PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Felizes…” (cf. Mateus 5, 3 …) A liturgia deste domingo faz-nos meditar sobre as Bem-Aventuranças (cf. Mt 5, 1-12a), que abrem o grande sermão chamado “da montanha”, a “magna carta” do Novo Testamento. Jesus manifesta a vontade de Deus de conduzir os homens à felicidade. Esta mensagem já estava presente na pregação dos profetas: Deus está próximo dos pobres e dos oprimidos e liberta-os de quantos os maltratam. Mas nesta sua pregação Jesus segue um caminho particular: começa com o termo «bem-aventurados», ou se-ja, felizes; prossegue com a indicação da condição para ser tais; e conclui fazendo uma promessa. O motivo da bem-aventurança, ou seja, da felicidade, não consiste na condição exigida - por exemplo, «pobres em espírito», «aflitos», «famintos de justiça», «perseguidos»... - mas, na promessa sucessiva, que deve ser acolhida com fé como dom de Deus. Parte-se da condição de mal-estar para se abrir ao dom de Deus e aceder ao mundo novo, o «reino» anunciado por Jesus. Este não é um mecanismo automático, mas um caminho de vida na esteira do Senhor, motivo pelo qual a realidade de mal-estar e de aflição é considerada numa perspetiva nova e experimentada segundo a conversão que se realiza. Não podemos ser bem-aventurados se não nos convertermos, se não formos capazes de apreciar e viver os dons de Deus. Quero meditar sobre a primeira bem-aventurança: «Felizes os pobres que o são no seu íntimo, porque é deles o Reino dos Céus» (v. 4). O pobre no seu íntimo – o pobre em espírito - é quem assumiu os sentimentos e as atitudes daqueles pobres que, na sua condição, não se rebelam, mas sabem ser humildes, dóceis, disponíveis à graça de Deus. A felicidade dos pobres — dos pobres em espírito — tem uma dúplice dimensão: em relação aos bens e em relação a Deus. Relativamente aos bens, aos bens materiais, esta pobreza em espírito é sobriedade: não necessariamente renúncia, mas capacidade de apreciar o essencial, de partilhar; capacidade de renovar todos os dias a admiração pela bondade das coisas, sem sucumbir à opacidade do consumo voraz. Quanto mais tenho, mais quero; quanto mais tenho, mais quero: esse é o consumo voraz. E isso mata a alma. E o homem ou a mulher que faz isso, que tem essa atitude “quanto mais tenho, mais quero”, não é feliz e não alcançará a felicidade. Em relação a Deus é louvor e reconhecimento que o mundo é bênção e que na sua origem está o amor criador do Pai. Mas é também abertura a Ele, docilidade à sua senhoria: Ele é o Senhor, Ele é o Grande, eu não sou grande porque tenho muitas coisas! É Ele: Ele que quis o mundo para todos os homens e o quis para que os homens fossem felizes. O pobre em espírito é o cristão que não confia em si mesmo, nas riquezas materiais, não se obstina nas suas opiniões pessoais, mas escuta com respeito e aceita de bom grado as decisões de outros. Se nas nossas comunidades existissem mais pobres em espírito, haveria menos divisões, contrastes e polémicas! A humildade, como a caridade, é uma virtude essencial para a convivência nas comunidades cristãs. Os pobres, nesse sentido evangélico, parecem-se com aqueles que mantêm viva a meta do Reino dos céus, fazendo entrever que este é antecipado de forma germinal na comunidade fraterna, que à posse privilegia a partilha. Gostaria de sublinhar isto: à posse, privilegiar a partilha. Ter sempre o coração e as mãos abertas, não fechadas. Quando o coração está fechado, é um coração apertado: nem sequer sabe como amar. Quando o coração está aberto, encaminha-se para a senda do amor. A Virgem Maria, modelo e primícia dos pobres em espírito, porque totalmente dócil à vontade do Senhor, nos ajude a abandonar-nos a Deus, rico em misericórdia, a fim de que nos encha dos seus dons, especialmente da abundância do seu perdão. (cf. Papa Francisco, na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro, Roma, no dia 29 de Janeiro de 2017)

sábado, 31 de janeiro de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


IV DOMINGO DO TEMPO COMUM    

 

“…Vede quem sois vós, os que Deus chamou:
não há muitos sábios, naturalmente falando,
nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos.
Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo
para confundir os sábios;
escolheu o que é vil e desprezível,
o que nada vale aos olhos do mundo,
para reduzir a nada aquilo que vale,
a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus.
É por Ele que vós estais em Cristo Jesus,
o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus,
justiça, santidade e redenção.
Deste modo, conforme está escrito,
«quem se gloria deve gloriar-se no Senhor»…”(
cf. 1 Coríntios 1, 26-31)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Sala Paulo VI, Vaticano - Roma, no dia 28 de Janeiro de 2026.
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Dando continuidade à leitura da Constituição conciliar Dei Verbum sobre a Revelação divina, hoje, reflectimos sobre a relação entre a Sagrada Escritura e a Tradição. Podemos tomar como pano de fundo duas cenas evangélicas. Na primeira, que tem lugar no Cenáculo, Jesus, no seu grande discurso-testamento dirigido aos discípulos, afirma: «Eu disse-vos isto estando convosco. Mas o Consolador, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordar-vos-á tudo o que vos tenho dito. [...] Quando vier o Espírito da verdade, Ele guiar-vos-á para a verdade total» (Jo 14, 25-26; 16, 13).
A segunda cena leva-nos, ao contrário, até às colinas da Galileia. Jesus ressuscitado mostra-se aos discípulos, surpreendidos e duvidosos, confiando-lhes uma missão: «Ide e ensinai todas as nações [...] ensinando-as a cumprir tudo o que vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20). Em ambas estas cenas é evidente o íntimo nexo entre a palavra pronunciada por Cristo e a sua difusão ao longo dos séculos.
É quanto afirma o Concílio Vaticano II, recorrendo a uma imagem sugestiva: «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão intimamente ligadas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, formam como que uma só coisa e tendem para o mesmo fim» (Dei Verbum, 9). A Tradição eclesial ramifica-se ao longo da história através da Igreja que ampara, interpreta, encarna a Palavra de Deus. O Catecismo da Igreja Católica  (cf. n. 113) remete, a tal respeito, para um lema dos Padres da Igreja: «A Sagrada Escritura está inscrita no coração da Igreja antes do que em instrumentos materiais», isto é, no texto sagrado.
No sulco das palavras de Cristo supracitadas, o Concílio afirma que «a Tradição apostólica progride na Igreja com a assistência do Espírito Santo» (DV, 8). Isto acontece com a compreensão plena, através da «contemplação e estudo dos crentes», mediante a experiência que nasce da «íntima compreensão das coisas espirituais» e, sobretudo, com a pregação dos sucessores dos apóstolos, que receberam «um carisma seguro da verdade». Em síntese, «na sua doutrina, vida e culto, a Igreja perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo em que acredita» (ibid.).
A este respeito, é famosa a expressão de São Gregório Magno: «A Sagrada Escritura cresce com quantos a leem».  E já Santo Agostinho afirmava que «é um só o discurso de Deus que se desenvolve em toda a Escritura e um só é o Verbo que ressoa nos lábios de tantos santos».  Portanto, a Palavra de Deus não é fossilizada, mas constitui uma realidade viva e orgânica que se desenvolve e cresce na Tradição. Graças ao Espírito Santo, esta última compreende-a na riqueza da sua verdade, encarnando-a nas coordenadas mutáveis da história.
Nesta linha, é sugestivo o que propunha o santo Doutor da Igreja, John Henry Newman, na sua obra intitulada O desenvolvimento da doutrina cristã. Ele afirmava que o cristianismo, quer como experiência comunitária quer como doutrina, é uma realidade dinâmica, da maneira indicada pelo próprio Jesus com as parábolas da semente (cf. Mc 4, 26-29): uma realidade viva que se desenvolve graças a uma força vital interior.
O apóstolo Paulo exorta, várias vezes, o seu discípulo e colaborador Timóteo: «Ó Timóteo, conserva o depósito que te foi confiado» (1 Tm 6, 20; cf. 2 Tm 1, 12.14). Na Constituição dogmática Dei Verbum ressoa este texto paulino, quando diz: «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito da Palavra de Deus confiado à Igreja», interpretado pelo «magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo» (n. 10). “Depósito” é um termo que, na sua matriz original, é de natureza jurídica e impõe ao depositário o dever de conservar o conteúdo, que neste caso é a fé, e de o transmitir intacto.
Ainda hoje o “depósito” da Palavra de Deus está nas mãos da Igreja e todos nós, nos vários ministérios eclesiais, devemos continuar a conservá-lo na sua integridade, como estrela polar para o nosso caminho na complexidade da história e da existência.
Caríssimos, para concluir, ouçamos novamente a Dei Verbum, que exalta a interligação entre a Sagrada Escritura e a Tradição: elas – afirma – estão tão ligadas e unidas entre si que não podem existir independentemente e, juntas, segundo o modo que lhes é próprio, sob a acção de um único Espírito Santo, contribuem, eficazmente, para a salvação das almas (cf. n. 10). (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 145

Refrão: Felizes os pobres que o são no seu íntimo,

             porque deles é o Reino dos Céus.

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.

O Senhor reina eternamente.
O teu Deus, ó Sião,
é Rei por todas as gerações.


SANTOS POPULARES

 


SANTA MARIA CATARINA KASPER
 
Catarina nasceu, no dia 26 de Maio de 1820, em Dernbach, uma aldeia do Estado de Hesse, na Alemanha. Pertencia a uma grande família de humildes camponeses: oito irmãos e irmãs. Frequentou a escola durante pouco tempo, mas gostava de ler, especialmente, a Bíblia e a Imitação de Cristo.
Desde muito cedo, sentiu o chamamento para a vida religiosa. Ela escreveu: "Eu era apenas uma menina quando, sem sequer entender o significado, senti que o Senhor havia acendido, no meu coração, um grande desejo pelos votos religiosos, tanto que, sempre que ouvia falar de conventos ou votos, era tomada por uma emoção inexplicável e uma espécie de ânsia de aprender mais sobre esse modo de vida."
Forte e extrovertida, Catarina passou a sua adolescência a trabalhar nos campos. Entre as tarefas humildes que era obrigada a realizar, chegou a partir pedras para a construção de estradas. Foi durante este trabalho que ela teve uma visão clara do grupo de freiras que formariam a sua família religiosa.
Ela escreveu: "Quando eu ia trabalhar sozinha, sentia a presença de Deus dentro de mim. Ouvia a voz do Espírito Santo a falar comigo e sentia a presença do meu Anjo da Guarda. Tudo isso me fazia feliz, e eu cantava de alegria, trabalhava mais e fazia o mesmo por duas."
Ela era incansável a cortar o feno; a debulhar o trigo ou a juntar lenha na floresta. Generosa de coração, apesar das grandes dificuldades familiares, ela sempre tinha algo para dar aos mais pobres. O seu bom humor era contagiante. Frequentemente ia ao santuário mariano, em Heilborn, e levava consigo algumas crianças. O padre da sua aldeia permitia que ela comungasse com frequência, algo raro naquela época.
Em 1842, faleceram o seu irmão e o seu pai. A grande tristeza foi seguida por crescentes problemas financeiros: tiveram de vender a casa e a unidade da família desfez-se. Catarina e a sua mãe alugaram uma casa onde trabalhavam como tecelãs para se sustentar.
A jovem sentia claramente o chamamento para se consagrar ao Senhor; mas, desde o início, recusou-se a entrar numa Congregação já existente. Após a morte da mãe, mais determinada do que nunca, sem recursos materiais, mas amparada pelos habitantes da sua paróquia, convenceu o bispo de Limburg a abrir uma "pequena casa" para acolher algumas noviças: em 1845, com as suas primeiras companheiras, fundou a “Associação de Caridade”.
O Presidente da Câmara, assim como um amigo construtor, ajudaram-nas, e na Festa da Assunção de 1848, ela conseguiu abrir a casa, que, imediatamente, acolheu os pobres da aldeia. Novas vocações surgiram em grande número e, com a ajuda das autoridades eclesiásticas, ela elaborou as primeiras regras.
Pensando em Maria, a serva do Senhor, Catarina queria que as freiras fossem chamadas ‘Pobres Servas de Jesus Cristo. Exactamente três anos depois, novamente na Festa da Assunção, elas receberam o hábito. Havia muitas freiras consagradas, e a cerimónia foi realizada ao ar livre. Catarina adoptou o nome ‘Maria’: Maria Catarina Kasper. Ela declarou: "Agora, sinto-me capaz de tudo; não me esquivarei de nada".
A Congregação cresceu, rapidamente. A Madre Maria Catarina aceitava freiras sem dote ou instrução; elas precisavam de ser humildes e de ter uma vontade forte. Ela dizia: "Para nós, a maior desgraça seria ter uma freira sem vocação, na nossa casa".
Capaz de penetrar os corações das aspirantes, ela manteve, até aos últimos anos da sua vida, a tarefa de examinar as postulantes, dedicando todo o seu tempo à sua formação. Dizia-lhes: "Tudo deve ser feito para Deus, com Deus e para que Deus actue através de nós. Onde quer que estejamos, estamos com Deus".
Insistia na importância de conciliar a vida interior e o apostolado e, longe de assumir o papel de superiora autoritária, continuava, como uma camponesa robusta, a ceifar feno, descascar batatas, alimentar os animais e lavar roupa. Não se furtava, se necessário, a sair para pedir esmola. As Pobres Servas amavam a sua fundadora também porque, em todas as suas ocupações, ela era uma delas.
A Madre Maria Catarina visitava continuamente as diferentes casas, que se tornavam, cada vez mais, numerosas, para compreender, pessoalmente, os seus problemas e dificuldades. Chegava sem aviso prévio, para não receber honras, viajando a pé ou em classe económica nos comboios. Graças a uma memória excepcional, conhecia pessoalmente todas as suas Irmãs, podendo assim dar-lhes sábios conselhos. Pelo seu olhar, era possível perceber que "o bom Deus estava sempre com ela".
Cada casa, geralmente, abrigava quatro freiras, duas enfermeiras, uma para a escola infantil e outra para os idosos. O crescimento da congregação foi prodigioso; a Madre Maria Catarina foi eleita superiora-geral cinco vezes consecutivas.
Em 1854, foi inaugurada a primeira escola, que era extremamente necessária. No entanto, apesar de tantas conquistas, os tempos seguintes seriam difíceis, devido às correntes políticas anticatólicas (o Kulturkampf de Bismarck). Em 1859, a congregação cruzou a fronteira alemã e entrou na Holanda.
A Madre Maria Catarina, que nunca dispunha de fundos suficientes, enfrentou despesas consideráveis ​​para construir novas casas. Certo dia, um funcionário do governo disse-lhe: "Que sorte a sua! Você não tem dinheiro e ainda assim faz caridade."
O Papa Pio IX concedeu, às Pobres Servas de Jesus Cristo, o Decreto de Louvor, em 9 de Março de 1860. Em 1868, elas chegaram aos Estados Unidos: foram encarregadas de um orfanato, em Chicago e, posteriormente, do Hospital São José, o centro a partir do qual a Congregação se desenvolveu na América. As freiras foram solicitadas a ir para Londres, para ajudar os imigrantes alemães; jardins-de-infância e escolas também foram abertos alí.
A Santa Sé aprovou as suas constituições, em 1890: cerca de quatrocentas freiras haviam professado os seus votos, perante da fundadora. Hoje, a congregação também está presente na Índia, no Brasil e no México.
Maria Catarina Kasper sofreu um ataque cardíaco, no dia 27 de Janeiro de 1898. Faleceu no dia 2 de Fevereiro, ao amanhecer da festa da Apresentação de Jesus, no Templo, acompanhada pela presença das suas Filhas.
O seu corpo foi trasladado para a capela da Casa-Mãe, em 1950. Uma das freiras presentes, a Irmã Otilde, quase cega e confinada a uma cadeira de rodas, durante vários anos, ouviu a Madre Fundadora chamá-la. Levantou-se e estava completamente curada. Porém, o milagre considerado para a sua beatificação, foi a cura de uma outra Serva Pobre de Jesus Cristo, a Irmã Maria Herluka, curada de uma meningite tuberculosa, em 1945.
A Madre Maria Catarina Kasper foi beatificada pelo Papa Paulo VI, no dia 16 de Abril de 1978, chamando-a mulher "cheia de fé e fortaleza".
Foi canonizada pelo Papa Francisco, no dia 4 de Outubro de 2018, juntamente com outros seis Beatos, entre os quais o Papa Paulo VI.
Sem quaisquer recursos e sem cultura, a Madre Maria Catarina conseguiu dar vida a uma grande obra de promoção social, confirmando a profunda verdade de São Paulo: "Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes". Uma pobre camponesa alemã, fundadora de uma grande família religiosa: assim foi o destino reservado pela Providência para a vida terrena da Madre Maria Catarina Kasper. "Eu não podia e não queria isso; foi Deus quem quis", dizia ela. Catarina havia experimentado pessoalmente as dificuldades e os sofrimentos dos pobres e, por isso, dedicou a sua vida, obstinadamente, a aliviar o sofrimento alheio.
A memória litúrgica de Santa Maria Catarina Kasper é celebrada no dia 2 de Fevereiro.

sábado, 24 de janeiro de 2026

EM DESTAQUE:

 


*FESTA DAS FOGACEIRAS
          - EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO
 
Cumpriu-se o voto!...
A Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião, e apesar da ameaça da chuva, realizou-se, mais uma vez. Uma festa tão antiga e sempre nova: na novidade das meninas fogaceiras; no entusiasmo dos que trabalharam para a concretizar; na dedicação da Câmara Municipal e seus colaboradores; na presença de tantos visitantes, que levam como recordação o testemunho de unidade, criatividade e alegria de todo um Concelho fiel aos compromissos históricos e aos desafios da fé e da religiosidade.
A celebração da Eucaristia, com a bênção das fogaças, foi o centro desta festa centenária. A Igreja estava repleta para uma celebração simples, serena, calorosa e profundamente festiva. Com a presença de sacerdotes, diáconos e muitos acólitos, foi presidida pelo Sr. D. Roberto Mariz, Bispo-Auxiliar do Porto.
Apresentamos o texto da sua homilia:
 


 “ALEGRIA PARA ALÉM DAS LÁGRIMAS”
 
O ser humano é habitado por um desejo profundo de alegria. Não de uma alegria passageira, transitória e temporária, mas de uma alegria que o preencha por dentro e nos faça sentir realizados.
A experiência ensina-nos, por vezes de forma dolorosa, que muitas das situações da nossa vida são preenchidas por alegrias passageiras e temporárias; alegrias pequenas e transitórias. Percebemos e sabemos que as dificuldades e contrariedades, as dores e os sofrimentos incorporam a melodia da nossa existência.
Será possível uma alegria sem lágrimas? Considero que só numa fábula isso é possível. Uma alegria atravessada pelas lágrimas, será uma alegria mais real, mas autêntica e mais verdadeira. Direi: precisamos de uma alegria que vai para além das lágrimas e das dores, mas não sem elas.
“As lágrimas lavam a alma”. Há muito tipo de lágrimas. São as lágrimas da paixão; as lágrimas das vitórias alcançadas; as lágrimas das dores vividas; as lágrimas das injustiças; as lágrimas das derrotas; as lágrimas da reconciliação...
Conscientes de toda esta realidade, somos um povo peregrino que deseja percorrer caminhos de esperança. Buscar um porto seguro.
 
- O exemplo de S. Sebastião apresenta-se como exemplo de um homem que encontrou a raiz de uma alegria que ultrapassa o transitório da vida, das dificuldades e da morte.
Vivendo na segunda parte do século III, em Itália, entre Milão e Roma, abraçou a fé em Jesus Cristo e por Ele se deixou transformar e moldar. Proclama a fé do Evangelho sem medo e sem vergonha; utilizando a função relevante na Guarda Pretoriana, defende os cristãos perseguidos; por fim, enfrenta o martírio, certo de que a vida feliz encontra-se no amor incondicional de Deus.
 
- A Palavras de Deus que acabamos de escutar inspiram-nos a situar a raiz e o porto seguro desta alegria:
 
1. “Não temais: valeis muito mais” (Evangelho)
Palavras de Jesus ditas aos seus amigos, são ditas hoje – aqui e agora – a ti e a mim, a cada um de nós. Ditas a cada ser humano. O convite para não temermos mas confiarmos, não se apoia nas nossas forças, no comodismo da vida, na vida fácil ou no mero prazer; alicerça-se naquilo que somos para quem nos faz essa afirmação: amor incondicional de Deus.
“Valemos muito mais”: muito mais que o ouro ou a prata; que o comodismo ou a tranquilidade; muito mais que as ingratidões ou infidelidades.
Valemos muito mais para Deus do que tudo que se possa imaginar. Valemos a própria vida que Ele entregou por nós.
Desta certeza nasce, em cada um de nós, a raiz de uma alegria e confiança que nos transforma existencialmente. Aqui encontramos uma paz e serenidade que vai para além das contrariedades.
Simultaneamente, esta certeza encarnada na minha existência, torna-se semente para um novo modo de ser entre nós. Temos de ter este valor entre nós – “valermos muito uns para os outros”.
O ser humano tem de valer mais que qualquer bem material, que qualquer comodismo ou egoísmo, que qualquer irritação ou conflito. Tem de impedir a instrumentalização do outro e o olhar descartável do outro. “Sermos um tesouro uns para os outros”.
 
2. “Estão na mão de Deus” (1ª Leitura)
Na Sagrada Escritura afirma-se a proximidade amorosa de Deus, pela mão estendida que nos molda, acaricia, levanta e salva. A mão de Deus que nunca nos abandona, nunca é distante nem curta para nos alcançar.
Todos reconhecemos uma mão bondosa, atenciosa e carinhosa. É diferente de uma mão em riste ou punho fechado, de uma mão distante ou indiferente.
S. Sebastião apresentou-se como mão que protegia e ajudava os cristãos perseguidos, correndo o risco da própria vida.
Devemos ser esta mão que não abandona ninguém, que não deixa ninguém para trás. Pela tradição destas festas, em Santa Maria da Feira, “a mão que leva fogaça aos amigos ou ao necessitado”, será um gesto simbólico de um mundo humano e fraterno.
Como pessoas, como Igreja e como sociedade, temos constantemente de nos empenharmos para que isto seja realidade: nos doentes (lembremos a súplica feitas a Deus por intermédio de S. Sebastião nas pandemias), nos idosos, nas crianças, nos migrantes, nos pobres, nos cristãos perseguidos, nas vítimas de violência domésticas e violência sexual, nos desempregados. Em tantas e tantas situações.
 
3. “Estão em paz” (1ª Leitura)
Com este amor e este cuidado, a paz é uma realidade em todos e entre todos. Poderão existir muitas razões para a rivalidade, os atritos, os desejos de vinganças, os conflitos e as guerras; mas há uma razão para vencer todas essas razões e argumentos: amarmo-nos; somos irmãos. Certamente, irmãos frágeis e feridos, magoados e endurecidos pela vida: mas irmãos que se amam, se perdoam e se apoiam.
Vivemos num mundo dilacerado pelas guerras. Não é o sonho de Deus para a humanidade. Sonhemos os sonhos de Deus para uma humanidade de paz, pacífica e fraterna. Uma “paz desarmada e desarmante” (Leão XIV).
 
Estão na mão de Deus” - Estão em paz” - Não temais: valeis muito mais”.
“A nossa alegria e grandeza não se baseiam em ilusões passageiras de sucesso e fama, mas em saber-nos amados e queridos pelo nosso Pai que está nos céus” (Leão XIV).
S. Sebastião: intercede por todos nós, pela boa gente de Santa Maria da Feira; por todos; concede-nos um coração apaixonado e comprometido com Cristo; uma alegria sincera, profunda e autêntica a todos; limpa as lágrimas dos sofredores e tristes; dá-nos o sabor de sermos amigos, pacificadores e solidários.


DA PALAVRA DO SENHOR



III DOMINGO DO TEMPO COMUM    

 

“…Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo,
que faleis todos a mesma linguagem
e que não haja divisões entre vós,
permanecendo bem unidos,
no mesmo pensar e no mesmo agir.
Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé,
que há divisões entre vós, que há entre vós quem diga:
«Eu sou de Paulo», «eu de Apolo»,
«eu de Pedro», «eu de Cristo».
Estará Cristo dividido?
Porventura Paulo foi crucificado por vós?
Foi em nome de Paulo que recebestes o Batismo?
Na verdade, Cristo não me enviou para batizar,
mas para anunciar o Evangelho;
não, porém, com sabedoria de palavras,
a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo…”(
cf. 1 Coríntios 1, 10-13.17)

 


7º DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS
 
A Igreja celebra, no 3º Domingo do Tempo Comum, a 25 de Janeiro, o Domingo da Palavra de Deus, sob o lema: «A palavra de Cristo habite entre vós», retirada da Carta de São Paulo aos Colossenses
Instituído pelo Papa Francisco, o Domingo da Palavra de Deus pretende que “a Palavra de Deus seja cada vez mais celebrada, conhecida e difundida”, ajudando os fiéis a compreender “o mistério de amor que dimana daquela fonte de misericórdia” e a renovar o compromisso com a Sagrada Escritura, como recorda o motu proprio ‘Aperuit illis’.
Neste Domingo a Igreja celebra, também, a memória da Conversão de São Paulo e a conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Apresentamos a Mensagem de Dom Rino Fisichella, Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização: Secção para as Questões Fundamentais da Evangelização, no Mundo.
 
“…A expressão bíblica com a qual se pretende celebrar a VII edição do Domingo da Palavra de Deus é tirada da Carta de São Paulo aos Colossenses: “A palavra de Cristo habite entre vós” (3,16). Recebemos do Apóstolo não um mero convite moral, mas a indicação de uma nova forma de existência. Paulo não pede que a Palavra seja apenas ouvida ou estudada; ele quer que ela ‘habite’, isto é, que se fixe de forma estável; plasme os pensamentos; oriente os desejos e torne credível o testemunho dos discípulos. A Palavra de Cristo permanece como critério seguro que unifica e torna fecunda a vida da comunidade cristã.
Após o Ano Santo, este lema permanece para nós como uma herança preciosa; um convite dirigido a toda a Igreja para recolocar o Evangelho no centro, pois qualquer renovação autêntica nasce da escuta dócil da Palavra. Aceitá-la significa deixar-se acompanhar por Aquele que não engana, porque dá vida e esperança. Ser habitado pela Palavra equivale, em última análise, a permitir que Cristo continue a falar, hoje, através da nossa vida, para que cada homem possa reconhecer a Sua presença que continua a iluminar o caminho da história. Cada cristão e cada comunidade deverão recuperar a primazia da Palavra de Deus. A sua escuta sincera e profunda é um caminho fundamental para que o homem encontre Deus. Quando se abre espaço para a Palavra, cada um descobre que o Verbo de Deus habita no seu coração, como uma semente que, a seu tempo, germina e dá fruto. Todos nós somos convidados a alimentar-nos do pão quotidiano da Palavra, para depois a transmitir aos irmãos, pois o anúncio brota da abundância do coração, segundo o ditado evangélico: “A boca fala da plenitude do coração” (Mt 12,34; Lc 6,45). É particularmente significativo que a celebração do Domingo da Palavra de Deus coincida, este ano, com a celebração da conversão de São Paulo, dia em que termina a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A Palavra que Cristo dirigiu a Paulo, no caminho de Damasco, tocou profundamente o seu coração, de tal forma que o tornou o grande evangelizador que conhecemos. Hoje, cabe a nós fazer com que a mesma Palavra chegue até aos confins da terra, de modo a transformar a vida de todos os povos, habitando no meio de nós…”

PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Sala Paulo VI, Vaticano - Roma, no dia 21 de Janeiro de 2026.
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Damos continuidade às catequeses sobre a Constituição dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, sobre a Revelação divina. Vimos que Deus se revela num diálogo de aliança, no qual se dirige a nós como a amigos. Portanto, trata-se de um conhecimento relacional, que não comunica somente ideias, mas compartilha uma história e chama à comunhão na reciprocidade. O cumprimento desta revelação realiza-se num encontro histórico e pessoal, no qual o próprio Deus se oferece a nós, tornando-se presente, e nós descobrimo-nos conhecidos na nossa verdade mais profunda. Foi o que aconteceu em Jesus Cristo. O Documento diz: «A verdade profunda, tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos por esta revelação em Cristo, que é simultaneamente o mediador e a plenitude de toda a revelação» (DV, 2).
Jesus revela-nos o Pai, envolvendo-nos na própria relação com Ele. No Filho enviado por Deus Pai, «os homens [...] têm acesso ao Pai no Espírito Santo e tornam-se participantes da natureza divina» (ibid.). Assim, chegamos ao pleno conhecimento de Deus, entrando na relação do Filho com o seu Pai, em virtude da ação do Espírito. Atesta-o, por exemplo, o evangelista Lucas, quando nos descreve a prece de júbilo do Senhor: «Nesse mesmo instante, [Jesus] estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo e disse: “Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque tudo isso foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lhe» (Lc 10, 21-22).
Graças a Jesus, conhecemos Deus como somos conhecidos por Ele  (cf. Gl 4, 9; 1 Cor 13, 13). Na verdade, em Cristo, Deus comunicou-nos a si mesmo e, ao mesmo tempo, manifestou-nos a nossa verdadeira identidade de filhos, criados à imagem do Verbo. Este «Verbo eterno ilumina todos os homens» (DV, 4), revelando a sua verdade no olhar do Pai: «O teu Pai, que vê no segredo, recompensar-te-á» (Mt 6, 4.6.8), diz Jesus; e acrescenta que «o Pai conhece as nossas necessidades» (cf. Mt 6, 32). Jesus Cristo é o lugar onde reconhecemos a verdade de Deus Pai, enquanto nos descobrimos conhecidos por Ele como filhos no Filho, chamados ao mesmo destino de vida plena. São Paulo escreve: «Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho [...] para que recebêssemos a adoção de filhos. E porque sois filhos, Deus enviou ao nosso coração o Espírito [do seu Filho], que clama: “Abbá! Pai!”» (Gl 4, 4-6).
Além disso, Jesus Cristo é revelador do Pai com a própria humanidade. Precisamente porque é o Verbo encarnado que habita entre os homens, Jesus revela-nos Deus com a sua humanidade verdadeira e íntegra: «Por isso – diz o Concílio – vê-lo é ver o Pai (cf. Jo 14, 9), com toda a sua presença e manifestação da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a sua morte e gloriosa ressurreição, enfim com o envio do Espírito de verdade, completa e confirma... a revelação» (DV, 4). Para conhecer Deus em Cristo, devemos acolher a sua humanidade integral: a verdade de Deus não se revela plenamente, quando se priva o humano de algo, assim como a integridade da humanidade de Jesus não diminui a plenitude do dom divino. É o humano integral de Jesus que nos revela a verdade do Pai (cf. Jo 1, 18).
Quem nos salva e nos convoca não são apenas a morte e a ressurreição de Jesus, mas a sua própria pessoa: o Senhor que se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós. Por isso, para honrar a grandeza da Encarnação, não é suficiente considerar Jesus como o canal de transmissão de verdades intelectuais. Se Jesus tem um corpo real, a comunicação da verdade de Deus realiza-se naquele corpo, com o seu modo próprio de perceber e sentir a realidade, com a sua maneira de habitar o mundo e de o atravessar. É o próprio Jesus que nos convida a partilhar o seu olhar sobre a realidade: «Olhai para as aves do céu – diz – não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas?» (Mt 6, 26).
Irmãos e irmãs, seguindo até ao fim o caminho de Jesus, chegamos à certeza de que nada nos poderá separar do amor de Deus: «Se Deus é por nós – escreve ainda São Paulo – quem será contra nós? Ele, que não poupou o próprio Filho, [...] como não havia de nos dar também, com Ele, todas as coisas?» (Rm 8, 31-32). Graças a Jesus, o cristão conhece Deus Pai, abandonando-se com confiança a Ele! (cf. Santa Sé)


PARA REZAR

 


- SALMO 26

Refrão: O Senhor é minha luz e minha salvação.

O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei de temer?
O Senhor é protetor da minha vida:
de quem hei de ter medo?

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.                                                                                                                      Tem confiança e confia no Senhor.

SANTOS POPULARES

 


BEATA OLÍMPIA BIDÀ
 
Olga nasceu na aldeia de Chebliv, na região de Lviv. Ainda jovem, entrou no Convento das Irmãs da Congregação de São José, localizado na sua aldeia. Fez os seus votos, adoptando o nome de Olímpia, e trabalhou numa escola, dedicando-se à educação cristã de meninas, na aldeia de Zhuzhel. Em 1938, foi nomeada superiora do convento, na cidade de Chyrov.
Em 1939, com a invasão da Ucrânia Ocidental pelo Exército Soviético, começaram as repressões em massa contra a intelectualidade local. As freiras foram avisadas de que, para evitar a prisão, deveriam tirar os seus hábitos religiosos e dispersar-se por diversos e diferentes lugares. Durante a ocupação alemã, enquanto a fome assolava a região, as freiras empenharam-se em encontrar os alimentos necessários e distribuí-los aos mais necessitados. Ao mesmo tempo, organizavam momentos de oração comunitária.
Após a unificação da Ucrânia Ocidental com a URSS, iniciou-se o processo de liquidação da Igreja Greco-Católica, juntamente com a deportação em massa da população local, para a Sibéria, acusada de apoiar o movimento nacionalista. A Irmã Olimpia, juntamente com outras freiras, organizou uma campanha de arrecadação de alimentos para as famílias com crianças pequenas. Durante a repressão, quando todos os mosteiros estavam fechados, as freiras do convento de Chyrov decidiram passar à clandestinidade. A comunidade monástica e a paróquia providenciaram, secretamente, alimentos para o padre greco-católico Taras Bobkovič, que foi preso, em 1949. Na véspera de Natal, as freiras prepararam ‘prosphora’ (pão abençoado que também podia ser usado nas celebrações litúrgicas), que as crianças levaram às casas dos camponeses com o desejo: "Por favor, aceitem a prosphora que a Igreja lhes oferece e comam-na em honra do Natal de Cristo". Nesse momento, a NKVD (Força Nacional de Vigilância e Defesa) começou a monitorizar as freiras, submetendo-as a buscas frequentes e pedindo que se retirassem. A igreja greco-católica foi fechada e as freiras passaram a frequentar a igreja católica de rito latino, na cidade vizinha de Dobromil.
Em 1950, todas as freiras do mosteiro foram presas, quando voltavam da missa. Foram acusadas de actividades ilegais e, em troca da sua libertação, os polícias ofereceram-lhes a Igreja Ortodoxa. As freiras recusaram. Foram libertadas, mas, alguns dias depois, enquanto a Irmã Olimpia, juntamente com outras freiras e cerca de uma centena de fiéis, rezavam juntas no cemitério, a polícia interveio. A Irmã Olimpia e as outras freiras foram presas e transportadas directamente para o campo de concentração de Borislav. No campo de concentração, as freiras dormiram no chão, não receberam nada para comer durante os primeiros dez dias e, depois disso, foram alimentadas apenas com pão e água.
O julgamento ocorreu em 18 de Março de 1950. A Irmã Olímpia foi condenada ao "exílio perpétuo" na região de Tomsk (Sibéria) "por actividade antissoviética e propaganda religiosa". As Irmãs Lavrentija, Glikerija, Areta e Makrina tiveram o mesmo destino. Em 12 de Junho de 1950, as freiras foram colocadas em vagões de carga, com destino a Tomsk. A viagem durou duas semanas. De Tomsk, foram transportadas de navio para Cherkasov. Lá permaneceram durante quatro dias; depois embarcaram numa lancha e, finalmente, desembarcaram em Kharsk, perto de um verdadeiro complexo de campos de concentração (o "SibULON"), onde os prisioneiros viviam em condições insuportáveis. Os condenados ao confinamento viviam na aldeia. As freiras foram alojadas numa pequena casa e levadas para trabalhar todos os dias: derrubando árvores no inverno e cortando feno no verão. Para obter permissão para serem dispensadas do trabalho, por motivo de doença, tinham de caminhar 12 quilómetros, até chegar à enfermaria mais próxima.
A Irmã Olímpia Bidà morreu de inanição, no dia 28 de Janeiro de 1952, com 49 anos. Seis meses depois, a Irmã Lavrentiya morreu de tuberculose. A terceira, Irmã Glikerija, caminhou 80 quilómetros para encontrar um padre greco-católico exilado que pudesse celebrar uma missa em memória de suas duas irmãs falecidas.
A Irmã Olímpia Bidà foi beatificada, no dia 27 de Junho de 2001, durante a visita do Papa João Paulo II à Ucrânia.
A memória litúrgica da Beata Irmã Olímpia Bidà é celebrada no dia 28 de Janeiro.

sábado, 17 de janeiro de 2026

EM DESTAQUE:

 


*FESTA DAS FOGACEIRAS
 - EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO
 
Como acontece todos os anos, no próximo dia 20 de Janeiro, celebraremos a Festa em honra do mártir São Sebastião. Com cerca de 520 anos, a festa tornou-se imagem da religiosidade do povo feirense; um testemunho de fé no amor de Deus que nos acolhe, nos cuida e nos guarda; um acto de agradecimento pela intercessão do Santo Mártir; um anúncio de fidelidade ao voto que, de ano para ano, adquire a forma de um compromisso renovado, na alma e no coração dos cristãos.
De acordo com a programação habitual, celebrar-se-á a Eucaristia, às 11 horas; pelas 15,30 far-se-á a Procissão Solene, em honra de São Sebastião.
Presidirá o Sr. Bispo-Auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz.
 


           
- RECORDANDO SÃO SEBASTIÃO
 
As informações históricas sobre São Sebastião são muito limitadas. O calendário mais antigo da Igreja de Roma, a "Depositio Martyrum", incorporada ao "Cronógrafo" datado de 354, indica a comemoração de São Sebastião, no dia 20 de Janeiro, dia da sua morte, e refere o local do seu sepultamento nas catacumbas, ao longo da Via Ápia. O ano da sua morte, no entanto, terá acontecido por volta de 304.
Santo Ambrósio, bispo de Milão, no século IV, no seu "Comentário sobre o Salmo 118", afirma que Sebastião nasceu em Milão, numa época de pouca perseguição contra os cristãos, mas depois mudou-se para Roma, onde foi martirizado.
As escassas informações históricas foram, posteriormente, ampliadas pela "Paixão", escrita, por volta do século V, por um autor anónimo, provavelmente o monge Arnóbio, o Jovem.
Em 260, o imperador Galiano revogou os éditos de perseguição contra os cristãos. Seguiu-se um longo período de paz, durante o qual os cristãos, embora não oficialmente reconhecidos, eram muito respeitados: alguns deles ocupavam posições importantes na administração do Império. Nesse clima favorável, a Igreja desenvolveu-se enormemente, inclusive na sua estrutura organizacional.
Diocleciano, imperador de 284 a 305, desejava manter essa situação pacífica. Contudo, dezoito anos depois, por instigação de Galério (Diocleciano tinha-o nomeado césar, com a atribuição de administrar as províncias balcânicas, com capital em Sirmio), desencadeou uma das mais cruéis perseguições de todo o império.
Alguns manuscritos da "Paixão", datados de 850 em diante, atestam que Sebastião nasceu e foi criado em Milão. O seu pai era natural de Narbona, capital da Gália romana (no sul da França); a sua mãe era de Milão. Foi educado na fé cristã.
Jovem adulto mudou-se para Roma e iniciou uma carreira militar, tornando-se tribuno da Primeira Coorte da Guarda Imperial, os Pretorianos, em Roma.
Era muito estimado, pela sua lealdade e inteligência, pelos imperadores Maximiano e Diocleciano, que não suspeitavam que fosse cristão. Graças à sua posição, ele pôde ajudar, discretamente, os cristãos presos; supervisionar o sepultamento de mártires; converter militares e nobres da corte, onde fora apresentado por Cástulo, cubicularius (isto é, governante) da família imperial, que mais tarde morreu mártir.
Certo dia, dois jovens cristãos, Marcos e Marcelino, foram presos. O seu pai, Tranquilino, recebeu de Agrécio Cromácio, "praefectus Urbis" (magistrado com poderes civis ou penais), um período de reflexão de trinta dias, antes do julgamento, para que pudessem salvar-se, oferecendo sacrifícios aos deuses.
Os dois irmãos estavam prestes a sucumbir ao medo quando o tribuno Sebastião interveio, conseguindo convencê-los a perseverar na fé. Enquanto falava aos jovens, os presentes viram-no envolto em luz.
Entre eles estava Zoe, esposa de Nicóstrato, chefe da chancelaria imperial, que, durante seis anos, tinha estado muda. A mulher ajoelhou-se diante de Sebastião, que, após implorar a graça divina, fez o sinal da cruz sobre os seus lábios, restaurando-lhe a fala.
Ao ver a recuperação da esposa, o próprio Nicóstrato prostrou-se aos pés do tribuno, pedindo perdão por ter aprisionado Marcos e Marcelino, a quem libertou imediatamente. Os dois irmãos, contudo, optaram por não deixar a prisão. Zoe, Nicóstrato e outros pediram o baptismo, que lhes foi administrado pelo sacerdote Policarpo.
No final dos trinta dias, Cromácio perguntou a Tranquilino se os dois irmãos estavam prontos para sacrificar aos deuses. O homem respondeu que ele próprio se tinha convertido ao cristianismo e persuadiu o próprio Cromácio a crer: este foi baptizado juntamente com o seu filho Tibúrcio.
Porém, estes acontecimentos levaram a que Sebastião fosse denunciado como cristão e levado, prisioneiro, à presença do Imperador Diocleciano. O imperador, confirmando o rumor de que havia cristãos no palácio imperial, inclusive entre os pretorianos, condenou-o à morte. Sebastião foi despido, amarrado a um poste e alvejado com flechas. Foi dado como morto e abandonado, para ser devorado pelos animais selvagens.
Mas, a nobre Irene (Santa Irene), viúva do mártir Cástulo, foi buscar o corpo para o sepultar: esse era o costume entre os cristãos, mesmo correndo o risco de serem presos. A mulher percebeu que o tribuno Sebastião não estava morto: mandou levá-lo para sua casa e cuidou dele até que se recuperasse.
Depois de recuperado, Sebastião voltou à presença do Imperador, repreendendo-o pelas suas acções contra os cristãos. Então, o Imperador ordenou que fosse espancado até à morte. O seu corpo foi atirado para a Cloaca Máxima (sistema de esgotos), de Roma, para que os cristãos não pudessem recuperá-lo.
Na noite seguinte, o Mártir apareceu, em sonhos, a Luciana (Santa Luciana) mostrando-lhe o local para onde o seu corpo tinha sido arrastado pela corrente e ordenando-lhe que o sepultasse junto aos túmulos dos Apóstolos. As catacumbas da Via Ápia abrigaram, temporariamente, os restos mortais dos apóstolos Pedro e Paulo, durante a perseguição de Valeriano: por isso, eram chamadas de "Memoria apostolorum" (memória dos Apóstolos).
No século IV, o imperador Constantino, que se converteu ao cristianismo, mandou construir, em homenagem a São Sebastião, a Basílica de São Sebastião, junto da Via Ápia - perto da catacumba onde ele estava sepultado - para aí conservar os restos mortais de São Sebastião. O seu culto iniciou-se nesse período.
Até ao século VI, os peregrinos que visitavam os túmulos de Pedro e Paulo, também, visitavam o túmulo do mártir Sebastião, cuja figura se tornara muito popular.
Mais tarde, no ano de 680, as suas relíquias foram solenemente transladadas para a Basílica, onde se encontram até hoje. Nessa ocasião, Roma era assolada por uma peste terrível, que vitimou muita gente. Entretanto, tal epidemia desapareceu a partir do momento da transladação dos restos mortais deste Santo Mártir, que, por isso, é venerado como padroeiro contra a peste, a fome e a guerra.
O mártir São Sebastião é considerado o terceiro padroeiro de Roma, depois dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

DA PALAVRA DO SENHOR



II DOMINGO DO TEMPO COMUM     

 

“…Disse-me o Senhor:
«Tu és o meu servo, Israel,
por quem manifestarei a minha glória».
E agora o Senhor falou-me,
Ele que me formou desde o seio materno,
para fazer de mim o seu servo,
a fim de lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele.
Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor
e Deus é a minha força.
Ele disse-me então:
«Não basta que sejas meu servo,
para restaurares as tribos de Jacob
e reconduzires os sobreviventes de Israel.
Vou fazer de ti a luz das nações,
para que a minha salvação chegue até aos confins da terra»…”(
cf. Isaías 49, 3.5-6)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Sala Paulo VI, Vaticano - Roma, no dia 14 de Janeiro de 2026.
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Demos início ao ciclo de catequeses sobre o Concílio Vaticano II. Hoje, começamos a aprofundar a Constituição dogmática ‘Dei Verbum’, sobre a Revelação divina. Trata-se de um dos documentos mais bonitos e importantes da Assembleia Conciliar e, para nos introduzir, pode ser útil recordar as palavras de Jesus: «Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi do meu Pai» (Jo 15, 15). Este é um ponto fundamental da fé cristã, que a ‘Dei Verbum’ nos recorda: Jesus Cristo transforma, radicalmente, a relação do homem com Deus, que, doravante, será uma relação de amizade. Por isso, a única condição da nova aliança é o amor.
Comentando esta passagem do quarto Evangelho, Santo Agostinho insiste sobre a perspectiva da graça, a única que nos pode tornar amigos de Deus, no seu Filho (Comentário ao Evangelho de João, Homilia 86). Com efeito, um antigo provérbio dizia: “Amicitia aut pares invenit, aut facit”, “A amizade nasce entre iguais, ou torna-os iguais”. Não somos iguais a Deus, mas é o próprio Deus que nos torna semelhantes a Ele, no seu Filho.
Por isso, como podemos ver, em toda a Escritura, na Aliança há um primeiro momento de distância, pois o pacto entre Deus e o homem permanece sempre assimétrico: Deus é Deus e nós somos criaturas; mas, com a vinda do Filho, na carne humana, a Aliança abre-se ao seu fim último: em Jesus, Deus torna-nos filhos e chama-nos a tornar-nos semelhantes a Ele, na nossa frágil humanidade. Assim, a nossa semelhança com Deus não se alcança através da transgressão e do pecado, como sugere a serpente a Eva (cf. Gn 3, 5), mas na relação com o Filho que se fez homem.
As palavras do Senhor Jesus que recordamos – “chamei-vos amigos” – são retomadas, precisamente, na Constituição ‘Dei Verbum’, que afirma: «Em virtude desta revelação, Deus invisível (cf. Cl 1, 15; 1 Tm 1, 17), na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos (cf. Ex 33, 11; Jo 15, 14-15) e convive com eles (cf. Br 3, 38), para os convidar e admitir à comunhão com Ele» (n. 2). O Deus do Génesis já se relacionava com os progenitores, dialogando com eles (cf. Dei Verbum, 3); e quando, através do pecado, este diálogo se interrompe, o Criador não se cansa de procurar o encontro com as suas criaturas e de estabelecer uma Aliança com elas. Na Revelação cristã, ou seja, quando Deus, para vir à nossa procura, se faz carne, no seu Filho, o diálogo que se tinha interrompido é restabelecido de maneira definitiva: a Aliança é nova e eterna; nada pode separar-nos do seu amor. Portanto, a Revelação de Deus tem o carácter dialógico da amizade e, como acontece na experiência da amizade humana, não suporta o mutismo, mas alimenta-se do intercâmbio de palavras verdadeiras.
A Constituição ‘Dei Verbum’ recorda-nos, também, isto: Deus fala connosco. É importante compreender a diferença entre a palavra e a tagarelice: esta última limita-se à superfície, não realiza uma comunhão entre as pessoas; enquanto, nas relações autênticas, a palavra não serve apenas para trocar informações e notícias, mas para revelar quem somos. A palavra possui uma dimensão reveladora que cria uma relação com o outro. Assim, quando falar connosco, Deus revela-se como Aliado que nos convida à amizade com Ele.
 
Nesta perspectiva, a primeira atitude a cultivar é a escuta, para que a Palavra divina possa penetrar nas nossas mentes e corações; ao mesmo tempo, somos chamados a falar com Deus, não para lhe comunicar o que Ele já sabe, mas para nos revelarmos a nós mesmos.
Daí a necessidade da oração, na qual somos chamados a viver e cultivar a amizade com o Senhor. Isto realiza-se, em primeiro lugar, na oração litúrgica e comunitária, onde não somos nós que decidimos o que ouvir da Palavra de Deus, mas é Ele mesmo que nos fala, por intermédio da Igreja; além disso, cumpre-se na prece pessoal, que acontece na intimidade do coração e da mente. No dia e na semana do cristão não pode faltar o tempo dedicado à oração, à meditação e à reflexão. Só quando falamos com Deus podemos, também, falar de Deus.
A nossa experiência diz-nos que as amizades podem terminar, devido a algum gesto clamoroso de ruptura, ou por causa de uma série de desatenções diárias, que desgastam a relação a ponto de a perder. Se Jesus nos chama a ser amigos, procuremos não deixar este apelo sem uma resposta. Acolhamo-lo, cuidemos desta relação e descobriremos que a nossa salvação consiste, precisamente, na amizade com Deus. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 39

Refrão: Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade.

Esperei no Senhor com toda a confiança
e Ele atendeu-me.
Pôs em meus lábios um cântico novo,
um hino de louvor ao nosso Deus.

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,
mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações,
então clamei: «Aqui estou».

«De mim está escrito no livro da Lei
que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus,
a vossa lei está no meu coração».

Proclamei a justiça na grande assembleia,
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.
Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,
proclamei a vossa fidelidade e salvação.


SANTOS POPULARES

 


SANTA IRENE
 
Estamos em Roma, no coração do século III, durante as perseguições aos cristãos, ordenadas pelo Imperador Diocleciano. Sebastião, um soldado fiel à fé cristã, sofre terríveis torturas: é amarrado a uma árvore e crivado de setas, a ponto de parecer morto. Contudo, uma intervenção providencial salva a sua vida. Uma piedosa mulher, Irene, encontrou o seu corpo, aparentemente sem vida. Ao perceber-se de que ele ainda respirava, decidiu cuidar dele.
Irene, uma patrícia romana, conhecida pela sua devoção e coragem, levou o corpo ferido de Sebastião para sua casa. Lá, com dedicação e paciência, encarregou-se de remover as setas, uma a uma, limpando e tratando os ferimentos. Apesar dos riscos de acolher um cristão perseguido, Irene não hesitou em oferecer os seus recursos e conhecimentos, proporcionando-lhe um refúgio seguro. A recuperação de Sebastião é lenta e árdua, mas Irene não desiste. A sua intervenção não é meramente física: é um gesto de fé; um acto de amor cristão para com um mártir disposto a dar a vida pela sua fé.
A figura de Santa Irene surge como um símbolo de caridade e de esperança. Ela é um modelo de resiliência, capaz de cuidar de um homem ferido, num contexto de grande perigo. Essa cena, retratada em inúmeras obras de arte, representa um momento de intimidade e dedicação: Irene inclina-se sobre o corpo do soldado ferido, com as suas mãos gentis e carinhosas, com o intuito de restabelecer a sua vida. O seu acto de cuidar tornou-se um símbolo da possibilidade de redenção e de cura, tanto física quanto espiritual.
Após a sua recuperação, Sebastião escolherá enfrentar, novamente, o martírio, mas o papel de Irene permanece central na narrativa: é graças a ela que o seu testemunho de fé pode continuar. A sua figura não é apenas lembrada na tradição cristã; a sua acção revela uma mensagem universal: mesmo nas situações mais difíceis: o amor e o cuidado podem fazer a diferença.
Santa Irene não é uma personagem secundária na história de São Sebastião: ela é um exemplo brilhante de como a acção humana pode responder à violência com compaixão. Em muitas representações artísticas, Irene não é uma viúva idosa, mas uma mulher forte e determinada, cuja fé a guia a actos de extraordinária humanidade. A sua figura continua a inspirar, lembrando-nos que o sofrimento pode ser curado e que, mesmo nos momentos mais sombrios, sempre há espaço para a esperança.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 22 de Janeiro.

domingo, 11 de janeiro de 2026

EM DESTAQUE:

 




*FESTA DO BAPTISMO DO SENHOR
 
A Igreja celebra, no Domingo, 11 de Janeiro, a Festa do Baptismo do Senhor. Com esta celebração termina o Tempo do Natal e inicia o Tempo Comum da Igreja. Ela marca a revelação de Cristo como o Filho de Deus e o início da Sua vida pública. É uma festa muito antiga, na história da Igreja, sendo celebrada desde o século II.
A Igreja do Oriente já celebrava a Epifania e o Baptismo de Jesus, no ano 300, no dia 6 de Janeiro. A Igreja do Ocidente comemorava essa festa apenas na Liturgia das Horas.
Em 1969, com a reforma litúrgica, esta festa foi marcada no Domingo após a Epifania. Onde a Solenidade da Epifania não puder ser celebrada no dia 6 de Janeiro, é celebrada no Domingo, entre 2 e 8 de Janeiro, e a Festa do Baptismo no Domingo após a Epifania.
No episódio bíblico do baptismo de Jesus, o Pai diz: “Este é o meu Filho muito amado,
no qual pus toda a minha complacência” (cf. Mt. 3, 17)
no qual pus toda a minha complacência” (cf. Mt. 3, 17) A estima, a amizade, o amor eterno do Pai acompanha o Filho e se agrada do modo como cumpre a Sua missão.
Jesus é baptizado por João, nas águas do Rio Jordão. Mesmo sem pecado, Ele dispõe-se a receber o baptismo: um baptismo de conversão que é sinal do ‘novo baptismo’ que Jesus inaugurará com a sua Morte e Ressurreição. Assim, tornamo-nos homens novos, na medida em que aprendemos a reconhecer a vida como dom de amor e a viver deste Amor.
Através do Baptismo, tornamo-nos filhos de Deus, em definitivo. Já não somos mais escravos, ou servos; somos filhos amados e devemos amá-Lo como Cristo O ama.

DA PALAVRA DO SENHOR

 



FESTA DO BAPTISMO DO SENHOR   

 

“…Jesus chegou da Galileia
e veio ter com João Baptista ao Jordão,
para ser baptizado por ele.
Mas João opunha-se, dizendo:
«Eu é que preciso de ser baptizado por Ti,
e Tu vens ter comigo?».
Jesus respondeu-lhe:
«Deixa por agora;
convém que assim cumpramos toda a justiça».
João deixou então que Ele Se aproximasse.
Logo que Jesus foi baptizado, saiu da água.
Então, abriram-se os céus
e Jesus viu o Espírito de Deus
descer como uma pomba e pousar sobre Ele.
E uma voz vinda do Céu dizia:
«Este é o meu Filho muito amado,
no qual pus toda a minha complacência»…”(
cf. Mateus 3, 13-17)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO



- na Audiência-Geral, na Sala Paulo VI, Vaticano - Roma, no dia 7 de Janeiro de 2026.
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Após o Ano jubilar, durante o qual pudemos meditar sobre os mistérios da vida de Jesus, iniciamos um novo ciclo de catequeses que será dedicado ao Concílio Vaticano II e à releitura dos seus Documentos. Trata-se de uma ocasião preciosa para redescobrir a beleza e a importância deste acontecimento eclesial. São João Paulo II, no final do Jubileu do Ano 2000, afirmava assim: «Sinto ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja, no século XX» (Carta apostólica Novo millennio ineunte, 57).
Com o aniversário do Concílio de Niceia, em 2025 pudemos recordar os 60 anos do Concílio Vaticano II. Embora o tempo que nos separa daquele acontecimento não seja tão longo, é igualmente verdade que a geração de Bispos, teólogos e crentes do Vaticano II já não existe. Portanto, enquanto sentimos o apelo a não anular a sua profecia e a continuar a procurar formas e meios para pôr em prática as suas intuições, será importante conhecê-lo novamente de perto, e fazê-lo, não através do “ouvir dizer”, nem das interpretações que lhe foram dadas, mas relendo os seus Documentos e reflectindo sobre o seu conteúdo. Com efeito, trata-se do Magistério que, ainda hoje, constitui a estrela polar do caminho da Igreja. Como ensinava Bento XVI, «com o passar dos anos, os Documentos conciliares não perderam actualidade; os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas instâncias da Igreja e da actual sociedade globalizada» (Primeira mensagem no final da Missa com os Cardeais eleitores, 20 de abril de 2005).
Quando o Papa São João XXIII inaugurou a Assembleia Conciliar, em 11 de Outubro de 1962, falou dele como da aurora de um dia de luz para toda a Igreja. O trabalho dos numerosos Padres convocados, provenientes das Igrejas de todos os continentes, abriu efectivamente o caminho para uma nova era eclesial. Depois de uma rica reflexão bíblica, teológica e litúrgica, que atravessou o século XX, o Concílio Vaticano II redescobriu o rosto de Deus como Pai que, em Cristo, nos chama a ser seus filhos; olhou para a Igreja à luz de Cristo, luz das nações, como mistério de comunhão e sacramento de unidade entre Deus e o seu povo; iniciou uma importante reforma litúrgica, colocando no centro o mistério da salvação e a participação activa e consciente de todo o Povo de Deus. Ao mesmo tempo, ajudou-nos a abrir-nos ao mundo e a enfrentar as mudanças e os desafios da época moderna, no diálogo e na corresponsabilidade, como uma Igreja que deseja abrir os braços à humanidade, fazendo ressoar as esperanças e as angústias dos povos e colaborando na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Graças ao Concílio Vaticano II, «a Igreja torna-se palavra; a Igreja faz-se mensagem; a Igreja torna-se diálogo» (São Paulo VI, Carta enc. Ecclesiam suam, 67), comprometendo-se a procurar a verdade através do caminho do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e do diálogo com as pessoas de boa vontade.
Este espírito, esta atitude interior, deve caracterizar a nossa vida espiritual e a acção pastoral da Igreja, porque ainda devemos realizar, mais plenamente, a reforma eclesial em chave ministerial e, diante dos desafios actuais, somos chamados a permanecer atentos intérpretes dos sinais dos tempos, alegres anunciadores do Evangelho, corajosas testemunhas de justiça e paz. D. Albino Luciani, futuro Papa João Paulo I, então Bispo de Vittorio Veneto, no início do Concílio, escreveu profeticamente: «Existe, como sempre, a necessidade de realizar não tanto organismos ou métodos e estruturas, mas uma santidade mais profunda e vasta. [...] Pode ser que os frutos óptimos e abundantes de um Concílio se vejam após séculos e amadureçam superando, com dificuldade, contrastes e situações adversas». Assim, redescobrir o Concílio, como afirmou o Papa Francisco, ajuda-nos a «devolver a primazia a Deus, a uma Igreja que seja louca de amor pelo seu Senhor e por todos os homens, por Ele amados» (Homilia no 60º aniversário do início do Concílio Vaticano II, 11 de Outubro de 2022).
Irmãos e irmãs, o que São Paulo VI disse aos Padres conciliares, no final dos trabalhos, continua a ser, também para nós, hoje, um critério de orientação; ele afirmou que tinha chegado a hora da partida, de deixar a assembleia conciliar para ir ao encontro da humanidade, levando-lhe a boa nova do Evangelho, na consciência de ter vivido um tempo de graça em que se condensavam passado, presente e futuro: «O passado, porque aqui está congregada a Igreja de Cristo, com a sua tradição, a sua história, os seus Concílios, os seus Doutores, os seus Santos. [...] O presente, porque nos despedimos para ir ao encontro do mundo de hoje, com as suas misérias, as suas dores, os seus pecados, mas também com as suas conquistas prodigiosas, os seus valores, as suas virtudes. [...] Depois, o futuro está lá, no apelo imperioso dos povos por uma maior justiça, na sua vontade de paz, na sua sede consciente ou inconsciente de uma vida mais elevada: precisamente, aquela que a Igreja de Cristo pode e quer oferecer-lhes» (São Paulo VI, Mensagem aos Padres conciliares, 8 de Dezembro de 1965).
Também para nós é assim. Aproximando-nos dos Documentos do Concílio Vaticano II e redescobrindo a sua profecia e actualidade, acolhamos a rica tradição da vida da Igreja e, ao mesmo tempo, interroguemo-nos sobre o presente e renovemos a alegria de correr ao encontro do mundo, para lhe levar o Evangelho do reino de Deus, reino de amor, justiça e paz.  (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 28

Refrão: O Senhor abençoará o Seu povo na paz.

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,
tributai ao Senhor glória e poder.
Tributai ao Senhor a glória do seu nome,
adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

A vos do Senhor ressoa sobre as nuvens,
o Senhor está sobre a vastidão das águas.
A voz do Senhor é poderosa,
a voz do Senhor é majestosa.

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão
e no seu templo todos clamam: Glória!
Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,
o Senhor senta-Se como rei eterno.


SANTOS POPULARES


 

BEATO JOÃO BARRERA MÉNDEZ

João Barrera Méndez nasceu em Potrero Viejo, na Guatemala, no distrito de El Quiché, por volta de 1968. Era filho de Roberto Barrera e Ana Méndez. Todos os membros da sua família eram membros da Acção Católica: ele também, desde muito novo, começou a participar nas actividades da sua paróquia e da vila de Segundo Centro de la Vega.
Apesar da sua pouca idade, gostava de frequentar os encontros de formação para aprender a doutrina cristã. Era uma criança muito viva, quase madura: as sementes do ideal de ver sua Vila levar uma vida mais digna, respeitando a paz, a justiça e a fraternidade, começavam a germinar dentro dele.
Contribuiu para o seu crescimento humano e espiritual o facto de o seu corpo já estar practicamente desenvolvido e de trabalhar para ajudar no sustento da família. Participava e colaborava na formação cristã da sua comunidade, tornando-se um dos catequistas mais jovens. Já tinha sido crismado.
Participava na Eucaristia, na sua paróquia, todos os domingos. Duas vezes por semana, participava nos encontros, realizados na capela da sua aldeia. Os moradores da Vila lembram que, todas as Segundas-Feiras, ele ensinava o catecismo e a Palavra de Deus. Às Sextas-Feiras, orientava a oração do Terço, frequentada, principalmente, por mulheres e outras crianças.
Gostava de visitar os seus irmãos e irmãs da comunidade, como os seus pais faziam. Fazia o mesmo por aqueles que precisavam da Palavra de Deus e por aqueles que precisavam de bens materiais. A sua generosidade, no entanto, valeu-lhe o rótulo de guerrilheiro, como frequentemente acontecia com homens mais velhos.
Em 1980, o Exército realizou uma ‘operação de limpeza’ na vila de Segundo Centro de la Vega: os soldados entraram de casa em casa e capturaram homens, mulheres, idosos e jovens, amarrando-lhes as mãos e os pés. Testemunhas oculares lembram que um dos soldados contactou o eu centro de operações, pelo rádio, para que o tenente enviasse reforços.
Poucos minutos depois, vários helicópteros chegaram, desembarcando mais soldados, em diversos pontos da Vila. Os moradores, que conheciam a região melhor do que os militares, fugiram, evitando assim a captura. João e os seus quatro irmãos, porém, não conseguiram escapar.
O seu irmão mais velho, Jacinto, foi enforcado numa árvore, após ter sido interrogado e torturado, para que revelasse informações sobre as actividades dos guerrilheiros. Quando já estava quase morto, por volta do meio-dia, foi retirado da árvore; num instante, os seus outros dois irmãos conseguiram escapar com ele e com outros prisioneiros.
Por causa desta fuga, os soldados escolheram João, o mais jovem, como seu alvo. Levaram-no para um local próximo a um riacho, onde lhe fizeram ferimentos nas solas dos pés e o obrigaram a caminhar sobre as pedras da margem, aumentando a sua dor. Em seguida, cortaram-lhe as orelhas e quebraram as suas pernas; por fim, dispararam as suas armas contra ele, várias vezes.
Naquela noite, após a partida dos soldados, os membros da comunidade decidiram enterrar os restos mortais de João, bem perto de onde o seu corpo foi encontrado, a poucos quilómetros da sua casa. Fontes locais datam o incidente: 18 de Janeiro de 1980. João – Juanito, como o tratavam - tinha cerca de doze anos. Quando o seu corpo foi retirado desta apressada sepultura, o seu Terço foi encontrado no bolso das calças que ele usava quando foi morto.
A fama do martírio e da santidade de João levou à sua inclusão na causa da beatificação e canonização, que incluiu três padres Missionários do Sagrado Coração e seis outros leigos da diocese de Quiché, muitos dos quais eram membros da Acção Católica Rural; ele é o mais jovem da lista.
No dia 23 de Janeiro de 2020 - ao receber, em audiência, o Cardeal Giovanni Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos - o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto que reconhece o martírio de João Barrera Méndez e dos seus companheiros, abrindo caminho para a sua beatificação.
João Méndez foi beatificado pelo Papa Francisco, no dia 23 de Abril de 2021, na Catedral da Santa Cruz, em Santa Cruz del Quiché, em celebração presidida pelo Cardeal Álvaro Leonel Ramazzini Imeri, Bispo da Diocese de Huehuetenango, delegado do Papa.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 18 de Janeiro.