*DOMINGO DE PÁSCOA
A Páscoa, no NT, é uma categoria fundamental para entender a obra salvadora de Cristo e da Eucaristia. Como diz João (Jo 13,1), «antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai…»: portanto, agora é o êxodo, o salto, a passagem de Cristo para o Pai, na sua hora crucial da morte e ressurreição, o que dá sentido novo e pleno à Páscoa judaica. Na morte e ressurreição, em que Cristo é o verdadeiro Cordeiro pascal, Ele ofereceu o sacrifício definitivo e conseguiu a Nova Aliança, a reconciliação de Deus com a humanidade, e deu origem ao novo povo da Igreja. S. Paulo dá a entender, claramente, que a Páscoa tem agora um sentido novo para os cristãos: Cristo nossa Páscoa foi quem se imolou (cf. 1Cor 5,7-8).
E, assim, como os Judeus, em cada ano, fazem o memorial da sua Páscoa-Êxodo, sobretudo na ceia pascal, também os cristãos recebem o encargo de celebrar - com um ritmo mais frequente - o memorial da Páscoa de Cristo, que é a Eucaristia. Fosse ou não fosse pascal - no seu sentido histórico judaico - a ceia de despedida de Jesus, a comunidade cristã entendeu que Ele dava novo e definitivo sentido pascal à sua morte e, portanto, também à celebração da Eucaristia.
Parece que, em meados do século II, a comunidade cristã, além do domingo semanal, celebrava, cada ano, a Festa da Páscoa, como centro de toda a sua memória de Cristo, mas com a diferença de que, enquanto na Ásia Menor e Oriente, a celebravam sempre no dia 14 de Nisan, em Roma e no Ocidente, tinha-se estabelecido o domingo seguinte a essa data, dando prioridade à tradição dominical, em vez da data celebrada pelos Judeus. Os orientais, apelando à tradição do Apóstolo João, sublinham mais a Paixão e Morte de Cristo, enquanto os ocidentais, apelando ao Apóstolo Pedro, celebram mais a ressurreição.
As controvérsias durarão muito tempo: primeiro, com o papa Aniceto e o bispo Policarpo, e, a seguir, com o papa Vítor. O Concílio de Niceia, em 325, estabeleceu, para todos, a norma romana: a Páscoa celebrar-se-á no domingo seguinte à Lua Cheia, depois do Equinócio da Primavera, data que pode cair entre 22 de Março e 25 de Abril. Mas, como sucedeu que, no século XVI, os orientais não aceitaram a reforma «gregoriana» do calendário, continua ainda a haver uma diferença na data da Páscoa, entre as duas Igrejas.
O Papa Pio XII empreendeu, em 1951, a reforma da celebração da Páscoa, que tinha chegado a um grau muito pobre de expressividade e participação. Por exemplo, a Vigília celebrava-se às primeiras horas de sábado, e ele passou-a para a noite de Sábado para Domingo.
Agora, no calendário renovado, a Páscoa ocupa o lugar central de todo o ano: «Em cada semana, no dia a que foi dado o nome de “domingo”, a Igreja comemora a Ressurreição do Senhor, que é celebrada, também, em cada ano, juntamente com a sua bem-aventurada Paixão, na grande solenidade da Páscoa» (NG 1). «O sagrado Tríduo da Paixão e Ressurreição do Senhor é o ponto culminante de todo o ano litúrgico» (NG 18; cf. SC 5.106). «É a Festa das festas», a «Solenidade das solenidades». «O Mistério da Ressurreição, em que Cristo aniquilou a morte, penetra no nosso velho tempo com a sua poderosa energia, até que tudo lhe seja submetido» (CIC 1169). A festa prolonga-se, antes de mais, numa oitava solene, que termina no Domingo «in albis», (agora, Domingo da Misericórdia) e, depois, noutras seis semanas, até completar o número de cinquenta, com a festa do Pentecostes. (cf. José Aldazábal, in Dicionário elementar de liturgia)











