PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Qual é o maior mandamento da lei …” (cf. Mateus 22, 36) Na página do Evangelho de hoje (cf. Mt 22, 34-40), um doutor da Lei pergunta a Jesus qual é «o maior mandamento» (v. 36), ou seja, o mandamento principal de toda a Lei divina. Jesus responde, simplesmente: «“Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente”». (v. 37). E acrescenta imediatamente: «O segundo é semelhante a este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”». (v. 39). A resposta de Jesus retoma e une dois preceitos fundamentais que Deus deu ao seu povo, através de Moisés (cf. Dt 6, 5; Lv 19, 18). E, assim, supera a cilada que lhe fizeram «para o pôr à prova» (v. 35). O seu interlocutor, de facto, tenta arrastá-lo para a disputa entre os peritos da Lei sobre a hierarquia das prescrições. Mas, Jesus estabelece duas pedras angulares essenciais para os crentes de todos os tempos; duas pedras angulares essenciais da nossa vida. A primeira é que a vida moral e religiosa não pode ser reduzida a uma obediência ansiosa e forçada. Há pessoas que procuram cumprir os mandamentos de uma forma ansiosa ou forçada, e Jesus faz-nos compreender que a vida moral e religiosa não pode ser reduzida a uma obediência ansiosa e forçada, mas deve ter o amor como princípio. A segunda pedra angular é que o amor deve tender, junta e inseparavelmente, para Deus e para o próximo. Esta é uma das principais novidades do ensinamento de Jesus e faz-nos compreender que não é amor verdadeiro a Deus o que não se expressa no amor ao próximo; e, da mesma forma, não é amor verdadeiro ao próximo o que não se inspira no relacionamento com Deus. Jesus conclui a sua resposta com estas palavras: «Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas» (v. 40). Isto significa que todos os preceitos que o Senhor deu ao seu povo devem ser postos em relação com o amor a Deus e ao próximo. De facto, todos os mandamentos servem para implementar, para expressar esse duplo amor indivisível. O amor a Deus exprime-se sobretudo na oração, em particular na adoração. Descuidamos muito a adoração a Deus. Recitamos a oração de acção de graças, a súplica para pedir algo..., mas negligenciamos a adoração. O núcleo da oração consiste, precisamente, em adorar a Deus. E o amor ao próximo, que também se chama caridade fraterna, é feito de proximidade, de escuta, de partilha, de cuidado pelo próximo. E, muitas vezes, não ouvimos o outro porque é enfadonho ou porque nos rouba tempo; não o apoiamos; não o acompanhamos nas suas dores e provações... Mas encontramos sempre tempo para coscuvilhar, sempre! Não temos tempo para consolar os aflitos, mas muito tempo para bisbilhotar. Atenção! O Apóstolo João escreve: «Quem não ama o seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a quem não vê?» (1 Jo 4, 20). Assim, vemos a unidade destes dois mandamentos. No Evangelho de hoje, mais uma vez, Jesus ajuda-nos a ir à fonte viva e jorrante do Amor. E esta nascente é o próprio Deus, que deve ser amado totalmente numa comunhão que nada e ninguém pode interromper. Comunhão que é um dom a ser invocado todos os dias, mas também um compromisso pessoal para que a nossa vida não seja escravizada pelos ídolos do mundo. E a avaliação da nossa caminhada de conversão e santidade consiste sempre no amor ao próximo. Esta é a avaliação: se eu disser “amo a Deus” e não amar o próximo, não está bem. A comprovação de que eu amo a Deus é que amo o próximo. Enquanto houver um irmão ou irmã a quem fechamos o nosso coração, estaremos ainda longe de ser discípulos, como Jesus nos pede. Mas a Sua misericórdia divina não nos permite desanimar, pelo contrário, chama-nos a recomeçar, todos os dias, a fim de vivermos o Evangelho de forma coerente. (Papa Francisco, na Oração do Angelus, no dia 25 de Outubro de 2020, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

domingo, 25 de outubro de 2026

MUDANÇA DA HORA

 


No próximo domingo, 25 de Outubro, haverá a mudança da hora. Entramos no chamado horário de inverno. Os relógios devem ser atrasados uma hora. Assim, às 2,00 horas da manhã, os relógios devem ser atrasados para a 1,00 hora.

Com o horário de inverno, haverá alteração no horário das celebrações eucarísticas: ao Domingo, haverá missa às 8,00 horas e às 18,00 horas; à Terça-Feira e Sexta-Feira, às 18,00 horas; ao Sábado, às 18,30 horas.


DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXX DOMINGO COMUM

 

“…«Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás,
porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egipto.
Não maltratarás a viúva nem o órfão.
Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim,
escutarei o seu clamor;
inflamar-se-á a minha indignação
e matar-vos-ei ao fio da espada.
As vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos os vossos filhos.
Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo,
ao pobre que vive junto de ti,
não procederás com ele como um usurário,
sobrecarregando-o com juros.
Se receberes como penhor a capa do teu próximo,
terás de lha devolver até ao pôr do sol,
pois é tudo o que ele tem para se cobrir,
é o vestuário com que cobre o seu corpo.
Com que dormiria ele?
Se ele Me invocar, escutá-lo-ei,
porque sou misericordioso»…”  
(cf. Êxodo 22, 21-27)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro - Roma, no dia 11 de Outubro de 2026
 
Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
A primeira coisa que gostaria de vos dizer é: Obrigado! Obrigado pelo apoio das vossas orações. Obrigado a Deus pela Sua generosidade. Renovemos todos a nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus.
A Constituição pastoral Gaudium et spes (GS), do Concílio Vaticano II, depois de ter exposto na primeira parte a dignidade da pessoa e, na segunda parte, a sua vocação no mundo, «à luz do Evangelho e da experiência humana», considera alguns problemas contemporâneos mais urgentes (cf. GS, 46). A atenção centra-se, em primeiro lugar, no matrimónio e na família, na convicção de que «o bem-estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado a uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar» (GS, 47).
Para tal objectivo, não são simplesmente reiterados os seus valores e fins, mas perfila-se um conceito renovado do matrimónio como «íntima comunidade de vida e de amor conjugal» (GS, 48). Integrando a dimensão jurídica do matrimónio como contrato, o fundamento desta união é reconhecido na «aliança conjugal», entendida como «o acto humano com o qual os cônjuges mutuamente se dão e recebem um ao outro» (ibid.). A doação recíproca do homem e da mulher, de tal forma que «já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6), motiva a exigência da «plena fidelidade» e da «indissolubilidade da [...] união» dos cônjuges, encontrando expressão viva na procriação e na educação dos filhos (cf. GS, 48). Reflexo da Trindade divina, o amor conjugal e parental, através do Sacramento do matrimónio, é «dirigido e enriquecido pela força redentora de Cristo», a fim de que os cônjuges possam amar-se reciprocamente «assim como Ele amou a Igreja e se entregou por ela» (ibid.).
Depois de ter esclarecido a realidade do matrimónio à luz do amor de Cristo, que é verdade do amor humano e divino, a Gaudium et spes dirige a sua atenção para o amor conjugal e para a fecundidade matrimonial. Sem se limitar à atracção erótica, que, no entanto, integra em si, o amor conjugal envolve toda a vontade dos esposos, reavivando os afectos da alma e expressando-se mediante sentimentos e gestos de ternura (cf. GS, 49). Abrangendo o bem de toda a pessoa do homem e da mulher, iguais em dignidade, este amor permeia toda a vida dos cônjuges, encontrando expressão nos actos exclusivamente próprios do matrimónio (cf. ibid.). Ao mesmo tempo que significa o amor integral de pessoa para pessoa, a intimidade singular dos esposos favorece a sua entrega mútua, enriquecendo a sua alegria recíproca (cf. ibid.).
Além disso, a fecundidade do amor conjugal manifesta-se na procriação dos filhos, «o maior dom do matrimónio» (GS, 50). Transmitindo e educando a vida humana, que nunca deve ser descartada, os esposos tornam-se «cooperadores do amor de Deus criador e como que seus intérpretes» (ibid.). Chamados a tal responsabilidade humana e cristã, eles devem deixar-se orientar por um juízo recto acerca do bem próprio e dos seus filhos, já nascidos ou que vierem a nascer. Este juízo que, em última análise, os próprios cônjuges devem formular perante Deus, exige que a sua consciência esteja em conformidade com a lei divina, interpretada pelo Magistério eclesial à luz do Evangelho (cf. ibid.).
A valorização da comunhão amorosa e da fecundidade procriativa no matrimónio leva o Concílio a excluir que possa existir «verdadeira incompatibilidade entre as leis divinas que regem a transmissão da vida e o desenvolvimento do autêntico amor conjugal» (GS, 51) e a afirmar, pelo contrário, que «quando se trata [...] de conciliar o amor conjugal com a transmissão [...] da vida», é preciso manter, «num contexto de autêntico amor, o sentido da mútua doação e da procriação humana» (ibid.). Daí decorre que a vida «deve [...] ser salvaguardada com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção», evitando «o aborto e o infanticídio»; e que os «actos específicos da vida conjugal, realizados segundo a autêntica dignidade humana, devem ser objecto de grande respeito» (ibid.).
Em seguida, o ensinamento da Gaudium et spes sobre a comunidade conjugal e familiar chega a salientar a função social da família, definida como «uma escola de valorização humana» e «o fundamento da sociedade» (GS, 52), exortando todos aqueles que têm responsabilidades sociais, especialmente no âmbito político e cultural, ao dever de «contribuir eficazmente para a promoção do matrimónio e da família» (ibid.).
Caríssimos, este compromisso é mais urgente do que nunca. A Igreja sabe-o bem, como demonstra a solicitude pastoral dos Papas que se sucederam após o último Concílio, até à dupla Assembleia sinodal desejada pelo Papa Francisco, a respeito da qual os Chefes das Igrejas Católicas Orientais e os Presidentes das Conferências Episcopais voltaram a debater recentemente. Que a Sagrada Família de Nazaré nos ilumine ao longo do caminho, amparando as famílias do mundo inteiro. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 17
 
Refrão: Eu Vos amo, Senhor. Vós sois a minha força!
 
Eu Vos amo, Senhor, minha força,
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.
Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,
meu protetor, minha defesa e meu salvador.
 
Na minha aflição invoquei o Senhor
e clamei pelo meu Deus.
Do seu templo Ele ouviu a minha voz,
e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.
 
Viva o Senhor, bendito seja o meu protetor;
exaltado seja Deus, meu salvador.
O Senhor dá ao Rei grandes vitórias
e usa de bondade para com o seu ungido.

SANTOS POPULARES

 


BEATO LEÃO NOWAKOWSKI
 
Leão Nowakowski nasceu no dia 28 de Junho de 1913, em Bytoń, na região de Kujawy, na Polónia. Era filho de Władysław Nowakowski e de Ana Lichmańska,
Frequentou a escola primária em Morzyce e, posteriormente, o colégio Jan Długosz para rapazes, em Włocławek. Depois de concluir o ensino médio, matriculou-se na Faculdade de Matemática e Ciências Naturais da Universidade de Varsóvia, mas foi rejeitado.
Em 1932, entrou no Seminário Teológico de Włocławek. Durante os seus estudos, foi presidente da Confraria da Ordem Terceira de São Francisco. Depois de ter sido ordenado sacerdote, no dia 20 de Junho de 1937, pelo Bispo Carlos Radoński, foi enviado para a Universidade Católica de Lublin, para continuar os seus estudos e, posteriormente, foi para a Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.
Depois de ter terminado o curso de Teologia, em Julho de 1939, voltou à Polónia, a Kujawy, a sua paróquia natal. Estava na Polónia quando começou a Segunda Guerra Mundial e quando a Polónia foi invadida pelas tropas nazis, dando origem à repressão contra os intelectuais polacos, incluindo a perseguição do clero.
No início de Outubro de 1939, quando os alemães prenderam o Padre da paróquia de Byton, as suas funções foram assumidas pelo Padre Nowakowski. Nesse mês de Outubro, ele mesmo foi preso pela Gestapo, quando se dirigia para a Igreja, para a oração do terço.
Foi transferido para Piotrków Kujawski e mantido prisioneiro, juntamente com outros padres, na residência paroquial local.
Na noite de 31 de Outubro, os alemães reuniram todos os padres presos, incluindo o Padre Nowakowski, e foram fuzilados num campo próximo, na propriedade Tabaczyński. Os seus corpos foram levados para fora da cidade e enterrados numa vala comum.
Após a guerra, em Abril de 1945, os corpos foram exumados. Após um funeral solene, os restos mortais do Padre Leão Nowakowski foram sepultados no cemitério paroquial de Piotrków Kujawski.
Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em Varsóvia, Polónia, no dia 13 de Junho de 1999, juntamente com outros 107 mártires polacos. Durante a sua homilia, o Papa disse: “… Hoje estamos a celebrar a vitória daqueles que, no nosso tempo, deram a vida por Cristo; deram a vida temporal para a possuir, pelos séculos, na sua glória. Trata-se de uma vitória particular, porque é compartilhada pelos representantes do clero e dos leigos, jovens e idosos, pessoas de várias classes e posições. Entre eles estão D. Antoni Julian Nowowiejski, Pastor da Diocese de Plock, torturado até à morte em Dzialdowo; e D. Wladyslaw Goral de Lublim, torturado com particular ódio somente porque era Bispo católico. Há sacerdotes diocesanos e religiosos, que morreram porque não quiseram abandonar o seu ministério, e aqueles que morreram servindo os companheiros de prisão, doentes de tifo; há pessoas que foram torturadas até à morte pela defesa dos judeus. No grupo dos Beatos existem irmãos religiosos e irmãs, que perseveraram no serviço da caridade e na oferta dos seus tormentos pelo próximo. Entre estes Beatos mártires contam-se também leigos. Há cinco leigos jovens, formados no oratório salesiano; um activista zeloso da Acção Católica, um catequista leigo, torturado até à morte pelo seu serviço, e uma mulher heróica que deu livremente a sua vida em troca da vida da sua nora, que esperava um filho. Hoje, estes Beatos mártires são inscritos na história da santidade do Povo de Deus, peregrinante em terra polaca há mais de mil anos.
Se hoje nos alegramos pela beatificação de 108 Mártires clérigos e leigos, fazemo-lo antes de mais porque eles são o testemunho da vitória de Cristo, o dom que restitui a esperança. Enquanto realizamos este acto solene, num certo sentido, revive em nós a certeza de que, independentemente das circunstâncias, podemos obter a vitória plena em tudo, graças Àquele que nos amou (cf. Rm 8, 37). Os Beatos mártires bradam aos nossos corações: crede que Deus é amor! Acreditai n'Ele, no bem e no mal! Despertai em vós a esperança! Que esta dê, em vós, o fruto da fidelidade a Deus, em cada provação! …”
A memória litúrgica do Beato Leão Nowakowski é celebrada no dia 31 de Outubro.

sábado, 17 de outubro de 2026

EM DESTAQUE

 


DIA MUNDIAL DAS MISSÕES
 
O Dia Mundial das Missões, este ano celebrado no dia 18 de Outubro, é o dia em que a Igreja universal reza pelas missões e pelos missionários, procurando apoiar toda a acção missionária de forma especial. Este dia é celebrado, em todo o mundo, no penúltimo domingo de Outubro, considerando que o mês de Outubro é chamado o "Mês das Missões".
A ideia surgiu, justamente, no ano em que o Papa Pio XI publicou a encíclica Rerum Ecclesiae (As coisas (assuntos) da Igreja) [A Encíclica Rerum Ecclesiae foi publicada em 28 de Fevereiro de 1926, dando continuidade à ‘Maximum Illud’, do Papa Bento XV, reforçando os fundamentos da cooperação missionária da Igreja. A Encíclica afirma que a missão é responsabilidade de toda a Igreja. Convida-a para a cooperação missionária por meio da oração, da ajuda material e do incentivo às vocações. Apesar das limitações próprias da sua época, a Rerum Ecclesiae representou um avanço decisivo ao consolidar a missão como dimensão essencial da identidade da Igreja e ao promover a formação de Igrejas locais, verdadeiramente universais.
O Papa Pio XI, pelo seu impulso missionário, ficou conhecido como o “Papa Missionário”, pois realizou a ordenação dos primeiros seis bispos chineses (1926); a instituição do Dia Mundial das Missões (1926); a proclamação de São Francisco Xavier e de Santa Teresinha do Menino Jesus como padroeiros das missões (1927)]
A primeira celebração do Dia Mundial das Missões em Outubro de 1926 e, desde então, tem sido sempre celebrado. Neste ano de 2026, celebra-se o seu centenário, com o tema escolhido pelo Papa Leão XIV "Um em Cristo, unido na missão".
Na sua mensagem para este centenário, o Papa Leão XIV quer dar um contributo à construção da unidade da Igreja, adoptando uma aproximação teológica que nos pede uma leitura espiritual do texto. Numa das partes da sua mensagem, Leão XIV relaciona a missão com o amor e afirma que o amor é a substância da Igreja e da sua missão. O amor une os cristãos com todas as pessoas e todos os povos; o poder do amor une as pessoas e os povos, sem negar a diversidade de pessoas e culturas; e só o amor permite sarar as feridas e os traumas que as divisões geram impedindo a comunhão.
O Papa escreve: “Obviamente, a unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade, mas como convergência dos diferentes carismas para o mesmo objectivo: tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a um encontro com Ele. A evangelização realiza-se quando as comunidades locais colaboram entre si e quando as diferenças culturais, espirituais e litúrgicas se expressam, plena e harmoniosamente, na mesma fé. Encorajo, deste modo, as instituições e realidades eclesiais a fortalecer o sentido de comunhão missionária eclesial e a desenvolver, com criatividade, formas concretas de colaboração entre si para a missão e na missão.”

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXIX DOMINGO COMUM

 

“…Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses,
que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo:
A graça e a paz estejam convosco.
Damos continuamente graças a Deus por todos vós,
ao fazermos menção de vós nas nossas orações.
Recordamos a actividade da vossa fé,
o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança
em Nosso Senhor Jesus Cristo,
na presença de Deus, nosso Pai.
Nós sabemos, irmãos amados por Deus,
como fostes escolhidos.
O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras,
mas também com obras poderosas,
com a acção do Espírito Santo…”  
(cf. I Tessalonicenses 1, 1-5)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro - Roma, no dia 11 de Outubro de 2026
 
Hoje, no Evangelho, Jesus fala da festa de casamento que um rei preparou para o seu filho (cf. Mt 22, 1-14).
O matrimónio de um filho é um momento especial em qualquer família, e este pai, cheio de felicidade, quer partilhar a sua alegria com todos. Oferece um banquete e convida muita gente. A este respeito, São Tomás de Aquino afirma que o bem, por natureza, tende a difundir-se: «Bonum dicitur diffusivum sui» (Summa theologiae, I, q. 5 a. 4, ad 2). Também, nos fala desta realidade a imagem utilizada, na nossa história, partindo dum contexto específico da vida.
Quando algo de bom acontece, acende-se uma luz que nos leva a incluir os outros na nossa felicidade.
No entanto, diante duma oferta tão bonita, os convidados, em vez de se juntarem à festa, recusam-se a ir, preferindo continuar nos seus afazeres. Alguns, até, incomodados, insultam e chegam mesmo a matar os mensageiros do rei. Infelizmente, isto também acontece: nem sempre o bem que oferecemos é compreendido, reconhecido ou apreciado; pelo contrário, por vezes é mal interpretado e rejeitado. Mas, isso não deve desanimar-nos. Perante a recusa, o rei não anula o casamento nem cancela as celebrações; pelo contrário, alarga o convite a um número ainda maior de pessoas, enviando os seus servos a chamá-las pelas ruas, para que a alegria dos noivos seja um dom para todos.
Neste ponto, perguntemo-nos: os protagonistas desta história quem representam? São Jerónimo identifica o rei com o Pai dos Céus, o noivo com Jesus e a noiva com a Igreja (cf. Comentário a Mateus, Livro III, cap. 22). Portanto, entre os protagonistas estamos também nós, escolhidos pelo Senhor para partilhar com Ele a nossa existência e para sermos, com Ele, portadores de vida. A festa de casamento é a nossa, e a sala do banquete são as nossas igrejas, as nossas casas, os lugares onde vivemos e onde o Filho do Rei, Jesus Cristo, volta todos os dias para nos declarar o seu amor, aguardando o nosso “sim”. É lá que O encontramos, revestidos, tal como a noiva, com a veste branca do Baptismo e adornados com as joias das boas obras, que nos aproximam de Deus e uns dos outros.
A alegria que anunciamos não é, pois, artificial, mas profunda, concreta e real, bela como os rostos das pessoas que encontramos, verdadeira como o trabalho, os sorrisos, as lágrimas, os apertos de mão e os gestos de bondade que marcam os nossos dias. É um dom de Deus, para a salvação do mundo.
Peçamos a Maria, Mãe do Senhor, que nos ajude a crescer nesta alegria, anunciando-a sempre e em toda parte com generosidade, coragem e fé, mesmo onde não é compreendida. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 95

Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira.
Publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.

O Senhor é grande e digno de louvor,
mais temível que todos os deuses.
Os deuses dos gentios não passam de ídolos,
foi o Senhor quem fez os céus.
 

Dai ao Senhor, ó família dos povos,
dai ao Senhor glória e poder.
Dai ao Senhor a glória do seu nome,
levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios.

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,
trema diante d’Ele a terra inteira.
Dizei entre as nações: «O Senhor é rei»,
governa os povos com equidade.

SANTOS POPULARES



BEATA MARIA LOURENÇA REQUENSES LLONC

Maria nasceu em Lérida, na Catalunha - Espanha, por volta de 1463. Casou-se com João Llonc, um valenciano de São Mateus, regente da Chancelaria do Reino de Aragão e muito estimado pelo rei Fernando, o Católico, que, ao casar-se com Isabel de Castela, fez da Espanha a futura governante da Europa.
O único episódio registrado na biografia deste primeiro período da sua vida é o de uma tentativa de envenenamento por uma criada, após a qual Maria ficou aleijada, ou paralisada, nas mãos e nos pés.
Em 1506, apesar da paralisia e após um profundo discernimento, ela e a sua família acompanharam o marido, que havia sido nomeado Regente do Vice-Reino de Nápoles. Três anos depois, viúva e com três filhos, fez uma peregrinação a Loreto, onde se sentiu milagrosamente curada.
Para expressar o seu desejo de maior intensidade espiritual, escolheu o nome Maria Laurência (ou Lourença) e, segundo algumas fontes, vestiu o hábito de freira franciscana. Em seguida, dedicou-se a obras de caridade, tão necessárias à população napolitana, inicialmente no hospital de São Nicolau al Molo.
Graças aos seus próprios recursos, em 1519, inspirada pelo tabelião genovês Ettore Vernazza, construiu o Hospital de Santa Maria del Popolo (do Povo) também conhecido como Hospital dos Incuráveis, que ainda hoje funciona no centro histórico de Nápoles, e do qual ela assumiu a direcção.
Também acolheu muitas prostitutas no hospital, algumas das quais, expressando o desejo de mudar de vida, permaneceram como criadas. Em 1526, construiu para elas um lar, um verdadeiro mosteiro, ao lado do complexo hospitalar, confiado à orientação da Duquesa de Termoli, Maria Ayerbo.
Nesta ‘cidade da caridade’, acolheu os frades capuchinhos, em 1530: para eles, construiu o convento de Santo Efrimo Velho. Em 1533, acolheu, em Nápoles, São Caetano de Thiene, que se tornou seu director espiritual.
Foi laborioso e imprevisto o caminho que levou Maria Llonc a obter a aprovação canónica, em 1535, para o nascente mosteiro de Santa Maria de Jerusalém. Inicialmente, Maria desejou partir para a Terra Santa, mas compreendeu que o Senhor a queria ali como fundadora.
Com a bula papal "Debitum pastoralis officii", de 19 de Fevereiro, o Papa Paulo III erigiu a comunidade que ela fundara sob o nome de "Irmãs da Terceira Ordem de São Francisco, segundo a Regra de Santa Clara". Nesse mesmo ano, a fundadora entregou a Maria Ayerbo a responsabilidade da direcção do hospital, a fim de se dedicar à nova fundação, sob a orientação de São Caetano.
Em 10 de Dezembro de 1538, o Papa Paulo III confirmou ã fundação da nova Congregação sob a "observata strictissime" Regra de Santa Clara. Maria e as suas companheiras fizeram, então, os votos religiosos. No ano seguinte, o número de freiras foi fixado em trinta e três, em honra dos anos da vida terrena de Jesus, razão pela qual o mosteiro sempre foi chamado "das Trinta e Três".
A legislação adoptada incluía, como atesta um manuscrito do século XVI, preservado nos arquivos do mosteiro, a primeira Regra de Clara de 1259 - pobreza e recepção de noviças sem dote -, juntamente com as constituições de Santa Coleta de Corbie e, finalmente, algumas normas sobre o claustro, compostas por Maria Lourença Llonc.
Esses textos, revistos ​​no início do século XVII, pelos Capuchinhos, deram à Ordem o nome de Monjas Capuchinhas da Primeira Regra de Santa Clara, que rapidamente se espalhou pela Europa e pelo resto do mundo.
Maria Lourença Llonc faleceu em Outubro de 1539, após renunciar ao cargo de abadessa e ter recebido todas as garantias papais (aproximadamente 10 documentos, incluindo bulas e breves papais) de que o mosteiro seria de estricta pobreza e observância do claustro, segundo o espírito de Clara e Coleta, mas adaptado à situação monástica do século XVI, numa cidade como Nápoles.
A Madre Maria Lourença gozava de fama de santidade, desde a sua morte. Contudo, uma verdadeira causa de beatificação só foi iniciada no final do século XIX.
Em 1935, ocorreu o reconhecimento canónico dos seus restos mortais que foram depositados na igreja do Proto mosteiro de Santa Maria de Jerusalém. A memória da sua experiência de fé e da sua obra perdura através de conferências, publicações e estudos científicos. Além disso, desde 1974, as Clarissas Capuchinhas comemoram o aniversário da sua morte, todos os anos, no dia 21 de Dezembro.
Em 12 de Junho de 2004, foi reapresentada a petição para a beatificação de Maria Llonc.
Em 9 de Outubro de 2017, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto que reconhece as virtudes heroicas cristãs da Madre Maria Llonc.
A Madre Maria Lourença foi beatificada no dia 9 de Outubro de 2021, na Catedral de Nossa Senhora da Assunção, em Nápoles, em cerimónia presidida pelo Cardeal Semeraro, delegado do Santo Padre.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 21 de Outubro.

domingo, 11 de outubro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXVIII DOMINGO COMUM

 

“…Sobre este monte,
o Senhor do Universo há-de preparar, para todos os povos,
um banquete de manjares suculentos,
um banquete de vinhos deliciosos:
comida de boa gordura, vinhos puríssimos.
Sobre este monte,
há-de tirar o véu que cobria todos os povos,
o pano que envolvia todas as nações;
destruirá a morte para sempre.
O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces
e fará desaparecer, da terra inteira,
o opróbrio que pesa sobre o seu povo.
Porque o Senhor falou.
Dir-se-á, naquele dia:
«Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação;
é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança.
Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou.
A mão do Senhor pousará sobre este monte»…”
(cf. Isaías 25, 6-10)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 7 de Outubro de 2026
 
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
Retomando a reflexão sobre a Constituição conciliar Gaudium et spes (GS), hoje consideramos o quarto capítulo da primeira parte, dedicado à missão da Igreja no mundo contemporâneo. Em primeiro lugar, o Concílio recorda que a Igreja não está “acima” nem “ao lado” do mundo, mas como que inserida nele. «Mundus reconciliatus Ecclesia», escrevia Santo Agostinho (Sermo 96): a Igreja é o mundo já reconciliado com Deus; somos peregrinos na terra e com este mundo partilhamos a fragilidade e a beleza (cf. GS, 40).
Assim como o Filho de Deus se encarnou para dar vida ao mundo e para o reconciliar com o Pai, também a Igreja habita no mundo como sinal da encarnação de Deus para manifestar o seu desígnio de tornar todos nós seus filhos numa única e grande família humana. Por isso, a Igreja caminha na história, no meio dos povos e das culturas, e «esta interligação vital com os povos faz-lhe compreender cada vez mais que a sua missão tem um alcance histórico e implica responsabilidade no que diz respeito à maneira como se tecem as relações sociais» (Carta enc. Magnifica humanitas, 19).
A primeira missão da Igreja consiste em ajudar as pessoas a estar atentas às profundas interrogações da vida: aquelas que dizem respeito à nossa origem e ao nosso destino, assim como aquelas que se referem ao sentido do amor e da dor (cf. GS, 41). A lógica do lucro custe o que custar e a manipulação da informação correm o risco de exercer uma pressão indevida a fim de que as pessoas se conformem com um estilo de vida centrado no consumo de bens materiais, mas o nosso coração foi feito para olhar para o alto.
Os Padres do Concílio recordam que a missão da Igreja se realiza também na contribuição para a construção da cidade terrena. No entanto, os seus métodos e a sua finalidade não são primariamente de ordem política, mas consistem no testemunho da fé e da caridade, com o compromisso em prol da justiça, da paz e da fraternidade. Adorando Cristo, o Justo que morreu pelos injustos, o crente não pode aceitar a opressão dos pequeninos e dos pobres, nem as estruturas injustas que perpetuam condições de dependência e injustiça. A Doutrina social da Igreja orienta a ação dos cristãos, que colaboram com todas as pessoas de boa vontade na promoção do bem comum. Portanto, a Igreja «nada deseja mais ardentemente do que, servindo o bem de todos, poder desenvolver-se livremente sob qualquer regime que reconheça os direitos fundamentais da pessoa e da família, e os imperativos do bem comum» (GS, 42).
Para cumprir com eficácia a missão evangélica, é necessário que cada batizado se comprometa em cooperar com a graça do Espírito Santo, a fim de que a sua fé seja viva e se expresse mediante comportamentos coerentes. Com efeito, como recordam os Padres conciliares, a separação entre fé professada e vida quotidiana «deve ser contada entre os mais graves erros do nosso tempo» (GS, 43).
A Gaudium et spes reserva uma menção especial (cf. ibid.) à missão dos fiéis leigos que, em virtude do Baptismo, são chamados a animar o mundo com o espírito cristão e a visão do Evangelho. Os principais lugares desta ação, que bem se pode dizer sacerdotal, são indubitavelmente a família e a atividade de trabalho, mas ela estende-se a todos os ambientes de vida.
Para concluir, a Igreja está sempre atenta ao que acontece e se desenvolve na sociedade (cf. GS, 44). É tarefa de todo o Povo de Deus, sobretudo dos pastores e dos teólogos, discernir o que é digno de consideração nas culturas do nosso tempo, tendo sempre como critério supremo de discernimento a Palavra de Deus e a Tradição da Igreja. Isto requer um espírito equilibrado e livre das modas culturais, capaz de olhar para o mundo de modo positivo e, ao mesmo tempo, firme na preservação e apresentação da mensagem evangélica na sua integralidade. Com efeito, «não é certamente diluindo os conteúdos e suavizando as exigências que se pode tornar o cristianismo atraente» (Discurso à Plenária do Dicastério para a Evangelização — Secção para as questões fundamentais da evangelização no mundo, 28 de maio de 2026).
Caríssimos, enquanto se encontra a caminho na história, a Igreja tem como «único fim (...) o advento do reino de Deus e o estabelecimento da salvação de todo o género humano» (GS, 45). Ela tende para esta finalidade sobretudo através da santidade pessoal e do amor fraterno. São Paulo VI escrevia: «Sem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra fará a sua caminhada até atingir o coração do homem dos nossos tempos; ela corre o risco de permanecer vã e infecunda» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 76). Portanto, tornemo-nos dóceis à ação do Espírito Santo, a fim de que nos ajude a viver em santidade e caridade, para que o mundo possa acreditar e esperar. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 22
 
Refrão: Habitarei para sempre na casa do Senhor.
 
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.
 
Ele me guia por sendas direitas,
por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
 
Para mim preparais a mesa,
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.
 

SANTOS POPULARES


 

SANTA MADALENA DE NAGASAKI
 
Madalena nasceu em 1611, em Nishizaka, perto de Nagasaki, no Japão. Era filha de nobres e fervorosos cristãos, ricos sobretudo de virtudes cristãs. Desde cedo, ela recebeu esmerada educação. A sua infância, contudo, coincidiu com um período de cruéis perseguições contra os cristãos. O ditador Tokugawa Yeyasu, budista, decretou, em 1614, uma perseguição total contra os cristãos. Com os seus sucessores, Hidetada e Yemitsu, essa perseguição tornou-se ainda mais cruel, a ponto de, em poucos anos, quase exterminar a cristandade do Japão. Manuscritos antigos descrevem-na como uma jovem frágil, delicada e bela. Os seus pais e os seus irmãos foram condenados à morte por causa da sua fé católica e martirizados quando ela ainda era muito jovem.
Em 1624, Madalena conheceu dois padres agostinhos (de Santo Agostinho) recoletos (é uma maneira de viver o carisma de Santo Agostinho com radicalidade, procurando que nada distraia o coração daquilo que constitui o único alvo de toda a vida cristã: o amor de Deus), Francisco de Jesus e Vicente de Santo António, que mais tarde foram martirizados e declarados beatos.
Atraída pela profunda espiritualidade dos dois missionários, Madalena consagrou-se a Deus, como terciária agostiniana recoleta. A partir de então, passou a usar o hábito religioso, dedicando-se, exclusivamente, à oração, à leitura de livros sagrados e ao apostolado. Mais tarde, tornou-se terciária dominicana.
Os tempos eram muito difíceis, e a perseguição contra os cristãos tornou-se mais sistemática e cruel. Madalena encorajava os cristãos; ensinava catecismo às crianças e pedia esmolas aos mercadores portugueses para os pobres.
Em 1629, procurou refúgio e abrigo nas montanhas de Nagasaki, compartilhando o sofrimento e a angústia dos seus concidadãos perseguidos, encorajando-os a permanecerem firmes na fé, guiando aqueles que, vencidos pela tortura, haviam negado Cristo, visitando os doentes, baptizando crianças e levando palavras e gestos de conforto a todos.
Diante da apostasia (negação da fé) de muitos cristãos, aterrorizados pelas torturas a que eram submetidos, e ansiando pela união eterna com Cristo, Madalena decidiu desafiar os tiranos. Vestida com o hábito de uma terciária, apresentou-se perante os juízes, em Setembro de 1634, carregando apenas um pequeno fardo com livros sagrados para que pudesse orar e meditar na prisão. Num primeiro momento, os guardas mandaram-na embora dizendo que, sendo ela tão jovem e frágil, não poderia sofrer ou mesmo suportar tão horríveis tormentos a que eram submetidos os religiosos. Contudo, no dia seguinte ela foi presa. Os juízes, admirados com sua beleza e comovidos pela sua tenra idade, vendo-a estimada e admirada pelos cristãos e também por ser de família nobre e ilustre, tentaram convencê-la, através de atenções especiais e promessas diversas, a abandonar a fé. Mas tudo foi em vão. Nem mesmo as promessas de um casamento vantajoso e a tortura que suportou conseguiram quebrar a sua firme vontade.
Madalena, depois de sofrer vários tipos de torturas, sem perder a fé em Jesus Cristo, no início de Outubro de 1634 foi tirada da prisão e, com outros dez cristão foi levada ao lugar do martírio. O seu último suplício durou treze dias e meio, pendurada pelos pés, de cabeça para baixo, dentro de um poço, invocando os nomes de Jesus e Maria e cantando hinos ao Senhor.
Na última noite, uma forte chuvada inundou o poço e Madalena afogou-se. Era o dia 15 de Outubro de 1634. Tinha cerca de 23 anos. Os tiranos queimaram o seu corpo e espalharam as suas cinzas no mar, para impedir que os cristãos venerassem as suas relíquias.
Aquando da organização do seu processo de beatificação, Madalena foi incluída num grupo de dezasseis mártires dominicanos, de diversas nacionalidades, todos mortos no Japão, liderados por Lourenço Ruiz, o primeiro santo de origem filipina. Todo o grupo foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 18 de Fevereiro de 1981, em Manila, Filipinas, e canonizado, em Roma, pelo mesmo pontífice, no dia 18 de Outubro de 1987.
A memória litúrgica de Santa Madalena de Nagasaki é celebrada no dia 15 de Outubro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXVI DOMINGO COMUM

 

“…Não vos inquieteis com coisa alguma.
Mas, em todas as circunstâncias,
apresentai os vossos pedidos diante de Deus,
com orações, súplicas e acções de graças.
E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência,
guardará os vossos corações
e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Quanto ao resto, irmãos,
tudo o que é verdadeiro e nobre,
tudo o que é justo e puro,
tudo o que é amável e de boa reputação,
tudo o que é virtude e digno de louvor
é o que deveis ter no pensamento.
O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim
é o que deveis praticar.
E o Deus da paz estará convosco…
(cf. Filipenses 4, 6-9)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 30 de Setembro de 2026
 
Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
Hoje, desejo falar-vos da Viagem Apostólica a França, que realizei nos últimos dias. Foi uma grande dádiva para mim e para o povo de Deus naquele país, e dou graças ao Senhor por isso. Manifesto, mais uma vez, a minha gratidão a todos aqueles que me receberam: às Autoridades civis e aos Pastores da Igreja, assim como a quantos, deveras numerosos, quiseram encontrar-se com o Papa ou, simplesmente, saudá-lo ao longo das ruas, como Apóstolo de Cristo e mensageiro de paz. Obrigado a todos!
Gostaria de reunir os pensamentos e as impressões - ainda profundamente vivas - desta Visita Pastoral, em volta de um único grande símbolo: a Catedral de Notre-Dame de Paris. Ali, na tarde do primeiro dia, pudemos celebrar as Vésperas da Bem-Aventurada Virgem Maria, uma liturgia solene e ao mesmo tempo festiva, na qual a música, o cântico e a beleza do templo faziam vibrar os corações, unidos em oração.
É precisamente Notre-Dame, com o drama vivido, que pode simbolicamente iluminar toda esta Viagem Apostólica, oferecendo uma chave de leitura que eu resumiria com uma palavra: renascimento!
A Catedral de Paris, que, há apenas sete anos, parecia mortalmente ferida, por um enorme incêndio, agora foi reconstruída e é mais resplandecente do que nunca. Aquele desastre provocou uma reacção positiva a todos os níveis, alguns mais visíveis e práticos, outros mais escondidos, de ordem espiritual.
O seu restauro foi uma prova da possível colaboração entre Igreja, Estado, instituições públicas e sociedade civil. Esta atitude permitiu valorizar, da melhor forma possível, a generosidade dos benfeitores e as competências dos profissionais e dos operários. A sinergia em prol do bem comum deveria ser o estilo normal das instituições, das forças políticas e sociais, de quantos têm responsabilidades civis e económicas. Foi a mensagem que eu quis confiar às Autoridades francesas, bem como aos membros da UNESCO, à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, com sede em Paris, indicando qual o critério fundamental no qual basear esta colaboração: a dignidade da pessoa humana!
Mas, sobretudo Notre-Dame é imagem da Igreja de pedras vivas, do povo santo de Deus.
É interessante estabelecer um paralelo entre a celebração das Vésperas, na Catedral, e a Vigília dos jovens que teve lugar, na mesma noite, no grande Estádio da França, em Paris. Dois lugares completamente diferentes e, no entanto, dois acontecimentos complementares, quase unidos espiritualmente. O que os unia? A Igreja, que não é feita de pedras nem de cimento, mas de pessoas que amam Jesus Cristo, porque foram amadas por Ele. Em Notre-Dame estavam presentes sacerdotes e diáconos, pessoas consagradas, agentes pastorais; no estádio estava presente a nova geração francesa: nova - diria - não só pela idade, mas ainda mais pelo espírito, pela liberdade de coração e de fé. Jovens que cantaram, gritaram, mas que também permaneceram em silêncio, à escuta. Rostos atentos e comovidos, que revelavam corações desejosos de verdade e amor. A eles eu disse com alegria: “Vós sois os santos da França!”. Aquela Vigília foi um grande sinal de esperança!
Tal como o foi - na pequenez que Deus prefere - também o encontro na Maison Bakhita, casa de acolhimento para várias pessoas em dificuldade: um dos muitos lugares, frutos do Evangelho, onde se assume o compromisso diário de servir, com amor, a dignidade da pessoa humana.
No entanto, na Igreja, em França, existe um sinal de renascimento que perdura há alguns anos, ou seja, o número notável e crescente de jovens e adultos que pedem o Baptismo. Sobre esta bonita “surpresa” de Deus, decorre, em Paris, uma Assembleia sinodal provincial, na qual tive a ocasião de intervir, encorajando o caminho dos catecúmenos e dos neófitos, com as comunidades a que pertencem.
O evento culminante da minha visita à Capital foi a Missa na Place de la Concorde. Ali, o sinal do renascimento manifestou-se de modo surpreendente: a assembleia litúrgica, que congregava, na vasta Praça, os sacerdotes, o coro e uma multidão considerável, estendia-se por toda a Avenue des Champs-Élysées, até ao Arco do Triunfo e além. No momento da Comunhão, todos puderam receber a Eucaristia, distribuída em todos os lugares. Eis a verdadeira reconstrução, a restauração da Igreja que só Deus pode realizar, por intercessão da Virgem Maria.
E, então, era natural e obrigatório que, depois de Paris, eu fosse como peregrino a Lourdes, para venerar a Mãe da Igreja, Maria, aquela que na hora da paixão e da morte mantém acesa a lâmpada da fé e da esperança. Em Lourdes, o Senhor, através do esmero maternal da Virgem Maria, transmite a todos, peregrinos e especialmente enfermos no corpo e no espírito, uma mensagem de esperança e renascimento. Uma mensagem que eu quis relançar abertamente: cada vida humana, em qualquer condição, até na mais grave fragilidade, conserva a sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada, aliviada do sofrimento, com compaixão humana e com o auxílio dos meios proporcionados pela ciência. Por isso, Lourdes representa, para todo o mundo, um santuário da civilização do amor. Neste contexto, encontrei algumas pessoas vítimas de abusos e pedi-lhes que me ajudem a transmitir também a outras vítimas a minha vontade, bem como a de toda a Igreja, de as ouvir e de caminhar com elas em busca da cura, reconhecendo a dor causada na sua vida e trabalhando para a prevenção dos abusos.
A terceira e última etapa da Viagem Apostólica foi a cidade de Metz, numa região da França e da Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial. Foi ali que trabalhou Robert Schuman, um dos principais inspiradores do processo de unificação europeia. A Europa contemporânea nasceu, precisamente, como projecto de paz, após a destruição da guerra. Podemos dizer que quanto ocorreu com o incêndio de Notre-Dame, em Paris, acontecera na Europa com a Segunda Guerra Mundial. E a Europa renasceu, com base naqueles princípios de democracia, solidariedade e fraternidade entre os povos, que muito devem às próprias raízes cristãs. Também hoje, é sobre tais alicerces e com esta “linfa” vital que o projecto-Europa pode renovar-se, num mundo muito mais globalizado, onde o diálogo inter-religioso desempenha um papel de importância primordial. Por isso, em Metz, encontrei-me com representantes das várias tradições religiosas, que leram e subscreveram, na minha presença, o “Apelo de Metz” a favor do diálogo e da paz.
Caríssimos, o tema da minha Visita pastoral a França foi “Pour que le monde ait la vie”, “Para que o mundo tenha vida” (cf. Jo 6, 51). São palavras de Jesus, que resumem toda a sua missão de salvação e que, durante a Viagem, manifestavam plenamente o sentido evangélico de cada encontro. Agora, que elas inspirem a nossa oração, pedindo a Deus que este acontecimento de graça possa dar frutos abundantes e duradouros! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 79

 

Refrão: A vinha do Senhor é a casa de Israel.

Arrancastes uma videira do Egipto,
expulsastes as nações para a transplantar.
Estendia até ao mar as suas vergônteas
e até ao rio os seus rebentos.

Porque lhe destruístes a vedação,
de modo que a vindime quem quer que passe pelo caminho?
Devastou-a o javali da selva
e serviu de pasto aos animais do campo.

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.
Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Não mais nos apartaremos de Vós:
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.
Senhor, Deus dos Exércitos, fazei-nos voltar,
iluminai o vosso rosto e seremos salvos.


SANTOS POPULARES



SANTA MARIA SOLEDADE TORRES ACOSTA
 
Bibiana Antónia Manuela nasceu em Madrid, Espanha, no dia 2 de Dezembro de 1826, a segunda filha de Manuel Torres e Antónia Acosta, modestos comerciantes. Foi baptizada dois dias depois. Todos a tratavam por Manuela. Recebeu o Sacramento da Confirmação no dia 16 de Janeiro de 1828, quando tinha acabado de completar um ano de idade, de acordo com o costume daquela época, em Espanha.
Manuela passou a sua infância, adolescência e juventude na casa do seu pai. Dedicou-se inteiramente às tarefas domésticas e aos cuidados com os seus três irmãos mais novos, mas não negligenciou as obras de piedade pelas quais era particularmente atraída.
Aos vinte e cinco anos, deu vazão ao seu impulso generoso e ofereceu-se para auxiliar o Padre Miguel Martínez Sanz, que era o responsável pelo cuidado espiritual do bairro operário de Chamberí. O sacerdote tinha em mente fundar uma congregação religiosa para cuidar dos doentes, em casa: já havia envolvido, no seu projecto, seis jovens mulheres, mas queria aumentar o número para sete, como fundadoras leigas da Ordem das Servas de Maria.
A sétima foi Manuela: assim, no dia 15 de Agosto de 1851, juntamente com as outras seis companheiras, Manuela vestiu o hábito preto e mudou o seu nome para Maria Soledade (Desolada), em honra da Virgem Santa Maria das Dores, de quem toda a Espanha tem grande devoção. Assim nasceu a nova Congregação das Servas de Maria, Ministras dos Doentes.
Em 1856, uma grave crise interna, desencadeada por dolorosas dificuldades, levou à demissão de quatro das seis cofundadoras; outras duas faleceram. A isto acrescentou-se a hostilidade do Estado e a partida do Padre Miguel para a Guiné Equatorial, como missionário. A Irmã Maria Soledade, nomeada Superiora-Geral, viu-se a lutar sozinha, procurando dar vida à Congregação. Cheia de devoção, depositou toda a sua confiança na Virgem Maria.
Em 1856, o novo director eclesiástico das Servas de Maria demitiu-a do cargo e enviou-a para Getafe. O Arcebispo de Toledo teve de intervir para evitar a extinção da Congregação, enquanto a Irmã Maria Soledade continuava a prestar os seus humildes serviços.
O Padre Gabino Sánchez, agostiniano, foi nomeado para substituir o Padre Miguel Martínez. O seu primeiro acto foi reconduzir a Irmã Maria Soledade no cargo de superiora-geral, em Janeiro de 1857 e chamá-la de volta a Madrid. A sua recondução foi ratificada no primeiro Capítulo-Geral, em 1861, após a aprovação da primeira Regra.
As Servas de Maria conquistaram a protecção da Rainha Isabel II e obtiveram a confiança da Junta de Caridade de Madrid: em 1859, foi-lhes confiada a Casa do Socorro, seguida, em 1861, pela administração do Hospital de São João de Deus. Entretanto, continuaram o seu compromisso primordial, oferecendo assistência domiciliar gratuita aos enfermos. Em particular, dedicaram-se em socorrer os doentes de cólera, durante as epidemias de 1855, 1865 e 1885.
Tendo obtido a aprovação do governo, nos anos seguintes, a Madre Maria Soledade expandiu a sua fundação, abrindo novas casas - cerca de 42 - espalhadas por toda a Espanha e em Cuba (1875) e em Porto Rico (1887). Ela estabeleceu que as suas ‘filhas’ deveriam possuir uma sólida formação em enfermagem e uma grande devoção à Virgem, com o título de Nossa Senhora da Saúde dos Enfermos.
A congregação obteve o ‘Decreto de Louvor’ em 1867 e recebeu a sua primeira aprovação do Papa Pio IX, em 1876. A Madre Maria Soledade foi, pessoalmente, encorajada pelo Papa Leão XIII, a quem conheceu em Roma: o mesmo Pontífice, em 1898, aprovou, definitivamente, as Constituições das Servas de Maria.
Após 31 anos de governo, a Madre Maria Soledade faleceu, no dia 11 de Outubro de 1887. O seu corpo, perfeitamente preservado, foi transladado para a Casa-Mãe, em Madrid, após seis anos no cemitério local.
A crescente devoção dos fiéis levou à abertura da sua causa de beatificação, na diocese de Madrid. No dia 23 de Janeiro de 1938, foi promulgado o decreto sobre o heroísmo das suas virtudes, pelo qual a Madre Maria Soledade Torres Acosta foi declarada Venerável.
A Madre Maria Soledade foi beatificada no dia 5 de Fevereiro de 1950, pelo Papa Pio XII.
Foi canonizada, pelo Papa Paulo VI, no dia 25 de Janeiro de 1970, e por ele denominada "precursora e mestra do mais consumado cuidado e assistência à saúde, do nosso humanismo social". Da sua homilia, destacamos: “…Nesta hora de tribulação para a Igreja e de amargura para Nós, este é um momento de grande consolação: Maria Soledade Torres Acosta foi reconhecida como Santa. Foi proclamada Santa. Foi inscrita nos fastos dos Santos. Foi apresentada a toda a Igreja terrestre, como pertencente à Igreja celeste. Foi declarada digna do culto de veneração, porque está unida para sempre e totalmente a Cristo ressuscitado e participa da glória que Ele possui. Este é o significado do acto extraordinário e solene que Nós acabámos de realizar. Canonizámos esta bem-aventurada filha da Igreja e agora sentimos que a luz, a fascinação, o mistério da santidade se difundem sobre nós, sobre esta assembleia exultante, sobre a Espanha que foi a pátria da nova Santa, sobre a Família religiosa que ela fundou, a das Servas de Maria Ministras dos Enfermos, sobre a Igreja inteira e sobre o mundo. Deus seja bendito!...
… A biografia de Maria Soledade não nos oferece aquelas singularidades muitas vezes cheias de aventura e de prodígio, nem aquela riqueza de palavras e de escritos, que caracterizam outras figuras de Santas; por outro, o seu perfil, cheio de pureza e de bondade, apresenta algumas características que Nos parece necessário sublinhar.
Maria Soledade é uma fundadora, a fundadora de uma Família religiosa muito numerosa e muito difundida, de uma Congregação excelente e próvida. Assim, Maria Soledade faz parte daquele grupo de santas e intrépidas mulheres, que, no século passado, fizeram jorrar na Igreja torrentes de santidade e de operosidade, intermináveis procissões de virgens consagradas ao único e supremo amor de Cristo, devotadas ao serviço inteligente, incansável e desinteressado do próximo. Vós conheceis estas almas. Por toda a parte podeis encontrá-las. Não é necessário que vos descrevamos agora a magnífica expansão que os seus Institutos tiveram…
… As características peculiares, que descrevem especificamente o modelo em questão, justificam e glorificam esse tipo de procura da perfeição cristã. Consiste ele no desapego prático e ascético da vida secular comum, que hoje é preferida por muitos; na vida comum organizada, dentro da observância dos conselhos evangélicos da pobreza, da castidade e da obediência; no primado, ciosamente conservado, da vida interior, da oração, do culto divino e do amor de Deus; numa palavra, na dedicação sem limite e sem cálculos egoístas a algumas obras de caridade; e, por fim, na adesão profunda e orgânica à Santa Igreja. Estas características básicas, que constituem um estado de vida qualificado pelo esforço para alcançar a perfeição cristã, estão autenticamente de acordo com as exigências do Evangelho, e ainda hoje são capazes de definir e de valorizar a vida religiosa no nosso tempo. A Congregação das Servas dos Enfermos merece, no nome e no exemplo da sua santa fundadora, este Nosso reconhecimento.
Esta Congregação merece também outro reconhecimento, o da sua definição como Instituto religioso especificamente dedicado à assistência aos enfermos. Esta é a opção que exprime, empenha e ilustra a caridade de Maria Soledade e da sua descendência espiritual…”
Ainda hoje, as filhas espirituais de Santa Maria Soledade Torres Acosta continuam a sua missão de cuidar dos enfermos, inclusive em hospitais, mas principalmente nos seus lares. Estão presentes em quatro continentes, divididas em mais de cem casas. A Casa-Mãe continua em Madrid, enquanto a Sede-Geral está em Roma.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 11 de Outubro, aniversário da sua morte.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXVI DOMINGO COMUM

 

“…Se há em Cristo alguma consolação,
algum conforto na caridade,
se existe alguma consolação nos dons do Espírito Santo,
alguns sentimentos de ternura e misericórdia,
então, completai a minha alegria,
tendo entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade,
numa só alma e num só coração.
Não façais nada por rivalidade nem por vanglória;
mas, com humildade,
considerai os outros superiores a vós mesmos,
sem olhar cada um aos seus próprios interesses,
mas aos interesses dos outros.
Tende em vós os mesmos sentimentos
que havia em Cristo Jesus…
(cf. Filipenses 2, 1-5)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 23 de Setembro de 2026
 
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Continuando o nosso percurso sobre a Constituição pastoral Gaudium et spes, do Concílio Ecuménico Vaticano II, chegamos ao terceiro capítulo da primeira parte, que tem um título atraente: «A actividade humana no mundo». A questão fundamental é a seguinte: qual é o valor da actividade humana no mundo e, por conseguinte, do progresso técnico, social e científico? Podemos recordar que, menos de quatro anos depois do encerramento do Concílio, na noite entre 20 e 21 de Julho de 1969, o homem teria pisado, pela primeira, vez a Lua.
Criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano é sujeito de progresso. Com a liberdade e a inteligência, ele amplia os seus conhecimentos, fazendo, assim, progredir toda a sociedade. Vemo-lo, facilmente, considerando as melhorias das condições de vida na sucessão das gerações. Com efeito, diz o Documento, «muitos bens que o homem, noutros tempos, esperava - sobretudo das forças superiores – hoje, alcança-os pelos seus próprios meios» (n. 33).
Por isso, alguns pensadores apresentaram o progresso técnico-científico como algo que debilita a relação com Deus, a ponto de a fazer parecer supérflua, ou até antagonista em relação à fé cristã. E esta leitura provocou uma mudança de perspectiva sobre o mundo por parte do homem contemporâneo, em comparação com as épocas precedentes. Tal preconceito afirma-se, sobretudo, naquela parte da cultura ocidental que perdeu a sua referência à Revelação cristã. Nos humanismos pós-cristãos, o ser humano e Deus são, erroneamente, apresentados como rivais: para afirmar os seus saberes, a sua liberdade e o seu progresso, o homem deveria emancipar-se de Deus. Mas, no fim de contas, negando a relação com Deus, perde-se até a possibilidade de afirmar o valor transcendente da pessoa humana. É o “drama do humanismo ateu”, bem descrito por um importante teólogo do Concílio Vaticano II, Henri de Lubac.
O Concílio deseja oferecer uma resposta clara: «Uma coisa é certa - afirma a Gaudium et spes - para os crentes: (considerada em si mesma) a actividade humana individual e colectiva, aquele imenso esforço com que os homens, no decurso dos séculos, tentaram melhorar as condições de vida, corresponde à vontade de Deus» (n. 34). Aliás, prossegue a Constituição, «longe de pensar que as obras do engenho e poder humano se opõem ao poder de Deus, ou de considerar a criatura racional como rival do Criador, os cristãos devem, pelo contrário, estar convencidos de que as vitórias do género humano manifestam a grandeza de Deus e são fruto do seu desígnio inefável» ( ibid.). Em síntese, Deus colocou nas mãos do homem e da mulher uma criação ainda in statu viae, ou seja, a caminho, em crescimento, a fim de que eles a levem à plenitude, mediante a sua sábia actividade.
Aqui, há uma importante evocação do mistério da Encarnação. A humanidade - e com ela o trabalho, o progresso e a autonomia das realidades criadas - não é absorvida nem anulada pelo encontro com Deus, mas sim acolhida na sua integralidade, continuando a ser, em Cristo, livre e activa: com efeito, é n’Ele que ela encontra a plena verdade e liberdade. Além disso, na celebração eucarística, o fruto da labuta humana, representado pelo pão e o vinho, é colocado, todos os dias, sobre o altar, para ser transformado no Corpo e Sangue de Cristo.
Desta perspectiva surge uma verdade importante: para encontrar Deus, o ser humano não deve abandonar as ocupações terrenas, mas pode viver plenamente a sua vocação, desempenhando bem o trabalho diário e santificando-o. Os cristãos estão envolvidos, como todos, na edificação da cidade dos homens, tendo em vista a finalidade de todas as coisas e o encontro com Deus, e recordando este fim último àqueles com quem partilham a aventura do progresso, da ciência e da vida.
Certamente, o progresso terreno deve distinguir-se bem do desenvolvimento do reino de Cristo; no entanto, o Concílio afirma que «o progresso [...] na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao reino de Deus. Todos estes valores [...] fruto da natureza e do nosso trabalho, depois de os termos difundido na terra, no Espírito do Senhor e segundo o seu mandamento, voltaremos de novo a encontrá-los, mas então purificados de qualquer mancha, iluminados e transfigurados» (n. 39).
Para concluir, recordemos que, para se tornar autêntico desenvolvimento humano - isto é, de todo o homem e de todos os homens - o progresso, técnico e científico, deve ser animado e orientado pela caridade. Só assim poderá ser colocado sempre em defesa da dignidade do homem e promover as condições de vida de todos, especialmente dos mais desfavorecidos.
Caros irmãos e irmãs: o Concílio Vaticano II convida-nos a partilhar o pão do conhecimento e do saber-fazer, a fim de que cada homem e cada povo possa desenvolver as suas potencialidades e juntos possamos construir, com a ajuda de Deus, um porvir melhor. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 24

 

Refrão: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia e do Vosso amor.

 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador:
em vós espero sempre.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Não recordeis as minhas faltas
e os pecados da minha juventude.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.

O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.


SANTOS POPULARES

 


BEATO NICOLAU TUM CASTRO QUIATAN
 
Nicolau Tum Castro Quiatan nasceu em Cholá, Guatemala; nasceu no dia 9 de Abril de 1945. Durante vinte anos, foi catequista e ministro extraordinário da Comunhão. Era um homem tranquilo, afável, honesto e trabalhador, alegre e pronto para enfrentar até as tarefas mais complexas.
Quando ficou cada vez mais claro que a Igreja na Guatemala estava a ser perseguida por causa do compromisso de padres e leigos com os direitos fundamentais dos mais pobres, ele animou os outros membros da sua comunidade para que perseverassem, na fé e na fidelidade a Cristo: "Se não nos deixarem reunir na Igreja, fá-lo-emos nas montanhas, ou nas cavernas, ou à noite em nossas casas. Nestes tempos de perseguição, precisamos do Corpo de Cristo, mais do que nunca, para nos dar força." Todos os membros da comunidade amavam-no e o procuravam-no pelo seu conselho, o seu bom exemplo e a sua dedicação à Igreja.
Como nenhum padre podia vir à sua paróquia, em Chicamán, ele próprio ia a Cobán ou, às vezes, a San Cristóbal Verapaz, para buscar o Pão consagrado, Corpo de Cristo. Escondia, delicadamente, as Hóstias entre as tortilhas, embrulhadas num pano, dentro da mochila que fazia parte do equipamento típico dos agricultores viajantes, ou no saco de milho que carregava com um mecapal (uma alça de couro ou algodão, tradicionalmente usada para carregar cargas aos ombros) até sua aldeia.
Foi denunciado, anonimamente, como uma "pessoa indesejada". Então, no dia 29 de Setembro de 1980, durante a noite (segundo algumas testemunhas, por volta das 23h), alguns indivíduos bateram, com força, na porta da sua casa, na cidade de Los Plátanos. Como ninguém atendeu, arrombaram a porta e entraram na sua humilde residência.
Tentaram levar Nicolau, mas ele agarrou-se, com todas as suas forças, à coluna principal da casa e gritou: "Matem-me aqui, mas não me levem embora!". Ele pressentia que poderiam torturá-lo para que revelasse os nomes de outros catequistas, como já havia acontecido, em casos semelhantes.
Imediatamente, segundo testemunhas oculares, "agarraram-no pelo braço e arrastaram-no para fora de casa, como uma criança". Dispararam sete tiros contra ele, fracturando a sua coluna e quebrando o seu ombro.
Quando os agressores se foram embora, ele ainda estava vivo. Chamou a sua família e, voltando-se para a esposa, pediu que ela cuidasse das crianças. Em seguida, começou a recitar o Pai-Nosso, mas morreu enquanto ainda rezava. Tinha cerca de trinta e cinco anos.
A fama do martírio e da santidade de Nicolau levou à sua inclusão na causa de beatificação e canonização, que incluiu três padres missionários do Sagrado Coração e seis outros leigos da diocese de Quiché, muitos dos quais eram membros da Acção Católica Rural.
Nicolau Tum Castro Quiatan foi beatificado, na Catedral da Santa Cruz, em Santa Cruz del Quiché, no dia 23 de Abril de 2021, em cerimónia presidida pelo Cardeal Álvaro Leonel Ramazzini Imeri, Bispo da Diocese de Huehuetenango, em nome do Papa Francisco.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia.
19 de Setembro