PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

domingo, 27 de outubro de 2013

HORÁRIO DE INVERNO



Com a mudança da hora, ocorrida neste Domingo, é alterado o horário de algumas das celebrações, na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira. Fica, assim, estabelecido o novo horário, dito de Inverno, das Missas:
 - Terça, Quinta, Sexta e Domingo à tarde: 18 horas
 - Sábado: 18,30 horas
 - Domingo de manhã: 8 horas
 
Este horário vigora até 30 de Março de 2014

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- na Audiência geral do dia 23 de Outubro, na Praça de São Pedro, Roma

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Continuando as catequeses sobre a Igreja, hoje gostaria de contemplar Maria como imagem e modelo da Igreja. E faço-o, retomando uma expressão do Concílio Vaticano II. Lê-se na Constituição Lumen gentium: «A Mãe de Deus é o modelo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo, como já ensinava santo Ambrósio» (n. 63).

 1. Comecemos a partir do primeiro aspecto: Maria, como modelo de fé. Em que sentido Maria representa um modelo para a fé da Igreja? Pensemos em quem era a Virgem Maria: uma jovem judia que, com todo o seu coração, esperava a redenção do seu povo. Mas naquele coração de jovem filha de Israel havia um segredo, que Ela mesma ainda não conhecia: no desígnio de amor de Deus, estava destinada a tornar-se a Mãe do Redentor. Na Anunciação, o Mensageiro de Deus chama-lhe «cheia de graça», revelando-se este desígnio. Maria responde «sim» e, a partir daquele momento, a fé de Maria recebe uma luz nova: concentra-se em Jesus, o Filho de Deus que dela recebeu a carne e em quem se realizam as promessas de toda a história da salvação. A fé de Maria é o cumprimento da fé de Israel, pois nela está concentrado precisamente todo o caminho, toda a senda daquele povo que esperava a redenção, e neste sentido Ela é o modelo da fé da Igreja, que tem como fulcro Cristo, encarnação do amor infinito de Deus.
Como viveu Maria esta fé? Viveu-a na simplicidade dos numerosos trabalhos e preocupações de cada mãe, como prover à comida, à roupa, aos afazeres de casa... Precisamente esta existência normal de Senhora foi o terreno onde se desenvolveram uma relação singular e um diálogo profundo entre Ela e Deus, entre Ela e o seu Filho. O «sim» de Maria, já perfeito desde o início, cresceu até à hora da Cruz. Ali a sua maternidade dilatou-se, abarcando cada um de nós, a nossa vida, para nos orientar rumo ao seu Filho. Maria viveu sempre imersa no mistério do Deus que se fez homem, como sua primeira e perfeita discípula, meditando tudo no seu coração, à luz do Espírito Santo, para compreender e pôr em prática toda a vontade de Deus.
Podemos interrogar-nos: deixamo-nos iluminar pela fé de Maria, que é nossa Mãe? Ou então pensamos que Ela está distante, que é demasiado diversa de nós? Nos momentos de dificuldade, de provação, de obscuridade, olhamos para Ela como modelo de confiança em Deus que deseja, sempre e somente, o nosso bem? Pensemos nisto, talvez nos faça bem voltar a encontrar Maria como modelo e figura da Igreja nesta fé que Ela tinha!

2. Venhamos ao segundo aspecto: Maria, modelo de caridade. De que modo Maria é para a Igreja exemplo vivo de amor? Pensemos na sua disponibilidade em relação à sua prima Isabel. Visitando-a, a Virgem Maria não lhe levou apenas uma ajuda material — também isto — mas levou-lhe Jesus, que já vivia no seu ventre. Levar Jesus àquela casa significava levar o júbilo, a alegria completa. Isabel e Zacarias estavam felizes com a gravidez, que parecia impossível na sua idade, mas é a jovem Maria que lhes leva a alegria plena, aquela que vem de Jesus e do Espírito Santo e que se manifesta na caridade gratuita, na partilha, no ajudar-se, no compreender-se.
Nossa Senhora quer trazer também a nós, a todos nós, a dádiva grandiosa que é Jesus; e com Ele traz-nos o seu amor, a sua paz e a sua alegria. Assim a Igreja é como Maria: a Igreja não é uma loja, nem uma agência humanitária; a Igreja não é uma ONG, mas é enviada a levar a todos Cristo e o seu Evangelho; ela não se leva a si mesma; seja ela pequena, grande, forte, ou frágil, a Igreja leva Jesus e deve ser como Maria, quando foi visitar Isabel. O que lhe levava Maria? Jesus. A Igreja leva Jesus: este é o centro da Igreja, levar Jesus! Se, por hipótese, alguma vez acontecesse que a Igreja não levasse Jesus, ela seria uma Igreja morta! A Igreja deve levar a caridade de Jesus, o amor de Jesus, a caridade de Jesus.
Falamos de Maria, de Jesus. E nós? Nós que somos a Igreja? Qual é o amor que levamos aos outros? É o amor de Jesus que compartilha, perdoa e acompanha, ou é um amor diluído, como se dilui o vinho que parece água? É um amor forte ou frágil, a ponto de seguir as simpatias, procurar a retribuição, um amor interesseiro? Outra pergunta: Jesus gosta do amor interesseiro? Não, não gosta, porque o amor deve ser gratuito, como o Seu. Como são as relações nas nossas paróquias, nas nossas comunidades? Tratamo-nos como irmãos e irmãs? Ou julgamo-nos, falamos mal uns dos outros, cuidamos cada um dos próprios «interesses», ou prestamos atenção uns dos outros? São perguntas de caridade!

3. E, brevemente, um último aspecto: Maria, modelo de união com Cristo. A vida da Virgem Santa foi a existência de uma mulher do seu povo: Maria rezava, trabalhava, ia à sinagoga... Mas, cada gesto era realizado sempre em união perfeita com Jesus. Esta união alcança o seu apogeu no Calvário: aqui, Maria une-se ao Filho no martírio do coração e na oferenda da sua vida ao Pai, para a salvação da humanidade. Nossa Senhora fez seu o sofrimento do Filho, aceitando com Ele a vontade do Pai naquela obediência fecunda, que confere a vitória genuína sobre o mal e a morte.
É muito bonita esta realidade que Maria nos ensina: estarmos sempre unidos a Jesus. Podemos perguntar: recordamo-nos de Jesus só quando algo não funciona e temos necessidades, ou a nossa relação é constante, uma amizade profunda, mesmo quanto se trata de o seguir pelo caminho da cruz?
Peçamos ao Senhor que nos conceda a sua graça, a sua força, a fim de que na nossa vida e na existência de cada comunidade eclesial se reflicta o modelo de Maria, Mãe da Igreja. Assim seja!

 

PARA REZAR


SALMO 34

R/. - O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz.


A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.


A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,

para apagar da terra a sua memória.

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,

livrou-os de todas as angústias.

 

O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado

e salva os de ânimo abatido.

O Senhor defende a vida dos seus servos,

não serão castigados os que n’Ele confiam.

SANTOS POPULARES



BEATO AMADEU DA SILVA

João da Silva e Meneses (também conhecido por Beato Amadeu de Portugal) nasceu por volta do ano de 1429, provavelmente em Campo Maior, onde, na altura, residiam os seus pais: D. Rui Gomes da Silva, Alcaide-Mor da vila alentejana de Campo Maior e Ouguela e Dona Isabel de Menezes, filha de D. Pedro de Menezes que foi Governador da Praça de Ceuta que, nessa altura pertencia à coroa dos reis de Portugal. Os pais de João pertenciam à primeira nobreza do reino e estavam ainda aparentados com a família real. Entre os seus numerosos irmãos, conta-se Santa Beatriz da Silva, fundadora da Ordem da Imaculada Conceição, conhecida também como Ordem das Monjas Concepcionistas. João casou aos dezoito anos, mas nunca chegou a coabitar com a donzela que lhe apresentaram para esposa. Aos vinte anos, participou na Batalha de Alfarrobeira, em Maio de 1449, onde foi ferido. Foi depois para o Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, na Estremadura castelhana, onde ficou alguns anos, entre os monges da Ordem de São Jerónimo, ocupando-se do ofício de cozinheiro e de outros ofícios domésticos humildes. Chegou a dirigir-se ao reino de Granada, com o desejo de sofrer o martírio por Cristo. Foi perseguido pelos mouros granadinos. Tentou, depois, seguir para África com um mercador que preparava a sua viagem. Mas regressou a Guadalupe. Ali, teve a tríplice aparição da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo António, fazendo-o despertar para um nova vocação religiosa: a de franciscano.
Em 1452, João de Meneses deixou o Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe - levando uma carta de apresentação do prior Gonçalo de Illescas - com o propósito de se dirigir para Assis. De passagem pelo Convento de São Francisco de Oviedo, ali recebeu o hábito franciscano. Passou, também, por Avinhão, Génova e Florença. Em Itália, tomou o nome de frei Amadeu de Portugal. Em Perugia, o ministro-geral da Ordem franciscana, frei Ângelo, negou-lhe audiência. Em Assis, não foi recebido pelos frades, que julgaram o seu aspecto demasiado andrajoso, acusando-o de ser um embusteiro. Viveu, então, aninhado a um canto dos muros do convento, dedicando-se à oração e à penitência. Durante três anos, sofreu todo o tipo de perseguições, até à visita de frei Tiago Bussolini de Mozanica, novo ministro-geral dos franciscanos, que o recebeu na Ordem dos Frades Menores. A sua piedade e devoção configuraram-lhe a imagem de um santo vivo. Apesar do desprezo dos seus, rapidamente granjeou a admiração de muita gente, atraída, segundo consta, pelos seus inúmeros milagres. Começaram, então, as peregrinações aos muros do Convento para encontrar este santo. Isto, irritou alguns dos frades, que conspiraram para se livrarem de tal empecilho. Sofreu, então, ainda mais humilhações e dificuldades. Sob a influência de alguns frades que viviam na corte, enviaram-no a Roma, ao Papa Calisto III, de modo a que este o obrigasse a regressar a casa. Descobrindo que iria cair numa cilada, frei Amadeu pediu a protecção do ministro provincial, então em Perugia, obtendo cartas de recomendação para o ministro-geral. Em Brescia, este enviou-o para o Convento de São Francisco da Porta Varcellina, em Milão, situado na actual Praça de Santo Ambrósio. Acompanhou-o frei Jorge de Valcamonica que se tornou seu confidente e que, posteriormente, testemunhou a sua santidade. Neste convento, os seus milagres e prodígios foram abundantes e, entre os numerosos devotos, contaram-se Francisco Sforza e a sua mulher, Branca Maria, duques de Milão. Mais tarde, já no Convento de São Francisco de Oreno, desistiu da sua vocação eremítica, começou a pregar às multidões e aceitou a ordenação sacerdotal. A sua primeira missa foi celebrada na Festa da Anunciação, em 25 de Março de 1459. Começou, assim, uma intensa actividade apostólica, recorrendo ao Papa, escrevendo a príncipes, servindo de intermediário entre as grandes famílias da época. Recordou, quando necessário, o dever que a uns e a outros competia. Escreveu várias cartas, que ainda hoje se conservam. Com a ajuda da duquesa de Milão, fundou o Convento de Santa Maria de Castigliori que, por insistência de frei Amadeu - muito devoto de Nossa Senhora de Guadalupe - , passou a chamar-se de Santa Maria de Guadalupe.  Frei Amadeu fez deste convento o centro da sua acção de reforma da Ordem de São Francisco. Fundou, ainda, outros conventos: São Bernardino de Erbusto e São Francisco de Iseo, na província de Brescia, em 1465; Santa Maria da Paz, em Milão, em 1466, também conhecido por Convento de São Tiago e São Filipe Apóstolos; Santa Maria da Fonte de Caravaggio, em 1467; Santa Maria das Graças de Quinzano, em 1468; Santa Maria das Graças de Antignate, na província de Bérgamo, diocese de Cremona, em 1468, e muitos outros.
Por diligência do cardeal Francisco delle Rovere (futuro Papa Sisto IV), obteve do Papa Paulo II, a 22 de Abril de 1469, a graça de poder fundar, na Lombardia, três conventos com a invocação de Santa Maria, além do de Santa Maria das Graças de Quinzano. Assim, passou para a sua custódia o Convento de Santa Maria Anunciada de Borno, província e diocese de Brescia, pertencente aos terceiros franciscanos; o de Santa Maria das Graças de São Secondo, na província e diocese de Parma. Eleito Papa com o nome de Sisto IV, o cardeal delle Rovere - que o conhecera e que fora também ministro geral da Ordem de São Francisco - concedeu-lhe, a 24 de Março de 1472, entre outros privilégios, a faculdade de ele e os sucessores receberem na sua congregação frades conventuais ou quaisquer outros - sob a jurisdição do ministro-geral - que desejassem segui-lo… Surgiu, assim, uma nova corrente franciscana, apelidada de ‘amadeítas’, com grande autonomia em relação à Ordem, mas sob a vigilância do ministro-geral dos franciscanos. Frei Amadeu dizia-se apenas da Ordem de São Francisco.
O papa Sisto IV - que cumulou frei Amadeu de privilégios, motivado pela admiração que lhe tinha, nomeadamente quanto à congregação dos seus conventos - nomeou-o seu confessor e secretário particular. Para o ter mais perto de si, doou-lhe o Convento de São Pedro in Montório, junto do palácio apostólico, a 18 de Junho de 1472. Quando fazia uma visita aos seus frades, encontrando-se no Convento de Santa Maria da Paz, em Milão, ali morreu, no dia 10 de Agosto de 1482. O rei Luís XI de França, a quem chegara a fama do Beato Amadeu, contribuiu para as despesas do funeral e para um sepulcro de mármore rodeado por grades numa capela própria, onde eram colocadas muitas lamparinas e velas. Nessa capela, celebrava-se, todos os anos, a festa do Beato, a 10 de Agosto. A sepultura já não existe, pois foi destruída durante as Invasões Francesas, embora se saiba onde estava situada. A sua canonização chegou a ser tentada, segundo alguma documentação do final do século XVI. Entretanto, devido a muitas pressões e a muitos problemas surgidos na Ordem, a congregação dos amadeitas foi extinta por São Carlos Borromeu, cardeal de Milão e reconhecido protector dos amadeitas. Os trinta e nove conventos, então existentes, foram integrados na Ordem de São Francisco da Observância, em 1568, por bula do papa Pio V. Embora desconhecido em Portugal, o Beato Amadeu foi muito apreciado e venerado em toda a Itália e, durante mais de quatro séculos, o seu culto manteve-se ininterrupto, em torno da sua imagem aureolada, sobre a sua sepultura. Apesar do esmorecimento deste culto popular ao Beato Amadeu da Silva, a sua memória litúrgica faz-se, agora, no dia 1 de Novembro.