PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… E vós, quem dizeis que eu sou…” (cf. Mateus 16, 15) O Evangelho deste domingo (Mt 16, 13-20) narra um excerto-chave no caminho de Jesus com os seus discípulos: o momento em que Ele quer verificar a que ponto está a fé deles. Primeiro quer saber o que pensa d’Ele o povo; e o povo pensa que Jesus é um profeta, o que é verdade, mas não compreende o cerne da sua Pessoa, não capta o centro da sua missão. Depois, faz aos discípulos a pergunta que deveras lhe está mais a peito, ou seja, questiona-os diretamente: «E vós, quem dizeis que eu sou?» (v. 15). E com aquele «e vós» Jesus separa definitivamente os Apóstolos da multidão, como quem diz: e vós, que andais comigo todos os dias e me conheceis de perto, compreendestes algo mais? O Mestre espera dos seus uma resposta de uma certa envergadura e diversa em relação à da opinião pública. Com efeito, precisamente essa resposta brota do coração de Simão, chamado Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» (v. 16). Dos lábios de Simão Pedro saem palavras maiores do que ele, palavras que não vêm das suas capacidades naturais. Talvez ele não tenha frequentado a escola primária, e é capaz de proferir estas palavras, mais fortes do que ele! Mas são inspiradas pelo Pai celeste (cf. v. 17), o qual revela ao primeiro dos Doze a verdadeira identidade de Jesus: Ele é o Messias, o Filho enviado por Deus para salvar a humanidade. E desta resposta, Jesus compreende que, graças à fé doada pelo Pai, há uma base sólida sobre a qual pode construir a sua comunidade, a sua Igreja. Por isso diz a Simão: «Tu, Simão, és Pedro — ou seja, pedra, rocha — e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (v. 18). Também connosco, hoje, Jesus quer continuar a construir a sua Igreja, esta casa com fundamentos sólidos mas onde não faltam fendas, e que precisa continuamente de ser concertada. Sempre. A Igreja tem sempre necessidade de ser reformada, concertada. Sem dúvida não nos sentimos rochas, mas apenas pequenas pedras. Contudo, nenhuma pequena pedra é inútil, aliás, nas mãos de Jesus a pedra mais pequenina torna-se preciosa, porque Ele a recolhe, a conserva com grande ternura, a trabalha com o seu Espírito, e a coloca no lugar certo, que Ele desde sempre pensou e onde pode ser mais útil para toda a construção. Cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus toma parte na construção da Igreja. E todos nós, por mais pequenos que sejamos, somos transformados em «pedras vivas», porque quando Jesus pega na sua pedra, a faz sua, a torna viva, cheia de vida, cheia de vida do Espírito Santo, cheia de vida do seu amor, e assim temos um lugar e uma missão na Igreja: ela é comunidade de vida, feita de tantíssimas pedras, todas diversas, que formam um único edifício no sinal da fraternidade e da comunhão. Além disso, o Evangelho de hoje recorda-nos que Jesus quis para a sua Igreja também um centro visível de comunhão em Pedro — também ele, não é uma grande pedra, é uma pedra pequenina, mas nas mãos de Jesus torna-se centro de comunhão — em Pedro e em quantos lhe teriam sucedido na mesma responsabilidade primacial, que desde as origens foram identificados nos Bispos de Roma, a cidade onde Pedro e Paulo deram o testemunho do sangue. Recomendemo-nos a Maria, Rainha dos Apóstolos, Mãe da Igreja. Ela estava no cenáculo, ao lado de Pedro, quando o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e os impulsionou a sair, a anunciar a todos que Jesus é o Senhor. Hoje a nossa Mãe nos ampare e nos acompanhe com a sua intercessão, para que realizemos plenamente aquela unidade e comunhão pelas quais Cristo e os Apóstolos rezaram e deram a vida. (Papa Francisco, na Oração do Angelus, no dia 27 de Agosto de 2017, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

domingo, 23 de agosto de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR


- XXI DOMINGO COMUM

 

“…Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus!
Como são insondáveis os seus desígnios
e incompreensíveis os seus caminhos!
Quem conheceu o pensamento do Senhor?
Quem foi o seu conselheiro?
Quem Lhe deu primeiro,
para que tenha de receber retribuição?
D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas.
Glória a Deus para sempre. Amém.
(cf. Romanos 11, 33-36)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 12 de Agosto de 2026
 
Prezados irmãos e irmãs!
 
O sexto capítulo da Constituição Sacrosanctum concilium (SC) do Concílio Vaticano II é dedicado à música sacra. Nele afirma-se: «A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene» (SC, 112) e específica: «A música sacra será [...] tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à acção litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como factor de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas» (ibid.).
Encontramos aqui o núcleo do ensinamento conciliar, que confirma e aprofunda a função ministerial da música na liturgia, já salientada por São Pio X no Motu Próprio Inter sollicitudines (22 de Novembro de 1903). Com efeito, a música faz parte da acção litúrgica e não é mero adorno da celebração. Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e irmãos e com Deus, na participação activa no mistério celebrado. Em particular, a música expressa a dimensão afectiva da oração, como afirma Santo Agostinho: «Cantare amantis est», ou seja, «cantar é próprio de quem ama» (Sermo 336, 1). Isto é muito importante, pois ajuda a abrir o coração à acção de Deus na graça e a deixar-se modelar por ela.
Além disso, o canto favorece a comunhão. Através da sinfonia das vozes, contribui para a união das almas, superando as diferenças entre as pessoas e congregando todos no louvor a Deus. Assim, torna-se epifania da Igreja, manifestação sensível da comunhão que pertence à sua própria natureza.
Do profundo significado teológico do canto sacro, como parte integrante da acção litúrgica, derivam algumas exigências. Uma primeira é que, além das modas ou das sensibilidades particulares dos autores, ele deve corresponder, a todos os níveis, àquilo que é mais apropriado para o momento celebrativo. Além disso, a forma, especialmente no seu aspecto melódico, deve ser nobre e simultaneamente simples, de elevada qualidade musical e facilmente executável, sobretudo quando se destina a ser entoada por toda a assembleia (cf. SC, 121).
Pelo mesmo motivo, o Concílio recomenda que, também, os textos sejam adequados, profundos e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão, inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na Tradição espiritual da Igreja. É necessário velar sobre isto, a fim de que se mantenha viva e cresça a dinâmica expressa no antigo princípio “lex orandi lex credendi”, ou seja, a lei da oração é também lei da fé.
Sacrosanctum concilium dedica amplo espaço ao tema da participação activa dos fiéis (cf. n. 114). Ela «deve ser entendida […] a partir de uma maior consciência do mistério que é celebrado e da sua relação com a vida quotidiana» (Bento XVI, Exort. ap. Sacramentum caritatis, 52), em «espírito de constante conversão que deve caracterizar a vida de todos os fiéis» (ibid., 55). Além disso, quanto ao modo concreto como ela se pode realizar, através do papel específico da música sacra, a Constituição oferece uma resposta clara: «Promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos» e «um silêncio sagrado» (SC, 30), exortando cada um, ministro ou fiel, a fazer «tudo e só o que é da sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas» (SC, 28), no equilíbrio harmonioso entre os diferentes ministérios, as várias intervenções e os momentos de silêncio.
Depois, o Concílio atribui grande valor ao canto gregoriano, mas sem excluir da celebração outros tipos de música sacra. Uma atenção especial é dedicada inclusive ao órgão (cf. SC, 120), enquanto é admitida a utilização de outros instrumentos, «contanto que esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis» (SC, 120).
Um tema caro à reforma conciliar é o da inculturação, também no campo da música sacra. Salienta-se, em particular, no que se refere às tradições musicais das diferentes culturas, a importância de as ter seriamente em consideração, como parte da vida religiosa e social das pessoas. Por isso, recomenda-se, por um lado, que se implemente em todos uma adequada «educação do sentido religioso» (SC, 119) e, por outro, «na medida do possível», que se promova «a música tradicional desses povos nas escolas e nas acções sagradas» (ibid.).
No contexto litúrgico, uma tarefa especial é reconhecida à schola cantorum, instrumento pastoral cuja promoção é recomendada, com a função de «assegurar a justa interpretação das partes que lhe pertencem, conforme os distintos géneros de canto, e promover a participação aciva dos fiéis no canto» (Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução Musicam sacram, 19).
Para tal finalidade, o compositor de música sacra é chamado a conhecer e a preservar o acervo musical da Igreja, deixando-se inspirar por ele para dar vida a novas composições ao serviço da liturgia, no respeito pela sensibilidade contemporânea e pelas diferentes tradições culturais, de maneira a «purificar o culto de dispersões de estilos, de formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco conformes com a grandeza do acto que se celebra, para assegurar dignidade e singeleza de formas à música litúrgica» (São João Paulo II, Quirógrafo sobre a música sacra, 22 de Novembro de 2003, 3).
Por todas estas razões, os Padres conciliares recomendam que se promova a formação e a prática da música sacra, «nos seminários, noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos, bem como noutros institutos e escolas católicas» (SC, 115), e que aos músicos e cantores se assegure uma sólida formação litúrgica (cf. ibid.).
Caros irmãos e irmãs, os Padres da Igreja atribuíram grande importância ao canto litúrgico, símbolo da comunhão eclesial. Por isso, podemos concluir com estas bonitas expressões de Santo Inácio de Antioquia: «Vós, um por um, tornai-vos um coro a fim de que, harmoniosos no acorde e assumindo a tonalidade de Deus na unidade, canteis em uníssono por meio de Jesus Cristo ao Pai, para que vos ouça e, pelas boas obras que realizais, reconheça que sois membros do seu Filho» (Carta aos Efésios, 4, 2).  (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 137

Refrão: Por vossa misericórdia, não nos abandoneis, Senhor.

 

De todo o coração, senhor, eu Vos dou graças
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.

O Senhor é excelso e olha para o humilde,
ao soberbo conhece-o de longe.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.


SANTOS POPULARES

 


BEATO LUÍS DA CONSOLATA (da Consoladora)
 
André Bordino nasceu em Castellinaldo, na província de Cuneo e diocese de Alba, Itália, no dia 12 de Agosto de 1922. Aos sete anos, recebeu a Primeira Comunhão e, aos 13, o Crisma. Após concluir o ensino básico, ajudou o pai a trabalhar nas vinhas de Langhe. Atlético e exuberante, passou a adolescência entre a paróquia e o trabalho. A sua formação cristã fez-se pelo contacto de amizade com o padre coadjutor (vigário paroquial/ padre auxiliar) da Paróquia de Castellinaldo, que, reconhecendo os seus excelentes talentos e a sua prestabilidade, nomeou-o presidente da Acção Católica da paróquia, aos 19 anos.
Em Janeiro de 1942, com 20 anos, foi convocado para o serviço militar, na artilharia alpina do Regimento Cuneense, tendo, por isso, sido apanhado na imprudência da Segunda Guerra Mundial. Ele e o seu irmão foram forçados a partir para a infame "Campanha Russa", onde, além dos perigos e sofrimentos devido à inadequação das tropas italianas ao clima gélido da Rússia, sofreu também a humilhação do cativeiro. Um ano após a sua chegada, os dois irmãos foram feitos prisioneiros em Valuiki, e os seus caminhos separaram-se.
André Bordino foi enviado para a Sibéria, para o infame "Campo 99". Reduzido a um mero invólucro humano, no meio de tamanha desesperança - que resultou na morte de dezenas de milhares de soldados alpinos - fez o que pôde para proporcionar conforto discreto, humano e cristão aos moribundos, aos que sofriam e aos sobreviventes.
Continuou este trabalho de caridade mesmo quando foi transferido para o Uzbequistão, entre os pacientes terminais, que foram isolados em quartéis por estarem infectados. Durante dois anos, recusou qualquer vantagem pessoal, confortado pela presença do seu irmão, recém-encontrado, também prisioneiro e a trabalhar nas cozinhas.
Com o fim da guerra, os dois irmãos regressaram a Itália, em Outubro de 1945. As terríveis experiências e a visão da morte de tantos jovens compatriotas marcaram, para sempre, André Bordino. Uma vez libertado e com as forças recuperadas, decidiu dedicar-se aos que sofriam com a doença e o sofrimento. Uma vocação para a caridade floresceu no seu coração.
No dia 23 de Julho de 1946, bateu à porta da "Pequena Casa da Divina Providência", chamada ‘o Cottolengo´, em Turim, com a intenção de se entregar aos outros como leigo consagrado. [o termo Cotolengo refere-se a instituições de caridade e saúde, dedicadas a acolher pessoas com deficiências múltiplas, doenças graves ou em situação de abandono, inspiradas no legado de São José Benedito Cottolengo e de São Luís Orione]
Em 23 de Julho de 1947, iniciou o seu noviciado e, em 1948, fez a sua profissão religiosa entre os Irmãos de São José Cottolengo, ou "Irmãos Cottolenghini", dedicando-se ao cuidado e assistência dos muitos pacientes do Instituto, fundado em 1832 por São José Benedito Cottolengo, que sofriam de uma grande variedade de doenças, deformidades e deficiências físicas e mentais. Neste momento, adoptou o nome ‘Irmão Luís da Consolata’.
Entre 1950-51, concluiu, com sucesso, um curso de enfermagem e começou a trabalhar nos departamentos de ortopedia e cirurgia, do Instituto Cottolengo. Enfermeiro e anestesista excepcionalmente habilidoso, foi pioneiro entre os dadores de sangue, compartilhando, com alegria, o seu tempo com os sofredores e desafortunados que constantemente o cercavam.
À noite, dedicava-se aos pobres que vinham da cidade e arredores, lavando e tratando feridas de todos os tipos, pois nelas, especialmente nas mais graves, via o sofrimento de Jesus. De 1959 a 1967, os seus companheiros da Ordem e o Cardeal Pellegrino, Arcebispo de Turim, conferiram-lhe cargos de responsabilidade entre os 'Irmãos Cottolenghini' e na administração do próprio 'Cottolengo'.
Em Junho de 1975, sentindo-se indisposto, foi submetido a exames que diagnosticaram leucemia mieloide, doença que conhecia muito bem e cujo desfecho era fatal.
O Irmão Luís, sem desespero, louvou a Providência com a oração de Cottolengo "Deo gratias". Durante dois anos, suportou a sua dolorosa enfermidade como se fosse a de outra pessoa, até que faleceu no dia 25 de Agosto de 1977. Num gesto de verdadeira caridade, ofereceu as suas córneas a dois cegos: eram os únicos órgãos do seu corpo que permaneceram saudáveis.
O Irmão Luís da Consolata veio do frio da Sibéria e dedicou os seus 55 anos de vida a aliviar o sofrimento alheio, especialmente o dos mais vulneráveis, no espírito da caridade de Cristo.
Foi beatificado, no dia 2 de Maio de 2015, em Turim, Itália. A cerimónia de beatificação foi presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em representação do Papa Francisco.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 25 de Agosto.

sábado, 15 de agosto de 2026

EM DESTAQUE:



*SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA
 
A Igreja celebra, no dia 15 de Agosto, a Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria. O Papa Pio XII, no dia 1 de Novembro de 1950, definiu o dogma da Assunção de Maria, através  da Constituição Apostólica ‘Munificentissimus Deus’, proclamando que “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta, em corpo e alma, à glória celestial”.
Assim, o dogma da Assunção refere a que a Mãe de Deus, no termo da sua vida terrena, foi elevada ao Céu, em corpo e alma, participando da glória de Jesus ressuscitado.
Na celebração desta solenidade, em 2010, o Papa Bento XVI destacou a importância desta data. “Nesta solenidade da Assunção, contemplamos Maria: Ela enche-nos de esperança num futuro repleto de alegria e ensina-nos o caminho para alcançá-lo: acolher, na fé, o Seu Filho; nunca perder a amizade com Ele, deixando-nos iluminar e guiar pela Sua Palavra; segui-lo, cada dia, inclusive naqueles momentos nos quais sentimos que as nossas cruzes ficam mais pesadas.
Maria, a arca da Aliança que habita no santuário do céu, indica-nos, com claridade luminosa, que estamos a caminho à nossa verdadeira Casa, a comunhão da alegria e da paz com Deus”.
O Catecismo da Igreja Católica explica que “a Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos”
A importância da assunção para os homens e as mulheres do começo do terceiro milênio da era cristã reside na relação que existe entre a Ressurreição de Cristo e nossa. A presença de Maria, ser humano como nós, que se encontra em corpo e alma já glorificada no Céu, é isso: uma antecipação da nossa própria ressurreição.
O Papa João Paulo II, numa das suas catequeses sobre a assunção, explicou isto nos seguintes termos: “O dogma da Assunção, afirma que o corpo de Maria foi glorificado depois da sua morte. Com efeito, enquanto para os demais homens a ressurreição dos corpos ocorrerá no fim do mundo, para Maria a glorificação do seu corpo antecipou-se por singular privilégio”.
“Contemplando o mistério da Assunção da Virgem, é possível compreender o plano da Providência Divina com respeito a humanidade: depois de Cristo, Verbo Encarnado, Maria é a primeira criatura humana que realizou o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade prometida aos eleitos mediante a ressurreição dos corpos”, declarou São João Paulo II, na audiência-geral de 9 de Julho de 1997.
Ao celebrar esta solenidade, em 1997, o Papa João Paulo II indicou: “Maria Santíssima mostra-nos o destino final dos que ‘escutam a Palavra de Deus e a cumprem’ (Lc 11,28). Estimula-nos a elevar o nosso olhar para as alturas onde se encontra Cristo, sentado à direita do Pai, e onde, também, está a humilde escrava de Nazaré, já na glória celestial”. (cf. Acidigital)

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XX DOMINGO COMUM

 

“…Eis o que diz o Senhor:
«Respeitai o direito, praticai a justiça,
porque a minha salvação está perto
e a minha justiça não tardará a manifestar-se.
Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor
para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos,
se guardarem o sábado, sem o profanarem,
se forem fiéis à minha aliança,
hei-de conduzi-los ao meu santo nome,
hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração.
Os seus holocaustos e os seus sacrifícios
serão aceites no meu altar,
porque a minha casa
será chamada casa de oração para todos os povos»…
(cf. Isaías 56, 1.6-7)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 12 de Agosto de 2026
 
Estimados irmãos e irmãs!
O quinto capítulo da Constituição conciliar Sacrosanctum concilium (SC) é dedicado ao ano litúrgico, tema sobre o qual, hoje, queremos meditar, para explicar o seu valor, na vida de cada crente.
Em primeiro lugar, convém recordar que esta forma de definir o ciclo das festas cristãs como “ano litúrgico” se difundiu, na linguagem eclesial, graças à obra do Servo de Deus, o abade Prosper Guéranger (1805-1875).
Na Encíclica Mediator Dei, o Papa Pio XII afirma que não se trata de «uma fria e inerte representação de acontecimentos que pertencem ao passado, nem de uma simples […] evocação de realidades de outros tempos. [O ano litúrgico] é, antes, o próprio Cristo, que vive sempre na sua Igreja e que prossegue o caminho de imensa misericórdia por Ele iniciado […] nesta vida mortal […] com a finalidade de colocar as almas humanas em contacto com os seus mistérios e fazê-las viver por eles, mistérios que estão perenemente presentes e operantes» (III Divinum Officium et Annus Liturgicus, II Cyclus Mysteriorum). Por conseguinte, o ano litúrgico deve ser entendido como uma actualização constante da obra da salvação, que Cristo realiza na história. Percorrendo este ciclo temporal, a Igreja permanece em contacto com a acção redentora do Senhor, de tal modo que todos os fiéis fiquem repletos da sua graça (cf. SC, 102c). O encontro com Jesus, morto e ressuscitado por nós, é a finalidade que a Igreja sempre persegue, colocando no centro de cada momento a celebração do evento pascal.
Por isso, os Padres conciliares consideram precisamente o domingo, «o principal dia de festa», como «o fundamento e o centro de todo o ano litúrgico» (cf. SC, 106). Em várias línguas modernas, o seu nome atesta que é o “dies Domini”, “o dia do Senhor”. Até nas línguas em que prevaleceu a referência ao “dia do sol” (Sunday, Sonntag) se entrevê o vínculo com Cristo: Cristo é o verdadeiro “sol de justiça” que ilumina cada homem!
Na Carta apostólica Dies Domini (31 de Maio de 1998), São João Paulo II ensina que o domingo é dia do Senhor, dia da Igreja, dia do homem e, em síntese, “dia dos dias”: «Sendo o domingo a Páscoa semanal que evoca e torna presente o dia em que Cristo ressuscitou dos mortos, ele é, também, o dia que revela o sentido do tempo. […] Nascendo da Ressurreição, ele sulca os tempos do homem, os meses, os anos, os séculos como uma seta lançada que os atravessa, orientando-os para a meta da segunda vinda de Cristo. O domingo prefigura o dia final, o da Parusia» (n. 75), quando todos nós ressuscitaremos.
Para santificar o domingo, é fundamental celebrar a Eucaristia. A escuta da Palavra e a participação no Corpo de Cristo implicam, segundo os Padres conciliares, o convenire in unum (cf. SC, 106), ou seja, a convocação festiva dos fiéis. Nesta assembleia, a comunidade cristã torna visível a sua comunhão com o Senhor, testemunhando a sua pertença a Cristo e a sua fidelidade à Igreja. Esta assembleia não é substituível por uma simples presença virtual, nem se reduz a uma reunião meramente passiva. Com efeito, a assembleia litúrgica concretiza-se na participação activa de irmãos e irmãs, convocados em conjunto para «dar graças a Deus, que os “regenerou para uma esperança viva, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos” (1 Pd 1, 3)» (ibid.).
A este propósito, exorto todos a procurar as melhores condições a fim de que possam participar na Santa Missa, também, quantos, aos domingos, não têm a possibilidade de se ausentar do trabalho.
Caríssimos: o ano litúrgico, ritmado pelos domingos, tem uma história interessante, na qual se entrelaçam a fé e a devoção da Igreja. Com efeito, a partir do século II d.C., à celebração da Páscoa semanal acrescentou-se a da Páscoa anual, «a maior solenidade» (SC, 102), estendida ao “jubiloso período” de cinquenta dias, que culminam no Pentecostes, e preparada pelo tempo de Quaresma com a sua índole penitencial (cf. SC, 109). O desenvolvimento do ciclo natalício, ocorrido sucessivamente segundo o modelo do ciclo pascal, permitiu reviver os mistérios da encarnação do Verbo de Deus, do seu nascimento e da sua manifestação ao mundo. Depois, a Igreja inseriu nos vários tempos a veneração da Bem-Aventurada Virgem Maria, «indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho» (SC, 103) e «a memória dos Mártires e de outros Santos que […] hoje entoam a Deus no céu o louvor perfeito e intercedem por nós» (SC, 104).
Assim, o ano litúrgico repropõe, de modo sacramental, a pedagogia da história da salvação, conduzindo os fiéis, desde a espera do Messias, até à plenitude do mistério pascal e à antecipação da glória futura. Nele, a Igreja celebra a actualidade salvífica do mistério de Cristo, permitindo que os crentes participem nele, cada vez mais profundamente. Por isso, o ano litúrgico constitui o princípio inspirador e o quadro de referência essencial de cada acção pastoral. (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 66

Refrão: Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,
resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.
Na terra se conhecerão os vossos caminhos
e entre os povos a vossa salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,
porque julgais os povos com justiça
e governais as nações

sobre a terra.

Os povos Vos louvem, ó Deus,
todos os povos Vos louvem.
Deus nos dê a sua bênção
e chegue o seu temor aos confins da terra.


SANTOS POPULARES



SANTA JOANA DA CRUZ
 
Joana Delanou (Jeanne) nasceu em Saumur, às margens do rio Loire, no dia 18 de Junho de 1666. Era a mais nove de doze irmãos. Os seus pais administravam uma modesta loja de retrosaria, perto do Santuário de Nossa Senhora das Argilas [Notre-Dame-des-Ardilliers: Situada nas margens do Loire, esta antiga capela real foi erguida em meados do século XVI, antes de passar por grandes transformações no século XVII, época em que se tornou um dos mais importantes santuários de peregrinação do país. Este santuário real teve origem na descoberta de uma Pietà (Nossa Senhora da Piedade) perto de uma nascente com reputação de possuir propriedades curativas.]
Joana perdeu o pai aos seis anos e, apesar da pouca idade, ajudava a mãe no trabalho para sustentar toda a família. As suas qualidades eram notáveis: habilidosa, activa e incansável, a ponto de manter a loja aberta até mesmo aos domingos e feriados.
Poder-se-ia pensar que o seu sonho fosse apenas expandir e fazer prosperar o seu negócio. Mas, então, aos vinte e sete anos, durante os dias de Pentecostes, recebeu um convite inesperado da idosa e fiel peregrina Francisca Souchet, cuidadora do referido santuário, para se dedicar aos muitos pobres.
Joana manteve uma intimidade mística com a Virgem Maria, seguindo o exemplo do então jovem Luís Maria Grignion de Montfort (São Luís de Monfort) que a encorajou no seu caminho de espiritualidade e de discernimento da vontade de Deus.
Saumur, a sua cidade natal, passava por grandes dificuldades materiais e sociais, desde o século XVII, por causa dos invernos rigorosos e dos prejuízos das colheitas ruins. Estas dificuldades eram ainda mais severas e dramáticas para as mulheres.
Conhecida como uma comerciante prudente e egoísta, Joana, repentinamente, tornou-se "muito generosa na caridade" quando o Espírito Santo, extinguindo "o fogo da sua avareza", a fez compreender que a sua fé ardente também exigia "o fogo da caridade".
Apesar do aumento das suas responsabilidades profissionais, após a morte da sua mãe, Joana começou a cuidar dos pobres, em resposta ao chamamento que sentia vir de Deus.
Começou a visitar aqueles que viviam como animais nos estábulos escavados na encosta, levando-lhes comida e roupas; lavando as suas roupas e, se necessário, doando-lhes as suas próprias, garantindo que esses abrigos precários fossem aquecidos.
Distribuía, generosamente, bens essenciais pelos pedintes da rua, mas, também, começou a acolhê-los na sua própria casa. Em 1700, uma criança foi acolhida na sua casa, seguida por doentes, idosos e indigentes. Mais tarde, equipou três casas - que lhe foram emprestadas e a que chamou "Providência” - para acolher crianças órfãs, meninas abandonadas, mulheres empobrecidas, idosos e desamparados de todos os tipos, assolados pela fome e pelo frio.
Não fazia distinção entre os pobres merecedores e os não merecedores: ajudava a todos. Também sonhava ensinar um ofício aos meninos e às meninas.
Joana Delanoue experimentou, em primeira mão, as humilhações dos pobres, chegando a sair para mendigar, muitas vezes comendo pior do que eles, sem mencionar o seu constante jejum e as suas noites curtas e desconfortáveis. Dedicava-lhes muita atenção, diariamente, mais do que aos seus clientes. Por fim, dedicou-se a eles totalmente, a tempo inteiro. Os pobres começaram a acorrer, pedindo ajuda e protecção.
Em 1704, várias jovens ofereceram-se para a ajudar, criando disponibilidade para abraçar a vida religiosa. Assim, nasceu, inesperadamente, a Congregação de Santa Ana da Providência, com as suas Constituições aprovadas em 1709.
Joana desejava que as suas ‘Irmãs’ compartilhassem a mesma casa que os pobres, comessem como eles, fossem tratadas como eles em tempos de doença e se vestissem com um humilde hábito cinza. Quanto aos pobres, ela sempre soube como cercá-los de ternura, às vezes oferecendo-lhes refeições festivas, e exigia que as suas Irmãs os cumprimentassem com respeito, servindo-os primeiro.
A burguesia da sua aldeia e até mesmo os padres criticavam a sua austeridade "excessiva" e as suas obras de caridade "desordenadas". Mas nada a deteve, nem mesmo o desabamento do seu primeiro abrigo: "Quero viver e morrer com os meus queridos irmãos: os pobres".
A tenacidade e a grande dedicação de Joana Delanoue levaram à fundação do primeiro hospício em Saumur, em 1715. A sua caridade rapidamente se espalhou para além dos limites da cidade e da diocese.
Joana contava com cerca de quarenta auxiliares, todas sob o seu comando, determinadas a seguir o seu exemplo de abnegação, oração e mortificação.
Após a sua morte, em 17 de Agosto de 1736, a fundadora deixou para trás uma dúzia de comunidades, hospícios e até pequenas escolas. O anúncio da sua ecoou por toda a Saumur: "A Santa morreu".
Todos admiravam o seu zelo e o seu trabalho nas inúmeras visitas que recebeu ou fez; mas apenas os seus amigos mais próximos conheciam a sua mortificação e a sua vida de oração e união com Deus, a única e verdadeira fonte da sua caridade.
As Irmãs de Joana Delanoue, como são simplesmente conhecidas hoje, somavam aproximadamente 400 freiras em França, em Madagáscar e na Sumatra.
Joana da Cruz, o seu nome de religiosa, foi beatificada, no dia 5 de Novembro de 1947 pelo Papa Pio XII e canonizada, no dia 31 de Outubro de 1982, pelo Papa João Paulo II, que declarou na ocasião: " … Ao proclamarmos a santidade de Joana Delanoue, é importante tentar compreender o segredo espiritual da sua devoção incomparável. Não parece que o seu temperamento a tenha impulsionado em direcção aos pobres por sentimentalismo ou piedade. Mas o Espírito Santo a fez ver Cristo nessas pessoas pobres; o Menino Jesus nos seus filhos — ela tinha por Ele uma devoção particular. Em todos via a presença de Cristo, o Amigo dos pobres, o próprio Cristo humilhado e crucificado. E com Cristo, ela queria mostrar aos pobres a ternura do Pai. Ela voltou-se para esse Deus com a ousadia de uma criança, esperando tudo Dele, da Sua Providência, o nome que designaria as suas casas e a sua fundação original: a Congregação de Santa Ana da Providência. A sua constante devoção a Maria era inseparável da Santíssima Trindade. O mistério eucarístico também estava no centro da sua vida. O seu amor à Igreja impedia-a de trilhar novos caminhos sem consultar os seus confessores e o bispo da Diocese.
Joana Delanoue aprendeu não só o heroísmo das virtudes evangélicas, as do Sermão da Montanha, mas também uma profunda contemplação das Pessoas divinas, com sinais místicos da união suprema com Deus, pelo caminho de união, ardendo de amor por Jesus, o seu Esposo. É precisamente daí que a loucura da sua caridade, a ousadia das suas iniciativas, extrai a sua inspiração e a sua plenitude….”
A memória litúrgica de Santa Joana da Cruz é celebrada no dia 17 de Agosto.

sábado, 25 de julho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XVII DOMINGO COMUM

 

“…O Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite e disse-lhe:
“Pede o que quiseres”.
Salomão respondeu:
“Senhor, meu Deus,
Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David
e eu sou muito novo e não sei como proceder.
Este vosso servo está no meio do povo escolhido,
um povo imenso, inumerável,
que não se pode contar nem calcular.
Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente,
para saber distinguir o bem do mal;
pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?”
Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe:
“Porque foi este o teu pedido,
e já que não pediste longa vida, nem riqueza,
nem a morte dos teus inimigos,
mas sabedoria para praticar a justiça,
vou satisfazer o teu desejo.
Dou-te um coração sábio e esclarecido,
como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti”…
(cf. 1 Reis 3, 5.7-12)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na Praça da Liberdade, Castel Gandolfo, no dia 19 de Julho de 2026

Queridos irmãos e irmãs!

 

Após a parábola do semeador, Jesus continua a falar às multidões por meio de algumas imagens: o joio e o trigo, o grão de mostarda e o fermento na farinha (cf. Mt 13, 24-43).

Trata-se de três pequenas parábolas que pretendem evocar a chegada do Reino de Deus na história, a sua acção na vida dos homens, a maneira como cresce, se expande e transforma o mundo, a partir de dentro. Com esses relatos, Jesus adverte-nos contra a tentação de pensar em Deus como uma figura poderosa, que se impõe pela força; que ocupa o espaço para dominar; que chega de forma triunfante. Pelo contrário, Deus prefere a pequenez, sinal de seu amor discreto. Ele deixa-nos livres para acolhê-lo ou rejeitá-lo; procura abrir caminho, mesmo no meio do joio, e age de forma oculta e invisível, como a menor de todas as sementes, fermentando a massa sem fazer barulho.

Irmãos e irmãs, com essas parábolas, Jesus diz-nos algo importante sobre o modo como Deus opera na nossa vida e na história. Às vezes, esperamos algo espectacular: desejamos um Deus que intervenha do alto, arrancando imediatamente o joio, que é o mal. Imaginamos um Deus forte e poderoso e, infelizmente, também adequamos a nossa maneira de ser cristãos e de ser Igreja a essa imagem. Em vez disso, o Reino de Deus difunde-se, também, no meio do joio e pede-nos um olhar capaz de reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal, sem que julguemos tudo apressadamente. Ele vem como a menor das sementes e exige, portanto, a paciência de saber acompanhar os processos, reconhecendo-o na simplicidade do quotidiano e na singeleza da vida comum. Cresce invisivelmente, como o fermento na farinha, e, assim, liberta-nos do desânimo, convidando-nos a ter confiança, ainda que nos pareça que Deus está ausente. Pois, na verdade, Ele acompanha-nos continuamente e o seu amor está sempre a agir em nosso favor.

Esse estilo de Deus deve tornar-se, também, o modelo segundo o qual vivemos a realidade que nos rodeia, tanto como indivíduos quanto como Igreja. Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adoptarmos precipitadamente uma postura de oposição, marcada por julgamentos arrogantes, sem nos impormos pelo poder e pela força e sem perdermos a confiança na obra de Deus. Trata-se – dizia o então cardeal Ratzinger – de nos submetermos à lógica da semente, que não é a do sucesso e da grandeza, mas que nos pede para nos tornarmos pequenos e servirmos à vida das pessoas (cf. Discurso no Congresso dos Catequistas e dos Professores de Religião, 10 de Dezembro de 2000). Assim, nós mesmos nos tornaremos como uma pequena semente do Evangelho que brota e como um fermento de amor que transforma a massa do mundo.

Oremos a Maria Santíssima, que soube acolher a semente da Palavra em sua humildade, para que Ela nos sustente em nosso caminho e interceda por nós. (cf. Santa Sé)


PARA REZAR

 

- SALMO 118

 


Refrão: Quanto amo, Senhor, a Vossa Lei!

 

Senhor, eu disse: A minha herança
é cumprir as vossas palavras.
Para mim vale mais a lei da vossa boca
do que milhões em ouro e prata.

Console-me a vossa bondade,
segundo a promessa feita ao vosso servo.
Desçam sobre mim as vossas misericórdias e viverei,
porque a vossa lei faz as minhas delícias.

Por isso, eu amo os vossos mandamentos,
mais que o ouro, o ouro mais fino.
Por isso, eu sigo todos os vossos preceitos
e detesto todo o caminho da mentira.

São admiráveis as vossas ordens,
por isso, a minha alma as observa.
A manifestação das vossas palavras ilumina
e dá inteligência aos simples.


SANTOS POPULARES

 


SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO (recordando)
 
Afonso Maria de Ligório nasceu em Marianella, perto de Nápoles, Itália, no dia 27 de Setembro de 1696. Era filho de uma das mais antigas e nobres famílias de Nápoles: o seu pai, José de Ligório, era Capitão da Marinha Real; a sua mãe, Ana Cavalieri era uma católica muito fervorosa. Ainda pequeno, recebeu do Santo Francisco de Jerónimo, da Companhia de Jesus, a seguinte profecia: "Esta criança, não morrerá antes dos 90 anos. Será bispo e realizará maravilhas na Igreja de Deus".
O seu pai encaminhou-o para o estudo das artes liberais, das ciências exactas e das disciplinas jurídicas, conseguindo rápidos e surpreendentes progressos. Aos dezasseis anos, doutorou-se em direito civil e eclesiástico e começou o seu trabalho no tribunal. O seu pai já tinha preparado uma noiva, rica e nobre, para o filho, mas no coração de Afonso, só havia lugar para a vida religiosa.
Como advogado de renome, recebeu uma causa de grande importância do Duque Orsini contra o grão-duque de Toscana. Meticulosamente, estudou o processo, reviu os autos, conferiu documentos. Fez uma brilhante defesa no tribunal. A vitória parecia mais que garantida, quando o contra-atacante lhe chamou a atenção para uma pequena falha que lhe passara despercebida. Afonso reconheceu que se enganara e exclamou: "Ó mundo falaz, agora eu te conheço! Adeus tribunais!". Esse acontecimento determinou a reviravolta mais profunda da sua vida.
Afonso Maria de Ligório, jovem e brilhante advogado, abandonou definitivamente a advocacia para dedicar-se às causas evangélicas. Completou os estudos de teologia e foi ordenado sacerdote, aos trinta anos, no dia 21 de Dezembro de 1726. Esta mudança custou-lhe muitas desavenças com o pai, que não podia conformar-se com a escolha feita pelo filho, renunciando aos títulos de nobreza e à rica herança da família.
Desde então, Afonso colocou os seus conhecimentos de oratória ao serviço de Cristo; dedicou-se, sobretudo, à pregação, com o lema: "Deus enviou-me a evangelizar os pobres". Procurava, de preferência, os pobres e as crianças abandonadas pelas ruas de Nápoles. Passou a morar no Hospício dos Padres Chineses e pensou seriamente em ir para as missões pagãs.
Entretanto, os planos de Deus terminaram por conduzi-lo a um convento de irmãs, em Scala, perto de Amalfi, para onde foi por ter adoecido, e necessitar de repouso. Nesse convento, a Irmã Maria Celeste Crostarosa revelou a visão que tivera, no dia 3 de Outubro de 1731: "Afonso estava designado por Deus para fundar uma Congregação".
Começou, então, o duelo entre Deus e a humildade do Padre Afonso. A luta foi um verdadeiro martírio para ele. A ‘santa’ Irmã chegou mesmo a intimá-lo: "Padre Afonso, Deus não o quer em Nápoles; chama-o para fundar um novo Instituto".
Teve de enfrentar tremenda oposição do pai, que recriminava ao filho. Mas a graça venceu, e a 9 de Novembro de 1732 fundou em Scala, a Congregação dos Padres Redentoristas, que no começo tinha o nome de Instituto do Santíssimo Salvador. Os primeiros companheiros de Afonso eram todos sacerdotes, e logo começaram a dedicar-se à pregação.
Não tardou a aparecer desunião, entre os sacerdotes. Uns, queriam que o Instituto, além da pregação, se dedicasse, também, ao ensino. Afonso insistiu na exclusividade da pregação aos pobres, nas regiões de gente abandonada, na forma de missões e retiros. Venceu o seu ponto de vista.
Em 1749 o Papa Bento XIV aprovou as Regras do Instituto, que tinha por fim a imitação de Jesus Cristo e a pregação de missões e retiros, de preferência à classe mais abandonada.
À frente dos seus ‘Irmãos’ percorreu cidades e vilas do Sul da Itália, convertendo pecadores, reformando costumes, santificando as famílias. Mais do que a sua palavra, pregava o seu exemplo de virtude, de penitência e de caridade. As cidades disputavam o Padre Afonso como pregador.
Um dia, chegou ao seu conhecimento, que o queriam nomear Arcebispo de Palermo. Pediu orações para que se evitasse "o grande escândalo" desta nomeação. Mas, em 1762, o Papa Clemente XIII impunha-lhe a mitra de Santa Águeda dos Godos. "Vontade do Papa é a vontade de Deus", disse Afonso.
Durante 13 anos, pastoreou a sua diocese; reformou-lhe o clero, os costumes e as Igrejas. Mudou a vida religiosa, nos mosteiros e conventos. Os diocesanos viram que tinham um santo por bispo, quando Afonso vendeu as alfaias, os móveis do seu pobre palácio, o seu anel de bispo, para acudir aos necessitados. Em 1775, a seu pedido, o Papa Pio VI libertou-o do bispado. O santo patriarca voltou pobre para o seu convento. Afonso teve o desgosto de ver a cisão no seu Instituto e, por desavenças, foi até excluído da Congregação que fundara.
Afonso Maria de Ligório foi um prodigioso escritor. Nos seus últimos doze anos de vida, dedicou-se à literatura, enriquecendo a colecção de obras ascéticas e teológicas. Deixou para os sacerdotes a sua célebre Teologia Moral. Para o povo cristão deixou livros cheios de verdadeira e ungida piedade, tais como as "Meditações sobre a Paixão do Salvador", "Glórias de Maria", "Visitas ao Santíssimo Sacramento" e "Tratado sobre a oração".
Foi historiador, pregador, poeta e exímio musicista. A devoção popular deve muito às canções por ele escritas e musicadas. Até hoje, no tempo de Natal, é comum escutar o seu "Tu Scendi dalle Stelle" - "Tu desces das estrelas".
O Bispo Afonso Maria de Ligório morreu, com 91 anos, no dia 1 de Agosto de 1787, no Convento de Pagani, na Itália.
Foi beatificado pelo Papa Pio VII, no dia 15 de Setembro de 1816 e canonizado, no dia 26 de Maio de 1839, pelo Papa Gregório XVI. Foi proclamado ‘Doutor da Igreja’, pelo Papa Pio IX, em 1871. E, em 1950, o Papa Pio XII proclamou-o "Padroeiro celestial de todos os confessores e moralistas".
A memória litúrgica de Santo Afonso Maria de Ligório é celebrada no dia 1 de Agosto.
 
 

sábado, 18 de julho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XVI DOMINGO COMUM

 

“…Não há Deus, além de Vós,
que tenha cuidado de todas as coisas;
a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente.
O vosso poder é o princípio da justiça
e o vosso domínio soberano
torna-Vos indulgente para com todos.
Mostrais a vossa força
aos que não acreditam na vossa omnipotência
e confundis a audácia daqueles que a conhecem.
Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade
e governais-nos com muita indulgência,
porque sempre podeis usar da força quando quiserdes.
Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo
que o justo deve ser humano
e aos vossos filhos destes a esperança feliz
de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento…
(cf. Sabedoria  12,13.16-19)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na Praça da Liberdade, Castel Gandolfo, no dia 12 de Julho de 2026
 
Queridos irmãos e irmãs, boa tarde e bom domingo!
 
Na liturgia de hoje, o evangelista Mateus apresenta-nos a parábola do semeador (cf. Mt 13, 1-23), que descreve a generosidade e a confiança com que Deus espalha a sua Palavra no nosso coração e o seu poder em nós.
O próprio Jesus, o Verbo que se fez homem, que deu a sua vida pela nossa salvação, é a semente que o Pai continua a espalhar pelo mundo para que, ao morrer, dê muito fruto (cf. Jo 12, 24). É verdade que Ele, às vezes, encontra em nós um terreno duro e insensível; outras vezes, distraído, semelhante ao solo batido dos caminhos, ao terreno pedregoso ou aos arbustos espinhosos; mas há momentos em que encontra uma terra receptiva e fértil, e então desencadeiam-se milagres de amor capazes de mudar tudo, como também nós certamente já experimentámos na nossa vida. Por isso, o Pai não desiste de semear, porque sabe que o poder do seu amor é mais forte do que a nossa fraqueza (cf. 2 Cor 12, 9-10).
É o que afirma São João Crisóstomo, referindo-se à “semente” da Palavra de Deus: «Como pode ser razoável semear entre espinhos, em terreno pedregoso, à beira do caminho? No caso das sementes e da terra, isso não seria razoável, mas no caso das almas e dos ensinamentos, isso é muito louvável» (Homilias sobre o Evangelho de Mateus, 44, 3). Na verdade, é possível que, nas mãos de Deus, «o terreno pedregoso se transforme, tornando-se terra fértil; que o caminho deixe de ser pisado e de estar exposto a todos os transeuntes, passando a ser solo fértil; que os espinhos sejam eliminados e as sementes desfrutem de uma situação de grande segurança» (ibid.).
A generosidade de Deus para conosco não é ingénua, mas sábia, e sabe aproveitar em nós a possibilidade de um bem do qual, por vezes, nem sequer nos apercebemos. Por isso, o Senhor, que conhece o terreno do nosso coração melhor do que nós próprios, não deixa de acreditar em nós: naquilo que somos e naquilo em que nos podemos tornar, dia após dia, se nos entregarmos a Ele com fé.
Assim, a partir da gratuidade e confiança com que a semente é lançada e da humildade e disponibilidade com que é recebida, crescem em nós e difundem-se, como ensina São Paulo, os frutos do Espírito Santo: «amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio» (Gl 5, 22-23). Como o nosso mundo precisa destes frutos e de ser preenchido e transformado por eles!
Com efeito, especialmente nestes dias de férias, empenhemo-nos em dedicar tempo à escuta, à leitura e à meditação da Palavra de Deus, cultivando, a par do descanso e da diversão saudável, momentos significativos de silêncio e oração. Retornaremos às nossas ocupações habituais renovados no corpo e no espírito, prontos para anunciar a Boa Nova do Evangelho e cada vez mais capazes de cooperar no crescimento do Reino de Deus. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


 

- SALMO 85

Refrão: Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.

 

Vós, Senhor, sois bom e indulgente,
cheio de misericórdia para com todos os que Vos invocam.
Ouvi, Senhor, a minha oração,
atendei a voz da minha súplica.

Todos os povos que criastes virão adorar-vos, Senhor,
e glorificar o vosso nome,
porque Vós sois grande e operais maravilhas,
Vós sois o único Deus.

Senhor, sois um Deus bondoso e compassivo,
paciente e cheio de misericórdia e fidelidade.
Voltai para mim os vossos olhos
e tende piedade de mim.


SANTOS POPULARES

 


SANTA LÍDIA

 

Lídia nasceu na Rússia, no dia 20 de Março de 1901. O seu pai era sacerdote, da Igreja Ortodoxa, na cidade de Ufa. Lídia, desde muito jovem, destacou-se pela sua sensibilidade, ternura amorosa e aversão ao mal, qualidades que lhe renderam o amor universal.

Depois de concluir o ensino médio, aos dezanove anos, casou-se, mas, pouco tempo depois, perdeu o marido, durante a Guerra Civil.

Em 1922, contra a sua vontade, o seu pai, aderiu ao cisma da "Igreja Viva", organizado pelos bolcheviques. A jovem viúva ansiava pelo martírio, na Igreja das Catacumbas. Prostrou-se aos pés do pai e implorou: "Pai, dê-me a sua bênção para ir-me embora; para sair daqui, para que a minha salvação não seja impedida".

O sacerdote, já idoso, tinha consciência de que estava a pecar por pertencer à "Igreja Viva". Assim, em lágrimas, ele abençoou-a para que vivesse de forma independente, dizendo-lhe profeticamente: "Minha filha, quando conquistares a tua coroa, diz ao Senhor que, embora me tenha mostrado fraco demais para a batalha, não a impedi. Que tu sejas abençoada."

Lídia conseguiu emprego como escriturária no departamento florestal. Dessa forma, entrou em contacto com o povo russo simples, a quem amava profundamente. E o povo simples amava-a e respeitava-a muito. Os lenhadores e os motoristas, que trabalhavam em condições difíceis, contavam, com espanto, que, ao encontrarem Lídia no escritório, sentiam algo semelhante ao que sentiam quando iam venerar a imagem milagrosa da Theotokos (Maria, Mãe de Deus) perto da sua aldeia, antes da Revolução de 1917.

No escritório, deixaram de se ouvir obscenidades, insultos e discussões. Todos o notaram, inclusive, é claro, os líderes do Partido. Secretamente, a polícia começou a seguir e a vigiar Lídia, na expectativa de encontrar alguma coisa suspeita: mas não encontraram nada. Lídia nunca frequentou as igrejas legalizadas pelos bolcheviques e, muito raramente e com muita cautela, aparecia nas celebrações da Igreja das Catacumbas.

A polícia secreta sabia da existência de uma rede de igrejas das catacumbas, naquela região e, para as destruir, chamou do exílio o Bispo André Ukhtomsky, muito venerado pelo povo. Porém, ordem secreta do Bispo André, apenas uma igreja, em Ufa, o acolheu oficialmente, enquanto todos os habitantes da diocese o contactavam secretamente. A polícia percebeu que o seu plano havia falhado. Então, prendeu-o e exilou-o novamente. O Bispo André foi martirizado, no dia 26 de Dezembro de 1937.

Lídia teve a oportunidade de estar com ele e de conversar com ele durante cerca de uma hora. O assunto da conversa permanece desconhecido; mas, quando um jovem e zeloso padre criticou o pai de Lídia, na frente do Bispo André, este respondeu: “Aquele padre tem uma grande intercessora junto a Deus: Santa Lídia”, e encerrou a conversa.

Lídia foi, finalmente, presa no dia 9 de Julho de 1928, quando a polícia secreta descobriu que ela distribuía livretos datilografados, contendo vidas de santos, orações, homilias e ensinamentos de bispos, antigos e novos. Eles perceberam que a máquina de escrever, na qual os livretos haviam sido datilografados, tinha a letra K defeituosa e, assim, começaram a tentar descobrir a sua origem.

A polícia percebeu que Lídia tinha a chave para a descoberta de todas as igrejas das catacumbas da região. Durante dez dias, pressionaram-na continuamente para que confessasse, mas ela recusou-se terminantemente a falar. No dia 20 de Julho de 1928, o interrogador perdeu a paciência e enviou-a para o "comando especial", localizado numa cela subterrânea.

Exausta, Lídia não teve forças para descer os degraus. Foi, então, dada ordem, ao guarda que estava de plantão, no corredor, Cirilo Ataev, de 23 anos, para a ajudar a descer. "Cristo te salve!", disse Lídia, em agradecimento.

Estas palavras e os seus olhos, cheios de dor e desamparo, comoveram profundamente Cirilo. Ele não podia, portanto, ouvir indiferente os gritos e choros incessantes, vindos da cela onde torturavam Lídia, havia mais de hora e meia.

"Não sentes as dores?", perguntavam exaustos os torturadores. "Estás a gritar e a chorar. Isso significa que está a doer”.

" Senhor, estou a sofrer muito! Como é doloroso!", gemeu Lídia, em oração.

"Confessa!... Por que não confessas? Se não confessares, a tortura vai ser ainda mais dolorosa!"

"Não posso confessar... Não posso... Ele não vai permitir..." respondeu ela.

"Quem não vai permitir?", perguntaram os torturadores.

"Deus não vai permitir!..."

Por fim, os torturadores decidiram violá-la e pediram ajuda ao jovem guarda, Cirilo Ataev. Quando Cirilo entrou na cela escura e porca, compreendeu, imediatamente, as intenções daqueles energúmenos. Tomado por uma santa indignação, puxou da sua pistola e matou os dois torturadores, ali mesmo. Agarrou um terceiro torturador pelo pescoço, mas um quarto torturador disparou sobre ele.

Cirilo caiu ao lado de Lídia, que estava amarrada com uma corda, e olhando-a directamente nos olhos, disse: "Santa, leva-me contigo!" Então, algo surpreendente aconteceu: uma luz divina emanou da santa mártir Lídia; com um sorriso celestial, ela respondeu: "Eu levar-te-ei para lá."

Estas palavras encheram de terror os dois torturadores sobreviventes e foram dominados por um medo tremendo. Com gritos frenéticos, dispararam todas as suas balas contra os dois mártires indefesos. Aqueles que, entretanto, vieram ajudá-los, levaram-nos para fora, ainda gritando como loucos. Finalmente, todos foram embora, dominados por um medo indefinível.

Um dos dois torturadores enlouqueceu, completamente. Pouco depois, o outro morreu de choque nervoso. Antes de morrer, relatou tudo o que havia acontecido ao seu amigo, o Sargento Alexei Ikonnikov que, tocado pela fé e pelo amor de Deus, divulgou esta história extraordinária. Por isso, também foi preso e martirizado.

Os três, Lídia, Cirilo e Alexei, foram considerados santos pela Igreja das Catacumbas.

A memória de Santa Lídia, a nova Mártir da Rússia, e dos seus companheiros Alexei e Cirilo, é celebrada no dia 20 de Julho.


sábado, 11 de julho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XV DOMINGO COMUM

 

“…Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar.
Reuniu-se à sua volta tão grande multidão
que teve de subir para um barco e sentar-Se,
enquanto a multidão ficava na margem.
Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos:
“Saiu o semeador a semear.
Quando semeava,
caíram algumas sementes ao longo do caminho:
vieram as aves e comeram-nas.
Outras caíram em sítios pedregosos,
onde não havia muita terra,
e logo nasceram porque a terra era pouco profunda;
mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram,
por não terem raiz.
Outras caíram entre espinhos
e os espinhos cresceram e afogaram-nas.
Outras caíram em boa terra e deram fruto:
umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
Quem tem ouvidos, oiça”…” (
cf. Mateus 13, 1- 9)


PALAVRA DO PAPA LEÃO


- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 5 de Julho de 2026

 

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

O Evangelho da liturgia de hoje (Mt 11, 25-30) convida-nos a partilhar o louvor que Jesus eleva ao Pai, «Senhor do Céu e da Terra» (v. 25). O Filho de Deus feito homem manifesta o seu amor, envolvendo todas as criaturas nesta acção de graças.

A simplicidade de um gesto tão espontâneo e alegre corresponde ao estilo de Deus, que gosta de se revelar «aos pequeninos», enquanto permanece escondido «aos sábios e aos entendidos» (v. 25). Na verdade, estes estão de tal forma cheios das próprias ideias que não reconhecem a presença de Cristo, o Messias que visita o seu povo. A sabedoria humana torna-se, então, arrogância e a doutrina degenera em soberba. Pelo contrário, a verdadeira sabedoria de Deus revela-se na humildade da carne e o seu ensinamento dirige-se aos que passam por maiores dificuldades: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos» (v. 28), diz o Senhor. Ir ao encontro de Jesus significa corresponder ao seu amor e partilhar a sua vida, até à cruz, como Ele próprio nos explicou: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me» (Mt 16, 24). É precisamente o dom de si mesmo por amor que constitui o “jugo” de Jesus (cf. Mt 11, 29), ou seja, a síntese do seu ensinamento, o cerne da sua sabedoria, ardente de caridade para com todos.

Irmãos e irmãs, como pode ser “leve” e “suave” o peso da cruz (cf. v. 30)? Só por uma razão: porque o Senhor o carrega primeiro e com todos nós, sem nunca nos deixar sozinhos diante do que nos oprime. Como autêntico mestre, Jesus toma sobre si a humanidade ferida pelo mal, para cuidar dela. A sabedoria que Ele nos dá é um anúncio de salvação e o seu jugo levanta-nos de todas as quedas. Ao seguir Cristo, o nosso caminho não é, portanto, uma ascese que mortifica: é uma escola de liberdade, que leva a sério o drama da história e ilumina sempre o seu sentido, sobretudo nos momentos mais sombrios. Com efeito, só na cruz de Jesus é que o mal é redimido: só na sua paixão é que o nosso cansaço mortal encontra consolo e resgate.

Em situações de escravidão, Cristo é libertação. No flagelo da guerra, Cristo é esperança. Na hora do pecado, Cristo é perdão. Esta é a verdadeira sabedoria, ou seja, o caminho que queremos percorrer juntos, unidos como discípulos em seu nome. Jesus ensina-nos isto como Filho, tornando-se nosso irmão: com a força do Espírito Santo, Ele mesmo manifesta à Igreja a verdade de Deus e do homem, pois «ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (v. 27).

Caríssimos, ao darmos graças ao Senhor por esta sua confidência cheia de amor, imploremos a intercessão de Maria, Rainha da Paz, pelo bem da Igreja e do mundo inteiro. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 64

Refrão: A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.

 

Visitastes a terra e a regastes,
enchendo-a de fertilidade.
As fontes do céu transbordam em água
e fazeis brotar o trigo.

 

Assim preparais a terra;
regais os seus sulcos e aplanais as leivas,
Vós a inundais de chuva
e abençoais as sementes.

 

Coroastes o ano com os vossos benefícios,
por onde passastes brotou a abundância.
Vicejam as pastagens do deserto
e os outeiros vestem-se de festa.

 

Os prados cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigo.

Tudo canta

e grita de alegria.

.


SANTOS POPULARES

 


SÃO CAMILO DE LELLIS

 

Camilo nasceu no dia 25 de Maio de 1550, em Bucchianico di Chieti, na província de Abruzzo, Itália. Foi o segundo filho - muito desejado e esperado - dos nobres João de Lellis e Camila de Compellis. No baptismo deram-lhe o nome ‘Camilo’ em homenagem à sua mãe, nome que significa "ministro do sacrifício".

Camilo foi um gigante de força, coragem, caridade e bondade. De facto, toda a vida de Camilo foi extraordinária.

Camilo era um menino vivaz e inquieto. Aprendeu a ler e escrever e, quando a sua mãe morreu, aos treze anos, partiu para a vida agitada de um vagabundo. Seguindo os passos do pai - um soldado de carreira, no exército espanhol - começou a frequentar os grupos de soldados, aprendendo a sua língua e os seus passatempos, incluindo jogos de cartas e de dados. Aperfeiçoou-se no seu ofício e alistou-se no exército da "Liga Santa", onde já se encontrava o seu pai. Entretanto, quando se preparava para embarcar, juntamente com o seu pai, este morreu repentinamente. Esse acontecimento trágico foi seguido pelo aparecimento de uma dolorosa úlcera purulenta - talvez de osteomielite - no seu tornozelo direito. Isso obrigou Camilo a viajar para Roma, para tratamento no hospital São Tiago dos Incuráveis.

 Parcialmente curado, Camilo decidiu que o melhor para ele seria tornar-se um soldado mercenário e, com a Segunda Liga, foi enviado, a soldo da Espanha, primeiro para a Dalmácia e, depois, para Túnis. Foi dispensado, em 1574. Perdeu toda a sua riqueza em jogos de azar e foi acolhido pelos Capuchinhos de San Giovanni Rotondo (São João Redondo), [é uma pequena cidade, na Província de Foggia na região da Puglia, conhecida pelo seu turismo religioso. Aí viveu o Santo Padre Pio, um frade capuchinho, a quem são atribuídos vários milagres. Foi canonizado em 2002. Os seus restos mortais estão exposto no belíssimo e grandioso Santuário, construído em sua homenagem] perto de Manfredonia, para trabalhar como operário, depois de vaguear por ali, pedindo esmolas. As palavras bondosas de um frade daquele convento e a graça do Senhor transformaram o coração e a vida deste andarilho. Então, com quase vinte e cinco anos, em Fevereiro de 1575, converteu-se a Jesus. A ferida, que entretanto alastrara para a perna, levou-o, de novo, ao Hospital de São Tiago dos Incuráveis, em Roma, onde, com um espírito muito diferente do da sua primeira estada, começou, mais do que pensando em si mesmo, a perceber o estado de abandono e miséria em que os pacientes se encontravam, à mercê de uma equipa indiferente e insuficiente. Ali, enquanto tratavam da sua perna, dedicou-se a servir os seus companheiros de sofrimento e fê-lo com tanta delicadeza e diligência que os administradores o promoveram a chefe da equipa e dos serviços do hospital.

Mas, não conseguindo alterar a situação geral, Camilo, após a alta médica, decidiu reunir um grupo de amigos que, consagrados a Cristo Crucificado, se dedicassem, inteiramente, ao cuidado dos enfermos. Mais tarde, este grupo formaria a Companhia dos Ministros dos Enfermos, que o Papa Sisto V, aprovou em 1586, permitindo a cada um usar o hábito preto como os clérigos regulares, mas com o privilégio de uma cruz de pano vermelho no peito, como expressão da Redenção, realizada pelo dom do Preciosíssimo Sangue de Cristo.

Entretanto, Camilo encontrou tempo para estudar e, em 1584, foi ordenado sacerdote, em São João de Latrão, ao tempo, a Catedral do Papa.

Naquela época, Roma abrigava o grande hospital do Espírito Santo, que o Papa Inocêncio III havia fundado, em 1204, e cuja renovação e ampliação foram supervisionadas pelo próprio Papa Sisto V. Camilo e os seus companheiros começaram a servir ali e, durante vinte e oito anos, dedicaram-se integralmente aos enfermos, nos quais ele, frequentemente, contemplava misticamente o próprio Jesus Cristo. Ele também se certificou de que as enfermarias fossem bem ventiladas; que a ordem e a limpeza fossem constantes; que os pacientes recebessem refeições saudáveis ​​e que aqueles que sofriam de doenças contagiosas fossem colocados em quarentena.

Entretanto, o Papa Gregório XIV elevou a Companhia à categoria de Ordem Religiosa e, em 8 de Dezembro de 1591, o Padre Camilo, juntamente com vinte e cinco companheiros, fez a sua primeira profissão de votos, acrescentando aos três votos usuais de pobreza, castidade e obediência, um quarto voto: "assistência corporal e espiritual perpétua aos enfermos, mesmo aos que sofrem da peste". Na sua prática de caridade, os Ministros dos Enfermos, que mais tarde se tornaram os ‘Camilianos’, estabeleceram o seguinte paradigma: ‘o corpo antes da alma; o corpo pela alma; e ambos por Deus’.

Durante algum tempo, o Padre Camilo governou, pessoalmente, a Ordem, fundando casas em diversas cidades italianas. Mas, em 1607, renunciou ao cargo, devido a desentendimentos entre os seus Irmãos e voltou a dedicar-se inteiramente ao cuidado dos doentes, dos pobres e dos desfavorecidos.

A úlcera no seu tornozelo nunca o abandonou e, após o surgimento de problemas renais e gástricos, faleceu no dia 14 de Julho de 1614. Os seus restos mortais permanecem sepultados na pequena igreja de Santa Maria Madalena, em Roma.

O Padre Camilo de Lellis foi beatificado em 1742 e canonizado, quatro anos depois, pelo Papa Bento XIV. Leão XIII declarou-o padroeiro dos enfermos e dos hospitais, em 1886. Pio XI proclamou-o padroeiro dos enfermeiros, em 1930, O Papa Paulo VI, algumas décadas depois, tornou-o protector especial da saúde militar italiana.

A Ordem dos Camilianos desenvolveu-se progressivamente ao longo dos quatro séculos que compõem a sua história, com excepção de alguns momentos difíceis, nos séculos XVIII e XIX. Com o tempo, formaram-se comunidades de religiosas, seguidas pelos Ministros dos Enfermos e, em várias partes do mundo, surgiram grupos de leigos e leigas que abraçaram o carisma e a missão de São Camilo: todos juntos, com a Ordem à frente, constituem a "Família Camiliana".

A sua memória litúrgica é celebrada no dia 14 de Julho.