PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Bem-aventurados…” (cf. Mateus 5, 3…) Nesta solene festa de Todos os Santos, a Igreja convida-nos a refletir sobre a grande esperança que se fundamenta na ressurreição de Cristo: Cristo ressuscitou e nós também estaremos com Ele. Os Santos e os Beatos são as testemunhas mais influentes da esperança cristã, porque a viveram plenamente na sua existência, entre alegrias e sofrimentos, praticando as bem-aventuranças que Jesus pregou e que hoje ressoam na Liturgia (cf. Mt 5, 1-12a). Com efeito, as bem-aventuranças evangélicas são o caminho da santidade. Agora medito sobre duas bem-aventuranças, a segunda e a terceira. A segunda é esta: «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados» (v. 4). Parecem palavras contraditórias, pois o pranto não é sinal de alegria e felicidade. Motivos de pranto e de sofrimento são a morte, a doença, as adversidades morais, o pecado e os erros: simplesmente a vida de todos os dias, frágil, débil e marcada por dificuldades. Uma vida às vezes ferida e provada por ingratidões e incompreensões. Jesus proclama bem-aventurados aqueles que choram por estas realidades e, apesar de tudo, confiam no Senhor, colocando-se sob a sua sombra. Não são indiferentes, nem endurecem o coração na dor, mas esperam com paciência a consolação de Deus. E experimentam esta consolação já nesta vida. Na terceira bem-aventurança Jesus afirma: «Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra» (v. 5). Irmãos e irmãs, a mansidão! A mansidão é característica de Jesus, que de si mesmo diz: «Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). Mansos são aqueles que sabem dominar-se a si próprios; que dão lugar ao outro; que o ouvem e o respeitam no seu modo de viver, nas suas necessidades e exigências. Não tencionam oprimi-lo nem menosprezá-lo; não querem dominar ou prevalecer sobre tudo, nem impor as próprias ideias e interesses, em detrimento dos outros. Estas pessoas, que a mentalidade mundana não aprecia, são, ao contrário, preciosas aos olhos de Deus, que lhes concede em herança a terra prometida, ou seja, a vida eterna. Também esta bem-aventurança começa aqui na terra e cumprir-se-á no Céu, em Cristo. A mansidão!... Neste momento da vida, também mundial, onde existe tanta agressividade...; e, inclusive, na vida quotidiana, a primeira coisa que sai de nós é a agressão, a defesa... Precisamos de mansidão para seguir em frente no caminho da santidade. Ouvir, respeitar, não agredir: mansidão!... Amados irmãos e irmãs: escolher a pureza, a mansidão e a misericórdia; escolher confiar-se ao Senhor, na pobreza de espírito e na aflição; comprometendo-se em prol da justiça e da paz, tudo isto significa ir contra a corrente, em relação à mentalidade deste mundo; contra a cultura da posse, da diversão insensata, da arrogância para com os mais frágeis. Este caminho evangélico foi percorrido pelos Santos e Beatos. A solenidade de hoje, que celebra Todos os Santos, recorda-nos a vocação pessoal e universal à santidade, propondo-nos os modelos certos para este caminho, que cada um percorre de modo único e irrepetível. É suficiente pensar na inesgotável variedade de dons e histórias concretas que existe entre os Santos e as Santas: não são iguais, cada um tem a sua personalidade e desenvolveu a sua vida na santidade, segundo a sua personalidade. Cada um de nós pode fazer isto: percorrer este caminho. Mansidão, por favor, mansidão, e assim caminharemos rumo à santidade. Esta imensa família de discípulos fiéis de Cristo tem uma Mãe, a Virgem Maria. Nós veneramo-la com o título de Rainha de Todos os Santos, mas é, antes de tudo, a Mãe, que ensina cada um a acolher e a seguir o seu Filho. Que Ela nos ajude a alimentar o desejo de santidade, percorrendo o caminho das bem-aventuranças. (Papa Francisco, na Oração do Angelus, no dia 1 de Novembro de 2020, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

sábado, 31 de outubro de 2026

EM DESTAQUE

 


SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS
 
No dia 1 de Novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Ao final do século II, já era grande a veneração dos Santos. No início, os santos mártires - aos quais os Apóstolos foram logo assimilados - eram testemunhas oficiais da fé.
Depois das grandes perseguições do Império Romano, homens e mulheres, que viveram a vida cristã, de modo belo e heroico, começaram a tornar-se, paulatinamente, exemplos de veneração: o primeiro santo, não mártir, foi São Martinho de Tours.
Em fins do ano mil, diante do incontrolado desenvolvimento da veneração dos santos e do "comércio" em torno das suas relíquias, iniciou-se um processo de canonização, até se chegar à comprovação dos milagres.
A Solenidade de Todos os Santos começou no Oriente, no século IV. Depois, difundiu-se em datas diferentes: em Roma, o Papa Bonifácio IV introduziu a celebração, no dia 13 de Maio; na Inglaterra e Irlanda, a partir do século VIII, esta memória foi celebrada no dia 1 de Novembro. Esta data foi, também, adoptada em Roma, a partir do século IX.
Esta Solenidade era celebrada no fim do Ano litúrgico, quando a Igreja mantinha o seu olhar fixo no término da vida terrena, pensando naqueles que haviam atravessado as portas do Céu.
Os Santos e as Santas - autênticos amigos de Deus - aos quais a Igreja nos convida, hoje, a dirigir os nossos olhares, são homens e mulheres, que se deixaram atrair pela proposta divina, aceitando percorrer o caminho das Bem-aventuranças; não porque sejam melhores ou mais intrépidos que nós, mas, simplesmente, porque "sabiam" que todos nós somos filhos de Deus e assim viveram; sentiram-se “pecadores perdoados”... Eis os verdadeiros de Santos! Eles aprenderam a conhecer-se, a canalizar as suas forças para Deus, para si e para os outros, sabendo confiar sempre, nas suas fragilidades, na Misericórdia divina.
Hoje, os Santos animam-nos a apontar para o alto; a olhar para longe, para a meta e o prémio que nos aguardam; exortam-nos a não nos resignarmos diante das dificuldades da vida diária, pois a vida não só tem fim, mas, sobretudo, tem uma finalidade: a comunhão eterna com Deus.
Com esta Solenidade, a Igreja propõe-nos os Santos, amigos de Deus e exemplos de uma vida feliz, que nos acompanham e intercedem por nós; eles estimulam-nos a viver com maior intensidade esta última etapa do Ano litúrgico, sinal e símbolo do caminho da nossa vida.
O Papa Leão, na audiência-geral do dia 28, disse: “Convido-vos a contemplar esta imensa multidão de homens e mulheres que se nos apresentam como sinal profético da vida futura, que já tem o seu início no compromisso e no testemunho cristão da vida terrena”
 


COMEMORAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS
 
Na celebração dos fiéis defuntos, a Igreja convida-nos a rezar por todos os defuntos; não apenas pelos das nossas famílias, ou pelos mais queridos, mas por todos, sobretudo aqueles de quem ninguém se lembra. A celebração dos fiéis defuntos tem um valor profundamente teológico. Chama a nossa atenção para todo o mistério da existência humana, desde as suas origens até ao seu fim e para além da morte. A novidade introduzida pela nossa fé é a esperança: nós, os cristãos, acreditamos num Deus que não é apenas Criador, mas é também Juiz.
A piedade humana para com os defuntos remonta aos primórdios da humanidade. Mas, com o advento do cristianismo, a perspectiva muda radicalmente. Os primeiros cristãos, como podemos facilmente observar nas catacumbas, esculpiam a figura de Lázaro nos túmulos, como anseio de que os seus entes queridos pudessem também voltar à vida, por intermédio de Cristo. No entanto, somente no século IX começou a celebração litúrgica de um falecido, como herança do uso monacal, já em vigor no século VII, de empregar, dentro dos mosteiros, um dia inteiro de oração por um falecido.
Este costume, porém, já existia no rito bizantino, que celebrava os mortos no sábado anterior à Sexagésima ( o segundo domingo antes da Quaresma, que ocorre 56 dias antes da Páscoa), um período entre o fim de Janeiro e o mês de Fevereiro.
Mais tarde, no ano 809, o Bispo de Trier, Dom Amalário Fortunato de Metz, inseriu a memória litúrgica dos falecidos - que aspiram ao céu - no dia seguinte ao dedicado a Todos os Santos, que já estavam no céu.
Por fim, em 998, Santo Odilão, abade de Cluny, solicita a todos os mosteiros, dependentes da sua abadia, para celebrarem um ofício no dia seguinte à solenidade de Todos os Santos, pela «memória de todos aqueles que repousam em Cristo». A prática estender-se-á aos outros mosteiros e, depois, às paróquias servidas pelo clero secular.
No século XIII-XIV, Roma inscreve a data no calendário da Igreja universal. Desta forma, todos os membros defuntos da comunhão dos santos são evocados sucessivamente: aqueles que chegaram à glória do céu, no primeiro de Novembro; os outros, no dia seguinte.
No fim do século XV, os padres dominicanos espanhóis estabelecem o costume de celebrar três missas a 2 de Novembro. O papa Bento XIV concede este privilégio aos sacerdotes de Portugal, Espanha e América Latina. Em 1915, Bento XV estende-o a todos os padres. A tradição prosseguiu até recentemente.
Desde os primeiros tempos do cristianismo fundou-se a convicção de que os vivos devem rezar pelos mortos. No momento de morrer, Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, pediu ao seu filho para se recordar dela «no altar do Senhor, onde quer que estiveres». Durante a Alta Idade Média, celebrava-se o Ofício dos Defuntos no aniversário do falecimento da pessoa.
 

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXXI DOMINGO COMUM
SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS
 
“…Ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.
Rodearam-n’O os discípulos
e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os humildes,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,
vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai,

porque é grande nos Céus a vossa recompensa»… (cf. Mateus 5, 1-12)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO



- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro - Roma, no dia 28 de Outubro de 2026

Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!

O Concílio Vaticano II não podia deixar de abordar a cultura e as suas relações com a fé cristã. Fá-lo no segundo capítulo da segunda parte da Constituição Gaudium et spes (GS). A Igreja Católica sempre se preocupou por acompanhar a pregação do Evangelho com a instituição de escolas de todos os tipos, destinadas a fomentar a formação humana, cultural e espiritual de homens e mulheres dos cinco continentes. Como sabemos, as universidades medievais nasceram do coração da Igreja, contribuindo, de maneira determinante, para o desenvolvimento da civilização ocidental. Ao mesmo tempo, o progresso da cultura e dos conhecimentos apresenta interrogações sempre novas e mais profundas, estimulando os crentes a explicar a razão da sua fé (cf. 1 Pd 3, 15-17). Além disso, enquanto expressões da dimensão espiritual do ser humano, as várias manifestações da cultura contribuem para abrir as mentes às perguntas perenes sobre o sentido do mundo e da existência humana, preparando, assim, para receber o Evangelho de Jesus Cristo. A relação entre fé e cultura encontra o seu fundamento principal na Encarnação: se a Palavra divina se fez carne e veio habitar entre nós (cf. Jo 1, 14), então, também a fé é uma realidade encarnada, entrelaçada com a cultura em que está inserida. Também ela é chamada a tornar-se cultura, ou seja, a alcançar a pessoa no seu ambiente de vida, feito de palavras humanas, tradições, sentido religioso, arte e poesia, pensamento e ciência. Como São João Paulo II gostava de repetir, «uma fé que não se torna cultura é uma fé não acolhida de modo pleno; não inteiramente pensada nem vivida com fidelidade». A fé pode encarnar-se em todas as culturas, pois não se identifica com nenhuma delas de modo específico. Ela habita-as, moldando-as a partir de dentro, segundo a “forma” de Jesus Cristo, ou seja, com a caridade, o serviço e o reconhecimento filial da paternidade de Deus. Assim, a Igreja capta, nas diferentes culturas, o que há de bom, de belo e de verdadeiro, para encarnar e transmitir a mensagem do Evangelho. Ao mesmo tempo, tendo sido «enviada aos homens de todos os tempos e lugares [...] não está exclusiva e indissoluvelmente ligada a nenhuma raça ou nação; a nenhum género de vida particular; a nenhuma tradição antiga ou moderna. Aderindo à própria tradição e, ao mesmo tempo, consciente da sua missão universal, é capaz de entrar em comunicação com as diversas formas de cultura, com o que se enriquecem tanto a própria Igreja como estas várias culturas» (GS, 58). A Igreja promove a cultura porque esta é um bem em si; é um serviço ao ser humano e ao cumprimento da sua vocação na terra. Por esta razão, a Gaudium et spes exorta a Comunidade internacional a garantir que todos possam ter acesso aos bens culturais fundamentais, superando o analfabetismo e a falta de instrução. Todos aqueles que são capazes de aceder aos estudos superiores - afirma corajosamente o Concílio - devem ser colocados em condições de o poder fazer realmente. Além disso, é «dever de todos reconhecer e fomentar a necessária e específica participação das mulheres na vida cultural» (GS, 60). Além disso, a Gaudium et spes defende a necessidade de orientar o ensino para uma certa unidade do saber, embora as alteradas condições de vida possam tornar isto mais difícil (cf. GS, 61). Os cristãos são os primeiros a ter o dever de se empenhar para actuar esta unidade sapiencial, antes de mais nada em si próprios. Ainda que tenham recebido da Revelação as respostas às grandes interrogações da existência, contudo eles não estão dispensados de uma paciente formação intelectual e cultural; aliás, os seus conhecimentos humanos e científicos devem evoluir a par com os conteúdos da sua fé, que deverão ser continuamente aprofundados com a idade e de acordo com o nível de estudos. O Concílio dirige um apelo particular aos teólogos: «Aqueles que se dedicam às ciências teológicas [...] procurem colaborar com os especialistas de outros ramos do saber, pondo em comum trabalhos e conhecimentos. A investigação teológica deve, simultaneamente, procurar um profundo conhecimento da verdade revelada e não descurar a ligação com o seu tempo, para que assim possa ajudar os homens, formados nas diversas matérias, a alcançar um conhecimento mais completo da fé» (GS, 62). Irmãos e irmãs: a Constituição Gaudium et spes exorta-nos a não viver a fé em espírito de oposição ou de hostilidade em relação ao mundo, à cultura e às suas expressões humanas; mas, pelo contrário, exorta-nos assim: «Vivam, pois, os fiéis em estreita união com os demais homens do seu tempo e procurem compreender perfeitamente o seu modo de pensar e sentir, como se exprimem através da cultura» (GS, 62). Com efeito, alcançar uma síntese madura e responsável entre fé e cultura é uma condição necessária para a perseverança na vocação cristã, mas também um requisito indispensável para dar testemunho da fé, no mundo, e para a comunicar aos outros de modo credível. (cf. Santa Sé


PARA REZAR

 


- SALMO 23
 
Refrão: Esta é a geração dos que procuram o Senhor,
              dos que vestiram túnicas brancas!
 
Do Senhor é a terra e o que nela existe,
o mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas.
 
Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
o que não invocou o seu nome em vão.
 
Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu Salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face de Deus.
 

SANTOS POPULARES

 


BEATO GREGÓRIO LAKOTA
 
Gregório Lakota nasceu no dia 31 de Janeiro de 1883, na aldeia de Golodivka - actualmente Zadnistriany â na província de Lviv, na Ucrânia. Frequentou a escola primária na cidade de Komarno e continuou os seus estudos no Seminário de Lviv. Em 1909, foi ordenado sacerdote na cidade de Peremyshl, onde serviu como secretário do bispo local, Konstantin Chekhovich. De 1910 a 1913, estudou em Viena, Áustria onde obteve o doutoramento em Teologia.
A partir de 1914, leccionou História da Igreja e Direito Canónico no Seminário Diocesano de Peremyshl, onde foi nomeado reitor, em 16 de Janeiro de 1918.
Em 1924, foi nomeado vigário-geral da diocese e, em 16 de Maio, foi ordenado bispo e nomeado bispo-auxiliar da diocese de Peremyshl; simultaneamente, manteve os cargos de vigário-geral e presidente do tribunal diocesano.
Em 1939, o Bispo Gregório foi enviado, pelo Bispo Diocesano, para a cidade de Yaroslavl, então ocupada pelo exército alemão; assim, toda a parte ocidental da diocese, até Cracóvia, ficou sob sua direcção.
Em 1941, o Bispo Gregório voltou para Peremyšl. Durante esse período, a pressão sobre a população ucraniana, nas áreas fronteiriças, intensificou-se, forçando-a a emigrar para leste. Em 21 de Setembro de 1945, as autoridades polacas, dominadas pelo exército russo, prenderam o Bispo I. Kotsilovskij, o Bispo-Auxiliar Gregório Lakota e o Leitor Vasilij Grinik. Foram "persuadidos" a mudarem-se para a URSS. Após dois meses de cativeiro, os três foram entregues à NKVD (Comissariado do Povo para os Assuntos Internos foi a agência de segurança e da polícia secreta da União Soviética, criada em 1934 e extinta em 1946. Desempenhou um papel fundamental na repressão política e na segurança do Estado soviético, durante o regime de Joseph Stalin) que permitiu que cruzassem a fronteira, em 16 de Janeiro de 1946.
No dia 24 de Janeiro, os dois bispos foram libertados e autorizados a retornar às suas dioceses. A segunda prisão do Bispo Gregório ocorreu no dia 26 de Junho de 1946, após a celebração da Missa, na catedral: tropas polacas, sob o mando de oficiais soviéticos, cercaram a Catedral, e o chefe da administração da cidade propôs a todos os representantes do clero ucraniano o direito de se transferirem, livremente, para a União Soviética. O clero recusou unanimemente. Foi concedido um dia para reconsideração, e no segundo dia, todo o clero foi levado para a estação do comboio e deportado.
Ao chegar a território soviético, o bispo D. Gregório foi condenado, sem julgamento, a 10 anos num campo de concentração, a ser cumprido no infame campo de Vorkuta, no norte da Rússia (República de Komi). No campo, o Bispo destacou-se pela sua grande humanidade e humildade. Dispôs-se a realizar os trabalhos mais árduos para aliviar o sofrimento dos outros prisioneiros. O Padre Pedro Leoni, um jesuíta italiano que passou 10 anos nos campos de concentração da Sibéria, escreveu nas suas memórias: "No campo de concentração, encontrei autênticos anjos com rostos humanos que, nas suas vidas, representavam os Querubins na Terra, glorificando a Cristo. Entre eles estava o bispo Gregório Lakota, confessor da fé, que, de 1948 a 1950, nos iluminou, a nós, prisioneiros fragilizados, com o exemplo das virtudes cristãs. No campo de concentração de Vorkuta, o bispo Gregório foi um exemplo extraordinário de vida vivida na verdade. Entre os prisioneiros, a sua extraordinária santidade rendeu-lhe o apelido de 'um anjo em forma humana'. Todos os padres, detidos no campo, celebravam, secretamente, a missa de manhã cedo, numa mesa-de-cabeceira. Diariamente, o clero detido no campo reunia-se à volta do bispo Lakota para conversar sobre temas religiosos. Em 1950, a saúde do bispo deteriorou-se gravemente. Foi transferido para o hospital-campo de Abez, no Lago Usa. Os últimos minutos do bispo..."
A vida de D. Gregório foi testemunhada pelo prisioneiro Kaetanovič, Administrador-Apostólico para os Católicos Arménios, na Ucrânia. O Bispo Gregório, gravemente enfermo, jazia na sua cama rezando constantemente; mas, abençoava todos os que o visitavam.
D. Gregório Lakota faleceu, no campo de concentração da cidade de Abez, na Sibéria russa, vítima dos maus tratos recebidos dos perseguidores, por ódio à fé católica. Apesar da tortura a que foi submetido, soube suportar e superar os tormentos corporais, morrendo intrepidamente por amor a Cristo, no dia 5 de Novembro de 1950.
Foi beatificado, no dia 27 de Junho de 2001, durante a visita do Papa João Paulo II à Ucrânia. Na sua homilia, o Papa disse:”…  Os servos de Deus, hoje inscritos no Álbum dos Beatos, representam todas as componentes da Comunidade eclesial: entre eles, encontram-se Bispos e sacerdotes, monges, monjas e leigos. Eles foram provados de muitas maneiras por parte dos seguidores das ideologias nefastas do nazismo e do comunismo. Consciente dos sofrimentos a que eram submetidos estes fiéis discípulos de Cristo, o meu Predecessor Pio XII, com solícita participação, manifestava a sua solidariedade àqueles "que perseveram na fé e resistem aos inimigos do cristianismo com a mesma invencível fortaleza com que resistiram outrora os seus antepassados" e louvava a sua coragem por terem permanecido "fielmente unidos ao Romano Pontífice e aos seus pastores" (Carta apostólica Orientales Ecclesias, 15 de Dezembro de 1952; AAS 45 [1953], 8).
Amparados pela graça divina, eles percorreram, até ao fim, o caminho da vitória. É um caminho que passa através do perdão e da reconciliação; caminho que conduz à luz resplandecente da Páscoa, depois do sacrifício do Calvário. Estes nossos irmãos e irmãs são os representantes conhecidos de uma multidão de heróis anónimos, homens e mulheres, maridos e esposas, sacerdotes e consagrados, jovens e idosos que no decurso do século XX, o "século do martírio", enfrentaram a perseguição, a violência e a morte para não renunciar à sua fé. (…)
Eu próprio fui testemunha, na minha juventude, desta espécie de "apocalipse". "O meu sacerdócio, logo no seu início, inscreveu-se no grande sacrifício de tantos homens e mulheres da minha geração" (Dom e mistério, pág. 47). Não se deve perder a sua memória, porque ela é uma bênção. Para eles vai a nossa admiração e gratidão: como um ícone do Evangelho das Bem-aventuranças, vivido até ao derramamento do sangue, eles constituem um sinal de esperança para os nossos tempos e para os que hão-de vir. Manifestaram como o amor é mais forte do que a morte.
Na sua resistência ao mistério da iniquidade, pôde resplandecer, apesar da fragilidade humana, a força da fé e da graça de Cristo (cf. 2 Cor 12, 9-10). O seu testemunho invencível revelou-se ser semente de novos cristãos (cf. Tertuliano, 50, 13: CCL 1, 171).
Com eles, também foram perseguidos e mortos, por causa de Cristo, cristãos de outras Confissões. O seu martírio comum é um forte apelo à reconciliação e à unidade. É o ecumenismo dos mártires e das testemunhas da fé, que indica o caminho da unidade aos cristãos do século XXI. Que o seu sacrifício seja uma lição concreta de vida para todos. Não se trata, sem dúvida, de uma tarefa fácil. Ao longo dos últimos séculos, acumularam-se demasiados estereótipos de pensamento, muitos ressentimentos recíprocos e demasiada intolerância. O único meio para desimpedir este caminho é esquecer o passado, pedir e oferecer o perdão uns aos outros pelas ofensas feitas e recebidas, e confiar sem limites na acção renovadora do Espírito Santo.
Estes mártires ensinam-nos a fidelidade ao duplo mandamento do amor: amor a Deus, amor aos irmãos…”
A memória litúrgica do Beato D. Gregório Lakota é celebrada no dia 5 de Novembro.
 

domingo, 25 de outubro de 2026

MUDANÇA DA HORA

 


No próximo domingo, 25 de Outubro, haverá a mudança da hora. Entramos no chamado horário de inverno. Os relógios devem ser atrasados uma hora. Assim, às 2,00 horas da manhã, os relógios devem ser atrasados para a 1,00 hora.

Com o horário de inverno, haverá alteração no horário das celebrações eucarísticas: ao Domingo, haverá missa às 8,00 horas e às 18,00 horas; à Terça-Feira e Sexta-Feira, às 18,00 horas; ao Sábado, às 18,30 horas.


DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXX DOMINGO COMUM

 

“…«Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás,
porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egipto.
Não maltratarás a viúva nem o órfão.
Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim,
escutarei o seu clamor;
inflamar-se-á a minha indignação
e matar-vos-ei ao fio da espada.
As vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos os vossos filhos.
Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo,
ao pobre que vive junto de ti,
não procederás com ele como um usurário,
sobrecarregando-o com juros.
Se receberes como penhor a capa do teu próximo,
terás de lha devolver até ao pôr do sol,
pois é tudo o que ele tem para se cobrir,
é o vestuário com que cobre o seu corpo.
Com que dormiria ele?
Se ele Me invocar, escutá-lo-ei,
porque sou misericordioso»…”  
(cf. Êxodo 22, 21-27)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro - Roma, no dia 11 de Outubro de 2026
 
Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
A primeira coisa que gostaria de vos dizer é: Obrigado! Obrigado pelo apoio das vossas orações. Obrigado a Deus pela Sua generosidade. Renovemos todos a nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus.
A Constituição pastoral Gaudium et spes (GS), do Concílio Vaticano II, depois de ter exposto na primeira parte a dignidade da pessoa e, na segunda parte, a sua vocação no mundo, «à luz do Evangelho e da experiência humana», considera alguns problemas contemporâneos mais urgentes (cf. GS, 46). A atenção centra-se, em primeiro lugar, no matrimónio e na família, na convicção de que «o bem-estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado a uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar» (GS, 47).
Para tal objectivo, não são simplesmente reiterados os seus valores e fins, mas perfila-se um conceito renovado do matrimónio como «íntima comunidade de vida e de amor conjugal» (GS, 48). Integrando a dimensão jurídica do matrimónio como contrato, o fundamento desta união é reconhecido na «aliança conjugal», entendida como «o acto humano com o qual os cônjuges mutuamente se dão e recebem um ao outro» (ibid.). A doação recíproca do homem e da mulher, de tal forma que «já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6), motiva a exigência da «plena fidelidade» e da «indissolubilidade da [...] união» dos cônjuges, encontrando expressão viva na procriação e na educação dos filhos (cf. GS, 48). Reflexo da Trindade divina, o amor conjugal e parental, através do Sacramento do matrimónio, é «dirigido e enriquecido pela força redentora de Cristo», a fim de que os cônjuges possam amar-se reciprocamente «assim como Ele amou a Igreja e se entregou por ela» (ibid.).
Depois de ter esclarecido a realidade do matrimónio à luz do amor de Cristo, que é verdade do amor humano e divino, a Gaudium et spes dirige a sua atenção para o amor conjugal e para a fecundidade matrimonial. Sem se limitar à atracção erótica, que, no entanto, integra em si, o amor conjugal envolve toda a vontade dos esposos, reavivando os afectos da alma e expressando-se mediante sentimentos e gestos de ternura (cf. GS, 49). Abrangendo o bem de toda a pessoa do homem e da mulher, iguais em dignidade, este amor permeia toda a vida dos cônjuges, encontrando expressão nos actos exclusivamente próprios do matrimónio (cf. ibid.). Ao mesmo tempo que significa o amor integral de pessoa para pessoa, a intimidade singular dos esposos favorece a sua entrega mútua, enriquecendo a sua alegria recíproca (cf. ibid.).
Além disso, a fecundidade do amor conjugal manifesta-se na procriação dos filhos, «o maior dom do matrimónio» (GS, 50). Transmitindo e educando a vida humana, que nunca deve ser descartada, os esposos tornam-se «cooperadores do amor de Deus criador e como que seus intérpretes» (ibid.). Chamados a tal responsabilidade humana e cristã, eles devem deixar-se orientar por um juízo recto acerca do bem próprio e dos seus filhos, já nascidos ou que vierem a nascer. Este juízo que, em última análise, os próprios cônjuges devem formular perante Deus, exige que a sua consciência esteja em conformidade com a lei divina, interpretada pelo Magistério eclesial à luz do Evangelho (cf. ibid.).
A valorização da comunhão amorosa e da fecundidade procriativa no matrimónio leva o Concílio a excluir que possa existir «verdadeira incompatibilidade entre as leis divinas que regem a transmissão da vida e o desenvolvimento do autêntico amor conjugal» (GS, 51) e a afirmar, pelo contrário, que «quando se trata [...] de conciliar o amor conjugal com a transmissão [...] da vida», é preciso manter, «num contexto de autêntico amor, o sentido da mútua doação e da procriação humana» (ibid.). Daí decorre que a vida «deve [...] ser salvaguardada com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção», evitando «o aborto e o infanticídio»; e que os «actos específicos da vida conjugal, realizados segundo a autêntica dignidade humana, devem ser objecto de grande respeito» (ibid.).
Em seguida, o ensinamento da Gaudium et spes sobre a comunidade conjugal e familiar chega a salientar a função social da família, definida como «uma escola de valorização humana» e «o fundamento da sociedade» (GS, 52), exortando todos aqueles que têm responsabilidades sociais, especialmente no âmbito político e cultural, ao dever de «contribuir eficazmente para a promoção do matrimónio e da família» (ibid.).
Caríssimos, este compromisso é mais urgente do que nunca. A Igreja sabe-o bem, como demonstra a solicitude pastoral dos Papas que se sucederam após o último Concílio, até à dupla Assembleia sinodal desejada pelo Papa Francisco, a respeito da qual os Chefes das Igrejas Católicas Orientais e os Presidentes das Conferências Episcopais voltaram a debater recentemente. Que a Sagrada Família de Nazaré nos ilumine ao longo do caminho, amparando as famílias do mundo inteiro. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 17
 
Refrão: Eu Vos amo, Senhor. Vós sois a minha força!
 
Eu Vos amo, Senhor, minha força,
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.
Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,
meu protetor, minha defesa e meu salvador.
 
Na minha aflição invoquei o Senhor
e clamei pelo meu Deus.
Do seu templo Ele ouviu a minha voz,
e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.
 
Viva o Senhor, bendito seja o meu protetor;
exaltado seja Deus, meu salvador.
O Senhor dá ao Rei grandes vitórias
e usa de bondade para com o seu ungido.

SANTOS POPULARES

 


BEATO LEÃO NOWAKOWSKI
 
Leão Nowakowski nasceu no dia 28 de Junho de 1913, em Bytoń, na região de Kujawy, na Polónia. Era filho de Władysław Nowakowski e de Ana Lichmańska,
Frequentou a escola primária em Morzyce e, posteriormente, o colégio Jan Długosz para rapazes, em Włocławek. Depois de concluir o ensino médio, matriculou-se na Faculdade de Matemática e Ciências Naturais da Universidade de Varsóvia, mas foi rejeitado.
Em 1932, entrou no Seminário Teológico de Włocławek. Durante os seus estudos, foi presidente da Confraria da Ordem Terceira de São Francisco. Depois de ter sido ordenado sacerdote, no dia 20 de Junho de 1937, pelo Bispo Carlos Radoński, foi enviado para a Universidade Católica de Lublin, para continuar os seus estudos e, posteriormente, foi para a Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.
Depois de ter terminado o curso de Teologia, em Julho de 1939, voltou à Polónia, a Kujawy, a sua paróquia natal. Estava na Polónia quando começou a Segunda Guerra Mundial e quando a Polónia foi invadida pelas tropas nazis, dando origem à repressão contra os intelectuais polacos, incluindo a perseguição do clero.
No início de Outubro de 1939, quando os alemães prenderam o Padre da paróquia de Byton, as suas funções foram assumidas pelo Padre Nowakowski. Nesse mês de Outubro, ele mesmo foi preso pela Gestapo, quando se dirigia para a Igreja, para a oração do terço.
Foi transferido para Piotrków Kujawski e mantido prisioneiro, juntamente com outros padres, na residência paroquial local.
Na noite de 31 de Outubro, os alemães reuniram todos os padres presos, incluindo o Padre Nowakowski, e foram fuzilados num campo próximo, na propriedade Tabaczyński. Os seus corpos foram levados para fora da cidade e enterrados numa vala comum.
Após a guerra, em Abril de 1945, os corpos foram exumados. Após um funeral solene, os restos mortais do Padre Leão Nowakowski foram sepultados no cemitério paroquial de Piotrków Kujawski.
Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em Varsóvia, Polónia, no dia 13 de Junho de 1999, juntamente com outros 107 mártires polacos. Durante a sua homilia, o Papa disse: “… Hoje estamos a celebrar a vitória daqueles que, no nosso tempo, deram a vida por Cristo; deram a vida temporal para a possuir, pelos séculos, na sua glória. Trata-se de uma vitória particular, porque é compartilhada pelos representantes do clero e dos leigos, jovens e idosos, pessoas de várias classes e posições. Entre eles estão D. Antoni Julian Nowowiejski, Pastor da Diocese de Plock, torturado até à morte em Dzialdowo; e D. Wladyslaw Goral de Lublim, torturado com particular ódio somente porque era Bispo católico. Há sacerdotes diocesanos e religiosos, que morreram porque não quiseram abandonar o seu ministério, e aqueles que morreram servindo os companheiros de prisão, doentes de tifo; há pessoas que foram torturadas até à morte pela defesa dos judeus. No grupo dos Beatos existem irmãos religiosos e irmãs, que perseveraram no serviço da caridade e na oferta dos seus tormentos pelo próximo. Entre estes Beatos mártires contam-se também leigos. Há cinco leigos jovens, formados no oratório salesiano; um activista zeloso da Acção Católica, um catequista leigo, torturado até à morte pelo seu serviço, e uma mulher heróica que deu livremente a sua vida em troca da vida da sua nora, que esperava um filho. Hoje, estes Beatos mártires são inscritos na história da santidade do Povo de Deus, peregrinante em terra polaca há mais de mil anos.
Se hoje nos alegramos pela beatificação de 108 Mártires clérigos e leigos, fazemo-lo antes de mais porque eles são o testemunho da vitória de Cristo, o dom que restitui a esperança. Enquanto realizamos este acto solene, num certo sentido, revive em nós a certeza de que, independentemente das circunstâncias, podemos obter a vitória plena em tudo, graças Àquele que nos amou (cf. Rm 8, 37). Os Beatos mártires bradam aos nossos corações: crede que Deus é amor! Acreditai n'Ele, no bem e no mal! Despertai em vós a esperança! Que esta dê, em vós, o fruto da fidelidade a Deus, em cada provação! …”
A memória litúrgica do Beato Leão Nowakowski é celebrada no dia 31 de Outubro.

sábado, 17 de outubro de 2026

EM DESTAQUE

 


DIA MUNDIAL DAS MISSÕES
 
O Dia Mundial das Missões, este ano celebrado no dia 18 de Outubro, é o dia em que a Igreja universal reza pelas missões e pelos missionários, procurando apoiar toda a acção missionária de forma especial. Este dia é celebrado, em todo o mundo, no penúltimo domingo de Outubro, considerando que o mês de Outubro é chamado o "Mês das Missões".
A ideia surgiu, justamente, no ano em que o Papa Pio XI publicou a encíclica Rerum Ecclesiae (As coisas (assuntos) da Igreja) [A Encíclica Rerum Ecclesiae foi publicada em 28 de Fevereiro de 1926, dando continuidade à ‘Maximum Illud’, do Papa Bento XV, reforçando os fundamentos da cooperação missionária da Igreja. A Encíclica afirma que a missão é responsabilidade de toda a Igreja. Convida-a para a cooperação missionária por meio da oração, da ajuda material e do incentivo às vocações. Apesar das limitações próprias da sua época, a Rerum Ecclesiae representou um avanço decisivo ao consolidar a missão como dimensão essencial da identidade da Igreja e ao promover a formação de Igrejas locais, verdadeiramente universais.
O Papa Pio XI, pelo seu impulso missionário, ficou conhecido como o “Papa Missionário”, pois realizou a ordenação dos primeiros seis bispos chineses (1926); a instituição do Dia Mundial das Missões (1926); a proclamação de São Francisco Xavier e de Santa Teresinha do Menino Jesus como padroeiros das missões (1927)]
A primeira celebração do Dia Mundial das Missões em Outubro de 1926 e, desde então, tem sido sempre celebrado. Neste ano de 2026, celebra-se o seu centenário, com o tema escolhido pelo Papa Leão XIV "Um em Cristo, unido na missão".
Na sua mensagem para este centenário, o Papa Leão XIV quer dar um contributo à construção da unidade da Igreja, adoptando uma aproximação teológica que nos pede uma leitura espiritual do texto. Numa das partes da sua mensagem, Leão XIV relaciona a missão com o amor e afirma que o amor é a substância da Igreja e da sua missão. O amor une os cristãos com todas as pessoas e todos os povos; o poder do amor une as pessoas e os povos, sem negar a diversidade de pessoas e culturas; e só o amor permite sarar as feridas e os traumas que as divisões geram impedindo a comunhão.
O Papa escreve: “Obviamente, a unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade, mas como convergência dos diferentes carismas para o mesmo objectivo: tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a um encontro com Ele. A evangelização realiza-se quando as comunidades locais colaboram entre si e quando as diferenças culturais, espirituais e litúrgicas se expressam, plena e harmoniosamente, na mesma fé. Encorajo, deste modo, as instituições e realidades eclesiais a fortalecer o sentido de comunhão missionária eclesial e a desenvolver, com criatividade, formas concretas de colaboração entre si para a missão e na missão.”

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXIX DOMINGO COMUM

 

“…Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses,
que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo:
A graça e a paz estejam convosco.
Damos continuamente graças a Deus por todos vós,
ao fazermos menção de vós nas nossas orações.
Recordamos a actividade da vossa fé,
o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança
em Nosso Senhor Jesus Cristo,
na presença de Deus, nosso Pai.
Nós sabemos, irmãos amados por Deus,
como fostes escolhidos.
O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras,
mas também com obras poderosas,
com a acção do Espírito Santo…”  
(cf. I Tessalonicenses 1, 1-5)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro - Roma, no dia 11 de Outubro de 2026
 
Hoje, no Evangelho, Jesus fala da festa de casamento que um rei preparou para o seu filho (cf. Mt 22, 1-14).
O matrimónio de um filho é um momento especial em qualquer família, e este pai, cheio de felicidade, quer partilhar a sua alegria com todos. Oferece um banquete e convida muita gente. A este respeito, São Tomás de Aquino afirma que o bem, por natureza, tende a difundir-se: «Bonum dicitur diffusivum sui» (Summa theologiae, I, q. 5 a. 4, ad 2). Também, nos fala desta realidade a imagem utilizada, na nossa história, partindo dum contexto específico da vida.
Quando algo de bom acontece, acende-se uma luz que nos leva a incluir os outros na nossa felicidade.
No entanto, diante duma oferta tão bonita, os convidados, em vez de se juntarem à festa, recusam-se a ir, preferindo continuar nos seus afazeres. Alguns, até, incomodados, insultam e chegam mesmo a matar os mensageiros do rei. Infelizmente, isto também acontece: nem sempre o bem que oferecemos é compreendido, reconhecido ou apreciado; pelo contrário, por vezes é mal interpretado e rejeitado. Mas, isso não deve desanimar-nos. Perante a recusa, o rei não anula o casamento nem cancela as celebrações; pelo contrário, alarga o convite a um número ainda maior de pessoas, enviando os seus servos a chamá-las pelas ruas, para que a alegria dos noivos seja um dom para todos.
Neste ponto, perguntemo-nos: os protagonistas desta história quem representam? São Jerónimo identifica o rei com o Pai dos Céus, o noivo com Jesus e a noiva com a Igreja (cf. Comentário a Mateus, Livro III, cap. 22). Portanto, entre os protagonistas estamos também nós, escolhidos pelo Senhor para partilhar com Ele a nossa existência e para sermos, com Ele, portadores de vida. A festa de casamento é a nossa, e a sala do banquete são as nossas igrejas, as nossas casas, os lugares onde vivemos e onde o Filho do Rei, Jesus Cristo, volta todos os dias para nos declarar o seu amor, aguardando o nosso “sim”. É lá que O encontramos, revestidos, tal como a noiva, com a veste branca do Baptismo e adornados com as joias das boas obras, que nos aproximam de Deus e uns dos outros.
A alegria que anunciamos não é, pois, artificial, mas profunda, concreta e real, bela como os rostos das pessoas que encontramos, verdadeira como o trabalho, os sorrisos, as lágrimas, os apertos de mão e os gestos de bondade que marcam os nossos dias. É um dom de Deus, para a salvação do mundo.
Peçamos a Maria, Mãe do Senhor, que nos ajude a crescer nesta alegria, anunciando-a sempre e em toda parte com generosidade, coragem e fé, mesmo onde não é compreendida. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 95

Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
Publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.

O Senhor é grande e digno de louvor,
mais temível que todos os deuses.
Os deuses dos gentios não passam de ídolos,
foi o Senhor quem fez os céus.
 

Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder.
Dai ao Senhor a glória do seu nome,
levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios.

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante d’Ele a terra inteira.
Dizei entre as nações: «O Senhor é rei»,
governa os povos com equidade.

SANTOS POPULARES



BEATA MARIA LOURENÇA REQUENSES LLONC

Maria nasceu em Lérida, na Catalunha - Espanha, por volta de 1463. Casou-se com João Llonc, um valenciano de São Mateus, regente da Chancelaria do Reino de Aragão e muito estimado pelo rei Fernando, o Católico, que, ao casar-se com Isabel de Castela, fez da Espanha a futura governante da Europa.
O único episódio registrado na biografia deste primeiro período da sua vida é o de uma tentativa de envenenamento por uma criada, após a qual Maria ficou aleijada, ou paralisada, nas mãos e nos pés.
Em 1506, apesar da paralisia e após um profundo discernimento, ela e a sua família acompanharam o marido, que havia sido nomeado Regente do Vice-Reino de Nápoles. Três anos depois, viúva e com três filhos, fez uma peregrinação a Loreto, onde se sentiu milagrosamente curada.
Para expressar o seu desejo de maior intensidade espiritual, escolheu o nome Maria Laurência (ou Lourença) e, segundo algumas fontes, vestiu o hábito de freira franciscana. Em seguida, dedicou-se a obras de caridade, tão necessárias à população napolitana, inicialmente no hospital de São Nicolau al Molo.
Graças aos seus próprios recursos, em 1519, inspirada pelo tabelião genovês Ettore Vernazza, construiu o Hospital de Santa Maria del Popolo (do Povo) também conhecido como Hospital dos Incuráveis, que ainda hoje funciona no centro histórico de Nápoles, e do qual ela assumiu a direcção.
Também acolheu muitas prostitutas no hospital, algumas das quais, expressando o desejo de mudar de vida, permaneceram como criadas. Em 1526, construiu para elas um lar, um verdadeiro mosteiro, ao lado do complexo hospitalar, confiado à orientação da Duquesa de Termoli, Maria Ayerbo.
Nesta ‘cidade da caridade’, acolheu os frades capuchinhos, em 1530: para eles, construiu o convento de Santo Efrimo Velho. Em 1533, acolheu, em Nápoles, São Caetano de Thiene, que se tornou seu director espiritual.
Foi laborioso e imprevisto o caminho que levou Maria Llonc a obter a aprovação canónica, em 1535, para o nascente mosteiro de Santa Maria de Jerusalém. Inicialmente, Maria desejou partir para a Terra Santa, mas compreendeu que o Senhor a queria ali como fundadora.
Com a bula papal "Debitum pastoralis officii", de 19 de Fevereiro, o Papa Paulo III erigiu a comunidade que ela fundara sob o nome de "Irmãs da Terceira Ordem de São Francisco, segundo a Regra de Santa Clara". Nesse mesmo ano, a fundadora entregou a Maria Ayerbo a responsabilidade da direcção do hospital, a fim de se dedicar à nova fundação, sob a orientação de São Caetano.
Em 10 de Dezembro de 1538, o Papa Paulo III confirmou ã fundação da nova Congregação sob a "observata strictissime" Regra de Santa Clara. Maria e as suas companheiras fizeram, então, os votos religiosos. No ano seguinte, o número de freiras foi fixado em trinta e três, em honra dos anos da vida terrena de Jesus, razão pela qual o mosteiro sempre foi chamado "das Trinta e Três".
A legislação adoptada incluía, como atesta um manuscrito do século XVI, preservado nos arquivos do mosteiro, a primeira Regra de Clara de 1259 - pobreza e recepção de noviças sem dote -, juntamente com as constituições de Santa Coleta de Corbie e, finalmente, algumas normas sobre o claustro, compostas por Maria Lourença Llonc.
Esses textos, revistos ​​no início do século XVII, pelos Capuchinhos, deram à Ordem o nome de Monjas Capuchinhas da Primeira Regra de Santa Clara, que rapidamente se espalhou pela Europa e pelo resto do mundo.
Maria Lourença Llonc faleceu em Outubro de 1539, após renunciar ao cargo de abadessa e ter recebido todas as garantias papais (aproximadamente 10 documentos, incluindo bulas e breves papais) de que o mosteiro seria de estricta pobreza e observância do claustro, segundo o espírito de Clara e Coleta, mas adaptado à situação monástica do século XVI, numa cidade como Nápoles.
A Madre Maria Lourença gozava de fama de santidade, desde a sua morte. Contudo, uma verdadeira causa de beatificação só foi iniciada no final do século XIX.
Em 1935, ocorreu o reconhecimento canónico dos seus restos mortais que foram depositados na igreja do Proto mosteiro de Santa Maria de Jerusalém. A memória da sua experiência de fé e da sua obra perdura através de conferências, publicações e estudos científicos. Além disso, desde 1974, as Clarissas Capuchinhas comemoram o aniversário da sua morte, todos os anos, no dia 21 de Dezembro.
Em 12 de Junho de 2004, foi reapresentada a petição para a beatificação de Maria Llonc.
Em 9 de Outubro de 2017, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto que reconhece as virtudes heroicas cristãs da Madre Maria Llonc.
A Madre Maria Lourença foi beatificada no dia 9 de Outubro de 2021, na Catedral de Nossa Senhora da Assunção, em Nápoles, em cerimónia presidida pelo Cardeal Semeraro, delegado do Santo Padre.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 21 de Outubro.

domingo, 11 de outubro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXVIII DOMINGO COMUM

 

“…Sobre este monte,
o Senhor do Universo há-de preparar, para todos os povos,
um banquete de manjares suculentos,
um banquete de vinhos deliciosos:
comida de boa gordura, vinhos puríssimos.
Sobre este monte,
há-de tirar o véu que cobria todos os povos,
o pano que envolvia todas as nações;
destruirá a morte para sempre.
O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces
e fará desaparecer, da terra inteira,
o opróbrio que pesa sobre o seu povo.
Porque o Senhor falou.
Dir-se-á, naquele dia:
«Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação;
é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança.
Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou.
A mão do Senhor pousará sobre este monte»…”
(cf. Isaías 25, 6-10)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 7 de Outubro de 2026
 
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
Retomando a reflexão sobre a Constituição conciliar Gaudium et spes (GS), hoje consideramos o quarto capítulo da primeira parte, dedicado à missão da Igreja no mundo contemporâneo. Em primeiro lugar, o Concílio recorda que a Igreja não está “acima” nem “ao lado” do mundo, mas como que inserida nele. «Mundus reconciliatus Ecclesia», escrevia Santo Agostinho (Sermo 96): a Igreja é o mundo já reconciliado com Deus; somos peregrinos na terra e com este mundo partilhamos a fragilidade e a beleza (cf. GS, 40).
Assim como o Filho de Deus se encarnou para dar vida ao mundo e para o reconciliar com o Pai, também a Igreja habita no mundo como sinal da encarnação de Deus para manifestar o seu desígnio de tornar todos nós seus filhos numa única e grande família humana. Por isso, a Igreja caminha na história, no meio dos povos e das culturas, e «esta interligação vital com os povos faz-lhe compreender cada vez mais que a sua missão tem um alcance histórico e implica responsabilidade no que diz respeito à maneira como se tecem as relações sociais» (Carta enc. Magnifica humanitas, 19).
A primeira missão da Igreja consiste em ajudar as pessoas a estar atentas às profundas interrogações da vida: aquelas que dizem respeito à nossa origem e ao nosso destino, assim como aquelas que se referem ao sentido do amor e da dor (cf. GS, 41). A lógica do lucro custe o que custar e a manipulação da informação correm o risco de exercer uma pressão indevida a fim de que as pessoas se conformem com um estilo de vida centrado no consumo de bens materiais, mas o nosso coração foi feito para olhar para o alto.
Os Padres do Concílio recordam que a missão da Igreja se realiza também na contribuição para a construção da cidade terrena. No entanto, os seus métodos e a sua finalidade não são primariamente de ordem política, mas consistem no testemunho da fé e da caridade, com o compromisso em prol da justiça, da paz e da fraternidade. Adorando Cristo, o Justo que morreu pelos injustos, o crente não pode aceitar a opressão dos pequeninos e dos pobres, nem as estruturas injustas que perpetuam condições de dependência e injustiça. A Doutrina social da Igreja orienta a ação dos cristãos, que colaboram com todas as pessoas de boa vontade na promoção do bem comum. Portanto, a Igreja «nada deseja mais ardentemente do que, servindo o bem de todos, poder desenvolver-se livremente sob qualquer regime que reconheça os direitos fundamentais da pessoa e da família, e os imperativos do bem comum» (GS, 42).
Para cumprir com eficácia a missão evangélica, é necessário que cada batizado se comprometa em cooperar com a graça do Espírito Santo, a fim de que a sua fé seja viva e se expresse mediante comportamentos coerentes. Com efeito, como recordam os Padres conciliares, a separação entre fé professada e vida quotidiana «deve ser contada entre os mais graves erros do nosso tempo» (GS, 43).
A Gaudium et spes reserva uma menção especial (cf. ibid.) à missão dos fiéis leigos que, em virtude do Baptismo, são chamados a animar o mundo com o espírito cristão e a visão do Evangelho. Os principais lugares desta ação, que bem se pode dizer sacerdotal, são indubitavelmente a família e a atividade de trabalho, mas ela estende-se a todos os ambientes de vida.
Para concluir, a Igreja está sempre atenta ao que acontece e se desenvolve na sociedade (cf. GS, 44). É tarefa de todo o Povo de Deus, sobretudo dos pastores e dos teólogos, discernir o que é digno de consideração nas culturas do nosso tempo, tendo sempre como critério supremo de discernimento a Palavra de Deus e a Tradição da Igreja. Isto requer um espírito equilibrado e livre das modas culturais, capaz de olhar para o mundo de modo positivo e, ao mesmo tempo, firme na preservação e apresentação da mensagem evangélica na sua integralidade. Com efeito, «não é certamente diluindo os conteúdos e suavizando as exigências que se pode tornar o cristianismo atraente» (Discurso à Plenária do Dicastério para a Evangelização — Secção para as questões fundamentais da evangelização no mundo, 28 de maio de 2026).
Caríssimos, enquanto se encontra a caminho na história, a Igreja tem como «único fim (...) o advento do reino de Deus e o estabelecimento da salvação de todo o género humano» (GS, 45). Ela tende para esta finalidade sobretudo através da santidade pessoal e do amor fraterno. São Paulo VI escrevia: «Sem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra fará a sua caminhada até atingir o coração do homem dos nossos tempos; ela corre o risco de permanecer vã e infecunda» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 76). Portanto, tornemo-nos dóceis à ação do Espírito Santo, a fim de que nos ajude a viver em santidade e caridade, para que o mundo possa acreditar e esperar. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 22
 
Refrão: Habitarei para sempre na casa do Senhor.
 
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.
 
Ele me guia por sendas direitas,
por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
 
Para mim preparais a mesa,
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.
 

SANTOS POPULARES


 

SANTA MADALENA DE NAGASAKI
 
Madalena nasceu em 1611, em Nishizaka, perto de Nagasaki, no Japão. Era filha de nobres e fervorosos cristãos, ricos sobretudo de virtudes cristãs. Desde cedo, ela recebeu esmerada educação. A sua infância, contudo, coincidiu com um período de cruéis perseguições contra os cristãos. O ditador Tokugawa Yeyasu, budista, decretou, em 1614, uma perseguição total contra os cristãos. Com os seus sucessores, Hidetada e Yemitsu, essa perseguição tornou-se ainda mais cruel, a ponto de, em poucos anos, quase exterminar a cristandade do Japão. Manuscritos antigos descrevem-na como uma jovem frágil, delicada e bela. Os seus pais e os seus irmãos foram condenados à morte por causa da sua fé católica e martirizados quando ela ainda era muito jovem.
Em 1624, Madalena conheceu dois padres agostinhos (de Santo Agostinho) recoletos (é uma maneira de viver o carisma de Santo Agostinho com radicalidade, procurando que nada distraia o coração daquilo que constitui o único alvo de toda a vida cristã: o amor de Deus), Francisco de Jesus e Vicente de Santo António, que mais tarde foram martirizados e declarados beatos.
Atraída pela profunda espiritualidade dos dois missionários, Madalena consagrou-se a Deus, como terciária agostiniana recoleta. A partir de então, passou a usar o hábito religioso, dedicando-se, exclusivamente, à oração, à leitura de livros sagrados e ao apostolado. Mais tarde, tornou-se terciária dominicana.
Os tempos eram muito difíceis, e a perseguição contra os cristãos tornou-se mais sistemática e cruel. Madalena encorajava os cristãos; ensinava catecismo às crianças e pedia esmolas aos mercadores portugueses para os pobres.
Em 1629, procurou refúgio e abrigo nas montanhas de Nagasaki, compartilhando o sofrimento e a angústia dos seus concidadãos perseguidos, encorajando-os a permanecerem firmes na fé, guiando aqueles que, vencidos pela tortura, haviam negado Cristo, visitando os doentes, baptizando crianças e levando palavras e gestos de conforto a todos.
Diante da apostasia (negação da fé) de muitos cristãos, aterrorizados pelas torturas a que eram submetidos, e ansiando pela união eterna com Cristo, Madalena decidiu desafiar os tiranos. Vestida com o hábito de uma terciária, apresentou-se perante os juízes, em Setembro de 1634, carregando apenas um pequeno fardo com livros sagrados para que pudesse orar e meditar na prisão. Num primeiro momento, os guardas mandaram-na embora dizendo que, sendo ela tão jovem e frágil, não poderia sofrer ou mesmo suportar tão horríveis tormentos a que eram submetidos os religiosos. Contudo, no dia seguinte ela foi presa. Os juízes, admirados com sua beleza e comovidos pela sua tenra idade, vendo-a estimada e admirada pelos cristãos e também por ser de família nobre e ilustre, tentaram convencê-la, através de atenções especiais e promessas diversas, a abandonar a fé. Mas tudo foi em vão. Nem mesmo as promessas de um casamento vantajoso e a tortura que suportou conseguiram quebrar a sua firme vontade.
Madalena, depois de sofrer vários tipos de torturas, sem perder a fé em Jesus Cristo, no início de Outubro de 1634 foi tirada da prisão e, com outros dez cristão foi levada ao lugar do martírio. O seu último suplício durou treze dias e meio, pendurada pelos pés, de cabeça para baixo, dentro de um poço, invocando os nomes de Jesus e Maria e cantando hinos ao Senhor.
Na última noite, uma forte chuvada inundou o poço e Madalena afogou-se. Era o dia 15 de Outubro de 1634. Tinha cerca de 23 anos. Os tiranos queimaram o seu corpo e espalharam as suas cinzas no mar, para impedir que os cristãos venerassem as suas relíquias.
Aquando da organização do seu processo de beatificação, Madalena foi incluída num grupo de dezasseis mártires dominicanos, de diversas nacionalidades, todos mortos no Japão, liderados por Lourenço Ruiz, o primeiro santo de origem filipina. Todo o grupo foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 18 de Fevereiro de 1981, em Manila, Filipinas, e canonizado, em Roma, pelo mesmo pontífice, no dia 18 de Outubro de 1987.
A memória litúrgica de Santa Madalena de Nagasaki é celebrada no dia 15 de Outubro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXVI DOMINGO COMUM

 

“…Não vos inquieteis com coisa alguma.
Mas, em todas as circunstâncias,
apresentai os vossos pedidos diante de Deus,
com orações, súplicas e acções de graças.
E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência,
guardará os vossos corações
e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Quanto ao resto, irmãos,
tudo o que é verdadeiro e nobre,
tudo o que é justo e puro,
tudo o que é amável e de boa reputação,
tudo o que é virtude e digno de louvor
é o que deveis ter no pensamento.
O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim
é o que deveis praticar.
E o Deus da paz estará convosco…
(cf. Filipenses 4, 6-9)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 30 de Setembro de 2026
 
Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
Hoje, desejo falar-vos da Viagem Apostólica a França, que realizei nos últimos dias. Foi uma grande dádiva para mim e para o povo de Deus naquele país, e dou graças ao Senhor por isso. Manifesto, mais uma vez, a minha gratidão a todos aqueles que me receberam: às Autoridades civis e aos Pastores da Igreja, assim como a quantos, deveras numerosos, quiseram encontrar-se com o Papa ou, simplesmente, saudá-lo ao longo das ruas, como Apóstolo de Cristo e mensageiro de paz. Obrigado a todos!
Gostaria de reunir os pensamentos e as impressões - ainda profundamente vivas - desta Visita Pastoral, em volta de um único grande símbolo: a Catedral de Notre-Dame de Paris. Ali, na tarde do primeiro dia, pudemos celebrar as Vésperas da Bem-Aventurada Virgem Maria, uma liturgia solene e ao mesmo tempo festiva, na qual a música, o cântico e a beleza do templo faziam vibrar os corações, unidos em oração.
É precisamente Notre-Dame, com o drama vivido, que pode simbolicamente iluminar toda esta Viagem Apostólica, oferecendo uma chave de leitura que eu resumiria com uma palavra: renascimento!
A Catedral de Paris, que, há apenas sete anos, parecia mortalmente ferida, por um enorme incêndio, agora foi reconstruída e é mais resplandecente do que nunca. Aquele desastre provocou uma reacção positiva a todos os níveis, alguns mais visíveis e práticos, outros mais escondidos, de ordem espiritual.
O seu restauro foi uma prova da possível colaboração entre Igreja, Estado, instituições públicas e sociedade civil. Esta atitude permitiu valorizar, da melhor forma possível, a generosidade dos benfeitores e as competências dos profissionais e dos operários. A sinergia em prol do bem comum deveria ser o estilo normal das instituições, das forças políticas e sociais, de quantos têm responsabilidades civis e económicas. Foi a mensagem que eu quis confiar às Autoridades francesas, bem como aos membros da UNESCO, à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, com sede em Paris, indicando qual o critério fundamental no qual basear esta colaboração: a dignidade da pessoa humana!
Mas, sobretudo Notre-Dame é imagem da Igreja de pedras vivas, do povo santo de Deus.
É interessante estabelecer um paralelo entre a celebração das Vésperas, na Catedral, e a Vigília dos jovens que teve lugar, na mesma noite, no grande Estádio da França, em Paris. Dois lugares completamente diferentes e, no entanto, dois acontecimentos complementares, quase unidos espiritualmente. O que os unia? A Igreja, que não é feita de pedras nem de cimento, mas de pessoas que amam Jesus Cristo, porque foram amadas por Ele. Em Notre-Dame estavam presentes sacerdotes e diáconos, pessoas consagradas, agentes pastorais; no estádio estava presente a nova geração francesa: nova - diria - não só pela idade, mas ainda mais pelo espírito, pela liberdade de coração e de fé. Jovens que cantaram, gritaram, mas que também permaneceram em silêncio, à escuta. Rostos atentos e comovidos, que revelavam corações desejosos de verdade e amor. A eles eu disse com alegria: “Vós sois os santos da França!”. Aquela Vigília foi um grande sinal de esperança!
Tal como o foi - na pequenez que Deus prefere - também o encontro na Maison Bakhita, casa de acolhimento para várias pessoas em dificuldade: um dos muitos lugares, frutos do Evangelho, onde se assume o compromisso diário de servir, com amor, a dignidade da pessoa humana.
No entanto, na Igreja, em França, existe um sinal de renascimento que perdura há alguns anos, ou seja, o número notável e crescente de jovens e adultos que pedem o Baptismo. Sobre esta bonita “surpresa” de Deus, decorre, em Paris, uma Assembleia sinodal provincial, na qual tive a ocasião de intervir, encorajando o caminho dos catecúmenos e dos neófitos, com as comunidades a que pertencem.
O evento culminante da minha visita à Capital foi a Missa na Place de la Concorde. Ali, o sinal do renascimento manifestou-se de modo surpreendente: a assembleia litúrgica, que congregava, na vasta Praça, os sacerdotes, o coro e uma multidão considerável, estendia-se por toda a Avenue des Champs-Élysées, até ao Arco do Triunfo e além. No momento da Comunhão, todos puderam receber a Eucaristia, distribuída em todos os lugares. Eis a verdadeira reconstrução, a restauração da Igreja que só Deus pode realizar, por intercessão da Virgem Maria.
E, então, era natural e obrigatório que, depois de Paris, eu fosse como peregrino a Lourdes, para venerar a Mãe da Igreja, Maria, aquela que na hora da paixão e da morte mantém acesa a lâmpada da fé e da esperança. Em Lourdes, o Senhor, através do esmero maternal da Virgem Maria, transmite a todos, peregrinos e especialmente enfermos no corpo e no espírito, uma mensagem de esperança e renascimento. Uma mensagem que eu quis relançar abertamente: cada vida humana, em qualquer condição, até na mais grave fragilidade, conserva a sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada, aliviada do sofrimento, com compaixão humana e com o auxílio dos meios proporcionados pela ciência. Por isso, Lourdes representa, para todo o mundo, um santuário da civilização do amor. Neste contexto, encontrei algumas pessoas vítimas de abusos e pedi-lhes que me ajudem a transmitir também a outras vítimas a minha vontade, bem como a de toda a Igreja, de as ouvir e de caminhar com elas em busca da cura, reconhecendo a dor causada na sua vida e trabalhando para a prevenção dos abusos.
A terceira e última etapa da Viagem Apostólica foi a cidade de Metz, numa região da França e da Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial. Foi ali que trabalhou Robert Schuman, um dos principais inspiradores do processo de unificação europeia. A Europa contemporânea nasceu, precisamente, como projecto de paz, após a destruição da guerra. Podemos dizer que quanto ocorreu com o incêndio de Notre-Dame, em Paris, acontecera na Europa com a Segunda Guerra Mundial. E a Europa renasceu, com base naqueles princípios de democracia, solidariedade e fraternidade entre os povos, que muito devem às próprias raízes cristãs. Também hoje, é sobre tais alicerces e com esta “linfa” vital que o projecto-Europa pode renovar-se, num mundo muito mais globalizado, onde o diálogo inter-religioso desempenha um papel de importância primordial. Por isso, em Metz, encontrei-me com representantes das várias tradições religiosas, que leram e subscreveram, na minha presença, o “Apelo de Metz” a favor do diálogo e da paz.
Caríssimos, o tema da minha Visita pastoral a França foi “Pour que le monde ait la vie”, “Para que o mundo tenha vida” (cf. Jo 6, 51). São palavras de Jesus, que resumem toda a sua missão de salvação e que, durante a Viagem, manifestavam plenamente o sentido evangélico de cada encontro. Agora, que elas inspirem a nossa oração, pedindo a Deus que este acontecimento de graça possa dar frutos abundantes e duradouros! (cf. Santa Sé)