PALAVRA COM SENTIDO
“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)
O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
FESTA DO ACOLHIMENTO
SEMANA DOS SEMINÁRIOS
Numa Semana dos Seminários, num tempo em que é notória – também na nossa Diocese – a escassez de respostas à vocação sacerdotal, pode parecer um desperdício lírico que o tema seja “Para que Cristo se forme em nós” e que esta Mensagem se entretenha a falar de Jesus Cristo. Pode parecer mais avisado fazer balanços sociológicos, estabelecer objetivos, traçar programas de acção.
Efectivamente, como instituição, também humana, que somos, nada disso está a mais. Mas, como não somos uma multinacional que necessita contratar funcionários, temos outros segredos, outros caminhos prioritários: o permanente regresso à Escola do Mestre. E aí aprendemos que “Jesus, ao ver as multidões, encheu-se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor”. E disse aos seus discípulos: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9, 36-38).
A proximidade pessoal a Jesus Cristo, por parte de todos, no seio da Igreja, é o garante da solidez dos balanços, dos objectivos, dos programas. Que a Semana dos Seminários seja mais uma oportunidade ”para que Cristo se forme em nós” (cfr. Gal 4, 19).
«…A Semana dos Seminários constitui uma grande oportunidade para que todas as comunidades cristãs reavivem a consciência de que hão-de estar sempre abertas a acolher Cristo e a permitir que Ele se forme nelas. O caminho da descoberta da vocação sacerdotal passa sempre pela comunidade cristã que possibilita às crianças e aos jovens esse encontro marcante com Cristo, que chama, transforma e envia. (…) A vocação sacerdotal é sempre o fruto da presença de Cristo no coração do jovem, que O acolhe como o Senhor, o amor maior, o único amor. Quando o coração do jovem se deixa habitar pela pessoa de Jesus Cristo e se deixa comover de misericórdia pela humanidade, pode conhecer a vocação ao serviço e ao amor de Deus e dos homens, que é a vocação sacerdotal. (…)
O cristão é convidado a crescer continuamente na força de Cristo, que recebeu e habita nele pela força do baptismo e pelo dinamismo da fé que o anima. O cristão seminarista é, de um modo particular, um homem que assume, com alegria, a tarefa de se identificar progressivamente com Cristo e de crescer até à estatura de Cristo, uma vez que o sacerdócio ministerial é um modo único de configuração com Ele, ou seja, consiste em ser outro Cristo. Neste sentido, o Seminário é um caminho de crescimento, que se sabe onde e quando começa, mas não se sabe onde acaba, pois tornar-se imagem de Cristo, que se entrega totalmente pelos homens nunca tem um fim, senão na glória da plenitude do Amor para a qual se orienta.(…)
O seminarista recebe, portanto, a vocação de permitir que Cristo se forme dentro de si mesmo, para se tornar Seu rosto visível diante da comunidade à qual é enviado como servo…»
ORAÇÃO PARA A SEMANA DOS SEMINÁRIOS
PALAVRA DO PAPA FRANCISCO
- na Audiência geral de 6 de Novembro, Praça de São Pedro - Roma
… Os sacramentos exprimem e realizam uma efectiva e profunda comunhão entre nós, porque neles encontramos Cristo Salvador e, por meio d’Ele, os nossos irmãos na fé. Os sacramentos não são aparências, não são ritos, mas são a força de Cristo; é Jesus Cristo presente nos sacramentos. Quando celebramos a Eucaristia, é Jesus vivo que nos une, que faz de nós comunidade, que nos faz adorar o Pai. Cada um de nós, de facto, através do Baptismo, da Confirmação e da Eucaristia, é incorporado em Cristo e unido a toda a comunidade dos crentes. Portanto, se por um lado, é a Igreja que “faz” os sacramentos, por outro lado, são os sacramentos que " fazem " a Igreja, a edificam, gerando novos filhos, agregando -os ao povo santo de Deus e consolidando a sua pertença a este povo.
Cada encontro com Cristo - que nos sacramentos nos dá a salvação - convida-nos a " ir" comunicar aos outros a salvação que pudemos ver, tocar, encontrar, acolher e que é verdadeiramente credível porque é amor. Deste modo, os sacramentos levam-nos a ser missionários e o compromisso apostólico de levar o Evangelho a todos os ambientes, mesmo nos mais hostis, constitui o fruto mais autêntico de uma assídua vida sacramental, enquanto participação na iniciativa salvífica de Deus, que quer dar a salvação a todos. A graça dos Sacramentos alimenta em nós uma fé forte e alegre, uma fé que sabe espantar-se com as "maravilhas" de Deus e sabe resistir aos ídolos do mundo. Por esta razão, é importante fazer a comunhão; é importante que as crianças sejam baptizadas quanto antes; que sejam crismadas, porque os sacramentos são a presença de Jesus Cristo em nós, uma presença que nos ajuda. É importante, quando nos sentimos pecadores, aproximarmo-nos do sacramento da Reconciliação. Alguns poderão dizer: "Tenho medo, porque o padre pode ralhar comigo”. Não!... o padre não ralhará contigo. Tu sabes quem encontrarás no Sacramento da Reconciliação? Encontrarás Jesus que te perdoa! É Jesus que te espera, ali. Este é um sacramento que faz crescer toda a Igreja…”
PARA REZAR
SANTOS POPULARES
Catarina de Ofreduccio nasceu, em Assis, por volta de 1196. Era a segunda filha de Favarone de Ofreduccio e da bem-aventurada Ortolana, ambos da nobreza da Úmbria. Foi irmã de Santa Clara de Assis e da bem-aventurada Beatriz, também Clarissa e beatificada. A sua vida é praticamente desconhecida, mas teve um papel relevante na Ordem de Santa Clara ( clarissas ). Depois de Santa Clara, foi a primeira a aderir - de alma e coração - ao carisma de pobreza e de fraternidade proposto por São Francisco e concretizado na Ordem das Clarissas. Pode ser considerada como cofundadora da Ordem, pela sua colaboração e dedicação ao projecto nascente. Foi quem mais partilhou com Clara o ideal evangélico. É um exemplo acabado do que deve ser uma Monja clarissa, mesmo nos dias de hoje.
A infância e a adolescência de Catarina foram vividas no palácio da família, na praça da Catedral de São Rufino, em Assis, com breves estadas - durante o Verão - no castelo de Coresano, no caminho de Gúbio, que pertencia aos cavaleiros nobres de Ofreduccio. Residiu em Perugia, onde a família se refugiou durante os anos da guerra que se travou, em Assis, quando o povo se revoltou contra o domínio do Imperador e contra os senhores feudais. Juntamente com Clara e Beatriz, foi educada santamente pela mãe Ortolana, partilhando dos sentimentos de Clara e desejando, como ela, consagrar-se somente a Deus. A sua personalidade foi-se delineando entre as aspirações ao poder e o prestígio da nobre família - que alinhou ao lado dos habitantes de Perugia na guerra contra a cidade de Assis - e os exemplos de devoção e de virtude que via na sua mãe e na sua irmã mais velha, Clara. Entre Catarina e Clara havia um tão grande afecto que tornou muito dolorosa a separação, quando Clara deixou a família para seguir o ideal evangélico de Francisco, no caminho da pobreza e do despojamento.
Aos catorze anos, Catarina iniciou a sua vida de consagrada a Deus. Fugiu de casa - dezasseis dias depois de Clara ter abandonado a família - e foi encontrá-la na Igreja de Sant’Angelo in Panzo, nas encostas do Monte Subasio, perto de Assis, onde vivia um pequeno grupo de mulheres que tinham escolhido viver, mais a sério, a penitência evangélica. Os parentes tentaram força-la a voltar para casa, mas ela resistiu firmemente, com a ajuda e a oração de Clara. Depois deste acontecimento, o próprio São Francisco lhe cortou os cabelos, como sinal de liberdade em relação aos apegos do mundo, e mudou o seu nome de Catarina para Inês, recordando a firmeza da sua opção, que lhe lembrava a virgem e mártir romana, Santa Inês. São Francisco orientou-a no caminho do Senhor. Mais tarde, Frei Francisco, na companhia de Frei Bernardo e Frei Felipe, conduziu Clara e Inês para o pequeno e pobre Mosteiro de São Damião, que reconstruíra, alguns anos antes. Ao Mosteiro foram chegando outras companheiras, tornando São Damião um lugar perfumado de santidade. Aqui, Inês aprendeu, com Clara, a afastar da mente e do coração todo o rumor, para poder aderir unicamente às profundidades do mistério de Deus. Não temia abraçar as penas, as fadigas e as privações da pobreza; acolhia tudo com alegria, na entrega ao Senhor a quem oferecera o coração. Seguindo o mesmo caminho da irmã, gostava de contemplar Cristo Pobre e Crucificado.
A Crónica dos primeiros vinte e quatro Gerais da Ordem dos Frades Menores conservou uma pequena narrativa biográfica de Santa Inês, descrevendo a sua fidelidade e assiduidade à oração. Pela tradição, sabemos que possuía uma terna e afectuosa devoção ao Menino Jesus e ao Crucificado. Diz a tradição que ficou marcada com um sinal no rosto, devido a um beijo do Menino Jesus. Fazia penitências ásperas, mortificações penosas e jejuns rigorosos. Era de um temperamento dócil, delicado, tranquilo. Caridosa e terna, era cheia de solicitude pelas irmãs que sofriam. Era prudente e madura, testemunho de constância e fidelidade ao compromisso assumido no alvor da sua juventude.
Em 1221, dez anos depois dos inícios de São Damião, Inês foi enviada a Florença, para assumir a responsabilidade de abadessa do Mosteiro de Monticeli onde - com o exemplo de santidade da sua vida e com a sua palavra doce e persuasiva, plena de amor de Deus e fervente no desprezo do mundo - plantou naquele mosteiro, como desejava Santa Clara, a observância da pobreza evangélica.
Em 1235, com a aprovação do Papa Gregório IX, Clara decidiu enviar Inês a Mântua, com algumas irmãs de São Damião e de Florença para renovar a vida daquele Mosteiro. O mesmo sucedeu com os Mosteiros de Veneza, Pádua, Milão e de várias outras cidades.
Inês morreu no Mosteiro de São Damião, no dia 27 de Agosto de 1253, dezasseis dias depois da morte da sua irmã Clara. Tinha cerca de cinquenta e seis anos de idade. Na ocasião da morte de Inês, uma multidão da cidade de Assis acorreu ao mosteiro, aclamando-a como santa. Foi sepultada, inicialmente, na cripta ao lado da capela, no Mosteiro de São Damião. Em 1260, o seu corpo foi inumado e transportado para junto do túmulo de Santa Clara, na Basílica, dentro dos muros de Assis. Inês foi solenemente canonizada no dia 15 de Abril de 1752, pelo Papa Bento XIV.
A Igreja faz a memória litúrgica de Santa Inês de Assis no dia 19 de Novembro.




