PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo… ” (cf. Mateus 13, 44) O discurso parabólico de Jesus, que reúne sete parábolas no capítulo treze do Evangelho de Mateus, conclui-se com as três semelhanças hodiernas: o tesouro escondido (v. 44), a pérola preciosa (v. 45-46) e a rede da pesca (v. 47-48). Analiso as primeiras duas que frisam a decisão dos protagonistas de vender tudo para obter o que descobriram. No primeiro caso trata-se de um camponês que encontrou por acaso um tesouro escondido no campo onde está a trabalhar. Por não ser um campo de sua propriedade, se quiser ficar com o tesouro tem que o comprar: portanto decide arriscar todos os seus bens para não perder aquela ocasião deveras excepcional. No segundo caso encontramos um mercador de pérolas preciosas; sendo um conhecedor perito, encontrou uma pérola de grande valor. Também ele decide investir tudo naquela pérola, a ponto de vender todas as outras. Estas semelhanças põem em evidência duas características relativas à posse do Reino de Deus; a busca e o sacrifício. É verdade que o Reino de Deus é oferecido a todos — é um dom, é uma prenda, é graça — mas não é servido num tabuleiro de prata, exige um dinamismo: trata-se de procurar, caminhar, trabalhar. A atitude da busca é a condição essencial para encontrar; é preciso que o coração arda com o desejo de alcançar o bem precioso, ou seja, o Reino de Deus que se faz presente na pessoa de Jesus. É Ele o tesouro escondido, é Ele a pérola de grande valor. Ele é a descoberta fundamental, que pode fazer uma mudança decisiva na nossa vida, enchendo-a de significado. Face à descoberta inesperada, quer o camponês quer o mercador dão-se conta de ter uma ocasião única que não querem perder, e por isso vendem tudo o que possuem. A avaliação do valor inestimável do tesouro leva a uma decisão que implica também sacrifícios, desprendimentos e renúncias. Quando o tesouro e a pérola foram descobertos, ou seja, quando encontrámos o Senhor, é necessário que esta descoberta não seja estéril, mas deve-se sacrificar por ela qualquer outra coisa. Não se trata de desprezar o resto, mas de o subordinar a Jesus, pondo-O em primeiro lugar. A graça do primeiro lugar. O discípulo de Cristo não é alguém que se privou de algo essencial; é uma pessoa que encontrou muito mais: encontrou a alegria plena que só o Senhor pode doar. É a alegria evangélica dos doentes curados; dos pecadores perdoados; do ladrão para o qual se abre a porta do paraíso. A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira de quantos se encontram com Jesus. Aqueles que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo a alegria nasce e renasce sempre (cf. Ex. ap. Evangelii Gaudium, 1). Hoje somos exortados a contemplar a alegria do camponês e do mercador das parábolas. É a alegria de cada um de nós quando descobrimos a proximidade e a presença confortadora de Jesus na nossa vida. Uma presença que transforma o coração e nos abre às necessidades e ao acolhimento dos irmãos, sobretudo dos mais débeis. Rezemos, pela intercessão da Virgem Maria, para que cada um de nós saiba testemunhar, com as palavras e com os gestos diários, a alegria de ter encontrado o tesouro do Reino de Deus, ou seja, o amor que o Pai nos doou mediante Jesus. (Papa Francisco, na Oração do Angelus, no dia 30 de Julho de 2017, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

sábado, 25 de julho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XVII DOMINGO COMUM

 

“…O Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite e disse-lhe:
“Pede o que quiseres”.
Salomão respondeu:
“Senhor, meu Deus,
Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David
e eu sou muito novo e não sei como proceder.
Este vosso servo está no meio do povo escolhido,
um povo imenso, inumerável,
que não se pode contar nem calcular.
Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente,
para saber distinguir o bem do mal;
pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?”
Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe:
“Porque foi este o teu pedido,
e já que não pediste longa vida, nem riqueza,
nem a morte dos teus inimigos,
mas sabedoria para praticar a justiça,
vou satisfazer o teu desejo.
Dou-te um coração sábio e esclarecido,
como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti”…
(cf. 1 Reis 3, 5.7-12)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na Praça da Liberdade, Castel Gandolfo, no dia 19 de Julho de 2026

Queridos irmãos e irmãs!

 

Após a parábola do semeador, Jesus continua a falar às multidões por meio de algumas imagens: o joio e o trigo, o grão de mostarda e o fermento na farinha (cf. Mt 13, 24-43).

Trata-se de três pequenas parábolas que pretendem evocar a chegada do Reino de Deus na história, a sua acção na vida dos homens, a maneira como cresce, se expande e transforma o mundo, a partir de dentro. Com esses relatos, Jesus adverte-nos contra a tentação de pensar em Deus como uma figura poderosa, que se impõe pela força; que ocupa o espaço para dominar; que chega de forma triunfante. Pelo contrário, Deus prefere a pequenez, sinal de seu amor discreto. Ele deixa-nos livres para acolhê-lo ou rejeitá-lo; procura abrir caminho, mesmo no meio do joio, e age de forma oculta e invisível, como a menor de todas as sementes, fermentando a massa sem fazer barulho.

Irmãos e irmãs, com essas parábolas, Jesus diz-nos algo importante sobre o modo como Deus opera na nossa vida e na história. Às vezes, esperamos algo espectacular: desejamos um Deus que intervenha do alto, arrancando imediatamente o joio, que é o mal. Imaginamos um Deus forte e poderoso e, infelizmente, também adequamos a nossa maneira de ser cristãos e de ser Igreja a essa imagem. Em vez disso, o Reino de Deus difunde-se, também, no meio do joio e pede-nos um olhar capaz de reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal, sem que julguemos tudo apressadamente. Ele vem como a menor das sementes e exige, portanto, a paciência de saber acompanhar os processos, reconhecendo-o na simplicidade do quotidiano e na singeleza da vida comum. Cresce invisivelmente, como o fermento na farinha, e, assim, liberta-nos do desânimo, convidando-nos a ter confiança, ainda que nos pareça que Deus está ausente. Pois, na verdade, Ele acompanha-nos continuamente e o seu amor está sempre a agir em nosso favor.

Esse estilo de Deus deve tornar-se, também, o modelo segundo o qual vivemos a realidade que nos rodeia, tanto como indivíduos quanto como Igreja. Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adoptarmos precipitadamente uma postura de oposição, marcada por julgamentos arrogantes, sem nos impormos pelo poder e pela força e sem perdermos a confiança na obra de Deus. Trata-se – dizia o então cardeal Ratzinger – de nos submetermos à lógica da semente, que não é a do sucesso e da grandeza, mas que nos pede para nos tornarmos pequenos e servirmos à vida das pessoas (cf. Discurso no Congresso dos Catequistas e dos Professores de Religião, 10 de Dezembro de 2000). Assim, nós mesmos nos tornaremos como uma pequena semente do Evangelho que brota e como um fermento de amor que transforma a massa do mundo.

Oremos a Maria Santíssima, que soube acolher a semente da Palavra em sua humildade, para que Ela nos sustente em nosso caminho e interceda por nós. (cf. Santa Sé)


PARA REZAR

 

- SALMO 118

 


Refrão: Quanto amo, Senhor, a Vossa Lei!

 

Senhor, eu disse: A minha herança
é cumprir as vossas palavras.
Para mim vale mais a lei da vossa boca
do que milhões em ouro e prata.

Console-me a vossa bondade,
segundo a promessa feita ao vosso servo.
Desçam sobre mim as vossas misericórdias e viverei,
porque a vossa lei faz as minhas delícias.

Por isso, eu amo os vossos mandamentos,
mais que o ouro, o ouro mais fino.
Por isso, eu sigo todos os vossos preceitos
e detesto todo o caminho da mentira.

São admiráveis as vossas ordens,
por isso, a minha alma as observa.
A manifestação das vossas palavras ilumina
e dá inteligência aos simples.


SANTOS POPULARES

 


SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO (recordando)
 
Afonso Maria de Ligório nasceu em Marianella, perto de Nápoles, Itália, no dia 27 de Setembro de 1696. Era filho de uma das mais antigas e nobres famílias de Nápoles: o seu pai, José de Ligório, era Capitão da Marinha Real; a sua mãe, Ana Cavalieri era uma católica muito fervorosa. Ainda pequeno, recebeu do Santo Francisco de Jerónimo, da Companhia de Jesus, a seguinte profecia: "Esta criança, não morrerá antes dos 90 anos. Será bispo e realizará maravilhas na Igreja de Deus".
O seu pai encaminhou-o para o estudo das artes liberais, das ciências exactas e das disciplinas jurídicas, conseguindo rápidos e surpreendentes progressos. Aos dezasseis anos, doutorou-se em direito civil e eclesiástico e começou o seu trabalho no tribunal. O seu pai já tinha preparado uma noiva, rica e nobre, para o filho, mas no coração de Afonso, só havia lugar para a vida religiosa.
Como advogado de renome, recebeu uma causa de grande importância do Duque Orsini contra o grão-duque de Toscana. Meticulosamente, estudou o processo, reviu os autos, conferiu documentos. Fez uma brilhante defesa no tribunal. A vitória parecia mais que garantida, quando o contra-atacante lhe chamou a atenção para uma pequena falha que lhe passara despercebida. Afonso reconheceu que se enganara e exclamou: "Ó mundo falaz, agora eu te conheço! Adeus tribunais!". Esse acontecimento determinou a reviravolta mais profunda da sua vida.
Afonso Maria de Ligório, jovem e brilhante advogado, abandonou definitivamente a advocacia para dedicar-se às causas evangélicas. Completou os estudos de teologia e foi ordenado sacerdote, aos trinta anos, no dia 21 de Dezembro de 1726. Esta mudança custou-lhe muitas desavenças com o pai, que não podia conformar-se com a escolha feita pelo filho, renunciando aos títulos de nobreza e à rica herança da família.
Desde então, Afonso colocou os seus conhecimentos de oratória ao serviço de Cristo; dedicou-se, sobretudo, à pregação, com o lema: "Deus enviou-me a evangelizar os pobres". Procurava, de preferência, os pobres e as crianças abandonadas pelas ruas de Nápoles. Passou a morar no Hospício dos Padres Chineses e pensou seriamente em ir para as missões pagãs.
Entretanto, os planos de Deus terminaram por conduzi-lo a um convento de irmãs, em Scala, perto de Amalfi, para onde foi por ter adoecido, e necessitar de repouso. Nesse convento, a Irmã Maria Celeste Crostarosa revelou a visão que tivera, no dia 3 de Outubro de 1731: "Afonso estava designado por Deus para fundar uma Congregação".
Começou, então, o duelo entre Deus e a humildade do Padre Afonso. A luta foi um verdadeiro martírio para ele. A ‘santa’ Irmã chegou mesmo a intimá-lo: "Padre Afonso, Deus não o quer em Nápoles; chama-o para fundar um novo Instituto".
Teve de enfrentar tremenda oposição do pai, que recriminava ao filho. Mas a graça venceu, e a 9 de Novembro de 1732 fundou em Scala, a Congregação dos Padres Redentoristas, que no começo tinha o nome de Instituto do Santíssimo Salvador. Os primeiros companheiros de Afonso eram todos sacerdotes, e logo começaram a dedicar-se à pregação.
Não tardou a aparecer desunião, entre os sacerdotes. Uns, queriam que o Instituto, além da pregação, se dedicasse, também, ao ensino. Afonso insistiu na exclusividade da pregação aos pobres, nas regiões de gente abandonada, na forma de missões e retiros. Venceu o seu ponto de vista.
Em 1749 o Papa Bento XIV aprovou as Regras do Instituto, que tinha por fim a imitação de Jesus Cristo e a pregação de missões e retiros, de preferência à classe mais abandonada.
À frente dos seus ‘Irmãos’ percorreu cidades e vilas do Sul da Itália, convertendo pecadores, reformando costumes, santificando as famílias. Mais do que a sua palavra, pregava o seu exemplo de virtude, de penitência e de caridade. As cidades disputavam o Padre Afonso como pregador.
Um dia, chegou ao seu conhecimento, que o queriam nomear Arcebispo de Palermo. Pediu orações para que se evitasse "o grande escândalo" desta nomeação. Mas, em 1762, o Papa Clemente XIII impunha-lhe a mitra de Santa Águeda dos Godos. "Vontade do Papa é a vontade de Deus", disse Afonso.
Durante 13 anos, pastoreou a sua diocese; reformou-lhe o clero, os costumes e as Igrejas. Mudou a vida religiosa, nos mosteiros e conventos. Os diocesanos viram que tinham um santo por bispo, quando Afonso vendeu as alfaias, os móveis do seu pobre palácio, o seu anel de bispo, para acudir aos necessitados. Em 1775, a seu pedido, o Papa Pio VI libertou-o do bispado. O santo patriarca voltou pobre para o seu convento. Afonso teve o desgosto de ver a cisão no seu Instituto e, por desavenças, foi até excluído da Congregação que fundara.
Afonso Maria de Ligório foi um prodigioso escritor. Nos seus últimos doze anos de vida, dedicou-se à literatura, enriquecendo a colecção de obras ascéticas e teológicas. Deixou para os sacerdotes a sua célebre Teologia Moral. Para o povo cristão deixou livros cheios de verdadeira e ungida piedade, tais como as "Meditações sobre a Paixão do Salvador", "Glórias de Maria", "Visitas ao Santíssimo Sacramento" e "Tratado sobre a oração".
Foi historiador, pregador, poeta e exímio musicista. A devoção popular deve muito às canções por ele escritas e musicadas. Até hoje, no tempo de Natal, é comum escutar o seu "Tu Scendi dalle Stelle" - "Tu desces das estrelas".
O Bispo Afonso Maria de Ligório morreu, com 91 anos, no dia 1 de Agosto de 1787, no Convento de Pagani, na Itália.
Foi beatificado pelo Papa Pio VII, no dia 15 de Setembro de 1816 e canonizado, no dia 26 de Maio de 1839, pelo Papa Gregório XVI. Foi proclamado ‘Doutor da Igreja’, pelo Papa Pio IX, em 1871. E, em 1950, o Papa Pio XII proclamou-o "Padroeiro celestial de todos os confessores e moralistas".
A memória litúrgica de Santo Afonso Maria de Ligório é celebrada no dia 1 de Agosto.
 
 

sábado, 18 de julho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XVI DOMINGO COMUM

 

“…Não há Deus, além de Vós,
que tenha cuidado de todas as coisas;
a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente.
O vosso poder é o princípio da justiça
e o vosso domínio soberano
torna-Vos indulgente para com todos.
Mostrais a vossa força
aos que não acreditam na vossa omnipotência
e confundis a audácia daqueles que a conhecem.
Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade
e governais-nos com muita indulgência,
porque sempre podeis usar da força quando quiserdes.
Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo
que o justo deve ser humano
e aos vossos filhos destes a esperança feliz
de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento…
(cf. Sabedoria  12,13.16-19)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na Praça da Liberdade, Castel Gandolfo, no dia 12 de Julho de 2026
 
Queridos irmãos e irmãs, boa tarde e bom domingo!
 
Na liturgia de hoje, o evangelista Mateus apresenta-nos a parábola do semeador (cf. Mt 13, 1-23), que descreve a generosidade e a confiança com que Deus espalha a sua Palavra no nosso coração e o seu poder em nós.
O próprio Jesus, o Verbo que se fez homem, que deu a sua vida pela nossa salvação, é a semente que o Pai continua a espalhar pelo mundo para que, ao morrer, dê muito fruto (cf. Jo 12, 24). É verdade que Ele, às vezes, encontra em nós um terreno duro e insensível; outras vezes, distraído, semelhante ao solo batido dos caminhos, ao terreno pedregoso ou aos arbustos espinhosos; mas há momentos em que encontra uma terra receptiva e fértil, e então desencadeiam-se milagres de amor capazes de mudar tudo, como também nós certamente já experimentámos na nossa vida. Por isso, o Pai não desiste de semear, porque sabe que o poder do seu amor é mais forte do que a nossa fraqueza (cf. 2 Cor 12, 9-10).
É o que afirma São João Crisóstomo, referindo-se à “semente” da Palavra de Deus: «Como pode ser razoável semear entre espinhos, em terreno pedregoso, à beira do caminho? No caso das sementes e da terra, isso não seria razoável, mas no caso das almas e dos ensinamentos, isso é muito louvável» (Homilias sobre o Evangelho de Mateus, 44, 3). Na verdade, é possível que, nas mãos de Deus, «o terreno pedregoso se transforme, tornando-se terra fértil; que o caminho deixe de ser pisado e de estar exposto a todos os transeuntes, passando a ser solo fértil; que os espinhos sejam eliminados e as sementes desfrutem de uma situação de grande segurança» (ibid.).
A generosidade de Deus para conosco não é ingénua, mas sábia, e sabe aproveitar em nós a possibilidade de um bem do qual, por vezes, nem sequer nos apercebemos. Por isso, o Senhor, que conhece o terreno do nosso coração melhor do que nós próprios, não deixa de acreditar em nós: naquilo que somos e naquilo em que nos podemos tornar, dia após dia, se nos entregarmos a Ele com fé.
Assim, a partir da gratuidade e confiança com que a semente é lançada e da humildade e disponibilidade com que é recebida, crescem em nós e difundem-se, como ensina São Paulo, os frutos do Espírito Santo: «amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio» (Gl 5, 22-23). Como o nosso mundo precisa destes frutos e de ser preenchido e transformado por eles!
Com efeito, especialmente nestes dias de férias, empenhemo-nos em dedicar tempo à escuta, à leitura e à meditação da Palavra de Deus, cultivando, a par do descanso e da diversão saudável, momentos significativos de silêncio e oração. Retornaremos às nossas ocupações habituais renovados no corpo e no espírito, prontos para anunciar a Boa Nova do Evangelho e cada vez mais capazes de cooperar no crescimento do Reino de Deus. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR


 

- SALMO 85

Refrão: Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.

 

Vós, Senhor, sois bom e indulgente,
cheio de misericórdia para com todos os que Vos invocam.
Ouvi, Senhor, a minha oração,
atendei a voz da minha súplica.

Todos os povos que criastes virão adorar-vos, Senhor,
e glorificar o vosso nome,
porque Vós sois grande e operais maravilhas,
Vós sois o único Deus.

Senhor, sois um Deus bondoso e compassivo,
paciente e cheio de misericórdia e fidelidade.
Voltai para mim os vossos olhos
e tende piedade de mim.


SANTOS POPULARES

 


SANTA LÍDIA

 

Lídia nasceu na Rússia, no dia 20 de Março de 1901. O seu pai era sacerdote, da Igreja Ortodoxa, na cidade de Ufa. Lídia, desde muito jovem, destacou-se pela sua sensibilidade, ternura amorosa e aversão ao mal, qualidades que lhe renderam o amor universal.

Depois de concluir o ensino médio, aos dezanove anos, casou-se, mas, pouco tempo depois, perdeu o marido, durante a Guerra Civil.

Em 1922, contra a sua vontade, o seu pai, aderiu ao cisma da "Igreja Viva", organizado pelos bolcheviques. A jovem viúva ansiava pelo martírio, na Igreja das Catacumbas. Prostrou-se aos pés do pai e implorou: "Pai, dê-me a sua bênção para ir-me embora; para sair daqui, para que a minha salvação não seja impedida".

O sacerdote, já idoso, tinha consciência de que estava a pecar por pertencer à "Igreja Viva". Assim, em lágrimas, ele abençoou-a para que vivesse de forma independente, dizendo-lhe profeticamente: "Minha filha, quando conquistares a tua coroa, diz ao Senhor que, embora me tenha mostrado fraco demais para a batalha, não a impedi. Que tu sejas abençoada."

Lídia conseguiu emprego como escriturária no departamento florestal. Dessa forma, entrou em contacto com o povo russo simples, a quem amava profundamente. E o povo simples amava-a e respeitava-a muito. Os lenhadores e os motoristas, que trabalhavam em condições difíceis, contavam, com espanto, que, ao encontrarem Lídia no escritório, sentiam algo semelhante ao que sentiam quando iam venerar a imagem milagrosa da Theotokos (Maria, Mãe de Deus) perto da sua aldeia, antes da Revolução de 1917.

No escritório, deixaram de se ouvir obscenidades, insultos e discussões. Todos o notaram, inclusive, é claro, os líderes do Partido. Secretamente, a polícia começou a seguir e a vigiar Lídia, na expectativa de encontrar alguma coisa suspeita: mas não encontraram nada. Lídia nunca frequentou as igrejas legalizadas pelos bolcheviques e, muito raramente e com muita cautela, aparecia nas celebrações da Igreja das Catacumbas.

A polícia secreta sabia da existência de uma rede de igrejas das catacumbas, naquela região e, para as destruir, chamou do exílio o Bispo André Ukhtomsky, muito venerado pelo povo. Porém, ordem secreta do Bispo André, apenas uma igreja, em Ufa, o acolheu oficialmente, enquanto todos os habitantes da diocese o contactavam secretamente. A polícia percebeu que o seu plano havia falhado. Então, prendeu-o e exilou-o novamente. O Bispo André foi martirizado, no dia 26 de Dezembro de 1937.

Lídia teve a oportunidade de estar com ele e de conversar com ele durante cerca de uma hora. O assunto da conversa permanece desconhecido; mas, quando um jovem e zeloso padre criticou o pai de Lídia, na frente do Bispo André, este respondeu: “Aquele padre tem uma grande intercessora junto a Deus: Santa Lídia”, e encerrou a conversa.

Lídia foi, finalmente, presa no dia 9 de Julho de 1928, quando a polícia secreta descobriu que ela distribuía livretos datilografados, contendo vidas de santos, orações, homilias e ensinamentos de bispos, antigos e novos. Eles perceberam que a máquina de escrever, na qual os livretos haviam sido datilografados, tinha a letra K defeituosa e, assim, começaram a tentar descobrir a sua origem.

A polícia percebeu que Lídia tinha a chave para a descoberta de todas as igrejas das catacumbas da região. Durante dez dias, pressionaram-na continuamente para que confessasse, mas ela recusou-se terminantemente a falar. No dia 20 de Julho de 1928, o interrogador perdeu a paciência e enviou-a para o "comando especial", localizado numa cela subterrânea.

Exausta, Lídia não teve forças para descer os degraus. Foi, então, dada ordem, ao guarda que estava de plantão, no corredor, Cirilo Ataev, de 23 anos, para a ajudar a descer. "Cristo te salve!", disse Lídia, em agradecimento.

Estas palavras e os seus olhos, cheios de dor e desamparo, comoveram profundamente Cirilo. Ele não podia, portanto, ouvir indiferente os gritos e choros incessantes, vindos da cela onde torturavam Lídia, havia mais de hora e meia.

"Não sentes as dores?", perguntavam exaustos os torturadores. "Estás a gritar e a chorar. Isso significa que está a doer”.

" Senhor, estou a sofrer muito! Como é doloroso!", gemeu Lídia, em oração.

"Confessa!... Por que não confessas? Se não confessares, a tortura vai ser ainda mais dolorosa!"

"Não posso confessar... Não posso... Ele não vai permitir..." respondeu ela.

"Quem não vai permitir?", perguntaram os torturadores.

"Deus não vai permitir!..."

Por fim, os torturadores decidiram violá-la e pediram ajuda ao jovem guarda, Cirilo Ataev. Quando Cirilo entrou na cela escura e porca, compreendeu, imediatamente, as intenções daqueles energúmenos. Tomado por uma santa indignação, puxou da sua pistola e matou os dois torturadores, ali mesmo. Agarrou um terceiro torturador pelo pescoço, mas um quarto torturador disparou sobre ele.

Cirilo caiu ao lado de Lídia, que estava amarrada com uma corda, e olhando-a directamente nos olhos, disse: "Santa, leva-me contigo!" Então, algo surpreendente aconteceu: uma luz divina emanou da santa mártir Lídia; com um sorriso celestial, ela respondeu: "Eu levar-te-ei para lá."

Estas palavras encheram de terror os dois torturadores sobreviventes e foram dominados por um medo tremendo. Com gritos frenéticos, dispararam todas as suas balas contra os dois mártires indefesos. Aqueles que, entretanto, vieram ajudá-los, levaram-nos para fora, ainda gritando como loucos. Finalmente, todos foram embora, dominados por um medo indefinível.

Um dos dois torturadores enlouqueceu, completamente. Pouco depois, o outro morreu de choque nervoso. Antes de morrer, relatou tudo o que havia acontecido ao seu amigo, o Sargento Alexei Ikonnikov que, tocado pela fé e pelo amor de Deus, divulgou esta história extraordinária. Por isso, também foi preso e martirizado.

Os três, Lídia, Cirilo e Alexei, foram considerados santos pela Igreja das Catacumbas.

A memória de Santa Lídia, a nova Mártir da Rússia, e dos seus companheiros Alexei e Cirilo, é celebrada no dia 20 de Julho.


sábado, 11 de julho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XV DOMINGO COMUM

 

“…Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar.
Reuniu-se à sua volta tão grande multidão
que teve de subir para um barco e sentar-Se,
enquanto a multidão ficava na margem.
Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos:
“Saiu o semeador a semear.
Quando semeava,
caíram algumas sementes ao longo do caminho:
vieram as aves e comeram-nas.
Outras caíram em sítios pedregosos,
onde não havia muita terra,
e logo nasceram porque a terra era pouco profunda;
mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram,
por não terem raiz.
Outras caíram entre espinhos
e os espinhos cresceram e afogaram-nas.
Outras caíram em boa terra e deram fruto:
umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
Quem tem ouvidos, oiça”…” (
cf. Mateus 13, 1- 9)


PALAVRA DO PAPA LEÃO


- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 5 de Julho de 2026

 

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

O Evangelho da liturgia de hoje (Mt 11, 25-30) convida-nos a partilhar o louvor que Jesus eleva ao Pai, «Senhor do Céu e da Terra» (v. 25). O Filho de Deus feito homem manifesta o seu amor, envolvendo todas as criaturas nesta acção de graças.

A simplicidade de um gesto tão espontâneo e alegre corresponde ao estilo de Deus, que gosta de se revelar «aos pequeninos», enquanto permanece escondido «aos sábios e aos entendidos» (v. 25). Na verdade, estes estão de tal forma cheios das próprias ideias que não reconhecem a presença de Cristo, o Messias que visita o seu povo. A sabedoria humana torna-se, então, arrogância e a doutrina degenera em soberba. Pelo contrário, a verdadeira sabedoria de Deus revela-se na humildade da carne e o seu ensinamento dirige-se aos que passam por maiores dificuldades: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos» (v. 28), diz o Senhor. Ir ao encontro de Jesus significa corresponder ao seu amor e partilhar a sua vida, até à cruz, como Ele próprio nos explicou: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me» (Mt 16, 24). É precisamente o dom de si mesmo por amor que constitui o “jugo” de Jesus (cf. Mt 11, 29), ou seja, a síntese do seu ensinamento, o cerne da sua sabedoria, ardente de caridade para com todos.

Irmãos e irmãs, como pode ser “leve” e “suave” o peso da cruz (cf. v. 30)? Só por uma razão: porque o Senhor o carrega primeiro e com todos nós, sem nunca nos deixar sozinhos diante do que nos oprime. Como autêntico mestre, Jesus toma sobre si a humanidade ferida pelo mal, para cuidar dela. A sabedoria que Ele nos dá é um anúncio de salvação e o seu jugo levanta-nos de todas as quedas. Ao seguir Cristo, o nosso caminho não é, portanto, uma ascese que mortifica: é uma escola de liberdade, que leva a sério o drama da história e ilumina sempre o seu sentido, sobretudo nos momentos mais sombrios. Com efeito, só na cruz de Jesus é que o mal é redimido: só na sua paixão é que o nosso cansaço mortal encontra consolo e resgate.

Em situações de escravidão, Cristo é libertação. No flagelo da guerra, Cristo é esperança. Na hora do pecado, Cristo é perdão. Esta é a verdadeira sabedoria, ou seja, o caminho que queremos percorrer juntos, unidos como discípulos em seu nome. Jesus ensina-nos isto como Filho, tornando-se nosso irmão: com a força do Espírito Santo, Ele mesmo manifesta à Igreja a verdade de Deus e do homem, pois «ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (v. 27).

Caríssimos, ao darmos graças ao Senhor por esta sua confidência cheia de amor, imploremos a intercessão de Maria, Rainha da Paz, pelo bem da Igreja e do mundo inteiro. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 64

Refrão: A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.

 

Visitastes a terra e a regastes,
enchendo-a de fertilidade.
As fontes do céu transbordam em água
e fazeis brotar o trigo.

 

Assim preparais a terra;
regais os seus sulcos e aplanais as leivas,
Vós a inundais de chuva
e abençoais as sementes.

 

Coroastes o ano com os vossos benefícios,
por onde passastes brotou a abundância.
Vicejam as pastagens do deserto
e os outeiros vestem-se de festa.

 

Os prados cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigo.

Tudo canta

e grita de alegria.

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SANTOS POPULARES

 


SÃO CAMILO DE LELLIS

 

Camilo nasceu no dia 25 de Maio de 1550, em Bucchianico di Chieti, na província de Abruzzo, Itália. Foi o segundo filho - muito desejado e esperado - dos nobres João de Lellis e Camila de Compellis. No baptismo deram-lhe o nome ‘Camilo’ em homenagem à sua mãe, nome que significa "ministro do sacrifício".

Camilo foi um gigante de força, coragem, caridade e bondade. De facto, toda a vida de Camilo foi extraordinária.

Camilo era um menino vivaz e inquieto. Aprendeu a ler e escrever e, quando a sua mãe morreu, aos treze anos, partiu para a vida agitada de um vagabundo. Seguindo os passos do pai - um soldado de carreira, no exército espanhol - começou a frequentar os grupos de soldados, aprendendo a sua língua e os seus passatempos, incluindo jogos de cartas e de dados. Aperfeiçoou-se no seu ofício e alistou-se no exército da "Liga Santa", onde já se encontrava o seu pai. Entretanto, quando se preparava para embarcar, juntamente com o seu pai, este morreu repentinamente. Esse acontecimento trágico foi seguido pelo aparecimento de uma dolorosa úlcera purulenta - talvez de osteomielite - no seu tornozelo direito. Isso obrigou Camilo a viajar para Roma, para tratamento no hospital São Tiago dos Incuráveis.

 Parcialmente curado, Camilo decidiu que o melhor para ele seria tornar-se um soldado mercenário e, com a Segunda Liga, foi enviado, a soldo da Espanha, primeiro para a Dalmácia e, depois, para Túnis. Foi dispensado, em 1574. Perdeu toda a sua riqueza em jogos de azar e foi acolhido pelos Capuchinhos de San Giovanni Rotondo (São João Redondo), [é uma pequena cidade, na Província de Foggia na região da Puglia, conhecida pelo seu turismo religioso. Aí viveu o Santo Padre Pio, um frade capuchinho, a quem são atribuídos vários milagres. Foi canonizado em 2002. Os seus restos mortais estão exposto no belíssimo e grandioso Santuário, construído em sua homenagem] perto de Manfredonia, para trabalhar como operário, depois de vaguear por ali, pedindo esmolas. As palavras bondosas de um frade daquele convento e a graça do Senhor transformaram o coração e a vida deste andarilho. Então, com quase vinte e cinco anos, em Fevereiro de 1575, converteu-se a Jesus. A ferida, que entretanto alastrara para a perna, levou-o, de novo, ao Hospital de São Tiago dos Incuráveis, em Roma, onde, com um espírito muito diferente do da sua primeira estada, começou, mais do que pensando em si mesmo, a perceber o estado de abandono e miséria em que os pacientes se encontravam, à mercê de uma equipa indiferente e insuficiente. Ali, enquanto tratavam da sua perna, dedicou-se a servir os seus companheiros de sofrimento e fê-lo com tanta delicadeza e diligência que os administradores o promoveram a chefe da equipa e dos serviços do hospital.

Mas, não conseguindo alterar a situação geral, Camilo, após a alta médica, decidiu reunir um grupo de amigos que, consagrados a Cristo Crucificado, se dedicassem, inteiramente, ao cuidado dos enfermos. Mais tarde, este grupo formaria a Companhia dos Ministros dos Enfermos, que o Papa Sisto V, aprovou em 1586, permitindo a cada um usar o hábito preto como os clérigos regulares, mas com o privilégio de uma cruz de pano vermelho no peito, como expressão da Redenção, realizada pelo dom do Preciosíssimo Sangue de Cristo.

Entretanto, Camilo encontrou tempo para estudar e, em 1584, foi ordenado sacerdote, em São João de Latrão, ao tempo, a Catedral do Papa.

Naquela época, Roma abrigava o grande hospital do Espírito Santo, que o Papa Inocêncio III havia fundado, em 1204, e cuja renovação e ampliação foram supervisionadas pelo próprio Papa Sisto V. Camilo e os seus companheiros começaram a servir ali e, durante vinte e oito anos, dedicaram-se integralmente aos enfermos, nos quais ele, frequentemente, contemplava misticamente o próprio Jesus Cristo. Ele também se certificou de que as enfermarias fossem bem ventiladas; que a ordem e a limpeza fossem constantes; que os pacientes recebessem refeições saudáveis ​​e que aqueles que sofriam de doenças contagiosas fossem colocados em quarentena.

Entretanto, o Papa Gregório XIV elevou a Companhia à categoria de Ordem Religiosa e, em 8 de Dezembro de 1591, o Padre Camilo, juntamente com vinte e cinco companheiros, fez a sua primeira profissão de votos, acrescentando aos três votos usuais de pobreza, castidade e obediência, um quarto voto: "assistência corporal e espiritual perpétua aos enfermos, mesmo aos que sofrem da peste". Na sua prática de caridade, os Ministros dos Enfermos, que mais tarde se tornaram os ‘Camilianos’, estabeleceram o seguinte paradigma: ‘o corpo antes da alma; o corpo pela alma; e ambos por Deus’.

Durante algum tempo, o Padre Camilo governou, pessoalmente, a Ordem, fundando casas em diversas cidades italianas. Mas, em 1607, renunciou ao cargo, devido a desentendimentos entre os seus Irmãos e voltou a dedicar-se inteiramente ao cuidado dos doentes, dos pobres e dos desfavorecidos.

A úlcera no seu tornozelo nunca o abandonou e, após o surgimento de problemas renais e gástricos, faleceu no dia 14 de Julho de 1614. Os seus restos mortais permanecem sepultados na pequena igreja de Santa Maria Madalena, em Roma.

O Padre Camilo de Lellis foi beatificado em 1742 e canonizado, quatro anos depois, pelo Papa Bento XIV. Leão XIII declarou-o padroeiro dos enfermos e dos hospitais, em 1886. Pio XI proclamou-o padroeiro dos enfermeiros, em 1930, O Papa Paulo VI, algumas décadas depois, tornou-o protector especial da saúde militar italiana.

A Ordem dos Camilianos desenvolveu-se progressivamente ao longo dos quatro séculos que compõem a sua história, com excepção de alguns momentos difíceis, nos séculos XVIII e XIX. Com o tempo, formaram-se comunidades de religiosas, seguidas pelos Ministros dos Enfermos e, em várias partes do mundo, surgiram grupos de leigos e leigas que abraçaram o carisma e a missão de São Camilo: todos juntos, com a Ordem à frente, constituem a "Família Camiliana".

A sua memória litúrgica é celebrada no dia 14 de Julho.

 

 


sábado, 4 de julho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR


 

- XIV DOMINGO COMUM

 

“…Eis o que diz o Senhor:
“Exulta de alegria, filha de Sião;
solta brados de júbilo, filha de Jerusalém.
Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro,
humildemente, montado num jumentinho, filho duma jumenta.
Destruirá os carros de combate de Efraim
e os cavalos de guerra de Jerusalém;
e será quebrado o arco de guerra.
Anunciará a paz às nações:
o seu domínio irá de um mar ao outro mar
e do Rio até aos confins da terra…” (
cf. Zacarias 9, 9-10)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na solenidade de São Pedro e São Paulo, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 29 de Junho de 2026

Irmãos e irmãs, bom dia!
Celebramos, hoje, a solenidade dos Santos Pedro e Paulo, padroeiros de Roma. Esta festa recorda o vínculo originário que une, numa comunhão de fé e caridade, a Igreja que está em Roma a todas as outras Igrejas do mundo.
O testemunho destes dois Apóstolos é quase um selo do Novo Testamento. O sangue por eles derramado, nesta cidade, revela até onde chega o amor de Deus que o Senhor Jesus nos concedeu. Sim, foi graças à sua palavra e ao seu martírio que o Evangelho de Cristo se enraizou, por assim dizer, em Roma, manifestando precisamente aqui, na capital do império, a sua capacidade de renovação: um novo conhecimento de Deus e da infinita dignidade de cada ser humano; uma nova experiência da força, não como domínio, mas como serviço à vida.
Ainda hoje, o Senhor, que morreu e ressuscitou por amor, torna-se presente nas suas testemunhas; chega aos centros e às periferias, às capitais e às regiões mais remotas, através das vozes, dos rostos e das escolhas corajosas daqueles que responderam ao seu convite: “Segue-me!”. Assim, este dia de festa envolve-nos na missão de Pedro e Paulo, ou seja, na missão do próprio Jesus. Deus confia em nós, que somos pecadores, perdoados por Ele; em nós que não somos perfeitos, para que a Sua graça brilhe nas nossas histórias e se revele a sua força, que muda o mal em bem.
Caríssimos, talvez Pedro e Paulo não pudessem ter sido mais diversos um do outro. Diversos na origem, na formação e no carácter; não só antes de terem sido chamados, mas também depois; e o seu único Senhor não os uniformizou. O Evangelho é compreendido e anunciado com um sotaque específico por cada um deles; e o Espírito Santo, ao inspirar os autores bíblicos, não quis que ficassem escondidas as suas divergências, as quais, na verdade, nos são narradas como uma boa nova. Todavia, no colégio dos Apóstolos, Pedro e Paulo não foram adversários. Pelo contrário, tornaram-se quase o símbolo de muitas outras diversidades que o único Espírito compõe em unidade. Assim, os Padroeiros da Igreja de Roma viveram o esforço da comunhão, conhecendo-a, servindo-a e anunciando-a como sacramento da vida divina. O seu testemunho contribuiu, de forma determinante, para que a presença cristã na história se orientasse não para o domínio, mas para o serviço, a unidade e a reconciliação.
Por intercessão de São Pedro e São Paulo, o Senhor nos conceda apreciar, cada vez mais, a catolicidade da Igreja; reconhecer o seu valor ao serviço do encontro fraterno entre as pessoas e os povos; evitar tudo o que desgasta ou prejudica a comunhão, e perseverar no caminho ecuménico e no diálogo atento e franco com todos.
Que Maria, Rainha dos Apóstolos, proteja sempre o Povo de Deus, em Roma e no mundo inteiro. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 144

Refrão: Louvarei para sempre o Vosso nome,

              Senhor, meu Deus e meu Rei

 

Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,
e bendizer o vosso nome para sempre.
Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

O Senhor é fiel à sua palavra
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor ampara os que vacilam
e levanta todos os oprimidos.


SANTOS POPULARES

 


BEATA MARIA TERESA LEDOCHOWSKA

 

Maria Teresa nasceu, no dia 29 de Abril de 1863, em Loosdorf, no sul da Áustria: era uma dos sete filhos do Conde António Ledóchowski, nascido na Polónia, e da Condessa suíça, Josefina Salis-Zizers, sua segunda esposa. Teve uma educação muito esmerada e aristocrática, tornando-se uma requintada fidalga, muito culta e fluente em várias línguas.

 O Seu ambiente familiar era muito piedoso: o seu irmão Vladimir tornar-se-ia, mais tarde, Superior-Geral dos Jesuítas; a sua irmã Júlia – Irmã Maria Úrsula, após os seus votos - foi canonizada pelo João Paulo II, em 2003.

Maria Teresa cresceu em paz, na sua família numerosa e rica. Com um talento notável para a música e a pintura, frequentou aulas com o tutor beneditino dos seus irmãos mais velhos.

Em 1882, mudou-se, com os seus pais, para Lipnica, próximo de Cracóvia, na Polónia, onde continuou a cultivar as belas artes e a letras, tendo estudado na Congregação Mariana das Damas Inglesas.

A semente da vocação foi plantada; mas foi a dor que a fez germinar.

Aos vinte e dois anos, em 1885, para não ser um peso para a sua família, que enfrentava dificuldades económicas, com o consentimento do tio, o Cardeal Miecislao Ledóchowski, foi nomeada dama de honor da Grã-Duquesa da Toscana, Alicia de Bourbon e Parma, que tinha residência na corte austríaca, no palácio imperial de Salzburgo. A Grã-Duquesa não dispensava a sua presença alegre e brilhante, e a estimava muito.

Todo o tempo que permaneceu na corte, embora tendo que tomar parte em festas, bailes e caçadas, manteve um comportamento sério; frequentava a Santa Missa diariamente e comungava com frequência.

Contraiu varíola e também foi atacada na rua. Foi então que ouviu a voz do Senhor ressoar dentro de si. Assim que se recuperou, consagrou-se com o voto de castidade e tornou-se terciária franciscana, aprofundando a sua devoção à Paixão do Senhor. Mas isso não foi suficiente. Um dia, conheceu duas Irmãs Missionárias Franciscanas de Maria que andavam a tentar arranjar fundos para financiar as suas missões, na Índia.

Ao ler uma palestra do Cardeal Carlos Lavigerie, fundador dos Padres Brancos para a evangelização da África, sentiu-se iluminada pelo Espírito e decidiu dedicar a sua vida à abolição da escravatura, que ainda existia no continente: isto tornou-se a sua grande missão.

Começou, imediatamente, fundando quatro comitês anti esclavagistas, em quatro cidades; depois, compôs uma peça, Zaida, para consciencializar para as terríveis consequências da escravidão, especialmente para as mulheres. Em seguida, fundou duas revistas: L'Eco dell'Africa (O eco da África) para adultos e ‘ll fanciullo nero’ (A criança negra) para jovens, ambas com o objectivo de consciencialização. Dedicou-se com tanto fervor à sua vocação que recebeu o apelido de "a louca das missões", chegando a experimentar certa antipatia, da parte de muitos.

O trabalho de Maria Teresa intensificou-se cada vez mais, e, assim, ela começou a cultivar a ideia de transformar tudo o que havia feito até então num instituto religioso, também para dar maior estabilidade à sua obra. Foi a Roma apresentar a sua ideia ao Papa Leão XIII. Voltou a Salzburgo, onde alugou uma casa e começou a reunir jovens sob a inspiração dos ideais missionários de São Pedro Claver. [Pedro Claver nasceu em Verdú, na Espanha, no ano de 1580. Fez os estudos de Letras e Artes na Universidade de Barcelona e, em 1602, entrou na Companhia de Jesus. Na sua vocação missionária exerceu notável influência santo Afonso Rodriguez, porteiro do Colégio de Maiorca. Ordenado presbítero, em 1616, na missão da Colômbia, aí exerceu até à morte o apostolado entre os escravos negros, conforme o voto a que se tinha obrigado de ser «escravo dos negros para sempre». Debilitadas as forças, morreu em Cartagena, na Colômbia, no dia 8 de Setembro de 1654. Foi canonizado, pelo Papa Leão XIII, no dia 15 de Janeiro de 1888, em Roma]. Em 1894, fundou a Congregação das Missionárias de São Pedro Claver.

Em 1897, o Bispo da Diocese aprovou o Instituto. A congregação, finalmente, tinha um objectivo: apoiar os missionários em África, financeira e espiritualmente, por meio da oração e da Adoração Eucarística. Em 1910, recebeu a aprovação da Santa Sé.

Maria Teresa continuou, incansavelmente, as suas viagens; fundou novas casas e supervisionou a educação das noviças. Em 1921, contraiu malária, doença que acabou por levá-la à morte.

Faleceu no dia 6 de Julho de 1922,

Mais de oito mil cartas suas sobreviveram, escritas em polaco, italiano, francês, inglês e alemão. Ela foi beatificada por Paulo VI, mo dia 18 de Outubro de 1975.

A sua memória litúrgica é celebrada no dia 6 de Julho.


sexta-feira, 26 de junho de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 

- XIII DOMINGO COMUM

 

“…Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos:
«Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim,
não é digno de Mim;
e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim,
não é digno de Mim.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir,
não é digno de Mim.
Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la;
e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.
Quem vos recebe, a Mim recebe;
e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou.
Quem recebe um profeta por ele ser profeta,
receberá a recompensa de profeta;
e quem recebe um justo por ele ser justo,
receberá a recompensa de justo.
E se alguém der de beber,
nem que seja um copo de água fresca,
a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo,
em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa»...” (
cf. Mateus 10, 37-42)



PALAVRA DO PAPA LEÃO



- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 24 de Junho de 2026

Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
Continuamos as catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, de modo particular a respeito da Constituição Sacrosanctum Concilium (SC) sobre a Liturgia.
Quando Santo Agostinho quer explicar o mistério do Corpo de Cristo aos recém-baPtizados, retoma a passagem de São Paulo que ouvimos: «Vós sois o corpo de Cristo e, cada um segundo a sua parte, os seus membros» (1 Cor 12, 27). E acrescenta: «É o vosso mistério que recebeis. Àquilo que sois, respondeis: Amém, e a vossa resposta é como a vossa assinatura. Diz-se: “Corpo de Cristo”, e vós respondeis: “Amém”. Sede, pois, membros do Corpo de Cristo, para que o vosso amém seja verdadeiro. […] Sede o que vedes e recebei o que sois» (Sermão 272: PL 38, 1247).
Imediatamente, depois de ter evocado a Última Ceia de Jesus, a Constituição sobre a Liturgia fala da Eucaristia com estas conotações agostinianas. Para os cristãos, participar na mesa do Senhor significa, realmente, «ser instruído pela Palavra de Deus, alimentar-se à mesa do Corpo do Senhor, dar graças a Deus» (cf. SC, 48). É recebendo-o na sua Palavra e na Eucaristia que nos tornamos aquilo que recebemos. Tornamo-nos o Corpo cuja Cabeça é Cristo ressuscitado, sentado à direita do Pai (cf. Cl 1, 18), que nos prepara um lugar nos céus (cf. Jo 14, 3): assim, a Eucaristia é o sacramento do Reino que vem. É o Pão do caminho, que nos conduz rumo à Pátria celestial, até ao dia bem-aventurado em que «Deus for tudo em todos» (cf. 1 Cor 15, 28).
 
A assembleia litúrgica oferece o Sacrifício «não só pelas mãos do sacerdote, mas juntamente com ele» (SC, 48). Nesta perspectiva, a Eucaristia é a forma do sacrifício espiritual dos cristãos (cf. Hb 13, 16; Rm 12, 1), enquanto caminho da união com Deus e da união recíproca. Participando nela, eles aprendem «a oferecer-se a si mesmos e, dia após dia, por Cristo mediador, progredir na unidade com Deus e entre si» (cf. ibid.). Assim, incorporando-nos a Cristo, a Eucaristia ensina-nos a adoptar o estilo de vida do próprio Senhor Jesus, marcado pela doação gratuita de si. Por isso, esta doação faz-nos entrar na dinâmica da unidade, que oferece um poderoso antídoto contra os fermentos de divisão que minam o nosso mundo, as nossas comunidades, as nossas famílias, o nosso coração (cf. SC, 47).
Caríssimos, quando participamos na Eucaristia, somos convidados a ouvir a Palavra de Deus e a alimentar-nos à mesa do Senhor, onde Ele próprio se oferece ao Pai. Estas duas partes da Missa, a Liturgia da Palavra e a Liturgia eucarística, «estão tão intimamente ligadas entre si [...] que formam um só acto de culto» (SC, 56).
No que se refere à Palavra, é preciso recordar que não se trata apenas de adquirir um conhecimento intelectual das Escrituras, mas de receber a Palavra «viva e eficaz» (Hb 4, 12), dirigida por Deus a todos e, ao mesmo tempo, a cada um; Palavra que nutre e alimenta com o Pão eucarístico, levando-nos a passar da decadência do pecado para a vida nova em Cristo. «A Eucaristia abre-nos à inteligência da Sagrada Escritura, assim como esta, por sua vez, ilumina e explica o Mistério eucarístico» (Bento XVI, Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, 55).
O Concílio Ecuménico Vaticano II pediu que se abrissem mais amplamente os tesouros da Bíblia, a fim de oferecer aos fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus (cf. SC, 51). A reforma litúrgica traduziu este pedido naquele tesouro que é o Leccionário, ou seja, o livro que reúne todas as Leituras bíblicas para as celebrações litúrgicas. Esta amplitude inspirou-se na fonte mais pura da Tradição viva, que une a fidelidade à tradição, com a abertura a um progresso legítimo (cf. SC, 23).
O início do capítulo II da Constituição sobre a Liturgia está repleto de referências ao grande rio da Tradição, que vai desde os Padres da Igreja até aos nossos dias. Cito: «O nosso Salvador instituiu, na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar, pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua amada esposa, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura» (SC, 47).
Caros irmãos e irmãs, bebamos com fé desta nascente de vida divina, deixando-nos transformar pelo mistério que celebramos. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 88

Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
e para sempre proclamarei a sua fidelidade.
Vós dissestes: “A bondade está estabelecida para sempre”,
no céu permanece firme a vossa fidelidade.

Feliz do povo que sabe aclamar-Vos
e caminha, Senhor, à luz do vosso rosto.
Todos os dias aclama o vosso nome
e se gloria com a vossa justiça.

Vós sois a sua força,
com o vosso favor se exalta a nossa valentia.
Do Senhor é o nosso escudo
e do Santo de Israel o nosso rei.


SANTOS POPULARES

 


SÃO PIER GIORGIO (Pedro Jorge) FRASSATI
 
Nasceu em Turim, Itália, no dia 6 de Abril de 1901, numa das famílias mais importantes e mais influentes da cidade. Era filho de Alfredo Frassati e de Adelaide Ametis, uma família abastada, dona do jornal ‘La Stampa’. [em português "A Prensa"; é um jornal diário italiano, com sede em Turim. É um dos jornais de referência em Itália com uma tiragem de mais de 400.000 exemplares. O jornal foi fundado por Vittorio Bersezio, jornalista e romancista, em Fevereiro de 1867, com o nome ‘Gazzetta Piemontese’. Em 1895, o jornal foi comprado e editado por Alfredo Frassati, pai de Pier Giorgio Frassati, que lhe deu o seu nome actual, uma nova perspectiva informativa e uma dimensão nacional]
Recebeu a sua educação inicial, em casa; depois, frequentou a escola pública Massimo D'Azeglio. Aos 10 anos, recebeu a Primeira Comunhão, juntamente com a sua irmã Luciana, na capela da Congregação das Irmãs Auxiliadoras das Almas do Purgatório. No verão seguinte, se inscreveu-se na Associação dos Pequenos Rosarianti. Durante a sua formação, passou vários anos no Instituto Social, administrado pelos jesuítas, onde entrou no Apostolado da Oração e na Liga Eucarística. A sua fé profunda era alimentada pela Eucaristia diária, pela oração e pela confissão frequente.
No Outono de 1918, após concluir o ensino médio, matriculou-se na Faculdade de Engenharia Industrial Mecânica, com especialização em Engenharia de Minas, na Real Universidade Politécnica de Turim.
O seu nome aparece entre os inscritos na Sociedade de São Vicente, do Beato Cottolengo, que reunia alguns ex-alunos do Instituto Social. Alegre e extrovertido, viveu os valores da amizade e da proximidade com todos, na comunidade universitária, sem medo de viver a sua fé.
Foi membro zeloso e activo da Federação Universitária Católica Italiana. Tornou-se membro do Centro estudantil católico Cesare Balbo e passou a fazer parte, também, da Conferência de São Vicente de Paulo, que havia surgido no seu interior. Dedicava a maior parte do seu tempo livre a visitar famílias pobres e a partilhar o seu dinheiro para ajudar os mais desfavorecidos. Também passou a fazer parte das Milícias de Maria, na sua paróquia, em Crocetta, e participou da secção ‘Jovens Adoradores noturnos Universitários’.
A actividade que viveu com maior amor e dedicação foi o seu compromisso com a Juventude Católica, que, mais tarde, se tornou a Acção Católica Italiana.
No dia 28 de Maio de 1922, recebeu o hábito da Ordem Terceira Dominicana, sob o nome Fra Girolamo (Frei Jerónimo).
Durante os anos do fascismo, enfrentou dificuldades, devido ao seu envolvimento em associações católicas e nas fileiras do Partido Popular, no qual se filiou aos 19 anos.
Apaixonado pelo montanhismo, desde a infância, manteve esse passatempo durante toda a sua breve vida, tendo-se filiado no Club Alpino Italiano e na Associação ‘Giovane Montagna’.
Juntamente com alguns dos seus amigos, fundou a Società dei Tipi Loschi (Sociedade dos Tipos Sombrios, em tradução livre), onde os momentos de diversão se transformavam em oportunidades para construir fraternidade e compartilhar a fé.
Certa vez, apaixonou-se por uma jovem mas, movido por um incomum senso de modéstia e por não querer magoá-la, nunca lhe declarou os seus sentimentos.
No final de Junho de 1925, desenvolveu sintomas graves de poliomielite, que, em poucos dias, o levaram à perda de apetite e à paralisia. Após receber os sacramentos, entrou em coma e faleceu no dia 4 de Julho de 1925. Tinha 24 anos.
Uma grande multidão compareceu no seu funeral, manifestando a sua tristeza e a sua admiração, pelo testemunho de vida e de fé que espalhou à sua volta.
Pier Giorgio foi sepultado na Catedral de Turim.
Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 20 de Maio de 1990, na Praça de São Pedro. Na homilia da missa, o Papa disse: «… “No íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça “ ( 1 Pedro 3, 15).
No nosso século, Pier Giorgio Frassati, a quem, hoje, tenho a alegria de proclamar beato, em nome da Igreja, encarnou na sua própria vida estas palavras de São Pedro. O poder do Espírito da verdade, unido a Cristo, fez dele uma testemunha moderna da esperança que brota do Evangelho e da graça salvadora que opera no coração humano. Ele tornou-se, assim, a testemunha viva e o defensor corajoso dessa esperança, em favor dos jovens cristãos do século XX.
A fé e a caridade, as verdadeiras forças motrizes da sua existência, tornaram-no activo e diligente no ambiente em que vivia, na sua família, na escola, na universidade e na sociedade; transformaram-no num apóstolo de Cristo alegre e entusiasmado, um seguidor apaixonado da sua mensagem e da sua caridade.
O segredo do seu zelo apostólico e da sua santidade reside no caminho ascético e espiritual que trilhou; na oração, na adoração perseverante, mesmo à noite, do Santíssimo Sacramento; na sua sede da palavra de Deus, examinada nos textos bíblicos; na serena aceitação das dificuldades da vida, inclusive as familiares; na castidade vivida como uma disciplina alegre e intransigente; na sua predileção diária pelo silêncio e pela "normalidade" da existência.
É precisamente nesses factores que descobrimos a profunda fonte da sua vitalidade espiritual. De facto, é através da Eucaristia que Cristo comunica o seu Espírito; é através da escuta da sua palavra que cresce a disposição para acolher os outros, e é, também, através da entrega orante à vontade de Deus que amadurecem as grandes decisões da vida. Somente adorando a Deus, presente nos seus corações, os baptizados podem responder àqueles que “perguntam a razão da esperança” que há neles. E o jovem Frassati sabe disso, experimenta isso, vive isso. Na sua vida, a fé une-se à caridade: firme na fé e actuante na caridade, pois a fé sem obras é morta.
Certamente, à primeira vista, o estilo de Pier Giorgio Frassati, um jovem moderno e cheio de vida, não apresenta nada de extraordinário. Mas é precisamente essa originalidade da sua virtude que convida à reflexão e inspira imitação. Nele, a fé e os acontecimentos do dia-a-dia fundem-se harmoniosamente, de tal forma que a adesão ao Evangelho traduz-se numa atenção amorosa aos pobres e necessitados, num crescendo contínuo até aos últimos dias da doença que o levaria à morte. O seu gosto pela beleza e pela arte, a sua paixão pelo desporto e pelas montanhas, e a sua atenção aos problemas da sociedade não o impedem de manter uma relação constante com o Absoluto.
Completamente imerso no mistério de Deus e inteiramente dedicado ao serviço constante dos outros: assim se resume a sua vida terrena! A sua vocação de leigo cristão realizou-se nos seus numerosos compromissos associativos e políticos, numa sociedade em turbulência, indiferente e, por vezes, hostil à Igreja. Com este espírito, Pier Giorgio pôde impulsionar os diversos movimentos católicos aos quais se juntou com entusiasmo, mas sobretudo à Acção Católica, bem como à FUCI, onde encontrou um verdadeiro campo de formação cristã e terreno fértil para o seu apostolado. Na Acção Católica, viveu a sua vocação cristã com alegria e orgulho e dedicou-se a amar Jesus e a ver n’Ele os irmãos que encontrava pelo caminho ou que procurava em lugares de sofrimento, marginalização e abandono, para os fazer sentir o calor da sua solidariedade humana e o consolo sobrenatural da fé em Cristo.
Ele morreu jovem, no final de uma vida curta, mas extraordinariamente rica em frutos espirituais, partindo «para sua verdadeira pátria, para cantar os louvores de Deus» …Foi canonizado pelo Papa Leão XIV, no dia 7 de Setembro de 2025. A propósito de Pier Giorgio, o Papa disse: “…Pier Giorgio encontrou o Senhor através da escola e dos grupos eclesiais - a Acção Católica, as Conferências Vicentinas, a FUCI, a Ordem Terceira Dominicana - e testemunhou-O com a sua alegria de viver e de ser cristão na oração, na amizade, na caridade. A tal ponto que, ao vê-lo circular pelas ruas de Turim com carrinhos cheios de ajuda para os pobres, os amigos o rebaptizaram de “Empresa de Transportes Frassati”! Ainda hoje, a vida de Pier Giorgio representa uma luz para a espiritualidade leiga. Para ele, a fé não era uma devoção privada: impulsionado pela força do Evangelho e pela pertença a associações eclesiais, comprometeu-se generosamente na sociedade, deu o seu contributo à vida política, dedicou-se com ardor ao serviço dos pobres….
Tinha uma grande devoção pelos santos e pela Virgem Maria, e praticava generosamente a caridade. Pier Giorgio dizia: «Em torno dos pobres e dos doentes, vejo uma luz que nós não temos». Definia a caridade como «o fundamento da nossa religião» e praticava-a sobretudo através de pequenos gestos concretos, muitas vezes ocultos, vivendo aquela que o Papa Francisco chamou de «a santidade “ao pé da porta”» (Exort. ap. Gaudete et exsultate, 7).
Quando a doença o atingiu e ceifou a sua jovem vida, nem mesmo isso o impediu de amar, de se oferecer a Deus, de bendizê-Lo e de orar por si próprio e por todos. Um dia, Pier Giorgio disse: «O dia da morte será o dia mais bonito da minha vida»; [4] e na última foto, que o retrata a escalar uma montanha do Val di Lanzo, com o rosto voltado para a meta da sua escalada, ele escreveu: «Para cima» ….”
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 4 de Julho.
 

terça-feira, 23 de junho de 2026

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Data e paroquia onde a criança foi baptizada