O Papa Bento XVI, na Praça de São Pedro, em Roma, falou a uma imensa multidão de fiéis acerca do Evangelho da missa de hoje. Nele, Jesus apresenta uma nova Lei que não tem como objectivo abolir a Lei antiga, mas dar-lhe plena realização. Disse Jesus:
“Se a vossa justiça não superar a dos escribas e dos fariseus não entrareis no Reino dos Céus”. Para o Papa, esta plenitude da Lei de Cristo e esta justiça superior que Ele exige é precisamente aquele a mais de amor que nos faz superar a letra das leis e dos preceitos. “Está escrito: quem matar será sujeito a julgamento: Pois eu digo-vos: Todo aquele que se irar contra seu irmão será sujeito a julgamento. Esta maneira de falar – observou Bento XVI - suscitava grande impressão na gente, que ficava admirada porque aquele
‘eu digo-vos’ equivalia a reivindicar para si a mesma autoridade de Deus, fonte da lei. A novidade de Jesus consiste essencialmente no facto de que Ele próprio enche os mandamentos com o amor de Deus. Com a força do Espírito Santo que mora nele. E nós - salientou o Papa – através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à acção do Espírito Santo que nos torna capazes de viver o amor divino. Por isso, cada preceito torna-se verdadeiro como exigência de amor, e todos se unem num único mandamento: ama a Deus com todo o coração e ama o próximo como a ti mesmo. A plenitude da lei é a caridade, escreve S. Paulo. Perante esta exigência, por exemplo – prosseguiu Bento XVI - o caso trágico dos quatro meninos ciganos, mortos a semana passada na periferia de Roma, na sua barraca queimada, impõe a pergunta se uma sociedade mais solidária e fraterna, mais coerente no amor, isto é mais cristã, não teria podido evitar esse evento terrível. E esta pergunta – acrescentou o Papa – vale para tantos outros acontecimentos dolorosos, mais ou menos conhecidos, que ocorrem diariamente nas nossas cidades e países. ( cf. Rádio Vaticano )