Helena Kowalska nasceu no dia 25 de Agosto de 1905, no seio de uma
pobre família camponesa, na aldeia de Głogowiec, a oeste de Łódź, na Polónia. O
seu pai chama-se Estanislau - carpinteiro e agricultor - e sua mãe Mariana
Kowalska. Helena era a terceira de dez filhos do casal. Foi baptizada na igreja
paroquial de Swinice Warskie.
Juntamente com os seus irmãos, foi educada com grande disciplina espiritual. Por
causa da sua pobreza, Helena só frequentou três anos de estudos. Tal era a sua
pobreza que Helena e as suas irmãs tinham, apenas, um bom vestido que
partilhavam. Por isso, revezavam-se para ir à missa, cada uma a hora diferente.
Aos 9 anos, fez sua Primeira Comunhão, na Igreja de São Casimiro. Aos 16 anos
de idade, deixou a casa dos pais e rumou para Aleksandrów, perto de Łódź, onde
trabalhou como doméstica na casa de uns amigos da família Bryszewski a fim de
sustentar-se e ajudar, financeiramente, a família. Em 1922, aos 17 anos, foi
viver para Łódź e, durante um ano, trabalhou na loja de Marejanna Sadowska. Desde a
infância, distinguiu-se pela sua piedade, pelo amor à oração, pela diligência e
obediência, e ainda por uma grande sensibilidade à miséria humana. No “Diário”,
por ela escrito numa linguagem extremamente transparente, descreveu exactamente
o que queria dizer, sem ambiguidades, e com muita simplicidade e precisão.
A respeito das vivências da sua
infância, escreveu: «... eu senti o chamamento à vida religiosa desde os sete
anos. Aos sete anos de vida, ouvi pela primeira vez a voz de Deus na minha
alma, ou seja, o convite à vida religiosa, mas nem sempre fui obediente à voz
da graça. Não me encontrei com ninguém que me pudesse esclarecer essas coisas…»
Aos dezasseis anos, o desejo de entrar na vida religiosa começou, aos poucos, a
amadurecer nela. Visto que os seus pais não concordavam com tal decisão, Helena
procurou abafar o chamamento da sua vocação. Anos depois, escreveu no seu “Diário”:
«…Numa ocasião, eu estava com uma das minhas
irmãs num baile. Enquanto todos se divertiam a valer, a minha alma sentia
tormentos interiores. No momento em que comecei a dançar, de repente vi Jesus a
meu lado: Jesus sofredor, despojado das Suas vestes, todo coberto de chagas e
que me disse estas palavras: “Até quando hei-de ter paciência contigo e até
quando me decepcionarás?...” Nesse
momento, parou a música animada, não vi mais as pessoas que comigo estavam,
somente Jesus e eu ali permanecíamos. Sentei-me ao lado da minha irmã,
disfarçando com uma dor de cabeça o que se passava comigo. Em seguida,
afastei-me discretamente dos que me acompanhavam e fui à Catedral de Santo
Estanislau Kostka. Já começava a anoitecer e havia poucas pessoas na Catedral.
Sem prestar atenção a nada do que ocorria à minha volta, caí de bruços diante do
Santíssimo Sacramento e pedi ao Senhor que me desse a conhecer o que devia
fazer a seguir. Então, ouvi estas palavras: “Vai imediatamente a Varsóvia (capital
Polónia) e lá entrarás no convento”. Terminada a oração, levantei-me, fui para
casa e arrumei as coisas indispensáveis. Da maneira como pude, relatei à minha
irmã o que havia acontecido na minha alma. Pedi que se despedisse por mim dos
meus pais e assim, só com a roupa do corpo, sem mais nada, vim para Varsóvia…» Em Varsóvia, procurou um lugar para si em diversas comunidades religiosas. Mas, em todas, foi recusada. No dia 1 de Agosto de 1925, bateu à porta do convento da Congregação das Irmãs da Divina Misericórdia, na Rua Zytnia, e aí foi aceite. Antes disso, porém, para atender às condições, teve de trabalhar como empregada doméstica numa família numerosa na região de Varsóvia, para dessa forma conseguir o enxoval pessoal. No seu ”Diário”, escreveu os sentimentos que a acompanhavam após ter entrado na vida religiosa: «…Sentia-me imensamente feliz; parecia que havia entrado na vida do paraíso. O meu coração só era capaz de uma contínua oração de acção de graças…» Na Congregação, recebeu o nome de Irmã Maria Faustina. Fez o noviciado em Cracóvia e foi ali que, na presença do bispo Estanislau Rospond, professou tanto os primeiros votos religiosos como, passado cinco anos, os votos perpétuos de castidade, pobreza e obediência. Trabalhou em diversas casas da Congregação. Os lugares onde esteve mais tempo foram Cracóvia, Vilnius, capital da Lituânia e Plock, na Polónia. Em todos os lugares, sempre exerceu as funções de cozinheira, jardineira e porteira. Exteriormente, nada deixava transparecer da sua profunda vida mística. Cumpria, assiduamente, as suas funções, guardando com zelo a regra religiosa. Era recolhida e silenciosa, embora ao mesmo tempo fosse desembaraçada, serena, cheia de amor benevolente e desinteressada para com o próximo. O severo estilo de vida e os extenuantes jejuns que ela se impunha - antes ainda de entrar na Congregação - enfraqueceram tão severamente o seu organismo que, já no postulantado, teve de ser encaminhada para tratamentos de saúde. Após o primeiro ano do noviciado, começou a viver experiências místicas extremamente dolorosas (a chamada noite escura) e, depois, sofrimentos espirituais e morais relacionados com o cumprimento da missão que havia recebido de Jesus Cristo. A Irmã Faustina ofereceu a sua vida a Deus em sacrifício pelos pecadores, a fim de salvar as suas almas e, por essa razão, foi submetida a numerosos sofrimentos. Nos últimos anos de vida, intensificaram-se as enfermidades do seu organismo: contraiu uma tuberculose que lhe atacou os pulmões e o trato alimentar. Por essa razão, por duas vezes, durante alguns meses, permaneceu em tratamento, no hospital. Completamente esgotada fisicamente, mas em plena maturidade espiritual e misticamente unida a Deus, faleceu no dia 5 de Outubro de 1938, com fama de santidade, tendo apenas 33 anos de idade, 13 anos depois de ter entrado na vida religiosa. A Irmã Faustina Kowalska, apóstola da Misericórdia de Deus conhecida em todo o mundo, é considerada, pelos teólogos, como uma pessoa que faz parte de um grupo de notáveis místicos da Igreja. Do legado espiritual de Santa Faustina surgiu a devoção à Divina Misericórdia. Esta devoção considera que a principal prerrogativa de Jesus é a misericórdia e que esta é a última tábua de salvação. Chega-se à misericórdia pela confiança. A Irmã Faustina foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 18 de Abril de 1993 e canonizada, no dia 30 de Abril de 2000, na Praça de São Pedro, em Roma, pelo mesmo Pontífice. Estes dois actos de João Paulo II ocorreram no 2º Domingo de Páscoa, dia em que a Igreja Católica estabeleceu como Domingo da Divina Misericórdia. A memória litúrgica de Santa Faustina faz-se no dia 5 de Outubro.
