PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, no dia 14 de Novembro, em Roma.

No nosso tempo verifica-se um fenómeno particularmente perigoso para a fé: há uma forma de ateísmo que se define, precisamente, como "prático", que não nega as verdades da fé nem os rituais religiosos, mas, simplesmente, os considera irrelevantes para a existência quotidiana, desligados da vida, inúteis. Muitas vezes, acredita-se em Deus de modo superficial, e vive- se "como se Deus não existisse" . Este modo de vida leva à indiferença quanto à fé e quanto à questão de Deus. Na realidade, o homem separado de Deus reduz-se a uma única dimensão, a horizontal, e esse reducionismo é justamente uma das causas fundamentais dos totalitarismos que tiveram consequências trágicas no século passado, e da crise de valores que testemunhamos na realidade actual. Obscurecendo a referência a Deus, foi obscurecido também o horizonte ético, para dar espaço ao relativismo e a uma concepção ambígua de liberdade, que, em vez de ser libertadora, acaba por amarrar o homem a ídolos. As tentações que Jesus enfrentou no deserto, antes do seu ministério público, representam bem os "ídolos" que fascinam o homem quando ele não vai além de si mesmo. Quando Deus perde a centralidade, o homem perde o seu lugar, não encontra mais o seu lugar na criação, no relacionamento com os outros. Não desapareceu o que a sabedoria antiga evocava com o mito de Prometeu: o homem pensa que pode tornar-se "deus", mestre da vida e da morte. Diante deste quadro, a Igreja, fiel a Cristo, não deixa jamais de afirmar a verdade sobre o homem e sobre o seu destino. O Concílio Vaticano II afirma de forma sucinta: "A razão mais alta da dignidade do homem consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o seu nascimento, o homem já está convidado a conversar com Deus. Ele não existe, aliás, a não ser porque, criado por Deus por amor, é mantido por Ele também por amor, nem pode viver plenamente segundo a verdade se não O reconhecer livremente e não se confiar ao seu Criador "(Gaudium et Spes, 19).