PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

SANTOS POPULARES



TODOS OS SANTOS

No dia 1 de Novembro, celebramos a memória de Todos-os-Santos. Numa única festa, louvamos a Deus pelo amor que fez germinar no coração de tantos homens e mulheres que se confiaram a Cristo e de deram, na caridade, aos outros. Agora, revestidos da glória de Cristo ressuscitado, contemplam a face de Deus e rejubilam na Sua presença. Na vida, professaram a sua fé mostrando-a nas suas boas obras; fizeram-se uma oblação até ao fim, até ao martírio; renunciaram às vaidades do mundo para, na sua pobreza, encontrar o verdadeiro tesouro: Cristo. A propósito desta solenidade, disse o Papa Bento XVI: “… ‘Para que serve o nosso louvor aos santos, o nosso tributo de glória, esta nossa solenidade’. Com esta interrogação tem início uma famosa homilia de São Bernardo para o dia de Todos os Santos. É uma pergunta que se poderia fazer também hoje. E é actual a resposta que o Salmo nos oferece: ‘Os nossos santos - diz São Bernardo - não têm necessidade das nossas honras, e nada lhes advém do nosso culto. Por minha vez, devo confessar que, quando penso nos santos, sinto-me arder de grandes desejos’. (Disc. 2; Opera Omnia Cisterc. 5, 364ss.). Eis, portanto, o significado da solenidade hodierna: contemplando o exemplo luminoso dos santos, despertar em nós o grande desejo de ser como os santos: felizes por viver próximos de Deus, na sua luz, na grande família dos amigos de Deus. Ser santo significa: viver na intimidade com Deus, viver na sua família. Esta é a vocação de todos nós, reiterada com vigor pelo Concílio Vaticano II, e hoje proposta de novo, solenemente, à nossa atenção. Mas como é que podemos tornar-nos santos, amigos de Deus? A esta interrogação pode-se responder, antes de mais, de forma negativa: para ser santo não é necessário realizar acções nem obras extraordinárias, nem possuir carismas excepcionais. Depois, vem a resposta positiva: é preciso, sobretudo, ouvir Jesus e depois segui-lo sem desanimar diante das dificuldades. ‘Se alguém me serve Ele admoesta-nos que me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai há-de honrá-lo’ (Jo 12, 26). Quem nele confia e o ama com sinceridade, como o grão de trigo sepultado na terra, aceita morrer para si mesmo. Com efeito, Ele sabe que quem procura conservar a sua vida para si mesmo, perdê-la-á; e quem se entrega, quem se perde a si mesmo encontra a própria vida (cf. Jo 12, 24-25). A experiência da Igreja demonstra que cada forma de santidade, embora siga diferentes percursos, passa sempre pelo caminho da cruz, pelo caminho da renúncia a si mesmo. As biografias dos santos descrevem homens e mulheres que, dóceis aos desígnios divinos, enfrentaram por vezes provações e sofrimentos indescritíveis, perseguições e o martírio. Perseveraram no seu compromisso, ‘vêm da grande tribulação - lê-se no Apocalipse -, lavaram as suas túnicas e branquearam-nas no sangue do Cordeiro’ (Ap 7, 14). Os seus nomes estão inscritos no livro da Vida (cf. Ap 20, 12); a sua morada eterna é o Paraíso. O exemplo dos santos constitui para nós um encorajamento a seguir os mesmos passos, a experimentar a alegria daqueles que confiam em Deus, porque a única verdadeira causa de tristeza e de infelicidade para o homem é o facto de viver longe de Deus…” ( cf. Bento XVI, Homilia do dia 1 de Novembro de 2006 )