PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… O teu irmão ressuscitará?…” (cf. João 11, 23) O Evangelho deste quinto Domingo da Quaresma é o da Ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11, 1-45). Lázaro era irmão de Marta e de Maria; eram muito amigos de Jesus. Quando Ele chegou a Betânia, Lázaro já estava morto há quatro dias; Marta correu ao encontro do Mestre e disse-lhe: «Se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido!» (v. 21). Jesus respondeu-lhe: «Teu irmão há-de ressuscitar» (v. 23); e acrescenta: «Eu sou a Ressurreição e a Vida; aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá» (v. 25). Jesus mostra-se como o Senhor da vida, Aquele que é capaz de dar vida até mesmo aos mortos. Depois chega Maria e outras pessoas, todas em lágrimas, e então Jesus - diz o Evangelho - «comoveu-Se profundamente [...] e chorou» (vv. 33-35). Com esta perturbação no coração, foi ao túmulo, agradece ao Pai que sempre o escuta, manda abrir o túmulo bradou em voz alta: «Lázaro, sai para fora» (v. 43). E Lázaro saiu tendo «os pés e as mãos ligados com faixas e o rosto envolto num sudário» (v. 44). Aqui constatamos diretamente que Deus é vida e dá vida, mas Ele assume o drama da morte. Jesus poderia ter evitado a morte do seu amigo Lázaro, mas ele quis fazer sua a nossa dor pela morte de entes queridos, e acima de tudo ele quis mostrar o domínio de Deus sobre a morte. Neste trecho do Evangelho, vemos que a fé do homem e a omnipotência de Deus, do amor de Deus procuram-se e, por fim, encontram-se. É como um caminho duplo: a fé do homem e a omnipotência do amor de Deus que se procuram, no final encontram-se. Vemo-lo no grito de Marta e de Maria e de todos nós com elas: «Se Tu estivesses aqui!...». E a resposta de Deus não é um discurso, não, a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: «Eu sou a Ressurreição e a Vida... Tende fé! No meio do choro continuai a ter fé, mesmo que a morte pareça ter vencido. Tirai a pedra do vosso coração! Que a Palavra de Deus restitua a vida onde há a morte». Ainda hoje Jesus nos repete: «Tirai a pedra». Deus não nos criou para o túmulo, Ele criou-nos para a vida, bela, boa, alegre. Mas «a morte entrou no mundo por inveja do diabo» (Sb 2, 24), diz o Livro da Sabedoria, e Jesus Cristo veio para nos libertar dos seus laços. Por isso, somos chamados a remover as pedras de tudo o que cheira a morte: por exemplo, a hipocrisia com que se vive a fé é morte; a crítica destrutiva dos outros é morte; a ofensa, a calúnia, é morte; a marginalização dos pobres é morte. O Senhor pede-nos para remover estas pedras do coração, e a vida então florescerá novamente ao nosso redor. Cristo vive, e aquele que o acolhe e adere a ele entra em contacto com a vida. Sem Cristo, ou fora de Cristo, não só a vida não está presente, mas cai-se de novo na morte. A ressurreição de Lázaro é também um sinal da regeneração que se dá no crente através do Batismo, com plena inserção no Mistério Pascal de Cristo. Pela ação e poder do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida e que vai em direção à vida. Que a Virgem Maria nos ajude a ser tão compassivos quanto o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. Que cada um de nós esteja próximo daqueles que estão na prova, tornando-se para eles um reflexo do amor e ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida. (cf. Papa Francisco, na Oração do Angelus, Vaticano - Roma, no dia 29 de Março de 2020.

domingo, 22 de março de 2026

EM DESTAQUE:

 


*VISITA PASCAL EM SANTA MARIA DA FEIRA


ITINERÁRIOS


DOMINGO DE PÁSCOA – 5 de abril 2026

 

1.                Juiz da Cruz: António Manuel Teixeira - 919212320

Manhã: Largo de Camões; Rua Dr. Roberto Alves; Rotunda do Rotary; Largo Dr. Gaspar Moreira; Largo da Misericórdia; Rua Dr. Elísio de Castro e Rua dos Descobrimentos.

Tarde: Rua Dr. Elísio de Castro; Largo Sampaio Maia; Rua Cândido de Pinho; Rotunda do Hospital; Rua Dr. João de Magalhães; Av. 25 de Abril; Rua Dr. Vitorino Sá; Rua Bispo Dom Sebastião Soares Resende; Beco de Rolães; Largo Dr. Aguiar Cardoso; Rua Comendador Sá Couto; Rua da Pedreira; Rua de S. Sebastião; Rua das Penas; Rua João Caracol e Rua Comendador Sá Couto.

 

2.                Juiz da Cruz: Roberto Carlos Reis – 965506359

Manhã: Rua do Inatel; Rua Dr. Santos Carneiro (limite com a Av. Dr. Belchior Cardoso da Costa); Rua Dr. Vaz Ferreira (limite Rua das Fogaceiras); Rua Óscar Pinto; Rua das Fogaceiras até à PSP); Rua Jornal Correio da Feira; Rua de S. Nicolau; Rua Dr. Vitorino de Sá e Rua dos Descobrimentos.

Tarde: Largo Ângelo Sampaio Maia, Rua Av. 5 de Outubro, Travessa Cal das Eiras, Rua Cal das Eiras; Rua Duarte Pacheco; Rua Viana da Mota; Rua Arlindo do Sousa; Rua António Sérgio; (limite com a Rua dos Combatentes); Avenida Dr. Domingos de Sousa; Rua dos Serralheiros, Rua de Nossa Senhora de Campos, Praceta de Nossa Senhora de Campos e Avenida Dr. Aurélio Gonçalves Pinheiro.

 

3.               Juiz da Cruz: Manuel Madureira - 922136351 

Manhã: Capela da Piedade; Rua Nossa Senhora da Piedade; Rua Condessa Joana Forjaz Pereira; Rua Francisco Costa Neves; Rua dos Moinhos; Rua das Fogaceiras; Rua Dr. Joaquim Alves Moreira; Rua Dr. Paulo de Sá e Avenida 25 de Abril.

Tarde: Rua de Santa Cruz; Rua S. Sebastião; Travessa D. Maria da Luz Albuquerque; Rua 1.º de Maio; Rua Dr. Egas Moniz e Rua António Castro Corte Real.

 

4.                Juiz da Cruz: Joaquim Ferreira - 919 660 282

Manhã: Rua Ferreira de Castro, sentido descendente; Avenida Dr. Sá Carneiro; Rua João Mendes Cardoso; Rua de S. Paulo da Cruz; Rua Dr., Crispim Borges de Castro; Rua Comandante Martins; Rua 20 de Janeiro e Rua Mestre António Joaquim. 

Tarde: Travessa de Santo André; Rua Antero Andrade e Silva; Avenida Fortunato Menéres; Rua Ferreira de Castro sentido ascendente; Rua Alexandre Herculano; Rua do Brasil; Rua Comendador Sá Couto; Travessa Santa Cruz; Travessa de Campos; Rua Dr. Henrique Veiga de Macedo; Rua Dra. Domitília de Carvalho e Rua Professora Gilberta Paiva.

 

5.                Juiz da Cruz: Paulino Sá – 917591584

Manhã: Rua Ferreira Castro; Rua Conselheiro Correia Marques; Rua António José Almeida; Rua da Relva; Rua Fernando Miranda; Rua José Correia de Sá; Rua Dra. Domitília Carvalho; Rua Pe. Manuel Soares dos Reis e Rua Mestre António Joaquim.

Tarde: Rua de Santo André; Travessa Nossa Senhora da Saúde; Rua Bispo D. Florentino Andrade e Silva; Rua Poeta Eduardo Meireles; Travessa Poeta Eduardo Meireles; Rua Terras de Santa Maria; Rua José dos Santos; Rua de Targovishte; Rua de Santa Maria da Feira; Rua Amigos da Feira; Rua dos Passionistas; Rua de Catió; Rua Joué-Lès-Tours; Rua Dr. Alfredo Silva Terra e Rua Antero Andrade e Silva.

 

 

SEGUNDA-FEIRA DE PÁSCOA – 6 de abril 2026

 

1.                Juiz da Cruz: Horácio Sá – 962980563

Manhã: Rua da Azenha; Beco do Lambro - parte final da Av. 25 de Abril; Rua Luís de Campos (parte); Rua da Velha (até ao Largo da Velha) Travessa do Pinhal; Rua da Velha (parte final); Travessa da Velha; Bairro da Misericórdia; Rua D. Manuel II; Travessa Maria de Lurdes Portela; Rua Maria de Lurdes Portela; Parte final da Av. 5 de Outubro (zona do E. Leclerc) e Rua Osvaldo Silva.

Tarde: Rua Bombeiros Voluntários (início junto à Sede Amigos do Cavaco) incluindo Alto do Calvário; Travessa do Cavaco; Avenida 5 de Outubro; Rua João António de Andrade; Travessa das Regadas; Rua José Soares de Sá e Rua Eduardo Vaz (parte inicial).

 

2.                Juiz da Cruz: Roberto Carlos Reis – 965506359

Manhã: Rua de Picalhos; Rua da Casa dos Choupos; Travessa da Charca; Travessa da Pederneira; Travessa da Circunvalação; Rua da Circunvalação; Rua António Martins Soares Leite; Rotunda Lions Clube da Feira; Rua Dom Ximenes Belo; Rua José Saramago; Travessa D. Ximenes Belo e Praça Horácio Alvim.

Tarde: Rua do Castelo; Rua de Matos, Travessa das Alminhas, Rua Orfeão da Feira, Travessa do Cabido; Rua da Portela, Travessa da Portela, Beco da Portela, Travessa do Orfeão da Feira, Travessa de Macieira; Rua Benjamim de Brito; Rua Eduardo Vaz; início da Rua Manuel Laranjeira, Rua José Soares de Sá, Rua do Carvalhal e Rua Irmão Gabriel.

 

3.                Juiz da Cruz: Joaquim Ferreira - 919 660 282

Manhã: Rua Moinho das Campainhas; Travessa da Guiné; Rua António Figueiredo; Rua de Cabo Verde; Travessa de Goa; Travessa da Damão; Rua de Moçambique; Rua de Angola; Rua de Macau; Rua da Guiné; Praceta Vila Nova São Tomé; Travessa de Diu; Rua de Timor; Praceta Horácio Alvim e Bairro da Refrey.

Tarde: Rua Crispim Borges de Castro; Rua de Vila Boa; Rua Germano Silva Santos; Rua Ribeiras do Cáster; Rua Manuel Correia Marques e Rua José Luís Bastos.

 

4.                Juiz da Cruz: Paulino Sá - 917591584

Manhã: Rua Dr. Domingos Trincão (CERCIFEIRA); Rua das Corgas; Rua do Ameal; Rua de Milheirós; Rua dos Canteiros; Rua do Ameal; Rua Centro Paroquial (Remolha); Largo da Remolha; Rua dos Cinco Caminhos; Rua Nossa Senhora de Fátima e Rua Joaquim Pinto de Lima.

Tarde: Rua do Monte; Travessa do Monte; Rua de Nossa Senhora de Fátima, (junto às escolas); Rua de S. José; Rua Dr. Domingos Trincão; Rua D. Moisés Alves de Pinho; Travessa S. Paulo da Cruz; Rua de Milheirós e Rua do Monte.

 

5.                Juiz da Cruz: Fernando Faria - 966653063

Manhã: Rua dos Moinhos; Bairro de Picalhos; Rua Luís Campos; Rua Coronel José Barbosa; Rua Regimento de Engenharia de Espinho; Rua Afonso Henriques; Rua Comendador Marcolino de Castro; Rua da Velha (parceria com compasso n.º 1 até à Rua D. Manuel II e Rua de Timor.

Tarde: Rua António Sampaio Maia; Rua das Fábricas, - Outeiro (limite da freguesia com S. João de Ver); Rua dos Bombeiros; Rua Ribeiras do Cáster (Bairro do Balteiro), Rua Dr. Eduardo Vaz até ao Restaurante Cantinho Nobre, Lar S. Nicolau e Rua José Soares de Sá.

 


DA PALAVRA DO SENHOR



V DOMINGO DA QUARESMA    

 

“…Assim fala o Senhor Deus:
«Vou abrir os vossos túmulos
e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo,
para vos reconduzir à terra de Israel.
Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor,
quando abrir os vossos túmulos
e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo.
Infundirei em vós o meu espírito e revivereis.
Hei de fixar-vos na vossa terra
e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executarei»...” (
cf. Ezequiel 37, 12-14)

PALAVRA DO PAPA LEÃO



- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro, Roma,  no dia 18 de Março de 2026

Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos! 
Hoje, gostaria de voltar a reflectir sobre o segundo capítulo da Constituição conciliar “Lumen gentium” (LG), dedicado à Igreja como povo de Deus. O povo messiânico (LG, 9) recebe de Cristo a participação na obra sacerdotal, profética e real, na qual se realiza a sua missão salvífica. Os Padres conciliares ensinam que, mediante a nova e eterna Aliança, o Senhor Jesus instituiu um reino de sacerdotes, constituindo os seus discípulos num «sacerdócio real» (1 Pd 2, 9; cf. 1 Pd 2, 5; Ap 1, 6). Este sacerdócio comum dos fiéis é conferido através do Baptismo, que nos torna capazes de prestar culto a Deus, em espírito e verdade, e de «confessar diante dos homens a fé recebida de Deus, por meio da Igreja» (cf. LG, 11). Além disso, mediante o sacramento da Confirmação ou Crisma, todos os baptizados «são mais perfeitamente vinculados à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e, deste modo, ficam obrigados a difundir e defender a fé, por palavras e obras, como verdadeiras testemunhas de Cristo» (ibid.). Esta consagração está na raiz da missão comum que une os ministros ordenados e os fiéis leigos. A este propósito, o Papa Francisco observava assim: «Olhar para o Povo de Deus é recordar que todos fazemos a nossa entrada na Igreja como leigos. O primeiro Sacramento, que sela para sempre a nossa identidade, e do qual deveríamos estar sempre orgulhosos, é o Baptismo. Através dele e com a unção do Espírito Santo [os fiéis] “são consagrados para ser edifício espiritual e sacerdócio santo” (LG, 10)... assim todos formamos o Santo Povo fiel de Deus» (Carta ao Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, 19 de março de 2016). O exercício do sacerdócio real realiza-se de muitas maneiras, todas elas orientadas para a nossa santificação, em primeiro lugar, participando na oferta da Eucaristia. Mediante a oração, a ascese e a caridade activa, testemunhamos, assim, uma vida renovada pela graça de Deus (cf. LG, 10). Como resume o Concílio, «a índole sagrada e a estrutura orgânica da comunidade sacerdotal efectivam-se pelos sacramentos e pelas virtudes» (LG, 11). Além disso, os Padres conciliares ensinam que o santo Povo de Deus participa, também, da missão profética de Cristo (cf. LG, 12). Neste contexto, introduzem o importante tema do sentido da fé e do consenso dos fiéis. A Comissão doutrinal do Concílio especificava que este ‘sensus fidei’ «é como uma faculdade de toda a Igreja, graças à qual, na sua fé, ela reconhece a revelação transmitida, distinguindo entre o verdadeiro e o falso nas questões de fé e, ao mesmo tempo, penetra nela mais profundamente, aplicando-a na vida de maneira mais plena» (cf. Acta Synodalia, III/1, 199). Por conseguinte, o sentido da fé pertence aos fiéis individualmente, não a título próprio, mas enquanto membros do povo de Deus, no seu conjunto. A ‘Lumen gentium’ concentra a atenção neste último aspecto, pondo-o em relação com a infalibilidade da Igreja, à qual está intimamente ligada, servindo-a, a do Romano Pontífice. A totalidade dos fiéis que receberam a unção do Santo (cf. 1 Jo 2, 20 e 27), não pode enganar-se na fé; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé de todo o povo quando ele, “desde os Bispos até ao último dos fiéis leigos”, manifesta o consenso universal em matéria de fé e costumes (cf. LG, 12). Assim, a Igreja, como comunhão dos fiéis que inclui, obviamente, os pastores, não pode errar na fé: o órgão desta sua propriedade, assente na unção do Espírito Santo, é o sentido sobrenatural da fé de todo o povo de Deus, que se manifesta no consenso dos fiéis. Desta unidade, que o Magistério eclesial salvaguarda, decorre que cada baptizado é sujeito activo de evangelização, chamado a dar testemunho coerente de Cristo segundo o dom profético que o Senhor infunde em toda a sua Igreja. Com efeito, o Espírito Santo, que nos advém de Jesus Ressuscitado, dispensa «graças especiais entre os fiéis de todas as classes, com as quais os tornam aptos e dispostos a assumir diversas tarefas e encargos, proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja» (LG, 12). Uma demonstração peculiar desta vitalidade carismática é oferecida pela vida consagrada, que brota e floresce continuamente por obra da graça. Inclusive, as formas associativas eclesiais constituem um exemplo resplandecente da variedade e fecundidade dos frutos espirituais para a edificação do Povo de Deus. Caríssimos, despertemos em nós a consciência e a gratidão por ter recebido o dom de fazer parte do Povo de Deus; e também a responsabilidade que isto implica. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR

 


- SALMO 129

Refrão: Junto do Senhor a misericórdia!

              Junto do Senhor a abundância da rdenção!

 

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,
Senhor, escutai a minha voz.
Estejam os vossos ouvidos atentos
à voz da minha súplica.

 

Se tiverdes em conta as nossas faltas,
Senhor, quem poderá salvar-se?
Mas em Vós está o perdão,
para Vos servirmos com reverência.

 

Eu confio no Senhor,
a minha alma espera na sua palavra.
A minha alma espera pelo Senhor
mais do que as sentinelas pela aurora.

 

Porque no Senhor está a misericórdia
e com Ele abundante redenção.
Ele há de libertar Israel
de todas as suas faltas.


SANTOS POPULARES

 


SANTA CATARINA DA SUÉCIA

Catarina nasceu na Suécia, em 1331. Foi a sexta dos oito filhos de Brígida da Suécia (Santa Brígida) e Ulf. Foi educada segundo os usos e preceitos da Igreja Católica e instruída no amor cristão pelo próximo.
No processo de canonização da sua mãe, Catarina deu este testemunho: "Lembro-me quando minha mãe me levava, juntamente com as minhas irmãs, a visitar os hospitais, que havia mandado construir. Com as suas próprias mãos, enfaixava, sem repugnância, as feridas dos enfermos". De facto, o desejo de Brígida era que os seus filhos aprendessem a servir ao Senhor nos pobres e doentes. Catarina cresceu neste clima profundamente evangélico.
Era ainda muito jovem quando a sua mãe foi chamada, pela Corte sueca, para ser a governanta de Bianca de Namur, jovem noiva do rei Magnus Eriksson. Catarina e a sua irmã, Ingeborg, foram confiadas ao mosteiro cisterciense de Riseberg.
Alguns anos mais tarde, Brígida deixou Estocolmo, por causa de alguns conflitos com a realeza sueca e por ter ficado muito chocada com a morte do seu filho de 11 anos, Gudmar. Desejando aprofundar a sua fé, a sua mãe decidiu fazer algumas peregrinações, com o marido.
Catarina, então, ficou hospedada, com a sua irmã Cecília, no convento dominicano de Skenninge, para continuar os seus estudos. No entanto, sentia muito a falta da vida familiar.
Quando Catarina tinha 14 anos, o seu pai - ao voltar, gravemente doente de Santiago de Compostela, com a sua esposa - decidiu passar os últimos anos da sua vida no mosteiro cisterciense de Alvastra. Porém, ele queria ver a sua filha casada; por isso, ofereceu a sua mão a Edgar von Kyren. Apesar de ser contrária ao matrimónio, Catarina obedeceu aos seus pais, mas, de comum acordo com o seu marido, fez voto de castidade. O casal levou um estilo de vida monacal, feito de oração, jejuns e penitências.
O seu modelo foi, sempre, a sua mãe. Brígida, que, depois da morte do seu marido, Ulf, também foi para o Mosteiro de Alvastra. Alguns anos depois, Brígida fundou um Mosteiro em Vadstena. Catarina amava e admirava profundamente a sua mãe e aspirava à sua santidade. Mas, ao contrário da mãe, Catarina ainda não sabia como servir a Igreja.
Em 1349, Brígida partiu para Roma, a fim de obter a aprovação da sua fundação, em Vadstena, e para pedir o regresso do Papa a Roma: o Papa vivia em Avinhão, França.
Catarina ficou triste com a sua partida. No entanto, no ano seguinte, reencontrou a mãe, por ocasião do Ano Santo, aceitando o convite do Papa para visitar o túmulo de Pedro e as outras grandes Basílicas romanas, para obter as indulgências. Durante a sua permanência em Roma, faleceu o seu marido, Edgar.
A convite da sua mãe, Catarina permaneceu em Itália. Porém, sentia falta da Suécia: sofria de solidão e de depressão. A sua mãe proibira-a de sair de casa sozinha, porque Roma não era segura para uma jovem sueca, bela e rica, que atraía os olhares de muitos vilões.
Catarina recusou diversas propostas de casamento e escapou de muitos pretendentes. O veado, que sempre é representado ao seu lado, tê-la-ia salvado, ao distrair um pretendente, que havia sido rejeitado, que queria raptá-la.
Para manter a distância dos homens, Catarina começou a usar roupas simples ou gastas. Ficou atormentada pela inquietação de não saber qual o estilo de vida que deveria adoptar. Para discernir qual seria a vontade de Deus, rezou à Virgem, que, em sonhos, a convidou a obedecer a sua mãe. Então, ela seguiu-a em todas as suas iniciativas, dedicando-se, total e amorosamente, às suas causas.
Com a sua mãe, Catarina dedicou-se à catequese entre as nobres famílias romanas e às obras de caridade; promoveu o projecto deVadstena e fez várias peregrinações. Viveu com a sua mãe durante cerca de vinte anos. Na sua casa, perto do Campo das Flores, em Roma, viveram em extrema pobreza, numa vida feita de actividades pastorais, de oração e de rígida ascese.
Brígida faleceu no dia 23 de Julho de 1373. O seu desejo, expresso à sua filha, era que os seus restos mortais fossem sepultados no Mosteiro de Vadstena.
Após uma longa viagem, Catarina chegou lá, no dia 4 de Julho do ano seguinte, e decidiu ser monja. Ao ser eleita abadessa, regressou a Roma para pedir a canonização da sua mãe e obter a aprovação da regra da Ordem que havia fundado.
Nos cinco anos seguintes, Catarina reuniu depoimentos sobre a vida da sua mãe. Apresentou-os, em primeiro lugar, ao Gregório XI e, depois, ao Papa Urbano VI. Este aprovou a regra da Ordem Brigidina, com uma Bula datada de 3 de Dezembro de 1378, mas omitiu a Causa de Canonização de Brígida. Depois de entregar toda a documentação necessária, Catarina regressou a Vadstena, onde faleceu no dia 24 de Março de 1381.
Em Roma, segundo a tradição, Catarina salvou milagrosamente a cidade da inundação do Tibre, cujas margens haviam transbordado. O episódio é retratado numa pintura, preservada na capela a ela dedicada, na Piazza Farnese.
O Papa Inocêncio VIII autorizou a transladação solene das suas relíquias; mas foi a devoção popular, unânime e universal, que lhe conferiu o título de santa.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 24 de Março.

sábado, 14 de março de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR

 


IV DOMINGO DA QUARESMA   

 

“…Outrora vós éreis trevas,
mas agora sois luz no Senhor.
Vivei como filhos da luz,
porque o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade.
Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor.
Não tomeis parte nas obras das trevas, que são inúteis;
tratai antes de condená-las abertamente,
porque o que eles fazem em segredo
até é vergonhoso dizê-lo.
Mas, todas as coisas que são condenadas
são postas a descoberto pela luz,
e tudo que assim se manifesta torna-se luz.
É por isso que se diz:
«Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos
e Cristo brilhará sobre ti»…”(
cf. Efésios 5, 8-14)


PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro, Roma,  no dia 11 de Março de 2026
 
Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Continuando a reflexão sobre a Constituição dogmática ‘Lumen gentium’ (LG), hoje, meditaremos sobre o segundo capítulo, dedicado ao Povo de Deus.
Deus, que criou o mundo e a humanidade e deseja salvar todos os homens, realiza a sua obra de salvação na história, escolhendo um povo concreto e habitando nele. Por isso, Ele chama Abraão, prometendo-lhe uma descendência numerosa como as estrelas do céu e a areia do mar (cf. Gn 22, 17-18). Com os filhos de Abraão, depois de os ter libertado da condição de escravidão, Deus faz uma aliança, acompanha-os, cuida deles, reúne-os sempre que se perdem. Portanto, a identidade deste povo é dada pela acção de Deus e pela fé n’Ele. Ele é chamado a tornar-se luz para as demais nações, como farol que atrairá a si todos os povos, a humanidade inteira (cf. Is 2, 1-5).
O Concílio afirma que «todas estas coisas aconteceram como preparação e figura da nova e perfeita Aliança que, em Cristo, havia de ser estabelecida e da revelação mais completa que seria transmitida pelo próprio Verbo de Deus feito carne» ( LG, 9). Com efeito, é Cristo que, na dádiva do seu Corpo e Sangue, reúne em si mesmo e de modo definitivo este povo. Ele já é composto por pessoas provenientes de todas as nações; está unificado pela fé n’Ele, pela adesão a Ele, pelo viver da sua própria vida, animado pelo Espírito do Ressuscitado. Esta é a Igreja: o povo de Deus que haure a própria existência do corpo de Cristo, e que é ele próprio corpo de Cristo;  não um povo como os outros, mas o povo de Deus, convocado por Ele e formado por mulheres e homens provenientes de todos os povos da Terra. O seu princípio unificador não é uma língua, uma cultura, uma etnia, mas a fé em Cristo: a Igreja é, portanto – segundo uma maravilhosa expressão do Concílio – a assembleia de quantos «se voltam, com fé, para Cristo» ( LG, 9).
Trata-se de um povo messiânico, precisamente porque tem como cabeça Cristo, o Messias. Aqueles que fazem parte dele não se vangloriam de méritos nem de títulos, mas apenas do dom de ser, em Cristo e por meio d’Ele, filhas e filhos de Deus. Portanto, antes de qualquer tarefa ou função, o que realmente importa na Igreja é estar enxertado em Cristo, ser por graça filhos de Deus. Como cristãos, este é também o único título honorífico que deveríamos procurar. Estamos na Igreja para receber incessantemente a vida do Pai e para viver como seus filhos e irmãos entre nós. Consequentemente, a lei que anima as relações na Igreja é o amor, tal como o recebemos e experimentamos em Jesus; e a sua meta é o Reino de Deus, para o qual ela caminha com toda a humanidade.
Unificada em Cristo, Senhor e Salvador de todos os homens e mulheres, a Igreja nunca pode fechar-se em si mesma, mas está aberta a todos e é para todos. Se lhe pertencem os crentes em Cristo, o Concílio recorda-nos que «ao novo Povo de Deus todos os homens são chamados. Por isso, este Povo, permanecendo uno e único, deve estender-se a todo o mundo e por todos os séculos, para se cumprir o desígnio da vontade de Deus que, no princípio, criou uma só natureza humana e resolveu unir todos os seus filhos que estavam dispersos» (LG, 13). Portanto, até aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão, de certa forma, orientados para o povo de Deus, e a Igreja, cooperando para a missão de Cristo, é chamada a propagar o Evangelho em toda a parte e a todos (cf. LG, 17), a fim de que todos possam entrar em contacto com Cristo. Isto significa que, na Igreja, há e deve haver lugar para todos, e que cada cristão é chamado a anunciar o Evangelho e a dar testemunho em todos os ambientes onde vive e trabalha. É assim que este povo mostra a sua catolicidade, acolhendo as riquezas e os recursos das várias culturas e, ao mesmo tempo, oferecendo-lhes a novidade do Evangelho para as purificar e elevar (cf. LG, 13).
Neste sentido, a Igreja é una, mas inclui todos. Assim a descreveu um grande teólogo: «Única arca da Salvação, deve acolher, na sua vasta nave, todas as diversidades humanas. Única sala do Banquete, os víveres que distribui são tirados de toda a criação. Túnica inconsútil de Cristo, ela é também – e é a mesma coisa – a túnica de José, com muitas cores».
É um grande sinal de esperança – sobretudo nos nossos dias, atravessados por tantos conflitos e guerras – saber que a Igreja é um povo no qual convivem, em virtude da fé, mulheres e homens de diferentes nacionalidades, línguas ou culturas: é um sinal inserido no próprio coração da humanidade, apelo e profecia daquela unidade e paz a que Deus Pai chama todos os seus filhos. (cf. Santa Sé)

PARA REZAR



- SALMO 22

Refrão: O Senhor é meu pastor: nada me faltará

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.


SANTOS POPULARES

 


BEATA MARTA LE BOUTEILLER

 

Amada Adélia Le Bouteiller nasceu no dia 2 de Dezembro de 1816, em Percy, França. Foi a terceira dos quatro filhos de André Le Bouteiller e de Maria-Francisca Morel, pequenos proprietários de terras, agricultores e tecelões.

Na escola, foi aluna da Irmã Terciária Carmelita Maria Farcy. Professora durante 48 anos, ela foi uma figura fundamental na formação dos jovens da paróquia e certamente a inspiração para a vocação religiosa de Amada Adélia.

No dia 1 de Setembro de 1827, o seu pai faleceu com apenas 39 anos. Infelizmente, mortes precoces eram comuns naquela época, quando uma simples infecção ou uma tuberculose desenfreada podiam ser suficientes para ceifar uma vida jovem. A sua mãe, sozinha com os seus quatro filhos, teve de criá-los e sustentá-los com a ajuda dos seus filhos mais velhos. Amada, que tinha quase onze anos, continuou os seus estudos e, ao mesmo tempo, cuidava da casa.

Após o casamento dos seus dois irmãos mais velhos, em 1837, Amada, então com vinte e poucos anos, começou a trabalhar como empregada doméstica para se sustentar.

Com a Irmã Farcy, colaboradora activa da paróquia, Amada organizava uma peregrinação anual a Chapelle-sur-Vire, a cerca de 15 km de Percy. Lá, entrou em contacto com a Congregação das Irmãs das Escolas Cristãs da Misericórdia, fundada, em 1804, por Santa Maria Madalena Postel (1756-1846) para a educação da juventude.

Atraída pela espiritualidade das Irmãs, aos 25 anos, no dia 19 de Março de 1841, decidiu dedicar-se inteiramente a Deus e entrou na Abadia de Saint-Sauveur-le-Vicomte, acolhida pela Fundadora, de oitenta e quatro anos, que, apesar da idade, estava cheia de vitalidade e dotada de dons carismáticos.

A mestra de noviças de Amada foi a Beata Plácida Viel (1815-1877), que, a após a morte da fundadora, foi nomeada Superiora-Geral, levando ao notável desenvolvimento da Congregação.
Quando Amada chegou, as cinquenta freiras também estavam ocupadas a reconstruir a igreja da abadia e os edifícios antigos, que se encontraram em ruínas. A vida era austera, considerando os anos de fome que atravessavam, mas isso não assustou Amada, acostumada às dificuldades da sua família, que surgiram após a morte prematura do seu pai.

No dia 14 de Setembro de 1842, ela recebeu o hábito religioso e adoptou o nome ‘Marta’: Irmã Marta. No inverno seguinte, ainda noviça, a fundadora, Madre Postel, enviou-a para a Casa de La Chapelle-sur-Vire, que a Irmã Marta conhecia muito bem, para auxiliar a comunidade com serviços materiais.

Certo dia, enquanto lavava a roupa, nas águas geladas do rio Marquerand, um lençol escorregou da sua mão e foi arrastado pela correnteza. Na tentativa de o recuperar, ela escorregou e caiu na água gelada, o que lhe causou o início de uma paralisia nas pernas. Por isso, foi enviada de volta à Abadia de Saint-Sauveur-le-Vicomte.

Ali, conversou com a Madre Madalena Postel, que lhe assegurou que não a mandaria para casa. De facto, colocando as mãos sobre os seus joelhos, prometeu rezar por ela. Pouco tempo depois, Marta recuperou e atribuiu sua cura à oração da Madre.

No dia 7 de Setembro de 1843, a Irmã Marta fez a sua primeira profissão, na Abadia da Casa-Mãe da Congregação. Marta foi, então, designada para trabalhar na cozinha, nos campos e, por fim, para na cave, função que desempenhou durante cerca de quarenta anos, até à sua morte.

Ela fazia tudo com espírito de obediência, a ponto de se dizer que realizava pequenas coisas de maneira grandiosa.

A sua vida como freira foi dedicada ao serviço de Deus e das suas companheiras, sempre com simplicidade e alegria ao realizar as tarefas mais humildes. Dedicada à oração e à meditação, alimentava a sua espiritualidade lendo autores da chamada "Escola Francesa de Espiritualidade".
Cuidava dos criados e trabalhadores que se ofereciam como voluntários, bem como dos hóspedes que passavam. Ela distribuía comida a cerca de 250 pessoas por dia e, durante a guerra, esse número chegou a mais de 500.

Conta-se que, durante a guerra, entre a França e a Alemanha, quando as reservas de alimentos da Abadia eram terrivelmente escassos, a Irmã Marta pendurou uma imagem da Madre Madalena - que já havia falecido há muito tempo - na parede e rezou intensamente, e a partir daquele momento, aumentou os suprimentos de cidra, e outros alimentos nunca mais acabaram.

No inverno de 1875-76, a Irmã Marta, já com mais de sessenta anos, caiu e partiu uma perna. A longa convalescença, somada à morte da sua mãe e da sua querida confidente, a Irmã Plácida, foram grandes provações para ela. Ela suportou-as, continuando a cuidar da despensa, embora apoiada numa bengala. O seu declínio e fragilidade, porém, eram evidentes.

No dia 18 de Março de 1883, Domingo de Ramos, enquanto carregava garrafas, de volta à cozinha, após o jantar, ela caiu uma vez mais. Acometida por uma congestão cerebral, faleceu após receber os sacramentos: tinha 67 anos de idade.

Foi sepultada no cemitério da Abadia de Saint-Sauveur-le-Vicomte.

Foi beatificada, pelo Papa João Paulo II, no dia 4 de Novembro de 1990. Na homilia da Missa, o Papa disse, acerca da Irmã Marta: “…“Tu és o meu Senhor. Sem ti não tenho bem algum” ( Sl 15,2). Estas palavras do salmista, que a liturgia de hoje colocou nos nossos lábios, resumem bem as aspirações de uma intimidade infinita com Deus que eram as da Irmã Marta Le Bouteiller.

Desejando entregar-se totalmente ao Senhor e aos outros, entrou na Congregação fundada por Maria-Madalena Postel e, nas suas tarefas diárias na cozinha, na quinta, nos campos e na adega, viveu uma vida de união com Deus, fazendo "pequenas coisas com grandeza", seguindo uma máxima cara à fundadora: "Façamos o maior bem possível, escondendo-nos o máximo possível". A Irmã Marta encontrou, na sua vida oculta com Cristo, a essência do seu apostolado da bondade: "Se alguém permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" ( Jo 15,5). Intimamente unida à santa fundadora e à Beata Plácida Viel, a "boa" Irmã Marta viveu as suas humildes tarefas com uma qualidade de amor que inspira admiração.

Que esta nova Beata atraia as jovens gerações, de hoje e de amanhã, a descobrirem a alegria de se entregarem ao Senhor, na consagração religiosa. Que ela as ajude a compreender a preeminência da vida espiritual na participação e construção da Igreja e na realização de um trabalho frutífero ao serviço da humanidade! Os nossos contemporâneos precisam de encontrar no seu caminho rostos que manifestem a autêntica felicidade que conduz à intimidade com Deus. A Irmã Marta, verdadeiramente uma Irmã da Misericórdia, soube irradiar o amor de Deus ao seu redor. A extrema simplicidade da sua existência não impediu que as suas Irmãs reconhecessem nela uma verdadeira autoridade espiritual. Ela deu frutos para a glória do Pai: "Nisto é glorificado o Pai: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos" ( Jo 15,8)…”

A memória litúrgica da Irmã Marta Le Bouteiller é celebrada no dia 18 de Março.


sábado, 7 de março de 2026

EM DESTAQUE:

 


*DIA NACIONAL DA CÁRITAS
            - Mensagem de D. José Traquina, Bispo de Santarém, Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana
 
 “Esta é a hora do amor”
Os dias que estamos a viver são marcados pela catástrofe das tempestades que atingiram o território do continente português. Portugal não tem memória de nada semelhante. A Cáritas Portuguesa e demais organismos da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana lamentam o falecimento das pessoas por efeito da catástrofe e saúda o envolvimento global na resposta às necessidades das populações. Os sinais de solidariedade revelam o melhor da sociedade que somos na preocupação pelo bem comum. A Cáritas Portuguesa, representando a Rede e união das Cáritas Diocesanas, é um serviço da Conferência Episcopal Portuguesa; promove apoio e formação para que as Cáritas Diocesanas funcionem com a melhor eficiência e identidade. Neste sentido, a Cáritas Portuguesa desenvolve campanhas organizadas de apoio solidário para as necessidades das populações, em Portugal, a ser coordenado pelas respectivas Cáritas Diocesanas. Não podemos deixar de valorizar as Cáritas Paroquiais que prestam apoio de proximidade à população, com a colaboração da respectiva Cáritas Diocesana.
Representando a Rede Cáritas em Portugal, a Cáritas Portuguesa preocupa-se com as necessidades dos mais pobres, mas, também, com as situações de emergência e com as necessidades de reconstrução que se seguem para assegurar as condições da vida com estabilidade. Cáritas Portuguesa e Cáritas Diocesanas, desejam cooperar para corresponder à sua vocação e missão: cuidar do bem comum da sociedade, tendo como força e identidade o mandamento do Amor ao próximo que Jesus nos deixou no Evangelho.
De 1 a 8 de Março ocorre a “Semana Cáritas”. É uma oportunidade para promover a solidariedade através da Cáritas, reconhecendo a responsabilidade que a Cáritas Portuguesa assume de gerir os donativos e o peditório anual para os fins do bem comum da sociedade, para as situações emergentes e situações de carência, com o dever de prestação de contas e a necessária transparência. A “Semana Cáritas” é, também, uma oportunidade para aprofundar o ensinamento sobre a missão da Igreja. O cuidado pelo bem comum e pela promoção da justiça social fazem parte da missão da Igreja. Os cristãos que celebram a sua fé são chamados a interessar-se pela sociedade, pois não são um grupo fechado que se interessa apenas pelos seus! Como afirmou o Papa Leão XIV, no início do seu pontificado, “sem nos fecharmos no nosso pequeno grupo, nem nos sentirmos superiores ao mundo, somos chamados a oferecer a todos o amor de Deus, para que se realize aquela unidade que não anula as diferenças, mas valoriza a história pessoal de cada um e a cultura social e religiosa de cada povo. Irmãos, irmãs, esta é a hora do amor! A caridade de Deus, que faz de nós irmãos, é o coração do Evangelho” .
 

DA PALAVRA DO SENHOR



III DOMINGO DA QUARESMA  

 

“… O povo israelita, atormentado pela sede,
começou a altercar com Moisés, dizendo:
«Porque nos tiraste do Egipto?
Para nos deixares morrer à sede,
a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?»
Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo:
«Que hei de fazer a este povo?
Pouco falta para me apedrejarem».
O Senhor respondeu a Moisés:
«Passa para a frente do povo
e leva contigo alguns anciãos de Israel.
Toma na mão a vara com que fustigaste o rio
e põe te a caminho.
Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb.
Baterás no rochedo e dele sairá água;
então o povo poderá beber».
Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel.
E chamou àquele lugar Massa e Meriba,
por causa da altercação dos filhos de Israel
e por terem tentado o Senhor, ao dizerem:
«O Senhor está ou não no meio de nós?»…” (
cf. Êxodo 17, 3-7)


PALAVRA DO PAPA LEÃO



- na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro, Roma,  no dia 4 de Março de 2026
 
Prezados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Hoje, damos continuidade ao nosso aprofundamento sobre a Constituição conciliar ‘Lumen Gentium’, Constituição dogmática sobre a Igreja.
No primeiro capítulo, onde se tenciona responder, sobretudo, à pergunta sobre o que é a Igreja, ela é descrita como «uma realidade complexa». Agora, perguntemo-nos: em que consiste tal complexidade? Alguém poderia responder que a Igreja é complexa porque “complicada” e, portanto, difícil de explicar; outros poderiam pensar que a sua complexidade deriva da constatação de ser uma instituição com dois mil anos de história, com características diferentes em relação a qualquer outra agregação social ou religiosa. Mas, na língua latina, a palavra “complexa” indica, sobretudo, a união ordenada de diferentes aspectos ou dimensões, no seio de uma única realidade. Por isso, a ‘Lumen gentium’ pode afirmar que a Igreja é um organismo bem articulado, no qual coexistem a dimensão humana e a dimensão divina, sem separação nem confusão.
A primeira dimensão é, imediatamente, percetível, pois a Igreja é uma comunidade de homens e mulheres que partilham a alegria e o esforço de ser cristãos, com as suas qualidades e os seus defeitos, anunciando o Evangelho e tornando-se sinal da presença de Cristo que nos acompanha ao longo do caminho da vida. No entanto, este aspecto – que se manifesta inclusive na organização institucional – não é suficiente para descrever a verdadeira natureza da Igreja, dado que ela possui, também, uma dimensão divina. Esta última não consiste numa perfeição ideal, nem numa superioridade espiritual dos seus membros, mas na constatação de que a Igreja é gerada pelo desígnio de amor de Deus para a humanidade, realizado em Cristo. Por isso, a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo corpo místico de Cristo; assembleia visível e mistério espiritual; realidade presente na história e povo peregrino, rumo ao céu (LG, 8; CIC, 771).
A dimensão humana e a dimensão divina integram-se harmoniosamente, sem que uma se sobreponha à outra; assim, a Igreja vive neste paradoxo: é uma realidade humana e, ao mesmo tempo, divina que acolhe o homem pecador, conduzindo-o a Deus.
Para iluminar esta condição eclesial, a ‘Lumen Gentium’ refere-se à vida de Cristo. Com efeito, quem encontrava Jesus ao longo das estradas da Palestina, experimentava a sua humanidade, os seus olhos, as suas mãos, o som da sua voz. Quem decidia segui-lo era impelido, precisamente, pela experiência do seu olhar acolhedor, pelo toque das suas mãos abençoadoras, pelas suas palavras de libertação e de cura. Mas, ao mesmo tempo, seguindo aquele Homem, os discípulos abriam-se ao encontro com Deus. Sim, a carne de Cristo, o seu rosto, os seus gestos e as suas palavras manifestam, de modo visível, o Deus invisível.
À luz da realidade de Jesus, agora podemos voltar à Igreja: quando olhamos de perto para ela, descobrimos uma dimensão humana feita de pessoas concretas, que, às vezes, manifestam a beleza do Evangelho, e outras esforçam-se e erram, como todos. No entanto, precisamente através dos seus membros e dos seus limitados aspectos terrenos, manifestam-se a presença de Cristo e a sua acção salvífica. Como dizia Bento XVI, não há oposição entre Evangelho e instituição; aliás, as estruturas da Igreja servem precisamente para «a realização e a concretização do Evangelho no nosso tempo» (Discurso aos bispos da Suíça, 9 de Novembro de 2006). Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história.
É nisto que consiste a santidade da Igreja: na constatação de que Cristo habita nela e continua a doar-se através da pequenez e fragilidade dos seus membros. Contemplando este milagre perene que acontece nela, compreendemos o “método de Deus”: Ele torna-se visível através da debilidade das criaturas, continuando a manifestar-se e a agir. Por isso na ‘Evangelii gaudium’, o Papa Francisco exorta que todos aprendam «a tirar sempre as sandálias diante da terra sagrada do outro (cf. Ex 3, 5)» (n. 169). Isto torna-nos, ainda hoje, capazes de edificar a Igreja: não só organizando as suas formas visíveis, mas construindo aquele edifício espiritual que é o corpo de Cristo, através da comunhão e da caridade entre nós.
Com efeito, a caridade gera constantemente a presença do Ressuscitado. «Queira o céu — afirmava Santo Agostinho — que todos prestem atenção unicamente à caridade: sim, só ela vence tudo, e sem ela, todas as coisas não valem nada; onde quer que ela esteja, atrai tudo a si» (Serm. 354, 6, 6).  (cf. Santa Sé)
 

PARA REZAR

 


- SALMO 94

 

Refrão: Hoje, s escutardes a voz do Senhor,

              não fecheis os vossos corações

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus nosso salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras.


SANTOS POPULARES

 


BEATO FRANCISCO XAVIER TRU'O'NG BǙU DIỆP

 

Francisco Xavier Tru'o'ng Bǚu Diệp nasceu no dia 1 de Janeiro de 1897, filho de pais católicos, na província vietnamita de An Giang, então eclesiasticamente dependente do Vicariato de Phnom Penh (que na verdade fica no Camboja). Foi baptizado no dia 2 de Fevereiro e recebeu o nome do grande santo missionário jesuíta: Francisco Xavier. Depois da morte da sua mãe, em 1904, o seu pai mudou-se para o Camboja, onde viveu durante algum tempo. Quando voltaram a casa, em 1909, Francisco foi aceite no Seminário Menor, da província de An Giang. De lá, transferiu-se para o Seminário Maior, em Phnom Penh e, após concluir os seus estudos, foi ordenado sacerdote, em 1924, pelo bispo Jean-Claude Bouchut, das Missões Estrangeiras de Paris.
Nos primeiros anos do seu sacerdócio, de 1924 a 1927, foi vigário paroquial, em Hố Trư, uma aldeia de imigrantes vietnamitas, no Camboja; de 1928 a 1930, foi professor no Seminário Menor. Em 1930, foi nomeado pároco de Tắc Sậy, na província de Bạc Liêu (actual diocese de Cần Thơ), onde permaneceu até à morte.

A paróquia não tinha muitos fiéis e ele dedicou-se a visitar outras paróquias próximas e a cuidar de, pelo menos, seis novas missões, em cidades vizinhas, como Bà Đốc e Đồng Gò, em 1932; Đầu Sấu, em 1933; Cam Bô, em 1937; Chủ Chí, em 1940, e An Hải, em 1941. Ao longo do seu trabalho pastoral, demonstrou total fidelidade à sua vocação e um zelo exemplar pelo bem das almas.
Trabalhou, incansavelmente, para levar as águas do baptismo a muitos, durante os anos do seu ministério paroquial, inclusive no dia da sua morte. A sua preocupação com a vida cristã manifestou-se, também, no envio de candidatos ao sacerdócio para o seminário, incluindo o futuro Cardeal João Baptista Phạm Minh Mẫn.

Os seus escritos falam da sua vida exemplar - que, infelizmente, não era a realidade de muitos sacerdotes - e da sua vida de virtude, oração e proximidade com os necessitados, cristãos e não cristãos. Ele providenciou a distribuição de terras, doadas à Igreja, entre os pobres, situação que desagradou a um grande proprietário de terras local, que viu a sua propriedade diminuir e nutriu ressentimento contra ele.

O assassinato do Padre Trương Bửu Diệp ocorreu durante o período turbulento do final da Segunda Guerra Mundial. No fim da guerra, o Japão Imperial expulsou os franceses e ocupou o Vietname, permitindo que o movimento de libertação Viet Minh se organizasse. Com a rendição do Japão e a subsequente Revolução de Agosto, a independência da recém-formada República Democrática do Vietname foi proclamada, no dia 2 de Setembro de 1945. A França, então, restabeleceu imediatamente o seu domínio colonial, mas foi derrotada pelo Viet Minh, na Guerra da Indochina, em 1954. Os subsequentes Acordos de Genebra dividiram o país em dois, com a promessa de eleições democráticas e eventual reunificação, que só ocorreu após a Guerra do Vietname
Em retrospectiva, em Março de 1945, os japoneses expulsaram os franceses, e o fim da guerra viu a ocupação do Vietname por tropas chinesas e britânicas. Os franceses, retornando ao sul, firmaram um armistício com Ho Chi Minh, que, em Hanói, proclamou a independência da República Democrática do Vietname, visando à reunificação do país. A situação agravou-se devido à presença de grupos armados e gangues, bem como de desertores japoneses ao serviço de vários comandantes. Este é o contexto da dramática história do Padre Francisco Xavier. Vendo que o perigo se alastrava pelas aldeias - e até mesmo por Tắc Sậy - os franceses e outros padres insistiram para que ele partisse, oferecendo-lhe refúgio seguro. No entanto, ele recusou, para não "abandonar o seu rebanho", expressando a sua consciência da possibilidade da morte.
De facto, na manhã de 12 de Março de 1946, um grupo de milicianos da seita Caodaísta, subordinados a um político influente com quem ele havia entrado em conflito, por causa de terras concedidas aos pobres, chegou, frente à igreja, e deteve cerca de 70 pessoas, cristãs e não cristãs, incluindo o próprio Padre Francisco Xavier. Trancaram-nos em dois celeiros, a poucos quilômetros de distância, inicialmente com a intenção de os matar e queimar. Nas horas seguintes, ele foi levado para fora, três vezes. Na primeira vez, voltou sem demonstrar preocupação; mas, na segunda, deixou claro que a situação estava a piorar. Preparou os seus fiéis para o pior e chegou a baptizar alguns não-cristãos.

Infelizmente, após a terceira saída, o Padre Francisco nunca mais voltou, o que gerou suspeitas do pior, que, mais tarde, se confirmaram com a descoberta do seu corpo, em condições que denunciavam a grande crueldade dos assassinos.

Ao fim de algum tempo, os prisioneiros foram liberados, mas obrigados a abandonar a aldeia. Viram que os guerrilheiros tinham jun materiais haviam sido levados para os celeiros para incendiar tudo.

Francisco Xavier Tru'o'ng Bǚu Diệp será beatificado, no dia 2 de Julho de 2026, pelo Papa Leão XIV, em cerimónia a ser presidida pelo Cardeal Luís António Tagle, Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização dos Povos.

 


segunda-feira, 2 de março de 2026

DA PALAVRA DO SENHOR



II DOMINGO DA QUARESMA    

 

“…Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão
e levou os, em particular, a um alto monte
e transfigurou Se diante deles:
o seu rosto ficou resplandecente como o sol
e as suas vestes tornaram se brancas como a luz.
E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele.
Pedro disse a Jesus:
«Senhor, como é bom estarmos aqui!
Se quiseres, farei aqui três tendas:
uma para Ti, outra para Moisés a outra para Elias».
Ainda ele falava,
quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra
e da nuvem uma voz dizia:
«Este é o meu Filho muito amado,
no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».
Ao ouvirem estas palavras,
os discípulos caíram de rosto por terra a assustaram se muito.
Então Jesus aproximou se e, tocando os, disse:
«Levantai vos e não temais».
Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus.
Ao descerem do monte, Jesus deu lhes esta ordem:
«Não conteis a ninguém esta visão,
até o Filho do homem ressuscitar dos mortos»…” (
cf. Mateus 17, 1-9)

 

PALAVRA DO PAPA LEÃO

 


- na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro, Roma,  no dia 22 de Fevereiro de 2026, primeiro Domingo da Quaresma.
 
Caros irmãos e irmãs, bom dia e bom Domingo!
Hoje, primeiro domingo da Quaresma, o Evangelho fala-nos de Jesus que, conduzido pelo Espírito, vai para o deserto e é tentado pelo diabo (cf. Mt 4, 1-11). Depois de jejuar durante quarenta dias, sente o peso da sua humanidade: a fome, sob o plano físico, e as tentações do diabo, sob o plano espiritual. Ele experimenta o mesmo cansaço que todos nós vivenciamos no nosso caminho e, resistindo ao demónio, mostra-nos como vencer os seus enganos e insídias.
Com esta Palavra de vida, a liturgia convida-nos a olhar para a Quaresma como um itinerário luminoso no qual, com a oração, o jejum e a esmola, podemos renovar a nossa cooperação com o Senhor ao realizar da obra-prima única da nossa vida. Trata-se de permitir que Ele remova as manchas e cure as feridas que o pecado pode ter causado nela, e de nos comprometermos em fazê-la florescer em toda a sua beleza até à plenitude do amor, fonte exclusiva da verdadeira felicidade.
Trata-se, sem dúvida, de um percurso exigente, e o risco é desanimar ou deixarmo-nos seduzir por formas de gratificação menos árduas, como a riqueza, a fama e o poder (cf. Mt 4, 3-8). Estas, que também foram as tentações que Jesus enfrentou, são, no entanto, apenas míseros substitutos da alegria para a qual fomos criados e, no final, deixam-nos inevitável e eternamente insatisfeitos, inquietos e vazios.
Por isso, São Paulo VI ensinava que a penitência, longe de empobrecer, enriquece a nossa humanidade, purificando-a e fortalecendo-a no seu movimento em direção a um horizonte que tem «como finalidade o amor e o abandono no Senhor» (Const. ap. Paenitemini, 17 de fevereiro de 1966, I). Assim, a penitência, ao mesmo tempo que nos torna conscientes das nossas limitações, dá-nos a força para as superar e, com a ajuda de Deus, viver uma comunhão cada vez mais intensa com Ele e entre nós.
Neste tempo de graça, pratiquemo-la generosamente, a par da oração e das obras de misericórdia. Dêmos espaço ao silêncio: silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones. Meditemos a Palavra de Deus, aproximemo-nos dos Sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que nos fala ao coração, e escutemo-nos uns aos outros, nas famílias, nos locais de trabalho, nas comunidades. Dediquemos tempo a quem vive sozinho, especialmente aos idosos, aos pobres e aos doentes. Renunciemos ao supérfluo e partilhemos o que pouparmos com quem carece do necessário. Então, como diz Santo Agostinho, «a nossa oração, feita com humildade e caridade, com jejum e esmola, com temperança e perdão, distribuindo coisas boas e não retribuindo na mesma moeda as más, afastando-nos do mal e fazendo o bem» (cf. Sermão 206, 3), alcançará o Céu e nos dará paz.
Confiemos o nosso caminho quaresmal à Virgem Maria, Mãe que sempre assiste os seus filhos nas provações. (cf. Santa Sé)