- na Audiência
Geral, no dia 8 de Janeiro, na Praça de São Pedro, Roma
“…Hoje começamos uma série de Catequeses sobre os Sacramentos, e a
primeira diz respeito ao Baptismo. Por uma feliz coincidência, no próximo
domingo celebra-se precisamente a festa do Baptismo do Senhor. O Baptismo é o
sacramento sobre o qual se fundamenta a nossa própria fé e que nos insere como membros
vivos em Cristo e na sua Igreja. Juntamente com a Eucaristia e com a Confirmação,
forma a chamada «Iniciação cristã», a qual constitui como que um único, grande
evento sacramental que nos configura com o Senhor e nos torna um sinal vivo da
sua presença e do seu amor.
Pode surgir em nós uma pergunta: mas o Baptismo é realmente
necessário para viver como cristão e seguir Jesus? Não é no fundo um simples
rito, um acto formal da Igreja para dar o nome ao menino ou à menina? É uma
pergunta que pode surgir. E a este propósito, é esclarecedor quanto escreve o Apóstolo
Paulo: «Ignorais, porventura, que todos nós, que fomos baptizados em Jesus
Cristo, fomos baptizados na Sua morte? Pelo baptismo sepultámo-nos juntamente
com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória
do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova» (Rm 6, 3-4). Por
conseguinte, não é uma formalidade! É um acto que diz profundamente respeito à
nossa existência. Uma criança baptizada ou uma criança não baptizada não é a
mesma coisa. Uma pessoa baptizada ou uma pessoa não baptizada não é a mesma
coisa. Nós, com o Baptismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de vida
que é a morte de Jesus, o maior acto de amor de toda a história; e graças a
este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da
morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos.Muitos de nós não recordam minimamente a celebração deste Sacramento, e é óbvio, se fomos baptizados pouco depois do nascimento. Fiz esta pergunta duas ou três vezes, aqui, na praça: quem de vós sabe a data do seu Baptismo, levante a mão? É muito importante saber o dia em que fui imergido na corrente de salvação de Jesus. E permito-me dar um conselho. Mas, mais do que um conselho, trata-se de uma tarefa para hoje. Hoje, em casa, procurai, perguntai a data do vosso Baptismo e assim ficareis a saber bem o dia, tão bonito, do Baptismo. Saber a data do nosso Baptismo significa saber uma data feliz. Mas o risco de não o saber significa perder a memória daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Então acabamos por considerá-lo só como um acontecimento do passado — e nem sequer devido à nossa vontade, mas à dos nossos pais — que já não tem incidência alguma sobre o presente.
Devemos despertar a memória do nosso Baptismo. Somos chamados a viver o nosso Baptismo todos os dias, como realidade actual da nossa existência. Se seguimos Jesus e permanecemos na Igreja, mesmo com os nossos limites, com as nossas fragilidades e os nossos pecados, é precisamente graças ao Sacramento no qual nos tornámos novas criaturas e fomos revestidos de Cristo. Com efeito, é em virtude do Baptismo que, libertados do pecado original, somos inseridos na relação de Jesus com Deus Pai; que somos portadores de uma esperança nova, porque o Baptismo nos dá esta nova esperança: a esperança de percorrer o caminho da salvação, a vida inteira. Esta esperança não desilude a ninguém, porque a esperança não decepciona. Recordai-vos: a esperança no Senhor nunca desilude. É graças ao Baptismo que somos capazes de perdoar e amar também quem nos ofende e nos faz mal; que conseguimos reconhecer, nos últimos e nos pobres, o rosto do Senhor que nos visita e se faz próximo. O Baptismo ajuda-nos a reconhecer no rosto dos necessitados, dos sofredores, também do nosso próximo, a face de Jesus. Tudo isto é possível graças à força do Baptismo!
Um último elemento, que é importante. E faço uma pergunta: uma pessoa pode baptizar-se a si mesma? Ninguém pode baptizar-se a si mesmo! Ninguém. Podemos pedi-lo, desejá-lo, mas temos sempre a necessidade de alguém que nos confira este Sacramento em nome do Senhor. Porque o Baptismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e de partilha fraterna.
Ao longo da história é sempre um que baptiza o outro, e outro… e outro... Como uma corrente. Uma corrente de Graça. Mas, eu não me posso baptizar a mim mesmo: devo pedir o Baptismo a outra pessoa. É um acto de fraternidade, um acto de filiação na Igreja. Na celebração do Baptismo podemos reconhecer os traços mais característicos da Igreja que, como uma mãe, continua a gerar novos filhos em Cristo, na fecundidade do Espírito Santo.
Peçamos, então, de coração, ao Senhor para podermos experimentar, cada vez mais, na vida diária, esta graça que recebemos com o Baptismo. Que os nossos irmãos, ao encontrar-nos, possam encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus Cristo, verdadeiros membros da Igreja. E não esqueçais a tarefa de hoje: procurar saber a data do Baptismo. Assim como eu conheço a data do meu nascimento, devo conhecer também a data do meu Baptismo, porque é um dia de festa.
