PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

3º DOMINGO DO ADVENTO



 
Neste 3º domingo do Advento somos convidados a
Continuar a saborear lentamente o tic-tac do tempo.
A esperança está grávida da grande pergunta da humanidade:
“Quem és tu?”
Quem é esse Deus tão próximo que “faz os cegos verem, os coxos andarem,
os surdos ouvirem, os mortos ressuscitarem,
e anuncia a Boa Nova aos pobres”?
Pergunta que provoca e mergulha cada um no seu próprio mistério:
quem sou eu e quem é Deus para mim?
É tempo de esperança, é tempo de alegria… é tempo de voltar o coração para Deus.
Vem Senhor!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO





- na Audiência geral de 4 de Dezembro, Praça de São Pedro - Roma

“…Hoje gostaria de iniciar a última série de catequeses sobre nossa profissão de fé, reflectindo sobre a afirmação “Creio na vida eterna”. De modo particular, concentro-me no juízo final. Mas não devemos ter medo: ouçamos aquilo que diz a Palavra de Deus. A este propósito, lemos no Evangelho de Mateus: então, Cristo “voltará na sua glória, com todos os seus anjos…Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda…Estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna” (Mt 25, 31-33. 46). Quando pensamos no retorno de Cristo e no seu juízo final - que manifestará, até às últimas consequências, o bem que cada um fez ou deixou de fazer, durante a sua vida terrena - percebemos que nos encontramos diante de um mistério que paira sobre nós, que não conseguimos sequer imaginar. Um mistério que, quase instintivamente, suscita em nós um sentimento de temor e, talvez, também de preocupação. Se, porém, reflectimos bem sobre esta realidade, ela só pode alargar o coração de um cristão e constituir um grande motivo de consolação e de confiança.
A este propósito, o testemunho das primeiras comunidades cristãs ressoa muito fascinante. Elas, de facto, acompanhavam, habitualmente, as celebrações e as orações com a aclamação Maranathà, uma expressão constituída por duas palavras aramaicas que - do modo como são construídas - podem ser entendidas como uma súplica: “Vem, Senhor!”; ou, também, como uma certeza, alimentada pela fé: “Sim, o Senhor vem; o Senhor está próximo”. É a exclamação na qual culmina toda a Revelação cristã, no término da maravilhosa contemplação que nos é oferecida no Apocalipse de João (cfr Ap 22, 20). Naquele caso, é a Igreja-esposa que, em nome de toda a humanidade e enquanto sua primícia, se dirige a Cristo, seu esposo, não vendo a hora de ser envolvida pelo seu abraço: o abraço de Jesus, que é plenitude de vida e plenitude de amor. Assim nos abraça Jesus. Se pensamos no julgamento com esta perspectiva, todo o medo e hesitação é menor e abre caminho à espera e origina uma profunda alegria: será justamente o momento no qual seremos julgados e, finalmente, prontos para sermos revestidos da glória de Cristo - à maneira de uma veste nupcial - e sermos conduzidos ao banquete, imagem da plena e definitiva comunhão com Deus.
Um segundo motivo de confiança é-nos oferecido pela constatação de que, no momento do julgamento, não estaremos sozinhos. É o próprio Jesus, no Evangelho de Mateus, a anunciar que, no fim dos tempos, aqueles que o tiverem seguido tomarão parte na sua glória, para julgar juntamente com Ele (cfr Mt 19, 28). O Apóstolo Paulo, depois, escrevendo à comunidade de Corinto, afirma: “Não sabeis que os santos julgarão o mundo? Quanto mais as pequenas questões desta vida!” (1 Cor 6,2-3). Como é belo saber que, naquele momento, com Cristo - nosso Paráclito, nosso Advogado junto ao Pai (cfr 1 Jo 2, 1) - poderemos contar com a intercessão e com a benevolência de tantos nossos irmãos e irmãs que nos precederam no caminho da fé, que ofereceram a sua vida por nós e que continuam a amar-nos de modo indescritível! Os santos já vivem na presença de Deus, no esplendor da sua glória, rezando por nós que ainda vivemos na terra. Quanta consolação suscita no nosso coração esta certeza! A Igreja é verdadeiramente uma mãe e, como uma mãe, procura o bem dos seus filhos, sobretudo aqueles mais distantes e aflitos, até encontrar a sua plenitude no corpo glorioso de Cristo, com todos os seus membros.
Uma outra sugestão é-nos oferecida pelo Evangelho de João, onde se afirma, explicitamente, que “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem Nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus” (Jo 3, 17-18). Isto significa, então, que aquele juízo final já está em vigor no curso da nossa existência. Tal juízo é pronunciado a cada instante da vida, como verificação do nosso acolhimento, com fé, da salvação presente e operante em Cristo, ou da nossa incredulidade, com o consequente fechamento em nós mesmos. Mas, se nós nos fechamos ao amor de Jesus, somos nós mesmos que nos condenamos. A salvação é abrir-se a Jesus, e Ele salva-nos; se somos pecadores – e o somos todos – peçamos-lhe perdão e se vamos a Ele com o desejo de ser bons, o Senhor perdoa-nos. Mas, para isso, devemos abrir-nos ao amor de Jesus, que é mais forte que todas as outras coisas. O amor de Jesus é grande, o amor de Jesus misericordioso, o amor de Jesus perdoa; mas devemos abrir-nos a Ele; e abrir-se significa arrepender-se, acusar-se das coisas que não são boas e que fizemos. O Senhor Jesus ofereceu-se e continua a oferecer-se a cada um de nós, para nos encher de toda a misericórdia e da graça do Pai. Somos nós também que podemos tornar-nos, em certo sentido, juízes de nós mesmos, condenando-nos à exclusão da comunhão com Deus e com os irmãos.  Não nos cansemos, portanto, de vigiar os nossos pensamentos e as nossas atitudes, para experimentarmos, desde já, o calor e o esplendor da face de Deus – e isso será belíssimo – que na vida eterna contemplaremos em toda a sua plenitude. Sigamos em frente, pensando neste juízo que começa aqui, e já começou. Sigamos em frente, fazendo com que o nosso coração se abra a Jesus e à sua salvação; em frente sem medo, porque o amor de Jesus é maior e se nós pedimos perdão dos nossos pecados Ele nos perdoa. Jesus é assim. Em frente, então, com esta certeza que nos levará à glória do céu…”

PARA REZAR




ORAÇÃO À IMACULADA CONCEIÇÃO

Virgem Santa e Imaculada,
que és a honra do nosso povo,
e a defensora atenta da nossa terra,
a Ti nos dirigimos com confiança e amor.
Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Em Ti, não há pecado.
Suscita em todos nós um renovado desejo de santidade:
brilhe na nossa palavra o esplendor da caridade,
habitem no nosso corpo a pureza e a castidade,
torne-se presente, na nossa vida, toda a beleza do Evangelho
Tu és a Toda Bela, ó Maria,
Em Ti, se fez carne a Palavra de Deus.
Ajuda-nos a permanecer na escuta atenta da voz do Senhor:
nunca nos deixe indiferentes o grito dos pobres;
não nos encontre distraídos o sofrimento dos doentes e dos necessitados;
comovam-nos a solidão dos idosos e a fragilidade das crianças;
seja sempre amada e venerada, por todos nós, cada vida humana.
Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Em Ti, a alegria plena da vida bem-aventurada, com Deus.
Faz com que não percamos o sentido do nosso caminho terreno;
ilumine os nossos dias a luz gentil da fé;
oriente os nossos passos a força consoladora da esperança;
anime o nosso coração o calor contagioso do amor;
permaneçam os olhos de todos nós bem fixos em Deus,
onde se encontra a verdadeira alegria.
Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Escuta a nossa oração, escuta a nossa súplica:
haja, em nós, a beleza do amor misericordioso de Deus, em Jesus;
seja esta divina beleza a salvar-nos e a salvar a nossa terra, o mundo inteiro.
Amém!


                     ( Oração do Papa Francisco: 8 de Dezembro de 2013, em Roma

 
 
 
 
 
 
 
 
 

SALMO 146

 

R/. Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos.

 

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.

 

O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.

 

O Senhor reina eternamente.

O teu Deus, ó Sião,

é rei por todas as gerações.

SANTOS POPULARES



SÃO DOMINGOS DE SILOS

São Domingos de Silos nasceu em Canhas, uma pequena aldeia da Rioja, Navarra, Espanha, no ano 1000, no seio de uma família pobre e cristã. Quando era ainda menino, foi pastor de ovelhas. Nessa tarefa, mostrava ser uma criança bondosa ao ponto de oferecer leite de ovelha aos caminhantes pobres que por ele passavam. Era um rapaz esperto, gostava muito de estudar. Os seus pais, conhecendo as suas qualidades, levaram-no ao padre da paróquia onde moravam para que o instruísse. Ao lado da igreja, tinha sido criada uma escola onde se ensinavam as artes e ofícios da época. É historicamente reconhecida a influência das paróquias e das ordens religiosas na formação da sociedade europeia, na Idade Média. Um dos maiores defensores do ensino nas igrejas e mosteiros foi, precisamente, Domingos de Silos, que valorizava o ensino não só das ciências religiosas, mas também da agricultura e dos demais ofícios e artes. 
Domingos mostrava tantas capacidades e tanto empenho na aprendizagem que o padre quis ordená-lo sacerdote. Porém, Domingos resolveu experimentar a vida de eremita e viveu na mais completa solidão durante 18 anos. Por fim, resolveu procurar Santo Emiliano que o ajudou a discernir a sua vocação: tornou-se noviço e entrou num convento beneditino. Desde logo, tornou-se um exemplo de sabedoria e espiritualidade para os outros monges. Quando completou trinta anos, foi encarregado de restaurar e reabrir o mosteiro de Santa Maria, há muito tempo fechado. Para isso, andou de terra em terra a pedir esmolas, trabalhou como operário, fez de tudo um pouco para conseguir os recursos necessários e poder receber os candidatos à vida monástica. A surpresa maior aconteceu quando, entre os candidatos, encontrou o seu próprio pai e alguns dos seus parentes.
Terminada esta obra, foi convidado a ser o Abade do Mosteiro de São Millán de Yuso, na vila de la Cogolla. Aí, sendo perseguido pelo príncipe de Navarra - que tinha a intenção de se apossar dos bens do convento - teve de se refugiar em Castela, onde recebeu, com prazer, a missão de reavivar o mosteiro de São Sebastião de Silos, em Burgos, quase desabitado e em decadência total. Domingos foi abade deste mosteiro por mais de trinta anos, sendo considerado o seu novo fundador. Imprimiu espírito novo, actividade intensa e fecunda, tornando-o num centro de cultura e cenáculo de evangelização. No final da sua vida, era conhecido como o "apóstolo de Castela". Após longos anos de muitos trabalhos e de boas obras, Domingos sentiu aproximar-se o momento da sua recompensa, na visão que teve da Santíssima Virgem Maria. “Eu passei a noite inteira com a Rainha dos Anjos - disse ele um dia aos seus confrades religiosos - Ela convidou-me para estar ao lado dela, dentro de três dias. Então, brevemente, irei ao festim celeste, para o qual Ela me convidou.” De facto, Domingos ficou doente durante três dias, findos os quais a sua alma subiu gloriosa aos Céus.  São Domingos, abade de Silos, faleceu no dia 20 de Dezembro de 1073, entre os seus numerosos filhos espirituais e assistido pelo Bispo de Burgos. Foi sepultado no claustro do Mosteiro de Silos. São Domingos, amado pelo povo e respeitado por reis e rainhas, realizou coisas extraordinárias e, por sua intercessão, operaram-se muitos milagres. Em 1076, o Bispo de Burgos transferiu o corpo de São Domingos para a igreja do Mosteiro de São Sebastião. Esta abadia foi perdendo, pouco a pouco, o nome de São Sebastião para adoptar o de  São Domingos e, hoje, é conhecida como a Abadia de São Domingos de Silos. A sua fama de santo e a sua popularidade são muito vastas. Depois da sua morte, o nome do Abade foi impresso na História da Espanha, ao lado de "el Cid Campeador" o libertador do povo espanhol dos invasores infiéis. A sua memória litúrgica faz-se no dia 20 de Dezembro, dia da sua morte.