PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

FESTA DAS FOGACEIRAS

 



A Paróquia de Santa Maria da Feira, mais uma vez, recebe a realização da Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião. Festa antiga e sempre nova, expressão da fé e da fidelidade de um povo que, em tempos de crise, de dificuldade, de morte soube confiar-se à bondade de Deus pela intercessão de São Sebastião. Fazer a festa, hoje, deveria significar entrar em luta contra a maldade do mundo; a violência que vai germinando onde menos se espera; o desespero que domina tantas almas e vidas, por causa da noite que se abateu sobre elas; a tristeza que divide as famílias pela agressão, o abandono, a indiferença; a escravização dos sentimentos ao lucro, ao gozo, à superficialidade, à corrupção. Sebastião foi, na sua vida, um lutador pela verdade, pela liberdade, pelo respeito, pela responsabilidade, pela fé em Jesus Cristo. Quanto temos a aprender com ele?...

                                                                           
A Festa faz-se no dia 20 de Janeiro.
 A Eucaristia, às 11 horas, será presidida pelo Sr. Dom João Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto. Sebastião, como a maior parte dos leitores sabe, nasceu em meados do séc. III ( 263?..) provavelmente em Milão, terra da sua mãe; alguns apontam Narbona, terra natal do seu pai, como sendo o lugar do seu nascimento. São poucos os dados históricos acerca dele. Pelo ano 270, foi para Roma onde viveu a maior parte da sua vida e conheceu o imperador Diocleciano, de quem se tornou grande amigo. Foi soldado do exército romano, chegando a alcançar o comando de uma coorte de pretorianos, a guarda particular do imperador. Cristão convicto, a todos falava de Jesus. Pela sua acção, muitos se converteram ao Evangelho: soldados, prisioneiros e, até, o governador de Roma, Cromazio, e o seu filho, Tibúrcio, que depois deram a vida por Jesus, sofrendo, também eles, o martírio. Sebastião, por ser cristão e por testemunhar Jesus, confortando os cristãos que estavam aprisionados, foi denunciado e, também, preso. Diocleciano tentou, em vão, persuadi-lo a renegar a fé, fazendo apelo à amizade que os unia. Sebastião manteve-se fiel a Jesus e aos princípios que davam sentido à sua vida. Então, foi condenado à morte, sentença que os arqueiros se encarregaram de cumprir. Crivado de flechas, Sebastião foi encontrado por Irene (Santa Irene), uma cristã, que, ao retirá-lo da árvore onde os seus algozes o tinham amarrado, verificou que ainda estava com vida. Levando-o para sua casa, tratou das suas feridas e Sebastião restabeleceu-se em poucos dias. Insensível às súplicas dos cristãos, seus amigos, apresentou-se ao imperador, recriminando-o pela antipatia que nutria pelos cristãos e pela perseguição que promovia contra eles. Voltou a ser preso e, desta vez, condenado a ser açoitado até morrer. Isto aconteceu por volta do ano 304. O seu cadáver foi atirado para o reservatório dos esgotos de Roma ( Cloaca Massima ), para que desaparecesse para sempre. Porém, foi descoberto por uma mulher, de nome Lucina ( Santa Lucina) que o retirou da imundície, o lavou e preparou para ser sepultado. Dizem que, em sonhos, Sebastião lhe apareceu pedindo-lhe que o sepultasse nas catacumbas, ao lado da sepultura onde repousavam as relíquias dos Apóstolos Pedro e Paulo. Estas catacumbas chamam-se, agora, “catacumbas de São Sebastião”. Desde esta altura, em Roma, foi intenso o culto de São Sebastião. A devoção ao Santo Mártir espalhou-se pelo mundo e resiste ao passar dos séculos. São Sebastião, depois de São Pedro e São Paulo, é o terceiro padroeiro de Roma. Mais tarde, próximo do lugar onde foi sepultado, junto à via Ápia - que ligava Roma ao resto do mundo - foi construída uma basílica em sua honra: a Basílica de São Sebastião.