PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 15 de julho de 2013

PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO



 
- na homilia de 7 de Julho, na Basílica de São Pedro, na Eucaristia com seminaristas, noviços e noviças e quantos estão em caminhada vocacional

“…Hoje a Palavra de Deus fala-nos da missão. Donde nasce a missão? A resposta é simples: nasce de uma chamada – a do Senhor – e Ele chama para enviar. Qual deve ser o estilo do enviado? Quais são os pontos de referência da missão cristã? As leituras que ouvimos sugerem-nos três: a alegria da consolação, a cruz e a oração.

1. O primeiro elemento: a alegria de consolação. O profeta Isaías dirige-se a um povo que atravessou o período escuro do exílio, sofreu uma prova muito dura; mas agora, para  Jerusalém, chegou o tempo da consolação; a tristeza e o medo devem dar lugar à alegria: «Alegrai-vos (...), rejubilai (…) regozijai-vos» – diz o Profeta (66, 10). É um grande convite à alegria. Porquê? Qual é o motivo deste convite à alegria? Porque o Senhor derramará sobre a Cidade Santa e seus habitantes uma «cascata» de consolação, uma cascata de consolação – ficando assim repletos de consolação –, uma cascata de ternura materna: «Serão levados ao colo e acariciados sobre os seus regaços» (v. 12). Como faz a mãe quando põe o filho no regaço e o acaricia, assim o Senhor fará connosco… faz connosco. Esta é a cascata de ternura que nos dá tanta consolação. «Como a mãe consola o seu filho, assim Eu vos consolarei» (v. 13). Cada cristão, mas sobretudo nós, somos chamados a levar esta mensagem de esperança, que dá serenidade e alegria: a consolação de Deus, a sua ternura para com todos. Mas só podemos ser seus portadores, se experimentarmos nós primeiro a alegria de ser consolados por Ele, de ser amados por Ele. Isto é importante para que a nossa missão seja fecunda: sentir a consolação de Deus e transmiti-la! Algumas vezes encontrei pessoas consagradas que têm medo da consolação de Deus e… pobrezinho, pobrezinha delas, se amofinam porque têm medo desta ternura de Deus. Mas não tenhais medo. Não tenhais medo, o nosso Deus é o Senhor da consolação, o Senhor da ternura. O Senhor é Pai e Ele disse que procederá connosco como faz uma mãe com o seu filho, com a ternura dela. Não tenhais medo da consolação do Senhor. O convite de Isaías: «consolai, consolai o meu povo» (40,1) deve ressoar no nosso coração e tornar-se missão. Encontrarmos, nós, o Senhor que nos consola e irmos consolar o povo de Deus: esta é a missão. Hoje as pessoas precisam certamente de palavras, mas sobretudo têm necessidade que testemunhemos a misericórdia, a ternura do Senhor, que aquece o coração, desperta a esperança, atrai para o bem. A alegria de levar a consolação de Deus!

2. O segundo ponto de referência da missão é a cruz de Cristo. São Paulo, ao escrever aos Gálatas, diz: «Quanto a mim, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (6, 14). E fala de «estigmas», isto é, das chagas de Jesus crucificado, como selo, marca distintiva da sua vida de apóstolo do Evangelho. No seu ministério, Paulo experimentou o sofrimento, a fraqueza e a derrota, mas também a alegria e a consolação. Isto é o mistério pascal de Jesus: mistério de morte e ressurreição. E foi precisamente o ter-se deixado configurar à morte de Jesus que fez São Paulo participar na sua ressurreição, na sua vitória. Na hora da escuridão, na hora e da prova, já está presente e operante a alvorada da luz e da salvação. O mistério pascal é o coração palpitante da missão da Igreja. E, se permanecermos dentro deste mistério, estamos a coberto quer de uma visão mundana e triunfalista da missão, quer do desânimo que pode surgir à vista das provas e dos insucessos. A fecundidade pastoral, a fecundidade do anúncio do Evangelho não deriva do sucesso nem do insucesso vistos segundo critérios de avaliação humana, mas de conformar-se com a lógica da Cruz de Jesus, que é a lógica de sair de si mesmo e dar-se, a lógica do amor. É a Cruz – sempre a Cruz com Cristo, porque às vezes oferecem-nos a cruz sem Cristo: esta não vale! É a Cruz, sempre a Cruz com Cristo – que garante a fecundidade da nossa missão. E é da Cruz, supremo acto de misericórdia e amor, que se renasce como «nova criação» (Gl 6, 15).

3. Finalmente, o terceiro elemento: a oração. Ouvimos no Evangelho: «Rogai ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10, 2). Os trabalhadores para a messe não são escolhidos através de campanhas publicitárias ou apelos ao serviço da generosidade, mas são «escolhidos» e «mandados» por Deus. É Ele que escolhe, é Ele que manda; sim, é Ele que manda, é Ele que confere a missão. Por isso é importante a oração. A Igreja – repetia Bento XVI – não é nossa, mas de Deus; e quantas vezes nós, os consagrados, pensamos que seja nossa! Fazemos dela… qualquer coisa que nos vem à cabeça. Mas não é nossa; é de Deus. O campo a cultivar é d’Ele. Assim, a missão é sobretudo graça. A missão é graça. E, se o apóstolo é fruto da oração, nesta encontrará a luz e a força da sua acção. De contrário, a nossa missão não será fecunda; mais, apaga-se no próprio momento em que se interrompe a ligação com a fonte, com o Senhor.

Queridos seminaristas, queridas noviças e queridos noviços, queridos jovens em caminhada vocacional! Há dias, um de vós, um dos vossos formadores, dizia-me: évangéliser on le fait à genoux, a evangelização faz-se de joelhos. Ouvi bem: «A evangelização faz-se de joelhos». Sede sempre homens e mulheres de oração! Sem o relacionamento constante com Deus a missão torna-se um ofício. Mas que trabalho fazes? Trabalho de alfaiate, de cozinheira, de padre… Trabalhas de padre, de freira? Não. Não é um ofício, é diverso. O risco do activismo, de confiar demasiado nas estruturas, está sempre à espreita. Se olhamos a vida de Jesus, constatamos que, na véspera de cada decisão ou acontecimento importante, Ele Se recolhia em oração intensa e prolongada. Cultivemos a dimensão contemplativa, mesmo no turbilhão dos compromissos mais urgentes e pesados. E quanto mais a missão vos chamar para ir para as periferias existenciais, tanto mais o vosso coração se mantenha unido ao de Cristo, cheio de misericórdia e de amor. Aqui reside o segredo da fecundidade pastoral, da fecundidade de um discípulo do Senhor!
Jesus envia os seus sem «bolsa, nem alforge, nem sandálias» (Lc 10, 4). A difusão do Evangelho não é assegurada pelo número das pessoas, nem pelo prestígio da instituição, nem ainda pela quantidade de recursos disponíveis. O que conta é estar permeados pelo amor de Cristo, deixar-se conduzir pelo Espírito Santo e enxertar a própria existência na árvore da vida, que é a Cruz do Senhor…”

PARA REZAR



SALMO 69

 

        R./ Procurai, pobres, o Senhor e encontrareis a vida.

 

A Vós, Senhor, elevo a minha súplica,

pela vossa imensa bondade respondei-me.

Ouvi-me, Senhor, pela bondade da vossa graça,

voltai-Vos para mim pela vossa grande misericórdia.

 

Eu sou pobre e miserável:

defendei-me com a vossa protecção.

Louvarei com cânticos o nome de Deus

e em acção de graças O glorificarei.

 

Vós, humildes, olhai e alegrai-vos,

buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.

O Senhor ouve os pobres

e não despreza os cativos.

 

Deus protegerá Sião,

reconstruirá as cidades de Judá.

Os seus servos a receberão em herança,

                    e nela hão-de morar os que amam o seu nome.

SANTOS POPULARES


BEATO FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES

Bartolomeu Fernandes Vale nasceu na freguesia de Nossa Senhora dos Mártires, em Lisboa, no princípio do mês de Maio de 1514, provavelmente no dia 3 de Maio. Era filho de Domingos Fernandes e de D. Maria Correia. Mais tarde, adoptou o apelido “dos Mártires” em homenagem à igreja onde foi baptizado. Em 11 de Novembro de 1528, com 14 anos, entrou no Convento de S. Domingos de Lisboa, tomando o hábito da Ordem dos Pregadores e em cujo Instituto professou, no dia 20 de Novembro de 1529. Tendo terminado o noviciado, iniciou os estudos de Filosofia e de Teologia, defendendo teses nos dois Capítulos da Ordem, reunidos em Guimarães (1532) e em Lisboa. Aqui, foi escolhido para professor de Filosofia, no colégio fundado por D. Manuel I. No Capítulo reunido em Santo Estêvão de Salamanca, foi-lhe conferido o título de Doutor e Mestre em Teologia. Durante 28 anos, leccionou Teologia e Filosofia, nos conventos de S. Domingos, no Mosteiro da Batalha e no Convento de Benfica. A pedido do Infante D. Luís, foi mandado para o Convento de S. Domingos, de Évora, onde se encontrava a Corte e onde continuou a leccionar. Foi, mais tarde, eleito Prior do Convento de Benfica, nos arredores de Lisboa. Por morte de D. Fr. Baltasar Limpo, da Ordem de Nossa Senhora do Carmo, em 31 de Março de 1558, D. Catarina - regente do Reino na menoridade de D. Sebastião e por conselho do seu confessor, Fr. Luís de Granada - nomeou Frei Bartolomeu dos Mártires Arcebispo de Braga, cargo que, contra sua vontade, foi obrigado a aceitar. A nomeação foi confirmada, em 27 de Janeiro de 1559, pelo Papa Paulo IV. Foi ordenado bispo, na igreja de S. Domingos, em Lisboa, em 3 de Setembro de 1559, e, no dia 8, recebeu o pálio das mãos do arcebispo de Lisboa D. Fernando Vasconcelos de Meneses. Fez a sua entrada solene em Braga, a 4 de Outubro. Em Janeiro de 1560, iniciou a visita pastoral aos vários locais da Arquidiocese, regressando a Braga no princípio da Quaresma. Em 24 de Março de 1561, partiu para Trento a fim de participar no Concílio com que a Igreja Católica respondeu à reforma protestante. Aí, desempenhou um papel de grande relevo. Terminado o Concílio, saiu de Trento em 8 de Dezembro de 1563, montado numa mula que o Papa Pio IV lhe oferecera. Chegou a Braga, como que em segredo, na tarde de Sábado, 26 de Fevereiro de 1564, e no dia seguinte, 2º Domingo da Quaresma, inesperadamente, apareceu a pregar na Catedral. A partir de então, o grande trabalho do Arcebispo foi a aplicação das Reformas decididas em Trento, o que não foi nada fácil. Com as alterações políticas - surgidas após a morte do Cardeal Rei D. Henrique, em 31 de Janeiro de 1580 - D. Frei Bartolomeu dos Mártires chegou a refugiar-se em Tui, onde adoeceu gravemente. Regressado ao País, participou, em 16 de Abril de 1581, nas Cortes de Tomar, onde Filipe II de Espanha prestou juramento como Rei de Portugal. No fim das Cortes, Bartolomeu dos Mártires solicitou ao Monarca a sua renúncia ao Arcebispado de Braga, que foi aceite. Tinha 67 anos e encontrava-se, exausto, esgotado, velho, doente e falho de memória. Enquanto a renúncia não foi confirmada por Gregório XIII, prosseguiu a visita pastoral à arquidiocese, que governou durante 22 anos, de 1559 a 1581. Quando se encontrava em visita pastoral, em 23 de Fevereiro de 1582, foi informado de que já tinha sucessor, D. João Afonso de Meneses (1581-1587). Nesse mesmo dia recolheu ao Convento de Santa Cruz, em Viana do Castelo, que tinha fundado naquela cidade. Faleceu no dia 16 de Julho 1590, com 76 anos de idade. Foi sepultado na capela-mor do referido convento. Em 24 de Maio de 1609, foi trasladado para um túmulo novo, alto, de mármore. Foi declarado Venerável pelo Papa Gregório XVI, em 23 de Março de 1845. O Papa João Paulo II procedeu à sua beatificação em 4 de Novembro de 2001. A sua memória litúrgica faz-se no dia 18 de Julho.