PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Não tenhais medo…” (cf. Mateus 10, 26) No Evangelho de hoje (cf. Mt 10, 26-33) o Senhor Jesus, depois de ter chamado e enviado em missão os seus discípulos, instrui-los e prepara-os para enfrentar as provações e as perseguições que deverão encontrar. Partir em missão não é fazer turismo, e Jesus admoesta os seus: “Encontrareis perseguições”. Assim os exorta: «Não temais os homens, porque nada há de escondido que não venha à luz […]. O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. […] E não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma» (vv. 26-28). Podem matar o corpo, não podem matar a alma: não os temais. O envio em missão por parte de Jesus não garante aos discípulos o sucesso, assim como não os exime das falências nem dos sofrimentos. Eles devem ter em conta quer a possibilidade da rejeição, quer a da perseguição. Isto assusta um pouco, mas é a verdade. O discípulo é chamado a conformar a própria vida a Cristo, que foi perseguido pelos homens, experimentou a rejeição, o abandono e a morte na cruz. Não há missão cristã sob o signo da tranquilidade! As dificuldades e as atribulações fazem parte da obra de evangelização, e somos chamados a encontrar nelas uma oportunidade de verificar a autenticidade da nossa fé e do nosso relacionamento com Jesus. Devemos considerar essas dificuldades como possibilidade para ser ainda mais missionários e crescer naquela confiança em Deus, nosso Pai, que não abandona os seus filhos na hora da tempestade. Em meio às dificuldades do testemunho cristão no mundo, nunca somos esquecidos, mas sempre assistidos pela solicitude amorosa do Pai. Portanto, no Evangelho de hoje, por três vezes Jesus tranquiliza os discípulos dizendo: «Não temais». Ainda hoje, irmãos e irmãs, a perseguição contra os cristãos está presente. Nós oramos pelos nossos irmãos e irmãs que são perseguidos, e louvamos a Deus porque, apesar disto, continuam a testemunhar com coragem e fidelidade à sua fé. O seu exemplo ajuda-nos a não hesitar em tomar uma posição a favor de Cristo, dando corajosamente testemunho dele nas situações do dia-a-dia, mesmo em contextos aparentemente tranquilos. Na verdade, uma forma de prova pode ser também a ausência de hostilidade e de tribulações. Assim como «ovelhas no meio de lobos», o Senhor, inclusive no nosso tempo, envia-nos como sentinelas entre as pessoas que não querem ser despertadas do torpor mundano, que ignoram as palavras de Verdade do Evangelho, construindo para si as próprias verdades efémeras. E se formos ou vivermos nestes contextos, e dissermos as Palavras do Evangelho, isto incomodará e seremos malvistos. Mas em tudo isto o Senhor continua a dizer-nos, como dizia aos discípulos do seu tempo: «Não tenhais medo!». Não esqueçamos esta palavra: perante qualquer tribulação, qualquer perseguição, algo que nos faz sofrer, escutemos sempre a voz de Jesus no coração: «Não temais! Não tenhas medo, vai em frente! Estou contigo!». Não tenhais medo de quem vos ridiculariza e maltrata, e não temais quem vos ignora ou vos honra “na vossa frente”, mas «pelas costas» luta contra o Evangelho. Há muitos que diante de nós fazem sorrisos, mas por detrás combatem o Evangelho. Todos os conhecemos. Jesus não nos deixa sozinhos, porque somos preciosos para Ele. Por isso não nos deixa sozinhos: cada um de nós é precioso para Jesus, e Ele acompanha-nos. A Virgem Maria, modelo de adesão humilde e corajosa à Palavra de Deus, nos ajude a compreender que no testemunho da fé não contam os sucessos, mas a fidelidade, a fidelidade a Cristo, reconhecendo em todas as circunstâncias, mesmo nas mais problemáticas, o dom inestimável de ser seus discípulos e missionários. (Papa Francisco, na Oração do Angelus, no dia 25 de Junho de 2017, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

domingo, 21 de junho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XII DOMINGO COMUM

 

“…Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos:
“Não tenhais medo dos homens,
pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se,
nada há oculto que não venha a conhecer-se.
O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia;
e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados.
Não temais os que matam o corpo,
mas não podem matar a alma.
Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo.
Não se vendem dois passarinhos por uma moeda?
E nem um deles cairá por terra
sem consentimento do vosso Pai.
Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.
Portanto, não temais:
valeis muito mais do que os passarinhos.
A todo aquele que se tiver declarado por Mim
diante dos homens
também Eu Me declararei por ele
diante do meu Pai que está nos Céus.
Mas àquele que me negar diante dos homens,
também Eu o negarei
diante do meu Pai que está nos Céus”… (
cf. Mateus 10, 26-33)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 17 de Junho de 2026

Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Hoje, desejo propor algumas reflexões sobre a Viagem Apostólica que na semana passada realizei à Espanha, visitando Madrid, Barcelona, a Abadia de Montserrat e as Ilhas Canárias.
Após a longa viagem a quatro países africanos, desta vez encontrei-me imerso num país europeu de antiga e riquíssima tradição católica. E ficou evidente que, na Espanha de hoje, que passou por notáveis mudanças sociais e culturais, o Papa foi acolhido em toda a parte com entusiasmo e abertura à escuta. Por isto dou graças a Deus e a todo o povo espanhol, ao Rei e às Autoridades civis, aos Bispos e às Comunidades eclesiais.
O povo de Deus confortou-me muito com a manifestação festiva da sua fé e carinho. Por minha vez, confirmei os fiéis e, como Bispo de Roma, encorajei-os a superar todas as formas de divisão e de oposição, cultivando sempre a comunhão, o diálogo, a unidade na diversidade. Este é o serviço próprio do Sucessor de Pedro, serviço que nas viagens apostólicas encontra uma expressão específica, sempre adaptada às situações eclesiais e sociais dos países visitados.
No caso da Espanha, pude constatar com alegria como o povo, de todas as idades e condições, aguardava a visita do Papa: em toda a parte encontrei multidões que me receberam com grande afeto. Isto não era dado por certo e merece uma reflexão. Naturalmente, tal participação expressa em primeiro lugar, como eu dizia, a fé do povo espanhol; ao mesmo tempo, acho que manifesta a necessidade generalizada de se unir sobre um alicerce verdadeiro e profundo, que não seja ideológico nem de interesse parcial. Aquele fundamento que, em última análise, só Cristo pode garantir e que o Evangelho, através das necessárias “inculturações”, pode transmitir na vida dos povos. Pode fazê-lo porque a sua mensagem responde plenamente a ambas estas exigências: a busca da verdade e a sede de justiça.
Em Madrid e Barcelona, reunimo-nos nas grandes Catedrais, assim como nos estádios ultramodernos. Recitamos o santo Rosário na Abadia de Montserrat. Pudemos celebrar na Sagrada Família, símbolo majestoso, sinfonia de pedra e luz que fala a todos do mistério cristão. Este encontro de antigo e moderno, de tradição católica e cultura contemporânea, fez-me sentir pessoalmente a índole própria da Europa, a sua riqueza inestimável, como realidade atual, não ultrapassada. Trata-se de uma herança a preservar com cuidado, para a poder investir no presente global com os seus desafios epocais: a paz, a ecologia integral, o desenvolvimento equitativo e sustentável, o respeito pela dignidade humana. São desafios que já o Concílio Vaticano II tinha reconhecido claramente e que o Magistério sucessivo voltou a abordar, até à minha recente Encíclica Magnifica humanitas, que visa tutelar a pessoa humana na era da inteligência artificial.
Ao longo dos vários encontros, senti a necessidade de ouvir na voz do Papa o Evangelho da esperança para a nossa humanidade de hoje, duramente provada pelas consequências negativas de um modelo de desenvolvimento enganador. Esta necessidade, manifestada nos numerosos testemunhos que pude ouvir — testemunhos às vezes comoventes, por vezes edificantes — reconheci-a também e sobretudo no rosto das crianças e dos pobres que encontrei: do menino que, na paróquia, me leu a sua carta; de algumas vítimas de abuso, que pedem para ser ouvidas; dos presos que me esperavam na cadeia; dos jovens cheios de inquietude e de projetos; dos migrantes nos centros de primeiro acolhimento nas Ilhas Canárias.
Foi precisamente lá, nas Ilhas Canárias, última etapa do nosso itinerário, que me ofereceram uma chave de leitura global. Ela foi-me oferecida, por um lado, pela própria posição geográfica daquele arquipélago; e, por outro, pela realidade de uma Igreja local que acolhe um grande número de migrantes forçados, provenientes principalmente da África. Sabemos que o fenómeno migratório é complexo e exige planos de ação orgânicos e concertados. Mas esta chave de leitura abre uma perspetiva diferente e mais ampla: faz-nos compreender que somos chamados a reler o Evangelho no mundo de hoje, intercambiando os dons das nossas respetivas culturas e, em particular, os frutos nelas produzidos pela fecundidade da mensagem de Cristo. E um destes frutos é precisamente o diálogo entre as pessoas e entre os povos, o encontro em espírito de fraternidade, que permite descobrir e apreciar reciprocamente os valores dos quais o outro é portador. Este percurso não é fácil, exige boa vontade e a ajuda de Deus, mas é o caminho que leva à civilização do amor.
Caros irmãos e irmãs, o lema desta Viagem Apostólica foi “Alzad la mirada”, “Elevai o olhar!” (cf. Jo 4, 35). São palavras de Jesus, dirigidas aos seus primeiros discípulos, para lhes ensinar a ver nas pessoas e nas multidões o desejo de vida, verdade, plenitude. É a mim, em primeiro lugar, que o Senhor repete essas palavras e, com a sua graça, experimentei-as inclusive durante a Viagem. Hoje gostaria de partilhar convosco este convite: elevemos o olhar! Aprendamos com Jesus a fitar o próximo, as pessoas, o mundo “com o olhar de Deus”, isto é, com amor, respeito e compaixão.
Para concluir, quero agradecer a todos aqueles que rezaram pelo bom êxito desta Viagem Apostólica, de modo especial às comunidades de monjas contemplativas, que na Espanha, graças a Deus, são deveras numerosas. Continuai a rezar para que, pela intercessão da Virgem Maria, as sementes que espalhei deem frutos abundantes. Obrigado! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 68

Refrão: Pela vossa grande misericórdia, atendei-me, Senhor.

 

Por Vós tenho suportado afrontas,
cobrindo-se meu rosto de confusão.
Tornei-me um estranho para os meus irmãos,
um desconhecido para a minha família.
Devorou-me o zelo pela vossa casa
e recaíram sobre mim os insultos contra Vós.

 

A Vós, Senhor, elevo a minha súplica,
no momento propício, meu Deus.
Pela vossa grande bondade, respondei-me,
em prova da vossa salvação.
Tirai-me do lamaçal, para que não me afunde,
livrai-me dos que me odeiam e do abismo das águas.

 

Vós, humildes, olhai e alegrai-vos,
buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.
O Senhor ouve os pobres
e não despreza os cativos.
Louvem-n’O o céu e a terra,
os mares e quanto neles se move.

 


SANTOS POPULARES



SÃO JOÃO FISHER
 
"Povo cristão, estou aqui para morrer pela minha fé na Santa Igreja Católica de Cristo." Estas foram as últimas palavras de João (John) Fisher, antes de ser decapitado. Era o dia 22 de Junho de 1535, e o Bispo de Rochester, após reiterar, três vezes, a sua rejeição à submissão do clero ao Rei da Inglaterra, morreu como mártir, tendo sido "o homem mais erudito e o bispo mais santo" da sua época, como o chamou Erasmo de Roterdão, um amigo muito próximo.
João nasceu numa rica família de Yorkshire e demonstrou, desde cedo, uma inteligência extraordinária. Aos 14 anos, entrou na Universidade de Cambridge e formou-se em teologia. Aos 22 anos, foi ordenado sacerdote e tornou-se confessor pessoal e capelão da Condessa Margarida Beaufort, a futura avó de Henrique VIII. Juntos, fundaram o Saint John's College e o Christ's College, do qual ele se tornou vice-reitor, impondo o estudo de latim, grego e hebraico, as línguas da Bíblia, para que os alunos se familiarizassem melhor com as Escrituras. Grande latinista, aos 48 anos começou a estudar grego e, aos 50, hebraico.
Em 1504, João foi nomeado bispo de Rochester, uma das menores e mais pobres dioceses do país, da qual nunca quis sair - apesar de ter tido condições para tal - e que sempre chamaria "minha pobre noiva". Apoiado pela sua profunda cultura, em 1523 lançou-se na luta contra a Reforma Luterana, que também se espalhava pela Inglaterra. Foram esses os anos em que apoiou o rei na defesa da primazia da Igreja de Roma e publicou ‘De veritate corporis et sanguinis Christi in Eucharistia’, obra que lhe valeu o apelido de "defensor da fé".
O seu relacionamento com Henrique VIII deteriorou-se quando o Rei se divorciou de Catarina de Aragão - de quem João era confessor - para se casar com Ana Bolena; o Papa recusou-se a conceder-lhe a nulidade do casamento anterior. O rei, então, procurou a ajuda do Bispo de Rochester, que, no entanto, se recusou a desafiar o Pontífice Romano. O soberano ficou irritado e ordenou ao prelado que jurasse fidelidade ao rei. A resposta de João foi clara: "Apenas até onde a lei de Cristo permitir". Essa foi a ruptura. Em 1534, Henrique VIII preparou o ‘Acto de Supremacia’, que todos os bispos eram obrigados a assinar e ao qual deveriam submeter-se: foi, na prática, o nascimento da Igreja Anglicana, que reconhecia o rei como a suprema autoridade religiosa, em vez do Papa. João recusou-se e, em 13 de Abril, foi preso e encarcerado na Torre de Londres. A sé episcopal de Rochester foi declarada vacante.
Durante o seu encarceramento e o julgamento em que seria condenado à morte, João reencontrou, na prisão, um velho amigo: Tomás Moro, um jurista leigo também condenado à morte por não jurar obediência ao rei. Eles não estão na mesma cela, mas naqueles dias apoiam-se mutuamente, ajudando-se e consolando-se um ao outro, compartilhando o pouco que têm. Enquanto isso, em Roma, o Papa Paulo II decide nomear João cardeal numa tentativa desesperada de o salvar do martírio, mas Henrique VIII recusa-se a libertá-lo e enviá-lo a Roma. Assim, chega o dia 22 de Junho, quando João é acordado pelos guardas com a notícia de que a sua execução está marcada para as 10 horas, daquele mesmo dia. No cadafalso, antes de morrer, ele nega a sua lealdade a Henrique VIII, mais três vezes. Tomás Moro segui-lo-á alguns dias depois: por essa razão, a Igreja Católica institui a memória dos dois santos, no mesmo dia. Eles foram beatificados, pelo Papa Leão XIII, juntamente com outros 54 mártires ingleses. Foram canonizados pelo Papa Pio XI. Os eus restos mortais repousam na capela de São Pedro in Vincoli da Torre. Ambos são agora venerados, também, pela Igreja Anglicana.
A memória litúrgica de São João Fisher, bispo e mártir, é celebrada no dia 22 de Junho.

domingo, 14 de junho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR


 

- XI DOMINGO COMUM

 

“…Naqueles dias,
os filhos de Israel partiram de Refidim
e chegaram ao deserto do Sinai,
onde acamparam, em frente da montanha.
Moisés subiu à presença de Deus.
O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe:
«Assim falarás à casa de Jacob,
isto dirás aos filhos de Israel:
‘Vistes o que Eu fiz ao Egipto,
como vos transportei sobre asas de águia
e vos trouxe até Mim.
Agora, se ouvirdes a minha voz,
se guardardes a minha aliança,
sereis minha propriedade especial entre todos os povos.
Porque toda a terra Me pertence;
mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes,
uma nação santa’»….” (
cf. Êxodo 19, 2-6)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Homilia da Missa de Encerramento da sua viagem a Espanha: Porto de Santa Cruz de Tenerife, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus - Sexta-feira, 12 de junho de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
 
É uma graça encontrarmo-nos neste dia em que o Coração de Jesus se deixa contemplar por nós como o coração da história. É com alegria que celebro convosco a Eucaristia, dando graças pela fé e pela caridade, das quais recebi tantos testemunhos nesta viagem apostólica e que fazem também deste arquipélago, tão conhecido pela sua beleza e acolhimento, um lugar onde o Senhor Ressuscitado nos precede e se manifesta. O mar, diante de nós, evoca o infinito, e o mesmo faz o céu, mas infinito é sobretudo o desejo que une o coração de Deus a tantos corações humanos, cujas alegrias e esperanças, tristezas e angústias encontram eco no coração da Igreja (cf. Gaudium et spes, 1). Nenhum ser humano é uma ilha; a localização geográfica desta diocese e os desafios pastorais que a comprometem atestam que nascemos para o encontro e que não há obstáculo, distância, perigo ou ameaça que possa impedir cada um de prosseguir a sua viagem. Quer permanecendo durante toda a vida no mesmo lugar, quer escolhendo partir ou sendo obrigado a fazê-lo, nunca ninguém permanece parado. Eis o segredo do coração: o íntimo chamamento ao êxodo e ao encontro.
Mas o Coração de Jesus revela-nos como não nos perdermos num dinamismo estéril: «Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida» (1 Jo 4, 9). Há vida quando se dá vida. Caso contrário, andamos às voltas no vazio. Com efeito, «como recorda o Concílio, o ser humano é chamado à comunhão com Deus e “não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo”: a sua vocação mais profunda é entrar no movimento trinitário do amor recebido e partilhado» (Magnifica humanitas, 48). O Papa Francisco observava: «Muitas pessoas experimentam um desequilíbrio profundo, que as impele a fazer as coisas a toda a velocidade para se sentirem ocupadas, numa pressa constante que, por sua vez, as leva a atropelar tudo o que têm ao seu redor. Isto tem incidência no modo como se trata o ambiente» (Laudato si’, 225). São palavras que interpelam também a vocação turística de Tenerife, seja no que diz respeito ao coração de quem decide passar aqui um período de férias, seja para quem vive e trabalha na ilha, em contacto com visitantes de tantos países do mundo. O que procura o coração humano? Como responder à sua sede sem o enganar? Quão importante é, especialmente para quem se deixa orientar pelo Evangelho, não reduzir tudo ao comércio e ao lucro. «As pessoas que saboreiam mais e vivem melhor cada momento são aquelas que deixam de debicar aqui e ali, sempre à procura do que não têm, e experimentam o que significa dar apreço a cada pessoa e a cada coisa, aprendem a familiarizar com as coisas mais simples e sabem alegrar-se com elas. Deste modo conseguem reduzir o número das necessidades insatisfeitas e diminuem o cansaço e a ansiedade» (ibid., 223). Interpretai assim, queridos irmãos e irmãs, a vossa vocação ao acolhimento.
O Evangelho, hoje, parece radicalizar este desafio e recorda-nos a riqueza dos pobres: um paradoxo que remete diretamente para a vida de Jesus, a sua verdade, o caminho pelo qual Ele continua a pedir que O sigamos. Na passagem que acabámos de ouvir, Ele bendiz o Pai por isso: é aos pequeninos – o que, neste contexto, significa os mais insignificantes, aqueles que ninguém considera capazes de pensar e falar – que Deus se revelou a si mesmo. Enriqueceu-os com aquilo que permanece escondido àqueles que estão rodeados de admiração e sucesso. Com a Exortação Apostólica Dilexi te, quis chamar a atenção para este lugar privilegiado dos pobres na Revelação divina e na missão da Igreja.
É um mistério que ressoa de um modo totalmente peculiar nestas ilhas, situadas no centro de rotas migratórias que as tornam um local de primeiro acolhimento para irmãos e irmãs cuja viagem está geralmente exposta a perigos e violências indescritíveis. Perante quem especula com o desespero, não podemos, como cristãos, oferecer apenas um reflexo do Senhor que diz: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11, 28). A maior graça é deixarmo-nos evangelizar por aqueles a quem socorremos, reconhecendo a misteriosa sabedoria de Deus inscrita na sua própria carne: «Crescidos em extrema precariedade, aprendendo a sobreviver nas condições mais adversas, confiando em Deus com a certeza de que mais ninguém os leva a sério, ajudando-se mutuamente nos momentos mais sombrios, os pobres aprenderam muitas coisas que guardam no mistério dos seus corações. Aqueles de entre nós que não fizeram experiências semelhantes, de viver à margem, certamente têm muito a receber da fonte de sabedoria que é a experiência dos pobres. Só comparando as nossas queixas com os seus sofrimentos e privações é possível receber uma repreensão que nos convida a simplificar a vida» (Dilexi te, 102). O Senhor, que repreende e corrige aqueles que ama (cf. Ap 3, 19), deseja tornar a nossa vida simples e alegre.
Queridos irmãos e irmãs, obrigado pelo que sois; obrigado pelo que fazeis, transformando esta ilha num lugar onde se encontra o coração de Cristo no rosto amigo e hospitaleiro de pessoas e comunidades fraternas. «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16): que esta confissão de fé transmitida pela Primeira Carta do apóstolo João resplandeça sempre em vós e vos motive à oração e à ação. Prestai atenção aos adolescentes e aos jovens, aos ricos e aos pobres, aos residentes e aos hóspedes: todos eles precisam de ser conhecidos com um olhar que vê além das aparências e reconhece a profundidade dos seus corações inquietos, que não raras vezes está já orientado, talvez inconscientemente, para o Reino de Deus e a sua justiça. Possa respirar-se entre vós que «Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele» (1 Jo 4, 16). Este é o coração do Evangelho, o coração de Cristo. Quem mergulha nele não vive já para si mesmo. Abri a todos este mar de amor! É este o meu desejo e a minha oração por vós e por todos aqueles que vos conhecerão. (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 99

 

Refrão: Nós somos o povo de Deus;

              somos as ovelhas do Seu rebanho

Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo.

Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

 


SANTOS POPULARES

 


SANTA BÁRBARA CUI LIANZHI
 
Bárbara Cui Lianzhi foi uma mãe chinesa que, durante as perseguições do século XX, ofereceu a sua vida como testemunho do seu amor inabalável por Cristo.
Nascida em Liushuitao, província de Hebei, China, em meados do século XIX, Bárbara Cui Lianzhi cresceu num contexto social marcado por fortes tradições e valores familiares. Conhecida pela sua bondade e profunda devoção religiosa, casou-se com um homem com quem compartilhou alegrias e tristezas, criando uma família grande e unida. A sua vida era pacífica, pontuada pelo ritmo diário do trabalho e dos cuidados com os filhos, até que a sombra da perseguição se abateu sobre a comunidade cristã local.
Os anos, entre o final do século XIX e o início do século XX, foram um período particularmente sombrio para os cristãos, na China. A hostilidade do governo imperial em relação à fé cristã resultou numa série de perseguições que afectaram severamente os fiéis. Bárbara Cui Lianzhi, percebendo o perigo iminente sobre a sua família e a comunidade, não hesitou em professar publicamente a sua fé, tornando-se um ponto de referência e força para os seus irmãos cristãos.
Contudo, a sua tenacidade e coragem atraíram, imediatamente, a atenção das autoridades. Em 1900, durante uma violenta onda de repressão, Bárbara foi presa, juntamente com outros cristãos. Foi submetida a um julgamento sumário e condenada à morte. Apesar da tortura infligida e da pressão que sofreu para renunciar à sua fé, Bárbara permaneceu firme, demonstrando admirável fortaleza e uma profunda confiança em Deus.
No dia 15 de Junho de 1900, Bárbara Cui Lianzhi enfrentou o martírio, com heroica serenidade. A sua morte não foi em vão: o seu exemplo de fé inabalável serviu para fortalecer a comunidade cristã local e difundir a semente do Evangelho, mesmo num contexto de hostilidade e perseguição.
No dia 1 de Outubro de 2000, o Papa João Paulo II proclamou-a Beata, juntamente com um número imenso de mártires chineses. Disse o Papa: “…Hoje a Igreja agradece ao seu Senhor, que a abençoa e a imbui de luz com o esplendor da santidade destes filhos e filhas da China. Não é porventura o Ano Santo o momento mais oportuno para fazer resplandecer o seu testemunho heróico? A jovem Ana Wang, com catorze anos, resiste às ameaças do carnífice que a convida a renegar e, dispondo-se à decapitação, declara com o rosto radiante: "A porta do Céu está aberta a todos" e murmura três vezes "Jesus". E Chi Zhuzi, com dezoito anos, grita destemido aos que acabavam de lhe cortar o braço direito e se preparavam para o esfolar vivo: "Cada pedaço da minha carne, cada gota do meu sangue vos repetirão que sou cristão".
Igual convicção e alegria testemunharam os outros 85 chineses, homens e mulheres de todas as idades e condições, sacerdotes, religiosos e leigos, que selaram a própria indefectível fidelidade a Cristo e à Igreja com o dom da vida. Isto aconteceu ao longo de vários séculos e em complexas e difíceis épocas da história da China. Esta celebração não é a ocasião oportuna para formular juízos sobre aqueles períodos históricos: poder-se-á e dever-se-á fazê-lo noutra circunstância. Com esta solene proclamação de santidade, a Igreja só deseja reconhecer que aqueles Mártires constituem um exemplo de coragem e de coerência para todos nós e honram o nobre povo chinês.
Nesta plêiade de Mártires resplandecem também 33 missionários e missionárias, que deixaram a sua terra e procuraram introduzir-se na realidade chinesa, assumindo com amor as suas características, no desejo de anunciar Cristo e de servir aquele povo. Os seus túmulos estão lá, como que a significar a sua definitiva pertença à China, que eles, apesar dos seus limites humanos, amaram com sinceridade, despendendo por ela as suas energias. "Nunca fizemos mal a ninguém, responde D. Francisco Fogolla ao governador que se prepara para o golpear com a espada. Ao contrário, fizemos o bem a muitos". Deus faz vir a felicidade…”
Foi canonizada, em 2022, pelo Papa Francisco que a inscreveu no Calendário dos Santos.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 15 de Junho.

sábado, 6 de junho de 2026

EM DESTAQUE:

 


O PAPA LEÃO XIV EM ESPANHA
 
Neste Sábado, 6 de Junho, o Papa iniciou a visita sua Visita Apostólica a Espanha. De 6 a 12 de Junho, o Papa visitará as cidades de Madrid e Barcelona, terminando com duas etapas no arquipélago das Canárias.
O Papa Leão XIV foi recebido por Felipe VI e sua esposa, Letizia, reis de Espanha Ainda esta manhã, Leão XIV vai ser recebido, numa cerimónia oficial de boas-vindas, no Palácio Real, seguida da visita de cortesia aos reis de Espanha e de um encontro com autoridades, sociedade civil e corpo diplomático.
A agenda do Papa, na capital espanhola, prossegue com uma visita ao projecto social “CEDIA 24 horas”, junto de pessoas em situação de sem-abrigo, e uma vigília de oração com os jovens na “Plaza de Lima”.
No domingo, o Papa presidirá à Missa e à procissão do Corpo de Deus na “Plaza de Cibeles”, mantendo depois um encontro privado com a Ordem de Santo Agostinho e um evento com o mundo da cultura, da arte, da economia e do desporto na “Movistar Arena”.
O último dia em Madrid, a 8 de junho, começa com encontros dedicados às autoridades políticas, com o primeiro-ministro e com os deputados no Parlamento espanhol.
Leão XIV vai reunir-se ainda com os bispos espanhóis, na sede da Conferência Episcopal Espanhola, prestando depois homenagem à Virgem da Almudena, antes de um grande encontro com a comunidade diocesana, no Santiago Bernabéu, onde fará a bênção das primeiras pedras de 17 novas igrejas paroquiais, sinalizando o actual crescimento demográfico e o aumento da prática religiosa juvenil, nos bairros periféricos de Madrid.
A 9 de Junho, após um encontro com voluntários, o Papa viajará para Barcelona, onde o programa arranca com a oração da hora média, na Catedral, e uma vigília no Estádio Olímpico Lluís Companys.
Na quarta-feira, 10 de Junho, Leão XIV visita o centro penitenciário “Brians 1”; rezará o Rosário na Abadia de Montserrat e partilhará uma refeição com a comunidade beneditina local.
O final da tarde está reservado para a Missa na Basílica da Sagrada Família, momento em que o Papa vai inaugurar a torre de Jesus Cristo. A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) destaca que este acto se enquadra no centenário da morte de Antoni Gaudí, cuja obra continua a colocar a “beleza ao serviço da fé”.
A recta final do percurso apostólico centra-se no arquipélago das Canárias, região fortemente marcada pelas rotas migratórias.
Os bispos espanhóis sublinham que a presença do Papa neste território é um apelo a olhar para a “dignidade” de cada pessoa e a apoiar, com “caridade concreta”, aqueles que sofrem “a dureza do desenraizamento”.
 
No dia 11 de Junho, em Las Palmas (Gran Canária), o Papa visitará o porto de Arguineguín para escutar realidades de acolhimento aos migrantes.
Depois de reunir-se com o clero e os agentes de pastoral, na Catedral de Santa Ana, o dia termina com a celebração da Eucaristia, no Estádio de Gran Canária.
Na manhã de sexta-feira, 12 de Junho, a viagem prossegue para Tenerife, com o pontífice a deslocar-se, de imediato, ao centro de migrantes “Las Raíces” e à “Plaza del Cristo de La Laguna”, dedicada à integração destas populações.
A viagem apostólica a Espanha termina com a Missa, no porto de Santa Cruz de Tenerife, partindo o voo papal de regresso a Roma, pelas 15h00. (cf. Ecclesia)

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- X DOMINGO COMUM

 

“…Jesus ia a passar,
quando viu um homem chamado Mateus,
sentado no posto de cobrança dos impostos,
e disse-lhe: «Segue-Me».
Ele levantou-se e seguiu Jesus.
Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus,
muitos publicanos e pecadores
vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos.
Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos:
«Por que motivo é que o vosso Mestre
come com os publicanos e os pecadores?».
Jesus ouviu-os e respondeu:
«Não são os que têm saúde que precisam de médico,
mas sim os doentes.
Ide aprender o que significa:
‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’.
Porque Eu não vim chamar os justos,
mas os pecadores»…” (
cf. Mateus 9, 9-13)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 3 de Junho de 2026
 
Caros irmãos e irmãs!
Prosseguindo as catequeses sobre a Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium (SC), queremos deter-nos a refletir sobre alguns elementos constitutivos da sagrada liturgia, tais como o rito, o sinal e o símbolo.
O Concílio Vaticano II, aproveitando o precioso trabalho do Movimento litúrgico, ajudou-nos a redescobrir uma verdade muito viva na consciência da Igreja antiga e no ensinamento dos Padres. Os ritos da liturgia cristã não são um revestimento exterior do mistério sacramental, um conjunto de cerimónias arbitrárias, mas são a mediação eclesial através da qual o dom divino nos alcança. Precisamente por isto, o Concílio convida a compreender o Mysterium fidei que se realiza na liturgia através dos ritos e das orações (cf. SC, 48).
O rito dá forma à ação litúrgica e, através dela, à nossa vida, gerando em nós uma sensibilidade espiritual que nos torna capazes de nos deleitarmos com a presença de Deus por meio de Jesus Cristo. Naturalmente, isto acontece se não nos mantivermos estranhos ou espectadores mudos (cf. ibid.) em relação à liturgia, mas nela participarmos com todo o nosso ser – corpo, mente e coração –, em obediência ao mandamento do Senhor. Através do rito sagrado, somos assim formados para a escuta da Palavra de Deus, para a ação de graças e a adoração, para a partilha fraterna e a comunhão eclesial. Descobrimos que somos uma assembleia com muitos rostos, reunida pela mesma fé.
O rito envolve-nos numa sequência bem definida de gestos e orações, que por vezes pode contrastar com a nossa tendência individual para a espontaneidade. A sua lógica, porém, não é a de aprisionar a liberdade em esquemas. Pelo contrário, com a sobriedade solene dos seus ritmos, o rito interrompe as atividades frenéticas, reconduzindo-nos ao essencial. Descobrimos assim outra dimensão do agir, não guiada por cálculos produtivos, e outra experiência do tempo e do espaço. No rito experimentamos uma lógica de gratuidade, encontramos uma pausa que regenera o coração, reconhecemos que somos precedidos pela graça divina, aprendemos a viver num ritmo habitado pelo Espírito Santo.
A gramática do rito está imbuída dos sinais e dos símbolos próprios da liturgia. Nela, como afirma o Concílio, «os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realizam a santificação dos homens» (SC, 7). O Catecismo da Igreja Católica aprofunda o valor destes sinais, recordando que «a sua significação radica na obra da criação e na cultura humana, determina-se nos acontecimentos da Antiga Aliança e revela-se plenamente na pessoa e na obra de Cristo» (n. 1145). Emblemático é o sinal da água: das origens da criação ao dilúvio, da travessia do Mar Vermelho ao Jordão, até à água que jorra do lado de Cristo e se torna sinal sacramental da imersão na sua morte e ressurreição.
“Sinal” e “símbolo” são termos frequentemente utilizados como sinónimos. Na realidade, um sinal é simbólico quando é capaz de remeter não só para uma ideia, mas para todo um sistema de significados e de valores. Assim, por exemplo, quando somos aspergidos com a água benta, reaviva-se em nós a consciência do dom recebido com o Batismo e a nossa adesão à vida nova em Cristo. Em segundo lugar, os símbolos têm essencialmente um carácter prático, sendo em primeiro lugar ações: mais simples e comuns, como ajoelhar-se e trocar o sinal da paz, ou mais exigentes, como os atos constitutivos de cada Sacramento. Acima de tudo, os símbolos têm uma singular dimensão performativa e transformadora, tanto em relação aos elementos materiais que os compõem, como em relação àqueles que entram em contacto com eles, gerando pertença, tocando o coração e a mente, suscitando relações eclesiais autênticas.
Na Carta Apostólica Desiderio desideravi, o Papa Francisco, fazendo sua uma afirmação de Romano Guardini, identificava «a primeira tarefa do trabalho da formação litúrgica: o homem deve voltar a ser de novo capaz de símbolos» (n. 44). Precisamos de nos deixar educar pelos ritos da liturgia, cuidando com delicadeza e sem arbitrariedade da beleza das nossas celebrações e empenhando-nos numa autêntica mistagogia. A experiência de uma liturgia viva e devota, acompanhada por uma catequese mistagógica oportuna, é o melhor recurso para despertar em todos aquela abertura ao encontro com Deus que, na lógica da encarnação, só pode acontecer envolvendo todo o homem: espírito, alma e corpo (cf. 1 Ts 5, 23). (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 49

 

Refrão: Ao que procede rectamente, farei ver a salvação de Deus.

Falou o Senhor, Deus soberano,
e convocou a terra, do Oriente ao Ocidente:
«Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo:
os teus holocaustos estão sempre na minha presença.

Se tivesse fome, não to diria,
porque meu é o mundo e tudo o que nele existe.
Comerei porventura as carnes dos touros
ou beberei o sangue dos cabritos?

Oferece a Deus sacrifícios de louvor
e cumpre os votos feitos ao Altíssimo.
Invoca-Me no dia da tribulação:
Eu te livrarei e tu Me darás glória».


SANTOS POPULARES

 


BEATA MARIA CÂNDIDA DA EUCARISTIA
 
Maria Barba nasceu no dia 16 de Janeiro de 1884, em Catanzaro (Itália), cidade para onde a família, originária de Palermo, se transferiu por um breve período de tempo devido ao trabalho do pai, Pedro Barba, que era Conselheiro do Tribunal de 1ª Instância; foi baptizada com o nome de Maria Barba.
Quando a menina completou dois anos, a família retornou para a capital siciliana e ali Maria viveu a sua juventude. Aos quinze anos manifestou a sua vocação religiosa à qual seus pais, apesar de serem profundamente crentes, se opuseram com determinação. De facto, Maria teve que esperar quase vinte anos para poder realizar a sua aspiração, demonstrando, nestes anos de expectativa e de sofrimento interior, uma força de ânimo surpreendente e uma fidelidade incomum. Depois da morte de sua mãe, seguindo o conselho do Cardeal Alessandro Lualdi, entrou finalmente no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Ragusa, a 25 de Setembro de 1919, que tinha surgido havia pouco tempo e era muito pobre. Maria Barba, sempre estimulada por uma devoção especial ao mistério eucarístico, no qual ela via o mistério da presença sacramental de Deus no mundo, e a concretização do seu amor infinito pelos homens, motivo da nossa confiança plena nas suas promessas, constrói alguns anos mais tarde um novo mosteiro, que ainda hoje existe.
O amor pela Eucaristia manifestou-se nela desde a primeira infância quando, com 10 anos, foi admitida à Primeira Comunhão e a sua maior alegria era poder comungar. Desde então, privar-se da Santa Comunhão tornou-se para ela "uma cruz pesada e angustiante".
Entrou no Carmelo a 16 de Abril de 1920, onde assumiu o nome, em certos aspectos profético, de Maria Cândida da Eucaristia. Em 17 de Abril de 1921 pronunciou a profissão simples e a solene no dia 23 de Abril de 1924. Quis "fazer companhia a Jesus no seu estado de Eucaristia quanto mais fosse possível". Prolongava as suas horas de adoração e, sobretudo, das 23 às 24 horas de cada quinta-feira, prostava-se diante do Tabernáculo em adoração. A Eucaristia polarizava verdadeiramente toda a sua vida espiritual, não tanto pelas manifestações devocionais, quanto pela incidência vital da relação da sua alma com Deus.
Seis meses depois da profissão solene, em 10 de Novembro de 1924 foi nomeada pela primeira vez Priora do seu Mosteiro:  um cargo que aceitou e uma responsabilidade que desempenhou em sinal de obediência a Deus, com dedicação total e grande seriedade. Durante os três primeiros anos como Priora, revestiu também o cargo de Mestra das noviças.
Maria Cândida consagrou-se a Deus no dia 1 de Novembro de 1927. Desenvolveu plenamente o que ela mesma definia como a sua "vocação pela Eucaristia", ajudada pela espiritualidade carmelita, na qual se apoiou depois da leitura de "História de uma Alma". São muito conhecidas as páginas em que Santa Teresa do Menino Jesus descreve a sua especialíssima devoção à Eucaristia e como na Eucaristia a Santa Fundadora experimentasse o mistério fecundo da Humanidade de Cristo.
Durante os anos em que guiou o seu Mosteiro, de 1924 a 1947, infundiu na sua comunidade um profundo amor pela Regra de Santa Teresa do Menino Jesus e contribuiu de modo directo para a expansão do Carmelo Teresiano na Sicília, fundação de Siracusa, e para a reinstituição do ramo masculino da Ordem.
A partir da solenidade do Corpus Domini de 1933, Maria Cândida iniciou a escrever a sua pequena "obra-prima" de espiritualidade eucarística, "A Eucaristia, verdadeira alegria de espiritualidade vivida".
O Senhor chamou-a a si, depois de alguns meses de sofrimentos físicos atrozes, no dia 12 de Junho de 1949, na Solenidade da Santíssima Trindade.
No dia do seu funeral, em 14 de Junho, a igreja carmelita, em Ragusa, estava repleta de pessoas que a chamavam "santa". Foi sepultada no cemitério de Ragusa.
Os seus restos mortais foram, em 12 de Novembro de 1970, transladados para a Igreja Carmelita de Ragusa.
A Irmã Maria Cândida da Eucaristia beatificada, no dia 21 de Março de 2004, na Praça de São Pedro, em Roma, pelo Papa João Paulo II. A seu respeito, disse o Papa: “…"Nova criatura" tornou-se Maria Barba, que ofereceu toda a sua vida a Deus, no Carmelo, onde recebeu o nome de Maria Cândida da Eucaristia. Da Eucaristia, foi uma autêntica mística; fê-la o centro unificante de toda a existência, seguindo a tradição carmelita, em particular o exemplo de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz. Enamorou-se a tal ponto de Jesus eucarístico que sentiu um constante e ardente desejo de ser apóstola incansável da Eucaristia. Tenho a certeza de que, do Céu, a bem-aventurada Maria Cândida continua a ajudar a Igreja, para que cresça na admiração e no amor a este supremo Mistério da nossa fé…”
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 12 de Junho.
 
 

domingo, 31 de maio de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

 

“…Naquele tempo,
disse Jesus a Nicodemos:
«Deus amou tanto o mundo
que entregou o seu Filho Unigénito,
para que todo o homem que acredita n’Ele
não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo
para condenar o mundo,
mas para que o mundo seja salvo por Ele.
Quem acredita n’Ele não é condenado,
mas quem não acredita n’Ele já está condenado,
porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus»… (
cf. João 3, 1-8)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO



- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 27 de Maio de 2026
 
Caros irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Na Encíclica ‘Mediator Dei’, o Venerável Pio XII escreve que «a Igreja é um organismo vivo e, por isso - também, no que diz respeito à sagrada liturgia, confirmando a integridade do seu ensinamento - cresce e desenvolve-se, adaptando-se e conformando-se às circunstâncias e às exigências que se verificam ao longo do tempo» (I, V).
Em plena continuidade com este princípio, o Concílio Vaticano II, no Proémio da Constituição ‘Sacrosanctum Concilium’ (SC), reconhece como seu «dever interessar-se, de modo particular, também, pela reforma e o incremento da liturgia» (n. 1). Com efeito, a assembleia conciliar reuniu-se com a finalidade de «fomentar a vida cristã entre os fiéis; adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições suscetíveis de mudança; promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo; e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja» (ibid.).
Naquele momento histórico, sentia-se fortemente a necessidade de uma renovação das formas rituais, mediante as quais, desde há séculos, a Igreja tinha realizado a glorificação de Deus e a santificação do povo cristão. Graças ao Movimento litúrgico, amadureceu a convicção, expressa sucessivamente por São João Paulo II, de que «existe uma ligação muito íntima e orgânica entre a renovação da liturgia e a renovação de toda a vida da Igreja. A Igreja não só age, mas também se exprime na liturgia [...] e extrai da liturgia as energias para a vida» (Carta Dominicae Cenae, 13).
Portanto, para favorecer o acesso dos fiéis à riqueza dos dons da graça, dispensados pela sagrada liturgia, a Constituição ‘Sacrosanctum Concilium’ indica com uma fórmula muito eficaz o caminho a seguir: «Conservar a sã tradição e abrir [...] o caminho a um progresso legítimo» (SC, 23).
O Papa Bento XVI identificou, nesta declaração de intenções, o «programa de reforma» dos Padres conciliares, «em equilíbrio com a grande tradição litúrgica do passado e com o futuro», observando que «muitas vezes tradição e progresso se contrapõem de maneira inadequada» enquanto, «na realidade, os dois conceitos se integram: a tradição inclui, ela mesma, de certa forma, o progresso. Como se dissesse que o rio da tradição tem em si também a sua nascente e tende para a foz» (Discurso aos participantes no diálogo por ocasião do 50º aniversário de fundação do Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo, 6 de maio de 2011).
O Concílio afirma a legitimidade deste progresso enraizado na autêntica Tradição distinguindo, no seio da liturgia, «uma parte imutável, porque de instituição divina», das «partes suscetíveis de modificação, que podem e devem variar no decorrer do tempo, se porventura se tiverem introduzido nelas elementos que não correspondem tão bem à natureza íntima da liturgia, ou se tenham tornado menos apropriados» (SC, 21). Mudanças deste tipo ocorreram constantemente ao longo dos séculos, a fim de permitir aos fiéis uma fecunda participação, através das acções rituais, no mistério pascal de Cristo, fundamento da fé cristã. Por conseguinte, o culto da Igreja “encarnou-se” nas formas culturais de cada época e foi capaz de as influenciar e até de as transformar. Assim, durante séculos, a liturgia foi um motor de evangelização. Hoje, é necessário renovar esta energia, em continuidade com a autêntica e viva tradição católica, ou seja, segundo uma dinâmica destinada a introduzir os crentes na plenitude da verdade.
Então, compreende-se por que motivo os Padres conciliares recomendaram que a revisão dos ritos, quando corresponder a «uma utilidade autêntica e certa da Igreja», seja sempre realizada «com a preocupação de que as novas formas, de certo modo, surjam a partir das já existentes» (SC, 23). Para o bem de toda a Igreja, qualquer reforma deve ser sempre precedida de «uma acurada investigação teológica, histórica e pastoral» (ibid.). Deste modo, o Magistério conciliar convida a evitar a desorientação dos fiéis, dissuadindo qualquer pessoa de acrescentar, suprimir ou modificar algo por sua iniciativa em matéria litúrgica (cf. SC, 22). O progresso evocado pela Constituição conciliar não compromete, de maneira alguma, a comunhão eclesial: pelo contrário, tenciona confirmá-la e favorecê-la.
Por conseguinte, exorto todos aqueles que são chamados a preparar a celebração dos divinos mistérios, em particular os sacerdotes que exercem o ministério da presidência litúrgica, a manter sempre o respeito pelos textos e pelas normas da liturgia que brota de uma atitude interior de disponibilidade e confiança em Deus, manifestando humildade perante a sua grandeza e sincera fidelidade à comunhão eclesial. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO: DANIEL 3…

Refrão: Digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito o vosso nome glorioso e santo:
digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais no templo santo da vossa glória:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no trono da vossa realeza:
digno de louvor e de glória para sempre.

Bendito sejais, Vós que sondais os abismos
e estais sentados sobre os Querubins:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no firmamento dos céus:
digno de louvor e de glória para sempre.


SANTOS POPULARES

 


BEATA MARIA LEONIS
 
Käthe Elisabeth Müller nasceu em Gdańsk, no dia 3 de Fevereiro de 1913. Era uma das três filhas de Bruno Ludwig e Ana Matilda (nascida Dams), que pertenciam à classe média urbana. Foi baptizada na Igreja de São Nicolau.
Aos seis anos, começou a frequentar a escola primária e, posteriormente, o ensino médio. Era talentosa na música e amava poesia e ciências. Ainda adolescente, sentiu o desejo de seguir a vida religiosa.
Em 1932, com 19 anos, Käthe entrou no Convento de Braniewo, onde, após concluir o postulantado inicial, começou a estudar num colégio católico para raparigas. Em 29 de Abril de 1936, entrou para o noviciado e adoptou o nome religioso ‘Maria Leonis’. No dia 2 de Maio de 1938, dia dos seus primeiros votos religiosos, disse às freiras suas companheiras: “Os vossos maridos são maravilhosos, mas o meu é o mais belo de todos”. Feliz pelos seus votos recém-professados, procurou desenvolver os ideais cristãos e o espírito religioso por meio da perseverança e da força de vontade.
Foi enviada para trabalhar, como professora, no internato feminino em Heilsberg (Lidzbark Warmiński). O seu trabalho em Lidzbark provavelmente teria durado mais tempo se não tivesse iniciado a Segunda Guerra Mundial. Os seus superiores enviaram-na para Mehlsack (Pieniężno), para um hospital de campanha militar. Um grande número de refugiados e soldados polacos feridos foram abrigados no prédio da casa missionária dos Padres do Verbo Divino. Lá, a Irmã Maria Leonis deparou-se com muita pobreza e sofrimento humano, aos quais não se mostrou indiferente. Após dois meses, voltou a Lidzbark Warmiński, onde auxiliou na educação das crianças. Em 1940, foi transferida para o noviciado em Braniewo, onde lhe foi confiada a função de assistente da mestra de noviças.
Na primavera de 1941, a Irmã Maria Leonis fez os votos perpétuos, com consciência e amor. Nos seus apontamentos, constavam as palavras: "Senhor, não permitais que eu ame ninguém, além de Vós".
Em 1942, foi transferida para Reszel. Não querendo desperdiçar o seu talento como professora, foi enviada para trabalhar como educadora num internato, cuidando de meninas. Contudo, as autoridades nazis, desejando impedir a Igreja do seu trabalho educacional, fecharam a escola, e a Irmã Maria Leonis voltou a Braniewo. As suas superioras decidiram enviá-la para estudar farmácia em Königsberg, onde iniciou os estudos, na Universidade Albrecht. Gradualmente, a universidade tornou-se, cada vez mais, sujeita à influência nazista, que se tornou dominante na universidade estatal. Essa situação foi fonte de grande sofrimento para a Irmã Maria Leonis. Então, após dois anos de estudos, ela pediu dispensa. Foi enviada para Olsztyn, para auxiliar na administração do hospital municipal. Assumiu, também, a responsabilidade da farmácia do hospital.
Em Janeiro de 1945, juntamente com toda a sua comunidade e as enfermarias do hospital, ela testemunhou a entrada das tropas soviéticas.
O seu martírio começou no dia 21 de Janeiro e durou quase cinco meses. Após a ocupação do hospital pelas tropas do Exército Vermelho, as freiras foram espancadas e humilhadas. A Irmã Maria Leonis foi violada e abusada. Lutando tenazmente para se defender, sofreu uma fractura no crânio. Suportou heroicamente todo esse sofrimento, e somente o pensamento de que, dessa forma, poderia expiar os seus pecados, lhe deu força e coragem. Às suas Irmãs que haviam passado por provação semelhante, ela disse: "Agora temos a oportunidade de amar os nossos inimigos, não de retribuir o mal com o mal".
Depois foi para a prisão de Olsztyn, de onde foi enviada para Ciechanów. No campo de trânsito da NKVD, ela sofreu muito com a fome e a sede. O desprezo e as zombarias que suportou aumentaram o seu sofrimento. Foi, também, forçada a entregar os últimos símbolos da fé que possuía.
No dia 16 de Março, as prisioneiras foram divididas em três grupos. A Irmã Maria Leonis foi separada das outras freiras. Chorando, ofereceu essa dor a Deus em reparação dos pecados do mundo. Foi deportada para o interior da Rússia.
A Irmã Maria Leonis morreu no dia 5 de Junho de 1945, num local desconhecido, vítima dos ferimentos, da fome e do esforço físico. Tinha 32 anos. O seu martírio foi particularmente amargo, mas suportado com grande amor por Jesus.
O Papa Francisco, no dia 14 de Março de 2024, reconheceu o seu martírio por ódio à fé, juntamente com o das outras catorze Irmãs, também elas vítimas das atrocidades cometidas pelos soldados do Exército Vermelho.
Foram beatificadas, no dia 31 de Maio de 2025, pelo Papa Leão XIV.

domingo, 24 de maio de 2026

EM DESTAQUE

 


*SOLENIDADE DO PENTECOSTES

A Igreja celebra, neste Domingo, a solenidade do Pentecostes: a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, que estavam reunidos no mesmo lugar, em Jerusalém.
O Espírito manifestou-se como um vento impetuoso, que encheu toda a casa; e como uma espécie de línguas de fogo que pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo…
Pentecostes é a festa da unidade na diversidade, é a festa da luz diante das trevas do pecado e da morte. É a festa do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida.
Os judeus celebravam o Pentecostes com uma grande festa de alegria: era a festa das colheitas, de acção de graças pelas colheitas do trigo. Vinha gente de toda a parte: judeus piedosos que voltavam a Jerusalém, acompanhados pelos seus amigos pagão e prosélitos (recém-convertidos). Nesta celebração, os judeus ofereciam, no templo, as primícias das colheitas. Era, também, chamada ‘Festa das sete semanas’ por ser celebrada sete semanas depois da festa da Páscoa, no quinquagésimo dia. Daí o nome ‘Pentecostes’, que significa “quinquagésimo dia”.
Depois da morte de Jesus, cinquenta dias depois da páscoa da ressurreição, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade cristã de Jerusalém.
O Domingo de Pentecostes encerra o Tempo Pascal e anuncia o nascimento da Igreja, comunidade animada pelo Espírito, que vive em comunhão, partilha os bens, persevera na oração, no ensinamento dos apóstolos e na fracção do pão.

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- DOMINGO DE PENTECOSTES 

 

“…Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos»…” (
cf. João 20, 19-23)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral,  Praça de São Pedro – Roma, no dia 20 de Maio de 2026
 
Caros irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Hoje, damos início a uma série de catequeses sobre o primeiro Documento, promulgado pelo Concílio Vaticano II: a Constituição sobre a sagrada liturgia ‘Sacrosanctum Concilium’ (SC).
Ao elaborar esta Constituição, os Padres conciliares quiseram não só empreender uma reforma dos ritos, mas levar a Igreja a contemplar e a aprofundar aquele vínculo vivo que a constitui e a une: o mistério de Cristo. Com efeito, a liturgia toca o próprio coração deste mistério: ela é simultaneamente o espaço, o tempo e o contexto em que a Igreja recebe, de Cristo, a própria vida. Sim, na liturgia «cumpre-se a obra da nossa Redenção» (SC, 2), que faz de nós uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido por Deus (cf. 1 Pd 2, 9).
Como manifestou a tripla renovação – bíblica, patrística e litúrgica – que atravessou a Igreja, ao longo do século XX, o Mistério em questão não designa uma realidade obscura, mas o desígnio salvífico de Deus, escondido desde a eternidade e revelado em Cristo, segundo a afirmação de São Paulo (cf. Ef 3, 3-6). Eis, pois, o Mistério cristão: o acontecimento pascal, ou seja, a paixão, a morte, a ressurreição e a glorificação de Cristo, que, precisamente, na liturgia, torna-se sacramentalmente presente, de tal modo que, cada vez que participamos na assembleia congregada «em seu nome» (Mt 18, 20), mergulhamos neste Mistério.
O próprio Cristo é o princípio interior do mistério da Igreja, santo povo de Deus, nascido do seu lado trespassado na cruz. Na sagrada liturgia, com o poder do seu Espírito, Ele continua a agir. Santifica e associa a Igreja, sua esposa, à sua oferenda ao Pai. Exerce o seu sacerdócio absolutamente singular, Ele que está presente na Palavra proclamada, nos Sacramentos, nos ministros que celebram, na comunidade congregada e, em sumo grau, na Eucaristia (cf. SC, 7). É assim que, segundo Santo Agostinho (cf. Serm., 277), celebrando a Eucaristia, a Igreja «recebe o Corpo do Senhor, tornando-se aquilo que recebe»: torna-se o Corpo de Cristo, «morada de Deus pelo Espírito» (Ef 2, 22). Esta é «a obra da nossa Redenção», que nos configura a Cristo e nos edifica na comunhão.
Na sagrada liturgia, esta comunhão realiza-se «por meio dos ritos e das orações» (SC, 48). A ritualidade da Igreja expressa a sua fé – de acordo com o famoso ditado ‘lex orandi, lex credendi’ – e, ao mesmo tempo, modela a identidade eclesial: a Palavra proclamada, a celebração do Sacramento, os gestos, os momentos de silêncio, o espaço - tudo isto representa e dá forma ao povo convocado pelo Pai, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo. Assim, cada celebração torna-se uma verdadeira epifania da Igreja em oração, como recordou São João Paulo II (Carta apostólica Vicesimus quintus annus, 9).
Se a liturgia está ao serviço do mistério de Cristo, compreende-se por que motivo foi definida como, «simultaneamente, a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força» (SC, 10). É verdade que a acção da Igreja não se limita unicamente à liturgia; no entanto, todas as suas actividades (pregação, serviço aos pobres, acompanhamento das realidades humanas) convergem para esta «meta». No sentido inverso, a liturgia sustenta os fiéis, mergulhando-os, sempre e de novo, na Páscoa do Senhor e, por isso, através da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos e da oração comum, eles são revigorados, encorajados e renovados no seu compromisso de fé e na sua missão. Em síntese, a participação dos fiéis na acção litúrgica é «interior» e, ao mesmo tempo, «exterior».
Isto significa também que ela é chamada a manifestar-se concretamente ao longo de toda a vida diária, numa dinâmica ética e espiritual, de tal maneira que a liturgia celebrada se traduz em vida e exige uma existência fiel, capaz de tornar concreto o que foi vivido na celebração: é desta forma que a nossa vida se torna «sacrifício vivo, santo e agradável a Deus», realizando o nosso «culto espiritual» (Rm 12, 1).
Deste modo, «a liturgia edifica, os que estão na Igreja, em templo santo no Senhor» (SC, 2), e forma uma comunidade aberta e acolhedora para todos. Com efeito, ela é habitada pelo Espírito Santo, introduz-nos na vida de Cristo, torna-nos seu Corpo e, em todas as suas dimensões, representa um sinal da unidade de toda a humanidade em Cristo. Como dizia o Papa Francisco, «o mundo ainda não o sabe, mas todos “são convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap 19, 9)» (Carta apostólica Desiderio desideravi, 5).
Caríssimos, deixemo-nos plasmar interiormente pelos ritos, símbolos, gestos e principalmente pela presença viva de Cristo na liturgia, que ainda teremos a oportunidade de aprofundar nas próximas Catequeses. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 




- SALMO 103

 

Refrão: Mandai, Senhor, o Vosso Espírito

               e renovai a terra!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.

Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.


SANTOS POPULARES

 


BEATO CARLOS LIVIERO
 
Carlos Liviero nasceu em Vicenza, no dia 29 de Maio de 1866, filho mais velho de Paulo Liviero e Caetana Gialain. Foi baptizado, no dia seguinte, na Igreja Paroquial de São Pedro Apóstolo.
De Vicenza, a família mudou-se para Monselice, na província de Pádua, para onde o seu pai, ferroviário, foi transferido. Ali, frequentou a escola primária e o ensino médio, revelando, também, desde cedo, a sua vocação para o sacerdócio.
Em Outubro de 1881, entrou no seminário de Pádua, onde se destacou pela sua profunda piedade, diligência e dedicação aos estudos.
Em 30 de Novembro de 1888, foi ordenado sacerdote, aos 22 anos. Pouco depois, foi enviado para Gallio, no planalto de Asiago, na região de Vicenza, conhecido como as ‘Sete Cidades’, para leccionar no Seminário.
Em 1890, tornou-se arcipreste de Gallio e, dez anos depois (1900), foi transferido para Agna, na Baixa Pádua: a região encontrava-se em condições económicas desfavoráveis, e isso teve grandes repercussões na vida religiosa e moral dos seus habitantes.
O Padre Liviero dedicou-se a obras de grande alcance, colocando as suas excelentes qualidades humanas e espirituais ao serviço do Reino de Deus, para libertar os fiéis, a ele confiados, de todas as formas de pobreza. Empreendeu, também, uma dura luta contra o anticlericalismo predominante, defendido pela acção subversiva dos revolucionários socialistas; os seus paroquianos chamavam-lhe "martelo do socialismo".
O seu trabalho apostólico, organizacional e ideológico valeu-lhe o reconhecimento dos seus superiores e, em 6 de Março de 1910, foi nomeado bispo de Città di Castello, cidade histórica da província de Perugia.
Aqui, também, e desde o início, foi forçado, como em Agna, a entrar em combate aberto contra os inimigos da Igreja - socialistas, liberais e maçons - com todo o ardor da sua juventude e das suas convicções bem fundamentadas.
A hostilidade inicial transformou-se em admiração, pelas numerosas obras espirituais e de caridade que surgiram rapidamente por meio do seu ministério pastoral. O Seminário floresceu com muitas vocações; em 1915, foi fundado o "Hospício do Sagrado Coração" para a educação de crianças pobres e órfãs; em 1920, o "Pensionato Sacro Cuore" para estudantes; e em 1925, um acampamento de férias, à beira-mar, em Pesaro para órfãos e crianças escrofulosas [doentes com escrófula - termo vulgar da patologia Linfadenite Cervical Micobacteriana - que designa uma linfadenite cervical dos linfonodos associados à tuberculose, assim como as não tuberculosas (em casos atípicos) micobacterianas. Designada popularmente alporca ou alporque. É uma afecção mórbida geral do organismo, dando lugar a várias moléstias, quase todas de natureza tuberculosa, sobretudo dos gânglios linfáticos (adenites tuberculosas), principalmente do pescoço, da pele e das mucosas, com tendência à cronicidade, à supuração e à ulceração] e debilitadas, da diocese.
Além disso, não podemos esquecer a 'Escola Primária Católica' de 1910, a 'Gráfica Católica' de 1912, a 'Livraria Católica' de 1919, que contava com uma biblioteca circulante; uma sala de projecção de filmes foi inaugurada em 1912 e, posteriormente, um cinema propriamente dito, em 1931.
Para prestar assistência aos órfãos e vítimas desamparadas da Primeira Guerra Mundial, acolhidos no seu "Hospício do Sagrado Coração" e no acampamento de férias à beira-mar, ele fundou uma congregação religiosa feminina chamada "Pequenas Servas do Sagrado Coração". Esta congregação foi aprovada em 16 de Outubro de 1916, pelo Papa Bento XV, e hoje possui um número expressivo de lares e de religiosas.
Fundou, também, o semanário diocesano "Voce di Popolo" e um "Boletim Diocesano" para todos os seus padres. O seu compromisso particular era a formação cristã e moral dos jovens e o valor educativo insubstituível da família.
Em 24 de Junho de 1932, enquanto viajava para o acampamento de férias à beira-mar, em Pesaro, sofreu um grave acidente de viação. Ferido, foi internado no hospital de Fano, onde faleceu no dia 7 de Julho, tão pobre quanto vivera.
Foi sepultado no cemitério de Città di Castello e, em 5 de Março de 1933, os seus restos mortais foram transladados para a cripta da Catedral, colocados num sarcófago de mármore, que se tornou objecto de agradecida homenagem de muitos fiéis.
Foi beatificado, no dia 27 de Maio de 2007, Domingo de Pentecostes, na Praça Gabriotti, na Città di Castello, pelo Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em nome do Papa Bento XVI.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 30 de Maio.