PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Arrendará a vinha a outros vinhateiros …” (cf. Mateus 21, 41) No Evangelho de hoje (cf. Mt 21, 33-43) Jesus, prevendo a sua paixão e morte, relata a parábola dos vinhateiros homicidas, para admoestar os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo que estão prestes a tomar o caminho errado. Estes, de facto, nutrem más intenções em relação a ele e procuram o modo de o eliminar. A história alegórica descreve um senhor que, depois de ter cuidado muito da sua vinha (cf. v. 33), parte, confiando-a aos vinhateiros. Em seguida, no momento da colheita, ele envia alguns servos para recolher os frutos; mas os vinhateiros recebem os servos com bastões e até matam alguns. O senhor envia outros servos, mais numerosos, mas também eles recebem o mesmo tratamento (cf. vv. 34-36). O clímax é atingido quando o senhor decide enviar o seu filho: os vinhateiros não o respeitam, pelo contrário, pensam que ao eliminá-lo podem apoderar-se da vinha, e por isso também o matam (cf. vv. 37-39). A imagem da vinha é clara: representa o povo que o Senhor escolheu e formou com tanto cuidado; os servos mandados pelo senhor são os profetas, enviados por Deus, enquanto o filho é a figura de Jesus. E tal como os profetas foram rejeitados, assim também Cristo foi rejeitado e morto. No final da história, Jesus pergunta aos chefes do povo: «Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?» (v. 40). E eles, tomados pela lógica da narrativa, pronunciam eles mesmos a própria condenação: responderam-lhe: mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará a sua vinha: «Dará morte afrontosa aos malvados, e arrendará a vinha a outros vinhateiros que lhe entregarão os frutos na altura devida» (v. 41). Com esta parábola muito dura, Jesus coloca os seus interlocutores face à sua responsabilidade, e fá-lo com extrema clareza. Mas não pensemos que esta admoestação não se aplica apenas àqueles que rejeitaram Jesus naquele momento. É válido para todos os tempos, também para o nosso. Ainda hoje Deus espera os frutos da sua vinha daqueles que enviou para trabalhar nela. Todos nós. Em cada época, aqueles que têm autoridade, qualquer autoridade, também na Igreja, no povo de Deus, podem ser tentados a fazer os próprios interesses e não os de Deus. E Jesus diz que a verdadeira autoridade é quando se faz o serviço, é servir, e não explorar os outros. A vinha é do Senhor, não nossa. A autoridade é um serviço, e como tal deve ser exercida, para o bem de todos e para a difusão do Evangelho. É terrível ver quando, na Igreja, as pessoas que têm autoridade procuram os próprios interesses. São Paulo, na segunda Leitura da liturgia de hoje, diz-nos como ser bons trabalhadores na vinha do Senhor: o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honrado; o que é virtude e merece louvor, que tudo isto seja o objeto diário do nosso compromisso (cf. Fl 4, 8). Repito: o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honrado; o que é virtude e merece louvor, que tudo isto seja o objeto diário do nosso compromisso. É a atitude da autoridade e também de cada um de nós, porque cada um de nós, nas suas competências, tem uma certa autoridade. Deste modo, tornar-nos-emos uma Igreja cada vez mais rica nos frutos da santidade, daremos glória ao Pai que nos ama com infinita ternura, ao Filho que continua a dar-nos salvação, ao Espírito que nos abre o coração e nos impele para a plenitude do bem. (Papa Francisco, na Oração do Angelus, no dia 4 de Outubro de 2020, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXVI DOMINGO COMUM

 

“…Não vos inquieteis com coisa alguma.
Mas, em todas as circunstâncias,
apresentai os vossos pedidos diante de Deus,
com orações, súplicas e acções de graças.
E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência,
guardará os vossos corações
e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Quanto ao resto, irmãos,
tudo o que é verdadeiro e nobre,
tudo o que é justo e puro,
tudo o que é amável e de boa reputação,
tudo o que é virtude e digno de louvor
é o que deveis ter no pensamento.
O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim
é o que deveis praticar.
E o Deus da paz estará convosco…
(cf. Filipenses 4, 6-9)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 30 de Setembro de 2026
 
Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
Hoje, desejo falar-vos da Viagem Apostólica a França, que realizei nos últimos dias. Foi uma grande dádiva para mim e para o povo de Deus naquele país, e dou graças ao Senhor por isso. Manifesto, mais uma vez, a minha gratidão a todos aqueles que me receberam: às Autoridades civis e aos Pastores da Igreja, assim como a quantos, deveras numerosos, quiseram encontrar-se com o Papa ou, simplesmente, saudá-lo ao longo das ruas, como Apóstolo de Cristo e mensageiro de paz. Obrigado a todos!
Gostaria de reunir os pensamentos e as impressões - ainda profundamente vivas - desta Visita Pastoral, em volta de um único grande símbolo: a Catedral de Notre-Dame de Paris. Ali, na tarde do primeiro dia, pudemos celebrar as Vésperas da Bem-Aventurada Virgem Maria, uma liturgia solene e ao mesmo tempo festiva, na qual a música, o cântico e a beleza do templo faziam vibrar os corações, unidos em oração.
É precisamente Notre-Dame, com o drama vivido, que pode simbolicamente iluminar toda esta Viagem Apostólica, oferecendo uma chave de leitura que eu resumiria com uma palavra: renascimento!
A Catedral de Paris, que, há apenas sete anos, parecia mortalmente ferida, por um enorme incêndio, agora foi reconstruída e é mais resplandecente do que nunca. Aquele desastre provocou uma reacção positiva a todos os níveis, alguns mais visíveis e práticos, outros mais escondidos, de ordem espiritual.
O seu restauro foi uma prova da possível colaboração entre Igreja, Estado, instituições públicas e sociedade civil. Esta atitude permitiu valorizar, da melhor forma possível, a generosidade dos benfeitores e as competências dos profissionais e dos operários. A sinergia em prol do bem comum deveria ser o estilo normal das instituições, das forças políticas e sociais, de quantos têm responsabilidades civis e económicas. Foi a mensagem que eu quis confiar às Autoridades francesas, bem como aos membros da UNESCO, à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, com sede em Paris, indicando qual o critério fundamental no qual basear esta colaboração: a dignidade da pessoa humana!
Mas, sobretudo Notre-Dame é imagem da Igreja de pedras vivas, do povo santo de Deus.
É interessante estabelecer um paralelo entre a celebração das Vésperas, na Catedral, e a Vigília dos jovens que teve lugar, na mesma noite, no grande Estádio da França, em Paris. Dois lugares completamente diferentes e, no entanto, dois acontecimentos complementares, quase unidos espiritualmente. O que os unia? A Igreja, que não é feita de pedras nem de cimento, mas de pessoas que amam Jesus Cristo, porque foram amadas por Ele. Em Notre-Dame estavam presentes sacerdotes e diáconos, pessoas consagradas, agentes pastorais; no estádio estava presente a nova geração francesa: nova - diria - não só pela idade, mas ainda mais pelo espírito, pela liberdade de coração e de fé. Jovens que cantaram, gritaram, mas que também permaneceram em silêncio, à escuta. Rostos atentos e comovidos, que revelavam corações desejosos de verdade e amor. A eles eu disse com alegria: “Vós sois os santos da França!”. Aquela Vigília foi um grande sinal de esperança!
Tal como o foi - na pequenez que Deus prefere - também o encontro na Maison Bakhita, casa de acolhimento para várias pessoas em dificuldade: um dos muitos lugares, frutos do Evangelho, onde se assume o compromisso diário de servir, com amor, a dignidade da pessoa humana.
No entanto, na Igreja, em França, existe um sinal de renascimento que perdura há alguns anos, ou seja, o número notável e crescente de jovens e adultos que pedem o Baptismo. Sobre esta bonita “surpresa” de Deus, decorre, em Paris, uma Assembleia sinodal provincial, na qual tive a ocasião de intervir, encorajando o caminho dos catecúmenos e dos neófitos, com as comunidades a que pertencem.
O evento culminante da minha visita à Capital foi a Missa na Place de la Concorde. Ali, o sinal do renascimento manifestou-se de modo surpreendente: a assembleia litúrgica, que congregava, na vasta Praça, os sacerdotes, o coro e uma multidão considerável, estendia-se por toda a Avenue des Champs-Élysées, até ao Arco do Triunfo e além. No momento da Comunhão, todos puderam receber a Eucaristia, distribuída em todos os lugares. Eis a verdadeira reconstrução, a restauração da Igreja que só Deus pode realizar, por intercessão da Virgem Maria.
E, então, era natural e obrigatório que, depois de Paris, eu fosse como peregrino a Lourdes, para venerar a Mãe da Igreja, Maria, aquela que na hora da paixão e da morte mantém acesa a lâmpada da fé e da esperança. Em Lourdes, o Senhor, através do esmero maternal da Virgem Maria, transmite a todos, peregrinos e especialmente enfermos no corpo e no espírito, uma mensagem de esperança e renascimento. Uma mensagem que eu quis relançar abertamente: cada vida humana, em qualquer condição, até na mais grave fragilidade, conserva a sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada, aliviada do sofrimento, com compaixão humana e com o auxílio dos meios proporcionados pela ciência. Por isso, Lourdes representa, para todo o mundo, um santuário da civilização do amor. Neste contexto, encontrei algumas pessoas vítimas de abusos e pedi-lhes que me ajudem a transmitir também a outras vítimas a minha vontade, bem como a de toda a Igreja, de as ouvir e de caminhar com elas em busca da cura, reconhecendo a dor causada na sua vida e trabalhando para a prevenção dos abusos.
A terceira e última etapa da Viagem Apostólica foi a cidade de Metz, numa região da França e da Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial. Foi ali que trabalhou Robert Schuman, um dos principais inspiradores do processo de unificação europeia. A Europa contemporânea nasceu, precisamente, como projecto de paz, após a destruição da guerra. Podemos dizer que quanto ocorreu com o incêndio de Notre-Dame, em Paris, acontecera na Europa com a Segunda Guerra Mundial. E a Europa renasceu, com base naqueles princípios de democracia, solidariedade e fraternidade entre os povos, que muito devem às próprias raízes cristãs. Também hoje, é sobre tais alicerces e com esta “linfa” vital que o projecto-Europa pode renovar-se, num mundo muito mais globalizado, onde o diálogo inter-religioso desempenha um papel de importância primordial. Por isso, em Metz, encontrei-me com representantes das várias tradições religiosas, que leram e subscreveram, na minha presença, o “Apelo de Metz” a favor do diálogo e da paz.
Caríssimos, o tema da minha Visita pastoral a França foi “Pour que le monde ait la vie”, “Para que o mundo tenha vida” (cf. Jo 6, 51). São palavras de Jesus, que resumem toda a sua missão de salvação e que, durante a Viagem, manifestavam plenamente o sentido evangélico de cada encontro. Agora, que elas inspirem a nossa oração, pedindo a Deus que este acontecimento de graça possa dar frutos abundantes e duradouros! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 79

 

Refrão: A vinha do Senhor é a casa de Israel.

Arrancastes uma videira do Egipto,
expulsastes as nações para a transplantar.
Estendia até ao mar as suas vergônteas
e até ao rio os seus rebentos.

Porque lhe destruístes a vedação,
de modo que a vindime quem quer que passe pelo caminho?
Devastou-a o javali da selva
e serviu de pasto aos animais do campo.

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.
Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Não mais nos apartaremos de Vós:
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.
Senhor, Deus dos Exércitos, fazei-nos voltar,
iluminai o vosso rosto e seremos salvos.


SANTOS POPULARES



SANTA MARIA SOLEDADE TORRES ACOSTA
 
Bibiana Antónia Manuela nasceu em Madrid, Espanha, no dia 2 de Dezembro de 1826, a segunda filha de Manuel Torres e Antónia Acosta, modestos comerciantes. Foi baptizada dois dias depois. Todos a tratavam por Manuela. Recebeu o Sacramento da Confirmação no dia 16 de Janeiro de 1828, quando tinha acabado de completar um ano de idade, de acordo com o costume daquela época, em Espanha.
Manuela passou a sua infância, adolescência e juventude na casa do seu pai. Dedicou-se inteiramente às tarefas domésticas e aos cuidados com os seus três irmãos mais novos, mas não negligenciou as obras de piedade pelas quais era particularmente atraída.
Aos vinte e cinco anos, deu vazão ao seu impulso generoso e ofereceu-se para auxiliar o Padre Miguel Martínez Sanz, que era o responsável pelo cuidado espiritual do bairro operário de Chamberí. O sacerdote tinha em mente fundar uma congregação religiosa para cuidar dos doentes, em casa: já havia envolvido, no seu projecto, seis jovens mulheres, mas queria aumentar o número para sete, como fundadoras leigas da Ordem das Servas de Maria.
A sétima foi Manuela: assim, no dia 15 de Agosto de 1851, juntamente com as outras seis companheiras, Manuela vestiu o hábito preto e mudou o seu nome para Maria Soledade (Desolada), em honra da Virgem Santa Maria das Dores, de quem toda a Espanha tem grande devoção. Assim nasceu a nova Congregação das Servas de Maria, Ministras dos Doentes.
Em 1856, uma grave crise interna, desencadeada por dolorosas dificuldades, levou à demissão de quatro das seis cofundadoras; outras duas faleceram. A isto acrescentou-se a hostilidade do Estado e a partida do Padre Miguel para a Guiné Equatorial, como missionário. A Irmã Maria Soledade, nomeada Superiora-Geral, viu-se a lutar sozinha, procurando dar vida à Congregação. Cheia de devoção, depositou toda a sua confiança na Virgem Maria.
Em 1856, o novo director eclesiástico das Servas de Maria demitiu-a do cargo e enviou-a para Getafe. O Arcebispo de Toledo teve de intervir para evitar a extinção da Congregação, enquanto a Irmã Maria Soledade continuava a prestar os seus humildes serviços.
O Padre Gabino Sánchez, agostiniano, foi nomeado para substituir o Padre Miguel Martínez. O seu primeiro acto foi reconduzir a Irmã Maria Soledade no cargo de superiora-geral, em Janeiro de 1857 e chamá-la de volta a Madrid. A sua recondução foi ratificada no primeiro Capítulo-Geral, em 1861, após a aprovação da primeira Regra.
As Servas de Maria conquistaram a protecção da Rainha Isabel II e obtiveram a confiança da Junta de Caridade de Madrid: em 1859, foi-lhes confiada a Casa do Socorro, seguida, em 1861, pela administração do Hospital de São João de Deus. Entretanto, continuaram o seu compromisso primordial, oferecendo assistência domiciliar gratuita aos enfermos. Em particular, dedicaram-se em socorrer os doentes de cólera, durante as epidemias de 1855, 1865 e 1885.
Tendo obtido a aprovação do governo, nos anos seguintes, a Madre Maria Soledade expandiu a sua fundação, abrindo novas casas - cerca de 42 - espalhadas por toda a Espanha e em Cuba (1875) e em Porto Rico (1887). Ela estabeleceu que as suas ‘filhas’ deveriam possuir uma sólida formação em enfermagem e uma grande devoção à Virgem, com o título de Nossa Senhora da Saúde dos Enfermos.
A congregação obteve o ‘Decreto de Louvor’ em 1867 e recebeu a sua primeira aprovação do Papa Pio IX, em 1876. A Madre Maria Soledade foi, pessoalmente, encorajada pelo Papa Leão XIII, a quem conheceu em Roma: o mesmo Pontífice, em 1898, aprovou, definitivamente, as Constituições das Servas de Maria.
Após 31 anos de governo, a Madre Maria Soledade faleceu, no dia 11 de Outubro de 1887. O seu corpo, perfeitamente preservado, foi transladado para a Casa-Mãe, em Madrid, após seis anos no cemitério local.
A crescente devoção dos fiéis levou à abertura da sua causa de beatificação, na diocese de Madrid. No dia 23 de Janeiro de 1938, foi promulgado o decreto sobre o heroísmo das suas virtudes, pelo qual a Madre Maria Soledade Torres Acosta foi declarada Venerável.
A Madre Maria Soledade foi beatificada no dia 5 de Fevereiro de 1950, pelo Papa Pio XII.
Foi canonizada, pelo Papa Paulo VI, no dia 25 de Janeiro de 1970, e por ele denominada "precursora e mestra do mais consumado cuidado e assistência à saúde, do nosso humanismo social". Da sua homilia, destacamos: “…Nesta hora de tribulação para a Igreja e de amargura para Nós, este é um momento de grande consolação: Maria Soledade Torres Acosta foi reconhecida como Santa. Foi proclamada Santa. Foi inscrita nos fastos dos Santos. Foi apresentada a toda a Igreja terrestre, como pertencente à Igreja celeste. Foi declarada digna do culto de veneração, porque está unida para sempre e totalmente a Cristo ressuscitado e participa da glória que Ele possui. Este é o significado do acto extraordinário e solene que Nós acabámos de realizar. Canonizámos esta bem-aventurada filha da Igreja e agora sentimos que a luz, a fascinação, o mistério da santidade se difundem sobre nós, sobre esta assembleia exultante, sobre a Espanha que foi a pátria da nova Santa, sobre a Família religiosa que ela fundou, a das Servas de Maria Ministras dos Enfermos, sobre a Igreja inteira e sobre o mundo. Deus seja bendito!...
… A biografia de Maria Soledade não nos oferece aquelas singularidades muitas vezes cheias de aventura e de prodígio, nem aquela riqueza de palavras e de escritos, que caracterizam outras figuras de Santas; por outro, o seu perfil, cheio de pureza e de bondade, apresenta algumas características que Nos parece necessário sublinhar.
Maria Soledade é uma fundadora, a fundadora de uma Família religiosa muito numerosa e muito difundida, de uma Congregação excelente e próvida. Assim, Maria Soledade faz parte daquele grupo de santas e intrépidas mulheres, que, no século passado, fizeram jorrar na Igreja torrentes de santidade e de operosidade, intermináveis procissões de virgens consagradas ao único e supremo amor de Cristo, devotadas ao serviço inteligente, incansável e desinteressado do próximo. Vós conheceis estas almas. Por toda a parte podeis encontrá-las. Não é necessário que vos descrevamos agora a magnífica expansão que os seus Institutos tiveram…
… As características peculiares, que descrevem especificamente o modelo em questão, justificam e glorificam esse tipo de procura da perfeição cristã. Consiste ele no desapego prático e ascético da vida secular comum, que hoje é preferida por muitos; na vida comum organizada, dentro da observância dos conselhos evangélicos da pobreza, da castidade e da obediência; no primado, ciosamente conservado, da vida interior, da oração, do culto divino e do amor de Deus; numa palavra, na dedicação sem limite e sem cálculos egoístas a algumas obras de caridade; e, por fim, na adesão profunda e orgânica à Santa Igreja. Estas características básicas, que constituem um estado de vida qualificado pelo esforço para alcançar a perfeição cristã, estão autenticamente de acordo com as exigências do Evangelho, e ainda hoje são capazes de definir e de valorizar a vida religiosa no nosso tempo. A Congregação das Servas dos Enfermos merece, no nome e no exemplo da sua santa fundadora, este Nosso reconhecimento.
Esta Congregação merece também outro reconhecimento, o da sua definição como Instituto religioso especificamente dedicado à assistência aos enfermos. Esta é a opção que exprime, empenha e ilustra a caridade de Maria Soledade e da sua descendência espiritual…”
Ainda hoje, as filhas espirituais de Santa Maria Soledade Torres Acosta continuam a sua missão de cuidar dos enfermos, inclusive em hospitais, mas principalmente nos seus lares. Estão presentes em quatro continentes, divididas em mais de cem casas. A Casa-Mãe continua em Madrid, enquanto a Sede-Geral está em Roma.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 11 de Outubro, aniversário da sua morte.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXVI DOMINGO COMUM

 

“…Se há em Cristo alguma consolação,
algum conforto na caridade,
se existe alguma consolação nos dons do Espírito Santo,
alguns sentimentos de ternura e misericórdia,
então, completai a minha alegria,
tendo entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade,
numa só alma e num só coração.
Não façais nada por rivalidade nem por vanglória;
mas, com humildade,
considerai os outros superiores a vós mesmos,
sem olhar cada um aos seus próprios interesses,
mas aos interesses dos outros.
Tende em vós os mesmos sentimentos
que havia em Cristo Jesus…
(cf. Filipenses 2, 1-5)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 23 de Setembro de 2026
 
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Continuando o nosso percurso sobre a Constituição pastoral Gaudium et spes, do Concílio Ecuménico Vaticano II, chegamos ao terceiro capítulo da primeira parte, que tem um título atraente: «A actividade humana no mundo». A questão fundamental é a seguinte: qual é o valor da actividade humana no mundo e, por conseguinte, do progresso técnico, social e científico? Podemos recordar que, menos de quatro anos depois do encerramento do Concílio, na noite entre 20 e 21 de Julho de 1969, o homem teria pisado, pela primeira, vez a Lua.
Criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano é sujeito de progresso. Com a liberdade e a inteligência, ele amplia os seus conhecimentos, fazendo, assim, progredir toda a sociedade. Vemo-lo, facilmente, considerando as melhorias das condições de vida na sucessão das gerações. Com efeito, diz o Documento, «muitos bens que o homem, noutros tempos, esperava - sobretudo das forças superiores – hoje, alcança-os pelos seus próprios meios» (n. 33).
Por isso, alguns pensadores apresentaram o progresso técnico-científico como algo que debilita a relação com Deus, a ponto de a fazer parecer supérflua, ou até antagonista em relação à fé cristã. E esta leitura provocou uma mudança de perspectiva sobre o mundo por parte do homem contemporâneo, em comparação com as épocas precedentes. Tal preconceito afirma-se, sobretudo, naquela parte da cultura ocidental que perdeu a sua referência à Revelação cristã. Nos humanismos pós-cristãos, o ser humano e Deus são, erroneamente, apresentados como rivais: para afirmar os seus saberes, a sua liberdade e o seu progresso, o homem deveria emancipar-se de Deus. Mas, no fim de contas, negando a relação com Deus, perde-se até a possibilidade de afirmar o valor transcendente da pessoa humana. É o “drama do humanismo ateu”, bem descrito por um importante teólogo do Concílio Vaticano II, Henri de Lubac.
O Concílio deseja oferecer uma resposta clara: «Uma coisa é certa - afirma a Gaudium et spes - para os crentes: (considerada em si mesma) a actividade humana individual e colectiva, aquele imenso esforço com que os homens, no decurso dos séculos, tentaram melhorar as condições de vida, corresponde à vontade de Deus» (n. 34). Aliás, prossegue a Constituição, «longe de pensar que as obras do engenho e poder humano se opõem ao poder de Deus, ou de considerar a criatura racional como rival do Criador, os cristãos devem, pelo contrário, estar convencidos de que as vitórias do género humano manifestam a grandeza de Deus e são fruto do seu desígnio inefável» ( ibid.). Em síntese, Deus colocou nas mãos do homem e da mulher uma criação ainda in statu viae, ou seja, a caminho, em crescimento, a fim de que eles a levem à plenitude, mediante a sua sábia actividade.
Aqui, há uma importante evocação do mistério da Encarnação. A humanidade - e com ela o trabalho, o progresso e a autonomia das realidades criadas - não é absorvida nem anulada pelo encontro com Deus, mas sim acolhida na sua integralidade, continuando a ser, em Cristo, livre e activa: com efeito, é n’Ele que ela encontra a plena verdade e liberdade. Além disso, na celebração eucarística, o fruto da labuta humana, representado pelo pão e o vinho, é colocado, todos os dias, sobre o altar, para ser transformado no Corpo e Sangue de Cristo.
Desta perspectiva surge uma verdade importante: para encontrar Deus, o ser humano não deve abandonar as ocupações terrenas, mas pode viver plenamente a sua vocação, desempenhando bem o trabalho diário e santificando-o. Os cristãos estão envolvidos, como todos, na edificação da cidade dos homens, tendo em vista a finalidade de todas as coisas e o encontro com Deus, e recordando este fim último àqueles com quem partilham a aventura do progresso, da ciência e da vida.
Certamente, o progresso terreno deve distinguir-se bem do desenvolvimento do reino de Cristo; no entanto, o Concílio afirma que «o progresso [...] na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao reino de Deus. Todos estes valores [...] fruto da natureza e do nosso trabalho, depois de os termos difundido na terra, no Espírito do Senhor e segundo o seu mandamento, voltaremos de novo a encontrá-los, mas então purificados de qualquer mancha, iluminados e transfigurados» (n. 39).
Para concluir, recordemos que, para se tornar autêntico desenvolvimento humano - isto é, de todo o homem e de todos os homens - o progresso, técnico e científico, deve ser animado e orientado pela caridade. Só assim poderá ser colocado sempre em defesa da dignidade do homem e promover as condições de vida de todos, especialmente dos mais desfavorecidos.
Caros irmãos e irmãs: o Concílio Vaticano II convida-nos a partilhar o pão do conhecimento e do saber-fazer, a fim de que cada homem e cada povo possa desenvolver as suas potencialidades e juntos possamos construir, com a ajuda de Deus, um porvir melhor. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 24

 

Refrão: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia e do Vosso amor.

 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador:
em vós espero sempre.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Não recordeis as minhas faltas
e os pecados da minha juventude.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.

O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.


SANTOS POPULARES

 


BEATO NICOLAU TUM CASTRO QUIATAN
 
Nicolau Tum Castro Quiatan nasceu em Cholá, Guatemala; nasceu no dia 9 de Abril de 1945. Durante vinte anos, foi catequista e ministro extraordinário da Comunhão. Era um homem tranquilo, afável, honesto e trabalhador, alegre e pronto para enfrentar até as tarefas mais complexas.
Quando ficou cada vez mais claro que a Igreja na Guatemala estava a ser perseguida por causa do compromisso de padres e leigos com os direitos fundamentais dos mais pobres, ele animou os outros membros da sua comunidade para que perseverassem, na fé e na fidelidade a Cristo: "Se não nos deixarem reunir na Igreja, fá-lo-emos nas montanhas, ou nas cavernas, ou à noite em nossas casas. Nestes tempos de perseguição, precisamos do Corpo de Cristo, mais do que nunca, para nos dar força." Todos os membros da comunidade amavam-no e o procuravam-no pelo seu conselho, o seu bom exemplo e a sua dedicação à Igreja.
Como nenhum padre podia vir à sua paróquia, em Chicamán, ele próprio ia a Cobán ou, às vezes, a San Cristóbal Verapaz, para buscar o Pão consagrado, Corpo de Cristo. Escondia, delicadamente, as Hóstias entre as tortilhas, embrulhadas num pano, dentro da mochila que fazia parte do equipamento típico dos agricultores viajantes, ou no saco de milho que carregava com um mecapal (uma alça de couro ou algodão, tradicionalmente usada para carregar cargas aos ombros) até sua aldeia.
Foi denunciado, anonimamente, como uma "pessoa indesejada". Então, no dia 29 de Setembro de 1980, durante a noite (segundo algumas testemunhas, por volta das 23h), alguns indivíduos bateram, com força, na porta da sua casa, na cidade de Los Plátanos. Como ninguém atendeu, arrombaram a porta e entraram na sua humilde residência.
Tentaram levar Nicolau, mas ele agarrou-se, com todas as suas forças, à coluna principal da casa e gritou: "Matem-me aqui, mas não me levem embora!". Ele pressentia que poderiam torturá-lo para que revelasse os nomes de outros catequistas, como já havia acontecido, em casos semelhantes.
Imediatamente, segundo testemunhas oculares, "agarraram-no pelo braço e arrastaram-no para fora de casa, como uma criança". Dispararam sete tiros contra ele, fracturando a sua coluna e quebrando o seu ombro.
Quando os agressores se foram embora, ele ainda estava vivo. Chamou a sua família e, voltando-se para a esposa, pediu que ela cuidasse das crianças. Em seguida, começou a recitar o Pai-Nosso, mas morreu enquanto ainda rezava. Tinha cerca de trinta e cinco anos.
A fama do martírio e da santidade de Nicolau levou à sua inclusão na causa de beatificação e canonização, que incluiu três padres missionários do Sagrado Coração e seis outros leigos da diocese de Quiché, muitos dos quais eram membros da Acção Católica Rural.
Nicolau Tum Castro Quiatan foi beatificado, na Catedral da Santa Cruz, em Santa Cruz del Quiché, no dia 23 de Abril de 2021, em cerimónia presidida pelo Cardeal Álvaro Leonel Ramazzini Imeri, Bispo da Diocese de Huehuetenango, em nome do Papa Francisco.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia.
19 de Setembro

domingo, 20 de setembro de 2026

EM DESTAQUE:

 


*INÍCIO DA CATEQUESE
A catequese, na Igreja Matriz, terá o seu início no dia 10 de Outubro, às 17 horas.
As inscrições para o 1º ano podem ser feitas até ao dia 10.
 
*CELEBRAÇÃO DO CRISMA
No dia 6 de Dezembro, às 10 horas, na Igreja Matriz da Feira, o Sr. D. Roberto Mariz, Bispo-Auxiliar do Porto, presidirá à celebração do Crisma: receberão o Sacramento da Confirmação ou Crisma, os jovens das Paróquias de Sanfins, Escapães e Feira que terminaram o 10º ano da catequese.
Convidamos, como é habitual, os adultos, ainda não crismados, para uma breve preparação e, assim, poderem ser, também, crismados no dia 6 de Dezembro. A preparação tem início no dia 3 de Outubro, às 19,30, na Igreja Matriz.
Não é preciso fazer inscrição: basta aparecer!...

DA PALAVRA DO SENHOR


 

- XXV DOMINGO COMUM

 

“…Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar,
invocai-O, enquanto está perto.
Deixe o ímpio o seu caminho
e o homem perverso os seus pensamentos.
Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele,
ao nosso Deus, que é generoso em perdoar.
Porque os meus pensamentos não são os vossos,
nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –.
Tanto quanto o céu está acima da terra,
assim os meus caminhos estão acima dos vossos
e acima dos vossos estão os meus pensamentos…
(cf. Isaías 55, 6-9)


PALAVRA DO PAPA LEÃO



- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia16 de Setembro de 2026
 
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Dedicando o segundo capítulo à “comunidade humana”, a Constituição Gaudium et spes (GS)  convida a considerar a «multiplicação das relações entre os homens» «entre os principais aspectos do mundo actual» (n. 23). No entanto, esta realidade tem necessidade de encontrar o seu cumprimento «ao nível mais profundo da comunidade de pessoas», para a qual é indispensável «o mútuo respeito pela sua plena dignidade espiritual» (ibid.).
São afirmações que, nos nossos dias, adquirem maior urgência. Com efeito, por um lado o desenvolvimento tecnológico, a difusão dos mass media e dos social media, e o recurso crescente à inteligência artificial abrem novas possibilidades, abatendo barreiras e distâncias; por outro, as relações tendem a tornar-se cada vez menos pessoais, mais virtuais, e corremos o risco de nos habituarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana. A tal respeito, fazer com que as relações sociais tenham peso real e profundidade pessoal é a contribuição que a comunidade cristã se propõe oferecer.
O Concílio convida a encontrar critérios e força no projecto criador de Deus, que desejou que «[todos] os homens formassem uma só família e se tratassem uns aos outros como irmãos»; por isso, «o amor a Deus e ao próximo é o primeiro e maior de todos os mandamentos», que em Cristo teve a sua plena revelação e a sua completa actuação (cf. GS, 24).
O aperfeiçoamento da pessoa humana e o desenvolvimento da sociedade devem ser considerados estreitamente interdependentes entre si: opô-los ou separá-los significaria torná-los vãos. A história, até a mais recente, confirma esta verdade de maneira clara e, por isso, não devemos cansar-nos de reiterar, com os Padres do Concílio Vaticano II, que «a pessoa humana, uma vez que por sua natureza necessita absolutamente da vida social, é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais» (GS, 25).
Nesta perspectiva, a Gaudium et spes afirma que a diversidade das pessoas e dos povos, no mundo, não deve ser considerada um perigo nem uma ameaça, mas potencial de enriquecimento e crescimento. A oposição, que às vezes degenera em violência, constitui um fruto do poder do pecado e do modo como ele condiciona as mentalidades e as acções a todos os níveis, causando destruição e morte. É necessário abrir-se cada vez mais à lógica da reciprocidade, da partilha e do cuidado, como acontece, também, entre os diferentes membros do corpo humano (cf. 1 Cor 12, 21-25).
Neste ponto, a Constituição pastoral oferece, inclusive, uma definição sintética de “bem comum”, recordando que ele consiste no «conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (GS, 26). Ao mesmo tempo, reconhecendo a interdependência entre os povos, ela afirma que «cada grupo deve ter em conta as necessidades e legítimas aspirações dos outros grupos e mesmo o bem comum de toda a família humana» (ibid.).
Em seguida, a partir desta abordagem, os Padres conciliares indicam algumas «conclusões práticas e mais urgentes» (GS, 27). Em primeiro lugar, o respeito pela pessoa humana. A Gaudium et spes afirma: «Tudo quanto se opõe à vida, como toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as próprias consciências; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho, em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas estas coisas, e outras semelhantes, são infamantes» (ibid.).
Segunda conclusão: o respeito e o amor até pelos adversários ou por aqueles que pensam ou agem diferentemente de nós (cf. GS, 28).
Em terceiro lugar: a igualdade fundamental de todos os homens, que exige justiça social. O Documento diz: «Deve superar-se e eliminar-se, como contrária à vontade de Deus, qualquer forma social ou cultural de discriminação, quanto aos direitos fundamentais da pessoa, por razão de sexo, raça, cor, condição social, língua ou religião» (GS, 29).
Para concluir, os Padres conciliares exortam a superar a mentalidade individualista e a assumir uma atitude de responsabilidade e participação (cf. GS, 30-31).
Caros irmãos e irmãs, esta visão da humanidade como “comunidade de pessoas” é um legado precioso que o Concílio Vaticano II nos deixou. Ela ajuda todos nós a realizar um discernimento pessoal e comunitário, para avaliar com responsabilidade os projectos sociais e políticos de hoje, com base nos critérios da dignidade da pessoa humana, da justiça social e da livre participação na construção do bem comum. Pois o futuro da humanidade depende do compromisso de cada um para colaborar com Deus e com os irmãos na construção de um mundo mais humano (cf. GS, 30). (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 144

Refrão: O Senhor está próximo de quantos O invocam.

 

Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e digno de todo o louvor,
insondável é a sua grandeza.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

O Senhor e justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.


SANTOS POPULARES

 


SANTA TERESA COUDERC
 
Maria Vitória Couderc nasceu, no dia 1 de Fevereiro de 1805, em Mas de Sablières, França, filha de Cláudio Miguel Couderc e de Ana Méry. Recebeu a Primeira Comunhão em 15 de Maio de 1815. Os seus pais,  agricultores de recursos limitados, só conseguiram proporcionar-lhe educação, entre os 17 e os 20 anos, no convento das Irmãs de São José, em Les Vans. Passou a sua juventude em aldeias e vilas da Diocese de Viviers.
Em 1825, aos 20 anos, voltou a Sablières para participar da missão pregada por um missionário diocesano, o Padre Terme, ex-pároco de Aps e fundador de uma congregação religiosa – Congregação das Irmãs de São Francisco Régis - dedicada à educação. Mais tarde, o Padre Terme tornou-se seu director espiritual.
Em 1826, o Padre Terme enviou-a, como postulante, para a Casa de Aps, onde, no dia 27 de Março, Maria Vitória recebeu o hábito e adoptou a nome Irmã Teresa. No ano seguinte, o fundador confiou-lhe, juntamente com outras duas freiras, a organização de uma hospedaria em La Louvesc, para peregrinos que viajavam ao túmulo de São Francisco Régis [São Francisco Régis, nasceu no dia 31 de Janeiro de 1597, no castelo de Fontcouverte, na região do Languedoc, sul da França. Pertencia a uma família nobre e profundamente católica, que lhe proporcionou sólida formação cristã desde a infância. Foi sacerdote jesuíta, missionário incansável e um dos maiores evangelizadores do século XVII. A sua vida foi marcada pelo zelo apostólico, pela dedicação aos pobres, pelo cuidado com os doentes e pela incansável pregação do Evangelho. É considerado um modelo de sacerdote missionário, que fez de toda a sua existência uma entrega generosa ao serviço de Cristo e da Igreja. Faleceu no dia 31 de Dezembro de 1640, com apenas 43 anos de idade, após consumir completamente sua vida ao serviço do Evangelho]: esta foi a primeira semente do 'Cenáculo'.
No final de 1828, a Irmã Teresa Couderc foi eleita superiora, fazendo os seus primeiros votos; no ano seguinte, conseguiu que a Casa fosse reservada para exercícios espirituais; ao mesmo tempo, o Padre Terme, tendo tomado conhecimento dos exercícios espirituais de Santo Inácio, com os Jesuítas de Vals, encaminhou as Irmãs de São Régis para esta espiritualidade: ficaram conhecidas como as "Senhoras do Retiro".
No dia 12 de Dezembro de 1834, o Padre Terme faleceu. Então, a Madre Teresa Couderc confiou a obra ao cuidado do Provincial dos Jesuítas franceses, o Padre Francisco Renault.
Em 1836, o Bispo de Viviers aprovou a Regra das "Senhoras do Retiro". Nessa ocasião, o Padre Provincial dos Jesuítas obrigou-as a separarem-se das Irmãs de São Francisco Régis, que se dedicavam ao ensino.
A Madre Teresa permaneceu como superiora das "Senhoras do Retiro", em La Louvesc, professando os seus votos solenes, no dia 6 de Janeiro de 1837. Em 15 de Agosto, fez a sua consagração a Nossa Senhora de Ay, nomeando-a superiora da sua casa, prometendo obedecer sempre à voz da Graça e nunca à da natureza.
Em Outubro de 1838, o Padre Renault, jesuíta, apresentou-lhe uma postulante, a Condessa de Lavilleurnoy, que, alguns dias depois, foi nomeada por ele "superiora fundadora" da Congregação; A esta grave afronta - que lhe foi dirigida, talvez por razões de conveniência, no contexto social da época - levou a Madre Teresa a baixar a cabeça, sem resistência, fiel à sua regra de obediência.
Passaram-se onze meses e a "superiora fundadora", levou a Congregação à ruína e depois retirou-se. Mas, as provações não terminaram. O Padre Renault nomeou a Irmã Contenet em seu lugar, no dia 24 de Setembro de 1839, que, apesar de ser uma excelente superiora, trabalhou até à sua morte - no dia 24 de Fevereiro de 1852 - para marginalizar, completamente, a Madre Teresa.
A verdadeira fundadora da Congregação aceitou, humildemente, a situação, revelando a sua natureza mística, ao dizer: "Quando Nosso Senhor quer usar uma alma para a Sua glória, primeiro fá-la passar pela prova da contradição, da humilhação e do sofrimento; não se pode ser um instrumento útil, sem isso".
A situação mudou quando foi nomeada uma nova Superiora, a Madre de Larochenégly, que demonstrou uma crescente estima pela Madre Teresa. Entretanto, foram abertas novas Casas, em Fourvières e em Paris. A Obra das ‘Senhoras do Retiro’ foi dedicada a Nossa Senhora do Cenáculo, no dia 25 de Março de 1852, e a festa de Nossa Senhora do Cenáculo foi celebrada, pela primeira vez, no dia 28 de Maio de 1854.
A história da Obra não foi fácil: no dia 7 de Março de 1855, a Madre Teresa foi enviada para a Casa de Paris, devido a uma divergência com a superiora local, que saiu da Congregação, levando quatro freiras consigo.
A Madre Couderc permaneceu em Paris, como um "exemplo da regra viva", até 24 de Novembro de 1856. Depois, a sua vida foi uma sucessão de responsabilidades como superiora de várias casas em Tournai, La Louvesc, Lyon e Montpellier, até 1867.
A partir desse ano, a Madre Teresa Couderc viveu em Fourvières, levando uma vida ascética, oferecendo-se como vítima a Deus, com o propósito de "aderir a tudo, aceitar tudo, submeter-se a tudo". Nunca pediu a Deus para ser libertada do seu sofrimento, mas "apenas a força para sofrer; e o amor da Cruz que nos faz sofrer".
O "Cenáculo" que ela fundou tornou-se um movimento mundial. No momento da sua morte, no dia 26 de Setembro de 1885, as freiras que a assistiam entoaram o "Magnificat": ‘A minha alma glorifica o Senhor…’
Foi beatificada, no dia 17 de Junho de 1951, pelo Papa Pio XII.
Foi canonizada, na Basílica de São Pedro, em Roma, pelo Papa Paulo VI, no dia 10 de Maio de 1970.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 26 de Setembro.
 

sábado, 12 de setembro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXIV DOMINGO COMUM

 

“…Nenhum de nós vive para si mesmo
e nenhum de nós morre para si mesmo.
Se vivemos, vivemos para o Senhor,
e se morremos, morremos para o Senhor.
Portanto, quer vivamos quer morramos,
pertencemos ao Senhor.
Na verdade, Cristo morreu e ressuscitou
para ser o Senhor dos vivos e dos mortos…
(cf. Romanos 14, 7-8)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 9 de Setembro de 2026
 
Irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos! 
Dedicando o primeiro capítulo à dignidade da pessoa humana, a Constituição conciliar Gaudium et spes (GS) realça que ela é base e condição daqueles «valores que hoje são mais apreciados», mas não devem perder a ligação com «a sua fonte divina», para se subtrair às possíveis distorções devidas à «corrupção do coração humano» (GS, 11). 
Sem dúvida, o caminho que permitiu evidenciar os traços e os direitos fundamentais da dignidade da pessoa representa uma das páginas mais significativas da história humana. No entanto, o percurso a percorrer não terminou e deve enfrentar as contradições, antigas e novas, que impedem uma sua plena atuação. 
A Igreja oferece, com clareza, a sua contribuição, recordando que a dignidade humana brota do próprio ser da pessoa. Tive a oportunidade de o reiterar, também, na recente Encíclica Magnifica humanitas: «Cada pessoa (...) é pensada e desejada por Deus para entrar numa história de comunhão com Ele, com os outros e com a criação. A sua dignidade não depende das capacidades que possui, das riquezas ou da função que desempenha, de escolhas certas ou erradas, mas é um dom, que a precede e a ultrapassa, concedido por Deus como expressão do seu amor que nunca falha» (n. 50). Por conseguinte, a dignidade infinita do ser humano enraíza-se na sua identidade de criatura feita «“à imagem de Deus”, capaz de conhecer e amar o seu Criador», projecto e dom de amor que transcende as demais realidades criadas, que são confiadas ao seu cuidado «para as dominar e delas se servir, dando glória a Deus» (GS,12). 
Na fé, podemos compreender o fundamento último da dignidade da pessoa, uma vez que o Filho, «na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime» (GS, 22). 
A pessoa significa sempre relação, comunhão, participação no que diz respeito a Deus e aos outros; portanto, uma relação filial com Deus Pai e uma relação fraterna com Cristo e com todos os homens. Exclui fechamentos autorreferenciais. Ser pessoa significa sentir-se a si próprio como dom a partilhar, crescendo e amadurecendo no acolhimento, na reciprocidade e no serviço. 
Esta dignidade é confiada à responsabilidade de cada um: ao mesmo tempo, ela exige, também, solidariedade e cuidado recíproco, superando as numerosas falsificações e manipulações que, até hoje, deturpam a sua noção e impedem a sua realização. Com efeito, por causa das escolhas contrárias à sua dignidade, feitas ao longo da história, ainda hoje «o homem encontra-se (...) dividido em si mesmo» e «toda a vida humana, quer singular quer colectiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas». Contudo, esta condição frágil e limitada pode ser encarada com esperança, pois «o Senhor, em pessoa, veio para libertar e fortalecer o homem, renovando-o interiormente e lançando fora o príncipe deste mundo (cf. Jo 12, 31), que o mantinha na servidão do pecado» (GS, 13). 
Além disso, a Constituição Gaudium et spes afirma que a dignidade humana diz respeito à totalidade da pessoa e, por isso, é preciso superar as visões dualistas: o ser humano é «uno, composto de corpo e alma». A redução do corpo a “objecto”, do qual dispor arbitrariamente, é sempre negação da dignidade da pessoa: [O homem] «não pode […] desprezar a vida corporal», e é necessário «considerar o seu corpo como bom e digno de respeito, pois foi criado por Deus e há-de ressuscitar no último dia», velando a fim de que ele não «se escravize às más inclinações do próprio coração» (GS, 14), uma vez que todos nós somos feridos pelo pecado. 
Para concluir: são três as expressões mais significativas da dignidade da pessoa, evocadas pela Gaudium et spes: a inteligência, que faz do ser humano um buscador insaciável da verdade (n. 15); a consciência, através da qual ele confere unidade e sentido à própria vida (n. 16); a liberdade, que o torna protagonista responsável pelas próprias decisões (n. 17). Trata-se de dimensões intimamente unidas entre si: é na consciência que a verdade é reconhecida como tal e a liberdade pode experimentá-la como seu fundamento e possibilidade. O Espírito Santo, que dá vida em Cristo, torna-nos livres e assegura-nos, constantemente, a nossa dignidade de filhos de Deus, libertando-nos do medo e guiando-nos para a meta última, aquela vida em plenitude para além da morte que Cristo nos prometeu: só n’Ele encontra verdadeira luz o mistério do homem; d’Ele recebemos luz sobre o enigma da dor e da morte; com Ele caminhamos ao encontro da ressurreição. 
Caros irmãos e irmãs, criados à imagem de Deus, por meio de Cristo e em vista d’Ele, recebemos uma dignidade única e indelével. Comprometamo-nos a promovê-la e a defendê-la sempre, com a luz e a força do Evangelho!  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 102

Refrão: O Senhor é clemente e compassivo,

              cheio de misericórdia para com todos.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.

Não está sempre a repreender
nem guarda ressentimento.
Não nos tratou segundo os nossos pecados
nem nos castigou segundo as nossas culpas.

Como a distância da terra aos céus,
assim e grande a sua misericórdia para os que O temem.
Como o oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.


SANTOS POPULARES

 


BEATO ANTÓNIO MARIA SCHWARTZ

António Maria Schwartz nasceu no dia 28 de Fevereiro de 1852, em Baden, na Áustria. Era o quarto de treze filhos de uma família muito religiosa e cristã. O seu pai era funcionário municipal e a sua mãe dona de casa. Frequentou a escola primária na paróquia de Baden; a escola de canto em Heligenkreutz; e o ensino médio, no colégio escocês.
O jovem António frequentou a escola paroquial e chegou a aprender a cantar num coral. Infelizmente, um acontecimento grave mergulhou-o numa profunda tristeza: aos quinze anos, o seu pai faleceu. O jovem, profundamente desolado, perdeu o ano escolar e, apesar do seu bom desempenho, não conseguiu dedicar-se aos estudos. Entrou, então, numa nova escola católica e encontrou grande consolo na figura de um santo que viveu três séculos antes dele: o espanhol José Calasanz, fundador de escolas gratuitas para os pobres e padroeiro universal de todas as escolas populares cristãs do mundo. [São José de Calasanz nasceu no dia 31 de Julho de 1558, na província de Aragão, Espanha, numa família nobre e muito religiosa. Em 1617, fundou a Congregação Paulina dos Pobres da Mãe de Deus das Pias Escolas, depois chamados de Escolápios.]
Prevendo a supressão da sua Ordem, na Áustria, os Padres Escolápios aconselharam António a abandonar os estudos para o seu próprio bem. Em 1871, António entrou no Seminário Diocesano. O seu tempo de seminarista foi marcado por excelentes resultados académicos e por duas doenças graves que o acometeram (após a segunda doença, consagrou-se a Nossa Senhora) e, em 8 de Dezembro de 1873, acrescentou ao seu nome o de ‘Maria’, em memória e agradecimento a Nossa Senhora.
Foi ordenado sacerdote no dia 25 de Julho de 1875 pelo Cardeal Rauscher.
Durante quatro anos, foi capelão e, depois, foi chamado para Viena, para exercer o ministério de curador espiritual dos enfermos, nos hospitais das Irmãs da Misericórdia, em Sechshaus.
Ali, teve a oportunidade de testemunhar as difíceis condições dos jovens aprendizes e dos estudantes trabalhadores, pois, enquanto frequentavam a escola, as Irmãs cuidavam deles; mas, uma vez inseridos no mercado de trabalho, elas não podiam acompanhá-los nem dar-lhes educação religiosa.
No coração do Padre Schwartz crescia o desejo de se dedicar aos jovens trabalhadores. De facto, em Viena, ele percebeu que os jovens, ao abandonarem os estudos para aprender um ofício, distanciavam-se da Palavra de Deus, deixavam de frequentar a catequese e ninguém lhes falava de Jesus.
A vida de um aprendiz e jovem operário, na Europa de meados do século XIX, era extremamente difícil: trabalho árduo, salário insuficiente, exploração pelos patrões, ausência de protecção sindical, jornadas de trabalho exaustivas até para crianças, horas extras não remuneradas, salários irrisórios mesmo para quem trabalhava aos sábados, domingos e feriados e, sobretudo, a falta de fé. Tudo isto tinha tremenda influência na vida dos mais pobres, agravando a situação das pessoas e das famílias. Então, o jovem sacerdote, pensando em todas estas situações, fundou a União dos Aprendizes Católicos, colocando-a sob a protecção de São José Calasanz. Em 1888, fundou o jornal “L'Artigianato cristiano” (O artesanato cristão) que ele mesmo editava.
Iniciou, assim, um intenso e próspero trabalho pastoral, em favor dos mais necessitados. Em poucos meses, construiu uma igreja dedicada aos trabalhadores de Viena, dedicando-a a São José Calasanz, em homenagem ao seu testemunho de santidade e ao impacto que a sua vida teve no jovem António Schwartz ; fundou a Congregação dos Trabalhadores Cristãos de São José Calasanz. O Padre António Maria apresentou o Evangelho, a cultura, a arte e a música aos aprendizes e operários. Fundou uma agência de empregos para ajudá-los a encontrar bons empregos, com empregadores católicos. Através de acordos, milhares de aprendizes da instituição conseguiram empregos com salários dignos e folga aos domingos.
Em determinada altura, pediu ao Cardeal Ganglbauer, de Viena, que tivesse um cuidado especial pelos trabalhadores que precisavam da sua presença e apoio pastoral e cívico. O Bispo, porém, recusou desempenhar essa missão pastoral e não apoiou a obra do Padre António Maria por acreditar que tal projecto era inviável do ponto de vista financeiro.
A decepção foi muito grande e o jovem padre ficou acamado, acometido por uma doença incurável. Algumas mulheres, chamadas por uma Irmã da Misericórdia, cuidaram dele, durante dois anos.
Quando o Cardeal reconsiderou e mudou a sua atitude, o Padre António retomou a sua vida activa.
A renovação social, dinamizada pelo Padre Schwartz, teve grande impacto na vida dos trabalhadores, que eram os mais afectados pelas influências negativas da época. Os jovens trabalhadores eram os que mais precisavam de apoio e solidariedade.
A palavra do Padre tocava o coração de cada jovem trabalhador, desafiando-o a encontrar Cristo e uma fé inabalável. Dedicou cada minuto da sua vida a essa missão.
O Padre Schwartz lutou, com todas as suas forças, contra os abusos perpetrados contra os trabalhadores da época; eles não tinham sindicato; não havia regulamentação de turnos de trabalho; as crianças trabalhavam 12 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados; as horas extraordinárias não eram pagas; as condições de trabalho, comparadas com as de hoje, eram inimagináveis.
A sua Obra espalhou-se, rapidamente, na Áustria, no Tirol do Sul e em Budapeste. Eram poucos os que compreendiam o alcance do seu projecto, resumido na frase, tantas vezes repetida por ele: "Se a Igreja não conseguir levar os trabalhadores a Cristo, a sociedade distanciar-se-á, cada vez mais, de Cristo".
À sua volta, surgiram incompreensões e mal-entendidos. Isso entristecia-o muito, fazendo-o sofrer; mas nada o deteve; permaneceu fiel ao seu mandato até sua morte.
O Padre António Maria Schwartz faleceu no dia 15 de Setembro de 1929. Milhares de pessoas participaram no seu funeral, apesar da chuva torrencial.
Foi beatificado, pelo Papa João Paulo II, no dia 21 de Junho de 1998, durante a sua visita pastoral à capital austríaca. Na homilia da celebração, o Papa disse: “…O Padre António Maria Schwartz, há cem anos, preocupou-se com as condições dos trabalhadores em Viena, dedicando-se, em primeiro lugar, aos jovens aprendizes, em fase de formação profissional. Tendo sempre presentes as próprias origens humildes, sentiu-se especialmente unido aos pobres operários. Para a assistência deles fundou, adoptando a regra de São José de Calasanz, a «Congregação dos Pios Operários», ainda hoje florescente. O seu grande desejo foi converter a sociedade a Cristo e restaurá-la n'Ele. Foi sensível às necessidades dos aprendizes e dos operários, aos quais, muitas vezes, faltavam apoio e orientação. O Padre Schwartz dedicava-se a eles com amor e criatividade, encontrando meios e vias para construir a primeira «igreja para os operários de Viena». Este templo humilde e escondido pelas casas populares assemelha-se à obra do seu fundador, que a vivificou durante quarenta anos.
Diante do «apóstolo operário» de Viena, as opiniões eram distintas. Muitos consideravam o seu empenho exagerado. Outros julgavam-no digno da mais alta consideração. O Padre Schwartz permaneceu fiel a si mesmo e empreendeu, também, passos corajosos. Com os seus pedidos para lugares de formação profissional para os jovens e para o repouso dominical, ele chegou ao «Reichstang», ao Parlamento.
Ele deixa-nos uma mensagem: Fazei todo o possível para salvaguardar o Domingo!
Irmãos: mostrai que este dia não pode ser de trabalho, porque é celebrado como o dia do Senhor! Ajudai, sobretudo, os jovens privados de trabalho! Quem proporciona aos jovens de hoje a possibilidade de ganhar o próprio pão, contribui para fazer com que os adultos de amanhã possam transmitir aos seus filhos o sentido da vida. Bem sei que não há soluções fáceis. Razão por que repito a exortação sob a qual o Beato Padre Schwartz pôs todos os seus múltiplos esforços: «Devemos orar mais!»...”
A memória litúrgica do Beato António Maria Schwartz é celebrada no dia 15 de Setembro.

sábado, 5 de setembro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


- XXIII DOMINGO COMUM

 

“…Eis o que diz o Senhor:
«Filho do homem,
coloquei-te como sentinela na casa de Israel.
Quando ouvires a palavra da minha boca,
deves avisá-los da minha parte.
Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás-de morrer’,
e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho,
o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade,
mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte.
Se tu, porém, avisares o ímpio,
para que se converta do seu caminho,
e ele não se converter,
morrerá nos seus pecados,
mas tu salvarás a tua vida»…”  
(cf. Ezequiel 33, 7-9)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Basílica de São Pedro - Roma, no dia 2 de Setembro de 2026
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
Com o encontro de hoje, começamos a reflectir sobre a Constituição pastoral ‘Gaudium et spes’, com a qual o Concílio Vaticano II pretendeu aprofundar um tema fundamental, ou seja, a relação da Igreja com o mundo contemporâneo. São João XXIII, já no Discurso inaugural, de 11 de Outubro de 1962, quisera discordar dos «profetas da desventura» que, ardorosos «sem dúvida no zelo […] vão repetindo que a nossa época, em comparação com as passadas, foi piorando; e portam-se como quem nada aprendeu da história» (Discurso Gaudet Mater Ecclesia, 11 de Outubro de 1962, 4.2). Daqui decorre a tarefa confiada aos Padres conciliares: «No presente momento histórico, a Providência está a levar-nos para uma nova ordem de relações humanas, que, por obra dos homens e, o mais das vezes, para além do que eles esperam, se dirigem para o cumprimento de desígnios superiores e inesperados; e tudo, mesmo as adversidades humanas, dispõe para o maior bem da Igreja» (Gaudet Mater Ecclesia, 4.4).
Três anos depois, a promulgação da ‘Gaudium et spes’ reconhecia, nesse discernimento, um elemento essencial da natureza da Igreja, descrevendo, como constitutiva, a sua índole pastoral: eis por que a definição de “Constituição pastoral”. Não se trata de um optimismo ingénuo, mas de uma renovada fidelidade ao Mistério de Cristo que, encarnando-se, escolhe partilhar a nossa vida: Ele tornou-se «em tudo» semelhante «aos Seus irmãos» (Heb 2, 17; cf. 4, 15) e assumiu sobre si as consequências do pecado, morrendo «em resgate por todos» (1 Tm 2, 6). Esta partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja; por isso, a Constituição conciliar ‘Gaudium et spes’ abre com a declaração de que a Igreja sente, como suas, «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem» (GS 1).
É uma partilha que nos chama a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que, hoje, experimentamos. Não é possível permanecer espectadores desinteressados; é necessário, pelo contrário, escutar com o coração, deixar-se interpelar, deixar-se envolver. Com Cristo e amparados pela força do seu Espírito, os crentes são chamados a assumir as dificuldades dos irmãos, sobretudo daqueles que são esmagados pela injustiça, pela discriminação, pela violência. Com efeito, só na partilha e no empenho é possível chegar a respostas adequadas, sempre sustentados pela certeza de que «os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que há-de revelar-se em nós» (Rm 8, 18).
Neste sentido, a proximidade à humanidade abre a uma leitura mais profunda dos acontecimentos e da própria Revelação e, na mesma perspectiva, a ‘Gaudium et spes’ recorda que «é dever da Igreja investigar, a todo o momento, os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho» (GS 4). Esta Constituição conciliar chamou, assim, a Igreja a um permanente compromisso de conversão, para testemunhar que ela não é movida por «nenhuma ambição terrena», mas visa apenas: «continuar, sob a direcção do Espírito Consolador, a obra de Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade; para salvar e não para julgar; para servir e não para ser servido» (GS 3).
De facto, não se trata de uma disposição simplesmente moral. O Papa Francisco recordou-nos que, para a Igreja, «a opção pelos pobres é mais uma categoria teológica que cultural, sociológica, política ou filosófica. […] Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz, nas suas causas, mas, também, a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles» (Exort. Ap. ‘Evangelii gaudium’, 198).
A partilha cristã compromete a assumir a realidade e, também, a desmascarar as contradições que caracterizam a vida pessoal e social do mundo contemporâneo: por exemplo, um progresso científico e tecnológico, que oferece sempre novas possibilidades, mas apenas a alguns, e que o ser humano nem sempre consegue colocar «ao seu serviço»; ou um conhecimento mais claro das «leis da vida social», acompanhado, porém, de incertezas «quanto à direcção que a esta deve imprimir»; ou, ainda, uma maior disponibilidade de «riquezas, possibilidades e poderio económico» que, infelizmente, hoje, como no tempo do Concílio, deixa «uma imensa parte dos habitantes da terra […] atormentada pela fome e pela miséria» (GS 4); ou, então, uma consciência partilhada de que está em jogo o futuro do planeta e, ao mesmo tempo, a incapacidade de renunciar ao consumo egoísta e à ilusão de que a guerra seja um caminho eficaz para construir a paz.
Num tempo marcado por profundas mudanças, das quais derivam desequilíbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as interrogações mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando, em Cristo, «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (GS 10). Por isso, na Igreja, a todos os níveis e em todas as épocas, deve realizar-se a kenosis misericordiosa de Cristo, que «não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-se a Si mesmo tomando a condição de servo, […] feito obediente até à morte e morte de cruz» (Fl 2, 6-8).
Caros irmãos e irmãs, que a alegria e a esperança – gaudium et spes – sejam os traços distintivos de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, fazendo-se próxima das mulheres e dos homens do nosso tempo. (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 94

 

Refrão: Hoje, se escutardes a voz do Senhor,

              não fecheis os vossos corações

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».