A Igreja celebra, no próximo Domingo, 2 de Junho, a Solenidade do
Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, mais conhecida como a “Festa do Corpo de
Deus”. Uma vez que deixou de existir o feriado da Quinta-Feira – Corpo de Deus
– a memória foi transferida para o Domingo seguinte. Acerca desta solenidade,
disse o Papa Bento XVI: “…A festa do Corpus Christi é inseparável da
Quinta-Feira Santa, da Missa in Caena Domini, na qual se celebra
solenemente a instituição da Eucaristia. Enquanto na tarde de Quinta-Feira
Santa se revive o mistério de Cristo que se oferece a nós no pão partido e no
vinho derramado, hoje, na celebração do Corpus Christi, este mesmo
mistério é proposto à adoração e à meditação do Povo de Deus, e o Santíssimo
Sacramento é levado em procissão pelas estradas das cidades e das aldeias, para
manifestar que Cristo ressuscitado caminha no meio de nós e nos guia para o
Reino do céu. O que Jesus nos doou na intimidade do Cenáculo, hoje
manifestamo-lo abertamente, porque o amor de Cristo não está destinado a
alguns, mas a todos (…) Mediante o pão e o vinho consagrados, nos quais estão
realmente presentes o seu Corpo e o seu Sangue, Cristo transforma-nos,
assimilando-nos a Ele: compromete-nos na sua obra de redenção tornando-nos
capazes, pela graça do Espírito Santo, de viver segundo a sua própria lógica de
entrega, como grãos de trigo unidos a Ele e nele. É assim que se semeiam e
amadurecem nos sulcos da história a unidade e a paz, que constituem o fim para
o qual tendemos, segundo o desígnio de Deus…”
A Vigararia de Santa Maria
da Feira promove, como é já habitual, a Procissão do Corpo de Deus, com o
seguinte programa - 15,30: concentração, na Igreja dos Passionistas, e ensaio
preparatório das Vésperas solenes; 16,00: adoração pessoal do Santíssimo Sacramento;
16,30: oração de vésperas; 17,00: início da procissão que termina na escadaria
da Igreja Matriz, com a palavra do Sr. D. João Lavrador e a bênção solene do
Santíssimo Sacramento.PALAVRA COM SENTIDO
PALAVRA COM SENTIDO
“… Recebei o Espírito Santo …” (cf. João 20, 21)
Nós sabemos que todos os domingos recordamos a Ressurreição do Senhor Jesus, mas, neste período depois da Páscoa, o Domingo reveste-se de um significado ainda mais iluminador. Na tradição da Igreja, este domingo, o primeiro depois da Páscoa, era chamado «in albis». Que significa isto? A expressão pretendia recordar o rito que cumpriam quantos tinham recebido o baptismo, na Vigília de Páscoa. A cada um deles era entregue uma veste branca — «alba», branca» — para indicar a nova dignidade dos filhos de Deus. Ainda hoje se faz isto: aos recém-nascidos oferece-se uma pequena veste simbólica, enquanto os adultos vestem uma verdadeira, como vimos na Vigília pascal. E aquela veste branca, no passado, era usada durante uma semana, até este domingo, e disto deriva o nome in albis deponendis, que significa o domingo no qual se tira a veste branca. E assim, tirando a veste branca, os neófitos começavam a sua nova vida em Cristo e na Igreja.
Há outro aspecto. No Jubileu do Ano 2000, São João Paulo II estabeleceu que este domingo seja dedicado à Divina Misericórdia. É verdade, foi uma boa intuição: quem inspirou isto foi o Espírito Santo. Concluímos há poucos meses o Jubileu extraordinário da Misericórdia e este domingo convida-nos a retomar com vigor a graça que provém da misericórdia de Deus. O Evangelho de hoje é a narração da aparição de Cristo ressuscitado aos discípulos reunidos no cenáculo (cf. Jo 20, 19-31). São João escreve que Jesus, depois de se ter despedido dos seus discípulos, lhes disse: «Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e acrescentou: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (vv. 21-23). Eis o sentido da misericórdia que se apresenta precisamente no dia da ressurreição de Jesus como perdão dos pecados. Jesus Ressuscitado transmitiu à sua Igreja, como primeira tarefa, a sua missão de levar, a todos, o anúncio do perdão. Esta é a primeira tarefa: anunciar o perdão. Este sinal visível da sua misericórdia traz consigo a paz do coração e a alegria do encontro renovado com o Senhor.
A misericórdia à luz da Páscoa deixa-se perceber como uma verdadeira forma de conhecimento. E isto é importante: a misericórdia é uma verdadeira forma de conhecimento. Sabemos que se conhece através de muitas formas. Conhece-se através dos sentidos, da intuição, da razão e ainda de muitas outras formas. Pois bem, pode conhecer-se, também, através da experiência da misericórdia, porque a misericórdia abre a porta da mente para compreender melhor o mistério de Deus e da nossa existência pessoal. A misericórdia faz-nos compreender que a violência, o rancor, a vingança não têm sentido algum, e a primeira vítima é quem vive estes sentimentos, porque se priva da própria dignidade. A misericórdia abre, também, a porta do coração e permite expressar a proximidade, sobretudo a quantos estão sozinhos e marginalizados, porque os faz sentir irmãos e filhos de um só Pai. Ela favorece o reconhecimento de quantos têm necessidade de consolação e faz encontrar palavras adequadas para dar conforto.
Irmãos e irmãs, a misericórdia aquece o coração e torna-o sensível às necessidades dos irmãos com a partilha e a participação. Em síntese, a misericórdia compromete todos a serem instrumentos de justiça, de reconciliação e de paz. Nunca esqueçamos que a misericórdia é o remate na vida de fé e a forma concreta com a qual damos visibilidade à ressurreição de Jesus.
Maria, Mãe da Misericórdia, nos ajude a crer e a viver tudo isto com alegria. (Papa Francisco na Oração Regina Coeli, no dia 23 de Abril de 2017, na Praça de São Pedro, Roma)
quarta-feira, 29 de maio de 2013
FESTA DO PAI-NOSSO
Algumas crianças - da catequese da Igreja Matriz – fizeram, neste Sábado,
25 de Maio, a sua “Festa do Pai-Nosso”.
Na catequese, descobriram que Jesus nos dá o Seu Pai para ser nosso Pai,
também. Esta verdade é fundamento da nossa alegria, da nossa entrega, da nossa
fé. Saber que Deus é um Pai cheio de amor leva-nos a confiar e a rezar Pai-Nosso…
SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE
“…Neste domingo que se segue ao Pentecostes celebramos a
solenidade da Santíssima Trindade. Graças ao Espírito Santo, que ajuda a
compreender as palavras de Jesus e orienta para a Verdade completa (cf. Jo
14, 26; 16, 13), os fiéis podem conhecer, por assim dizer, a intimidade do
próprio Deus, descobrindo que Ele não é solidão infinita, mas comunhão de luz e
de amor, vida doada e recebida num eterno diálogo entre o Pai e o Filho, no
Espírito Santo Amante, Amado e Amor, para citar Santo Agostinho. Neste mundo,
ninguém pode ver Deus, mas foi Ele mesmo quem se fez conhecer a fim de que, com
o Apóstolo João, possamos afirmar: "Deus é amor" (1 Jo 4,
8.16), "nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem" (Encíclica Deus
caritas est, 1; cf. 1 Jo 4, 16). Quem encontra Cristo e
estabelece com Ele um relacionamento de amizade, acolhe a própria Comunhão
trinitária na sua alma, segundo a promessa de Jesus aos discípulos: "Se
alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará e Nós
viremos a ele e nele faremos morada" (Jo 14, 23). Para quem tem fé,
todo o universo fala de Deus Uno e Trino. Desde os espaços interestelares até
às partículas microscópicas, tudo o que existe remete a um Ser que se comunica
na multiplicidade e variedade dos elementos, como numa imensa sinfonia. Todos
os seres são ordenados segundo um dinamismo harmonioso que, analogicamente,
podemos definir: "amor". Mas é somente na pessoa humana, livre e
racional, que este dinamismo se torna espiritual, se faz amor responsável, como
resposta a Deus e ao próximo, num dom sincero de si. Neste amor o ser humano
encontra a sua verdade e a sua felicidade. Entre as diferentes analogias do
mistério inefável de Deus Uno e Trino, que os fiéis são capazes de entrever,
gostaria de citar a da família. Ela é chamada a ser uma comunidade de amor e de
vida, em que as diversidades devem concorrer para formar uma "parábola de
comunhão".
Entre
todas as criaturas, a obra-prima da Santíssima Trindade é a Virgem Maria: no
seu Coração humilde e repleto de fé, Deus preparou para si uma morada digna,
para completar o mistério da salvação. O Amor divino encontrou nela uma
correspondência perfeita e foi no seu seio que o Filho Unigénito se fez homem.
Dirijamo-nos com confiança filial a Maria para que, com a sua ajuda, possamos
progredir no amor e fazer da nossa vida um cântico de louvor ao Pai, por meio
do Filho no Espírito Santo…” ( Bento XVI,
Angelus de 11 de Junho de 2006)PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO
- na audiência-geral
de 22 de Maio, Praça de São Pedro – Roma
“…«Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica»: dizemos nós no Credo
depois de professar a fé no Espírito Santo. Na verdade, há uma profunda ligação
entre estas duas realidades da fé, porque é o Espírito Santo que dá a vida à
Igreja, que a guia e anima no anúncio do Evangelho. São sinais da sua
intervenção: primeiro, a unidade e a comunhão, como se viu no dia de
Pentecostes, quando cada um dos presentes conseguia ouvir os Apóstolos na sua
própria língua. É que todos falavam uma língua nova: a língua do amor que o
Espírito derrama nos nossos corações. O segundo sinal é a coragem humilde que o
Espírito dá ao mensageiro do Evangelho, fazendo brotar sempre novas energias,
novos caminhos e nova audácia para a missão. E o terceiro sinal: tudo parte
sempre da oração, porque, sem ela, torna-se vazia a nossa acção e sem alma o nosso
anúncio…”
- na homilia da
Solenidade da Santíssima Trindade, na paróquia de Santa Isabel e São Zacarias,
na festa da 1ª comunhão.
“…Queridos irmãos e
irmãs,
O vosso pároco, nas suas palavras, fez-me lembrar uma coisa muito linda de Nossa Senhora. Quando Nossa Senhora recebeu o anúncio de que seria a mãe de Jesus, e recebeu, também, a notícia de que a sua prima Isabel estava grávida - diz o Evangelho - saiu de casa apressadamente, não esperou, não perdeu tempo. Ela não pensou: "Agora que estou grávida, devo cuidar de minha saúde. A minha prima tem amigas que, de certeza, a vão ajudar.” Maria sentiu qualquer coisa e "saiu apressadamente." É bom pensar que a Virgem Maria, nossa Mãe, estava com pressa, porque, dentro de si, sentia um apelo forte para ir ajudar. Vai para ajudar; não vai para se gabar dizendo à sua prima: "Escuta, agora sou eu que mando porque sou a Mãe de Deus!" Não, Ela não fez isso. Foi para ajudar! Nossa Senhora é sempre assim. É uma Mãe que anda sempre com pressa porque precisamos dela. Seria bom poder adicionar, à Ladainha de Nossa Senhora, uma prece que dissesse assim: "Senhora sempre apressada, rogai por nós" Esta é linda, não é? Apesar de Maria andar sempre apressadamente, Ela não esquece os seus filhos. E, quando os seus filhos estão com problemas; quando têm necessidade e chamam por Ela, Ela vai rapidamente. Isso nos dá segurança: a segurança de ter uma mãe ao lado, sempre ao nosso lado. Nós experimentamos isso mesmo: andamos melhor na vida quando temos a mãe perto. Pensemos em Nossa Senhora que nos dá esta graça: estar sempre perto de nós, sem estarmos à espera. Sempre! Ela está - temos confiança nisso - para nos ajudar. Nossa Senhora está sempre com pressa, por nossa causa. Nossa Senhora também nos ajuda a compreender melhor a Deus, a Jesus; a compreender a vida de Jesus, a vida de Deus; a entender melhor quem é o Senhor, como é o Senhor; quem é Deus…”
O vosso pároco, nas suas palavras, fez-me lembrar uma coisa muito linda de Nossa Senhora. Quando Nossa Senhora recebeu o anúncio de que seria a mãe de Jesus, e recebeu, também, a notícia de que a sua prima Isabel estava grávida - diz o Evangelho - saiu de casa apressadamente, não esperou, não perdeu tempo. Ela não pensou: "Agora que estou grávida, devo cuidar de minha saúde. A minha prima tem amigas que, de certeza, a vão ajudar.” Maria sentiu qualquer coisa e "saiu apressadamente." É bom pensar que a Virgem Maria, nossa Mãe, estava com pressa, porque, dentro de si, sentia um apelo forte para ir ajudar. Vai para ajudar; não vai para se gabar dizendo à sua prima: "Escuta, agora sou eu que mando porque sou a Mãe de Deus!" Não, Ela não fez isso. Foi para ajudar! Nossa Senhora é sempre assim. É uma Mãe que anda sempre com pressa porque precisamos dela. Seria bom poder adicionar, à Ladainha de Nossa Senhora, uma prece que dissesse assim: "Senhora sempre apressada, rogai por nós" Esta é linda, não é? Apesar de Maria andar sempre apressadamente, Ela não esquece os seus filhos. E, quando os seus filhos estão com problemas; quando têm necessidade e chamam por Ela, Ela vai rapidamente. Isso nos dá segurança: a segurança de ter uma mãe ao lado, sempre ao nosso lado. Nós experimentamos isso mesmo: andamos melhor na vida quando temos a mãe perto. Pensemos em Nossa Senhora que nos dá esta graça: estar sempre perto de nós, sem estarmos à espera. Sempre! Ela está - temos confiança nisso - para nos ajudar. Nossa Senhora está sempre com pressa, por nossa causa. Nossa Senhora também nos ajuda a compreender melhor a Deus, a Jesus; a compreender a vida de Jesus, a vida de Deus; a entender melhor quem é o Senhor, como é o Senhor; quem é Deus…”
PARA REZAR
HINO
DA SANTÍSSIMA TRINDADE ( Hora intermédia )
E o Espírito Divino, não criado.
Elevemos ao Céu o nosso canto
Com alegria.
Ninguém pode entender este mistério
Da indivisa e santíssima Trindade,
Mas os Anjos e os Santos a celebram
Na glória eterna.
Senhor dos mundos, Criador supremo
De tudo quanto tem sopro de vida,
Aquecei ao calor do vosso fogo
Os corações.
Com os Anjos e os Santos nas alturas
Nós Vos cantamos fervorosamente,
Até que um dia entremos na alegria
Da paz sem fim.
SANTOS POPULARES
SANTA JOANA D’ARC (de uma catequese do Papa Bento XVI)
“…Joana
nasce em Domremy, um pequeno povoado situado na fronteira entre a França e a
Lorena. Os seus pais são camponeses abastados, conhecidos por todos como
cristãos excelentes. Deles recebe uma boa educação religiosa, com uma notável
influência da espiritualidade do Nome de Jesus, ensinada por são
Bernardino de Sena e propagada na Europa pelos franciscanos. Ao Nome de
Jesus é sempre unido o Nome de Maria e assim, por detrás da
religiosidade popular, a espiritualidade de Joana é profundamente
cristocêntrica e mariana. Desde a infância, ela demonstra uma grande caridade e
compaixão pelos mais pobres, pelos doentes e por todos os que sofrem, no
contexto dramático da guerra. Joana d’Arc não sabia ler nem escrever, mas pode
ser conhecida, no mais profundo da sua alma, graças a duas fontes de
extraordinário valor histórico: os dois Processos que lhe dizem
respeito. O primeiro, o Processo de Condenação, contém a transcrição dos
longos e numerosos interrogatórios de Joana, durante os últimos meses da sua
vida (Fevereiro-Maio de 1431), e cita as próprias palavras da santa. O segundo,
o Processo de Nulidade da Condenação, ou de «Reabilitação», contém
as desposições de cerca de 120 testemunhas oculares de todos os períodos da sua
vida. Das suas próprias palavras sabemos que a vida religiosa de Joana
amadurece como experiência mística, a partir da idade de 13 anos. Através da
«voz» do Arcanjo São Miguel, Joana sente-se chamada pelo Senhor a intensificar
a sua vida cristã e, também, a comprometer-se pessoalmente na libertação do seu
povo. A sua resposta imediata, o seu «sim», é o voto de virgindade, com um novo
compromisso na vida sacramental e na oração: participação quotidiana na missa,
confissão e comunhão frequentes, longos momentos de oração silenciosa diante do
Crucifixo ou da imagem de Nossa Senhora. A compaixão e o compromisso da jovem
camponesa francesa diante do sofrimento do seu povo tornam-se mais intensos
graças à sua relação mística com Deus. Um dos aspectos mais originais da santidade
desta jovem é precisamente este vínculo entre experiência mística e missão
política. Depois dos anos de vida escondida e de amadurecimento interior,
segue-se o biénio breve, mas intenso, da sua vida pública: um ano de acção e
um ano de paixão. No início do ano de 1429, Joana começa a sua obra de
libertação. Os numerosos testemunhos mostram-nos esta jovem, de apenas 17 anos,
como uma pessoa muito forte e determinada, capaz de convencer homens inseguros
e desanimados. Superando todos os obstáculos, encontra o Delfim da França, o
futuro Rei Carlos VII, que em Poitiers a submete a um exame da parte de alguns
teólogos da Universidade. O seu juízo é positivo: nela não vêem nada de mal,
mas só uma boa cristã.A 22 de Março de 1429, Joana dita uma importante carta ao
Rei da Inglaterra e aos seus homens que assediam a cidade de Orléans. A sua
proposta é de verdadeira paz, na justiça entre os dois povos cristãos, à luz
dos Nomes de Jesus e de Maria, mas é rejeitada, e Joana deve empenhar-se na
luta pela libertação da cidade, que tem lugar no dia 8 de Maio. O outro momento
culminante da sua obra é a coroação do Rei Carlos VII, em Reims, no dia 17 de
Julho de 1429. Durante um ano inteiro, Joana vive com os soldados, realizando
no meio deles uma verdadeira missão de evangelização. São numerosos os
testemunhos relativos à sua bondade, à sua coragem e à sua pureza extraordinária.
É chamada por todos e ela mesma define-se «a donzela», ou seja, a virgem. A paixão
de Joana tem início a 23 de Maio de 1430, quando cai prisioneira nas mãos
dos seus inimigos. No dia 23 de Dezembro, é conduzida à cidade de Rouen. É ali
que se realiza o longo e dramático Processo de Condenação, que começa em
Fevereiro de 1431 e termina a 30 de Maio, com a fogueira. É um processo grande
e solene, presidido por dois juízes eclesiásticos, o bispo Pierre Cauchon e o
inquisidor Jean le Maistre, mas na realidade inteiramente orientado por um numeroso
grupo de teólogos da célebre Universidade de Paris, que participam no processo
como assessores. São eclesiásticos franceses que, tendo feito uma escolha política
oposta àquela de Joana têm, a priori, um juízo negativo sobre a sua pessoa e a sua missão.
Este processo é uma página devastante da história da santidade e também uma
página iluminadora sobre o mistério da Igreja que, segundo as palavras do
Concílio Vaticano II, é «simultaneamente santa e sempre necessitada de
purificação» (LG,
8). É o encontro dramático entre esta santa e os seus juízes, que são
eclesiásticos. Joana é acusada e julgada por eles, a ponto de ser condenada
como herege e enviada à morte terrível na fogueira. Diversamente dos santos
teólogos que tinham iluminado a Universidade de Paris, como são Boaventura, são
Tomas de Aquino e o beato Duns Scoto, dos quais falei em algumas catequeses,
estes juízes são teólogos aos quais faltam a caridade e a humildade de ver
nesta jovem a obra de Deus. Vêm à mente as palavra de Jesus, segundo as quais
os mistérios de Deus são revelados àqueles que têm o coração de crianças,
enquanto permanecem escondidos aos doutos e sábios que não têm humildade (cf. Lc
10, 21). Assim, os juízes de Joana são radicalmente incapazes de a
compreender, de ver a beleza da sua alma: não sabiam que condenavam uma santa.O
apelo de Joana ao juízo do Papa, a 24 de Maio, é rejeitado pelo tribunal. Na
manhã de 30 de Maio, ela recebe pela última vez a sagrada Comunhão no cárcere e
é imediatamente conduzida ao suplício na praça do velho mercado. Pede a um dos
sacerdotes que conserve diante da fogueira uma cruz de procissão. Assim, morre
contemplando Jesus Crucificado e pronunciando várias vezes e em voz alta o Nome
de Jesus. Cerca de 25 anos
mais tarde, o Processo de Nulidade, aberto sob a autoridade do Papa Calisto
III, conclui-se com uma solene sentença que declara nula a condenação. Este
longo processo, que reuniu as deposições das testemunhas e os juízos de muitos
teólogos, todos favoráveis a Joana, evidencia a sua inocência e a sua
fidelidade perfeita à Igreja. Joana d’Arc será depois canonizada por Bento XV,
em 1920…”
A
memória litúrgica de Santa Joana d’Arc faz-se no dia 30 de Maio.
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