D. MANUEL CLEMENTE, BISPO DO PORTO
"Estamos em Advento, e aproveitaremos certamente, e da melhor maneira, este período, este
tempo litúrgico, para nós e para todos aqueles que, connosco, caminham neste momento da
nossa sociedade e Igreja. Advento, significa “vinda”, e é muito mais do que a lembrança da
primeira vinda de Cristo, como a celebraremos no próximo Natal. De alguma maneira, glosando S. Bernardo, um grande autor da Igreja, do século XII e de todos os tempos, podemos dizer, que há três adventos, ou três vindas de Cristo ao mundo. A primeira, essa a que já me referi e que celebraremos no Natal, a sua primeira vinda; a última em que Cristo ressuscitado, se tornará patente, como significado, primeiro e último, de toda a história de vida pela Humanidade. Mas há uma vinda intermédia, precisamente esta que nós podemos e devemos viver agora, que é a que acontece pela constante presença de Jesus Cristo, nos variados sinais dessa mesma realidade. Portanto, a sua Palavra: a sua Palavra que é uma Palavra que não passará e este tempo do Advento, deve prestar uma escuta muito grande, a tudo aquilo que a Palavra de Deus nos vai dizendo, no dia-a-dia da vida eclesial e mesmo na leitura bíblica nas nossas casas; depois, certamente nos seus sacramentos, onde a sua presença viva também acontece e a sua vinda também tem de ser preparada e recebida e, já sabemos, cada irmão, que é o sinal da sua presença constante. O nosso acolhimento à vinda do Senhor em cada encontro, esperado ou inesperado do dia-a-dia, é também um Advento possível, um Advento muito desejável, particularmente agora, em que na nossa sociedade, na nossa sociedade portuguesa, bem precisamos de preencher de esperança o dia-a-dia, que para tantos, e directa ou indirectamente para todos, nem sempre assim se apresenta, ou seja, esperançoso. Mas quando nós sabemos, que o nosso Deus em Jesus Cristo, fez-se sua a nossa própria história, e sobretudo, quer fazer nossa a sua própria vida, nós que sabemos isto, podemos viver o dia-a-dia com uma esperança reforçada de que as coisas por mais pequenas, e até mais divergentes da nossa expectativa, que aconteçam, estão preenchidas da presença do nosso Deus. O nosso Deus, não tem agora outro céu, que não seja esta terra em que quer conviver connosco, ela mesma aberta à sua plenitude divina. E por isso, o convite que eu gostaria de fazer a todos e a certeza que com todos partilho neste momento, é que o nosso Advento seja - será certamente - um tempo de esperança preenchida. Porque nós sabemos que o acolhimento que fizermos aos outros, àqueles que mais precisam neste momento, de ser recebidos, de ser apoiados, que a esperança seja neles reforçada também, pois está cheio daquela plenitude de que nós não desistimos, porque sobretudo, Deus não desiste de a partilhar connosco. E nesse sentido, eu desejo a todos - e comprometamo-nos também um Santo e feliz Advento, quer dizer, cheio da presença de Deus, fonte constante da nossa esperança e reconstrução permanente das nossas vidas, sociais, e em todas as dimensões que tiverem, vidas plenas da plenitude de Deus, como ela se oferece ao mundo.


