PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 6 de janeiro de 2013

SANTOS POPULARES



SÃO LOURENÇO JUSTINIANO

Lourenço nasceu em Veneza, no dia 1 de Julho de 1380, numa família ilustre e nobre: a família Giustiniani. Desde criança, manifestou apreço pelas virtudes da humildade, do desapego às coisas materiais, de transparente honestidade no corpo, na alma e no uso dos bens que possuía. O que mais o fazia sofrer era saber que a vida dos homens e mulheres da sua cidade era dominada pelo orgulho, pela ganância, pela ambição desmedida e pela corrupção. Já adolescente, viveu uma experiência mística que o marcou para sempre: teve a visão da Sabedoria Eterna - Jesus Cristo, Palavra viva do Pai – e, desde então, decidiu dedicar-se à vida religiosa.  O seu único desejo era amar e servir a Deus. Procurando crescer na perfeição da vida espiritual, tornou-se mendigo na sua própria cidade, chegando mesmo a pedir esmola à porta da casa dos seus próprios pais. Os seus familiares sentiam-se provocados e envergonhados com esta sua atitude e, muitas vezes, tentaram demovê-lo e até desviarem-no do caminho da vida religiosa. As comunidades cristãs da Veneza do século XV eram comunidades cheias de vitalidade e de fervor religioso, abertas a uma verdadeira reforma católica e desejosas de dar prova do seu amor a Cristo, dando frutos de testemunho e de boas obras. Lourenço Justiniano é uma prova de que a renovação da vida de fé e a transformação do coração dá muitos frutos.  Com apenas dezanove anos de idade, já era considerado um modelo de virtude, de austeridade e de humildade. Em 1404, foi ordenado Diácono e uniu-se a outros sacerdotes, entrando para Mosteiro de São Jorge, em Alga, para viver, com eles, em comunidade. Este grupo foi conhecido como "Companhia dos Cónegos Seculares", pioneiros do esforço reformador da Igreja Católica. Eram sacerdotes seculares ( ligados ao mundo no seu apostolado, sobretudo o do ensino e da pregação) mas viviam em comunidade, para se ajudarem mutuamente no esforço da santificação . Para isso, criaram regras muito próprias para a organização da sua vida comunitária e apostólica. Lourenço foi ordenado sacerdote, em 1407 e, dois anos depois, foi eleito superior da Comunidade de São Jorge de Alga. Não sendo um bom orador, tornava a sua pregação eficiente com a sua dedicação ao ministério do confessionário, com o seu exemplo de humilde mendicante e com o seu trabalho de escritor incansável. A sua obra inclui livros para doutores e leigos, incluindo tratados teológicos e simples manuais de catequese. Os seus escritos trazem a matriz da sua revelação original: a ideia da "Sabedoria Eterna", eixo da sua mística, tanto para a perfeição interior como para a rectidão da vida. Apesar de não ser seu desejo, em 1433, foi ordenado bispo de Castello, uma pequena diocese perto de Veneza, pelo Papa Eugénio IV. Em 1451, o papa Nicolau V extinguiu esta diocese e nomeou Lourenço Justiniano para primeiro patriarca de Veneza. Nestas funções, deixou uma marca muito particular, impressa com as suas virtudes. Era considerado um homem sábio, prudente, piedoso e, sobretudo, um homem de caridade, principalmente com os mais pecadores. Mandou construir mais de quinze conventos e inúmeras igrejas, possibilitando que muitas pessoas se aproximassem de Deus e vivessem a verdade da fé com entusiasmo e dedicação. A sua acção apostólica levou a um aumento considerável de crentes, na diocese de Veneza e nos arredores. Foi um modelo e um exemplo de pastor, amado por todos os seus fiéis, que obedeciam à sua pregação e ao seu exemplo no seguimento de Cristo. A sua mensagem acentuava, sobretudo, o dever da fidelidade aos mandamentos do Senhor. Lourenço Justiniano morreu no dia 8 de Janeiro de 1456, com setenta e seis anos. Depois da sua morte, muitos milagres foram atribuídos à sua intercessão, Foi canonizado, em 1690, pelo Papa Alexandre VIII.

Na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, no retábulo-mor, encontra-se uma imagem de São Lourenço Justiniano. Os Cónegos seculares de São João Evangelista, ou “frades lóios” - versão portuguesa dos Cónegos Seculares de São Jorge de Alga, de quem Lourenço Justiniano foi superior e impulsionador – eram muito devotos de São Lourenço Justiniano a quem consideravam como fundador do espírito que os motivava e unia. Esta imagem, agora em restauro, mostra o modo de trajar dos “Frades Lóios” ou “frades azuis” por causa da cor das suas vestes. A sua memória litúrgica já esteve marcada no dia 5 de Setembro, data em que fora nomeado bispo. Depois da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, esta memória é celebrada no dia 8 de Janeiro, data da sua morte.