SANTA INÊS DE Assis
Catarina de Ofreduccio nasceu, em Assis, por volta de 1196. Era a segunda filha de Favarone de Ofreduccio e da bem-aventurada Ortolana, ambos da nobreza da Úmbria. Foi irmã de Santa Clara de Assis e da bem-aventurada Beatriz, também Clarissa e beatificada. A sua vida é praticamente desconhecida, mas teve um papel relevante na Ordem de Santa Clara ( clarissas ). Depois de Santa Clara, foi a primeira a aderir - de alma e coração - ao carisma de pobreza e de fraternidade proposto por São Francisco e concretizado na Ordem das Clarissas. Pode ser considerada como cofundadora da Ordem, pela sua colaboração e dedicação ao projecto nascente. Foi quem mais partilhou com Clara o ideal evangélico. É um exemplo acabado do que deve ser uma Monja clarissa, mesmo nos dias de hoje.
A infância e a adolescência de Catarina foram vividas no palácio da família, na praça da Catedral de São Rufino, em Assis, com breves estadas - durante o Verão - no castelo de Coresano, no caminho de Gúbio, que pertencia aos cavaleiros nobres de Ofreduccio. Residiu em Perugia, onde a família se refugiou durante os anos da guerra que se travou, em Assis, quando o povo se revoltou contra o domínio do Imperador e contra os senhores feudais. Juntamente com Clara e Beatriz, foi educada santamente pela mãe Ortolana, partilhando dos sentimentos de Clara e desejando, como ela, consagrar-se somente a Deus. A sua personalidade foi-se delineando entre as aspirações ao poder e o prestígio da nobre família - que alinhou ao lado dos habitantes de Perugia na guerra contra a cidade de Assis - e os exemplos de devoção e de virtude que via na sua mãe e na sua irmã mais velha, Clara. Entre Catarina e Clara havia um tão grande afecto que tornou muito dolorosa a separação, quando Clara deixou a família para seguir o ideal evangélico de Francisco, no caminho da pobreza e do despojamento.
Aos catorze anos, Catarina iniciou a sua vida de consagrada a Deus. Fugiu de casa - dezasseis dias depois de Clara ter abandonado a família - e foi encontrá-la na Igreja de Sant’Angelo in Panzo, nas encostas do Monte Subasio, perto de Assis, onde vivia um pequeno grupo de mulheres que tinham escolhido viver, mais a sério, a penitência evangélica. Os parentes tentaram força-la a voltar para casa, mas ela resistiu firmemente, com a ajuda e a oração de Clara. Depois deste acontecimento, o próprio São Francisco lhe cortou os cabelos, como sinal de liberdade em relação aos apegos do mundo, e mudou o seu nome de Catarina para Inês, recordando a firmeza da sua opção, que lhe lembrava a virgem e mártir romana, Santa Inês. São Francisco orientou-a no caminho do Senhor. Mais tarde, Frei Francisco, na companhia de Frei Bernardo e Frei Felipe, conduziu Clara e Inês para o pequeno e pobre Mosteiro de São Damião, que reconstruíra, alguns anos antes. Ao Mosteiro foram chegando outras companheiras, tornando São Damião um lugar perfumado de santidade. Aqui, Inês aprendeu, com Clara, a afastar da mente e do coração todo o rumor, para poder aderir unicamente às profundidades do mistério de Deus. Não temia abraçar as penas, as fadigas e as privações da pobreza; acolhia tudo com alegria, na entrega ao Senhor a quem oferecera o coração. Seguindo o mesmo caminho da irmã, gostava de contemplar Cristo Pobre e Crucificado.
A Crónica dos primeiros vinte e quatro Gerais da Ordem dos Frades Menores conservou uma pequena narrativa biográfica de Santa Inês, descrevendo a sua fidelidade e assiduidade à oração. Pela tradição, sabemos que possuía uma terna e afectuosa devoção ao Menino Jesus e ao Crucificado. Diz a tradição que ficou marcada com um sinal no rosto, devido a um beijo do Menino Jesus. Fazia penitências ásperas, mortificações penosas e jejuns rigorosos. Era de um temperamento dócil, delicado, tranquilo. Caridosa e terna, era cheia de solicitude pelas irmãs que sofriam. Era prudente e madura, testemunho de constância e fidelidade ao compromisso assumido no alvor da sua juventude.
Em 1221, dez anos depois dos inícios de São Damião, Inês foi enviada a Florença, para assumir a responsabilidade de abadessa do Mosteiro de Monticeli onde - com o exemplo de santidade da sua vida e com a sua palavra doce e persuasiva, plena de amor de Deus e fervente no desprezo do mundo - plantou naquele mosteiro, como desejava Santa Clara, a observância da pobreza evangélica.
Em 1235, com a aprovação do Papa Gregório IX, Clara decidiu enviar Inês a Mântua, com algumas irmãs de São Damião e de Florença para renovar a vida daquele Mosteiro. O mesmo sucedeu com os Mosteiros de Veneza, Pádua, Milão e de várias outras cidades.
Inês morreu no Mosteiro de São Damião, no dia 27 de Agosto de 1253, dezasseis dias depois da morte da sua irmã Clara. Tinha cerca de cinquenta e seis anos de idade. Na ocasião da morte de Inês, uma multidão da cidade de Assis acorreu ao mosteiro, aclamando-a como santa. Foi sepultada, inicialmente, na cripta ao lado da capela, no Mosteiro de São Damião. Em 1260, o seu corpo foi inumado e transportado para junto do túmulo de Santa Clara, na Basílica, dentro dos muros de Assis. Inês foi solenemente canonizada no dia 15 de Abril de 1752, pelo Papa Bento XIV.
A Igreja faz a memória litúrgica de Santa Inês de Assis no dia 19 de Novembro.
