Neste Sábado, 9 de Novembro, as crianças do
1º ano da catequese, da Igreja Matriz, foram acolhidas, solenemente, na
comunidade. Na “Festa do
Acolhimento”, queremos exprimir a alegria de podermos caminhar juntos na
descoberta de Jesus, para sermos, verdadeiramente, seus amigos. A comunidade
compromete-se no testemunho, no acompanhamento e na solicitude para que a fé
destas crianças cresça e se manifeste na prática do bem. As famílias têm uma
missão inigualável: transmitir os valores da fé, com gestos de ternura, numa
verdadeira entrega a Jesus.
PALAVRA COM SENTIDO
PALAVRA COM SENTIDO
“… O Senhor ressuscitou, verdadeiramente!…” (cf. Antífona do Domingo de Páscoa)
Hoje ecoa em todo o mundo o anúncio da Igreja: «Jesus Cristo ressuscitou»; «ressuscitou verdadeiramente»!
Como uma nova chama, se acendeu esta Boa Nova na noite: a noite dum mundo já a braços com desafios epocais e agora oprimido pela pandemia, que coloca à dura prova a nossa grande família humana. Nesta noite, ressoou a voz da Igreja: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» (Sequência da Páscoa).
É um «contágio» diferente, que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» Não se trata duma fórmula mágica, que faça desvanecerem-se os problemas. Não! A ressurreição de Cristo não é isso. Mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, uma vitória que não «salta» por cima do sofrimento e da morte, mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus.
O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram frestas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada.
Hoje penso sobretudo em quantos foram atingidos diretamente pelo coronavírus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus queridos e por vezes sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus.
O Senhor da vida acolha junto de Si no seu Reino os falecidos e dê conforto e esperança a quem ainda está na prova, especialmente aos idosos e às pessoas sem ninguém. Não deixe faltar a sua consolação e os auxílios necessários a quem se encontra em condições de particular vulnerabilidade, como aqueles que trabalham nas casas de cura ou vivem nos quartéis e nas prisões.
Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida entre lutos e tantos incómodos que a pandemia está a causar, desde os sofrimentos físicos até aos problemas económicos.
Esta epidemia não nos privou apenas dos afetos, mas também da possibilidade de recorrer pessoalmente à consolação que brota dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação. Em muitos países, não foi possível aceder a eles, mas o Senhor não nos deixou sozinhos! Permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que Ele colocou sobre nós a sua mão (cf. Sal 139/138, 5), repetindo a cada um com veemência: Não tenhas medo! «Ressuscitei e estou contigo para sempre» (cf. Missal Romano).
Jesus, nossa Páscoa, dê força e esperança aos médicos e enfermeiros, que por todo o lado oferecem um testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e, por vezes, até ao sacrifício da própria saúde. Para eles, bem como para quantos trabalham assiduamente para garantir os serviços essenciais necessários à convivência civil, para as forças da ordem e os militares que em muitos países contribuíram para aliviar as dificuldades e tribulações da população, vai a nossa saudação afetuosa juntamente com a nossa gratidão.
Nestas semanas, alterou-se improvisamente a vida de milhões de pessoas. Para muitos, ficar em casa foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e desfrutar da sua companhia. Mas, para muitos outros, é também um momento de preocupação pelo futuro que se apresenta incerto, pelo emprego que se corre o risco de perder e pelas outras consequências que acarreta a atual crise. Encorajo todas as pessoas que detêm responsabilidades políticas a trabalhar ativamente em prol do bem comum dos cidadãos, fornecendo os meios e instrumentos necessários para permitir a todos que levem uma vida digna e favorecer – logo que as circunstâncias o permitam – a retoma das atividades diárias habituais.
Este não é tempo para a indiferença, porque o mundo inteiro está a sofrer e deve sentir-se unido ao enfrentar a pandemia. Jesus ressuscitado dê esperança a todos os pobres, a quantos vivem nas periferias, aos refugiados e aos sem abrigo. Não sejam deixados sozinhos estes irmãos e irmãs mais frágeis, que povoam as cidades e as periferias de todas as partes do mundo. Não lhes deixemos faltar os bens de primeira necessidade, mais difíceis de encontrar agora que muitas atividades estão encerradas, bem como os medicamentos e sobretudo a possibilidade duma assistência sanitária adequada. Em consideração das presentes circunstâncias, sejam abrandadas também as sanções internacionais que impedem os países visados de proporcionar apoio adequado aos seus cidadãos e seja permitido a todos os Estados acudir às maiores necessidades do momento atual, reduzindo – se não mesmo perdoando – a dívida que pesa sobre os orçamentos dos mais pobres.
Este não é tempo para egoísmos, pois o desafio que enfrentamos nos une a todos e não faz distinção de pessoas. Dentre as muitas áreas do mundo afetadas pelo coronavírus, penso de modo especial na Europa. Depois da II Guerra Mundial, este Continente pôde ressurgir graças a um espírito concreto de solidariedade, que lhe permitiu superar as rivalidades do passado. É muito urgente, sobretudo nas circunstâncias presentes, que tais rivalidades não retomem vigor; antes, pelo contrário, todos se reconheçam como parte duma única família e se apoiem mutuamente. Hoje, à sua frente, a União Europeia tem um desafio epocal, de que dependerá não apenas o futuro dela, mas também o do mundo inteiro. Não se perca esta ocasião para dar nova prova de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções inovadoras. Como alternativa, resta apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação dum regresso ao passado, com o risco de colocar à dura prova a convivência pacífica e o progresso das próximas gerações.
Este não é tempo para divisões. Cristo, nossa paz, ilumine a quantos têm responsabilidades nos conflitos, para que tenham a coragem de aderir ao apelo a um cessar-fogo global e imediato em todos os cantos do mundo. Este não é tempo para continuar a fabricar e comercializar armas, gastando somas enormes que deveriam ser usadas para cuidar das pessoas e salvar vidas. Ao contrário, seja o tempo em que finalmente se ponha termo à longa guerra que ensanguentou a amada Síria, ao conflito no Iémen e às tensões no Iraque, bem como no Líbano. Seja este o tempo em que israelitas e palestinianos retomem o diálogo para encontrar uma solução estável e duradoura que permita a ambos os povos viverem em paz. Cessem os sofrimentos da população que vive nas regiões orientais da Ucrânia. Ponha-se termo aos ataques terroristas perpetrados contra tantas pessoas inocentes em vários países da África.
Este não é tempo para o esquecimento. A crise que estamos a enfrentar não nos faça esquecer muitas outras emergências que acarretam sofrimentos a tantas pessoas. Que o Senhor da vida Se mostre próximo das populações da Ásia e da África que estão a atravessar graves crises humanitárias, como na Região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Acalente o coração das inúmeras pessoas refugiadas e deslocadas por causa de guerras, seca e carestia. Proteja os inúmeros migrantes e refugiados, muitos deles crianças, que vivem em condições insuportáveis, especialmente na Líbia e na fronteira entre a Grécia e a Turquia. E não quero esquecer a ilha de Lesbos. Faça com que na Venezuela se chegue a soluções concretas e imediatas, destinadas a permitir a ajuda internacional à população que sofre por causa da grave conjuntura política, socioeconómica e sanitária.
Queridos irmãos e irmãs,
Verdadeiramente palavras como indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento não são as que queremos ouvir neste tempo. Mais, queremos bani-las de todos os tempos! Aquelas parecem prevalecer quando em nós vencem o medo e a morte, isto é, quando não deixamos o Senhor Jesus vencer no nosso coração e na nossa vida. Ele, que já derrotou a morte abrindo-nos a senda da salvação eterna, dissipe as trevas da nossa pobre humanidade e introduza-nos no seu dia glorioso, que não conhece ocaso.
Com estas reflexões, gostaria de vos desejar a todos uma Páscoa feliz. (Mensagem do Papa Francisco na Bênção Urbi et Orbe, no Domingo de Páscoa de 2020).
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
SEMANA DOS SEMINÁRIOS
de 10 a 17 de Novembro de
2013
PARA QUE CRISTO SE
FORME EM NÓS! 5
- Mensagem de D.
Pio Alves, Administrador Apostólico do Porto
Estamos na recta final do Ano da Fé. Mas, se Deus
quiser, teremos ainda tempo/anos de caminho a percorrer. O que, de qualquer
modo, está garantido é que ainda não chegámos, não chegaremos nunca
completamente, a esgotar o insondável mistério do amor de Deus.
Na parte final da Porta Fidei (15), o Santo
Padre Bento XVI formula o desejo de que “possa este Ano da Fé tornar cada vez
mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só nele temos a certeza para
olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro”. E, um pouco antes
(10), escreve: “A fé é estar com o Senhor, para viver com Ele”.Numa Semana dos Seminários, num tempo em que é notória – também na nossa Diocese – a escassez de respostas à vocação sacerdotal, pode parecer um desperdício lírico que o tema seja “Para que Cristo se forme em nós” e que esta Mensagem se entretenha a falar de Jesus Cristo. Pode parecer mais avisado fazer balanços sociológicos, estabelecer objetivos, traçar programas de acção.
Efectivamente, como instituição, também humana, que somos, nada disso está a mais. Mas, como não somos uma multinacional que necessita contratar funcionários, temos outros segredos, outros caminhos prioritários: o permanente regresso à Escola do Mestre. E aí aprendemos que “Jesus, ao ver as multidões, encheu-se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor”. E disse aos seus discípulos: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9, 36-38).
A proximidade pessoal a Jesus Cristo, por parte de todos, no seio da Igreja, é o garante da solidez dos balanços, dos objectivos, dos programas. Que a Semana dos Seminários seja mais uma oportunidade ”para que Cristo se forme em nós” (cfr. Gal 4, 19).
- da Mensagem do
Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios
«…A Semana dos Seminários constitui uma grande oportunidade para que todas as comunidades cristãs reavivem a consciência de que hão-de estar sempre abertas a acolher Cristo e a permitir que Ele se forme nelas. O caminho da descoberta da vocação sacerdotal passa sempre pela comunidade cristã que possibilita às crianças e aos jovens esse encontro marcante com Cristo, que chama, transforma e envia. (…) A vocação sacerdotal é sempre o fruto da presença de Cristo no coração do jovem, que O acolhe como o Senhor, o amor maior, o único amor. Quando o coração do jovem se deixa habitar pela pessoa de Jesus Cristo e se deixa comover de misericórdia pela humanidade, pode conhecer a vocação ao serviço e ao amor de Deus e dos homens, que é a vocação sacerdotal. (…)
O cristão é convidado a crescer continuamente na força de Cristo, que recebeu e habita nele pela força do baptismo e pelo dinamismo da fé que o anima. O cristão seminarista é, de um modo particular, um homem que assume, com alegria, a tarefa de se identificar progressivamente com Cristo e de crescer até à estatura de Cristo, uma vez que o sacerdócio ministerial é um modo único de configuração com Ele, ou seja, consiste em ser outro Cristo. Neste sentido, o Seminário é um caminho de crescimento, que se sabe onde e quando começa, mas não se sabe onde acaba, pois tornar-se imagem de Cristo, que se entrega totalmente pelos homens nunca tem um fim, senão na glória da plenitude do Amor para a qual se orienta.(…)
O seminarista recebe, portanto, a vocação de permitir que Cristo se forme dentro de si mesmo, para se tornar Seu rosto visível diante da comunidade à qual é enviado como servo…»
ORAÇÃO PARA A SEMANA DOS SEMINÁRIOS
Senhor, nosso
Deus e nosso Pai: Obrigado pelo dom de Jesus Cristo, Teu Filho e nosso Irmão.
Ele vem aos nossos corações; converte-nos e transforma-nos; faz de nós Teus
filhos bem-amados. Ajuda-nos a crescer no amor filial, até à estatura do Homem
Perfeito, até às alturas do amor e do serviço. Fortalece os nossos seminaristas
com o dom do Teu Espírito, para que sejam imagens de Jesus: vejam com o Seus
olhos; amem com os Seus sentimentos; sirvam com as Suas disposições filiais. Nesta
Semana dos Seminários, nós Te suplicamos, pela intercessão de Maria: concede à
Tua Igreja muitas e santas vocações sacerdotais. Amém.
PALAVRA DO PAPA FRANCISCO
- na Audiência geral de 6 de Novembro, Praça de São Pedro - Roma
“…Queridos irmãos e irmãs:
Na quarta-feira passada,
falei da comunhão dos santos, entendida como comunhão entre as pessoas santas, isto
é, entre nós crentes. Hoje, gostaria de aprofundar o outro aspecto desta realidade:
recordais, certamente, que havia dois aspectos: um, a comunhão: a unidade entre
nós; e o outro aspecto, a comunhão nas coisas santas, nos bens espirituais. Os
dois aspectos estão intimamente ligados entre si. Na verdade, a comunhão entre
os cristãos cresce através da participação nos bens espirituais. De modo muito
especial, referimos: os sacramentos, os carismas e a caridade. (Cf. Catecismo da Igreja Católica , nn .
949-953 ) . Crescemos na
unidade, na comunhão através dos sacramentos, dos carismas que cada um recebeu
do Espírito Santo, e da caridade.… Os sacramentos exprimem e realizam uma efectiva e profunda comunhão entre nós, porque neles encontramos Cristo Salvador e, por meio d’Ele, os nossos irmãos na fé. Os sacramentos não são aparências, não são ritos, mas são a força de Cristo; é Jesus Cristo presente nos sacramentos. Quando celebramos a Eucaristia, é Jesus vivo que nos une, que faz de nós comunidade, que nos faz adorar o Pai. Cada um de nós, de facto, através do Baptismo, da Confirmação e da Eucaristia, é incorporado em Cristo e unido a toda a comunidade dos crentes. Portanto, se por um lado, é a Igreja que “faz” os sacramentos, por outro lado, são os sacramentos que " fazem " a Igreja, a edificam, gerando novos filhos, agregando -os ao povo santo de Deus e consolidando a sua pertença a este povo.
Cada encontro com Cristo - que nos sacramentos nos dá a salvação - convida-nos a " ir" comunicar aos outros a salvação que pudemos ver, tocar, encontrar, acolher e que é verdadeiramente credível porque é amor. Deste modo, os sacramentos levam-nos a ser missionários e o compromisso apostólico de levar o Evangelho a todos os ambientes, mesmo nos mais hostis, constitui o fruto mais autêntico de uma assídua vida sacramental, enquanto participação na iniciativa salvífica de Deus, que quer dar a salvação a todos. A graça dos Sacramentos alimenta em nós uma fé forte e alegre, uma fé que sabe espantar-se com as "maravilhas" de Deus e sabe resistir aos ídolos do mundo. Por esta razão, é importante fazer a comunhão; é importante que as crianças sejam baptizadas quanto antes; que sejam crismadas, porque os sacramentos são a presença de Jesus Cristo em nós, uma presença que nos ajuda. É importante, quando nos sentimos pecadores, aproximarmo-nos do sacramento da Reconciliação. Alguns poderão dizer: "Tenho medo, porque o padre pode ralhar comigo”. Não!... o padre não ralhará contigo. Tu sabes quem encontrarás no Sacramento da Reconciliação? Encontrarás Jesus que te perdoa! É Jesus que te espera, ali. Este é um sacramento que faz crescer toda a Igreja…”
PARA REZAR
R/. - Senhor, ficarei
saciado, quando surgir a vossa glória.
Ouvi, Senhor, uma causa justa,
atendei a minha súplica.
Escutai a minha oração,
feita com sinceridade.
Firmai os meus passos nas vossas veredas,
para que não vacilem os meus pés.
Eu Vos invoco, ó Deus, respondei-me,
ouvi e escutai as minhas palavras.
Protegei-me à sombra das vossas asas,
longe dos ímpios que me fazem violência.
Senhor, mereça eu contemplar a vossa face
e, ao despertar, saciar-me com a vossa imagem.
SANTOS POPULARES
SANTA INÊS DE Assis
Catarina de Ofreduccio nasceu, em Assis, por volta de 1196. Era a segunda filha de Favarone de Ofreduccio e da bem-aventurada Ortolana, ambos da nobreza da Úmbria. Foi irmã de Santa Clara de Assis e da bem-aventurada Beatriz, também Clarissa e beatificada. A sua vida é praticamente desconhecida, mas teve um papel relevante na Ordem de Santa Clara ( clarissas ). Depois de Santa Clara, foi a primeira a aderir - de alma e coração - ao carisma de pobreza e de fraternidade proposto por São Francisco e concretizado na Ordem das Clarissas. Pode ser considerada como cofundadora da Ordem, pela sua colaboração e dedicação ao projecto nascente. Foi quem mais partilhou com Clara o ideal evangélico. É um exemplo acabado do que deve ser uma Monja clarissa, mesmo nos dias de hoje.
A infância e a adolescência de Catarina foram vividas no palácio da família, na praça da Catedral de São Rufino, em Assis, com breves estadas - durante o Verão - no castelo de Coresano, no caminho de Gúbio, que pertencia aos cavaleiros nobres de Ofreduccio. Residiu em Perugia, onde a família se refugiou durante os anos da guerra que se travou, em Assis, quando o povo se revoltou contra o domínio do Imperador e contra os senhores feudais. Juntamente com Clara e Beatriz, foi educada santamente pela mãe Ortolana, partilhando dos sentimentos de Clara e desejando, como ela, consagrar-se somente a Deus. A sua personalidade foi-se delineando entre as aspirações ao poder e o prestígio da nobre família - que alinhou ao lado dos habitantes de Perugia na guerra contra a cidade de Assis - e os exemplos de devoção e de virtude que via na sua mãe e na sua irmã mais velha, Clara. Entre Catarina e Clara havia um tão grande afecto que tornou muito dolorosa a separação, quando Clara deixou a família para seguir o ideal evangélico de Francisco, no caminho da pobreza e do despojamento.
Aos catorze anos, Catarina iniciou a sua vida de consagrada a Deus. Fugiu de casa - dezasseis dias depois de Clara ter abandonado a família - e foi encontrá-la na Igreja de Sant’Angelo in Panzo, nas encostas do Monte Subasio, perto de Assis, onde vivia um pequeno grupo de mulheres que tinham escolhido viver, mais a sério, a penitência evangélica. Os parentes tentaram força-la a voltar para casa, mas ela resistiu firmemente, com a ajuda e a oração de Clara. Depois deste acontecimento, o próprio São Francisco lhe cortou os cabelos, como sinal de liberdade em relação aos apegos do mundo, e mudou o seu nome de Catarina para Inês, recordando a firmeza da sua opção, que lhe lembrava a virgem e mártir romana, Santa Inês. São Francisco orientou-a no caminho do Senhor. Mais tarde, Frei Francisco, na companhia de Frei Bernardo e Frei Felipe, conduziu Clara e Inês para o pequeno e pobre Mosteiro de São Damião, que reconstruíra, alguns anos antes. Ao Mosteiro foram chegando outras companheiras, tornando São Damião um lugar perfumado de santidade. Aqui, Inês aprendeu, com Clara, a afastar da mente e do coração todo o rumor, para poder aderir unicamente às profundidades do mistério de Deus. Não temia abraçar as penas, as fadigas e as privações da pobreza; acolhia tudo com alegria, na entrega ao Senhor a quem oferecera o coração. Seguindo o mesmo caminho da irmã, gostava de contemplar Cristo Pobre e Crucificado.
A Crónica dos primeiros vinte e quatro Gerais da Ordem dos Frades Menores conservou uma pequena narrativa biográfica de Santa Inês, descrevendo a sua fidelidade e assiduidade à oração. Pela tradição, sabemos que possuía uma terna e afectuosa devoção ao Menino Jesus e ao Crucificado. Diz a tradição que ficou marcada com um sinal no rosto, devido a um beijo do Menino Jesus. Fazia penitências ásperas, mortificações penosas e jejuns rigorosos. Era de um temperamento dócil, delicado, tranquilo. Caridosa e terna, era cheia de solicitude pelas irmãs que sofriam. Era prudente e madura, testemunho de constância e fidelidade ao compromisso assumido no alvor da sua juventude.
Em 1221, dez anos depois dos inícios de São Damião, Inês foi enviada a Florença, para assumir a responsabilidade de abadessa do Mosteiro de Monticeli onde - com o exemplo de santidade da sua vida e com a sua palavra doce e persuasiva, plena de amor de Deus e fervente no desprezo do mundo - plantou naquele mosteiro, como desejava Santa Clara, a observância da pobreza evangélica.
Em 1235, com a aprovação do Papa Gregório IX, Clara decidiu enviar Inês a Mântua, com algumas irmãs de São Damião e de Florença para renovar a vida daquele Mosteiro. O mesmo sucedeu com os Mosteiros de Veneza, Pádua, Milão e de várias outras cidades.
Inês morreu no Mosteiro de São Damião, no dia 27 de Agosto de 1253, dezasseis dias depois da morte da sua irmã Clara. Tinha cerca de cinquenta e seis anos de idade. Na ocasião da morte de Inês, uma multidão da cidade de Assis acorreu ao mosteiro, aclamando-a como santa. Foi sepultada, inicialmente, na cripta ao lado da capela, no Mosteiro de São Damião. Em 1260, o seu corpo foi inumado e transportado para junto do túmulo de Santa Clara, na Basílica, dentro dos muros de Assis. Inês foi solenemente canonizada no dia 15 de Abril de 1752, pelo Papa Bento XIV.
A Igreja faz a memória litúrgica de Santa Inês de Assis no dia 19 de Novembro.
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