BEATO JOSÉ
OUTHAY PHONGPHUMI
José Outhay Phongphumi nasceu em Kham Koem, uma
vila agrícola no nordeste da Tailândia, por volta do Natal de 1933. Foi
baptizado no mesmo dia. A sua aldeia foi uma das primeiras a ser evangelizada
pelos padres da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris, que serviam um
vasto território entre o Laos e o Sião (hoje, Tailândia).
Outhay era o décimo de
vinte e dois filhos. Quase todos morreram jovens ou prematuramente. O seu pai,
Paulo Khrua, era catequista e não se deixou intimidar pela perseguição que
começou, em Sião, em Dezembro de 1940. De facto, ele acolheu, na sua casa, a
Irmã Verónica, membro das Amantes da Cruz, que tinha sido proibida de usar o
hábito religioso e de viver em comunidade. As suas irmãs perceberam,
imediatamente, que a presença da Irmã Verónica ao lado da de sua mãe, era muito
importante para José.
Quando terminou este período de perseguição, José tinha doze anos: era inteligente,
talentoso e muito religioso. Por esse motivo, foi enviado para o Seminário Menor,
administrado pelos Salesianos, em Bang Nok Khuek (Ratchaburi), o único do paí,
na época.
Após concluir os seis
anos de estudos secundários, voltou para a sua aldeia. Não se sabe por que
deixou o Seminário: talvez porque, nessa altura, a sua mãe e os seus irmãos
mais velhos tinham falecido. Ficando a ser mais velho, tinha de cuidar do pai e
dos quatro irmãos mais novos que lhe restavam.
As suas irmãs recordavam
que ele era dotado de um carácter honesto, que não deixava ninguém indiferente.
Apaixonado pela fé cristã, como aprendera com o pai, presidia às orações e aos
cânticos na igreja; fazia as leituras e, às vezes, ensinava o catecismo.
Quando atingiu a idade
para casar, foi apresentado a uma prima, Maria Khamtan. Casaram-se no dia 17 de
Fevereiro de 1953: José tinha cerca de dezanove anos; Maria tinha vinte e cinco
anos. Contudo, pouco depois, ficou viúvo: a sua esposa morreu no parto e, três
meses depois, morreeeu, também, a sua única filha.
Cansado destas perdas, José Outhay aceitou
a proposta do Padre Noël Tenaud, da Sociedade das Missões Estrangeiras de
Paris, que havia sido pároco da comunidade cristã de Kham Koem e era
missionário na província de Khammouan, no Laos, além de vice-prefeito da
recém-fundada Prefeitura Apostólica de Thakhek.
Ele buscava novos membros
para melhor organizar a evangelização naquele vasto território e, portanto,
convidou o jovem viúvo a acompanhá-lo, após o período necessário de formação na
escola de Sriracha, no sul da Tailândia.
Outhay aceitou com
alegria, apesar de sofrer com a separação da família, que compreendia o seu
desejo de novos desafios. Depois, em espírito de lealdade e gratidão, procurava
visitar a família, pelo menos uma vez por ano.
Esteve ao lado do Padre
Tenaud durante os seus últimos três anos na paróquia de Pongkiou, perto de
Thakhek, um importante centro de atendimento à minoria étnica Sô. Dedicou-se,
em particular, a formar os catequistas aprendizes, aos quais demonstrou o lado
sério do seu carácter. Por outro lado, era capaz de fazer as Irmãs dos Amantes
da Cruz sorrirem, e elas guardavam dele boas lembranças. Dedicou todos os seus
melhores recursos a compartilhar o Evangelho com os outros.
Em Junho de 1958, o Padre
Tenaud voltou a França para um ano de descanso. Isso, somado a um período em
que chegou a passar fome, levou José Outhay a regressar à sua aldeia natal.
Quando estava à beira do desespero, mas ainda confiando na Providência, entrou
em contacto com o Padre Miguel Kien Samophithak, o sacerdote tailandês que
celebrava a missa dominical na paróquia de Kham Koem.
Nomeado vigário-apostólico
de Tharé, em Fevereiro de 1959, conheceu Outhay melhor e ficou, favoravelmente,
impressionado. A sua intenção era fundar uma congregação de irmãos professores
e pensou que poderia ser um de seus pilares. Então, convidou-o para morar na
residência episcopal. O jovem, que não tinha outro pensamento senão servir a
Deus e à Igreja, aceitou.
Monsenhor Miguel Kien foi ordenado Bispo, em Julho
de 1959, e tomou posse do vicariato. Mas, por volta da mesma época, o Padre
Noël Tenaud voltou com uma nova missão: aceitou uma paróquia, praticamente
inexistente, numa província completamente desprovida de cristãos, onde a
evangelização ainda não havia começado. Com sede em Savannakhet, ele visitava
as aldeias perto da fronteira com o Vietname, na esperança de criar uma nova
comunidade cristã. Por esse motivo, pediu ao bispo – entre lágrimas, como
observou a irmã de José Outhay - que dispensasse José e para que retomasse o
trabalho em equipa, com ele.
José não hesitou em
acompanhá-lo nas suas viagens de evangelização. Estava ciente dos riscos que
poderia enfrentar, dada a situação política, cada vez mais complicada, no Laos.
O missionário e o
catequista fixaram residência se em Xepone, mas, também, tinham uma pequena
residência na cidade de Savannakhet, onde podiam passar alguns dias de descanso
e retiro. Enquanto os moradores locais mantinham certo distanciamento dos
padres, com José Outhay eles abriram-se mais facilmente.
Em Abril de 1961, o Padre
Tenaud partiu com ele, e com um jovem cristão surdo-mudo, para visitar as
aldeias que lhe haviam sido confiadas. Ao chegarem ao acampamento de Seno (Xenô),
os militares franceses alertaram-nos para o facto de que os norte-vietnamita
estavam a preparar um ataque naquela área e aconselharam-nos, formalmente, a
não continuarem a viagem. Mais adiante, um pastor protestante confirmou a má
notícia, mas eles decidiram continuar.
Quando chegaram ao centro
da ofensiva, procuraram voltar a trás, mas a estrada estava bloqueada, logo a
seguir a Falana, a cerca de cinquenta quilómetros de Savannakhet. Os três
viajantes refugiaram-se, então, numa aldeia, perto da estrada, mas foram
traídos pelos seus habitantes. Foram presos por soldados norte-vietnamitas, e
obrigados a voltar a Falana.
Na estrada, entre Muang Phine
e Falana, foram emboscados: os soldados foram mortos, o Padre Tenaud foi ferido
numa perna e José Outhay foi baleado no pescoço. Levados de volta a Falana, receberam
tratamento, enquanto o menino surdo-mudo foi libertado.
Oito dias depois, o
missionário pediu à administração provisória, estabelecida na área, permissão
para voltar retornar a Savannakhet, com Outhay. Algumas testemunhas viram-nos a
sair do escritório da administração. A partir de então, não tiveram mais
notícias deles, nem chegaram ao seu destino.
Em 1963, diversos
testemunhos levaram à crença de que ambos estavam desaparecidos. A Sociedade
das Missões Estrangeiras registrou, então, a morte do Padre Tenaud, na data
presumida de 15 de Dezembro de 1962. Um comunicado oficial da Embaixada de França,
no Laos, datado de 19 de Abril de 1967, retrocedeu a data do seu assassinato
para o dia 27 de Abril de 1961. A razão principal para o incidente foi,
provavelmente, a tentativa dos guerrilheiros de erradicar o cristianismo do
Laos: era visto como uma ameaça e, consequentemente, os missionários eram
vistos como "inimigos do povo".
Os nomes do
Padre Noël Tenaud e de José Outhay Phongphumi foram incluídos numa lista de
quinze padres e leigos diocesanos e missionários mortos no Laos e no Vietname,
entre 1954 e 1970, encabeçada pelo padre laosiano José Thao Tiên. A fase
diocesana do processo de beatificação, que recebeu o nihil obstat da Santa Sé,
em 18 de Janeiro de 2008.
A beatificação conjunta dos dezassete mártires
foi marcada para o domingo, 11 de Dezembro de 2016, em Vientiane, Laos. Presidiu
à celebração, como enviado do Santo Padre, o Cardeal Orlando Quevedo, Arcebispo
de Cotabato, nas Filipinas, e Missionário Oblato de Maria Imaculada.
A memória litúrgica do
beato José Outhay Phongphumi é celebrada no dia 27 de Abril.