PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Vós sois…” (cf. Mateus 5, 13 …) No Evangelho de hoje (cf. Mt 5, 13-16), Jesus diz aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra [...] Vós sois a luz do mundo» (vv. 13.14). Ele usa uma linguagem simbólica para indicar àqueles que pretendem segui-lo, alguns critérios para viver a presença e o testemunho no mundo. Primeira imagem: o sal. O sal é o elemento que dá sabor, que conserva e preserva os alimentos contra a corrupção. Portanto, o discípulo é chamado a manter longe da sociedade os perigos, os germes corrosivos que poluem a vida das pessoas. Trata-se de resistir à degradação moral, ao pecado, dando testemunho dos valores da honestidade e da fraternidade, sem ceder às lisonjas mundanas do arrivismo, do poder e da riqueza. É “sal” o discípulo que, não obstante os fracassos diários – porque todos nós os temos – se levanta do pó dos próprios erros, recomeçando com coragem e paciência, todos os dias, a procurar o diálogo e o encontro com os outros. É “sal” o discípulo que não busca o consentimento nem o elogio, mas que se esforça por ser uma presença humilde e construtiva, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus que veio ao mundo não para ser servido, mas para servir. E há tanta necessidade desta atitude! A segunda imagem que Jesus propõe aos seus discípulos é a da luz: «Vós sois a luz do mundo». A luz dissipa a escuridão e permite ver. Jesus é a luz que dissipou as trevas, mas elas ainda permanecem no mundo e nas pessoas individualmente. É tarefa do cristão dispersá-las, fazendo resplandecer a luz de Cristo e anunciando o seu Evangelho. Trata-se de uma irradiação que pode derivar até das nossas palavras, mas deve brotar principalmente das nossas «boas obras» (v. 16). Um discípulo e uma comunidade cristã são luz no mundo quando orientam os outros para Deus, ajudando cada um a experimentar a sua bondade e misericórdia. O discípulo de Jesus é luz quando sabe viver a sua fé fora dos espaços restritos, quando contribui para eliminar preconceitos, para eliminar calúnias e para fazer entrar a luz da verdade nas situações corrompidas pela hipocrisia e pela mentira. Fazer luz. Mas não se trata da minha luz, é a luz de Jesus: nós somos instrumentos para que a luz de Jesus chegue a todos. Jesus convida-nos a não ter medo de viver no mundo, embora às vezes nele haja condições de conflito e de pecado. Diante da violência, da injustiça e da opressão, o cristão não pode fechar-se em si mesmo, nem esconder-se na segurança do próprio espaço; nem sequer a Igreja pode fechar-se em si mesma, não pode abandonar a sua missão de evangelização e de serviço. Na Última Ceia Jesus pediu ao Pai para não tirar os discípulos do mundo, para os deixar aqui, no mundo, mas para os proteger contra o espírito do mundo. A Igreja dedica-se com generosidade e ternura aos pequeninos e aos pobres: este não é o espírito do mundo, esta é a sua luz, é o sal. A Igreja escuta o grito dos últimos e dos excluídos, porque está consciente de que é uma comunidade peregrina, chamada a prolongar na história a presença salvífica de Jesus Cristo. Que a Virgem Santa nos ajude a ser sal e luz no meio do povo, levando a todos, com a vida e a palavra, a Boa Nova do amor de Deus. (cf. Papa Francisco, na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro, Roma, no dia 9 de Fevereiro de 2020)

sábado, 7 de fevereiro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


V DOMINGO DO TEMPO COMUM     

 

“…Eis o que diz o Senhor:
«Reparte o teu pão com o faminto,
dá pousada aos pobres sem abrigo,
leva roupa ao que não tem que vestir
e não voltes as costas ao teu semelhante.
Então a tua luz despontará como a aurora
e as tuas feridas não tardarão a sarar.
Preceder-te-á a tua justiça
e seguir-te-á a glória do Senhor.
Então, se chamares, o Senhor responderá,
se O invocares, dir-te-á: “Aqui estou”.
Se tirares do meio de ti a opressão,
os gestos de ameaça e as palavras ofensivas,
se deres do teu pão ao faminto
e matares a fome ao indigente,
a tua luz brilhará na escuridão
e a tua noite será como o meio-dia».,,,” (
cf.  Isaías 58, 7-10)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Sala Paulo VI, Vaticano - Roma, no dia 4 de Fevereiro de 2026.
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
A Constituição conciliar Dei Verbum, sobre a qual reflectimos nestas semanas, indica na Sagrada Escritura, lida na Tradição viva da Igreja, um espaço privilegiado de encontro em que Deus continua a falar aos homens e mulheres de todos os tempos, a fim de que, ouvindo-o, possam conhecê-lo e amá-lo. Contudo, os textos bíblicos não foram escritos numa linguagem celestial ou sobre-humana. Com efeito, como nos ensina também a realidade quotidiana, duas pessoas que falam línguas diferentes não se entendem, não podem dialogar, não conseguem estabelecer uma relação. Em certos casos, fazer-se compreender pelo outro constitui um primeiro acto de amor. Por isso, Deus escolhe falar, servindo-se de linguagens humanas, e assim vários autores, inspirados pelo Espírito Santo, redigiram os textos da Sagrada Escritura. Como recorda o documento conciliar, «as palavras de Deus, expressas por línguas humanas, tornaram-se intimamente semelhantes à linguagem humana, como outrora o Verbo do eterno Pai se assemelhou aos homens, tomando a carne da fraqueza humana» (DV, 13). Portanto, não só no seu conteúdo, mas também na linguagem, a Escritura revela a condescendência misericordiosa de Deus para com os homens e o seu desejo de se aproximar deles.
Ao longo da história da Igreja, estudou-se a relação existente entre o Autor divino e os autores humanos dos textos sagrados. Durante vários séculos, muitos teólogos preocuparam-se em defender a inspiração divina da Sagrada Escritura, considerando os autores humanos quase como simples instrumentos passivos do Espírito Santo. Em tempos mais recentes, a reflexão revalorizou a contribuição dos hagiógrafos na redacção dos textos sagrados, a tal ponto que o documento conciliar fala de Deus como «autor» principal da Sagrada Escritura, mas chama também aos hagiógrafos «verdadeiros autores» dos livros sagrados (cf.  DV, 11). Como observava um perspicaz exegeta do século passado, «rebaixar a operação humana à de um simples amanuense não significa glorificar a operação divina». Deus nunca mortifica o ser humano e as suas potencialidades!
Portanto, se a Escritura é Palavra de Deus com palavras humanas, qualquer abordagem sua que negligencie ou negue uma destas duas dimensões é parcial. Daí decorre que uma interpretação correcta dos textos sagrados não pode prescindir do ambiente histórico em que amadureceram, nem das formas literárias utilizadas; pelo contrário, a renúncia ao estudo das palavras humanas, de que Deus se serviu, corre o risco de levar a leituras fundamentalistas ou espiritualistas da Escritura, que atraiçoam o seu significado. Este princípio é válido também para o anúncio da Palavra de Deus: se ele perder o contacto com a realidade, com as esperanças e os sofrimentos dos homens; se utilizar uma linguagem incompreensível, pouco comunicativa ou anacrónica, será ineficaz. Em todas as épocas, a Igreja é chamada a repropor a Palavra de Deus com uma linguagem capaz de se encarnar na história e de alcançar os corações. Como recordava o Papa Francisco, «sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo actual».
Por outro lado, igualmente redutora é uma leitura da Escritura que descuide a sua origem divina e acabe por a entender como mero ensinamento humano, como algo a estudar simplesmente do ponto de vista técnico, ou como «um texto só do passado». Pelo contrário, sobretudo quando é proclamada no contexto da liturgia, a Escritura tenciona falar aos crentes de hoje; tocar a sua vida presente com as suas problemáticas; iluminar os passos a dar e as decisões a tomar. Isto só é possível quando o crente lê e interpreta os textos sagrados sob a orientação do mesmo Espírito que os inspirou (cf.  DV, 12).
Neste sentido, a Escritura serve para alimentar a vida e a caridade dos crentes, como recorda Santo Agostinho: «Quem pensa ter compreendido as Escrituras divinas [...], se mediante esta compreensão não consegue levantar o edifício da dupla caridade, de Deus e do próximo, ainda não as entendeu».  A origem divina da Escritura recorda também que o Evangelho, confiado ao testemunho dos baptizados, não obstante englobe todas as dimensões da vida e da realidade, transcende-as: ele não pode ser reduzido a uma mera mensagem filantrópica ou social, mas é o anúncio jubiloso da vida plena e eterna que Deus nos concedeu em Jesus.
Caros irmãos e irmãs: demos graças ao Senhor porque, na sua bondade, não deixa faltar à nossa vida o alimento essencial da sua Palavra, e oremos a fim de que as nossas palavras, e ainda mais a nossa vida, não ofusquem o amor de Deus nelas narrado. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 111

 

Refrão: Para o homem recto nascerá uma luz,

              no meio das trevas.

            

Brilha aos homens retos, como luz nas trevas,
o homem misericordioso, compassivo e justo.
Ditoso o homem que se compadece e empresta
e dispõe das suas coisas com justiça.

Este jamais será abalado;
o justo deixará memória eterna.
Ele não receia más notícias:
seu coração está firme, confiado no Senhor.

O seu coração é inabalável, nada teme;
reparte com largueza pelos pobres,
a sua generosidade permanece para sempre
e pode levantar a cabeça com altivez.


SANTOS POPULARES

 


BEATO TIAGO ALFREDO MILLER
 
Tiago Alfredo Miller nasceu em Ellis, perto de Stevens Point, Wisconsin, Estados Unidos, no dia 21 de Setembro de 1944. Os seus pais, Arnoldo e Lorena, eram fazendeiros. Eles tiveram quatro filhos: William (chamado Bill), Ralph, Patricia e Louise. Foi baptizado, na Igreja da Imaculada Conceição, em Custer, Wisconsin, no dia 1 de Outubro de 1944. Recebeu o Crisma, na mesma igreja, pelas mãos de Monsenhor John Treacy, da Diocese de La Crosse, no dia 28 de Maio de 1955.
Nasceu prematuro e abaixo do peso normal, mas cresceu alto e forte. Gostava de trabalhar na lavoura e cuidar do gado, especialmente das galinhas e dos frangos. Era sociável e comunicativo; interessava-se pelos seus vizinhos e outros moradores, jovens e idosos. Frequentou a escola primária na Escola Pública Edison, em Ellis, caminhando, a pé, todos os dias, cerca de dois quilómetros até à sua escola.
Quanto à sua religiosidade, o seu irmão Bill lembra que, quando criança, ele brincava a imitar os padres a celebrar a missa e dar a bênção. Certa vez, ao regressar a casa, depois da confissão, lembrou-se de que não tinha cumprido a penitência: ajoelhou-se na rua e começou a rezar, ali mesmo. Noutra ocasião, viu-o a rezar para que uma das galinhas, que estava ao seu cuidado, não morresse.
Em 1958, entrou no Instituto Pacelli (sobrenome de família do Papa Pio XII) em Stevens Point, para frequentar o ensino médio. Para a ocasião, recebeu a Enciclopédia Mundial. Tiago leu-a do princípio ao fim, concentrando-se nas páginas sobre países estrangeiros, biografias e ciência.
No Pacelli, conheceu os Irmãos das Escolas Cristãs, fundados por São João Baptista de La Salle. Influenciado, positivamente, pelos professores religiosos e pelo director, o Irmão Floriano Donatelli, pediu para entrar no Noviciado, localizado em Glencoe, no Missouri.
O seu pedido foi atendido, em Setembro de 1959. Três anos depois, no dia 30 de Agosto de 1962, iniciou o seu noviciado: vestiu o hábito religioso e, segundo o costume, mudou o seu nome para Irmão Leão Guilherme. Em 1966, o Capítulo-Geral estabeleceu que os Irmãos poderiam voltar a usar seu sobrenome e o nome de baptismo; ele assim o fez.
O Irmão Tiago passou o seu segundo ano do Juniorato ou Escolasticado, na Cretin-Dernam Hall Secondary School, em St. Paul, Minnesota. Continuou seus estudos na Saint Mary's University em Winona, Minnesota. Ao concluir o noviciado, professou os conselhos evangélicos, aos quais acrescentou as promessas especiais de seu instituto religioso: associação ao serviço educativo dos pobres e de estabilidade.
Na escola Cretin-Dernam Hall, ele leccionava espanhol, inglês e religião. Também supervisionava a manutenção da escola. Nunca se recusava a ajudar, seja a limpar a neve dos passeios, as casas de banho, fornos ou a consertar qualquer coisa quebrada.
Os alunos, sem saber, apelidaram-no "Irmão Faz-Tudo". Outros chamavam-no "Irmão Alegria", por vê-lo tratar todos com bom humor. Fundou, também, uma equipa de futebol para os alunos, da qual, também, se tornou o treinador.
Em 1966, obteve o diploma de Bacharel em Artes e em Línguas Modernas. Em 5 de Maio de 1969, foi informado de que, ao final do retiro anual, poderia fazer os seus votos perpétuos, no dia 12 de Junho.
 
Logo depois, foi enviado para a escola missionária lassalista em Bluefields, na costa atlântica da Nicarágua. Ali, os seus primeiros anos foram muito normais, entre aulas e tarefas de manutenção. Também criou uma equipa de futebol americano. As aulas eram ministradas em espanhol, idioma que o Irmão Tiago, ou melhor, o Irmão Santiago (o equivalente espanhol do seu nome), dominava muito bem.
Em Março de 1974, ano em que concluiu o seu mestrado, foi transferido para Puerto Cabezas, também na costa atlântica, ao norte de Bluefields, para leccionar inglês, matemática e religião, no Instituto Nacional Cristóvão Colombo, administrado pelos Irmãos, mas pertencente ao governo. Durante as férias, leccionava na filial da Universidade Nacional, em Puerto Cabezas, em cursos de formação de professores.
Em 1975, foi nomeado, pelo governo, director do Instituto. Os seus colegas, porém, consideravam-no mais um amigo do que um superior directo. O mesmo se aplicava aos seus alunos, pelos quais se preocupava e se interessava em resolver os seus problemas. Era muito exigente com eles, mas também sabia como incentivá-los, especialmente durante os jogos de basquete, beisebol, softbol e vólei: "Da próxima vez podemos fazer melhor. Não importa se ganharmos ou perdermos...", dizia-lhes.
Aproveitando-se do apoio que tinha no governo, obteve financiamento significativo para expandir as instalações da escola, equipando-a com novas salas de aula, um auditório e laboratórios de ciências, carpintaria e electrotecnia. Também lutou pelos povos indígenas mestiços, por exemplo, criando um corpo de bombeiros voluntários. Com verbas governamentais, mais tarde, construiu dez escolas rurais.
No entanto, devido ao seu relacionamento com Anastácio Somoza, líder do regime nicaraguense, ele passou a sofrer ameaças, inclusive dos pais dos seus alunos. Os sandinistas colocaram-no na sua lista negra. Pouco tempo depois, a revolução chegou a Puerto Cabezas. Quando lhe perguntaram se tinha medo de tiros, o Irmão Tiago respondeu: "Medo? Nunca pensei que pudesse rezar com tanto fervor como rezo quando vou dormir".
Finalmente, em Julho de 1979, ele obedeceu aos seus superiores e regressou aos Estados Unidos. Passou o verão na quinta da família e, em Setembro, voltou para Cretin-Dernham Hall. De manhã, dava aulas de espanhol; e à tarde, dedicava-se à manutenção. Nas horas vagas, também fez um curso de soldadura, no Instituto Técnico local.
Contudo, ele não estava nada feliz, ali. Percebia a disparidade entre os recursos disponíveis para os seus alunos nos Estados Unidos e a pobreza da Nicarágua, onde a educação era privilégio de poucos. Então, pediu para voltar para as missões, de preferência para a Guatemala.
O seu superior local enviou-o ao Centro Sangue de Cristo, em Santa Fé, Novo México, para um curso de actualização de pastoral missionária. Durante esse período, o Irmão Tiago considerou, seriamente, a possibilidade de entrar para a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e seguir a vocação sacerdotal. Ele conhecia bem os Capuchinhos e admirava o trabalho deles, na Nicarágua. No entanto, ele reafirmou firmemente a sua decisão de permanecer religioso lassalista.
Em Janeiro de 1981, o seu novo destino tornou-se efectivo: Huehuetenango, Guatemala, durante um período de três anos.
O Irmão Tiago ficou, imediatamente, cativado pela paisagem, pelos costumes maias e pelas tradições. Iniciou o seu compromisso como professor no Colégio La Salle e no Centro Indígena, que também incluía uma quinta e incentivava os jovens a aprenderem agricultura; assim, eles se tornariam excelentes líderes para as suas comunidades.
O Irmão Tiago, porém, enfrentou vários desafios na vida comunitária. A sua agenda de trabalho impedia-o de cumprir, integralmente, os horários da vida comunitária, principalmente os da oração comum. Muitas vezes, ficava acordado até tarde, para ajudar ou aconselhar os jovens, no Centro Indígena.
Ainda em 1981, voltou aos Estados Unidos, para St. Paul, para uma cirurgia ao joelho. O irmão Estêvão Markham, Visitador-Auxiliar do Distrito de St. Paul / Minneapolis, visitou-o e perguntou-lhe: "Tiago, não tens medo de ir para a América Central, onde, agora, há tanta violência, especialmente contra aqueles que ensinam a justiça, o amor ao próximo e a conduta honesta?" Ele respondeu: "Não estou a pensar nisso. Há tanto a fazer, e não se pode desperdiçar energia reclamando do que pode acontecer. Não importa o que aconteça!"
Exactamente um ano após a sua chegada, em Janeiro de 1982, ele já estava plenamente consciente da situação política, cada vez mais grave. Escreveu ao seu antigo director de noviciado: "Pessoalmente, estou cansado de toda essa violência; mas, continuo profundamente comprometido com essas pessoas pobres que sofrem na América Central... Cristo é perseguido por causa da nossa opção pelos pobres. Cientes dos muitos perigos e dificuldades, continuamos a trabalhar com fé, esperança e confiança na providência de Deus."
Continuou: "Sou Irmão das Escolas Cristãs há quase vinte anos, e o meu compromisso com esta vocação tem-se fortalecido, cada vez mais, desde que comecei a trabalhar na América Central. Peço a Deus a graça e a força para servi-Lo fielmente entre os pobres e oprimidos da Guatemala. Entrego a minha vida à Sua providência e confio-me a Ele."
No dia 10 de Fevereiro de 1982, o pai de um dos Irmãos guatemaltecos preocupou os religiosos do Colégio La Salle: ele ouvira membros do Exército a conspirar para assassinar o vice-director da instituição. Na realidade, havia três directores adjuntos, para cada uma das instalações confiadas aos lassalistas: o Irmão Tiago era o director-adjunto do Centro Indígena.
Como a ameaça era muito vaga, recomendou-se que nenhum dos Irmãos deixasse as suas casas. Enquanto isso, o embaixador dos EUA enviou um alerta a grupos religiosos norte-americanos a trabalhar na Guatemala, informando-os de que ouvira rumores sobre planos para assassinar um "norte-americano" não especificado, num futuro próximo.
Além disso, os estudantes do Centro eram frequentemente recrutados à força para o exército, mesmo estando teoricamente isentos do serviço militar. Nesses casos, os Irmãos apresentavam às autoridades provas de que o recrutado era estudante; momento em que, a contragosto, ele era liberado. O mesmo aconteceu em 11 de Fevereiro de 1983, quando um jovem maia foi recrutado e um dos lassalistas tentou, em vão, libertá-lo. O Irmão Tiago, por sua vez, havia enfrentado uma situação semelhante, durante os seus anos, na Nicarágua.
Apesar dos rumores, ele continuou a realizar o seu trabalho habitual. Mas, no dia 13 de Fevereiro de 1982, enquanto os rapazes da casa preparavam as fantasias de carnaval – era o dia de Carnaval – o Irmão Tiago reparou que um poste de iluminação precisava de conserto; então, com uma escada, subiu ao poste e começou a arranjar a avaria. Mal havia começado, quando três homens mascarados chegaram. Um deles disparou a sua arma, atingindo-o na garganta, no peito e no lado direito. Morreu instantaneamente… Os rapazes correram para o ajudar, assim que ouviram os tiros, mas já não puderam fazer nada.
O funeral do Irmão Tiago foi realizado na Guatemala. Mas, a sua família pediu que o seu corpo fosse levado para os Estados Unidos. Escoltado por milhares de estudantes e amigos, o corpo do Irmão Tiago foi levado de avião para Huehuetenango, e dali, para Ellis, no Wisconsin. No dia 18 de Fevereiro de 1982, foi celebrada uma missa, na Igreja de São Martinho, em Ellis, em memória do Irmão Tiago Alfredo Miller, antes de ser sepultado no cemitério local.
Nunca foi possível identificar os autores do assassinato, mas a reputação de santidade e martírio do Irmão Tiago sempre permaneceu viva entre os Irmãos das Escolas Cristãs, na Guatemala, a ponto de o aniversário do seu assassinato ser comemorado.
O Irmão Tiago Miller foi beatificado, pelo Papa Francisco, no dia 7 de Dezembro de 2019, no Colégio La Salle, em Huehuetenango, em cerimónia presidida pelo Cardeal José Luís Acunza Maestrojuán, Bispo de David (Panamá), como delegado do Santo Padre.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 13 de Fevereiro.

sábado, 31 de janeiro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


IV DOMINGO DO TEMPO COMUM    

 

“…Vede quem sois vós, os que Deus chamou:
não há muitos sábios, naturalmente falando,
nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos.
Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo
para confundir os sábios;
escolheu o que é vil e desprezível,
o que nada vale aos olhos do mundo,
para reduzir a nada aquilo que vale,
a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus.
É por Ele que vós estais em Cristo Jesus,
o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus,
justiça, santidade e redenção.
Deste modo, conforme está escrito,
«quem se gloria deve gloriar-se no Senhor»…”(
cf. 1 Coríntios 1, 26-31)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Sala Paulo VI, Vaticano - Roma, no dia 28 de Janeiro de 2026.
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Dando continuidade à leitura da Constituição conciliar Dei Verbum sobre a Revelação divina, hoje, reflectimos sobre a relação entre a Sagrada Escritura e a Tradição. Podemos tomar como pano de fundo duas cenas evangélicas. Na primeira, que tem lugar no Cenáculo, Jesus, no seu grande discurso-testamento dirigido aos discípulos, afirma: «Eu disse-vos isto estando convosco. Mas o Consolador, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordar-vos-á tudo o que vos tenho dito. [...] Quando vier o Espírito da verdade, Ele guiar-vos-á para a verdade total» (Jo 14, 25-26; 16, 13).
A segunda cena leva-nos, ao contrário, até às colinas da Galileia. Jesus ressuscitado mostra-se aos discípulos, surpreendidos e duvidosos, confiando-lhes uma missão: «Ide e ensinai todas as nações [...] ensinando-as a cumprir tudo o que vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20). Em ambas estas cenas é evidente o íntimo nexo entre a palavra pronunciada por Cristo e a sua difusão ao longo dos séculos.
É quanto afirma o Concílio Vaticano II, recorrendo a uma imagem sugestiva: «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão intimamente ligadas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, formam como que uma só coisa e tendem para o mesmo fim» (Dei Verbum, 9). A Tradição eclesial ramifica-se ao longo da história através da Igreja que ampara, interpreta, encarna a Palavra de Deus. O Catecismo da Igreja Católica  (cf. n. 113) remete, a tal respeito, para um lema dos Padres da Igreja: «A Sagrada Escritura está inscrita no coração da Igreja antes do que em instrumentos materiais», isto é, no texto sagrado.
No sulco das palavras de Cristo supracitadas, o Concílio afirma que «a Tradição apostólica progride na Igreja com a assistência do Espírito Santo» (DV, 8). Isto acontece com a compreensão plena, através da «contemplação e estudo dos crentes», mediante a experiência que nasce da «íntima compreensão das coisas espirituais» e, sobretudo, com a pregação dos sucessores dos apóstolos, que receberam «um carisma seguro da verdade». Em síntese, «na sua doutrina, vida e culto, a Igreja perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo em que acredita» (ibid.).
A este respeito, é famosa a expressão de São Gregório Magno: «A Sagrada Escritura cresce com quantos a leem».  E já Santo Agostinho afirmava que «é um só o discurso de Deus que se desenvolve em toda a Escritura e um só é o Verbo que ressoa nos lábios de tantos santos».  Portanto, a Palavra de Deus não é fossilizada, mas constitui uma realidade viva e orgânica que se desenvolve e cresce na Tradição. Graças ao Espírito Santo, esta última compreende-a na riqueza da sua verdade, encarnando-a nas coordenadas mutáveis da história.
Nesta linha, é sugestivo o que propunha o santo Doutor da Igreja, John Henry Newman, na sua obra intitulada O desenvolvimento da doutrina cristã. Ele afirmava que o cristianismo, quer como experiência comunitária quer como doutrina, é uma realidade dinâmica, da maneira indicada pelo próprio Jesus com as parábolas da semente (cf. Mc 4, 26-29): uma realidade viva que se desenvolve graças a uma força vital interior.
O apóstolo Paulo exorta, várias vezes, o seu discípulo e colaborador Timóteo: «Ó Timóteo, conserva o depósito que te foi confiado» (1 Tm 6, 20; cf. 2 Tm 1, 12.14). Na Constituição dogmática Dei Verbum ressoa este texto paulino, quando diz: «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito da Palavra de Deus confiado à Igreja», interpretado pelo «magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo» (n. 10). “Depósito” é um termo que, na sua matriz original, é de natureza jurídica e impõe ao depositário o dever de conservar o conteúdo, que neste caso é a fé, e de o transmitir intacto.
Ainda hoje o “depósito” da Palavra de Deus está nas mãos da Igreja e todos nós, nos vários ministérios eclesiais, devemos continuar a conservá-lo na sua integridade, como estrela polar para o nosso caminho na complexidade da história e da existência.
Caríssimos, para concluir, ouçamos novamente a Dei Verbum, que exalta a interligação entre a Sagrada Escritura e a Tradição: elas – afirma – estão tão ligadas e unidas entre si que não podem existir independentemente e, juntas, segundo o modo que lhes é próprio, sob a acção de um único Espírito Santo, contribuem, eficazmente, para a salvação das almas (cf. n. 10). (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 145

Refrão: Felizes os pobres que o são no seu íntimo,

             porque deles é o Reino dos Céus.

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.

O Senhor reina eternamente.
O teu Deus, ó Sião,
é Rei por todas as gerações.


SANTOS POPULARES

 


SANTA MARIA CATARINA KASPER
 
Catarina nasceu, no dia 26 de Maio de 1820, em Dernbach, uma aldeia do Estado de Hesse, na Alemanha. Pertencia a uma grande família de humildes camponeses: oito irmãos e irmãs. Frequentou a escola durante pouco tempo, mas gostava de ler, especialmente, a Bíblia e a Imitação de Cristo.
Desde muito cedo, sentiu o chamamento para a vida religiosa. Ela escreveu: "Eu era apenas uma menina quando, sem sequer entender o significado, senti que o Senhor havia acendido, no meu coração, um grande desejo pelos votos religiosos, tanto que, sempre que ouvia falar de conventos ou votos, era tomada por uma emoção inexplicável e uma espécie de ânsia de aprender mais sobre esse modo de vida."
Forte e extrovertida, Catarina passou a sua adolescência a trabalhar nos campos. Entre as tarefas humildes que era obrigada a realizar, chegou a partir pedras para a construção de estradas. Foi durante este trabalho que ela teve uma visão clara do grupo de freiras que formariam a sua família religiosa.
Ela escreveu: "Quando eu ia trabalhar sozinha, sentia a presença de Deus dentro de mim. Ouvia a voz do Espírito Santo a falar comigo e sentia a presença do meu Anjo da Guarda. Tudo isso me fazia feliz, e eu cantava de alegria, trabalhava mais e fazia o mesmo por duas."
Ela era incansável a cortar o feno; a debulhar o trigo ou a juntar lenha na floresta. Generosa de coração, apesar das grandes dificuldades familiares, ela sempre tinha algo para dar aos mais pobres. O seu bom humor era contagiante. Frequentemente ia ao santuário mariano, em Heilborn, e levava consigo algumas crianças. O padre da sua aldeia permitia que ela comungasse com frequência, algo raro naquela época.
Em 1842, faleceram o seu irmão e o seu pai. A grande tristeza foi seguida por crescentes problemas financeiros: tiveram de vender a casa e a unidade da família desfez-se. Catarina e a sua mãe alugaram uma casa onde trabalhavam como tecelãs para se sustentar.
A jovem sentia claramente o chamamento para se consagrar ao Senhor; mas, desde o início, recusou-se a entrar numa Congregação já existente. Após a morte da mãe, mais determinada do que nunca, sem recursos materiais, mas amparada pelos habitantes da sua paróquia, convenceu o bispo de Limburg a abrir uma "pequena casa" para acolher algumas noviças: em 1845, com as suas primeiras companheiras, fundou a “Associação de Caridade”.
O Presidente da Câmara, assim como um amigo construtor, ajudaram-nas, e na Festa da Assunção de 1848, ela conseguiu abrir a casa, que, imediatamente, acolheu os pobres da aldeia. Novas vocações surgiram em grande número e, com a ajuda das autoridades eclesiásticas, ela elaborou as primeiras regras.
Pensando em Maria, a serva do Senhor, Catarina queria que as freiras fossem chamadas ‘Pobres Servas de Jesus Cristo. Exactamente três anos depois, novamente na Festa da Assunção, elas receberam o hábito. Havia muitas freiras consagradas, e a cerimónia foi realizada ao ar livre. Catarina adoptou o nome ‘Maria’: Maria Catarina Kasper. Ela declarou: "Agora, sinto-me capaz de tudo; não me esquivarei de nada".
A Congregação cresceu, rapidamente. A Madre Maria Catarina aceitava freiras sem dote ou instrução; elas precisavam de ser humildes e de ter uma vontade forte. Ela dizia: "Para nós, a maior desgraça seria ter uma freira sem vocação, na nossa casa".
Capaz de penetrar os corações das aspirantes, ela manteve, até aos últimos anos da sua vida, a tarefa de examinar as postulantes, dedicando todo o seu tempo à sua formação. Dizia-lhes: "Tudo deve ser feito para Deus, com Deus e para que Deus actue através de nós. Onde quer que estejamos, estamos com Deus".
Insistia na importância de conciliar a vida interior e o apostolado e, longe de assumir o papel de superiora autoritária, continuava, como uma camponesa robusta, a ceifar feno, descascar batatas, alimentar os animais e lavar roupa. Não se furtava, se necessário, a sair para pedir esmola. As Pobres Servas amavam a sua fundadora também porque, em todas as suas ocupações, ela era uma delas.
A Madre Maria Catarina visitava continuamente as diferentes casas, que se tornavam, cada vez mais, numerosas, para compreender, pessoalmente, os seus problemas e dificuldades. Chegava sem aviso prévio, para não receber honras, viajando a pé ou em classe económica nos comboios. Graças a uma memória excepcional, conhecia pessoalmente todas as suas Irmãs, podendo assim dar-lhes sábios conselhos. Pelo seu olhar, era possível perceber que "o bom Deus estava sempre com ela".
Cada casa, geralmente, abrigava quatro freiras, duas enfermeiras, uma para a escola infantil e outra para os idosos. O crescimento da congregação foi prodigioso; a Madre Maria Catarina foi eleita superiora-geral cinco vezes consecutivas.
Em 1854, foi inaugurada a primeira escola, que era extremamente necessária. No entanto, apesar de tantas conquistas, os tempos seguintes seriam difíceis, devido às correntes políticas anticatólicas (o Kulturkampf de Bismarck). Em 1859, a congregação cruzou a fronteira alemã e entrou na Holanda.
A Madre Maria Catarina, que nunca dispunha de fundos suficientes, enfrentou despesas consideráveis ​​para construir novas casas. Certo dia, um funcionário do governo disse-lhe: "Que sorte a sua! Você não tem dinheiro e ainda assim faz caridade."
O Papa Pio IX concedeu, às Pobres Servas de Jesus Cristo, o Decreto de Louvor, em 9 de Março de 1860. Em 1868, elas chegaram aos Estados Unidos: foram encarregadas de um orfanato, em Chicago e, posteriormente, do Hospital São José, o centro a partir do qual a Congregação se desenvolveu na América. As freiras foram solicitadas a ir para Londres, para ajudar os imigrantes alemães; jardins-de-infância e escolas também foram abertos alí.
A Santa Sé aprovou as suas constituições, em 1890: cerca de quatrocentas freiras haviam professado os seus votos, perante da fundadora. Hoje, a congregação também está presente na Índia, no Brasil e no México.
Maria Catarina Kasper sofreu um ataque cardíaco, no dia 27 de Janeiro de 1898. Faleceu no dia 2 de Fevereiro, ao amanhecer da festa da Apresentação de Jesus, no Templo, acompanhada pela presença das suas Filhas.
O seu corpo foi trasladado para a capela da Casa-Mãe, em 1950. Uma das freiras presentes, a Irmã Otilde, quase cega e confinada a uma cadeira de rodas, durante vários anos, ouviu a Madre Fundadora chamá-la. Levantou-se e estava completamente curada. Porém, o milagre considerado para a sua beatificação, foi a cura de uma outra Serva Pobre de Jesus Cristo, a Irmã Maria Herluka, curada de uma meningite tuberculosa, em 1945.
A Madre Maria Catarina Kasper foi beatificada pelo Papa Paulo VI, no dia 16 de Abril de 1978, chamando-a mulher "cheia de fé e fortaleza".
Foi canonizada pelo Papa Francisco, no dia 4 de Outubro de 2018, juntamente com outros seis Beatos, entre os quais o Papa Paulo VI.
Sem quaisquer recursos e sem cultura, a Madre Maria Catarina conseguiu dar vida a uma grande obra de promoção social, confirmando a profunda verdade de São Paulo: "Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes". Uma pobre camponesa alemã, fundadora de uma grande família religiosa: assim foi o destino reservado pela Providência para a vida terrena da Madre Maria Catarina Kasper. "Eu não podia e não queria isso; foi Deus quem quis", dizia ela. Catarina havia experimentado pessoalmente as dificuldades e os sofrimentos dos pobres e, por isso, dedicou a sua vida, obstinadamente, a aliviar o sofrimento alheio.
A memória litúrgica de Santa Maria Catarina Kasper é celebrada no dia 2 de Fevereiro.

sábado, 24 de janeiro de 2026

EM DESTAQUE:

 


*FESTA DAS FOGACEIRAS
          - EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO
 
Cumpriu-se o voto!...
A Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião, e apesar da ameaça da chuva, realizou-se, mais uma vez. Uma festa tão antiga e sempre nova: na novidade das meninas fogaceiras; no entusiasmo dos que trabalharam para a concretizar; na dedicação da Câmara Municipal e seus colaboradores; na presença de tantos visitantes, que levam como recordação o testemunho de unidade, criatividade e alegria de todo um Concelho fiel aos compromissos históricos e aos desafios da fé e da religiosidade.
A celebração da Eucaristia, com a bênção das fogaças, foi o centro desta festa centenária. A Igreja estava repleta para uma celebração simples, serena, calorosa e profundamente festiva. Com a presença de sacerdotes, diáconos e muitos acólitos, foi presidida pelo Sr. D. Roberto Mariz, Bispo-Auxiliar do Porto.
Apresentamos o texto da sua homilia:
 


 “ALEGRIA PARA ALÉM DAS LÁGRIMAS”
 
O ser humano é habitado por um desejo profundo de alegria. Não de uma alegria passageira, transitória e temporária, mas de uma alegria que o preencha por dentro e nos faça sentir realizados.
A experiência ensina-nos, por vezes de forma dolorosa, que muitas das situações da nossa vida são preenchidas por alegrias passageiras e temporárias; alegrias pequenas e transitórias. Percebemos e sabemos que as dificuldades e contrariedades, as dores e os sofrimentos incorporam a melodia da nossa existência.
Será possível uma alegria sem lágrimas? Considero que só numa fábula isso é possível. Uma alegria atravessada pelas lágrimas, será uma alegria mais real, mas autêntica e mais verdadeira. Direi: precisamos de uma alegria que vai para além das lágrimas e das dores, mas não sem elas.
“As lágrimas lavam a alma”. Há muito tipo de lágrimas. São as lágrimas da paixão; as lágrimas das vitórias alcançadas; as lágrimas das dores vividas; as lágrimas das injustiças; as lágrimas das derrotas; as lágrimas da reconciliação...
Conscientes de toda esta realidade, somos um povo peregrino que deseja percorrer caminhos de esperança. Buscar um porto seguro.
 
- O exemplo de S. Sebastião apresenta-se como exemplo de um homem que encontrou a raiz de uma alegria que ultrapassa o transitório da vida, das dificuldades e da morte.
Vivendo na segunda parte do século III, em Itália, entre Milão e Roma, abraçou a fé em Jesus Cristo e por Ele se deixou transformar e moldar. Proclama a fé do Evangelho sem medo e sem vergonha; utilizando a função relevante na Guarda Pretoriana, defende os cristãos perseguidos; por fim, enfrenta o martírio, certo de que a vida feliz encontra-se no amor incondicional de Deus.
 
- A Palavras de Deus que acabamos de escutar inspiram-nos a situar a raiz e o porto seguro desta alegria:
 
1. “Não temais: valeis muito mais” (Evangelho)
Palavras de Jesus ditas aos seus amigos, são ditas hoje – aqui e agora – a ti e a mim, a cada um de nós. Ditas a cada ser humano. O convite para não temermos mas confiarmos, não se apoia nas nossas forças, no comodismo da vida, na vida fácil ou no mero prazer; alicerça-se naquilo que somos para quem nos faz essa afirmação: amor incondicional de Deus.
“Valemos muito mais”: muito mais que o ouro ou a prata; que o comodismo ou a tranquilidade; muito mais que as ingratidões ou infidelidades.
Valemos muito mais para Deus do que tudo que se possa imaginar. Valemos a própria vida que Ele entregou por nós.
Desta certeza nasce, em cada um de nós, a raiz de uma alegria e confiança que nos transforma existencialmente. Aqui encontramos uma paz e serenidade que vai para além das contrariedades.
Simultaneamente, esta certeza encarnada na minha existência, torna-se semente para um novo modo de ser entre nós. Temos de ter este valor entre nós – “valermos muito uns para os outros”.
O ser humano tem de valer mais que qualquer bem material, que qualquer comodismo ou egoísmo, que qualquer irritação ou conflito. Tem de impedir a instrumentalização do outro e o olhar descartável do outro. “Sermos um tesouro uns para os outros”.
 
2. “Estão na mão de Deus” (1ª Leitura)
Na Sagrada Escritura afirma-se a proximidade amorosa de Deus, pela mão estendida que nos molda, acaricia, levanta e salva. A mão de Deus que nunca nos abandona, nunca é distante nem curta para nos alcançar.
Todos reconhecemos uma mão bondosa, atenciosa e carinhosa. É diferente de uma mão em riste ou punho fechado, de uma mão distante ou indiferente.
S. Sebastião apresentou-se como mão que protegia e ajudava os cristãos perseguidos, correndo o risco da própria vida.
Devemos ser esta mão que não abandona ninguém, que não deixa ninguém para trás. Pela tradição destas festas, em Santa Maria da Feira, “a mão que leva fogaça aos amigos ou ao necessitado”, será um gesto simbólico de um mundo humano e fraterno.
Como pessoas, como Igreja e como sociedade, temos constantemente de nos empenharmos para que isto seja realidade: nos doentes (lembremos a súplica feitas a Deus por intermédio de S. Sebastião nas pandemias), nos idosos, nas crianças, nos migrantes, nos pobres, nos cristãos perseguidos, nas vítimas de violência domésticas e violência sexual, nos desempregados. Em tantas e tantas situações.
 
3. “Estão em paz” (1ª Leitura)
Com este amor e este cuidado, a paz é uma realidade em todos e entre todos. Poderão existir muitas razões para a rivalidade, os atritos, os desejos de vinganças, os conflitos e as guerras; mas há uma razão para vencer todas essas razões e argumentos: amarmo-nos; somos irmãos. Certamente, irmãos frágeis e feridos, magoados e endurecidos pela vida: mas irmãos que se amam, se perdoam e se apoiam.
Vivemos num mundo dilacerado pelas guerras. Não é o sonho de Deus para a humanidade. Sonhemos os sonhos de Deus para uma humanidade de paz, pacífica e fraterna. Uma “paz desarmada e desarmante” (Leão XIV).
 
Estão na mão de Deus” - Estão em paz” - Não temais: valeis muito mais”.
“A nossa alegria e grandeza não se baseiam em ilusões passageiras de sucesso e fama, mas em saber-nos amados e queridos pelo nosso Pai que está nos céus” (Leão XIV).
S. Sebastião: intercede por todos nós, pela boa gente de Santa Maria da Feira; por todos; concede-nos um coração apaixonado e comprometido com Cristo; uma alegria sincera, profunda e autêntica a todos; limpa as lágrimas dos sofredores e tristes; dá-nos o sabor de sermos amigos, pacificadores e solidários.


DA PALAVRA DO SENHOR



III DOMINGO DO TEMPO COMUM    

 

“…Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo,
que faleis todos a mesma linguagem
e que não haja divisões entre vós,
permanecendo bem unidos,
no mesmo pensar e no mesmo agir.
Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé,
que há divisões entre vós, que há entre vós quem diga:
«Eu sou de Paulo», «eu de Apolo»,
«eu de Pedro», «eu de Cristo».
Estará Cristo dividido?
Porventura Paulo foi crucificado por vós?
Foi em nome de Paulo que recebestes o Batismo?
Na verdade, Cristo não me enviou para batizar,
mas para anunciar o Evangelho;
não, porém, com sabedoria de palavras,
a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo…”(
cf. 1 Coríntios 1, 10-13.17)

 


7º DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS
 
A Igreja celebra, no 3º Domingo do Tempo Comum, a 25 de Janeiro, o Domingo da Palavra de Deus, sob o lema: «A palavra de Cristo habite entre vós», retirada da Carta de São Paulo aos Colossenses
Instituído pelo Papa Francisco, o Domingo da Palavra de Deus pretende que “a Palavra de Deus seja cada vez mais celebrada, conhecida e difundida”, ajudando os fiéis a compreender “o mistério de amor que dimana daquela fonte de misericórdia” e a renovar o compromisso com a Sagrada Escritura, como recorda o motu proprio ‘Aperuit illis’.
Neste Domingo a Igreja celebra, também, a memória da Conversão de São Paulo e a conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Apresentamos a Mensagem de Dom Rino Fisichella, Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização: Secção para as Questões Fundamentais da Evangelização, no Mundo.
 
“…A expressão bíblica com a qual se pretende celebrar a VII edição do Domingo da Palavra de Deus é tirada da Carta de São Paulo aos Colossenses: “A palavra de Cristo habite entre vós” (3,16). Recebemos do Apóstolo não um mero convite moral, mas a indicação de uma nova forma de existência. Paulo não pede que a Palavra seja apenas ouvida ou estudada; ele quer que ela ‘habite’, isto é, que se fixe de forma estável; plasme os pensamentos; oriente os desejos e torne credível o testemunho dos discípulos. A Palavra de Cristo permanece como critério seguro que unifica e torna fecunda a vida da comunidade cristã.
Após o Ano Santo, este lema permanece para nós como uma herança preciosa; um convite dirigido a toda a Igreja para recolocar o Evangelho no centro, pois qualquer renovação autêntica nasce da escuta dócil da Palavra. Aceitá-la significa deixar-se acompanhar por Aquele que não engana, porque dá vida e esperança. Ser habitado pela Palavra equivale, em última análise, a permitir que Cristo continue a falar, hoje, através da nossa vida, para que cada homem possa reconhecer a Sua presença que continua a iluminar o caminho da história. Cada cristão e cada comunidade deverão recuperar a primazia da Palavra de Deus. A sua escuta sincera e profunda é um caminho fundamental para que o homem encontre Deus. Quando se abre espaço para a Palavra, cada um descobre que o Verbo de Deus habita no seu coração, como uma semente que, a seu tempo, germina e dá fruto. Todos nós somos convidados a alimentar-nos do pão quotidiano da Palavra, para depois a transmitir aos irmãos, pois o anúncio brota da abundância do coração, segundo o ditado evangélico: “A boca fala da plenitude do coração” (Mt 12,34; Lc 6,45). É particularmente significativo que a celebração do Domingo da Palavra de Deus coincida, este ano, com a celebração da conversão de São Paulo, dia em que termina a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A Palavra que Cristo dirigiu a Paulo, no caminho de Damasco, tocou profundamente o seu coração, de tal forma que o tornou o grande evangelizador que conhecemos. Hoje, cabe a nós fazer com que a mesma Palavra chegue até aos confins da terra, de modo a transformar a vida de todos os povos, habitando no meio de nós…”

PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Sala Paulo VI, Vaticano - Roma, no dia 21 de Janeiro de 2026.
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Damos continuidade às catequeses sobre a Constituição dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, sobre a Revelação divina. Vimos que Deus se revela num diálogo de aliança, no qual se dirige a nós como a amigos. Portanto, trata-se de um conhecimento relacional, que não comunica somente ideias, mas compartilha uma história e chama à comunhão na reciprocidade. O cumprimento desta revelação realiza-se num encontro histórico e pessoal, no qual o próprio Deus se oferece a nós, tornando-se presente, e nós descobrimo-nos conhecidos na nossa verdade mais profunda. Foi o que aconteceu em Jesus Cristo. O Documento diz: «A verdade profunda, tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos por esta revelação em Cristo, que é simultaneamente o mediador e a plenitude de toda a revelação» (DV, 2).
Jesus revela-nos o Pai, envolvendo-nos na própria relação com Ele. No Filho enviado por Deus Pai, «os homens [...] têm acesso ao Pai no Espírito Santo e tornam-se participantes da natureza divina» (ibid.). Assim, chegamos ao pleno conhecimento de Deus, entrando na relação do Filho com o seu Pai, em virtude da ação do Espírito. Atesta-o, por exemplo, o evangelista Lucas, quando nos descreve a prece de júbilo do Senhor: «Nesse mesmo instante, [Jesus] estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo e disse: “Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque tudo isso foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lhe» (Lc 10, 21-22).
Graças a Jesus, conhecemos Deus como somos conhecidos por Ele  (cf. Gl 4, 9; 1 Cor 13, 13). Na verdade, em Cristo, Deus comunicou-nos a si mesmo e, ao mesmo tempo, manifestou-nos a nossa verdadeira identidade de filhos, criados à imagem do Verbo. Este «Verbo eterno ilumina todos os homens» (DV, 4), revelando a sua verdade no olhar do Pai: «O teu Pai, que vê no segredo, recompensar-te-á» (Mt 6, 4.6.8), diz Jesus; e acrescenta que «o Pai conhece as nossas necessidades» (cf. Mt 6, 32). Jesus Cristo é o lugar onde reconhecemos a verdade de Deus Pai, enquanto nos descobrimos conhecidos por Ele como filhos no Filho, chamados ao mesmo destino de vida plena. São Paulo escreve: «Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho [...] para que recebêssemos a adoção de filhos. E porque sois filhos, Deus enviou ao nosso coração o Espírito [do seu Filho], que clama: “Abbá! Pai!”» (Gl 4, 4-6).
Além disso, Jesus Cristo é revelador do Pai com a própria humanidade. Precisamente porque é o Verbo encarnado que habita entre os homens, Jesus revela-nos Deus com a sua humanidade verdadeira e íntegra: «Por isso – diz o Concílio – vê-lo é ver o Pai (cf. Jo 14, 9), com toda a sua presença e manifestação da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a sua morte e gloriosa ressurreição, enfim com o envio do Espírito de verdade, completa e confirma... a revelação» (DV, 4). Para conhecer Deus em Cristo, devemos acolher a sua humanidade integral: a verdade de Deus não se revela plenamente, quando se priva o humano de algo, assim como a integridade da humanidade de Jesus não diminui a plenitude do dom divino. É o humano integral de Jesus que nos revela a verdade do Pai (cf. Jo 1, 18).
Quem nos salva e nos convoca não são apenas a morte e a ressurreição de Jesus, mas a sua própria pessoa: o Senhor que se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós. Por isso, para honrar a grandeza da Encarnação, não é suficiente considerar Jesus como o canal de transmissão de verdades intelectuais. Se Jesus tem um corpo real, a comunicação da verdade de Deus realiza-se naquele corpo, com o seu modo próprio de perceber e sentir a realidade, com a sua maneira de habitar o mundo e de o atravessar. É o próprio Jesus que nos convida a partilhar o seu olhar sobre a realidade: «Olhai para as aves do céu – diz – não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas?» (Mt 6, 26).
Irmãos e irmãs, seguindo até ao fim o caminho de Jesus, chegamos à certeza de que nada nos poderá separar do amor de Deus: «Se Deus é por nós – escreve ainda São Paulo – quem será contra nós? Ele, que não poupou o próprio Filho, [...] como não havia de nos dar também, com Ele, todas as coisas?» (Rm 8, 31-32). Graças a Jesus, o cristão conhece Deus Pai, abandonando-se com confiança a Ele! (cf. Santa Sé)


PARA REZAR

 


- SALMO 26

Refrão: O Senhor é minha luz e minha salvação.

O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei de temer?
O Senhor é protetor da minha vida:
de quem hei de ter medo?

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.                                                                                                                      Tem confiança e confia no Senhor.

SANTOS POPULARES

 


BEATA OLÍMPIA BIDÀ
 
Olga nasceu na aldeia de Chebliv, na região de Lviv. Ainda jovem, entrou no Convento das Irmãs da Congregação de São José, localizado na sua aldeia. Fez os seus votos, adoptando o nome de Olímpia, e trabalhou numa escola, dedicando-se à educação cristã de meninas, na aldeia de Zhuzhel. Em 1938, foi nomeada superiora do convento, na cidade de Chyrov.
Em 1939, com a invasão da Ucrânia Ocidental pelo Exército Soviético, começaram as repressões em massa contra a intelectualidade local. As freiras foram avisadas de que, para evitar a prisão, deveriam tirar os seus hábitos religiosos e dispersar-se por diversos e diferentes lugares. Durante a ocupação alemã, enquanto a fome assolava a região, as freiras empenharam-se em encontrar os alimentos necessários e distribuí-los aos mais necessitados. Ao mesmo tempo, organizavam momentos de oração comunitária.
Após a unificação da Ucrânia Ocidental com a URSS, iniciou-se o processo de liquidação da Igreja Greco-Católica, juntamente com a deportação em massa da população local, para a Sibéria, acusada de apoiar o movimento nacionalista. A Irmã Olimpia, juntamente com outras freiras, organizou uma campanha de arrecadação de alimentos para as famílias com crianças pequenas. Durante a repressão, quando todos os mosteiros estavam fechados, as freiras do convento de Chyrov decidiram passar à clandestinidade. A comunidade monástica e a paróquia providenciaram, secretamente, alimentos para o padre greco-católico Taras Bobkovič, que foi preso, em 1949. Na véspera de Natal, as freiras prepararam ‘prosphora’ (pão abençoado que também podia ser usado nas celebrações litúrgicas), que as crianças levaram às casas dos camponeses com o desejo: "Por favor, aceitem a prosphora que a Igreja lhes oferece e comam-na em honra do Natal de Cristo". Nesse momento, a NKVD (Força Nacional de Vigilância e Defesa) começou a monitorizar as freiras, submetendo-as a buscas frequentes e pedindo que se retirassem. A igreja greco-católica foi fechada e as freiras passaram a frequentar a igreja católica de rito latino, na cidade vizinha de Dobromil.
Em 1950, todas as freiras do mosteiro foram presas, quando voltavam da missa. Foram acusadas de actividades ilegais e, em troca da sua libertação, os polícias ofereceram-lhes a Igreja Ortodoxa. As freiras recusaram. Foram libertadas, mas, alguns dias depois, enquanto a Irmã Olimpia, juntamente com outras freiras e cerca de uma centena de fiéis, rezavam juntas no cemitério, a polícia interveio. A Irmã Olimpia e as outras freiras foram presas e transportadas directamente para o campo de concentração de Borislav. No campo de concentração, as freiras dormiram no chão, não receberam nada para comer durante os primeiros dez dias e, depois disso, foram alimentadas apenas com pão e água.
O julgamento ocorreu em 18 de Março de 1950. A Irmã Olímpia foi condenada ao "exílio perpétuo" na região de Tomsk (Sibéria) "por actividade antissoviética e propaganda religiosa". As Irmãs Lavrentija, Glikerija, Areta e Makrina tiveram o mesmo destino. Em 12 de Junho de 1950, as freiras foram colocadas em vagões de carga, com destino a Tomsk. A viagem durou duas semanas. De Tomsk, foram transportadas de navio para Cherkasov. Lá permaneceram durante quatro dias; depois embarcaram numa lancha e, finalmente, desembarcaram em Kharsk, perto de um verdadeiro complexo de campos de concentração (o "SibULON"), onde os prisioneiros viviam em condições insuportáveis. Os condenados ao confinamento viviam na aldeia. As freiras foram alojadas numa pequena casa e levadas para trabalhar todos os dias: derrubando árvores no inverno e cortando feno no verão. Para obter permissão para serem dispensadas do trabalho, por motivo de doença, tinham de caminhar 12 quilómetros, até chegar à enfermaria mais próxima.
A Irmã Olímpia Bidà morreu de inanição, no dia 28 de Janeiro de 1952, com 49 anos. Seis meses depois, a Irmã Lavrentiya morreu de tuberculose. A terceira, Irmã Glikerija, caminhou 80 quilómetros para encontrar um padre greco-católico exilado que pudesse celebrar uma missa em memória de suas duas irmãs falecidas.
A Irmã Olímpia Bidà foi beatificada, no dia 27 de Junho de 2001, durante a visita do Papa João Paulo II à Ucrânia.
A memória litúrgica da Beata Irmã Olímpia Bidà é celebrada no dia 28 de Janeiro.

sábado, 17 de janeiro de 2026

EM DESTAQUE:

 


*FESTA DAS FOGACEIRAS
 - EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO
 
Como acontece todos os anos, no próximo dia 20 de Janeiro, celebraremos a Festa em honra do mártir São Sebastião. Com cerca de 520 anos, a festa tornou-se imagem da religiosidade do povo feirense; um testemunho de fé no amor de Deus que nos acolhe, nos cuida e nos guarda; um acto de agradecimento pela intercessão do Santo Mártir; um anúncio de fidelidade ao voto que, de ano para ano, adquire a forma de um compromisso renovado, na alma e no coração dos cristãos.
De acordo com a programação habitual, celebrar-se-á a Eucaristia, às 11 horas; pelas 15,30 far-se-á a Procissão Solene, em honra de São Sebastião.
Presidirá o Sr. Bispo-Auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz.
 


           
- RECORDANDO SÃO SEBASTIÃO
 
As informações históricas sobre São Sebastião são muito limitadas. O calendário mais antigo da Igreja de Roma, a "Depositio Martyrum", incorporada ao "Cronógrafo" datado de 354, indica a comemoração de São Sebastião, no dia 20 de Janeiro, dia da sua morte, e refere o local do seu sepultamento nas catacumbas, ao longo da Via Ápia. O ano da sua morte, no entanto, terá acontecido por volta de 304.
Santo Ambrósio, bispo de Milão, no século IV, no seu "Comentário sobre o Salmo 118", afirma que Sebastião nasceu em Milão, numa época de pouca perseguição contra os cristãos, mas depois mudou-se para Roma, onde foi martirizado.
As escassas informações históricas foram, posteriormente, ampliadas pela "Paixão", escrita, por volta do século V, por um autor anónimo, provavelmente o monge Arnóbio, o Jovem.
Em 260, o imperador Galiano revogou os éditos de perseguição contra os cristãos. Seguiu-se um longo período de paz, durante o qual os cristãos, embora não oficialmente reconhecidos, eram muito respeitados: alguns deles ocupavam posições importantes na administração do Império. Nesse clima favorável, a Igreja desenvolveu-se enormemente, inclusive na sua estrutura organizacional.
Diocleciano, imperador de 284 a 305, desejava manter essa situação pacífica. Contudo, dezoito anos depois, por instigação de Galério (Diocleciano tinha-o nomeado césar, com a atribuição de administrar as províncias balcânicas, com capital em Sirmio), desencadeou uma das mais cruéis perseguições de todo o império.
Alguns manuscritos da "Paixão", datados de 850 em diante, atestam que Sebastião nasceu e foi criado em Milão. O seu pai era natural de Narbona, capital da Gália romana (no sul da França); a sua mãe era de Milão. Foi educado na fé cristã.
Jovem adulto mudou-se para Roma e iniciou uma carreira militar, tornando-se tribuno da Primeira Coorte da Guarda Imperial, os Pretorianos, em Roma.
Era muito estimado, pela sua lealdade e inteligência, pelos imperadores Maximiano e Diocleciano, que não suspeitavam que fosse cristão. Graças à sua posição, ele pôde ajudar, discretamente, os cristãos presos; supervisionar o sepultamento de mártires; converter militares e nobres da corte, onde fora apresentado por Cástulo, cubicularius (isto é, governante) da família imperial, que mais tarde morreu mártir.
Certo dia, dois jovens cristãos, Marcos e Marcelino, foram presos. O seu pai, Tranquilino, recebeu de Agrécio Cromácio, "praefectus Urbis" (magistrado com poderes civis ou penais), um período de reflexão de trinta dias, antes do julgamento, para que pudessem salvar-se, oferecendo sacrifícios aos deuses.
Os dois irmãos estavam prestes a sucumbir ao medo quando o tribuno Sebastião interveio, conseguindo convencê-los a perseverar na fé. Enquanto falava aos jovens, os presentes viram-no envolto em luz.
Entre eles estava Zoe, esposa de Nicóstrato, chefe da chancelaria imperial, que, durante seis anos, tinha estado muda. A mulher ajoelhou-se diante de Sebastião, que, após implorar a graça divina, fez o sinal da cruz sobre os seus lábios, restaurando-lhe a fala.
Ao ver a recuperação da esposa, o próprio Nicóstrato prostrou-se aos pés do tribuno, pedindo perdão por ter aprisionado Marcos e Marcelino, a quem libertou imediatamente. Os dois irmãos, contudo, optaram por não deixar a prisão. Zoe, Nicóstrato e outros pediram o baptismo, que lhes foi administrado pelo sacerdote Policarpo.
No final dos trinta dias, Cromácio perguntou a Tranquilino se os dois irmãos estavam prontos para sacrificar aos deuses. O homem respondeu que ele próprio se tinha convertido ao cristianismo e persuadiu o próprio Cromácio a crer: este foi baptizado juntamente com o seu filho Tibúrcio.
Porém, estes acontecimentos levaram a que Sebastião fosse denunciado como cristão e levado, prisioneiro, à presença do Imperador Diocleciano. O imperador, confirmando o rumor de que havia cristãos no palácio imperial, inclusive entre os pretorianos, condenou-o à morte. Sebastião foi despido, amarrado a um poste e alvejado com flechas. Foi dado como morto e abandonado, para ser devorado pelos animais selvagens.
Mas, a nobre Irene (Santa Irene), viúva do mártir Cástulo, foi buscar o corpo para o sepultar: esse era o costume entre os cristãos, mesmo correndo o risco de serem presos. A mulher percebeu que o tribuno Sebastião não estava morto: mandou levá-lo para sua casa e cuidou dele até que se recuperasse.
Depois de recuperado, Sebastião voltou à presença do Imperador, repreendendo-o pelas suas acções contra os cristãos. Então, o Imperador ordenou que fosse espancado até à morte. O seu corpo foi atirado para a Cloaca Máxima (sistema de esgotos), de Roma, para que os cristãos não pudessem recuperá-lo.
Na noite seguinte, o Mártir apareceu, em sonhos, a Luciana (Santa Luciana) mostrando-lhe o local para onde o seu corpo tinha sido arrastado pela corrente e ordenando-lhe que o sepultasse junto aos túmulos dos Apóstolos. As catacumbas da Via Ápia abrigaram, temporariamente, os restos mortais dos apóstolos Pedro e Paulo, durante a perseguição de Valeriano: por isso, eram chamadas de "Memoria apostolorum" (memória dos Apóstolos).
No século IV, o imperador Constantino, que se converteu ao cristianismo, mandou construir, em homenagem a São Sebastião, a Basílica de São Sebastião, junto da Via Ápia - perto da catacumba onde ele estava sepultado - para aí conservar os restos mortais de São Sebastião. O seu culto iniciou-se nesse período.
Até ao século VI, os peregrinos que visitavam os túmulos de Pedro e Paulo, também, visitavam o túmulo do mártir Sebastião, cuja figura se tornara muito popular.
Mais tarde, no ano de 680, as suas relíquias foram solenemente transladadas para a Basílica, onde se encontram até hoje. Nessa ocasião, Roma era assolada por uma peste terrível, que vitimou muita gente. Entretanto, tal epidemia desapareceu a partir do momento da transladação dos restos mortais deste Santo Mártir, que, por isso, é venerado como padroeiro contra a peste, a fome e a guerra.
O mártir São Sebastião é considerado o terceiro padroeiro de Roma, depois dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

DA PALAVRA DO SENHOR



II DOMINGO DO TEMPO COMUM     

 

“…Disse-me o Senhor:
«Tu és o meu servo, Israel,
por quem manifestarei a minha glória».
E agora o Senhor falou-me,
Ele que me formou desde o seio materno,
para fazer de mim o seu servo,
a fim de lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele.
Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor
e Deus é a minha força.
Ele disse-me então:
«Não basta que sejas meu servo,
para restaurares as tribos de Jacob
e reconduzires os sobreviventes de Israel.
Vou fazer de ti a luz das nações,
para que a minha salvação chegue até aos confins da terra»…”(
cf. Isaías 49, 3.5-6)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Sala Paulo VI, Vaticano - Roma, no dia 14 de Janeiro de 2026.
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Demos início ao ciclo de catequeses sobre o Concílio Vaticano II. Hoje, começamos a aprofundar a Constituição dogmática ‘Dei Verbum’, sobre a Revelação divina. Trata-se de um dos documentos mais bonitos e importantes da Assembleia Conciliar e, para nos introduzir, pode ser útil recordar as palavras de Jesus: «Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi do meu Pai» (Jo 15, 15). Este é um ponto fundamental da fé cristã, que a ‘Dei Verbum’ nos recorda: Jesus Cristo transforma, radicalmente, a relação do homem com Deus, que, doravante, será uma relação de amizade. Por isso, a única condição da nova aliança é o amor.
Comentando esta passagem do quarto Evangelho, Santo Agostinho insiste sobre a perspectiva da graça, a única que nos pode tornar amigos de Deus, no seu Filho (Comentário ao Evangelho de João, Homilia 86). Com efeito, um antigo provérbio dizia: “Amicitia aut pares invenit, aut facit”, “A amizade nasce entre iguais, ou torna-os iguais”. Não somos iguais a Deus, mas é o próprio Deus que nos torna semelhantes a Ele, no seu Filho.
Por isso, como podemos ver, em toda a Escritura, na Aliança há um primeiro momento de distância, pois o pacto entre Deus e o homem permanece sempre assimétrico: Deus é Deus e nós somos criaturas; mas, com a vinda do Filho, na carne humana, a Aliança abre-se ao seu fim último: em Jesus, Deus torna-nos filhos e chama-nos a tornar-nos semelhantes a Ele, na nossa frágil humanidade. Assim, a nossa semelhança com Deus não se alcança através da transgressão e do pecado, como sugere a serpente a Eva (cf. Gn 3, 5), mas na relação com o Filho que se fez homem.
As palavras do Senhor Jesus que recordamos – “chamei-vos amigos” – são retomadas, precisamente, na Constituição ‘Dei Verbum’, que afirma: «Em virtude desta revelação, Deus invisível (cf. Cl 1, 15; 1 Tm 1, 17), na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos (cf. Ex 33, 11; Jo 15, 14-15) e convive com eles (cf. Br 3, 38), para os convidar e admitir à comunhão com Ele» (n. 2). O Deus do Génesis já se relacionava com os progenitores, dialogando com eles (cf. Dei Verbum, 3); e quando, através do pecado, este diálogo se interrompe, o Criador não se cansa de procurar o encontro com as suas criaturas e de estabelecer uma Aliança com elas. Na Revelação cristã, ou seja, quando Deus, para vir à nossa procura, se faz carne, no seu Filho, o diálogo que se tinha interrompido é restabelecido de maneira definitiva: a Aliança é nova e eterna; nada pode separar-nos do seu amor. Portanto, a Revelação de Deus tem o carácter dialógico da amizade e, como acontece na experiência da amizade humana, não suporta o mutismo, mas alimenta-se do intercâmbio de palavras verdadeiras.
A Constituição ‘Dei Verbum’ recorda-nos, também, isto: Deus fala connosco. É importante compreender a diferença entre a palavra e a tagarelice: esta última limita-se à superfície, não realiza uma comunhão entre as pessoas; enquanto, nas relações autênticas, a palavra não serve apenas para trocar informações e notícias, mas para revelar quem somos. A palavra possui uma dimensão reveladora que cria uma relação com o outro. Assim, quando falar connosco, Deus revela-se como Aliado que nos convida à amizade com Ele.
 
Nesta perspectiva, a primeira atitude a cultivar é a escuta, para que a Palavra divina possa penetrar nas nossas mentes e corações; ao mesmo tempo, somos chamados a falar com Deus, não para lhe comunicar o que Ele já sabe, mas para nos revelarmos a nós mesmos.
Daí a necessidade da oração, na qual somos chamados a viver e cultivar a amizade com o Senhor. Isto realiza-se, em primeiro lugar, na oração litúrgica e comunitária, onde não somos nós que decidimos o que ouvir da Palavra de Deus, mas é Ele mesmo que nos fala, por intermédio da Igreja; além disso, cumpre-se na prece pessoal, que acontece na intimidade do coração e da mente. No dia e na semana do cristão não pode faltar o tempo dedicado à oração, à meditação e à reflexão. Só quando falamos com Deus podemos, também, falar de Deus.
A nossa experiência diz-nos que as amizades podem terminar, devido a algum gesto clamoroso de ruptura, ou por causa de uma série de desatenções diárias, que desgastam a relação a ponto de a perder. Se Jesus nos chama a ser amigos, procuremos não deixar este apelo sem uma resposta. Acolhamo-lo, cuidemos desta relação e descobriremos que a nossa salvação consiste, precisamente, na amizade com Deus. (cf. Santa Sé)