PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

domingo, 27 de janeiro de 2013

FESTA DAS FOGACEIRAS

Apesar do mau tempo, cumpriu-se o voto a São Sebastião, na festa das Fogaceiras, em Santa Maria da Feira. A Igreja Matriz encheu-se para a celebração da Eucaristia presidida pelo Sr. D. João Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto. Cerca de 270 meninas, provenientes de todo o Concelho, vestidas de branco, levaram o símbolo e ícone do Voto - a fogaça - como entrega de louvor, de acção de graças e de súplica, para que São Sebastião continue a proteger, com a sua intercessão, as gentes das Terras da Feira. O coro e orquestra da Academia de Música emprestaram a beleza dos seus cânticos à beleza da celebração. Da homilia, proferida pelo Senhor Bispo, destacámos:

  “…Também nós hoje, mergulhados numa cultura cheia de perplexidades, detentora de tantas frustrações humanas, coarctada nos sonhos e anseios de algo de novo, mas também esperando uma plena realização humana, somos encaminhados pela Palavra de Deus, ao encontro de Cristo que quer, com a Sua entrega total na Sua Páscoa, conduzir-nos até à festa de uma vida plenamente feliz. Há um sonho em cada homem e cada mulher que se traduz no desejo de viver na alegria total. A vida deve traduzir-se em festa para todos. Contudo nem todos sentem a alegria e poucos têm motivos para viver a festa. Há sinais preocupantes na nossa sociedade que levam a reconhecer que a esperança vai morrendo no coração de tanta gente. Diz-nos o profeta Isaías que Deus não terá repouso enquanto a justiça não despontar como a aurora e a salvação não resplandecer como a luz do archote. A pessoa exige que lhe seja salvaguardada a defesa da sua dignidade profunda através de uma autêntica justiça. Esta não é mera aplicação de leis, mas é sobretudo reconhecimento do que a cada um é, devido também à misericórdia e ao amor. Mas esta concepção de pessoa humana e da sociedade não se alcançará sem um mergulhar no mistério pascal de Cristo que nos renova e como que nos recria para uma nova visão de toda a realidade. Só aí compreenderemos que todas as criaturas são irmãs, que ninguém poderá ser excluído da festa da vida, o amor será a garantia de relações fraternas profundas e que cada um de nós não se deve restringir a uma solidariedade exterior, na partilha de bens, mas deve reconhecer que a vivência do amor fraterno leva cada um a optar por uma doação de si mesmo, das suas capacidades, dos seus dons pessoais, dos seus bens, do seu tempo e da sua esperança…
Celebrar a S. Sebastião é sem dúvida reconhecer antes de mais que no seu martírio se associou de modo exemplar ao mistério pascal do Senhor. Para usar a imagem do Evangelho, assumiu em si mesmo o vinho novo que sacia a sede de tanta gente. Por isso, ao longo dos séculos, o povo necessitado recorre a ele na esperança de ver realizada a sua suplica pela qual quer alcançar as condições de vida digna e o patamar de alegria e de felicidade que lhe são roubados pelas continuas ameaças que tem de enfrentar. Em S. Sebastião encontramos a imagem viva do que é o amor a Deus e o amor ao próximo e como as duas direcções do mesmo amor se implicam mutuamente. Saboreando quotidianamente os dons de Cristo, tornou-se testemunha do amor de Deus na vida da sociedade do seu tempo. Neste ano proclamado como ano da fé, S. Sebastião ajuda-nos a centrarmos bem o que é a verdadeira fé cristã e as implicações que ela tem na existência de cada discípulo de Jesus Cristo…”

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, 23 de Janeiro, Roma

“…Hoje quero começar a reflectir convosco sobre o Credo, a nossa Profissão de Fé, que inicia com estas palavras: «Creio em Deus»; um Deus, que Se revela e fala aos homens, convidando-os a entrar em comunhão com Ele. Assim no-lo mostra a Bíblia na vida de muitas pessoas. Uma delas é Abraão, chamado «o pai de todos os crentes». A fé leva-o a percorrer um caminho paradoxal, pois será abençoado, mas sem os sinais visíveis da bênção. Abraão, na fé, sabe discernir a bênção divina para além das aparências, confiando na presença do Senhor mesmo quando os seus caminhos são misteriosos. Os olhos da fé são capazes de ver o invisível. Também nós, quando dizemos «Creio em Deus», afirmamos como Abraão: «Entrego-Me nas vossas mãos! Entrego-me a Vós, Senhor!», para fundar em Vós a minha vida e deixar que a vossa Palavra a oriente nas opções concretas de cada dia…”

ANO DA FÉ



A Assessoria Vicarial da Pastoral Familiar, no âmbito da vivência do Ano da Fé, promove vários momentos de reflexão e de partilha sob o lema: “Ao encontro da Família: educar para a fé”. Concretizados em vários lugares da Vigararia de Santa Maria da Feira ( Santa Maria de Lamas, Caldas de São Jorge ), a última sessão realizar-se-á na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, no dia 8 de Fevereiro de 2013, às 21,00 horas. Será conferente o Dr. Daniel Bastos, psicólogo e Diácono na Paróquia de Matosinhos.

PARA REZAR



SALMO 19

A lei do Senhor é perfeita, reconforta o espírito;
as ordens do Senhor são firmes,
dão sabedoria ao homem simples.

Os mandamentos do Senhor são rectos,
alegram o coração;
os preceitos do Senhor são claros,
iluminam os olhos.

O temor do Senhor é puro, permanece para sempre.
As sentenças do Senhor são verdadeiras,
todas elas são justas.

São mais desejáveis que o ouro, o ouro mais fino;
são mais doces que o mel, o puro mel dos favos.

Aceita, com bondade, as palavras da minha boca
e estejam na tua presença os murmúrios do meu coração,
ó Senhor, meu refúgio e meu libertador. 

SANTOS POPULARES



SÃO JOÃO BOSCO

João Bosco nasceu em Becchi, um povoado de Castelnuovo d'Asti, a 16 de Agosto de 1815, numa família de agricultores. Seu pai, Francisco Bosco, deixou-o órfão com apenas dois anos, e Margarida Occhiena fica só para educar António, José e João. A família passou por momentos de extrema pobreza, especialmente durante as carestias. Com firmeza delicada, combinada com uma fé sem fronteiras, Margarida, educadora sábia, superou as dificuldades e fez da sua família uma igreja doméstica, ensinando os seus filhos a rezar – de manhã e à noite – e preparando-os para a primeira confissão e comunhão. Desde criança, João começou a sentir o desejo em se tornar sacerdote. Aos nove anos teve um sonho que lhe ficou profundamente gravado na mente por toda a vida, e que lhe revelou a sua missão: «Torna-te humilde, forte e robusto», disse-lhe uma senhora tão brilhante como o sol, «e aquilo que vês acontecer a estes lobos que se transformam em cordeiros, tu o farás aos meus filhos. Serei a tua mestra. A seu tempo, tudo compreenderás». Os irmãos e a avó não deram importância à coisa, mas a sua mãe sentia misteriosamente a vontade do Senhor: «Quem sabe, talvez te tornes num padre». Desde jovem que João começou a entreter os seus amigos com truques de magia, aprendidos por treino rígido, para além do trabalho e da oração: «Eu era muito novo, mas tentava compreender as inclinações dos meus companheiros. Os meninos da minha idade gostavam muito de mim, e ao mesmo tempo respeitavam-me. [...] O que os atraia especialmente a mim e os divertia eram as minhas histórias. [...] Durante as férias, eu dava espectáculos, fazendo alguns jogos que eu tinha aprendido. Excluía dos meus espectáculos aqueles que tinham blasfemado, que tiveram conversas maldosas, e aqueles que se recusavam a rezar connosco». Para se tornar sacerdote, João sabia que tinha que estudar, mas entrou em conflito com o seu irmão António, que queria que ele fosse trabalhar nos campos. Esteve durante quase dois anos como moço de recados, trabalhando fora de casa, na quinta Moglia. Conheceu em seguida o padre Calosso, que persuadiu António a deixar livre o seu irmão. Ao viver com esse santo sacerdote, João, pela primeira vez, experimentou a paternidade sacerdotal e pode retomar os seus estudos. Com a morte do padre Calosso, Margarida decide dividir os bens da família, e João, de quinze anos, retorna à escola, agora em Chieri, com rapazes mais pequenos do que ele. Devido às suas capacidades pouco comuns de aprender, completou mais classes em poucos anos, trabalhando para pagar os estudos. Idealizou e fundou a Sociedade da Alegria, que reunia os jovens da vila, tendo o cuidado de os manter entretidos e de os aproximar da Igreja. Em 1835, entrou para o seminário. Em sete pontos, escreve um pequeno projecto de vida que o acompanhará até à sua ordenação. Em Junho de 1841, foi ordenado sacerdote. Naquele dia, a mãe Margarida disse-lhe: «Agora que és um sacerdote; estás mais perto de Jesus. Recorda-te que começar a dizer a missa significa começar a sofrer». Nos anos seguintes, o Padre João Bosco, vai entender o significado dessas palavras. O seu director espiritual, o Padre Cafasso, aconselhou-o a aperfeiçoar os seus estudos no colégio eclesiástico. Ao seu lado descobre o mundo da prisão e decide fazer algo para evitar que os jovens se tornem delinquentes. A 8 de Dezembro de 1841, na sacristia da Igreja de São Francisco de Assis, o Padre Bosco encontra Bartolomeu Garelli, um órfão de dezasseis anos. Tudo começa com uma Ave-Maria. Depois daquele encontro, reúne em torno dele os primeiros rapazes e organiza o “Oratório”, uma instituição que acolhe rapazes em risco e se torna uma oportunidade de encontro, de formação e de festa. As centenas de jovens exaltados que reúne são muitas vezes expulsos e incompreendidos. Mas o Padre Bosco ( Dom Bosco) não desanima. Uma noite, Deus envia um homem que gagueja um pouco, que o leva a visitar um armazém na propriedade do Sr. Pinardi. Assim se estabelece definitivamente o “Oratório” em Valdocco. Ao Domingo ensina-se o catecismo, joga-se e celebra-se Missa. Iniciando as primeiras classes nocturnas, Dom Bosco torna-se, para os seus rapazes, escritor e professor. Margarida, já idosa, deixa a sua casa e os seus netos e aceita ir para Turim para ajudá-lo, e torna-se para os rapazes a «mama Margarida». Começam a dar abrigo aos órfãos sem tecto. Dom Bosco ensina-lhes um trabalho e a amar o Senhor, canta, joga e reza com eles. Graças à Providência, compra o edifício da casa Pinardi para acolher um número maior de jovens. Destes rapazes surgem também alguns colaboradores, e o “Oratório” espalha-se por diversas zonas de Turim. Desenvolve-se o método educativo de Dom Bosco, o famoso «sistema preventivo»: «Estai com os jovens, evitai o pecado pela razão, religião e amabilidade. Tornai-vos santos, educadores de santos. Os nossos jovens sintam que são amados». O jovem Domingos Sávio ( depois São Domingos Sávio ) será o primeiro fruto do sistema preventivo. Dom Bosco foi muitas vezes incompreendido pelos políticos e por alguns clérigos, e os anticlericais consideravam-no como um inimigo. Tentaram muitas vezes matá-lo. Para manter e expandir a sua obra em favor dos jovens, Dom Bosco, organiza quermesses e humilha-se constantemente ao pedir esmola a ricos e a nobres. Em Janeiro de 1854, propõe a quatro jovens, incluindo Rua e Cagherò, para colaborarem mais estreitamente com ele na caridade para com o próximo com a intenção de formar uma Sociedade. Em 1859, nasce, com a ajuda do Papa Pio IX, uma Congregação que visa a salvação da juventude, combatendo toda a pobreza e actuando pelo lema: «Dai-me almas, e levai tudo o resto». Nascem as primeiras casas nos arredores de Turim e continuam a chegar novas vocações. A Providência juntou os caminhos de Dom Bosco e os da jovem Maria Mazzarello, que em Mornese, fez algo semelhante com meninas pobres. Com a ajuda de Dom Bosco, Maria fundou o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. A 11 de Novembro de 1875, liderados pelo padre João Cagliero, depois bispo e cardeal, partiram para a América do Sul, os primeiros dez missionários. Seguiram-se muitos outros. Juntamente com os seus benfeitores e os leigos comprometidos, Dom Bosco deu vida aos Cooperadores Salesianos, para logo fundar o Boletim Salesiano, que ainda é lido em muitas partes do mundo. Dom Bosco era um contemplativo na acção: orava constantemente e com simplicidade, enquanto estava no lazer ou durante as viagens, ou enquanto fazia qualquer coisa.
Ensinou a amar a Eucaristia, Maria e o Papa. Confessava centenas de jovens. Um dos seus motes favoritos era: trabalho e temperança. Escreveu milhares de cartas e publicou vários trabalhos sobre diversos temas. De entre os principais recordamos «As Leituras Católicas», «A História Sagrada», «A História de Itália», «A História dos Papas». Gastas as forças, exausto pela fadiga, aproxima-se do último passo: «Digam aos meus jovens que espero por todos eles no Paraíso». Morreu no dia 31 de Janeiro de 1888, aos 72 anos. A Família Salesiana- obra criada por Dom Bosco e assim chamada pela sua devoção a São Francisco de Sales - está presente em todo o mundo. O Papa João Paulo II, por ocasião do centenário da sua morte declarou-o: "Pai e Mestre da Juventude". São João Bosco foi beatificado no dia 2 de Junho de 1929 e canonizado no dia 1 de Abril de 1934; os dois acontecimentos foram presididos pelo Papa Pio XI. A sua memória litúrgica faz-se a 31 de Janeiro, dia da sua morte.