*FESTA DAS FOGACEIRAS
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EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO
Como acontece todos os anos, no próximo dia 20 de Janeiro,
celebraremos a Festa em honra do mártir São Sebastião. Com cerca de 520 anos, a
festa tornou-se imagem da religiosidade do povo feirense; um testemunho de fé
no amor de Deus que nos acolhe, nos cuida e nos guarda; um acto de
agradecimento pela intercessão do Santo Mártir; um anúncio de fidelidade ao
voto que, de ano para ano, adquire a forma de um compromisso renovado, na alma
e no coração dos cristãos.
De acordo com a programação habitual, celebrar-se-á a Eucaristia,
às 11 horas; pelas 15,30 far-se-á a Procissão Solene, em honra de São
Sebastião.
Presidirá o Sr. Bispo-Auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz.
- RECORDANDO SÃO
SEBASTIÃO
As informações históricas sobre São Sebastião são muito limitadas.
O calendário mais antigo da Igreja de Roma, a "Depositio Martyrum",
incorporada ao "Cronógrafo" datado de 354, indica a comemoração de
São Sebastião, no dia 20 de Janeiro, dia da sua morte, e refere o local do seu sepultamento
nas catacumbas, ao longo da Via Ápia. O ano da sua morte, no entanto, terá
acontecido por volta de 304.
Santo Ambrósio, bispo de Milão, no século IV, no seu
"Comentário sobre o Salmo 118", afirma que Sebastião nasceu em Milão,
numa época de pouca perseguição contra os cristãos, mas depois mudou-se para
Roma, onde foi martirizado.
As escassas informações históricas foram, posteriormente,
ampliadas pela "Paixão", escrita, por volta do século V, por um autor
anónimo, provavelmente o monge Arnóbio, o Jovem.
Em 260, o imperador Galiano revogou os éditos de perseguição
contra os cristãos. Seguiu-se um longo período de paz, durante o qual os
cristãos, embora não oficialmente reconhecidos, eram muito respeitados: alguns
deles ocupavam posições importantes na administração do Império. Nesse clima
favorável, a Igreja desenvolveu-se enormemente, inclusive na sua estrutura
organizacional.
Diocleciano, imperador de 284 a 305, desejava manter essa situação
pacífica. Contudo, dezoito anos depois, por instigação de Galério (Diocleciano tinha-o
nomeado césar, com a atribuição de administrar as províncias balcânicas, com capital em Sirmio),
desencadeou uma das mais cruéis perseguições de todo o império.
Alguns manuscritos da "Paixão", datados de 850 em
diante, atestam que Sebastião nasceu e foi criado em Milão. O seu pai era
natural de Narbona, capital da Gália romana (no sul da França); a sua mãe era
de Milão. Foi educado na fé cristã.
Jovem adulto mudou-se para Roma e iniciou uma carreira militar, tornando-se
tribuno da Primeira Coorte da Guarda Imperial, os Pretorianos, em Roma.
Era muito estimado, pela sua lealdade e inteligência, pelos
imperadores Maximiano e Diocleciano, que não suspeitavam que fosse cristão.
Graças à sua posição, ele pôde ajudar, discretamente, os cristãos presos;
supervisionar o sepultamento de mártires; converter militares e nobres da
corte, onde fora apresentado por Cástulo, cubicularius (isto é, governante) da
família imperial, que mais tarde morreu mártir.
Certo dia, dois jovens cristãos, Marcos e Marcelino, foram presos.
O seu pai, Tranquilino, recebeu de Agrécio Cromácio, "praefectus
Urbis" (magistrado com poderes civis ou penais), um período de reflexão de
trinta dias, antes do julgamento, para que pudessem salvar-se, oferecendo
sacrifícios aos deuses.
Os dois irmãos estavam prestes a sucumbir ao medo quando o tribuno
Sebastião interveio, conseguindo convencê-los a perseverar na fé. Enquanto falava
aos jovens, os presentes viram-no envolto em luz.
Entre eles estava Zoe, esposa de Nicóstrato, chefe da chancelaria
imperial, que, durante seis anos, tinha estado muda. A mulher ajoelhou-se
diante de Sebastião, que, após implorar a graça divina, fez o sinal da cruz
sobre os seus lábios, restaurando-lhe a fala.
Ao ver a recuperação da esposa, o próprio Nicóstrato prostrou-se
aos pés do tribuno, pedindo perdão por ter aprisionado Marcos e Marcelino, a
quem libertou imediatamente. Os dois irmãos, contudo, optaram por não deixar a
prisão. Zoe, Nicóstrato e outros pediram o baptismo, que lhes foi administrado
pelo sacerdote Policarpo.
No final dos trinta dias, Cromácio perguntou a Tranquilino se os
dois irmãos estavam prontos para sacrificar aos deuses. O homem respondeu que
ele próprio se tinha convertido ao cristianismo e persuadiu o próprio Cromácio
a crer: este foi baptizado juntamente com o seu filho Tibúrcio.
Porém, estes acontecimentos levaram a que Sebastião fosse
denunciado como cristão e levado, prisioneiro, à presença do Imperador
Diocleciano. O imperador, confirmando o rumor de que havia cristãos no palácio
imperial, inclusive entre os pretorianos, condenou-o à morte. Sebastião foi
despido, amarrado a um poste e alvejado com flechas. Foi dado como morto e abandonado,
para ser devorado pelos animais selvagens.
Mas, a nobre Irene (Santa Irene), viúva do mártir Cástulo, foi
buscar o corpo para o sepultar: esse era o costume entre os cristãos, mesmo
correndo o risco de serem presos. A mulher percebeu que o tribuno Sebastião não
estava morto: mandou levá-lo para sua casa e cuidou dele até que se recuperasse.
Depois de recuperado, Sebastião voltou à presença do Imperador,
repreendendo-o pelas suas acções contra os cristãos. Então, o Imperador ordenou
que fosse espancado até à morte. O seu corpo foi atirado para a Cloaca Máxima
(sistema de esgotos), de Roma, para que os cristãos não pudessem recuperá-lo.
Na noite seguinte, o Mártir apareceu, em sonhos, a Luciana (Santa
Luciana) mostrando-lhe o local para onde o seu corpo tinha sido arrastado pela
corrente e ordenando-lhe que o sepultasse junto aos túmulos dos Apóstolos. As
catacumbas da Via Ápia abrigaram, temporariamente, os restos mortais dos
apóstolos Pedro e Paulo, durante a perseguição de Valeriano: por isso, eram chamadas
de "Memoria apostolorum" (memória dos Apóstolos).
No século IV, o imperador Constantino, que se converteu ao
cristianismo, mandou construir, em homenagem a São Sebastião, a Basílica de São
Sebastião, junto da Via Ápia - perto da catacumba onde ele estava sepultado - para
aí conservar os restos mortais de São Sebastião. O seu culto iniciou-se nesse
período.
Até ao século VI, os peregrinos que visitavam os túmulos de Pedro
e Paulo, também, visitavam o túmulo do mártir Sebastião, cuja figura se tornara
muito popular.
Mais tarde, no ano de 680, as suas relíquias foram solenemente
transladadas para a Basílica, onde se encontram até hoje. Nessa ocasião, Roma
era assolada por uma peste terrível, que vitimou muita gente. Entretanto, tal epidemia
desapareceu a partir do momento da transladação dos restos mortais deste Santo
Mártir, que, por isso, é venerado como padroeiro contra a peste, a fome e a
guerra.
O mártir São Sebastião é considerado o terceiro padroeiro de Roma,
depois dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.