PALAVRA COM SENTIDO
“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)
O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…
sábado, 7 de dezembro de 2013
FESTA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
PALAVRA DO PAPA FRANCISCO
No Novo Testamento, Jesus completa esta revelação e vincula a fé na ressurreição à sua própria Pessoa e diz: «Eu sou a ressurreição e a vida» (Jo 11, 25). Com efeito, será o Senhor Jesus que ressuscitará no último dia aqueles que tiverem acreditado nele. Jesus veio entre nós e fez-se homem, como nós em tudo, excepto no pecado; deste modo, levou-nos consigo no seu caminho de volta para o Pai. Ele, o Verbo encarnado, morto por nós e ressuscitado, concede aos seus discípulos o Espírito Santo como penhor da plena comunhão no seu Reino glorioso, que esperamos vigilantes. Esta expectativa é a fonte e a razão da nossa esperança: uma esperança que, se for cultivada e conservada — a nossa esperança, se nós a cultivarmos e conservarmos — tornar-se-á luz para iluminar a nossa história pessoal e também a história comunitária. Recordemo-lo sempre: somos discípulos daquele que veio, que vem cada dia e que há-de vir no fim. Se conseguíssemos estar mais conscientes desta realidade, ficaríamos menos cansados na vida diária, menos prisioneiros do efémero e mais dispostos a caminhar com o coração misericordioso pela senda da salvação.
Outro aspecto: o que significa ressuscitar? A ressurreição de todos nós acontecerá no último dia, no fim do mundo, por obra da omnipotência de Deus, que restituirá a vida ao nosso corpo, reunindo-o à alma, em virtude da ressurreição de Jesus. Esta é a explicação fundamental: dado que Jesus ressuscitou, também nós ressuscitaremos; temos a esperança na ressurreição, porque Ele nos abriu a porta para esta ressurreição. E esta transformação, esta transfiguração do nosso corpo é preparada nesta vida pela relação com Jesus, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia. Nós, que nesta vida somos alimentados pelo Corpo e Sangue, ressuscitaremos como Ele, com Ele e por meio dele. Assim como Jesus ressuscitou com o seu próprio Corpo, mas não voltou a uma vida terrena, também nós ressuscitaremos com os nossos corpos, que serão transfigurados em corpos gloriosos. Não se trata de uma mentira! Isto é verdade. Acreditamos que Jesus ressuscitou, que Jesus está vivo neste momento. Mas vós credes que Jesus está vivo? E se Jesus está vivo, pensais que nos deixará morrer e não nos ressuscitará? Não! Ele espera por nós, e dado que ressuscitou, a força da sua ressurreição ressuscitará todos nós.
Um último elemento: já nesta vida temos em nós uma participação na ressurreição de Cristo. Se é verdade que Jesus nos ressuscitará no fim dos tempos, também é verdade que, sob um certo aspecto, com Ele já ressuscitamos. A vida eterna começa já neste momento, durante a vida inteira, orientada para aquele instante da ressurreição derradeira. Com efeito, já ressuscitamos mediante o Baptismo, estamos inseridos na morte e ressurreição de Cristo e participamos na vida nova, que é a sua vida. Portanto, à espera do último dia, temos em nós mesmos uma semente de ressurreição como antecipação da ressurreição completa que receberemos em herança. Por isso, também o corpo de cada um de nós é ressonância de eternidade, e por conseguinte deve ser sempre respeitado; e sobretudo, é necessário respeitar e amar a vida de quantos sofrem, para que sintam a proximidade do Reino de Deus, daquela condição de vida eterna para a qual nós caminhamos. Este pensamento infunde-nos esperança: estamos a caminho rumo à ressurreição. Ver Jesus, encontrar Jesus: nisto consiste a nossa alegria! Estaremos todos juntos — não aqui na praça, mas num outro lugar — jubilosos com Jesus. Este é o nosso destino!..”
PARA REZAR
SANTOS POPULARES
“Juanito, o mais pequeno dos meus filhos, onde vais?”.
“Senhora, minha pequena, vou a tua casa, na cidade, para participar nas coisas divinas e aprender os ensinamentos que nos dão os nossos sacerdotes, delegados do Nosso Senhor”.
“Quero que tu - o mais pequeno dos meus filhos - saibas que eu sou a sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus, Aquele que cria todas as coisas, dá a vida e é Senhor do céu e da terra. Eu sou também a vossa Mãe, cheia de misericórdia e, por isso, desejo vivamente que aqui me seja construído um templo, para que nele possa mostrar o meu amor, a minha compaixão, dar-te ajuda e defesa a ti, aos habitantes deste lugar, a todos os meus devotos que me invocam e têm confiança em mim. Neste lugar, quero ouvir os seus lamentos, vir ao encontro de todas as suas misérias, sofrimentos e dores. Agora, para realizar quanto deseja a minha benignidade, deves ir à casa do prelado do México para lhe dizer que sou Eu que te envio. Manifestar-lhe-ás o meu desejo de ter aqui um templo. Presta atenção para lhe dizer tudo quanto viste e ouviste. Prometo-te a minha protecção, far-te-ei feliz e dar-te-ei uma grande recompensa por este dever difícil que te confio. Agora que conheces a minha vontade, meu filho tão pequenino, vai e põe nisto toda a tua diligência”. Ele inclinou-se diante da Senhora e disse-lhe: “Minha Senhora, vou fazer já o que me mandas. Eu sou o teu humilde servo. Vou-me embora”.
Juan Diego chega à casa do bispo, a quem expõe as palavras da Senhora, mas ele, desconfiando da ingenuidade destas palavras, pede um sinal daquilo que aconteceu. Volta ao lugar da visão e expõe à Senhora o seu conflito interior: “Senhora, minha pequena, a mais pequena das minhas filhas, fui cumprir as tuas ordens e cheguei com algumas dificuldades a falar com o homem indicado, expondo-lhe a tua vontade como me tinhas ordenado. Não o posso negar: fui recebido dignamente e ouvido com atenção, mas pelas palavras de resposta, tive a impressão de não ter sido acreditado. Ele recomendou-me que voltasse, para indagar sobre as intenções da minha visita. Compreendi, porém, claramente, que ele considera a proposta da construção de uma igreja mais como uma minha invenção do que como uma ordem tua. E agora eu peço-te, minha Senhora e minha pequena, para que ele nos acredite, que Tu dês esta missão a outra pessoa, a alguém que seja uma personalidade conhecida, respeitada e bem vista. Eu sou um pobre homem, um ser que nada vale, alguém insignificante, uma simples folha, e Tu, Senhora, minha pequena, a mais pequena das minhas filhas, mandas-me a um lugar aonde eu não tenho o costume de ir e muito menos de permanecer. Senhora, minha patroa, assim, sou um peso e nada poderei fazer”. Sempre sorridente e amável, a Senhora respondeu-lhe: “Escuta meu filho, o mais pequeno de todos, e sabe que muitos são os meus devotos e servidores, a quem eu poderia confiar o encargo de levar a minha mensagem para realizar o desígnio que tenho em mente. Mas a minha escolha já foi feita. Eu quero que sejas tu mesmo a colaborar comigo, para atingir a minha finalidade. Então, meu filho, o mais pequeno de todos, eu recomendo-te e até te ordeno categoricamente que tu, já amanhã, voltes a ver o prelado. Fala-lhe em meu nome e diz-lhe com franqueza que é minha vontade que o templo se construa. Repete-lhe, ainda, que sou Eu mesma a mandar-te, a sempre Virgem Maria, Mãe de Deus”.
Juan Diego volta à casa do prelado, Frei João de Zumárraga, que lhe pede um sinal. Fez-lhe várias perguntas, a que ele respondeu com exactidão, não deixando dúvidas de que era verdadeiramente a Santíssima Virgem que lhe tinha falado. Juan Diego não perdeu a coragem e perguntou-lhe: “Senhor, se me dás a saber que sinal queres, eu corro já a pedi-lo à Senhora do Céu que me enviou aqui”. Logo que ele saiu, Frei João de Zumárraga mandou que alguns dos seus criados o seguissem, vissem por onde andava e com quem se encontrava para falar mas, a uma certa altura, Juan Diego desapareceu e eles não o puderam encontrar. É então que acontecerá o dia dos “sinais”.
Chegando à casa do tio, encontrou-o muito doente, deitado na sua rede, em estado febril e com a pele cheia de manchas vermelhas e toda banhada de sangue. Era a peste. Foi à procura de um médico. Encontrou-o no dia seguinte mas, quando lhe explicou como estava o tio, ouviu uma palavra “Cocolitzi”, a terrível peste dessa época. Humanamente, era incurável, dado o estado em que o enfermo se encontrava. João Bernardino piorava a olhos vistos e, como bom cristão, pediu ao sobrinho que fosse a Tlatelolco procurar um sacerdote, a fim de que o confessasse e com ele rezasse. Juan Diego partiu dividido entre dois deveres: encontrar-se com a Senhora ou chamar o sacerdote. Os dois compromissos estavam em colisão nesse momento. Que fazer? Qual deles escolher? E pensava: “Se vou encontrar a Senhora - para receber o sinal prometido - sem dúvida será preciso algum tempo, enquanto o meu tio permanece à espera, e não pode aguardar muito tempo. Penso que o meu principal dever, agora, é chamar o sacerdote”. Mas olha para a montanha, pensando no tio e na Senhora. Eis que Ela vem ao seu encontro e diz: “O que é, meu filho tão pequeno, onde vais?”. “Senhora, minha filha, a mais pequena das minhas filhas, vejo que te levantaste muito cedo e desejo que estejas bem. Como desejaria que estivesses contente! Mas devo dar-te uma má notícia: o meu tio, teu servo, está muito mal, ferido pela peste e já em agonia. Devo ir a toda a pressa à tua casa da cidade, para chamar um dos sacerdotes amados pelo nosso Senhor, para que vá consolá-lo e ajudá-lo a morrer bem. Cada um de nós, desde que nasce, é destinado à morte. Agora, minha Senhora e minha pequena, devo ir primeiro cumprir esta obrigação. Depois, voltarei aqui para receber a tua mensagem. Perdoa-me, tem paciência comigo! Eu não te engano, minha Filha pequenina. Logo que for possível, voltarei, amanhã”.
A Senhora fixava nele o seu olhar com particular intensidade. Juan Diego estava ajoelhado, de rosto voltado para Ela, com o seu manto branco envolvendo o seu ombro direito, com as mãos juntas, em atitude de súplica. A Senhora disse-lhe amavelmente: “Escuta, meu filho, o mais pequenino dos meus filhos e procura compreender bem. O teu coração está perturbado mas, não te aflijas por uma coisa de nada. Nenhum deste género de males deve ser para ti um motivo de preocupação. Estou aqui, sou a tua Mãe. Estás sob a sombra da minha protecção. Eu sou a tua salvação. Tu estás no meu coração. De que tens, ainda, necessidade? Não sofras mais por isto. Quanto ao teu tio, sabe uma coisa: ele não morrerá desta doença. Assim, não há nenhuma necessidade de médico, já está curado”. Ao ouvir estas palavras, Juan Diego sentiu o seu coração cheio de felicidade. Não duvidou de modo algum, sentindo-se como uma criança, abandonada nos braços da sua mãe. Nem sequer lhe pediu para ir ver o seu tio. Ficou à sua completa disposição. A Senhora mandou que fosse à montanha, onde se tinham dado as primeiras três aparições, e disse-lhe: “No píncaro da colina, encontrarás a surpresa de flores desabrochadas. Só tens de colhê-las e de trazer-mas aqui. Vai, espero por ti!”.
Juan Diego enfrentou a subida como se tivesse asas nos pés, dominado como estava pela alegria e por uma luz que invadia o seu coração e tinha dissipado todas as nuvens de tristeza. Ficou arrebatado com o espectáculo maravilhoso que se apresentava diante dele. Conhecia bem o lugar de rochas áridas, onde só cresciam cactos, espinhos, figos da Índia e moitas; talvez pudessem nascer ali alguns tipos de ervas daninhas, na Primavera ou no Verão, mas não agora, quando o frio queimava todo o germe de vida. Era o dia 12 de Dezembro. Ele olhou e viu o espectáculo de muitas flores desabrochadas e intenso perfume. Conhecia o índio aquelas rosas, rainha das flores, como naturais das culturas mexicanas? Eram as rosas - hoje conhecidas como a “beleza espanhola” e a que os mexicanos chamavam “rosa de Castela” - chegadas, havia pouco, de além-mar. Juan Diego colheu as rosas, pô-las no seu manto e decidiu caminhar para a casa do Bispo, levando consigo o “sinal” pedido. Levava ainda uma recomendação: “Não mostres a ninguém o que tens no manto!” À chegada ao palácio episcopal, o mordomo e outro criados, a quem expôs o pedido para falar com o Bispo, receberam-no como se não o tivessem ouvido, para ele desanimar e ir-se embora. Ele ali ficou à espera de ser recebido, sempre com o seu manto dobrado, para que ninguém visse o que trazia. Mas o perfume das flores acabou por complicar a situação. Todos queriam saber de onde vinha e, quando reconheceram as rosas de Castela, todos deitaram a mão ao manto para obter pelo menos uma flor. Momento difícil para Juan Diego que tinha de defender o seu tesouro. Finalmente, foi recebido pelo bispo, a quem disse: “Senhor, exprimiste o desejo de receber um sinal para poderes acreditar em mim e dares início à construção do templo. Levei o pedido à minha Senhora, Santa Maria, Mãe de Deus, que não teve dificuldade em acolhê-lo. Hoje de manhã, mandou-me subir ao cimo da colina, onde a tinha visto noutras vezes, com o encargo de colher ramos de flores. Mesmo sabendo que aquilo não era um jardim, mas um lugar cheio de espinhos, fui da mesma forma. E encontrei como que um jardim do paraíso, muitas flores cintilantes, molhadas pelo orvalho. Ela recomendou-me que voltasse aqui, para as trazer só a ti, como o sinal que pediste, para que te convenças de que vim por sua ordem e decidas fazer a sua vontade. As flores estão aqui comigo: ei-las!”. Naquele instante, todos abriram a boca de espanto e o Bispo ajoelhou-se, juntou as mãos diante do índio que, por sua vez, se tinha levantado. Parecia que se invertiam as posições. Para surpresa de todos, o “sinal” das flores colhidas fora da estação era ultrapassado por um prodígio impensável. No manto simples (“tilma”) de Juan Diego aparecia impressa, em todo o seu comprimento, a imagem da Virgem Santa com o seu rosto de mansidão, mãos juntas, com a túnica cor de rosa até aos pés, o manto azul e dois grandes olhos brilhantes que pareciam vivos. A exemplo do Bispo, todos se ajoelharam, perturbados e, ao mesmo tempo, cheios de alegria, com o sentido de viva devoção, acompanhados pelas lágrimas de muitos. Foi o próprio prelado a interromper o silêncio, para pedir perdão a Maria por ter sido tão hesitante em acolher o sinal da sua vontade. Depois, levantou-se e, desatando o nó do manto, no ombro de Juan Diego, tirou-lhe a túnica - onde até hoje está impressa a imagem sagrada - para a colocar num lugar de honra, no seu oratório particular.
A partir de então, Juan Diego teve de aceitar o convite para permanecer no palácio episcopal como hóspede de honra. Em pouco tempo, começaram as obras de construção de uma pequena ermida, que foi sendo sempre renovada até chegar à actual Basílica, inaugurada em 1976. Na inauguração da ermida primitiva, participaram muitos fiéis. Esteve, também, Hernán Cortés, então governador espanhol, que tinha sido curado de uma mordedura de escorpião, por intercessão de Maria. O entusiasmo arrastou idosos e jovens que participaram, com alegria, na celebração.
Juan Diego morreu no dia 3 de Junho de 1548, com 74 anos de idade. Considerava-se como propriedade da Virgem Maria, com Ela percorrendo os caminhos da santidade. Em 1566, esse lugar começou a chamar-se Guadalupe, da raiz etimológica indígena Cuatlaxupeh. Hoje, a devoção à Senhora corre o mundo; por toda a parte é conhecida como a Senhora de Guadalupe, Padroeira do México e do Continente americano. A sua imagem esteve presente na batalha de Lepanto. Maria começou, então, a ser invocada como Rainha da Vitória e Auxílio dos Cristãos, assumindo um significado de esperança e de promessa. João Paulo II chamou-lhe “Mãe da América”, na oração final da Exortação apostólica pós-sinodal “Ecclesia in America”.
Juan Diego foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 6 de Maio de 1990, no México; e ali foi canonizado pelo mesmo Pontífice, João Paulo II, em 31 de Julho de 2002.
A memória litúrgica de São João Diego Cuauhtitlantoadzin faz-se no dia 9 de Dezembro.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
1ª SEMANA DO ADVENTO
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
TEMPO DO ADVENTO
PALAVRA DO PAPA FRANCISCO
Esta sede de vida encontrou a sua resposta real e fiável na Ressurreição de Jesus Cristo. A Ressurreição de Jesus não confere apenas a certeza da vida além da morte, mas ilumina também o próprio mistério da morte de cada um de nós. Se vivermos unidos a Jesus, se formos fiéis a Ele, seremos capazes de enfrentar com esperança e serenidade também a passagem da morte. Com efeito, a Igreja reza: «Embora nos entristeça a certeza de ter que morrer, consola-nos a promessa da imortalidade futura». Trata-se de uma bonita oração da Igreja! Uma pessoa tende a morrer como viveu. Se a minha vida foi um caminho com o Senhor, um caminho de confiança na sua misericórdia incomensurável, estarei preparado para aceitar o momento derradeiro da minha existência terrena como o definitivo abandono confidente nas suas mãos acolhedoras, à espera de contemplar o seu rosto face a face. Esta é a coisa mais bonita que nos pode acontecer: contemplar face a face aquele rosto maravilhoso do Senhor, vê-lo como Ele é, belo, repleto de luz, cheio de amor e de ternura. Nós vamos até àquele ponto: ver o Senhor!
Neste horizonte compreende-se o convite de Jesus a estar sempre pronto e vigilante, consciente de que a vida neste mundo nos é concedida também para preparar a outra vida, com o Pai celestial. E para isto existe um caminho seguro: preparar-se bem para a morte, permanecendo próximo de Jesus. Esta é a segurança: preparo-me para a morte, permanecendo perto de Jesus. E como estou próximo de Jesus? Mediante a oração, os Sacramentos e também na prática da caridade. Recordemos que Ele está presente nos mais frágeis e necessitados. Ele mesmo se identificou com eles, na famosa parábola do juízo final, quando diz: «Tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era peregrino e acolhestes-me; estava nu e vestistes-me; enfermo e visitastes-me; estava na prisão e viestes visitar-me... Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes» (Mt 25, 35-36.40). Portanto, uma vida segura significa recuperar o sentido da caridade cristã e da partilha fraternal, cuidar das chagas corporais e espirituais do nosso próximo. A solidariedade no compadecimento pela dor e na transmissão da esperança constitui a premissa e condição para receber em herança aquele Reino preparado para nós. Quem pratica a misericórdia não teme a morte. Pensai bem nisto: quem põe em prática a misericórdia não tem receio da morte! Concordais? Digamo-lo juntos, para não o esquecer? Quem pratica a misericórdia não teme a morte! E por que não teme a morte? Porque a encara nas feridas dos irmãos, superando-a com o amor de Jesus Cristo.
Se abrirmos a porta da nossa vida e do nosso coração aos irmãos mais pequeninos, então também a nossa morte se tornará uma porta que nos introduzirá no céu, na pátria bem-aventurada, para a qual nos encaminhamos, aspirando a permanecer para sempre com o nosso Pai, Deus, com Jesus, com Nossa Senhora e com os santos…”
PARA REZAR
SANTOS POPULARES
SÃO JOÃO DAMASCENO
As suas obras mais importantes são "A fonte da ciência", "A fé ortodoxa (fé recta)", "Sacra paralela" e "Orações sobre as imagens sagradas", onde defende o culto das imagens nas igrejas, contra o conceito dos iconoclastas. Por causa deste livro, João Damasceno foi perseguido e preso pelos hereges. Até mesmo o califa foi induzido a acreditar que João Damasceno conspirava contra ele. Dedicou à Mãe de Deus muitas orações, hinos, poesias e homilias. Foi ele quem deu início à teologia mariana. Morreu no dia 4 de Dezembro de 749, segundo a tradição, no Mosteiro de São Sabas.
João Damasceno é considerado o último dos santos Padres orientais da Igreja e uma das grandes figuras do cristianismo, não só da época em que viveu, mas de todos os tempos. O Papa Leão XIII proclamou-o doutor da Igreja. A sua memória litúrgica faz-se no dia 4 de Dezembro.
A ALEGRIA DO EVANGELHO
Não é possível encontrar uma alegria verdadeira e duradoura quando a vida interior se fecha nos seus próprios interesses. Isto impede a escuta de Deus e faz morrer o entusiasmo de se fazer o bem. Um risco que, sublinha o Papa Francisco, pode atingir também aos que creem e praticam a fé. Um cenário que pode ser constatado quando são encontradas pessoas descontentes, ressentidas, amargas e incapacitadas para cultivar sonhos e projectos, necessários para conduzir a vida na direcção da sua estatura própria de dom de Deus. A alegria, necessidade natural do coração humano, expressão de vida vivida com dignidade, vem com o anúncio, conhecimento, experiência e testemunho do Evangelho de Jesus Cristo.
A Igreja, que tem a missão de promover a experiência dessa alegria duradoura, tem que estar em movimento, isto é, sempre a caminho. Cada membro, tomando a iniciativa de sair e ir ao encontro, deve renunciar às comodidades e acolher o desafio da mudança, da renovação, numa atitude permanente de conversão. É preciso ter coragem de mudar, de ousar novas respostas, em todos os campos da sociedade, dinâmicas e projectos. No caminho contrário, corre-se o risco de se tornar um instrumento inócuo no serviço e no anúncio da fonte inesgotável dessa alegria.
Por isso, diz o Papa Francisco, a Igreja está desafiada por uma exigência de renovação improrrogável. Para se adequar a esta necessidade, é preciso reconhecer os muitos desafios postos pelo mundo contemporâneo. A consideração das diferentes culturas urbanas, com um conhecimento mais aprofundado de suas dinâmicas, interesses, linguagens e configurações, tem a propriedade de mostrar o caminho novo que fará a renovação da Igreja. O Papa Francisco sublinha que na actual cultura dominante, o primeiro lugar está ocupado por aquilo que é exterior, imediato, visível, veloz, superficial e provisório. O real dá lugar à aparência. Constata-se uma deterioração de valores culturais, com a assimilação de tendências eticamente fracas. Esse processo de renovação e trabalhosa tarefa de ajudar o mundo a encontrar, no Evangelho, a fonte perene de alegria duradoura supõe, sem negociação, a coragem e a perseverança no dizer “não” a uma economia da exclusão; “não” à nova idolatria do dinheiro, que dá ao mercado a força de governar e não a de servir, gerando perversidades inadmissíveis; “não” a todo o tipo de iniquidade que gera violência; “não” ao egoísmo mesquinho e ao pessimismo estéril.
É hora de compreender e testemunhar a dimensão social da fé, como força e instrumento de uma nova “escuta” prioritária dos pobres, trabalhando para respeitar o povo, de muitos rostos e necessidades. Convida-nos o Papa Francisco a buscar, corajosamente, novas configurações organizacionais, institucionais e pessoais, apoiados na certeza daquilo que, luminosamente, está na alegria do Evangelho.” in, Zenit








