BEATO JOÃO DE FIESOLE
Guido di Pietro Trosini nasceu, por volta de1387, em Vicchio di
Mugello, perto de Florença, na Toscana, Itália. Com uma imensa sensibilidade
artística foi, durante a sua juventude, pintor de quadros na cidade de Florença.
Em 1407, decidiu-se pela vida religiosa. Entrou na congregação de São Nicolau,
onde permaneceu durante três anos. Entre 1409 e 1418, foi exilado, com o resto
da comunidade, por se ter oposto ao Papa Alexandre V. Depois, ele e a
comunidade foram para o Convento de São Marcos, em Florença, onde começou a
pintar as paredes do convento. Em seguida, juntamente com o seu irmão Bento,
foi para o Convento dos Dominicanos, em Fiesole, onde foi ordenado sacerdote e
adoptou o nome de João. Trabalhou na corte do Papa, decorando as paredes da
capela do Papa Nicolau V, no Vaticano e aceitando encomendas em Orvieto. Apesar
de ter sido nomeado Prior do Convento de Fiesole, entre 1448 e 1450, continuou
a trabalhar em Roma e em Florença.
Aliando os seus dons de santo e de artista, atingiu, de forma
harmoniosa, uma grande perfeição espiritual e intelectual, ajudado pelo
espírito, pela oração e pelo silêncio encontrados no convento. Assim, pôde fazer da pintura a sua principal obra evangelizadora. Pela singeleza e genialidade da sua figura, passou a ser chamado de "Beato Angélico" ou "Fra Angélico", nome que ficou impresso, inclusive, no mundo das artes. Este frade-pintor foi um dom magnífico feito por Deus ao mundo e à Ordem dos Pregadores. Vivendo na austeridade, sempre dedicado aos estudos, aprofundando a sua intimidade com Deus na contemplação e na oração, apurou a sua arte e a sua criatividade o seu espírito. Com a magia dos seus pincéis, pôde proporcionar, a todos, o fruto da sua contemplação, representando o mais sagrado dos poemas: a divina redenção humana pela Paixão de Jesus Cristo. As suas pinturas são uma oração que ressoa através dos séculos. Esta alma, de uma simplicidade evangélica, soube viver com o coração no céu, consagrando-se a Deus na intensidade do seu trabalho.
Em Fiesole, pintou os frescos de quase todos os altares da Igreja do Convento. No convento de São Marcos, em Florença, deixou as suas obras impressas nos corredores, celas, bibliotecas e claustro. Em Roma, trabalhou para dois papas: o Papa Eugénio IV e o Papa Nicolau V. Este último, quis nomeá-lo bispo de Florença, mas Fra Angélico recusou com firmeza, indicando outro irmão dominicano.
Tendo regressado ao Convento de Fiesole, depois da sua estada em Roma, foi eleito director-geral. Aí, trabalhou com o seu irmão Bento, que o nomeou inicialmente como seu secretário e depois conseguiu que fosse eleito seu sucessor, em 1452.
Frei João de Fiesole, voltou a Roma, onde morreu no dia 18 de Fevereiro de 1455. Foi sepultado no Convento de Santa Maria sobre Minerva que se tornou um lugar de peregrinações para aqueles que o reconheciam como um homem sincero e carregado de profunda santidade.
Os seus quadros estão espalhados pelos museus do mundo inteiro.
Fra Angélico adotou as novas formas da Renascença e desenvolveu um estilo único, caracterizado por cores suaves, claras, formas elegantes, composições muito contrabalançadas; usa a luz de forma genial; expressa, todos os seus sentimentos, através do uso inteligente da cor. A sua pintura é essencialmente religiosa e está dominada por um espírito contemplativo: concebe a pintura como uma espécie de oração. Os seus temas mais frequentes e característicos são: a Virgem com o Menino, a coroação da Virgem, a Anunciação. Nas suas representações do paraíso, pinta - com dedicação e amor - franciscanos, flores e ervas dos prados por onde caminham os escolhidos. Uma das suas obras mais admirada é «A Descida», em que se presta mais atenção à veneração e amor dos santos do que ao sofrimento de Cristo.
Nas suas pinturas - como acontece no “Juízo Final” - Fra Angelico tenta expressar o amargo e a alegria, numa sintonia e equilíbrio de cores vivas, saindo do padrão medieval, que era todo voltado para Deus, e entrando no renascimento, que era todo voltado para o homem.
A maior parte das suas obras conservam-se no claustro, nas celas e nas salas do mencionado Convento de S. Marcos, cujas paredes mostram murais com cenas e figuras religiosas, como por exemplo: «Dois Dominicanos Atendendo Jesus Peregrino» e «S. Pedro Mártir». De entre os frescos da capela do Papa Nicolau V, no Vaticano, destacam-se «A Lenda da Santo Estêvão» e «A Lenda de S. Lourenço».
Entre as suas obras principais estão o "Retábulo da Madonna", em Perugia; a "Coroação da Virgem cercada por anjos músicos" (Louvre, Paris); o "Cristo cercado de anjos, patriarcas, santos e mártires" (National Gallery, Londres); a "Anunciação" (Prado, Madrid); e o "Juízo final" (Galeria Nacional, Roma).
No dia 14 de Novembro de 2006, foram encontrados, numa modesta casa em Oxford, Inglaterra, mais dois painéis por eles pintados, perdidos há mais de 200 anos.
Fra Angélico - que nunca executou nenhuma obra sem antes rezar - foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 3 de Outubro 1982. Dois anos depois, o mesmo Papa declarou-o "Padroeiro Universal dos Artistas", uma honra pela sua obra evangelizadora que promoveu a arte sacra através dos séculos.
A sua memória litúrgica faz-se no dia 18 de Fevereiro.
