PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Ele chama as suas ovelhas pelos seus nomes …” (cf. João 10, 3) O quarto domingo de Páscoa, que hoje celebramos, é dedicado a Jesus, Bom Pastor. O Evangelho diz: «As ovelhas ouvem a sua voz: e chama pelo nome as suas ovelha» (Jo 10, 3). O Senhor chama-nos pelo nome, chama-nos porque nos ama. Mas, diz novamente o Evangelho, há outras vozes, que não se devem seguir: as de estranhos, ladrões e assaltantes que querem o mal das ovelhas. Estas diferentes vozes ressoam dentro de nós. Há a voz de Deus, que fala amavelmente à consciência, e há a voz tentadora que induz ao mal. Como podemos reconhecer a voz do bom pastor e a do ladrão, como podemos distinguir a inspiração de Deus da sugestão do maligno? Podemos aprender a discernir estas duas vozes: elas falam duas línguas diferentes, ou seja, têm formas opostas de bater ao nosso coração. Falam línguas diferentes. Tal como sabemos distinguir uma língua da outra, também sabemos distinguir a voz de Deus da voz do Maligno. A voz de Deus nunca obriga: Deus propõe-se, Ele não se impõe. Ao contrário, a voz maligna seduz, agride, força: suscita ilusões deslumbrantes, emoções tentadoras, mas transitórias. No início lisonjeia-nos, faz-nos acreditar que somos omnipotentes, mas depois deixa-nos vazios por dentro e acusa-nos: “Tu não vales nada”. A voz de Deus, pelo contrário, corrige-nos, com muita paciência, mas encoraja-nos sempre, consola-nos: alimenta-nos sempre de esperança. A voz de Deus é uma voz que tem um horizonte, enquanto a voz do maligno leva-te a um muro, põe-te de lado. Outra diferença. A voz do inimigo distrai-nos do presente e quer que nos concentremos nos receios do futuro ou nas tristezas do passado - o inimigo não quer o presente -: faz ressurgir as amarguras, as recordações das injustiças sofridas, daqueles que nos magoaram..., muitas recordações negativas. Mas, a voz de Deus fala ao presente: “Agora podes fazer o bem, agora podes exercer a criatividade do amor, agora podes renunciar aos arrependimentos e remorsos que mantêm o teu coração prisioneiro”. Anima-nos, faz-nos ir em frente, mas fala no presente: agora. Mais uma vez: as duas vozes levantam em nós questões diferentes. A que vem de Deus será: “O que é bom para mim?”. Ao contrário, o tentador insistirá noutra questão: “O que me apetece fazer”. O que me apetece: a voz maligna gira sempre em torno do ego, dos seus impulsos, das suas necessidades, de tudo e já. É como os caprichos das crianças: tudo e agora. A voz de Deus, pelo contrário, nunca promete alegria a um preço baixo: convida-nos a ir além do nosso ego para encontrar o verdadeiro bem, a paz. Lembremo-nos: o mal nunca nos dá paz, ao contrário provoca inquietação e depois deixa amargura. Este é o estilo do mal. Por fim, a voz de Deus e a do tentador falam em diferentes “ambientes”: o inimigo prefere a escuridão, a falsidade, os mexericos; o Senhor ama a luz do sol, a verdade, a transparência sincera. O inimigo dir-nos-á: “Fecha-te em ti, porque ninguém te entende nem te ouve, não confies!”. Ao contrário, o bem convida-nos a abrir-nos, a ser claros e a confiar em Deus e nos outros. Amados irmãos e irmãs, neste momento, tantos pensamentos e preocupações nos levam a reentrar em nós mesmos. Prestemos atenção às vozes que chegam aos nossos corações. Perguntemo-nos de onde vêm. Peçamos a graça de reconhecer e seguir a voz do bom Pastor, que nos faz sair do espaço do egoísmo e nos conduz aos pastos da verdadeira liberdade. Que Nossa Senhora, Mãe do Bom Conselho, guie e acompanhe o nosso discernimento. (Papa Francisco na Oração Regina Caeli, no dia 3 de Maio de 2020, na Biblioteca do Palácio Apostólico, Vaticano, Roma)

domingo, 26 de abril de 2026

EM DESTAQUE:

 


*DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
 
No dia 26 de Abril de 2026, no IV domingo da Páscoa, chamado “domingo do Bom Pastor”, a Igreja celebra o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Na sua Mensagem para este 63º Dia, o Papa Leão XIV escolheu como tema “A descoberta interior do dom de Deus” e compartilha algumas reflexões sobre a dimensão interior da vocação, “entendida como descoberta do dom gratuito de Deus que brota no profundo do coração de cada um de nós”.
Percorrendo, metaforicamente, o caminho de “uma vida verdadeiramente bela, que o Pastor nos indica”, apresenta quatro pensamentos: O caminho da beleza, o conhecimento recíproco, a confiança e o amadurecimento.
A Mensagem sublinha a importância da ascese, na contemplação, que permite à pessoa parar, escutar, rezar e acolher o olhar de Deus sobre si, a ponto de se confiar ao Pastor, “que fascina: quem o contempla descobre que a vida é realmente bela se O segue”. Um dos traços que distingue os Santos é, precisamente, “a beleza espiritual luminosa que irradia de quem vive em Cristo. Assim, a vocação cristã revela-se em toda a sua profundidade: participar da sua vida, partilhar a sua missão, resplandecer da sua mesma beleza”.
Apresentando o exemplo de Santo Agostinho, mestre de interioridade, o Papa Leão fala da importância “do cuidado da interioridade, como espaço de relação com Jesus; como caminho para experimentar a beleza e a bondade de Deus na própria vida” e da vocação como dom que “nunca é uma imposição ou um esquema prefixado ao qual simplesmente aderir, mas um projetco de amor e de felicidade”.
Do cuidado da interioridade, “é urgente recomeçar na pastoral vocacional e no compromisso sempre novo da evangelização”, diz o Santo Padre, que convida todos – famílias, paróquias, comunidades religiosas, bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas, educadores e fiéis leigos – “a empenhar-se, sempre mais, na criação de contextos favoráveis para que esse dom possa ser acolhido, alimentado, cuidado e acompanhado, para produzir abundantes frutos”.
Sendo a vocação um chamamento único e pessoal, começa pela experiência pessoal do amor de Deus; aquele Deus que conhece e ama profundamente cada um/a e que tem, para cada um/a, um caminho único de santidade e de serviço. Esse conhecimento é recíproco e, por isso, “somos convidados a conhecer Deus por meio da oração, da escuta da Palavra, dos Sacramentos, da vida da Igreja e da doação aos irmãos e irmãs”.
O jovem Samuel, que soube colocar-se à escuta e aprender a reconhecer, com a ajuda de Eli, a voz do Senhor (cf. 1Sm 3,1-10), e ainda Santo Agostinho, segundo o qual “a Verdade habita no homem interior”, recordam a importância de “parar, construir espaços de silêncio interior para poder escutar a voz de Jesus Cristo”.
Daqui o apelo de Leão XIV: “Queridos jovens, escutai esta voz! Escutai a voz do Senhor que vos convida a viver uma vida plena, realizada, frutificando os próprios talentos (cf. Mt 25,14-30) e pregando na Cruz gloriosa de Cristo os próprios limites e fraquezas. Parai, portanto, em adoração eucarística; meditai assiduamente a Palavra de Deus para vivê-la todos os dias; participai, activa e plenamente, da vida sacramental e eclesial. Desse modo, conhecereis o Senhor e, na intimidade própria da amizade, descobrireis como doar-vos a vós mesmos, no caminho do matrimônio, ou do sacerdócio, ou do diaconado permanente, ou ainda na vida consagrada, religiosa ou secular: toda vocação é um dom imenso para a Igreja e para quem a acolhe com alegria”.
É desse conhecimento que nasce a confiança no Senhor e se descobre, a cada dia, que a vida é “um contínuo confiar e entregar-se ao Senhor, mesmo quando os seus planos perturbam os nossos”. Como São José, “um ícone de confiança total no desígnio de Deus”, e como o Jubileu da Esperança ensinou: “é necessário cultivar uma confiança firme e estável nas promessas de Deus, sem jamais ceder ao desespero”.
A vocação, portanto, não é meta alcançada de uma vez para sempre. De facto, é “um processo dinâmico de amadurecimento, favorecido pela intimidade com o Senhor: estar com Jesus, deixar o Espírito Santo agir nos corações e nas situações da vida e reler tudo à luz do dom recebido”. Nesse caminho contínuo de amadurecimento, sublinha o Papa, “como é precioso ter um bom guia espiritual que acompanhe a descoberta e o desenvolvimento da nossa vocação!”, que acompanha no discernimento e na avaliação à luz do Espírito Santo. (cf. cgfmanet.org)
 

DA PALAVRA DO SENHOR

 


IV DOMINGO DA PÁSCOA

 

“…Se vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência,

isto é uma graça aos olhos de Deus.

Para isto é que fostes chamados,

porque Cristo sofreu também por vós,

deixando-vos o exemplo,

para que sigais os seus passos.

Ele não cometeu pecado algum

e, na sua boca, não se encontrou mentira.

Insultado, não pagava com injúrias;

maltratado, não respondia com ameaças;

mas, entregava-Se Àquele que julga com justiça.

Ele suportou os nossos pecados

no seu Corpo, no madeiro da cruz,

a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça:

pelas suas chagas fomos curados.

Vós éreis como ovelhas desgarradas,

mas, agora, voltastes para o pastor e guarda das vossas almas…” (cf. I Pedro 2, 20b - 25)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Homilia da Missa, na Esplanada de Saurimo (Saurimo), na Segunda-Feira, 20 de Abril de 2026, na Visita Apostólica a Angola.
 
Em todas as partes do mundo, a Igreja vive como povo que caminha no seguimento de Cristo, nosso irmão e Redentor: Ele, o Ressuscitado, ilumina-nos a via para o Pai e santifica-nos com a força do Espírito, para que transformemos o nosso estilo de vida segundo o seu amor. Esta é a Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias, sustentando-nos ao longo do caminho. Um caminho que hoje me trouxe até aqui, para estar convosco! Na alegria e na beleza da nossa assembleia, reunida em nome de Jesus, escutamos com coração aberto a sua Palavra de salvação, porque nos faz refletir sobre o motivo e o fim pelos quais seguimos o Senhor.
Quando o Filho de Deus se faz homem, realiza gestos eloquentes para manifestar a vontade do Pai: ilumina as trevas dando a vista aos cegos, dá voz aos oprimidos soltando a língua dos mudos, sacia a nossa fome de justiça multiplicando o pão para os pobres e os fracos. Quem ouve falar destas obras põe-se à procura de Jesus. Ao mesmo tempo, o Senhor vê o nosso coração, perguntando-nos se o procuramos por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor. Com efeito, à gente que o seguia diz: «Vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes» (Jo 6, 26). As suas palavras manifestam os projetos de quem não deseja o encontro com uma pessoa, mas o consumo de objetos. A multidão vê Jesus como um instrumento para atingir outros fins, vê-o como um prestador de serviços. Se Ele não lhes desse de comer, os seus gestos e ensinamentos não interessariam.
O mesmo acontece quando a fé autêntica é substituída por um comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve. Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prémio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe. O relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte. Também o objetivo que aquela multidão se propõe é inadequado: não procuram, efetivamente, um mestre a quem amar, mas um líder a reverenciar por interesse.
Bem diferente é a atitude de Jesus para connosco: Ele não rejeita esta procura sincera, mas incentiva à sua conversão. Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser. Para corresponder com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e imitar a sua iniciativa. Quando, no sinal do pão partilhado, vemos a vontade do Salvador, que se dá a si mesmo por nós, então aproximamo-nos do verdadeiro encontro com Jesus, que se torna seguimento, missão e vida.
A advertência que o Senhor dirige à multidão transforma-se assim num convite: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (Jo 6, 27). Com estas palavras, Cristo indica o seu verdadeiro dom para nós: não nos chama ao desinteresse pelo pão quotidiano, que aliás multiplica em abundância e ensina a pedir na oração. Ele educa-nos a procurar de modo correto o pão da vida, alimento que nos sustenta para sempre. O desejo da multidão encontra assim uma resposta ainda maior e surpreendente: Jesus não nos dá um alimento que acaba, mas um pão que não nos deixa acabar, porque é alimento de vida eterna.
O seu dom ilumina o nosso presente: com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos. Perante tais males, Cristo escuta o clamor dos povos e renova a nossa história: em cada queda levanta-nos, em cada sofrimento conforta-nos, na missão encoraja-nos. Tal como o pão vivo que sempre nos dá – a Eucaristia, assim a sua história não tem fim e, por isso mesmo, remove o fim, ou seja, a morte, da nossa história, que o Ressuscitado abre com a força do seu Espírito. Cristo vive! Ele é o nosso Redentor. Este é o Evangelho que partilhamos, fazendo irmãos todos os povos da terra. Este é o anúncio que transforma o pecado em perdão. Esta é a fé que salva a vida!
O testemunho pascal, portanto, diz respeito certamente a Cristo, o crucificado que ressuscitou, mas precisamente por isso também nos diz respeito a nós: n’Ele ganha voz o anúncio da nossa ressurreição. Não viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade. Na verdade, esta libertação do mal e da morte não acontece apenas no fim dos tempos, mas na história de todos os dias. O que devemos fazer para acolher tal dom? O próprio Evangelho no-lo ensina: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou» (Jo 6, 29). Sim, nós cremos! Hoje, juntos, dizemo-lo com força e gratidão para Convosco, Senhor Jesus. Queremos seguir-Vos e servir-Vos no nosso próximo: a vossa palavra é para nós regra de vida e critério de verdade.
«Ditosos os que seguem a lei do Senhor» (cf. Sl 119/118,1): assim cantámos com o Salmo. Caríssimos, é o Senhor quem traça a via para esta caminhada, não as nossas urgências, nem as modas do momento. Por isso, seguindo Jesus, o caminho eclesial é sempre um «Sínodo da ressurreição e da esperança» (Exort. ap. Ecclesia in Africa, 13), como afirmava São João Paulo II na sua Exortação Apostólica para a África: continuemos nesta sábia direção! Com o Evangelho no coração, tereis coragem diante das dificuldades e desilusões: o caminho, que Deus abriu para nós, nunca desilude. O Senhor caminha sempre ao nosso lado, para que possamos prosseguir na sua estrada: o próprio Cristo dá orientação e força à caminhada, uma caminhada que queremos aprender a viver cada vez mais como deve ser, ou seja, de modo sinodal.
Em particular, «a Igreja anuncia a Boa Nova não só através da proclamação da palavra que recebeu do Senhor, mas também mediante o testemunho de vida, pelo qual os discípulos de Cristo dão razão da fé, da esperança e do amor que neles existe» (ibid., 55). Partilhando a Eucaristia, pão da vida eterna, somos chamados a servir o nosso povo com uma dedicação que levanta de todas as quedas, que reconstrói o que a violência arruína e que partilha com alegria dos vínculos fraternos. Através de nós, a iniciativa da graça divina dá bons frutos sobretudo nas adversidades, como mostra o exemplo do protomártir Estevão (cf. Act 6, 8-15).
Caríssimos, o testemunho dos mártires e dos santos encoraja-nos e impele-nos a um caminho de esperança, de reconciliação e de paz, ao longo do qual o dom de Deus se torna o compromisso do homem na família, na comunidade cristã, na sociedade civil. Percorrendo-o juntos, à luz do Evangelho, a Igreja em Angola cresce segundo aquela fecundidade espiritual que começa na Eucaristia e se prolonga no cuidado integral de cada pessoa e de todo o povo. A vitalidade das vocações que vivenciais é, de modo particular, sinal da correspondência ao dom do Senhor, sempre abundante para quem o acolhe com coração puro. Graças ao Pão de vida nova, que hoje partilhamos, podemos continuar no caminho de toda a Igreja, que tem por meta o Reino de Deus, por luz a fé e por alma a caridade. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 22

 

Refrão: O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva me a descansar em verdes prados,

conduz me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.


SANTOS POPULARES

 


BEATO JOSÉ OUTHAY PHONGPHUMI

José Outhay Phongphumi nasceu em Kham Koem, uma vila agrícola no nordeste da Tailândia, por volta do Natal de 1933. Foi baptizado no mesmo dia. A sua aldeia foi uma das primeiras a ser evangelizada pelos padres da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris, que serviam um vasto território entre o Laos e o Sião (hoje, Tailândia).
Outhay era o décimo de vinte e dois filhos. Quase todos morreram jovens ou prematuramente. O seu pai, Paulo Khrua, era catequista e não se deixou intimidar pela perseguição que começou, em Sião, em Dezembro de 1940. De facto, ele acolheu, na sua casa, a Irmã Verónica, membro das Amantes da Cruz, que tinha sido proibida de usar o hábito religioso e de viver em comunidade. As suas irmãs perceberam, imediatamente, que a presença da Irmã Verónica ao lado da de sua mãe, era muito importante para José.
Quando terminou este período de perseguição, José tinha doze anos: era inteligente, talentoso e muito religioso. Por esse motivo, foi enviado para o Seminário Menor, administrado pelos Salesianos, em Bang Nok Khuek (Ratchaburi), o único do paí, na época.
Após concluir os seis anos de estudos secundários, voltou para a sua aldeia. Não se sabe por que deixou o Seminário: talvez porque, nessa altura, a sua mãe e os seus irmãos mais velhos tinham falecido. Ficando a ser mais velho, tinha de cuidar do pai e dos quatro irmãos mais novos que lhe restavam.
As suas irmãs recordavam que ele era dotado de um carácter honesto, que não deixava ninguém indiferente. Apaixonado pela fé cristã, como aprendera com o pai, presidia às orações e aos cânticos na igreja; fazia as leituras e, às vezes, ensinava o catecismo.
Quando atingiu a idade para casar, foi apresentado a uma prima, Maria Khamtan. Casaram-se no dia 17 de Fevereiro de 1953: José tinha cerca de dezanove anos; Maria tinha vinte e cinco anos. Contudo, pouco depois, ficou viúvo: a sua esposa morreu no parto e, três meses depois, morreeeu, também, a sua única filha.
Cansado destas perdas, José Outhay aceitou a proposta do Padre Noël Tenaud, da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris, que havia sido pároco da comunidade cristã de Kham Koem e era missionário na província de Khammouan, no Laos, além de vice-prefeito da recém-fundada Prefeitura Apostólica de Thakhek.
Ele buscava novos membros para melhor organizar a evangelização naquele vasto território e, portanto, convidou o jovem viúvo a acompanhá-lo, após o período necessário de formação na escola de Sriracha, no sul da Tailândia.
Outhay aceitou com alegria, apesar de sofrer com a separação da família, que compreendia o seu desejo de novos desafios. Depois, em espírito de lealdade e gratidão, procurava visitar a família, pelo menos uma vez por ano.
Esteve ao lado do Padre Tenaud durante os seus últimos três anos na paróquia de Pongkiou, perto de Thakhek, um importante centro de atendimento à minoria étnica Sô. Dedicou-se, em particular, a formar os catequistas aprendizes, aos quais demonstrou o lado sério do seu carácter. Por outro lado, era capaz de fazer as Irmãs dos Amantes da Cruz sorrirem, e elas guardavam dele boas lembranças. Dedicou todos os seus melhores recursos a compartilhar o Evangelho com os outros.
Em Junho de 1958, o Padre Tenaud voltou a França para um ano de descanso. Isso, somado a um período em que chegou a passar fome, levou José Outhay a regressar à sua aldeia natal. Quando estava à beira do desespero, mas ainda confiando na Providência, entrou em contacto com o Padre Miguel Kien Samophithak, o sacerdote tailandês que celebrava a missa dominical na paróquia de Kham Koem.
Nomeado vigário-apostólico de Tharé, em Fevereiro de 1959, conheceu Outhay melhor e ficou, favoravelmente, impressionado. A sua intenção era fundar uma congregação de irmãos professores e pensou que poderia ser um de seus pilares. Então, convidou-o para morar na residência episcopal. O jovem, que não tinha outro pensamento senão servir a Deus e à Igreja, aceitou.
Monsenhor Miguel Kien foi ordenado Bispo, em Julho de 1959, e tomou posse do vicariato. Mas, por volta da mesma época, o Padre Noël Tenaud voltou com uma nova missão: aceitou uma paróquia, praticamente inexistente, numa província completamente desprovida de cristãos, onde a evangelização ainda não havia começado. Com sede em Savannakhet, ele visitava as aldeias perto da fronteira com o Vietname, na esperança de criar uma nova comunidade cristã. Por esse motivo, pediu ao bispo – entre lágrimas, como observou a irmã de José Outhay - que dispensasse José e para que retomasse o trabalho em equipa, com ele.
José não hesitou em acompanhá-lo nas suas viagens de evangelização. Estava ciente dos riscos que poderia enfrentar, dada a situação política, cada vez mais complicada, no Laos.
O missionário e o catequista fixaram residência se em Xepone, mas, também, tinham uma pequena residência na cidade de Savannakhet, onde podiam passar alguns dias de descanso e retiro. Enquanto os moradores locais mantinham certo distanciamento dos padres, com José Outhay eles abriram-se mais facilmente.
Em Abril de 1961, o Padre Tenaud partiu com ele, e com um jovem cristão surdo-mudo, para visitar as aldeias que lhe haviam sido confiadas. Ao chegarem ao acampamento de Seno (Xenô), os militares franceses alertaram-nos para o facto de que os norte-vietnamita estavam a preparar um ataque naquela área e aconselharam-nos, formalmente, a não continuarem a viagem. Mais adiante, um pastor protestante confirmou a má notícia, mas eles decidiram continuar.
Quando chegaram ao centro da ofensiva, procuraram voltar a trás, mas a estrada estava bloqueada, logo a seguir a Falana, a cerca de cinquenta quilómetros de Savannakhet. Os três viajantes refugiaram-se, então, numa aldeia, perto da estrada, mas foram traídos pelos seus habitantes. Foram presos por soldados norte-vietnamitas, e obrigados a voltar a Falana.
Na estrada, entre Muang Phine e Falana, foram emboscados: os soldados foram mortos, o Padre Tenaud foi ferido numa perna e José Outhay foi baleado no pescoço. Levados de volta a Falana, receberam tratamento, enquanto o menino surdo-mudo foi libertado.
Oito dias depois, o missionário pediu à administração provisória, estabelecida na área, permissão para voltar retornar a Savannakhet, com Outhay. Algumas testemunhas viram-nos a sair do escritório da administração. A partir de então, não tiveram mais notícias deles, nem chegaram ao seu destino.
Em 1963, diversos testemunhos levaram à crença de que ambos estavam desaparecidos. A Sociedade das Missões Estrangeiras registrou, então, a morte do Padre Tenaud, na data presumida de 15 de Dezembro de 1962. Um comunicado oficial da Embaixada de França, no Laos, datado de 19 de Abril de 1967, retrocedeu a data do seu assassinato para o dia 27 de Abril de 1961. A razão principal para o incidente foi, provavelmente, a tentativa dos guerrilheiros de erradicar o cristianismo do Laos: era visto como uma ameaça e, consequentemente, os missionários eram vistos como "inimigos do povo".
Os nomes do Padre Noël Tenaud e de José Outhay Phongphumi foram incluídos numa lista de quinze padres e leigos diocesanos e missionários mortos no Laos e no Vietname, entre 1954 e 1970, encabeçada pelo padre laosiano José Thao Tiên. A fase diocesana do processo de beatificação, que recebeu o nihil obstat da Santa Sé, em 18 de Janeiro de 2008.
A beatificação conjunta dos dezassete mártires foi marcada para o domingo, 11 de Dezembro de 2016, em Vientiane, Laos. Presidiu à celebração, como enviado do Santo Padre, o Cardeal Orlando Quevedo, Arcebispo de Cotabato, nas Filipinas, e Missionário Oblato de Maria Imaculada.
A memória litúrgica do beato José Outhay Phongphumi é celebrada no dia 27 de Abril.

sábado, 18 de abril de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


III DOMINGO DA PÁSCOA

 

“…Se invocais como Pai
Aquele que, sem acepção de pessoas,
julga cada um segundo as suas obras,
vivei com temor, durante o tempo de exílio neste mundo.
Lembrai-vos que não foi por coisas corruptíveis,
como prata e oiro,
que fostes resgatados da vã maneira de viver,
herdada dos vossos pais,
mas pelo sangue precioso de Cristo,
Cordeiro sem defeito e sem mancha,
predestinado, antes da criação do mundo,
e manifestado nos últimos tempos, por vossa causa.
Por Ele, acreditais em Deus,
que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória,
para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus…” (
cf. I Pedro 1, 17 - 21)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração ‘Regina Caeli’, na Praça de São Pedro, Roma,  no dia 12 de Abril de 2026
 
Estimados irmãos e irmãs: bom Domingo e, mais uma vez, feliz Páscoa!
Hoje, segundo Domingo da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia por São João Paulo II, lemos no Evangelho a aparição de Jesus ressuscitado ao apóstolo Tomé (cf. Jo 20, 19-31). Tal acontecimento ocorre oito dias após a Páscoa, enquanto a comunidade está reunida, e é aí que Tomé encontra o Mestre, que o convida a olhar para os sinais dos pregos, a colocar a mão na ferida do seu lado e a acreditar (cf. v. 27). É uma cena que nos faz refletir sobre o nosso encontro com Jesus ressuscitado. Onde encontrá-lo? Como reconhecê-lo? Como acreditar? São João, que narra o evento, dá-nos indicações precisas: Tomé encontra Jesus no oitavo dia, com a comunidade reunida, e reconhece-o pelos sinais do seu sacrifício. Desta experiência, brota a sua profissão de fé, a mais elevada de todo o quarto Evangelho: «Meu Senhor e meu Deus!» (v. 28).
É claro que nem sempre é fácil acreditar. Não foi fácil para Tomé e também não o é para nós. A fé precisa de ser alimentada e sustentada. Por isso, no “oitavo dia”, isto é, todos os domingos, a Igreja convida-nos a fazer como os primeiros discípulos: a reunirmo-nos e a celebrarmos juntos a Eucaristia. Nela, ouvimos as palavras de Jesus, rezamos, professamos a nossa fé, partilhamos os dons de Deus na caridade, oferecemos a nossa vida em união com o Sacrifício de Cristo, alimentamo-nos do seu Corpo e do seu Sangue, para depois sermos, por nossa vez, testemunhas da sua Ressurreição, como indica o termo “Missa”, isto é, “envio”, “missão” (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1332).
A Eucaristia dominical é indispensável para a vida cristã. Amanhã partirei para a viagem apostólica à África, e foram precisamente alguns mártires da Igreja africana dos primeiros séculos – os mártires de Abitene – que nos deixaram um belíssimo testemunho a este respeito. Diante da oferta de terem a vida poupada, desde que renunciassem à celebração da Eucaristia, responderam que não podiam viver sem celebrar o Dia do Senhor. É ali que a nossa fé se alimenta e cresce. É ali que os nossos esforços, ainda que limitados, por graça de Deus se fundem como ações dos membros de um único corpo – o Corpo de Cristo – na realização de um único grande projeto de salvação que abraça toda a humanidade. É através da Eucaristia que também as nossas mãos se tornam “mãos do Ressuscitado” – testemunhas da sua presença, da sua misericórdia, da sua paz – nos sinais do trabalho, dos sacrifícios, da doença, do passar dos anos, que frequentemente nelas ficam gravados, tal como na ternura de uma carícia, de um aperto de mão, de um gesto de caridade.
Queridos irmãos e irmãs, num mundo que tanto necessita de paz, isto compromete-nos, mais do que nunca, a ser assíduos e fiéis ao nosso encontro eucarístico com o Ressuscitado, para daí partirmos como testemunhas da caridade e portadores da reconciliação. Que nos ajude a fazê-lo a Virgem Maria, bem-aventurada porque foi a primeira que acreditou sem ver (cf. Jo 20, 29). (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 15

Refrão: Mostrai-nos, Senhor, o caminho da vida

Defendei me, Senhor; Vós sois o meu refúgio.
Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus.
Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
está nas Vossas mãos o meu destino.

Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,
até de noite me inspira interiormente.
O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta
e até o meu corpo descansa tranquilo.
Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena em Vossa presença,
delícias eternas à Vossa direita

SANTOS POPULARES

 


SÃO BENTO MENNI
 
Ângelo Hércules Menni nasceu em Milão, no dia 11 de Março de 1841, quinto filho de Luís Menni e de Luísa Figini. O seu pai tinha uma modesta loja e, graças à renda desse negócio, a família tinha o suficiente para escapar da pobreza sem excessos. A sua família, muito numerosa – o casal teve 15 filhos - era uma família cristã tradicional: rezavam o Terço todas as noites; ajudavam os pobres; participavam dos sacramentos, sobretudo, da missa, todos os domingos.
Aos 17 anos, após uma breve passagem por um banco, decidiu dedicar a sua vida a Deus, através da caridade. Tornou-se maqueiro, transportando os feridos que chegavam a Milão, vindos da batalha de Magenta [Batalha de Magenta, no norte de Itália, foi travada no dia 4 de Junho de 1859, durante a Segunda Guerra da Independência Italiana, contra a Império Austríaco, resultando numa vitória dos exércitos francês e piemontês, contra os austríacos Aproximadamente 6 mil soldados morreram na batalha, sendo a maioria (mais ou menos três quartos deles) austríacos. A vitória franco-piemontesa abriu caminho para a libertação de Milão, o primeiro passo para a unificação da Itália em comboios especiais. Dezenas de corpos mutilados de combatentes eram transportados da estação ferroviária para o hospital Fatebenefratelli (Fazei bem, irmãos) da Ordem de São João de Deus. O seu contacto com a vida do Hospital Fatebenefratelli provou ser crucial na sua decisão. Então, pediu para entrar no noviciado dos Irmãos de São João de Deus.
No dia 1 de Maio de 1860, entrou no noviciado, em Santa Maria d'Araceli, em Milão. Poucos dias depois, recebeu o hábito e mudou o seu nome para Bento. Um ano depois, fez os votos simples e, três anos depois, a profissão solene.
Estudou filosofia e teologia, primeiro, no Seminário de Lodi e, depois, no Colégio Romano (Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma), sendo ordenado sacerdote em 1866.
O Geral da Ordem dos Frades Menores, Padre João Maria Alfieri, percebeu, imediatamente, que tinha a pessoa ideal para uma tarefa extremamente desafiadora: restaurar a Ordem de São João de Deus, em Espanha.
No dia 14 de Janeiro de 1867, o jovem frade, então com 26 anos, foi recebido, em audiência, pelo Papa Pio IX, que confirmou a sua ida para Espanha, com a missão de restaurar a Ordem de São João de Deus. O Padre Bento Menni partiu dois dias depois.
Certamente não foi fáci,l no início. Além da difícil situação política - todas as ordens religiosas haviam sido suprimidas em Espanha - Bento encontrou obstáculos até mesmo dentro da Igreja, principalmente por parte do bispo de Barcelona. Mas ele não se deixou desanimar e começou o seu trabalho, arrecadando fundos para construir um hospital pediátrico. Poucos meses depois, o hospital foi abençoado pelo próprio bispo de Barcelona.
O Padre Bento Menni continuou o seu trabalho, não sem correr riscos de vida. Foi expulso de Espanha diversas vezes, mas sempre voltou, ainda que ilegalmente. Numa das vezes, entrou por Gibraltar, depois de ter visitado Marrocos.
Foi um enfermeiro incansável, ao lado dos seus Irmãos, durante a guerra civil.
Bento Menni foi nomeado Provincial da Província de Espanha e exerceu essa missão durante 19 anos consecutivos. Em 1903, quando deixou o cargo de Provincial, a Ordem contava com um total de quinze casas, fundadas por ele em Espanha, Portugal e México: quatro hospitais ortopédicos para crianças; seis hospitais psiquiátricos para homens; uma colónia agrícola para terapia ocupacional para doentes mentais, no hospital de Ciempozuelos; um hospital para epiléticos; um lar geriátrico; uma residência que servia como lar de repouso para padres e escola para crianças pobres; e um internato para órfãos pobres.
A restauração da Ordem, em Espanha, foi seguida, no final do século XIX, pela sua restauração em Portugal e, no início do século XX, no México.
No dia 31 de Maio de 1881, fundou a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, um instituto religioso feminino, especializado em cuidados psiquiátricos.
Em 1905, participou no Capítulo-Geral da Ordem, em Roma. Ao voltar a Espanha, foi convocado pela Santa Sé, que o nomeou Visitador-Apostólico da Fatebenefratelli (1909): iniciou as suas viagens, escreveu cartas e fez visitas pessoais às diversas províncias, na delicada missão de reavivar o espírito e a observância religiosa. Concluída essa tarefa, o Papa São Pio X nomeou-o Superior-Geral da Ordem, em 1911.
Foi acusado de violência contra uma pobre mulher com demência, no caso conhecido como "Caso Semillan", perante o Tribunal Criminal de Madrid. O processo prolongou-se durante sete anos (1895-1902) com morbidez escandalosa, fomentada pelos jornais anticlericais. Nunca quis um advogado de defesa (aceitou um apenas a pedido do Bispo de Madrid), e, em Janeiro de 1902, terminou com a condenação definitiva dos caluniadores, pelo Tribunal de Madrid.
Pior ainda foi a campanha de difamação, junto do tribunal do Santo Ofício do Vaticano, que se arrastou por quase três anos, até que, em Abril de 1896, foi anunciada a decisão oficial de que as acusações não deveriam ser levadas em consideração.
Acusado e cercado dentro da própria Ordem por um pequeno grupo de opositores influentes e conspiradores, ele, mais uma vez, recusou-se a defender-se, preferindo renunciar ao cargo de Superior-Geral, pouco mais de um ano após a sua nomeação: era 20 de Junho de 1912.
Estava em Paris, quando sofreu um ataque de paralisia; sem se recuperar totalmente, no dia 19 de Abril de 1913, mudou-se para Dinan, uma casa da Ordem, no norte de França, onde morreu na manhã do dia 24 de Abril de 1914.
O Papa João Paulo II declarou-o beato, no dia 23 de Junho de 1985. Foi canonizado, por João Paulo II, no dia 21 de Novembro de 1999. Na homilia, disse o Papa: «…"Vinde, benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo... porque adoeci e visitastes-Me" (Mt 25, 34.36). Estas palavras do Evangelho proclamado hoje serão, sem dúvida, familiares a Bento Menni, sacerdote da Ordem de São João de Deus. A sua dedicação aos doentes, vivida segundo o carisma hospitaleiro, guiou a sua existência.
A sua espiritualidade surge da própria experiência do amor que Deus tem para com ele. Grande devoto do Coração de Jesus, Rei dos céus e da terra, e da Virgem Maria, encontra nele a força para a sua dedicação caritativa ao próximo, sobretudo aos que sofrem: anciãos, crianças, escrofulosos, poliomielíticos e doentes mentais. Prestou o seu serviço à Ordem e à sociedade com humildade a partir da hospitalidade, com uma integridade irrepreensível que o converteu em modelo para muitos. Promoveu diversas iniciativas, orientando algumas jovens que formariam o primeiro núcleo do novo Instituto religioso, fundando em Ciempozuelos (Madrid), as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. O seu espírito de oração levou-o a imergir-se no mistério pascal de Cristo, fonte de compreensão do sofrimento humano e caminho para a ressurreição. Neste dia de Cristo Rei, São Bento Menni ilumina, com o exemplo da sua vida, aqueles que querem seguir as pegadas do Mestre, pelos caminhos do acolhimento e da hospitalidade…»
Os seus restos mortais repousam na Casa-Mãe, em Ciempozuelos.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 24 de Abril.

domingo, 12 de abril de 2026

EM DESTAQUE:

 


DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA
 
A Igreja, no Segundo Domingo de Páscoa, celebra a Festa da Divina Misericórdia. É uma oportunidade para que os fiéis reflitam sobre a misericórdia e a compaixão de Deus, que se manifestam de maneira plena na Ressurreição de Jesus. 
Essa data é dedicada à devoção da misericórdia de Deus com base nas revelações privadas a Santa Faustina, religiosa polaca que recebeu as mensagens de Jesus sobre sua Divina Misericórdia no povoado de Plock, na Polónia.
No ano 2000, o Papa João Paulo II canonizou santa Faustina e, durante a celebração, declarou: “É importante, então, que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da palavra de Deus neste segundo Domingo de Páscoa, que de, agora em diante, em toda a Igreja tomará o nome de ‘Domingo da Divina Misericórdia’” (Homilia, 30 de abril de 2000).
A Divina Misericórdia está vinculada, de modo especial, ao Evangelho do segundo Domingo da Páscoa, representada no momento em que Jesus apareceu aos discípulos no Cenáculo, após a Ressurreição, e lhes dá o poder de perdoar ou reter os pecados. Esse momento está narrado no Evangelho de João (cf. Jo. 20,19-31. Esta passagem refere a aparição de Jesus Ressuscitado ao Apóstolo Tomé, quando Jesus o convida a tocar nas Suas chagas oito dias depois da ressurreição. Por isso mesmo, este texto do Evangelho é utilizado na liturgia, oito dias depois da Páscoa.
Na celebração do Domingo da Divina Misericórdia, os fiéis são convidados a reflectir sobre a misericórdia de Deus e a pedir a Sua compaixão. 
A celebração do Domingo da Divina Misericórdia é uma oportunidade para os fiéis renovarem o seu compromisso com a fé, com a prática da caridade e do amor ao próximo, fundamentais para a mensagem da Divina Misericórdia.

DA PALAVRA DO SENHOR

II DOMINGO DA PÁSCOA 

 

“…Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos,
à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações.
Perante os inumeráveis prodígios e milagres
realizados pelos Apóstolos,
toda a gente se enchia de terror.
Todos os que haviam abraçado a fé
viviam unidos e tinham tudo em comum.
Vendiam propriedades e bens
e distribuíam o dinheiro por todos,
conforme as necessidades de cada um.
Todos os dias frequentavam o templo,
como se tivessem uma só alma,
e partiam o pão em suas casas;
tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração,
louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo.
E o Senhor aumentava todos os dias
o número dos que deviam salvar se…” (
cf. Actos dos Apóstolos 2, 42-47)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro, Roma,  no dia 8 de Abril de 2026
 
Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
 
A Constituição do Concílio Vaticano II Lumen gentium (LG) sobre a Igreja dedica um capítulo inteiro, o quinto, à vocação universal à santidade de todos os fiéis: cada um de nós é chamado a viver na graça de Deus, praticando as virtudes e conformando-se a Cristo. De acordo com a Constituição conciliar, a santidade não é um privilégio para poucos, mas um dom que compromete cada baptizado a tender à perfeição da caridade, ou seja, à plenitude do amor a Deus e ao próximo. Com efeito, a caridade é o coração da santidade à qual todos os crentes são chamados: infundida pelo Pai, mediante o Filho Jesus, esta virtude «dirige todos os meios de santificação, informa-os e leva-os ao seu fim» (LG, 42). O nível mais elevado da santidade, como na origem da Igreja, é o martírio, «supremo testemunho de fé e caridade» (LG, 50): por este motivo, o texto conciliar ensina que todos os crentes devem estar prontos a confessar Cristo até ao sangue (cf. LG, 42), como sempre aconteceu e acontece ainda hoje. Esta disponibilidade para o testemunho realiza-se cada vez que os cristãos deixam sinais de fé e amor na sociedade, comprometendo-se em prol da justiça.
Todos os Sacramentos, de modo eminente a Eucaristia, são alimento que faz crescer uma vida santa, assimilando cada pessoa a Cristo, modelo e medida da santidade. Ele santifica a Igreja, da qual é Cabeça e Pastor: nesta perspectiva, a santidade é seu dom, que se manifesta na nossa vida quotidiana sempre que o acolhemos com júbilo e lhe correspondemos com dedicação. A este propósito, na Audiência-Geral de 20 de Outubro de 1965, São Paulo VI recordava que, para ser autêntica, a Igreja quer que todos os baptizados «sejam santos, isto é, verdadeiramente seus filhos dignos, fortes e fiéis». Isto realiza-se como transformação interior, pela qual a vida de cada pessoa se conforma a Cristo em virtude do Espírito Santo (cf. Rm 8, 29; LG, 40).
A Lumen gentium descreve a santidade da Igreja católica como uma sua característica constitutiva, a receber na fé, dado que ela é considerada «indefectivelmente santa» (LG, 39): isto não significa que o seja de maneira plena e perfeita, mas que é chamada a confirmar este dom divino durante a sua peregrinação rumo à meta eterna, caminhando «no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus» (Santo Agostinho, De civ. Dei 51, 2; LG, 8). A triste realidade do pecado, na Igreja, isto é, em todos nós, convida cada um a efectuar uma séria mudança de vida, confiando-nos ao Senhor, que nos renova na caridade. É precisamente esta graça infinita, que santifica a Igreja, que nos confia uma missão a cumprir, dia após dia: a da nossa conversão. Por isso, a santidade não tem apenas uma natureza prática, como se fosse redutível a um compromisso ético, por maior que seja, mas diz respeito à própria essência da vida cristã, pessoal e comunitária.
Nesta óptica, adquire um papel decisivo a vida consagrada, abordada pela Constituição conciliar no capítulo sexto (cf. nn. 43-47). No santo povo de Deus, ela constitui um sinal profético do mundo novo, experimentado no aqui e agora da história. Efectivamente, sinais do Reino de Deus, já presente no mistério da Igreja, são os conselhos evangélicos que dão forma a cada experiência de vida consagrada: a pobreza, a castidade e a obediência. Estas três virtudes não são prescrições que acorrentam a liberdade, mas dons libertadores do Espírito Santo, mediante os quais alguns fiéis se consagram totalmente a Deus. A pobreza expressa a plena confiança na Providência, libertando do cálculo e do próprio interesse; a obediência tem como modelo o dom de si que Cristo fez ao Pai, libertando da suspeita e do predomínio; a castidade é a doação de um coração íntegro e puro no amor, ao serviço de Deus e da Igreja.
Conformando-se a este estilo de vida, as pessoas consagradas dão testemunho da vocação universal à santidade de toda a Igreja, sob a forma de um seguimento radical. Os conselhos evangélicos manifestam a plena participação na vida de Cristo, até à cruz: é precisamente pelo sacrifício do Crucificado que todos somos redimidos e santificados! Contemplando este acontecimento, sabemos que não existe experiência humana que Deus não redima: até o sofrimento, vivido em união com a paixão do Senhor, se torna caminho de santidade. Assim, a graça que converte e transforma a vida fortalece-nos em todas as provações, indicando-nos como meta não um ideal distante, mas o encontro com Deus, que se fez homem por amor. A Virgem Maria, santíssima Mãe do Verbo encarnado, apoie e ampare sempre o nosso caminho! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 117 

Refrão: Aclamai o Senhor porque Ele é bom,

              o seu amor é para sempre

 

Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Aarão:
é eterna a sua misericórdia.
Digam os que temem o Senhor:
é eterna a sua misericórdia.

Empurraram-me para cair,
mas o Senhor me amparou.
O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória,
foi Ele o meu Salvador.
Gritos de júbilo e de vitória nas tendas dos justos:
a mão do Senhor fez prodígios.

A pedra que os construtores rejeitaram
tornou se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Este é o dia que o Senhor fez:
exultemos e cantemos de alegria.

SANTOS POPULARES

 


BEATA MARIA DA ENCARNAÇÃO
 
Bárbara Avrillot Acarie nasceu em Paris, no dia 1 de Fevereiro de 1566, filha de Nicolau Avrillot - Senhor de Champlatreux, Contador-Geral na Câmara de Paris e chanceler de Margarida de Navarra, primeira esposa de Henrique IV, da França – e de Maria Lhuillier - descendente de Etienne Marcel, famoso chefe dos magistrados municipais. 
Como era costume entre a nobreza da época, a educação das meninas ou das adolescentes era confiada a congregações religiosas femininas. Ainda adolescente, Bárbara foi confiada às Irmãzinhas de Nossa Senhora da Humildade, que residiam em Longchamp. Ao voltar para a sua família, por volta dos 14 anos, não lhe foi permitido escolher a vida religiosa. Então, aos 16 anos, casou-se com Pedro Acarie, Visconde de Villemor, Senhor de Montbrost e Roncenay, um homem de moral imaculada.
Do seu casamento, nasceram seis filhos. Como esposa e mãe deu, a todos, testemunho de que é possível viver a vida com verdadeiro sentido de espiritualidade e religiosidade, em conformidade com os mandamentos de Deus: foi sempre mãe e esposa dedicada; cumpria os seus deveres, incluindo a administração do lar e o cuidado com os seus empregados. Era um exemplo vivo de como os cônjuges cristãos podiam caminhar juntos no caminho da santidade.
Dedicou-se, activamente, a ajudar os necessitados, especialmente durante o cerco de Paris, em 1590, durante as Guerras de Religião, que opuseram huguenotes e católicos aos espanhóis, com intervenção militar sob o reinado de Henrique IV.
Fiel à Igreja, participou na luta contra a heresia protestante, que tentava espalhar-se em França. Deus agraciou-a com extraordinárias graças místicas, mas também enviou-lhe provações externas e internas. O rei Henrique IV exilou o seu marido depois da derrota da Liga à qual ele pertencia. A sua ingratidão feriu-lhe o coração, mas ela lutou para que ele fosse reabilitado. A luta durou quatro anos, no final dos quais a voltou a família reuniu-se e os seus bens foram devolvidos.
Bárbara conheceu Francisco de Sales (São Francisco de Sales) que a apoiou e actuou como seu guia espiritual. Em 1601, após ler os escritos de Santa Teresa de Jesus, ela, uma leiga, quis fazer tudo o que estava ao seu alcance para introduzir a reforma carmelita, em França. Em 1602, recebeu as primeiras vocações e obteve autorização do Rei, que a tinha em alta estima. Em 1603, o Papa Clemente VIII autorizou a fundação do seu Instituto religioso e ela construiu o primeiro mosteiro.
Em 29 de Agosto de 1604, seis freiras carmelitas descalças chegaram de Espanha, incluindo a futura Beata Ana de São Bartolomeu e a futura Serva de Deus, Ana de Jesus. Em 17 de Outubro, teve início a vida monástica regular, em Paris.
Bárbara Avrillot teve a felicidade de ver as suas três filhas entrarem no Carmelo e de ver a expansão das sedes para Pontoise, Dijon e Amiens, em 1605-06.
Em 1613, o seu marido, Pedro, adoeceu gravemente e, nove dias depois, faleceu em paz, como um justo, assistido pela sua esposa e consolado pela confirmação celestial da sua salvação eterna.
Em 7 de Abril de 1614, livre de todos os deveres e laços terrenos, entrou no Convento Carmelita de Amiens, como freira leiga, adoptando o nome ‘Maria da Encarnação’.
Viveu a sua vida de clausura com humildade, trabalhando na cozinha e cuidando das irmãs doentes. Sofreu muito com os desentendimentos que surgiram com a chegada de uma nova prioresa, vinda de outro convento carmelita. Experimentou muitos êxtases e visões que a confortaram durante as suas longas enfermidades e sofrimentos.
Devido à saúde frágil, foi transferida para o Convento Carmelita de Pontoise em 7 de Dezembro de 1616, e, ali, após uma longa enfermidade, faleceu, no dia 18 de Abril de 1618. O seu corpo foi sepultado na Capela do Convento, em Pontoise.
As vicissitudes em torno do decreto do Papa Urbano VIII fizeram com que a causa de sua beatificação fosse retomada e aberta somente em 1782.
Bárbara Avrillot Acarie (Irmã Maria da Encarnação) foi beatificada pelo Papa Pio VI, em 5 de Junho de 1791.
Ela é considerada a "mãe e fundadora do Carmelo, em França" por ter sido a que mais contribuiu para a difusão da reforma carmelita de Santa Teresa de Ávila.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 18 de Abril.

domingo, 5 de abril de 2026

EM DESTAQUE:


*DOMINGO DE PÁSCOA

 
A palavra «Páscoa» vem do hebraico pesah, que parece significar «coxear, saltar, passar por cima», talvez aludindo a algum «salto» ritual e festivo. Mas, depressa, passou a referir-se ao facto de que Javé «passou ao largo» pelas portas dos israelitas, no último castigo infligido aos egípcios, e, mais tarde, à passagem do Mar Vermelho, no trânsito da escravidão para a liberdade. A Vulgata [Tradução da Bíblia para o latim, feita por um estudioso da Bíblia, chamado Eusebius Hieronymus, mais conhecido como Jerónimo. Essa tradução foi terminada por volta d o ano 405. Naquela época, havia várias traduções da Bíblia em latim antigo, mas não eram boas traduções. Jerónimo recebeu a tarefa de corrigir esse problema e fazer uma tradução padrão, em latim] traduziu esta passagem por «transitus Domini». No aramaico, a palavra é pasha, que deu origem ao grego pascha. Outra interpretação colhida durante séculos foi a de «Páscoa-Paixão», de «padecer»; em grego, paschein.
A Páscoa, no NT, é uma categoria fundamental para entender a obra salvadora de Cristo e da Eucaristia. Como diz João (Jo 13,1), «antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai…»: portanto, agora é o êxodo, o salto, a passagem de Cristo para o Pai, na sua hora crucial da morte e ressurreição, o que dá sentido novo e pleno à Páscoa judaica. Na morte e ressurreição, em que Cristo é o verdadeiro Cordeiro pascal, Ele ofereceu o sacrifício definitivo e conseguiu a Nova Aliança, a reconciliação de Deus com a humanidade, e deu origem ao novo povo da Igreja. S. Paulo dá a entender, claramente, que a Páscoa tem agora um sentido novo para os cristãos: Cristo nossa Páscoa foi quem se imolou (cf. 1Cor 5,7-8).
A Páscoa, no NT, é uma categoria fundamental para entender a obra salvadora de Cristo e da Eucaristia. Como diz João (Jo 13,1), «antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai…»: portanto, agora é o êxodo, o salto, a passagem de Cristo para o Pai, na sua hora crucial da morte e ressurreição, o que dá sentido novo e pleno à Páscoa judaica. Na morte e ressurreição, em que Cristo é o verdadeiro Cordeiro pascal, Ele ofereceu o sacrifício definitivo e conseguiu a Nova Aliança, a reconciliação de Deus com a humanidade, e deu origem ao novo povo da Igreja. S. Paulo dá a entender, claramente, que a Páscoa tem agora um sentido novo para os cristãos: Cristo nossa Páscoa foi quem se imolou (cf. 1Cor 5,7-8).
E, assim, como os Judeus, em cada ano, fazem o memorial da sua Páscoa-Êxodo, sobretudo na ceia pascal, também os cristãos recebem o encargo de celebrar - com um ritmo mais frequente - o memorial da Páscoa de Cristo, que é a Eucaristia. Fosse ou não fosse pascal - no seu sentido histórico judaico - a ceia de despedida de Jesus, a comunidade cristã entendeu que Ele dava novo e definitivo sentido pascal à sua morte e, portanto, também à celebração da Eucaristia.
Parece que, em meados do século II, a comunidade cristã, além do domingo semanal, celebrava, cada ano, a Festa da Páscoa, como centro de toda a sua memória de Cristo, mas com a diferença de que, enquanto na Ásia Menor e Oriente, a celebravam sempre no dia 14 de Nisan, em Roma e no Ocidente, tinha-se estabelecido o domingo seguinte a essa data, dando prioridade à tradição dominical, em vez da data celebrada pelos Judeus. Os orientais, apelando à tradição do Apóstolo João, sublinham mais a Paixão e Morte de Cristo, enquanto os ocidentais, apelando ao Apóstolo Pedro, celebram mais a ressurreição.
As controvérsias durarão muito tempo: primeiro, com o papa Aniceto e o bispo Policarpo, e, a seguir, com o papa Vítor. O Concílio de Niceia, em 325, estabeleceu, para todos, a norma romana: a Páscoa celebrar-se-á no domingo seguinte à Lua Cheia, depois do Equinócio da Primavera, data que pode cair entre 22 de Março e 25 de Abril. Mas, como sucedeu que, no século XVI, os orientais não aceitaram a reforma «gregoriana» do calendário, continua ainda a haver uma diferença na data da Páscoa, entre as duas Igrejas.
O Papa Pio XII empreendeu, em 1951, a reforma da celebração da Páscoa, que tinha chegado a um grau muito pobre de expressividade e participação. Por exemplo, a Vigília celebrava-se às primeiras horas de sábado, e ele passou-a para a noite de Sábado para Domingo.
Agora, no calendário renovado, a Páscoa ocupa o lugar central de todo o ano: «Em cada semana, no dia a que foi dado o nome de “domingo”, a Igreja comemora a Ressurreição do Senhor, que é celebrada, também, em cada ano, juntamente com a sua bem-aventurada Paixão, na grande solenidade da Páscoa» (NG 1). «O sagrado Tríduo da Paixão e Ressurreição do Senhor é o ponto culminante de todo o ano litúrgico» (NG 18; cf. SC 5.106). «É a Festa das festas», a «Solenidade das solenidades». «O Mistério da Ressurreição, em que Cristo aniquilou a morte, penetra no nosso velho tempo com a sua poderosa energia, até que tudo lhe seja submetido» (CIC 1169). A festa prolonga-se, antes de mais, numa oitava solene, que termina no Domingo «in albis», (agora, Domingo da Misericórdia) e, depois, noutras seis semanas, até completar o número de cinquenta, com a festa do Pentecostes. (cf. José Aldazábal, in Dicionário elementar de liturgia)
 
 
AOS NOSSOS AMIGOS E LEITORES, DESEJAMOS UMA PÁSCOA FELIZ, NA PAZ E NA ALEGRIA. QUE O SENHOR JESUS RESSUSCITADO ENCHA O VOSSO CORAÇÃO COM A FESTA DE UMA GRANDE BÊNÇÃO.

DA PALAVRA DO SENHOR

 


DOMINGO DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR     

 

“…Se ressuscitastes com Cristo,
aspirai às coisas do alto,
onde está Cristo, sentado à direita de Deus.
Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra.
Porque vós morrestes,
e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar,
também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória…” (
cf. Colossenses 3,1-4)

 


PALAVRA DO PAPA LEÃO



- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro, Roma,  no dia 1 de Abril de 2026

Irmãos e irmãs, bom dia!

Continuamos o nosso caminho de reflexão sobre a Igreja, como nos é apresentada na Constituição conciliar Lumen Gentium (LG). Hoje, vamos abordar o quarto capítulo, que trata dos leigos. Recordemos todos o que o Papa Francisco gostava de repetir: «A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu serviço, está uma minoria: os ministros ordenados» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 102). Esta parte do Documento preocupa-se em explicar em positivo a natureza e a missão dos leigos, após séculos em que eles eram definidos simplesmente como aqueles que não fazem parte dos clérigos ou dos consagrados. Por isso, apraz-me reler convosco um trecho muito bonito, que manifesta a grandeza da condição cristã: «Um só é, pois, o Povo de Deus: “Um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo” (Ef 4, 5); comum é a dignidade dos membros, pela regeneração em Cristo; comum a graça de filhos, comum a vocação à perfeição; uma só salvação, uma só esperança e uma caridade indivisa» (LG, 32). Antes de qualquer diferença de ministério ou de estado de vida, o Concílio afirma a igualdade entre todos os baptizados. A Constituição não quer que se esqueça o que já tinha afirmado, no capítulo sobre o povo de Deus, ou seja, que a condição do povo messiânico é a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus (cf. LG, 9). Naturalmente, quanto maior é o dom, tanto maior é, também, o compromisso. Por isso, o Concílio, além da dignidade, realça, inclusive, a missão dos leigos, na Igreja e no mundo. Mas onde se fundamenta esta missão e em que consiste? É a própria descrição dos leigos, proposta pelo Concílio, que nos dá a resposta: «Por leigos entendem-se aqui todos os fiéis cristãos [...] que, incorporados em Cristo pelo Baptismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o povo cristão, na Igreja e no mundo» (LG, 31). Portanto, o santo povo de Deus nunca é uma massa informe, mas o corpo de Cristo ou, como dizia Santo Agostinho, o Christus totus: é a comunidade organicamente estruturada, em virtude da fecunda relação entre as duas formas de participação no sacerdócio de Cristo: sacerdócio comum dos fiéis e sacerdócio ministerial (cf. LG, 10). Em virtude do Baptismo, os fiéis leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo. Com efeito, «o supremo e eterno sacerdote, Cristo Jesus, querendo, também, por meio dos leigos, continuar o seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo seu Espírito e, sem cessar, os incita a toda a obra boa e perfeita» (LG, 34). Como deixar de recordar, a tal propósito, São João Paulo II e a sua Exortação apostólica Christifideles laici (30 de Dezembro de 1988)? Nela, ele frisava que «o Concílio, com o seu riquíssimo património doutrinal, espiritual e pastoral, dedicou páginas maravilhosas à natureza, dignidade, espiritualidade, missão e responsabilidade dos fiéis leigos. E os Padres conciliares, fazendo eco do chamamento de Cristo, convidaram todos os fiéis leigos, homens e mulheres, a trabalhar na sua vinha» (n. 2). Deste modo, o meu venerado Predecessor relançava o apostolado dos leigos, ao qual o Concílio dedicara um Documento específico, de que falaremos mais adiante. [1] O vasto campo do apostolado dos leigos não se limita ao espaço da Igreja, mas dilata-se ao mundo. Com efeito, a Igreja está presente onde quer que os seus filhos professem e testemunhem o Evangelho: nos ambientes de trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas, onde eles, com as suas escolhas, mostram a beleza da vida cristã, que antecipa aqui e agora a justiça e a paz que serão plenas, no Reino de Deus. É necessário que o mundo «seja penetrado do espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja, mais eficazmente, o seu fim» (LG, 36). E isto só é possível com a contribuição, o serviço e o testemunho dos leigos! É o convite a ser aquela Igreja “em saída” de que nos falava o Papa Francisco: uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão, na qual todos somos chamados a ser discípulos-missionários, apóstolos do Evangelho, testemunhas do Reino de Deus, portadores da alegria de Cristo que encontramos! Irmãos e irmãs, a Páscoa que nos preparamos para celebrar renove em nós a graça de ser, como Maria de Magdala, Pedro e João, testemunhas do Ressuscitado! (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



PÁSCOA 2026
 
Senhor Jesus Ressuscitado:
Aceita o nosso louvor e a nossa oração,
feita de piedade, de comunhão e de fé.
Celebramos a Tua Páscoa com o coração cheio de dor,
de lágrimas e de inquietação.  
O Mundo, por quem deste a vida,
esqueceu o dom da Tua paz
e enveredou pelo caminho da guerra,
do ódio, da intolerância e da morte.
Olha, Senhor, os povos que sofrem;
as famílias que choram;
as crianças feridas e sem futuro;
os mortos que encheram vidas de luto,
de dor e de sofrimento.
Como podemos cantar a Tua Páscoa
ao som das bombas, da violência,
dos lamentos, da vergonha e da morte?...
 
Salva-nos, Senhor!... Esperamos em Ti!...
Dá aos nossos corações o dom da esperança;
a certeza do Teu amor e da Tua paz.
Concede às nossas famílias a graça da ternura,
do diálogo, do perdão e do saber recomeçar.
Perdoa os nossos pecados
que dão origem à divisão, ao rancor, à tristeza e à vingança.
Que a luz da Tua Ressurreição
brilhe nas nossas almas e no mundo inteiro
e seja a fonte da nossa alegria.
Jesus, faz-nos ressuscitar, Contigo. 
Amém.
 

 

- SALMO 117

 

Refrão: Eis o dia que fez o Senhor

              nele exultemos e nos alegremos!

 

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.

 

A mão do Senhor fez prodígios,
a mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas hei-de viver,
para anunciar as obras do Senhor.

 

A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.

 


SANTOS POPULARES



SÃO JOÃO BAPTISTA DE LA SALLE
 
João Baptista de La Salle nasceu em Reims, França, ano dia 30 de Abril de 1651, no reinado de Luís XIV, numa época de riqueza económica, cultural e humana - cultural para poucos - e de pobreza, principalmente, educacional e religiosa para muitos. Era filho primogénito, entre 11 irmãos, de Luís de La Salle (Conselheiro do Rei) e de Nicole Möet (da nobreza de Reims).
Desde os 10 anos, sentia-se chamado ao sacerdócio. Iniciou os seus estudos no Colégio dos Bons Meninos, na sua cidade natal. Realizou, depois, estudos de Filosofia e Teologia, na Universidade de Reims e na Sorbone, em Paris.
João doutorou-se em Teologia, e, aos 27 anos de idade, foi ordenado sacerdote. O seu sonho era ser um bom pároco. Mas Deus encaminhou-o para a missão de criar escolas para crianças pobres. Para isso, teve de preparar educadores. Reuniu os professores em comunidade, e tornou-os religiosos educadores leigos, consagrados a Deus no serviço da educação humana e cristã da infância e da juventude. E esses educadores passaram a se chamar “Irmãos das Escolas Cristãs”, também conhecidos por Irmãos Lassalistas.
Ao falecer, aos 68 anos de idade, em 1719, o Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, por ele fundado, estava presente em diversas regiões da França. La Salle foi um pioneiro na educação. Fundou a primeira Escola Normal (Magistério) com a respectiva Escola de Aplicação para exercitar os normalistas no acto de educar. Foi um dos primeiros organizadores do Ensino Fundamental e um dos precursores do Ensino Popular. Criou, também, instituições de Recuperação de Menores delinquentes e escolas de Ensino Médio Profissional para jovens e adultos.
Alguns dos princípios que fundamentam a sua acção pedagógica são: o ensino é um direito de todos: deve ser gratuito para os pobres; a escola cristã é uma presença evangelizadora da Igreja, e deve humanizar, realizando a síntese entre a fé e a cultura; a escola desenvolve um ensino de qualidade, uma séria formação dos educadores e dos educandos, e constitui-se numa comunidade educativa; ao educador cabe conhecer e amar os seus alunos e consagrar-lhes “firmeza de pai e ternura de mãe”; o educando prepara-se para a vida mediante uma aprendizagem ampla e prática, através da participação activa nas aulas e na vida escolar.
João Baptista de La Salle faleceu no dia 7 de Abril de 1719, em Rouen, França
La Salle, pela sua vida e acção em prol da educação humana e cristã da infância e da juventude, foi beatificado no dia 19 de Fevereiro de 1888, na Basílica de São Pedro, pelo Papa Leão XIII e canonizado, pelo mesmo Papa, no dia 24 de Maio de 1900.
Em 15 de Maio de 1950, o Papa Pio XII proclamou-o ‘Padroeiro Universal dos Educadores’.
A memória litúrgica de São João Baptista de la Salle é celebrada no dia 7 de Abril.