- na Audiência
Geral, no dia 12 de Fevereiro, na Praça de São Pedro, Roma
“…Na última catequese, destaquei como a Eucaristia nos leva à comunhão real com Jesus e com o seu mistério. Agora, a este respeito, podemos colocar-nos algumas questões sobre a relação entre a Eucaristia que celebramos e a nossa vida, como Igreja e como simples cristãos. Como vivemos a Eucaristia? Quando vamos à missa ao domingo, como a vivemos? É apenas um momento de festa, é uma tradição enraizada, é uma ocasião para encontrar-se ou para sentir-se bem, ou é algo mais? Há sinais muito concretos para compreender como vivemos tudo isto, como vivemos a Eucaristia; sinais que nos dizem se vivemos bem a Eucaristia ou se não a vivemos tão bem.
O primeiro sinal é o nosso modo de olhar e considerar outros. Na Eucaristia, Cristo realiza de novo o dom de si mesmo, feito na Cruz. Toda a sua vida é um acto de total entrega de si, por amor; é por isso que Ele gostava de estar com os seus discípulos e com as pessoas que tina a oportunidade de conhecer. Isto significava para Ele partilhar os seus desejos, os seus problemas, o que inquietava a sua alma e a sua vida. Ora, nós, quando participamos na Santa Missa, encontramo-nos com os homens e mulheres de todo o género: jovens, velhos, crianças; pobres e ricos; originários do lugar ou estranhos; acompanhados por familiares ou sozinhos... Mas, a Eucaristia que celebro leva-me a senti-los a todos como verdadeiros irmãos e irmãs? Faz crescer em mim a capacidade de alegrar-me com os que se alegram e chorar com os que choram? Empurra-me para ir ao encontro dos pobres, dos doentes, dos marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles o rosto de Jesus? Todos nós vamos à Missa porque amamos Jesus e quero compartilhar, na Eucaristia, a sua paixão e a sua ressurreição. Mas, amamos, como quer Jesus, esses irmãos e essas irmãs mais necessitados? Por exemplo, em Roma, nestes dias, vimos tantas necessidades sociais provocadas pela chuva, que fez tantos danos em bairros inteiros, ou pela falta de trabalho, consequência da crise económica em todo o mundo. Pergunto-me, e cada um de nós deve perguntar-se a si mesmo: Eu, que vou à missa, como vivo isto? Preocupo-me em ajudar, em aproximar-me, em rezar por aqueles que têm este problema? Ou, pelo contrário, sou um pouco indiferente? Ou, talvez, preocupo-me em mexericar: Viste como aquela está vestida, ou como aquele está vestido? Às vezes faz-se isto, depois da missa, e não se deve fazer! Devemos preocupar-nos com os nossos irmãos e com as irmãs que têm necessidade, devido a uma doença, a um problema. Hoje, far-nos-á bem pensar nestes nossos irmãos e irmãs que têm estes problemas, aqui em Roma: problemas por causa da tragédia causada pela chuva, problemas sociais e de trabalho. Peçamos a Jesus, que recebemos na Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los.
O segundo sinal, muito importante, é a graça de nos sentirmos perdoados e prontos a perdoar. Às vezes, perguntam: " Por que é que havemos de ir à igreja, uma vez que quem participam regularmente na Santa Missa é tão pecador como os outros?" Quantas vezes, ouvimos isto! Na verdade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque pensa ou quer aparecer como melhor do que outros mas, precisamente, porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus, que se fez carne em Jesus Cristo. Se algum de nós não se sente necessitado da misericórdia de Deus, não se sente pecador, então é melhor não ir à Missa! Nós vamos à Missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Deus, participar na redenção de Jesus, no seu perdão. Aquele "Confesso", que dizemos no início, não é um "pro forma", é um verdadeiro acto de penitência! Eu sou pecador e confesso-o: é assim que começa a Missa! Não devemos nunca esquecer que a Última Ceia de Jesus aconteceu "na noite em que foi traído" (1 Cor. 11, 23). Naquele pão e naquele vinho, que oferecemos e à volta do qual nos reunimos, renova-se, todas as vezes, o dom do Corpo e do Sangue de Cristo para a remissão dos nossos pecados. Devemos ir à Missa humildemente, como pecadores, e o Senhor nos reconcilia.
Um último sinal, precioso, é-nos oferecido pela relação entre a celebração eucarística e a vida das nossas comunidades cristãs. É preciso ter sempre presente que a Eucaristia não é algo que fazemos nós; não é uma nossa comemoração do que Jesus disse e fez. Não. É mesmo uma acção de Cristo! É Cristo que ali age, que está sobre o altar. É um dom de Cristo, que se faz presente e nos reúne à sua volta, para alimentar-nos com a sua Palavra e com a sua vida. Isto significa que a missão e a identidade da Igreja brotam daí, da Eucaristia, e dela sempre tomam forma. Uma celebração pode ser impecável do ponto de vista exterior, belíssima, mas se não nos leva ao encontro com Jesus Cristo, corre o risco de não levar nenhum nutrimento ao nosso coração e à nossa vida. Através da Eucaristia, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la com a sua graça, para que, em cada comunidade cristã haja coerência entre liturgia e vida.
O coração enche-se de fé e de esperança pensando nas palavras de Jesus registradas no Evangelho: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6, 54). Vivamos a Eucaristia com espírito de fé, de oração, de perdão, de penitência, de alegria comunitária, de preocupação com os necessitados e com as necessidades de tantos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá o que nos prometeu: a vida eterna. Assim seja!...”
