Depois das grandes perseguições do Império Romano, homens e mulheres, que viveram a vida cristã, de modo belo e heroico, começaram a tornar-se, paulatinamente, exemplos de veneração: o primeiro santo, não mártir, foi São Martinho de Tours.
Em fins do ano mil, diante do incontrolado desenvolvimento da veneração dos santos e do "comércio" em torno das suas relíquias, iniciou-se um processo de canonização, até se chegar à comprovação dos milagres.
A Solenidade de Todos os Santos começou no Oriente, no século IV. Depois, difundiu-se em datas diferentes: em Roma, o Papa Bonifácio IV introduziu a celebração, no dia 13 de Maio; na Inglaterra e Irlanda, a partir do século VIII, esta memória foi celebrada no dia 1 de Novembro. Esta data foi, também, adoptada em Roma, a partir do século IX.
Esta Solenidade era celebrada no fim do Ano litúrgico, quando a Igreja mantinha o seu olhar fixo no término da vida terrena, pensando naqueles que haviam atravessado as portas do Céu.
Os Santos e as Santas - autênticos amigos de Deus - aos quais a Igreja nos convida, hoje, a dirigir os nossos olhares, são homens e mulheres, que se deixaram atrair pela proposta divina, aceitando percorrer o caminho das Bem-aventuranças; não porque sejam melhores ou mais intrépidos que nós, mas, simplesmente, porque "sabiam" que todos nós somos filhos de Deus e assim viveram; sentiram-se “pecadores perdoados”... Eis os verdadeiros de Santos! Eles aprenderam a conhecer-se, a canalizar as suas forças para Deus, para si e para os outros, sabendo confiar sempre, nas suas fragilidades, na Misericórdia divina.
Hoje, os Santos animam-nos a apontar para o alto; a olhar para longe, para a meta e o prémio que nos aguardam; exortam-nos a não nos resignarmos diante das dificuldades da vida diária, pois a vida não só tem fim, mas, sobretudo, tem uma finalidade: a comunhão eterna com Deus.
Com esta Solenidade, a Igreja propõe-nos os Santos, amigos de Deus e exemplos de uma vida feliz, que nos acompanham e intercedem por nós; eles estimulam-nos a viver com maior intensidade esta última etapa do Ano litúrgico, sinal e símbolo do caminho da nossa vida.
O Papa Leão, na audiência-geral do dia 28, disse: “Convido-vos a contemplar esta imensa multidão de homens e mulheres que se nos apresentam como sinal profético da vida futura, que já tem o seu início no compromisso e no testemunho cristão da vida terrena”
A piedade humana para com os defuntos remonta aos primórdios da humanidade. Mas, com o advento do cristianismo, a perspectiva muda radicalmente. Os primeiros cristãos, como podemos facilmente observar nas catacumbas, esculpiam a figura de Lázaro nos túmulos, como anseio de que os seus entes queridos pudessem também voltar à vida, por intermédio de Cristo. No entanto, somente no século IX começou a celebração litúrgica de um falecido, como herança do uso monacal, já em vigor no século VII, de empregar, dentro dos mosteiros, um dia inteiro de oração por um falecido.
Mais tarde, no ano 809, o Bispo de Trier, Dom Amalário Fortunato de Metz, inseriu a memória litúrgica dos falecidos - que aspiram ao céu - no dia seguinte ao dedicado a Todos os Santos, que já estavam no céu.
Por fim, em 998, Santo Odilão, abade de Cluny, solicita a todos os mosteiros, dependentes da sua abadia, para celebrarem um ofício no dia seguinte à solenidade de Todos os Santos, pela «memória de todos aqueles que repousam em Cristo». A prática estender-se-á aos outros mosteiros e, depois, às paróquias servidas pelo clero secular.
No século XIII-XIV, Roma inscreve a data no calendário da Igreja universal. Desta forma, todos os membros defuntos da comunhão dos santos são evocados sucessivamente: aqueles que chegaram à glória do céu, no primeiro de Novembro; os outros, no dia seguinte.
No fim do século XV, os padres dominicanos espanhóis estabelecem o costume de celebrar três missas a 2 de Novembro. O papa Bento XIV concede este privilégio aos sacerdotes de Portugal, Espanha e América Latina. Em 1915, Bento XV estende-o a todos os padres. A tradição prosseguiu até recentemente.
Desde os primeiros tempos do cristianismo fundou-se a convicção de que os vivos devem rezar pelos mortos. No momento de morrer, Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, pediu ao seu filho para se recordar dela «no altar do Senhor, onde quer que estiveres». Durante a Alta Idade Média, celebrava-se o Ofício dos Defuntos no aniversário do falecimento da pessoa.





















