PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

SANTOS POPULARES



SANTA INÊS DA BOÉMIA

Inês (Anezka) era filha de Premysl Otocar I, um rei forte e ambicioso, e de Constância, da dinastia Arpad, da Hungria. Por parte do pai, Inês era descendente da famosa família dos Santos Ludmila e Venceslau. Santa Isabel da Hungria era sua prima; Santa Edviges foi sua tia-avó, e Santa Margarida da Hungria foi sua sobrinha. Inês nasceu, em 1202, na cidade de Praga, actual capital da Checa. Como era costume na época medieval, os casamentos eram tratados entre as famílias, garantindo alianças, interesses, poder. Ainda criança, Inês foi prometida em casamento a Henrique VII, rei da Silésia e da Alemanha. Com três anos de idade, foi enviada – juntamente com Ana, a sua irmã mais velha – para o Mosteiro de Trebnica, em Breslau, onde era monja a sua tia Edviges ( Santa Edviges ) que se tornou sua educadora. Aos seis anos, foi transferida para o Mosteiro de Doksany, onde aprendeu a escrever. O compromisso matrimonial com o filho do Imperador Frederico II, tirou Inês, aos oito anos, da tranquilidade do Mosteiro e transferiu-a para o ambiente mundano da Corte de Viena, onde deveria receber a educação digna de uma futura imperatriz. Mais tarde, com o seu noivado desfeito, por razões de desentendimentos políticos do seu pai, foi objecto de interesse de vários pretendentes nobres, e inclusive, do próprio Imperador Frederico II, que ficara viúvo. Porém, Inês havia já decidido consagrar a sua vida a Jesus Cristo e, com decisão e firmeza, não aceitou casar-se. Inês – que ouvira falar das novas formas de vida religiosa que estavam a surgir naquela época, em Itália, com São Francisco e Santa Clara de Assis - sentiu-se profundamente atraída pelo movimento franciscano. Às suas custas, a nobre princesa mandou construir uma igreja para os Frades Menores (franciscanos) e um hospital para os doentes pobres, onde ela mesma se dedicava a cuidar deles. As duas construções foram dedicadas a São Francisco. O hospital foi confiado aos Crucíferos da Estrela Vermelha, que depois se tornou numa ordem religiosa com a regra de santo Agostinho e que, segundo consta, ela teria ajudado nas fases iniciais; esta Ordem, por causa de conflitos políticos e sociais, foi extinta em meados do século XVII. Inês renunciou à administração direta do hospital para optar por uma vida de clausura e de pobreza absoluta. Em 1234 - com o desejo de que houvesse na sua cidade um convento de vida contemplativa, semelhante à experiência de Clara e das primeiras Clarissas de Assis - construiu, junto da Igreja de São Francisco, o Mosteiro das Damas Pobres de São Damião de Praga. Com cinco Clarissas provindas de Trento (Itália) e algumas jovens das famílias nobres da Boémia, Inês iniciou e organizou a vida religiosa deste Mosteiro: era a festa de Pentecostes de 1234. Inês, com trinta e dois anos, entrou neste mosteiro de clausura e aí viveu até ao fim da sua vida. Distribuiu todos os seus bens pelos pobres e conseguiu que o Papa Gregório IX aprovasse, para este Mosteiro, a mesma Regra que se vivia, naquela época, no Mosteiro das Clarissas de Assis. Foram tantas as jovens que se sentiram chamadas a viver este mesmo ideal que, em poucos anos, o número de Irmãs chegou à centena. Foi necessário construir um mosteiro maior para acolher todas as vocacionadas. Também noutros lugares da Boémia, Polónia, Morávia, o exemplo da ilustre princesa foi acolhido por muitas mulheres e se fizeram monjas e os mosteiros começaram a multiplicar-se. Inês foi a grande impulsionadora da Ordem de Santa Clara nos países checo eslovacos. Inês mandou construir, junto do Mosteiro das Damas Pobres, um mosteiro para os Frades Menores, com o objectivo de receber deles a assistência espiritual; isto fez realçar o sentido de pertença destas monjas ao movimento franciscano, que ela tanto amava. Como abadessa das Clarissas de Praga, foi muito activa e dinâmica na tarefa de implementar a autêntica vivência evangélica da pobreza, no espírito dos fundadores, Francisco e Clara. Manteve um constante contacto com a Santa Sé e obteve um bom número de documentos e de cartas papais, como resposta às solicitações que fazia. A escolha e a vivência da “Forma de Vida de Santa Clara” - baseada explicitamente na pobreza absoluta - foram, para Inês, uma luta de toda a vida. A maior parte das cartas e documentos estão relacionados com o problema crucial de manter vivo o ideal de vida pobre e recolhida, dedicada à contemplação, conforme as primeiras monjas de São Damião (clarissas de Assis). Inês exerceu uma notável obra pacificadora entre os membros da sua própria família e da comunidade religiosa à qual pertencia. Sugeria sempre soluções inspiradas nos princípios cristãos. Procurou também uma paz duradoura entre o rei da Boémia e a Cúria papal e, assim, pôde reerguer-se como baluarte de paz frente à política prepotente de outros reis. A sua vida foi sempre marcada por cruzes e sofrimentos. Grandes problemas e intrigas da corte, perseguições, guerras, mortes, abateram-se sobre o reinado do seu irmão Wenceslau e do seu sobrinho Otocar II. Inês foi sempre de uma fortaleza extraordinária e ajudou-os com a força da oração e da palavra confortadora. A sua velhice foi entristecida pela morte cruel do rei Otocar, no ano de 1278, que ela previra interiormente. Inês da Boémia morreu em 1282, depois de ter vivido com muita radicalidade a sua vocação e de ter consolidado fortemente a fundação de Praga, com o seu exemplo de doação e com as suas virtudes. Foi beatificada pelo Papa Pio IX, em 1874, e canonizada pelo Papa João Paulo II, em 12 de Novembro de 1989. A memória litúrgica de Santa Inês da Boémia faz-se no dia 2 de Março.