PALAVRA COM SENTIDO
“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)
O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
PALAVRAS DO PAPA
ANO DA FÉ
Queridos amigos,
Com viva gratidão e afecto, saúdo todos os congregados no «Átrio dos Gentios», que se inaugura em Portugal, nos dias 16 e 17 de Novembro de 2012, reunindo crentes e não-crentes ao redor da aspiração comum de afirmar o valor da vida humana sobre a maré crescente da cultura da morte. Na realidade, a consciência da sacralidade da vida que nos foi confiada, não como algo de que se possa dispor livremente, mas como dom a guardar fielmente, pertence à herança moral da humanidade. «Mesmo entre dificuldades e incertezas, cada homem sinceramente aberto à verdade e ao bem, com a luz da razão e não sem o secreto influxo da graça, pode chegar a reconhecer na lei natural inscrita no coração (cf. Rm 2, 14-15) o valor sagrado da vida humana desde o primeiro momento do seu início até ao seu termo» (Enc. Evangelium vitæ, 2). Não somos produto casual da evolução, mas cada um de nós é fruto de um pensamento de Deus: somos amados por Ele. Mas, se a razão pode alcançar tal valor da vida, porquê invocar Deus nesta questão? Respondo citando uma experiência humana. A morte da pessoa amada é, para quem a ama, o acontecimento mais absurdo que se possa imaginar: aquela é incondicionalmente digna de viver, é bom e belo que exista (o ser, o bem e o belo, como diria um metafísico, equivalem-se transcendentalmente). Entretanto, a morte daquela mesma pessoa aparece, aos olhos de quem não ama, como um acontecimento natural, lógico (não absurdo). Quem tem razão? Aquele que ama («a morte desta pessoa é absurda») ou aquele que não ama («a morte desta pessoa é lógica»)? A primeira posição só é defensável, se cada pessoa for amada por um Poder infinito; e aqui está o motivo por que foi preciso apelar a Deus. De facto, quem ama não quer que a pessoa amada morra; e, se pudesse, impedi-lo-ia sempre. Se pudesse!… O amor finito é impotente; o Amor infinito é omnipotente. Ora, esta é a certeza que a Igreja anuncia: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Sim! Deus ama cada pessoa e, por isso, é incondicionalmente digna de viver. «O sangue de Cristo, ao mesmo tempo que revela a grandeza do amor do Pai, manifesta como o homem é precioso aos olhos de Deus e como é inestimável o valor da sua vida» (Enc. Evangelium vitæ, 25). Na modernidade, porém, o homem quis subtrair-se ao olhar criador e redentor do Pai (cf. Gn 4, 14), fundando-se sobre si mesmo e não sobre o Poder divino. Quase como sucede nos edifícios de cimento armado sem janelas, onde é o homem que provê ao clima e à luz; e, no entanto, mesmo em tal mundo autoconstruído, vai-se beber aos «recursos» de Deus, que são transformados em produtos nossos. Que dizer então? É preciso tornar a abrir as janelas, olhar de novo a vastidão do mundo, o céu e a terra e aprender a usar tudo isto de modo justo. De facto, o valor da vida só se torna evidente, se Deus existe. Por isso, seria bom se os não-crentes quisessem viver «como se Deus existisse». Ainda que não tenham a força para acreditar, deviam viver na base desta hipótese; caso contrário, o mundo não funciona. Há tantos problemas que devem ser resolvidos, mas nunca o serão de todo, se Deus não for colocado no centro, se Deus não se tornar de novo visível no mundo e determinante na nossa vida. Aquele que se abre a Deus não se alheia do mundo e dos homens, mas encontra irmãos: em Deus caem os nossos muros de separação, somos todos irmãos, fazemos parte uns dos outros. Meus amigos, gostava de concluir com estas palavras do Concílio Vaticano II aos homens de pensamento e de ciência: «Felizes os que, possuindo a verdade, a procuram ainda a fim de a renovar, de a aprofundar, de a dar aos outros» (Mensagem, 8 de Dezembro de 1965). Tal é o espírito e a razão de ser do «Átrio dos Gentios». A vós, comprometidos de várias maneiras neste significativo empreendimento, manifesto o meu apoio e dirijo o meu mais sentido encorajamento. O meu afecto e a minha bênção vos acompanham hoje e no futuro.
PARA REZAR
O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.
Vós não abandonareis a minha alma
na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.
delícias eternas à vossa direita.
SANTOS POPULARES
Miguel Augustin Pró nasceu em Guadalupe de Zacatecas, no México, no dia 13 de Janeiro de 1891. Nasceu numa família simples de mineiros e foi o terceiro de onze filhos. Em casa era tratado por "Cocol". A sua família tinha profundos sentimentos religiosos e os pais transmitiram- nos aos seus filhos. Duas das suas irmãs tornaram-se religiosas conventuais. Miguel, desde criança, desejava ser sacerdote e, por isso, aos 20 anos entrou no noviciado da Companhia de Jesus, em El Lhano. Em 1914, por causa da perseguição religiosa promovida pelo governo mexicano, teve de fugir, refugiando-se na Califórnia, Estados Unidos da América. Logo de seguida, partiu para Granada, em Espanha, onde viveu de 1915 até 1919 e onde concluiu os seus estudos. Nos anos de 1919 a 1922, foi professor na Nicarágua. De volta ao México, defrontou- se com as tentativas do governo de exterminar a Igreja Católica, cujas escolas foram fechadas. A Igreja não mais poderia participar na educação dos mexicanos. Os padres perderam os seus direitos civis; foram proibidos de usar hábitos religiosos; perderam o seu direito ao voto e não poderiam, sob pena de prisão, dar entrevistas. Muitas destas disposições, foram caindo em desuso, mas só foram revogadas da legislação mexicana em 1998. Sendo impossível estudar teologia no México, Miguel partiu para a Bélgica onde terminou o seu curso teológico. Neste período, e por ser de frágil constituição física, a sua saúde deteriorou-se. Na Bélgica, foi ordenado sacerdote, em 31 de Agosto de 1925, e iniciou o seu ministério sacerdotal entre os mineiros de Charleroi. Três meses depois de ordenado, foi submetido a várias cirurgias por causa de problemas de úlcera no estômago. Depois de restabelecido, retornou ao México, em 1926. Alguns Estados mexicanos, como o Estado de Tabasco, tinham fechado todas as Igrejas e afastado todos os sacerdotes de qualquer serviço público, principalmente do ensino e das capelanias militares. Muitos sacerdotes foram forçados a casar- se e, por medo da morte ou da prisão, submeteram-se a esta imposição governamental. As missas estavam proibidas e, mesmo assim, o Padre Pró celebrava-as clandestinamente, usando roupas de operário: não tinha paramentos nem outros objectos sagrados. Usar a batina em público era denunciar a sua condição e correr o risco de ser preso. Celebrava a Eucaristia com pequenos grupos de católicos, escondidos em residências. A Igreja Católica do México tinha voltado à época do início da Igreja no Império Romano: às catacumbas. A vida cristã e o ministério do Padre Pró tinham-se tornado "subterrâneos". Nesse mesmo ano, 1926, foi preso pela polícia. Depois de rigoroso interrogatório, foi solto mas mantido sob vigilância apertada. Por essa altura, houve um atentado contra o ex-presidente Obregon que ficou levemente ferido. Um dos participante no atentado foi apanhado e preso. No interrogatório, confessou que o Padre Pró e dois dos seus irmãos, Humberto e Roberto, teriam participado no atentado. Nunca se soube como é que esse depoimento foi obtido. Na verdade, havia indícios de que os dois irmãos teriam participado do planeamento do atentado mas, reconhecidamente, o Padre Pró não sabia de nada. As autoridades mexicanas aproveitaram esta oportunidade para o eliminar, juntamente com os irmãos. Em processo sumário, sem julgamento legal e sem defesa, o ditador Elias Calles - fundador do Partido Nacional Revolucionário, de bases marxistas-leninistas e que governou o México de Dezembo de 1924 a 30 de Novembro de 1928 – determinou, no dia 13 de Novembro de 1927, que o Padre Pró fosse executado, sob o pretexto de ter participado no atentado. Mas, todos sabiam que, para o regime, o seu crime era o facto de ser sacerdote católico. Calles mandou fotografar todos os momentos da sua execução, pretendendo com isso intimidar os cristeros: cristãos que se tinham revoltado, em luta armada, contra os desmandos do regime totalitário e anti-cristão que vigorava no México. Estas fotografias acabaram por ser verdadeiros documentos comprovativos da tirania deste presidente. O Padre Pró abençoou os soldados que estavam encarregados de o executar. Estes ajoelharam-se e pediram-lhe perdão. O Padre tinha um crucifixo numa das mãos e um terço na outra. "Sei e vocês sabem que eu estou inocente. Mas que Deus os perdoe!", foram as suas palavras antes de abrir os braços em cruz, como Jesus no Gólgota, e gritar: "Viva Cristo, Rei”! Recebeu as rajadas no peito e caiu morto. Isto aconteceu no dia 23 de Novembro de 1927, na cidade do México. O Padre Miguel Pró tinha 36 anos e era sacerdote jesuíta. Os seus restos mortais repousam na Igreja da Sagrada Família, na cidade do México. Foi beatificado, como mártir da Igreja Católica, pelo papa João Paulo II, no dia 25 de Setembro de 1988. A sua memória litúrgica faz-se no dia 23 de Novembro, dia de sua execução.



