PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Anunciai… o Reino de Deus…” (cf. Mateus 10, 7) Hoje, no Evangelho, Jesus chama pelo nome - chama pelo nome - e envia os doze Apóstolos. Enviando-os, pede-lhes que proclamem algo: «Anunciai que o Reino dos Céus está próximo» (Mt 10, 7). É o mesmo anúncio com que Jesus deu início à sua pregação: o Reino de Deus, isto é, o seu senhorio de amor, aproximou-se, vem entre nós. E não se trata apenas de uma notícia entre outras, mas da realidade fundamental da vida: a proximidade de Deus, a proximidade de Jesus! Com efeito, se o Deus dos Céus está próximo, não estamos sozinhos na terra e não perdemos a confiança nem sequer no meio das dificuldades. Eis a primeira coisa a di-zer às pessoas: Deus não está distante, é Pai. Deus não está distante, é Pai, conhece-te e ama-te; quer dar-te a mão, até quando percorres caminhos íngremes e acidentados, até quando cais e tens dificuldade em levantar-te e retomar o caminho; Ele, o Senhor, está aí, contigo. Aliás, muitas vezes, nos momentos em que te sentes mais frágil, podes sentir a sua presença mais forte. Ele conhece o caminho, Ele está contigo, Ele é o teu Pai! Ele é o meu Pai! Ele é o nosso Pai! Detenhamo-nos nesta imagem, porque anunciar Deus próximo significa convidar a pensar como uma criança que caminha segurando a mão do pai: tudo lhe parece dife-rente. O mundo, grande e misterioso, torna-se familiar e seguro, pois a criança sabe que está protegida. Não tem medo e aprende a abrir-se: encontra outras pessoas, en-contra novos amigos, aprende com alegria coisas que não conhecia, e depois volta para casa e conta a todos o que viu, enquanto aumenta nela o desejo de crescer e fazer as coisas que viu o pai fazer. É por isso que Jesus começa por aqui, é por isso que a pro-ximidade de Deus é o primeiro anúncio: permanecendo próximos de Deus, vencemos o medo, abrimo-nos ao amor, crescemos no bem e sentimos a necessidade e a alegria de anunciar! Se quisermos ser bons apóstolos, devemos ser como as crianças: sentar-nos “no colo de Deus” e, dali olhar para o mundo com confiança e amor, para testemunhar que Deus é Pai, que só Ele transforma o nosso coração e nos dá aquela alegria e aquela paz que nós próprios não nos podemos dar. Anunciar que Deus está próximo. Mas como o fazer? No Evangelho, Jesus recomenda que não se digam muitas palavras, mas que se façam muitos gestos de amor e de espe-rança em nome do Senhor; não dizer muitas palavras, mas fazer gestos: «Curai os do-entes, diz, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebes-tes de graça, de graça dai» (Mt 10, 8). Eis o cerne do anúncio: o testemunho gratuito, o serviço. Digo-vos algo: fico sempre muito perplexo com os “paroleiros”, com o seu muito falar e nada fazer. Façamos aqui algumas perguntas: nós, que cremos no Deus próximo, confiamos n’Ele? Sabemos olhar para a frente com confiança, como uma criança que sabe que está no colo do pai? Sabemos sentar-nos noo colo do Pai na oração, na escuta da Palavra, aproximando-nos dos Sacramentos? E por fim, abraçados a Ele, sabemos incutir cora-gem nos outros, fazer-nos próximos de quem sofre e está só, de quem está distante e até de quem nos é hostil? Eis a realidade da fé, é isto que conta! (Papa Francisco, na Ora-ção do Angelus, no dia 18 de Junho de 2023, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

domingo, 14 de junho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR


 

- XI DOMINGO COMUM

 

“…Naqueles dias,
os filhos de Israel partiram de Refidim
e chegaram ao deserto do Sinai,
onde acamparam, em frente da montanha.
Moisés subiu à presença de Deus.
O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe:
«Assim falarás à casa de Jacob,
isto dirás aos filhos de Israel:
‘Vistes o que Eu fiz ao Egipto,
como vos transportei sobre asas de águia
e vos trouxe até Mim.
Agora, se ouvirdes a minha voz,
se guardardes a minha aliança,
sereis minha propriedade especial entre todos os povos.
Porque toda a terra Me pertence;
mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes,
uma nação santa’»….” (
cf. Êxodo 19, 2-6)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Homilia da Missa de Encerramento da sua viagem a Espanha: Porto de Santa Cruz de Tenerife, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus - Sexta-feira, 12 de junho de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
 
É uma graça encontrarmo-nos neste dia em que o Coração de Jesus se deixa contemplar por nós como o coração da história. É com alegria que celebro convosco a Eucaristia, dando graças pela fé e pela caridade, das quais recebi tantos testemunhos nesta viagem apostólica e que fazem também deste arquipélago, tão conhecido pela sua beleza e acolhimento, um lugar onde o Senhor Ressuscitado nos precede e se manifesta. O mar, diante de nós, evoca o infinito, e o mesmo faz o céu, mas infinito é sobretudo o desejo que une o coração de Deus a tantos corações humanos, cujas alegrias e esperanças, tristezas e angústias encontram eco no coração da Igreja (cf. Gaudium et spes, 1). Nenhum ser humano é uma ilha; a localização geográfica desta diocese e os desafios pastorais que a comprometem atestam que nascemos para o encontro e que não há obstáculo, distância, perigo ou ameaça que possa impedir cada um de prosseguir a sua viagem. Quer permanecendo durante toda a vida no mesmo lugar, quer escolhendo partir ou sendo obrigado a fazê-lo, nunca ninguém permanece parado. Eis o segredo do coração: o íntimo chamamento ao êxodo e ao encontro.
Mas o Coração de Jesus revela-nos como não nos perdermos num dinamismo estéril: «Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida» (1 Jo 4, 9). Há vida quando se dá vida. Caso contrário, andamos às voltas no vazio. Com efeito, «como recorda o Concílio, o ser humano é chamado à comunhão com Deus e “não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo”: a sua vocação mais profunda é entrar no movimento trinitário do amor recebido e partilhado» (Magnifica humanitas, 48). O Papa Francisco observava: «Muitas pessoas experimentam um desequilíbrio profundo, que as impele a fazer as coisas a toda a velocidade para se sentirem ocupadas, numa pressa constante que, por sua vez, as leva a atropelar tudo o que têm ao seu redor. Isto tem incidência no modo como se trata o ambiente» (Laudato si’, 225). São palavras que interpelam também a vocação turística de Tenerife, seja no que diz respeito ao coração de quem decide passar aqui um período de férias, seja para quem vive e trabalha na ilha, em contacto com visitantes de tantos países do mundo. O que procura o coração humano? Como responder à sua sede sem o enganar? Quão importante é, especialmente para quem se deixa orientar pelo Evangelho, não reduzir tudo ao comércio e ao lucro. «As pessoas que saboreiam mais e vivem melhor cada momento são aquelas que deixam de debicar aqui e ali, sempre à procura do que não têm, e experimentam o que significa dar apreço a cada pessoa e a cada coisa, aprendem a familiarizar com as coisas mais simples e sabem alegrar-se com elas. Deste modo conseguem reduzir o número das necessidades insatisfeitas e diminuem o cansaço e a ansiedade» (ibid., 223). Interpretai assim, queridos irmãos e irmãs, a vossa vocação ao acolhimento.
O Evangelho, hoje, parece radicalizar este desafio e recorda-nos a riqueza dos pobres: um paradoxo que remete diretamente para a vida de Jesus, a sua verdade, o caminho pelo qual Ele continua a pedir que O sigamos. Na passagem que acabámos de ouvir, Ele bendiz o Pai por isso: é aos pequeninos – o que, neste contexto, significa os mais insignificantes, aqueles que ninguém considera capazes de pensar e falar – que Deus se revelou a si mesmo. Enriqueceu-os com aquilo que permanece escondido àqueles que estão rodeados de admiração e sucesso. Com a Exortação Apostólica Dilexi te, quis chamar a atenção para este lugar privilegiado dos pobres na Revelação divina e na missão da Igreja.
É um mistério que ressoa de um modo totalmente peculiar nestas ilhas, situadas no centro de rotas migratórias que as tornam um local de primeiro acolhimento para irmãos e irmãs cuja viagem está geralmente exposta a perigos e violências indescritíveis. Perante quem especula com o desespero, não podemos, como cristãos, oferecer apenas um reflexo do Senhor que diz: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11, 28). A maior graça é deixarmo-nos evangelizar por aqueles a quem socorremos, reconhecendo a misteriosa sabedoria de Deus inscrita na sua própria carne: «Crescidos em extrema precariedade, aprendendo a sobreviver nas condições mais adversas, confiando em Deus com a certeza de que mais ninguém os leva a sério, ajudando-se mutuamente nos momentos mais sombrios, os pobres aprenderam muitas coisas que guardam no mistério dos seus corações. Aqueles de entre nós que não fizeram experiências semelhantes, de viver à margem, certamente têm muito a receber da fonte de sabedoria que é a experiência dos pobres. Só comparando as nossas queixas com os seus sofrimentos e privações é possível receber uma repreensão que nos convida a simplificar a vida» (Dilexi te, 102). O Senhor, que repreende e corrige aqueles que ama (cf. Ap 3, 19), deseja tornar a nossa vida simples e alegre.
Queridos irmãos e irmãs, obrigado pelo que sois; obrigado pelo que fazeis, transformando esta ilha num lugar onde se encontra o coração de Cristo no rosto amigo e hospitaleiro de pessoas e comunidades fraternas. «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16): que esta confissão de fé transmitida pela Primeira Carta do apóstolo João resplandeça sempre em vós e vos motive à oração e à ação. Prestai atenção aos adolescentes e aos jovens, aos ricos e aos pobres, aos residentes e aos hóspedes: todos eles precisam de ser conhecidos com um olhar que vê além das aparências e reconhece a profundidade dos seus corações inquietos, que não raras vezes está já orientado, talvez inconscientemente, para o Reino de Deus e a sua justiça. Possa respirar-se entre vós que «Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele» (1 Jo 4, 16). Este é o coração do Evangelho, o coração de Cristo. Quem mergulha nele não vive já para si mesmo. Abri a todos este mar de amor! É este o meu desejo e a minha oração por vós e por todos aqueles que vos conhecerão. (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 99

 

Refrão: Nós somos o povo de Deus;

              somos as ovelhas do Seu rebanho

Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo.

Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

 


SANTOS POPULARES

 


SANTA BÁRBARA CUI LIANZHI
 
Bárbara Cui Lianzhi foi uma mãe chinesa que, durante as perseguições do século XX, ofereceu a sua vida como testemunho do seu amor inabalável por Cristo.
Nascida em Liushuitao, província de Hebei, China, em meados do século XIX, Bárbara Cui Lianzhi cresceu num contexto social marcado por fortes tradições e valores familiares. Conhecida pela sua bondade e profunda devoção religiosa, casou-se com um homem com quem compartilhou alegrias e tristezas, criando uma família grande e unida. A sua vida era pacífica, pontuada pelo ritmo diário do trabalho e dos cuidados com os filhos, até que a sombra da perseguição se abateu sobre a comunidade cristã local.
Os anos, entre o final do século XIX e o início do século XX, foram um período particularmente sombrio para os cristãos, na China. A hostilidade do governo imperial em relação à fé cristã resultou numa série de perseguições que afectaram severamente os fiéis. Bárbara Cui Lianzhi, percebendo o perigo iminente sobre a sua família e a comunidade, não hesitou em professar publicamente a sua fé, tornando-se um ponto de referência e força para os seus irmãos cristãos.
Contudo, a sua tenacidade e coragem atraíram, imediatamente, a atenção das autoridades. Em 1900, durante uma violenta onda de repressão, Bárbara foi presa, juntamente com outros cristãos. Foi submetida a um julgamento sumário e condenada à morte. Apesar da tortura infligida e da pressão que sofreu para renunciar à sua fé, Bárbara permaneceu firme, demonstrando admirável fortaleza e uma profunda confiança em Deus.
No dia 15 de Junho de 1900, Bárbara Cui Lianzhi enfrentou o martírio, com heroica serenidade. A sua morte não foi em vão: o seu exemplo de fé inabalável serviu para fortalecer a comunidade cristã local e difundir a semente do Evangelho, mesmo num contexto de hostilidade e perseguição.
No dia 1 de Outubro de 2000, o Papa João Paulo II proclamou-a Beata, juntamente com um número imenso de mártires chineses. Disse o Papa: “…Hoje a Igreja agradece ao seu Senhor, que a abençoa e a imbui de luz com o esplendor da santidade destes filhos e filhas da China. Não é porventura o Ano Santo o momento mais oportuno para fazer resplandecer o seu testemunho heróico? A jovem Ana Wang, com catorze anos, resiste às ameaças do carnífice que a convida a renegar e, dispondo-se à decapitação, declara com o rosto radiante: "A porta do Céu está aberta a todos" e murmura três vezes "Jesus". E Chi Zhuzi, com dezoito anos, grita destemido aos que acabavam de lhe cortar o braço direito e se preparavam para o esfolar vivo: "Cada pedaço da minha carne, cada gota do meu sangue vos repetirão que sou cristão".
Igual convicção e alegria testemunharam os outros 85 chineses, homens e mulheres de todas as idades e condições, sacerdotes, religiosos e leigos, que selaram a própria indefectível fidelidade a Cristo e à Igreja com o dom da vida. Isto aconteceu ao longo de vários séculos e em complexas e difíceis épocas da história da China. Esta celebração não é a ocasião oportuna para formular juízos sobre aqueles períodos históricos: poder-se-á e dever-se-á fazê-lo noutra circunstância. Com esta solene proclamação de santidade, a Igreja só deseja reconhecer que aqueles Mártires constituem um exemplo de coragem e de coerência para todos nós e honram o nobre povo chinês.
Nesta plêiade de Mártires resplandecem também 33 missionários e missionárias, que deixaram a sua terra e procuraram introduzir-se na realidade chinesa, assumindo com amor as suas características, no desejo de anunciar Cristo e de servir aquele povo. Os seus túmulos estão lá, como que a significar a sua definitiva pertença à China, que eles, apesar dos seus limites humanos, amaram com sinceridade, despendendo por ela as suas energias. "Nunca fizemos mal a ninguém, responde D. Francisco Fogolla ao governador que se prepara para o golpear com a espada. Ao contrário, fizemos o bem a muitos". Deus faz vir a felicidade…”
Foi canonizada, em 2022, pelo Papa Francisco que a inscreveu no Calendário dos Santos.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 15 de Junho.

sábado, 6 de junho de 2026

EM DESTAQUE:

 


O PAPA LEÃO XIV EM ESPANHA
 
Neste Sábado, 6 de Junho, o Papa iniciou a visita sua Visita Apostólica a Espanha. De 6 a 12 de Junho, o Papa visitará as cidades de Madrid e Barcelona, terminando com duas etapas no arquipélago das Canárias.
O Papa Leão XIV foi recebido por Felipe VI e sua esposa, Letizia, reis de Espanha Ainda esta manhã, Leão XIV vai ser recebido, numa cerimónia oficial de boas-vindas, no Palácio Real, seguida da visita de cortesia aos reis de Espanha e de um encontro com autoridades, sociedade civil e corpo diplomático.
A agenda do Papa, na capital espanhola, prossegue com uma visita ao projecto social “CEDIA 24 horas”, junto de pessoas em situação de sem-abrigo, e uma vigília de oração com os jovens na “Plaza de Lima”.
No domingo, o Papa presidirá à Missa e à procissão do Corpo de Deus na “Plaza de Cibeles”, mantendo depois um encontro privado com a Ordem de Santo Agostinho e um evento com o mundo da cultura, da arte, da economia e do desporto na “Movistar Arena”.
O último dia em Madrid, a 8 de junho, começa com encontros dedicados às autoridades políticas, com o primeiro-ministro e com os deputados no Parlamento espanhol.
Leão XIV vai reunir-se ainda com os bispos espanhóis, na sede da Conferência Episcopal Espanhola, prestando depois homenagem à Virgem da Almudena, antes de um grande encontro com a comunidade diocesana, no Santiago Bernabéu, onde fará a bênção das primeiras pedras de 17 novas igrejas paroquiais, sinalizando o actual crescimento demográfico e o aumento da prática religiosa juvenil, nos bairros periféricos de Madrid.
A 9 de Junho, após um encontro com voluntários, o Papa viajará para Barcelona, onde o programa arranca com a oração da hora média, na Catedral, e uma vigília no Estádio Olímpico Lluís Companys.
Na quarta-feira, 10 de Junho, Leão XIV visita o centro penitenciário “Brians 1”; rezará o Rosário na Abadia de Montserrat e partilhará uma refeição com a comunidade beneditina local.
O final da tarde está reservado para a Missa na Basílica da Sagrada Família, momento em que o Papa vai inaugurar a torre de Jesus Cristo. A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) destaca que este acto se enquadra no centenário da morte de Antoni Gaudí, cuja obra continua a colocar a “beleza ao serviço da fé”.
A recta final do percurso apostólico centra-se no arquipélago das Canárias, região fortemente marcada pelas rotas migratórias.
Os bispos espanhóis sublinham que a presença do Papa neste território é um apelo a olhar para a “dignidade” de cada pessoa e a apoiar, com “caridade concreta”, aqueles que sofrem “a dureza do desenraizamento”.
 
No dia 11 de Junho, em Las Palmas (Gran Canária), o Papa visitará o porto de Arguineguín para escutar realidades de acolhimento aos migrantes.
Depois de reunir-se com o clero e os agentes de pastoral, na Catedral de Santa Ana, o dia termina com a celebração da Eucaristia, no Estádio de Gran Canária.
Na manhã de sexta-feira, 12 de Junho, a viagem prossegue para Tenerife, com o pontífice a deslocar-se, de imediato, ao centro de migrantes “Las Raíces” e à “Plaza del Cristo de La Laguna”, dedicada à integração destas populações.
A viagem apostólica a Espanha termina com a Missa, no porto de Santa Cruz de Tenerife, partindo o voo papal de regresso a Roma, pelas 15h00. (cf. Ecclesia)

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- X DOMINGO COMUM

 

“…Jesus ia a passar,
quando viu um homem chamado Mateus,
sentado no posto de cobrança dos impostos,
e disse-lhe: «Segue-Me».
Ele levantou-se e seguiu Jesus.
Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus,
muitos publicanos e pecadores
vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos.
Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos:
«Por que motivo é que o vosso Mestre
come com os publicanos e os pecadores?».
Jesus ouviu-os e respondeu:
«Não são os que têm saúde que precisam de médico,
mas sim os doentes.
Ide aprender o que significa:
‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’.
Porque Eu não vim chamar os justos,
mas os pecadores»…” (
cf. Mateus 9, 9-13)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 3 de Junho de 2026
 
Caros irmãos e irmãs!
Prosseguindo as catequeses sobre a Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium (SC), queremos deter-nos a refletir sobre alguns elementos constitutivos da sagrada liturgia, tais como o rito, o sinal e o símbolo.
O Concílio Vaticano II, aproveitando o precioso trabalho do Movimento litúrgico, ajudou-nos a redescobrir uma verdade muito viva na consciência da Igreja antiga e no ensinamento dos Padres. Os ritos da liturgia cristã não são um revestimento exterior do mistério sacramental, um conjunto de cerimónias arbitrárias, mas são a mediação eclesial através da qual o dom divino nos alcança. Precisamente por isto, o Concílio convida a compreender o Mysterium fidei que se realiza na liturgia através dos ritos e das orações (cf. SC, 48).
O rito dá forma à ação litúrgica e, através dela, à nossa vida, gerando em nós uma sensibilidade espiritual que nos torna capazes de nos deleitarmos com a presença de Deus por meio de Jesus Cristo. Naturalmente, isto acontece se não nos mantivermos estranhos ou espectadores mudos (cf. ibid.) em relação à liturgia, mas nela participarmos com todo o nosso ser – corpo, mente e coração –, em obediência ao mandamento do Senhor. Através do rito sagrado, somos assim formados para a escuta da Palavra de Deus, para a ação de graças e a adoração, para a partilha fraterna e a comunhão eclesial. Descobrimos que somos uma assembleia com muitos rostos, reunida pela mesma fé.
O rito envolve-nos numa sequência bem definida de gestos e orações, que por vezes pode contrastar com a nossa tendência individual para a espontaneidade. A sua lógica, porém, não é a de aprisionar a liberdade em esquemas. Pelo contrário, com a sobriedade solene dos seus ritmos, o rito interrompe as atividades frenéticas, reconduzindo-nos ao essencial. Descobrimos assim outra dimensão do agir, não guiada por cálculos produtivos, e outra experiência do tempo e do espaço. No rito experimentamos uma lógica de gratuidade, encontramos uma pausa que regenera o coração, reconhecemos que somos precedidos pela graça divina, aprendemos a viver num ritmo habitado pelo Espírito Santo.
A gramática do rito está imbuída dos sinais e dos símbolos próprios da liturgia. Nela, como afirma o Concílio, «os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realizam a santificação dos homens» (SC, 7). O Catecismo da Igreja Católica aprofunda o valor destes sinais, recordando que «a sua significação radica na obra da criação e na cultura humana, determina-se nos acontecimentos da Antiga Aliança e revela-se plenamente na pessoa e na obra de Cristo» (n. 1145). Emblemático é o sinal da água: das origens da criação ao dilúvio, da travessia do Mar Vermelho ao Jordão, até à água que jorra do lado de Cristo e se torna sinal sacramental da imersão na sua morte e ressurreição.
“Sinal” e “símbolo” são termos frequentemente utilizados como sinónimos. Na realidade, um sinal é simbólico quando é capaz de remeter não só para uma ideia, mas para todo um sistema de significados e de valores. Assim, por exemplo, quando somos aspergidos com a água benta, reaviva-se em nós a consciência do dom recebido com o Batismo e a nossa adesão à vida nova em Cristo. Em segundo lugar, os símbolos têm essencialmente um carácter prático, sendo em primeiro lugar ações: mais simples e comuns, como ajoelhar-se e trocar o sinal da paz, ou mais exigentes, como os atos constitutivos de cada Sacramento. Acima de tudo, os símbolos têm uma singular dimensão performativa e transformadora, tanto em relação aos elementos materiais que os compõem, como em relação àqueles que entram em contacto com eles, gerando pertença, tocando o coração e a mente, suscitando relações eclesiais autênticas.
Na Carta Apostólica Desiderio desideravi, o Papa Francisco, fazendo sua uma afirmação de Romano Guardini, identificava «a primeira tarefa do trabalho da formação litúrgica: o homem deve voltar a ser de novo capaz de símbolos» (n. 44). Precisamos de nos deixar educar pelos ritos da liturgia, cuidando com delicadeza e sem arbitrariedade da beleza das nossas celebrações e empenhando-nos numa autêntica mistagogia. A experiência de uma liturgia viva e devota, acompanhada por uma catequese mistagógica oportuna, é o melhor recurso para despertar em todos aquela abertura ao encontro com Deus que, na lógica da encarnação, só pode acontecer envolvendo todo o homem: espírito, alma e corpo (cf. 1 Ts 5, 23). (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 49

 

Refrão: Ao que procede rectamente, farei ver a salvação de Deus.

Falou o Senhor, Deus soberano,
e convocou a terra, do Oriente ao Ocidente:
«Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo:
os teus holocaustos estão sempre na minha presença.

Se tivesse fome, não to diria,
porque meu é o mundo e tudo o que nele existe.
Comerei porventura as carnes dos touros
ou beberei o sangue dos cabritos?

Oferece a Deus sacrifícios de louvor
e cumpre os votos feitos ao Altíssimo.
Invoca-Me no dia da tribulação:
Eu te livrarei e tu Me darás glória».


SANTOS POPULARES

 


BEATA MARIA CÂNDIDA DA EUCARISTIA
 
Maria Barba nasceu no dia 16 de Janeiro de 1884, em Catanzaro (Itália), cidade para onde a família, originária de Palermo, se transferiu por um breve período de tempo devido ao trabalho do pai, Pedro Barba, que era Conselheiro do Tribunal de 1ª Instância; foi baptizada com o nome de Maria Barba.
Quando a menina completou dois anos, a família retornou para a capital siciliana e ali Maria viveu a sua juventude. Aos quinze anos manifestou a sua vocação religiosa à qual seus pais, apesar de serem profundamente crentes, se opuseram com determinação. De facto, Maria teve que esperar quase vinte anos para poder realizar a sua aspiração, demonstrando, nestes anos de expectativa e de sofrimento interior, uma força de ânimo surpreendente e uma fidelidade incomum. Depois da morte de sua mãe, seguindo o conselho do Cardeal Alessandro Lualdi, entrou finalmente no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Ragusa, a 25 de Setembro de 1919, que tinha surgido havia pouco tempo e era muito pobre. Maria Barba, sempre estimulada por uma devoção especial ao mistério eucarístico, no qual ela via o mistério da presença sacramental de Deus no mundo, e a concretização do seu amor infinito pelos homens, motivo da nossa confiança plena nas suas promessas, constrói alguns anos mais tarde um novo mosteiro, que ainda hoje existe.
O amor pela Eucaristia manifestou-se nela desde a primeira infância quando, com 10 anos, foi admitida à Primeira Comunhão e a sua maior alegria era poder comungar. Desde então, privar-se da Santa Comunhão tornou-se para ela "uma cruz pesada e angustiante".
Entrou no Carmelo a 16 de Abril de 1920, onde assumiu o nome, em certos aspectos profético, de Maria Cândida da Eucaristia. Em 17 de Abril de 1921 pronunciou a profissão simples e a solene no dia 23 de Abril de 1924. Quis "fazer companhia a Jesus no seu estado de Eucaristia quanto mais fosse possível". Prolongava as suas horas de adoração e, sobretudo, das 23 às 24 horas de cada quinta-feira, prostava-se diante do Tabernáculo em adoração. A Eucaristia polarizava verdadeiramente toda a sua vida espiritual, não tanto pelas manifestações devocionais, quanto pela incidência vital da relação da sua alma com Deus.
Seis meses depois da profissão solene, em 10 de Novembro de 1924 foi nomeada pela primeira vez Priora do seu Mosteiro:  um cargo que aceitou e uma responsabilidade que desempenhou em sinal de obediência a Deus, com dedicação total e grande seriedade. Durante os três primeiros anos como Priora, revestiu também o cargo de Mestra das noviças.
Maria Cândida consagrou-se a Deus no dia 1 de Novembro de 1927. Desenvolveu plenamente o que ela mesma definia como a sua "vocação pela Eucaristia", ajudada pela espiritualidade carmelita, na qual se apoiou depois da leitura de "História de uma Alma". São muito conhecidas as páginas em que Santa Teresa do Menino Jesus descreve a sua especialíssima devoção à Eucaristia e como na Eucaristia a Santa Fundadora experimentasse o mistério fecundo da Humanidade de Cristo.
Durante os anos em que guiou o seu Mosteiro, de 1924 a 1947, infundiu na sua comunidade um profundo amor pela Regra de Santa Teresa do Menino Jesus e contribuiu de modo directo para a expansão do Carmelo Teresiano na Sicília, fundação de Siracusa, e para a reinstituição do ramo masculino da Ordem.
A partir da solenidade do Corpus Domini de 1933, Maria Cândida iniciou a escrever a sua pequena "obra-prima" de espiritualidade eucarística, "A Eucaristia, verdadeira alegria de espiritualidade vivida".
O Senhor chamou-a a si, depois de alguns meses de sofrimentos físicos atrozes, no dia 12 de Junho de 1949, na Solenidade da Santíssima Trindade.
No dia do seu funeral, em 14 de Junho, a igreja carmelita, em Ragusa, estava repleta de pessoas que a chamavam "santa". Foi sepultada no cemitério de Ragusa.
Os seus restos mortais foram, em 12 de Novembro de 1970, transladados para a Igreja Carmelita de Ragusa.
A Irmã Maria Cândida da Eucaristia beatificada, no dia 21 de Março de 2004, na Praça de São Pedro, em Roma, pelo Papa João Paulo II. A seu respeito, disse o Papa: “…"Nova criatura" tornou-se Maria Barba, que ofereceu toda a sua vida a Deus, no Carmelo, onde recebeu o nome de Maria Cândida da Eucaristia. Da Eucaristia, foi uma autêntica mística; fê-la o centro unificante de toda a existência, seguindo a tradição carmelita, em particular o exemplo de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz. Enamorou-se a tal ponto de Jesus eucarístico que sentiu um constante e ardente desejo de ser apóstola incansável da Eucaristia. Tenho a certeza de que, do Céu, a bem-aventurada Maria Cândida continua a ajudar a Igreja, para que cresça na admiração e no amor a este supremo Mistério da nossa fé…”
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 12 de Junho.
 
 

domingo, 31 de maio de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

 

“…Naquele tempo,
disse Jesus a Nicodemos:
«Deus amou tanto o mundo
que entregou o seu Filho Unigénito,
para que todo o homem que acredita n’Ele
não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo
para condenar o mundo,
mas para que o mundo seja salvo por Ele.
Quem acredita n’Ele não é condenado,
mas quem não acredita n’Ele já está condenado,
porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus»… (
cf. João 3, 1-8)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO



- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 27 de Maio de 2026
 
Caros irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Na Encíclica ‘Mediator Dei’, o Venerável Pio XII escreve que «a Igreja é um organismo vivo e, por isso - também, no que diz respeito à sagrada liturgia, confirmando a integridade do seu ensinamento - cresce e desenvolve-se, adaptando-se e conformando-se às circunstâncias e às exigências que se verificam ao longo do tempo» (I, V).
Em plena continuidade com este princípio, o Concílio Vaticano II, no Proémio da Constituição ‘Sacrosanctum Concilium’ (SC), reconhece como seu «dever interessar-se, de modo particular, também, pela reforma e o incremento da liturgia» (n. 1). Com efeito, a assembleia conciliar reuniu-se com a finalidade de «fomentar a vida cristã entre os fiéis; adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições suscetíveis de mudança; promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo; e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja» (ibid.).
Naquele momento histórico, sentia-se fortemente a necessidade de uma renovação das formas rituais, mediante as quais, desde há séculos, a Igreja tinha realizado a glorificação de Deus e a santificação do povo cristão. Graças ao Movimento litúrgico, amadureceu a convicção, expressa sucessivamente por São João Paulo II, de que «existe uma ligação muito íntima e orgânica entre a renovação da liturgia e a renovação de toda a vida da Igreja. A Igreja não só age, mas também se exprime na liturgia [...] e extrai da liturgia as energias para a vida» (Carta Dominicae Cenae, 13).
Portanto, para favorecer o acesso dos fiéis à riqueza dos dons da graça, dispensados pela sagrada liturgia, a Constituição ‘Sacrosanctum Concilium’ indica com uma fórmula muito eficaz o caminho a seguir: «Conservar a sã tradição e abrir [...] o caminho a um progresso legítimo» (SC, 23).
O Papa Bento XVI identificou, nesta declaração de intenções, o «programa de reforma» dos Padres conciliares, «em equilíbrio com a grande tradição litúrgica do passado e com o futuro», observando que «muitas vezes tradição e progresso se contrapõem de maneira inadequada» enquanto, «na realidade, os dois conceitos se integram: a tradição inclui, ela mesma, de certa forma, o progresso. Como se dissesse que o rio da tradição tem em si também a sua nascente e tende para a foz» (Discurso aos participantes no diálogo por ocasião do 50º aniversário de fundação do Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo, 6 de maio de 2011).
O Concílio afirma a legitimidade deste progresso enraizado na autêntica Tradição distinguindo, no seio da liturgia, «uma parte imutável, porque de instituição divina», das «partes suscetíveis de modificação, que podem e devem variar no decorrer do tempo, se porventura se tiverem introduzido nelas elementos que não correspondem tão bem à natureza íntima da liturgia, ou se tenham tornado menos apropriados» (SC, 21). Mudanças deste tipo ocorreram constantemente ao longo dos séculos, a fim de permitir aos fiéis uma fecunda participação, através das acções rituais, no mistério pascal de Cristo, fundamento da fé cristã. Por conseguinte, o culto da Igreja “encarnou-se” nas formas culturais de cada época e foi capaz de as influenciar e até de as transformar. Assim, durante séculos, a liturgia foi um motor de evangelização. Hoje, é necessário renovar esta energia, em continuidade com a autêntica e viva tradição católica, ou seja, segundo uma dinâmica destinada a introduzir os crentes na plenitude da verdade.
Então, compreende-se por que motivo os Padres conciliares recomendaram que a revisão dos ritos, quando corresponder a «uma utilidade autêntica e certa da Igreja», seja sempre realizada «com a preocupação de que as novas formas, de certo modo, surjam a partir das já existentes» (SC, 23). Para o bem de toda a Igreja, qualquer reforma deve ser sempre precedida de «uma acurada investigação teológica, histórica e pastoral» (ibid.). Deste modo, o Magistério conciliar convida a evitar a desorientação dos fiéis, dissuadindo qualquer pessoa de acrescentar, suprimir ou modificar algo por sua iniciativa em matéria litúrgica (cf. SC, 22). O progresso evocado pela Constituição conciliar não compromete, de maneira alguma, a comunhão eclesial: pelo contrário, tenciona confirmá-la e favorecê-la.
Por conseguinte, exorto todos aqueles que são chamados a preparar a celebração dos divinos mistérios, em particular os sacerdotes que exercem o ministério da presidência litúrgica, a manter sempre o respeito pelos textos e pelas normas da liturgia que brota de uma atitude interior de disponibilidade e confiança em Deus, manifestando humildade perante a sua grandeza e sincera fidelidade à comunhão eclesial. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO: DANIEL 3…

Refrão: Digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito o vosso nome glorioso e santo:
digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais no templo santo da vossa glória:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no trono da vossa realeza:
digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais, Vós que sondais os abismos
e estais sentados sobre os Querubins:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no firmamento dos céus:
digno de louvor e de glória para sempre.


SANTOS POPULARES

 


BEATA MARIA LEONIS
 
Käthe Elisabeth Müller nasceu em Gdańsk, no dia 3 de Fevereiro de 1913. Era uma das três filhas de Bruno Ludwig e Ana Matilda (nascida Dams), que pertenciam à classe média urbana. Foi baptizada na Igreja de São Nicolau.
Aos seis anos, começou a frequentar a escola primária e, posteriormente, o ensino médio. Era talentosa na música e amava poesia e ciências. Ainda adolescente, sentiu o desejo de seguir a vida religiosa.
Em 1932, com 19 anos, Käthe entrou no Convento de Braniewo, onde, após concluir o postulantado inicial, começou a estudar num colégio católico para raparigas. Em 29 de Abril de 1936, entrou para o noviciado e adoptou o nome religioso ‘Maria Leonis’. No dia 2 de Maio de 1938, dia dos seus primeiros votos religiosos, disse às freiras suas companheiras: “Os vossos maridos são maravilhosos, mas o meu é o mais belo de todos”. Feliz pelos seus votos recém-professados, procurou desenvolver os ideais cristãos e o espírito religioso por meio da perseverança e da força de vontade.
Foi enviada para trabalhar, como professora, no internato feminino em Heilsberg (Lidzbark Warmiński). O seu trabalho em Lidzbark provavelmente teria durado mais tempo se não tivesse iniciado a Segunda Guerra Mundial. Os seus superiores enviaram-na para Mehlsack (Pieniężno), para um hospital de campanha militar. Um grande número de refugiados e soldados polacos feridos foram abrigados no prédio da casa missionária dos Padres do Verbo Divino. Lá, a Irmã Maria Leonis deparou-se com muita pobreza e sofrimento humano, aos quais não se mostrou indiferente. Após dois meses, voltou a Lidzbark Warmiński, onde auxiliou na educação das crianças. Em 1940, foi transferida para o noviciado em Braniewo, onde lhe foi confiada a função de assistente da mestra de noviças.
Na primavera de 1941, a Irmã Maria Leonis fez os votos perpétuos, com consciência e amor. Nos seus apontamentos, constavam as palavras: "Senhor, não permitais que eu ame ninguém, além de Vós".
Em 1942, foi transferida para Reszel. Não querendo desperdiçar o seu talento como professora, foi enviada para trabalhar como educadora num internato, cuidando de meninas. Contudo, as autoridades nazis, desejando impedir a Igreja do seu trabalho educacional, fecharam a escola, e a Irmã Maria Leonis voltou a Braniewo. As suas superioras decidiram enviá-la para estudar farmácia em Königsberg, onde iniciou os estudos, na Universidade Albrecht. Gradualmente, a universidade tornou-se, cada vez mais, sujeita à influência nazista, que se tornou dominante na universidade estatal. Essa situação foi fonte de grande sofrimento para a Irmã Maria Leonis. Então, após dois anos de estudos, ela pediu dispensa. Foi enviada para Olsztyn, para auxiliar na administração do hospital municipal. Assumiu, também, a responsabilidade da farmácia do hospital.
Em Janeiro de 1945, juntamente com toda a sua comunidade e as enfermarias do hospital, ela testemunhou a entrada das tropas soviéticas.
O seu martírio começou no dia 21 de Janeiro e durou quase cinco meses. Após a ocupação do hospital pelas tropas do Exército Vermelho, as freiras foram espancadas e humilhadas. A Irmã Maria Leonis foi violada e abusada. Lutando tenazmente para se defender, sofreu uma fractura no crânio. Suportou heroicamente todo esse sofrimento, e somente o pensamento de que, dessa forma, poderia expiar os seus pecados, lhe deu força e coragem. Às suas Irmãs que haviam passado por provação semelhante, ela disse: "Agora temos a oportunidade de amar os nossos inimigos, não de retribuir o mal com o mal".
Depois foi para a prisão de Olsztyn, de onde foi enviada para Ciechanów. No campo de trânsito da NKVD, ela sofreu muito com a fome e a sede. O desprezo e as zombarias que suportou aumentaram o seu sofrimento. Foi, também, forçada a entregar os últimos símbolos da fé que possuía.
No dia 16 de Março, as prisioneiras foram divididas em três grupos. A Irmã Maria Leonis foi separada das outras freiras. Chorando, ofereceu essa dor a Deus em reparação dos pecados do mundo. Foi deportada para o interior da Rússia.
A Irmã Maria Leonis morreu no dia 5 de Junho de 1945, num local desconhecido, vítima dos ferimentos, da fome e do esforço físico. Tinha 32 anos. O seu martírio foi particularmente amargo, mas suportado com grande amor por Jesus.
O Papa Francisco, no dia 14 de Março de 2024, reconheceu o seu martírio por ódio à fé, juntamente com o das outras catorze Irmãs, também elas vítimas das atrocidades cometidas pelos soldados do Exército Vermelho.
Foram beatificadas, no dia 31 de Maio de 2025, pelo Papa Leão XIV.

domingo, 24 de maio de 2026

EM DESTAQUE

 


*SOLENIDADE DO PENTECOSTES

A Igreja celebra, neste Domingo, a solenidade do Pentecostes: a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, que estavam reunidos no mesmo lugar, em Jerusalém.
O Espírito manifestou-se como um vento impetuoso, que encheu toda a casa; e como uma espécie de línguas de fogo que pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo…
Pentecostes é a festa da unidade na diversidade, é a festa da luz diante das trevas do pecado e da morte. É a festa do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida.
Os judeus celebravam o Pentecostes com uma grande festa de alegria: era a festa das colheitas, de acção de graças pelas colheitas do trigo. Vinha gente de toda a parte: judeus piedosos que voltavam a Jerusalém, acompanhados pelos seus amigos pagão e prosélitos (recém-convertidos). Nesta celebração, os judeus ofereciam, no templo, as primícias das colheitas. Era, também, chamada ‘Festa das sete semanas’ por ser celebrada sete semanas depois da festa da Páscoa, no quinquagésimo dia. Daí o nome ‘Pentecostes’, que significa “quinquagésimo dia”.
Depois da morte de Jesus, cinquenta dias depois da páscoa da ressurreição, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade cristã de Jerusalém.
O Domingo de Pentecostes encerra o Tempo Pascal e anuncia o nascimento da Igreja, comunidade animada pelo Espírito, que vive em comunhão, partilha os bens, persevera na oração, no ensinamento dos apóstolos e na fracção do pão.

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- DOMINGO DE PENTECOSTES 

 

“…Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos»…” (
cf. João 20, 19-23)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 20 de Maio de 2026
 
Caros irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Hoje, damos início a uma série de catequeses sobre o primeiro Documento, promulgado pelo Concílio Vaticano II: a Constituição sobre a sagrada liturgia ‘Sacrosanctum Concilium’ (SC).
Ao elaborar esta Constituição, os Padres conciliares quiseram não só empreender uma reforma dos ritos, mas levar a Igreja a contemplar e a aprofundar aquele vínculo vivo que a constitui e a une: o mistério de Cristo. Com efeito, a liturgia toca o próprio coração deste mistério: ela é simultaneamente o espaço, o tempo e o contexto em que a Igreja recebe, de Cristo, a própria vida. Sim, na liturgia «cumpre-se a obra da nossa Redenção» (SC, 2), que faz de nós uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido por Deus (cf. 1 Pd 2, 9).
Como manifestou a tripla renovação – bíblica, patrística e litúrgica – que atravessou a Igreja, ao longo do século XX, o Mistério em questão não designa uma realidade obscura, mas o desígnio salvífico de Deus, escondido desde a eternidade e revelado em Cristo, segundo a afirmação de São Paulo (cf. Ef 3, 3-6). Eis, pois, o Mistério cristão: o acontecimento pascal, ou seja, a paixão, a morte, a ressurreição e a glorificação de Cristo, que, precisamente, na liturgia, torna-se sacramentalmente presente, de tal modo que, cada vez que participamos na assembleia congregada «em seu nome» (Mt 18, 20), mergulhamos neste Mistério.
O próprio Cristo é o princípio interior do mistério da Igreja, santo povo de Deus, nascido do seu lado trespassado na cruz. Na sagrada liturgia, com o poder do seu Espírito, Ele continua a agir. Santifica e associa a Igreja, sua esposa, à sua oferenda ao Pai. Exerce o seu sacerdócio absolutamente singular, Ele que está presente na Palavra proclamada, nos Sacramentos, nos ministros que celebram, na comunidade congregada e, em sumo grau, na Eucaristia (cf. SC, 7). É assim que, segundo Santo Agostinho (cf. Serm., 277), celebrando a Eucaristia, a Igreja «recebe o Corpo do Senhor, tornando-se aquilo que recebe»: torna-se o Corpo de Cristo, «morada de Deus pelo Espírito» (Ef 2, 22). Esta é «a obra da nossa Redenção», que nos configura a Cristo e nos edifica na comunhão.
Na sagrada liturgia, esta comunhão realiza-se «por meio dos ritos e das orações» (SC, 48). A ritualidade da Igreja expressa a sua fé – de acordo com o famoso ditado ‘lex orandi, lex credendi’ – e, ao mesmo tempo, modela a identidade eclesial: a Palavra proclamada, a celebração do Sacramento, os gestos, os momentos de silêncio, o espaço - tudo isto representa e dá forma ao povo convocado pelo Pai, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo. Assim, cada celebração torna-se uma verdadeira epifania da Igreja em oração, como recordou São João Paulo II (Carta apostólica Vicesimus quintus annus, 9).
Se a liturgia está ao serviço do mistério de Cristo, compreende-se por que motivo foi definida como, «simultaneamente, a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força» (SC, 10). É verdade que a acção da Igreja não se limita unicamente à liturgia; no entanto, todas as suas actividades (pregação, serviço aos pobres, acompanhamento das realidades humanas) convergem para esta «meta». No sentido inverso, a liturgia sustenta os fiéis, mergulhando-os, sempre e de novo, na Páscoa do Senhor e, por isso, através da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos e da oração comum, eles são revigorados, encorajados e renovados no seu compromisso de fé e na sua missão. Em síntese, a participação dos fiéis na acção litúrgica é «interior» e, ao mesmo tempo, «exterior».
Isto significa também que ela é chamada a manifestar-se concretamente ao longo de toda a vida diária, numa dinâmica ética e espiritual, de tal maneira que a liturgia celebrada se traduz em vida e exige uma existência fiel, capaz de tornar concreto o que foi vivido na celebração: é desta forma que a nossa vida se torna «sacrifício vivo, santo e agradável a Deus», realizando o nosso «culto espiritual» (Rm 12, 1).
Deste modo, «a liturgia edifica, os que estão na Igreja, em templo santo no Senhor» (SC, 2), e forma uma comunidade aberta e acolhedora para todos. Com efeito, ela é habitada pelo Espírito Santo, introduz-nos na vida de Cristo, torna-nos seu Corpo e, em todas as suas dimensões, representa um sinal da unidade de toda a humanidade em Cristo. Como dizia o Papa Francisco, «o mundo ainda não o sabe, mas todos “são convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap 19, 9)» (Carta apostólica Desiderio desideravi, 5).
Caríssimos, deixemo-nos plasmar interiormente pelos ritos, símbolos, gestos e principalmente pela presença viva de Cristo na liturgia, que ainda teremos a oportunidade de aprofundar nas próximas Catequeses. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 




- SALMO 103

 

Refrão: Mandai, Senhor, o Vosso Espírito

               e renovai a terra!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.

Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.


SANTOS POPULARES

 


BEATO CARLOS LIVIERO
 
Carlos Liviero nasceu em Vicenza, no dia 29 de Maio de 1866, filho mais velho de Paulo Liviero e Caetana Gialain. Foi baptizado, no dia seguinte, na Igreja Paroquial de São Pedro Apóstolo.
De Vicenza, a família mudou-se para Monselice, na província de Pádua, para onde o seu pai, ferroviário, foi transferido. Ali, frequentou a escola primária e o ensino médio, revelando, também, desde cedo, a sua vocação para o sacerdócio.
Em Outubro de 1881, entrou no seminário de Pádua, onde se destacou pela sua profunda piedade, diligência e dedicação aos estudos.
Em 30 de Novembro de 1888, foi ordenado sacerdote, aos 22 anos. Pouco depois, foi enviado para Gallio, no planalto de Asiago, na região de Vicenza, conhecido como as ‘Sete Cidades’, para leccionar no Seminário.
Em 1890, tornou-se arcipreste de Gallio e, dez anos depois (1900), foi transferido para Agna, na Baixa Pádua: a região encontrava-se em condições económicas desfavoráveis, e isso teve grandes repercussões na vida religiosa e moral dos seus habitantes.
O Padre Liviero dedicou-se a obras de grande alcance, colocando as suas excelentes qualidades humanas e espirituais ao serviço do Reino de Deus, para libertar os fiéis, a ele confiados, de todas as formas de pobreza. Empreendeu, também, uma dura luta contra o anticlericalismo predominante, defendido pela acção subversiva dos revolucionários socialistas; os seus paroquianos chamavam-lhe "martelo do socialismo".
O seu trabalho apostólico, organizacional e ideológico valeu-lhe o reconhecimento dos seus superiores e, em 6 de Março de 1910, foi nomeado bispo de Città di Castello, cidade histórica da província de Perugia.
Aqui, também, e desde o início, foi forçado, como em Agna, a entrar em combate aberto contra os inimigos da Igreja - socialistas, liberais e maçons - com todo o ardor da sua juventude e das suas convicções bem fundamentadas.
A hostilidade inicial transformou-se em admiração, pelas numerosas obras espirituais e de caridade que surgiram rapidamente por meio do seu ministério pastoral. O Seminário floresceu com muitas vocações; em 1915, foi fundado o "Hospício do Sagrado Coração" para a educação de crianças pobres e órfãs; em 1920, o "Pensionato Sacro Cuore" para estudantes; e em 1925, um acampamento de férias, à beira-mar, em Pesaro para órfãos e crianças escrofulosas [doentes com escrófula - termo vulgar da patologia Linfadenite Cervical Micobacteriana - que designa uma linfadenite cervical dos linfonodos associados à tuberculose, assim como as não tuberculosas (em casos atípicos) micobacterianas. Designada popularmente alporca ou alporque. É uma afecção mórbida geral do organismo, dando lugar a várias moléstias, quase todas de natureza tuberculosa, sobretudo dos gânglios linfáticos (adenites tuberculosas), principalmente do pescoço, da pele e das mucosas, com tendência à cronicidade, à supuração e à ulceração] e debilitadas, da diocese.
Além disso, não podemos esquecer a 'Escola Primária Católica' de 1910, a 'Gráfica Católica' de 1912, a 'Livraria Católica' de 1919, que contava com uma biblioteca circulante; uma sala de projecção de filmes foi inaugurada em 1912 e, posteriormente, um cinema propriamente dito, em 1931.
Para prestar assistência aos órfãos e vítimas desamparadas da Primeira Guerra Mundial, acolhidos no seu "Hospício do Sagrado Coração" e no acampamento de férias à beira-mar, ele fundou uma congregação religiosa feminina chamada "Pequenas Servas do Sagrado Coração". Esta congregação foi aprovada em 16 de Outubro de 1916, pelo Papa Bento XV, e hoje possui um número expressivo de lares e de religiosas.
Fundou, também, o semanário diocesano "Voce di Popolo" e um "Boletim Diocesano" para todos os seus padres. O seu compromisso particular era a formação cristã e moral dos jovens e o valor educativo insubstituível da família.
Em 24 de Junho de 1932, enquanto viajava para o acampamento de férias à beira-mar, em Pesaro, sofreu um grave acidente de viação. Ferido, foi internado no hospital de Fano, onde faleceu no dia 7 de Julho, tão pobre quanto vivera.
Foi sepultado no cemitério de Città di Castello e, em 5 de Março de 1933, os seus restos mortais foram transladados para a cripta da Catedral, colocados num sarcófago de mármore, que se tornou objecto de agradecida homenagem de muitos fiéis.
Foi beatificado, no dia 27 de Maio de 2007, Domingo de Pentecostes, na Praça Gabriotti, na Città di Castello, pelo Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em nome do Papa Bento XVI.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 30 de Maio.
 

domingo, 17 de maio de 2026

EM DESTAQUE

 


*SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR       
 
A Solenidade da Ascensão do Senhor é celebrada 40 dias depois da Páscoa, na Quinta-Feira da Ascensão. Como em muitos países este dia não é considerado feriado religioso, a Festa da Ascensão do Senhor é transferida para o Domingo seguinte.
Esta Festa encerra o Tempo Pascal. Jesus despede-se dos seus apóstolos, confiando-lhes a missão de anunciar o Evangelho em toda a parte. Poderíamos pensar que, subindo ao Céu, Jesus nos deixaria sós. Porém, a separação é só aparente, porque o Senhor continua a actuar, na Igreja e no Mundo, através da acção do seu Espírito que habita no coração dos seus discípulos e torna o Senhor Jesus presente, em comunhão com eles até ao fim dos tempos.
A celebração da Ascensão tem origens antigas e é referida por Eusébio de Cesareia [foi bispo de Cesareia e é referido como o pai da história da Igreja porque nos seus escritos estão os primeiros relatos da história do Cristianismo primitivo] e pela peregrina Egéria [nasceu no século IV d.C. na Hispânia, provavelmente na Galécia, região actualmente ocupada pelo Norte de Portugal e pela Galiza. Foi autora de um dos primeiros relatos sobre uma viagem à Terra Santa, onde esteve entre 381 e 384. Provavelmente fez parte de uma comunidade religiosa, tendo, segundo algumas fontes, chegado a abadessa]. São João Crisóstomo e Santo Agostinho já se referiam a esta solenidade, em várias das suas homilias. Mas, uma influência decisiva, na sua difusão, deve-se a São Gregório de Nazianzo.

DA PALAVRA DO SENHOR

 


VII DOMINGO DA PÁSCOA

- SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR       

 

“…Os onze discípulos partiram para a Galileia,
em direcção ao monte que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram n’O;
mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou Se e disse lhes:
«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.
Ide e ensinai todas as nações,
baptizando as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
ensinando as a cumprir tudo o que vos mandei.
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos»…” (
cf. Mateus 28, 16-20)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 13 de Maio de 2026
 
Caros irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
O Concílio Vaticano II quis dedicar o último capítulo da Constituição dogmática sobre a Igreja à Virgem Maria (cf. Lumen Gentium, 52-69). Ela é «saudada como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, figura e modelo perfeitíssimo na fé e na caridade» (n. 53). Estas palavras convidam-nos a compreender como em Maria - que sob a acção do Espírito Santo recebeu e gerou o Filho de Deus que se fez carne - é possível reconhecer tanto o modelo, como o membro excelente e a mãe de toda a comunidade eclesial.
Deixando-se plasmar pela obra da Graça, que n’Ela se cumpriu, e acolhendo o dom do Altíssimo com a sua fé e o seu amor virginal, Maria é modelo perfeito daquilo que toda a Igreja é chamada a ser: criatura da Palavra do Senhor e mãe dos filhos de Deus, gerados na docilidade à ação do Espírito Santo. Além disso, uma vez que é a crente por excelência, em quem nos é oferecida a forma perfeita da abertura incondicional ao mistério divino, na comunhão do santo povo de Deus, Maria é membro eminente da comunidade eclesial. Afinal, dado que gera filhos no Filho, amados no Amado eterno que veio entre nós, Maria é mãe de toda a Igreja, que pode dirigir-se a Ela com confiança filial, na certeza de ser ouvida, preservada e amada.
Poder-se-ia expressar o conjunto destas características da Virgem Maria, falando d’Ela como mulher ícone do Mistério. Com o termo mulher põe-se em evidência a realidade histórica desta jovem filha de Israel, a quem foi concedido viver a extraordinária experiência de se tornar a mãe do Messias. Com a expressão ícone salienta-se que n’Ela se concretiza o duplo movimento de descida e subida: nela resplandecem tanto a eleição gratuita por parte de Deus, como o livre consentimento da fé n’Ele. Por conseguinte, Maria é a mulher ícone do Mistério, ou seja, do desígnio divino de salvação, outrora escondido, e revelado plenamente em Jesus Cristo.
O Concílio deixou-nos um ensinamento claro sobre o lugar singular reservado à Virgem Maria, na obra da Redenção (cf. Lumen Gentium, 60-62). Recordou que o único Mediador da salvação é Jesus Cristo (cf. 1 Tm 2, 5-6) e que a sua Santíssima Mãe «de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta, antes, a sua eficácia» (LG, 60). Ao mesmo tempo, «a Virgem Santíssima, predestinada para ser Mãe de Deus, desde toda a eternidade, simultaneamente com a encarnação do Verbo […] cooperou de modo singular, com a obediência, a fé, a esperança e a ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É, por esta razão, nossa mãe, na ordem da graça» (ibid., 61).
Na Virgem Maria reflecte-se, inclusive, o mistério da Igreja: n’Ela, o povo de Deus encontra representados a sua origem, o seu modelo e a sua pátria. Na Mãe do Senhor, a Igreja contempla o próprio mistério, não só porque n’Ela encontra o modelo da fé virginal, da caridade materna e da aliança esponsal a que é chamada, mas também e sobretudo porque n’Ela reconhece o próprio arquétipo, a figura ideal daquilo a que é chamada a ser.
Como se pode ver, as reflexões sobre a Virgem Mãe reunidas na Lumen Gentium ensinam-nos a amar a Igreja e a nela servir o cumprimento do Reino de Deus que vem e que se realizará plenamente na glória.
Então, deixemo-nos interpelar por este modelo sublime que é Maria, Virgem e Mãe, e peçamos-lhe que, com a sua intercessão, nos ajude a responder ao que nos é solicitado através do seu exemplo: vivo com fé humilde e activa a minha pertença à Igreja? Reconheço nela a comunidade da aliança que Deus me concedeu, para corresponder ao seu amor infinito? Sinto-me parte viva da Igreja, em obediência aos pastores designados por Deus? Olho para Maria como modelo, membro excelente e mãe da Igreja, e peço-lhe que me ajude a ser discípulo fiel do seu Filho?
Irmãs e irmãos, que o Espírito Santo, que desceu sobre Maria e que invocamos com humildade e confiança, nos conceda viver plenamente estas maravilhosas realidades. E, depois de ter aprofundado a Constituição Lumen Gentium, peçamos à Virgem que nos conceda este dom: cresça em todos nós o amor à Santa Mãe Igreja. Assim seja! (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 46

 

Refrão: Ergue-se Deus, o Senhor, em júbilo

               e ao som de trombetas.

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.


SANTOS POPULARES

 


BEATO RAFAEL LUÍS RAFIRINGA
 
Rafael Luís Rafiringa nasceu no dia 3 de Novembro de 1856, no bairro de Mahamasina, em Antananarivo, Madagáscar.
Sendo pagão, converteu-se ao cristianismo e tornou-se um grande líder católico: um leigo convicto que se dedicou a manter viva a Igreja, em Madagáscar, quando, no final do século XIX, todos os sacerdotes foram expulsos.
Este é o retrato do Irmão Lassalista Rafael Luís Rafiringa, beatificado pelo Papa Bento XVI, no Domingo, 7 de Junho de 2009, em Antananarivo, capital de Madagáscar. Considerado uma figura significativa na evolução do seu país, foi educador, catequista e mediador da paz; mas, também, poeta e erudito de renome, a ponto de ser incluído na academia nacional.
A importância da beatificação de Rafiringa, uma das figuras mais representativas de Madagáscar - precisamente pela sua "modernidade excepcional" - foi reafirmada pelo Arcebispo de Antananarivo, Dom Odon Maria Arsène Razanakolona, ​​que, na homilia da celebração eucarística que presidiu, falou de uma oportunidade de esperança e crescimento para todo o país. A cerimónia de beatificação foi presidida pelo Arcebispo Ângelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Entre os presentes, estava o Superior-Geral dos Irmãos das Escolas Cristãs.
Na festa da Santíssima Trindade, um religioso lassalista torna-se o terceiro beato de Madagáscar, seguindo os passos da leiga Vitória Rasoamanarivo e do padre jesuíta Jacques Berthieu. "Rafiringa é, antes de tudo, um modelo sempre válido; um exemplo a ser seguido", disse o arcebispo malgaxe. "O seu testemunho de fé permanece como uma lembrança para todos os baptizados. Basta dizer que a sua infância foi marcada pelo paganismo opressivo do seu clã”. O seu pai era, de facto, um importante oficial da rainha, e o próprio beato havia sido instruído por feiticeiros.
O ponto de viragem ocorreu em 1866, graças a um encontro com três missionários do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, fundado por São João Baptista de La Salle. Um testemunho que o levou a tornar-se o primeiro religioso lassalista em Madagáscar. "Aos treze anos, ele foi baptizado", explicou o arcebispo. "Rafael, um amante da liberdade, deixou-se guiar pelo Espírito de Deus, e a graça do baptismo transformaria completamente a sua vida, a sua percepção do mundo, a sua maneira de pensar e de agir. A fé permeava o seu cotidiano, influenciando as suas escolhas e impulsionando-o à acção, apesar de muitas e duras provações: a falta de compreensão da sua própria família, que permanecia pagã; as críticas infundadas dos seus adversários; calúnias, ameaças de morte, prisão e o peso de enormes responsabilidades. Mas ele permaneceu firme e tenaz, graças à sua fé inabalável."
O arcebispo observou que a grande popularidade de Rafiringa se devia à sua capacidade de representar as esperanças do povo, ao seu talento como educador e ao seu trabalho como homem de cultura. "Apesar da sua rica personalidade, ele foi capaz de dar aos seus compromissos a unidade e a coerência que a vida religiosa exigia", afirmou. "Ele não teria sido poeta se a sua primeira musa não tivesse sido a fé. Ele não ter-se-ia destacado com o eu domínio das línguas malgaxe e francesa se não fosse para difundir a palavra de Deus."
O arcebispo descreveu-o como "heroico na sua fidelidade à profissão religiosa e à sua missão. Ele foi um cidadão e um cristão responsável. É, portanto, essa fé consciente, vivida diariamente, que nos é apresentada como exemplo. Uma fé que transformou um homem e o seu meio." É especialmente para os jovens que Rafiringa tem uma mensagem especial, hoje. "Elevai os vossos olhares e contemplai este novo bem-aventurado", disse o arcebispo Razanakolona, dirigindo-se directamente às gerações mais jovens. “Meditai sobre a sua vida e deixai-vos guiar pelos seus ensinamentos e pelo seu exemplo. Seguir os seus passos conduzir-vos-á ao caminho certo. Apesar de tudo estar contra ele, o jovem Rafael escolheu dizer livremente ‘sim’ ao chamamento de Cristo. E ele permaneceu fiel a esse sim até a sua morte, a todo o custo, repetindo-o continuamente.”
Aos educadores e pais, bem como aos líderes dos movimentos juvenis, o arcebispo também lançou “um apelo urgente: fazei vossa a vida deste educador excepcional, que alcançou a santidade graças, em parte, aos seus educadores, cristãos convictos que testemunharam o que ensinavam. O segredo reside em manter a coerência entre palavras e acções; entre crença e vida.”
O novo beato atingiu o seu auge, entre 1883 e 1886, quando a situação política levou à expulsão dos missionários da ilha. Ele foi proclamado pelos católicos como o seu líder e, durante três anos, manteve acesa a chama da fé. O que poderia ter sido um golpe mortal para a nascente Igreja de Madagáscar, acabou por se revelar um sucesso inesperado. Com coragem e criatividade, Rafiringa não se esquivou da responsabilidade. Contou com o apoio de Victoria Rasoamanarivo, beatificada em 1989, filha do primeiro-ministro e também cristã, apesar da sua família. Assim, ao retornarem, os missionários encontraram uma comunidade não apenas vibrante, mas também maior. O bispo, mais tarde, referiu-se a ele como tendo sido o seu "substituto durante os anos de exílio". Pela sua obra literária, Rafiringa enfrentou a prisão e o julgamento; porém, a acusação de conspiração contra o Estado foi declarada infundada, e ele foi libertado. Faleceu no dia 19 de Maio de 1919.
O celebrante dirigiu uma palavra especial de gratidão ao Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. "Seguindo os passos do seu santo fundador, Rafiringa esforçou-se por imitar Cristo, observando escrupulosamente a regra da sua congregação, até nos mínimos detalhes". Por essa razão, ele resistiu à pressão. "Permanecendo sozinho, após a expulsão dos missionários, Rafiringa continuou a viver como se a comunidade ainda existisse, 'tocando o sino todos os dias, ao amanhecer e nos momentos de oração'", concluiu o arcebispo, destacando os religiosos e religiosas malgaxes pelo seu trabalho constante em enraizar o Evangelho na cultura de Madagáscar. Como foi enfatizado na sua beatificação, Rafiringa foi elevado às honras do altar não apenas "pelo que fez, mas como o fez".
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 19 de Maio.