistério pascal constitui o eixo da vida do cristão, em torno do qual giram todos os outros acontecimentos. Podemos dizer, então, sem qualquer irenismo (atitude conciliadora para com os cristãos de credos diferentes) ou sentimentalismo, que todos os dias são Páscoa. De que maneira?
Vivemos, de hora em hora, tantas experiências diferentes: dor, sofrimento, tristeza, entrelaçadas com alegria, admiração, serenidade. Mas, em todas as situações, o coração humano anseia pela plenitude, por uma felicidade profunda. Uma grande filósofa do século XX, Santa Teresa Benedita da Cruz - cujo nome de baptismo era Edith Stein e que tanto aprofundou o mistério da pessoa humana - recorda-nos este dinamismo de busca constante da realização. «O ser humano – escreveu ela – anseia sempre por receber novamente o dom do ser, para poder aproveitar o que o momento lhe dá e, ao mesmo tempo, lhe tira» (Essere finito ed Essere eterno. Per una elevazione al senso dell’essere [Ser finito e ser eterno. Ensaio de uma ascensão ao sentido do ser], Roma 1998, 387). Estamos imersos no limite, mas também nos esforçamos por superá-lo.
O anúncio pascal é a notícia mais bela, alegre e comovedora que ressoou ao longo da história. É o “Evangelho” por excelência, que atesta a vitória do amor sobre o pecado e da vida sobre a morte e, por isso, é o único capaz de saciar a busca de sentido que inquieta a nossa mente e o nosso coração. O ser humano é animado por um movimento interior, voltado para um além que o atrai constantemente. Nenhuma realidade contingente o satisfaz. Tendemos para o infinito e para o eterno. Isso contrasta com a experiência da morte, antecipada pelos sofrimentos, pelas perdas, pelos fracassos. Da morte «nullu homo vivente po skampare», canta São Francisco (cf. Cântico do irmão sol).
Tudo muda graças àquela manhã em que as mulheres, indo ao sepulcro para ungir o corpo do Senhor, o encontraram vazio. A pergunta feita pelos Magos que chegaram do Oriente a Jerusalém: «Onde está aquele que nasceu, o rei dos judeus?» (Mt 2, 1-2), encontra a sua resposta definitiva nas palavras do misterioso jovem vestido de branco que fala às mulheres na madrugada pascal: «Vós procurais Jesus Nazareno, o crucificado. Não está aqui. Ressuscitou» (Mc 16, 6).
Desde aquela manhã até hoje, todos os dias, Jesus terá também este título: o Vivente, como Ele mesmo se apresenta no Apocalipse: «Eu sou o Primeiro e o Último, o que Vive. Conheci a morte, mas eis-me aqui vivo pelos séculos dos séculos» (Apoc 1, 17-18). E, n’Ele, temos a certeza de poder encontrar sempre a estrela polar para orientar a nossa vida de aparente caos, marcada por factos que, muitas vezes, nos parecem confusos, inaceitáveis, incompreensíveis: o mal, nas suas múltiplas facetas, o sofrimento, a morte, eventos que dizem respeito a todos e a cada um. Meditando o mistério da Ressurreição, encontramos resposta à nossa sede de significado.
Perante a nossa humanidade frágil, o anúncio pascal torna-se cuidado e cura, alimenta a esperança diante dos desafios assustadores que a vida nos apresenta todos os dias, a nível pessoal e planetário. Na perspectiva da Páscoa, a Via Crucis transfigura-se em Via Lucis. Precisamos de saborear e meditar a alegria após a dor, reviver na nova luz todas as etapas que precederam a Ressurreição.
A Páscoa não elimina a cruz, mas vence-a no duelo prodigioso que mudou a história humana. Também o nosso tempo, marcado por tantas cruzes, invoca o amanhecer da esperança pascal. A Ressurreição de Cristo não é uma ideia, uma teoria, mas o Acontecimento que está na base da fé. Ele, o Ressuscitado, através do Espírito Santo, continua a recordá-lo a nós para que possamos ser suas testemunhas também onde a história humana não vê luz no horizonte. A esperança pascal não decepciona. Acreditar verdadeiramente na Páscoa, através do caminho diário, significa revolucionar a nossa vida, ser transformados para transformar o mundo com a força suave e corajosa da esperança cristã. (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 45

 

Refrão: Os braços do rio alegram a cidade de Deus,

               a mais santa das moradas do Altíssimo.

Deus é o nosso refúgio e a nossa força,
auxílio sempre pronto na adversidade.
Por isso nada receamos ainda que a terra vacile
e os montes se precipitem no fundo do mar.

Os braços dum rio alegram a cidade de Deus,
a mais santa das moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela e a torna inabalável,
Deus a protege desde o romper da aurora.

O Senhor dos Exércitos está connosco,
o Deus de Jacob é a nossa fortaleza.
Vinde e contemplai as obras do Senhor,
as maravilhas que realizou na terra.