PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

terça-feira, 23 de agosto de 2011

PARA REZAR


Senhor do nosso tempo, dono das horas mortas,
Que nos deste o descanso e a trégua do sono
E trazes pela mão o sol que, no horizonte,
Confirma esta manhã de luz e claridade:

A aurora deu verdade aos olhos duvidosos,
O que pecou nas trevas volta ao bom caminho;
O trabalho e a esperança reconstroem o dia,
O mundo sabe a pão e à certeza do lar.

O Sangue do Cordeiro tirou todo o pecado:
Sobe a nossa oração, como astro esplendoroso
A Cristo, pedra firme, alicerce da vida,
Modelo e garantia da nova criação.

Deus do Universo, Esplendor da eternidade,
Que renovas dia a dia a luz da Terra,
Orienta os nossos passos peregrinos,
Confirma esta manhã de paz e claridade.

Entoemos um cântico ao Criador da luz
Até que a sua vontade ordene o nosso fim,
E que, bendizendo-O, nossa última aurora
Se perca num meio-dia sem manhã nem crepúsculo...

Louvor e glória a Ti, Santíssima Trindade,
Pai, Filho, Espírito Santo; que sempre Te adoremos,
Enquanto o astro dos tempos iluminar o mundo
E mesmo quando os séculos terminem o seu curso.
( Liturgia das Horas, Hino IV, Laudes )

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE



( Transcrevemos da Agência Ecclesia )

Estas são Jornadas Mundiais da Juventude onde o pensar anda sempre por perto... Neste encontro mundial, os jovens de todo o mundo não escondem a festa, a cor, a música. E não resistem ao debate de ideias, à análise, à reflexão: porque estão com o Papa da “profundidade” de pensamento. Jovens de todo o mundo esperam ideias de Bento XVI para definir projectos de vida que permitam enfrentar o momento actual e para serem activos incontornáveis na construção de uma sociedade melhor. Premissas das XXVI Jornadas Mundiais da Juventude que não foram apresentadas pela organização madrilena ou pelo Vaticano, antes pelo rei Juan Carlos, de Espanha. Na cerimónia de acolhimento a Bento XVI, no aeroporto de Barajas, Juan Carlos afirmava, talvez em nome dos jovens, que Espanha acolhia o Papa do pensamento, da “profundidade” de pensamento. “Centenas de milhares de rapazes e raparigas, vindos de terras espanholas e do mundo inteiro, esperam-no com entusiasmo para celebrar a XXVI Jornada Mundial da Juventude e aproximarem-se à profundidade do vosso pensamento”, afirmava o rei, em Barajas, nas primeiras palavras que dirigia a Bento XVI. Certo da marca que já faz parte deste pontificado – a análise racional e espiritual ao contexto presente e o contributo cristão para o viver, ler e melhorar – o rei de Espanha definia, assim, estas Jornadas da Juventude como as Jornadas do pensamento, do pensamento do Papa e das propostas que adianta para ultrapassar casos em que a dignidade da pessoa humana é afectada por causa da fome, da falta de emprego, de lógicas de desenvolvimento que não colocam no centro a pessoa humana. Num contexto mundial ambíguo e sombrio, que vê expectativas geradas por sistemas económicos defraudadas e, mesmo assim, tarda em colocar no centro da vida humana a pessoa e não qualquer ciência que a serve, os jovens esperam pistas para definir rumos para a vida e para construir uma sociedade melhor.
Uma vez mais, foi o rei de Espanha que se fez porta-voz da juventude presente em Madrid quando evocou o “magistério de paz, caridade e justiça” de Bento XVI e a expectativa que os jovens nele depositam para enfrentar “com êxito” os desafios actuais. “Quantos vieram a Madrid aguardam o vosso reconhecido magistério de paz, caridade e justiça, para definir um rumo para as suas vidas, enfrentar com êxito os desafios actuais e construir uma sociedade melhor”, referia Juan Carlos. Também nestes encontros, com jovens de todo o mundo onde a festa, a música e a cor dominam, Bento XVI afirma a especificidade do seu pontificado. O rei de Espanha afirmou-O. Os jovens descobrem-no. Isto e muito mais, porque vivem as JMJ.
Paulo Rocha - Director da Agencia Ecclesia

PALAVRA DO PAPA


 No primeiro encontro com os jovens em Madrid, 18.08.2011


“…escutai verdadeiramente as palavras do Senhor, para que sejam em vós «espírito e vida» (Jo 6, 63), raízes que alimentam o vosso ser, linhas de conduta que nos assemelham à pessoa de Cristo, sendo pobres de espírito, famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, amantes da paz. Escutai-as frequentemente cada dia, como se faz com o único Amigo que não engana e com o qual queremos partilhar o caminho da vida. Bem sabeis que, quando não se caminha ao lado de Cristo, que nos guia, extraviamo-nos por outra sendas como a dos nossos próprios impulsos cegos e egoístas, a de propostas lisonjeiras mas interesseiras, enganadoras e volúveis, que atrás de si deixam o vazio e a frustração…
Edificando-a sobre a rocha firme, a vossa vida será não só segura e estável, mas contribuirá também para projectar a luz de Cristo sobre os vossos coetâneos e sobre toda a humanidade, mostrando uma alternativa válida a tantos que viram a sua vida desmoronar-se, porque os alicerces da sua existência eram inconsistentes: a tantos que se contentam com seguir as correntes da moda, se refugiam no interesse imediato, esquecendo a justiça verdadeira, ou se refugiam em opiniões pessoais em vez de procurar a verdade sem adjectivos.
Sim, há muitos que, julgando-se deuses, pensam que não têm necessidade de outras raízes nem de outros alicerces para além de si mesmo. Desejariam decidir, por si sós, o que é verdade ou não, o que é bom ou mau, justo ou injusto; decidir quem é digno de viver ou pode ser sacrificado nas aras de outras preferências; em cada momento dar um passo à sorte, sem rumo fixo, deixando-se levar pelo impulso de cada instante. Estas tentações estão sempre à espreita…”


No encontro com seminaristas, na Catedral de Almudena – Madrid – 20.08.2011

“Deus não desdenhou em fazer de pobres e pecadores amigos seus e instrumentos para a redenção do género humano. A santidade da Igreja é acima de tudo a santidade objectiva da própria pessoa de Cristo, do seu evangelho, dos seus sacramentos, a santidade daquela força do alto que a anima e impulsiona. E é por isso mesmo que os ministros de Cristo estão chamados à santidade. Nós devemos ser santos para não gerar uma contradição entre o sinal que somos e a realidade que queremos significar.
Meditai bem este mistério da Igreja, vivendo os anos da vossa formação com profunda alegria, em atitude de docilidade, de lucidez e de radical fidelidade evangélica, bem como numa amorosa relação com o tempo e as pessoas no meio de quem viveis. É que ninguém escolhe o contexto nem os destinatários da sua missão. Cada época tem os seus problemas, mas Deus dá em cada tempo a graça oportuna para os assumir e superar com amor e realismo.
Mas configurar-se com Cristo significa imitar o Bom Pastor, conformando a Ele o próprio coração… Pedi-Lhe, pois, que vos conceda imitá-Lo na sua caridade até ao fim para com todos, sem excluir os afastados e pecadores, de tal forma que, com a vossa ajuda, se convertam e voltem ao bom caminho. Pedi-Lhe que vos ensine a aproximar-vos dos enfermos e dos pobres, com simplicidade e generosidade. Afrontai este desafio sem complexos nem mediocridade, mas antes como uma forma estupenda de realizar a vida humana na gratuidade e no serviço, sendo testemunhas de Deus feito homem, mensageiros da dignidade altíssima da pessoa humana e, consequentemente, seus defensores incondicionais.
Apoiados no seu amor, não vos deixeis amedrontar por um ambiente onde se pretende excluir Deus e no qual os principais critérios por que se rege a existência são, frequentemente, o poder, o ter ou o prazer. Pode acontecer que vos desprezem, como se costuma fazer com quem aponta metas mais altas ou desmascara os ídolos diante dos quais muito se prostram hoje. Será então que uma vida profundamente radicada em Cristo se revele realmente como uma novidade, atraindo com vigor a quantos verdadeiramente procuram Deus, a verdade e a justiça.”