PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

sábado, 8 de dezembro de 2012

SANTOS POPULARES



SÃO JOÃO DA CRUZ

Juan de Yepes nasceu em 1542, provavelmente no dia 24 de Junho, em Fontiveros, perto de Ávila, na Velha Castela. Era o terceiro filho de Gonzalo de Yepes e de Catalina Alvarez. A família era extremamente pobre porque o pai, de uma nobre família de Toledo, tinha sido expulso de casa e deserdado por ter casado com Catalina, que era uma humilde tecelã de seda. Órfão de pai em tenra idade, com nove anos, transferiu-se, com a mãe e o irmão Francisco, para Medina del Campo, perto de Valladolid. Ali, frequentou o Colegio de los Doctrinos, um colégio para crianças pobres, desempenhando, também, alguns trabalhos humildes para as irmãs da igreja-convento da Madalena. Em seguida, tendo em conta as suas qualidades humanas e os seus resultados nos estudos, foi admitido como enfermeiro no Hospital da Conceição e, depois, no Colégio dos Jesuítas, recém-fundado em Medina del Campo. Neste colégio, João, com dezoito anos de idade, estudou ciências humanas, retórica e línguas clássicas, durante três anos. No final da formação, percebeu claramente qual era a sua vocação: entrar na vida religiosa. Entre as muitas ordens religiosas presentes em Medina, sentiu-se chamado ao Carmelo. No Verão de 1563, começou o noviciado com os Carmelitas da cidade, assumindo o nome religioso de João de São Matias. No ano seguinte, foi destinado à prestigiosa Universidade de Salamanca onde, durante três anos, estudou artes e filosofia. Em 1567, foi ordenado sacerdote. Voltou a Medina del Campo para celebrar a sua primeira Missa, rodeado pelo carinho dos seus familiares. Foi precisamente ali que teve lugar o primeiro encontro entre João e Teresa de Jesus. O encontro foi decisivo para ambos: Teresa expôs-lhes o seu plano de reforma do Carmelo, também no ramo masculino da Ordem, e propôs a João que se adaptasse «para maior glória de Deus»; o jovem sacerdote ficou fascinado pelas ideias de Teresa, a ponto de se tornar um grande defensor do projecto. Os dois trabalharam juntos alguns meses, compartilhando ideais e propostas para inaugurar, quanto antes, a primeira casa de Carmelitas Descalços. A abertura ocorreu a 28 de Dezembro de 1568, em Duruelo, lugar solitário da província de Ávila. Com João, formavam esta primeira comunidade masculina reformada, outros três companheiros. Ao renovar a sua profissão religiosa segundo a Regra primitiva, os quatro assumiram um novo nome. Então, João denominou-se «da Cruz», como depois viria a ser conhecido universalmente. No final de 1572, a pedido de Teresa de Jesus (Santa Teresa de Ávila), tornou-se confessor e vigário do mosteiro da Encarnação, em Ávila, onde ela era prioresa. Foram anos de estreita colaboração e amizade espiritual, que a ambos enriqueceram. A esse período remontam inclusive as mais importantes obras teresianas e os primeiros escritos de João. A adesão à reforma carmelita não foi fácil, e causou a João, também, graves sofrimentos. O episódio mais traumático foi, em 1577: o seu rapto e aprisionamento no convento dos Carmelitas de Antiga Observância de Toledo, devido a uma acusação injusta. O santo permaneceu preso durante meses, submetido a privações e constrições físicas e morais. Ali compôs, além de outras poesias, o célebre Cântico espiritual. Finalmente, na noite de 16 para 17 de Agosto de 1578, conseguiu fugir, de forma rocambolesca, e refugiou-se no mosteiro das Carmelitas Descalças da cidade. Teresa de Jesus e os companheiros reformados celebraram com imensa alegria a sua libertação. Após um breve período de recuperação de forças, João foi destinado para a Andaluzia, onde viveu dez anos, em vários conventos, com realce para a sua estada em Granada. Assumiu cargos cada vez mais importantes na Ordem, até se tornar Vigário provincial, e completou a redacção dos seus tratados espirituais. Depois, voltou para a sua terra natal, como membro do governo-geral da família religiosa teresiana, que já gozava de plena autonomia jurídica. Habitou no Carmelo de Segóvia, desempenhando a função de superior daquela comunidade. Em 1591, foi exonerado de qualquer responsabilidade e foi destinado à nova Província religiosa do México. Enquanto se preparava para a longa viagem com outros dez companheiros, retirou-se para um convento solitário perto de Jaén, onde adoeceu gravemente. João enfrentou com exemplar serenidade e paciência os enormes sofrimentos que a doença lhe provocava. Faleceu na noite 13 para 14 de Dezembro de 1591, enquanto os irmãos de hábito recitavam o Ofício matutino. Despediu-se deles, dizendo: «Hoje vou cantar o Ofício no Céu». Os seus restos mortais foram trasladados para Segóvia. Foi beatificado pelo Papa Clemente X, em 1675, e canonizado pelo Papa Bento XIII, em 1726. São João da Cruz é considerado um dos mais importantes poetas líricos da literatura espanhola. As suas obras principais são quatro: Subida ao Monte Carmelo, Noite obscura, Cântico espiritual e Chama de amor viva. Em 1926, foi proclamado Doutor da Igreja, pelo Papa Pio XI. A sua memória litúrgica faz-se no dia 14 de Dezembro. ( extraído da catequese do Papa Bento XVI – Audiência geral de 16 de Fevereiro de 2011)