PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

FESTA DAS FOGACEIRAS



 
Em honra do mártir São Sebastião, a festa das Fogaceiras exprime a acção de graças pelo milagre da vitória sobre a peste que alastrava nesta região da Feira, nos inícios do séc. XVI. Com características muito próprias, celebra-se no próximo dia 20 de Janeiro, centrada na Eucaristia, às 11,00 h, e na Procissão, às 15,30 h. Presidirá a estas acções sagradas Sua Ex.cia Rev.ma D. Pio Alves, Administrador Apostólico da Diocese do Porto.

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



 
- na Audiência Geral, no dia 8 de Janeiro, na Praça de São Pedro, Roma

“…Hoje começamos uma série de Catequeses sobre os Sacramentos, e a primeira diz respeito ao Baptismo. Por uma feliz coincidência, no próximo domingo celebra-se precisamente a festa do Baptismo do Senhor. O Baptismo é o sacramento sobre o qual se fundamenta a nossa própria fé e que nos insere como membros vivos em Cristo e na sua Igreja. Juntamente com a Eucaristia e com a Confirmação, forma a chamada «Iniciação cristã», a qual constitui como que um único, grande evento sacramental que nos configura com o Senhor e nos torna um sinal vivo da sua presença e do seu amor.
Pode surgir em nós uma pergunta: mas o Baptismo é realmente necessário para viver como cristão e seguir Jesus? Não é no fundo um simples rito, um acto formal da Igreja para dar o nome ao menino ou à menina? É uma pergunta que pode surgir. E a este propósito, é esclarecedor quanto escreve o Apóstolo Paulo: «Ignorais, porventura, que todos nós, que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na Sua morte? Pelo baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova» (Rm 6, 3-4). Por conseguinte, não é uma formalidade! É um acto que diz profundamente respeito à nossa existência. Uma criança baptizada ou uma criança não baptizada não é a mesma coisa. Uma pessoa baptizada ou uma pessoa não baptizada não é a mesma coisa. Nós, com o Baptismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de vida que é a morte de Jesus, o maior acto de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos.
Muitos de nós não recordam minimamente a celebração deste Sacramento, e é óbvio, se fomos baptizados pouco depois do nascimento. Fiz esta pergunta duas ou três vezes, aqui, na praça: quem de vós sabe a data do seu Baptismo, levante a mão? É muito importante saber o dia em que fui imergido na corrente de salvação de Jesus. E permito-me dar um conselho. Mas, mais do que um conselho, trata-se de uma tarefa para hoje. Hoje, em casa, procurai, perguntai a data do vosso Baptismo e assim ficareis a saber bem o dia, tão bonito, do Baptismo. Saber a data do nosso Baptismo significa saber uma data feliz. Mas o risco de não o saber significa perder a memória daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Então acabamos por considerá-lo só como um acontecimento do passado — e nem sequer devido à nossa vontade, mas à dos nossos pais — que já não tem incidência alguma sobre o presente.
Devemos despertar a memória do nosso Baptismo. Somos chamados a viver o nosso Baptismo todos os dias, como realidade actual da nossa existência. Se seguimos Jesus e permanecemos na Igreja, mesmo com os nossos limites, com as nossas fragilidades e os nossos pecados, é precisamente graças ao Sacramento no qual nos tornámos novas criaturas e fomos revestidos de Cristo. Com efeito, é em virtude do Baptismo que, libertados do pecado original, somos inseridos na relação de Jesus com Deus Pai; que somos portadores de uma esperança nova, porque o Baptismo nos dá esta nova esperança: a esperança de percorrer o caminho da salvação, a vida inteira. Esta esperança não desilude a ninguém, porque a esperança não decepciona. Recordai-vos: a esperança no Senhor nunca desilude. É graças ao Baptismo que somos capazes de perdoar e amar também quem nos ofende e nos faz mal; que conseguimos reconhecer, nos últimos e nos pobres, o rosto do Senhor que nos visita e se faz próximo. O Baptismo ajuda-nos a reconhecer no rosto dos necessitados, dos sofredores, também do nosso próximo, a face de Jesus. Tudo isto é possível graças à força do Baptismo!
Um último elemento, que é importante. E faço uma pergunta: uma pessoa pode baptizar-se a si mesma? Ninguém pode baptizar-se a si mesmo! Ninguém. Podemos pedi-lo, desejá-lo, mas temos sempre a necessidade de alguém que nos confira este Sacramento em nome do Senhor. Porque o Baptismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e de partilha fraterna.
Ao longo da história é sempre um que baptiza o outro, e outro… e outro... Como  uma corrente. Uma corrente de Graça. Mas, eu não me posso baptizar a mim mesmo: devo pedir o Baptismo a outra pessoa. É um acto de fraternidade, um acto de filiação na Igreja. Na celebração do Baptismo podemos reconhecer os traços mais característicos da Igreja que, como uma mãe, continua a gerar novos filhos em Cristo, na fecundidade do Espírito Santo.
Peçamos, então, de coração, ao Senhor para podermos experimentar, cada vez mais, na vida diária, esta graça que recebemos com o Baptismo. Que os nossos irmãos, ao encontrar-nos, possam encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus Cristo, verdadeiros membros da Igreja. E não esqueçais a tarefa de hoje: procurar saber a data do Baptismo. Assim como eu conheço a data do meu nascimento, devo conhecer também a data do meu Baptismo, porque é um dia de festa.

PARA REZAR


SALMO 29

 

            R/.    O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,

tributai ao Senhor glória e poder.

Tributai ao Senhor a glória do seu nome,

adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

 

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,

o Senhor está sobre a vastidão das águas.

A voz do Senhor é poderosa,

a voz do Senhor é majestosa.

 

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão,

e no seu templo todos clamam: Glória!

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,

o Senhor senta-Se como rei eterno. 

SANTOS POPULARES



BEATO PADRE JOSÉ VAZ

Com a chegada dos portugueses à ilha de Ceilão (ilha ao sul da Índia) em 1505, o catolicismo foi-se difundindo e consolidando por toda a região costeira ocidental da ilha: a lendária Taprobana, de que fala Camões. A partir da periferia da Ilha, o catolicismo começou a penetrar, também, em alguns pontos do seu interior, como no poderoso reino de Kandy.
Em 1658, os protestantes holandeses conquistaram a ilha. Expulsaram os missionários católicos, proibindo, sob pena de morte, dar-lhes abrigo e obrigando os católicos a frequentar os seus templos, para serem bem vistos pelos novos dirigentes. Em condições tão adversas, a perseverança dos católicos ficou ameaçada.
Em Goa, na Índia portuguesa, um padre português, o Padre José Vaz - nascido nesta cidade -, teve conhecimento desta triste situação e desejou socorrer os católicos perseguidos. Mas o trabalho deste sacerdote, no Ceilão teria de ser estável e duradouro, necessitando, por isso, de longa preparação. Durante 12 anos, o Padre José Vaz preparou-se, cuidadosamente, para tal projecto. Decidiu entrar num instituto religioso, aparentemente sem nenhum futuro. Quase imediatamente foi eleito seu superior. Como tal, obteve a afiliação do núcleo à Ordem do Oratório, fundada por São Felipe Néri, em Itália. O Oratório de Goa foi a primeira instituição puramente indígena, em toda a Ásia. O seu papel foi providencial, este Oratório proveu, durante mais de 100 anos, a acção missionária no Ceilão, num período em que os missionários europeus estavam impossibilitados de o fazer. Os dois primeiros bispos do Ceilão pertenciam a esta Ordem do Oratório.
O Padre José Vaz, disfarçado de mendigo e acompanhado de um jovem escravo, conseguiu penetrar no Ceilão. Tendo vencido mil e uma dificuldades, chegou a Jaffna, no norte da ilha. Para poder contactar os católicos da região que escondiam a sua fé, lançou mão de um meio simples mas heróico, naquelas circunstâncias: pendurou o seu terço ao pescoço. Se esta medida atraiu a ira dos governantes e o escárnio dos pagãos, por outro lado chamou a atenção dos católicos. Assim, as portas para o seu apostolado ficaram semi-abertas, já que prosseguia a implacável perseguição protestante e era grande o risco de morte.
Os católicos não permitiram que  o Padre Vaz permanecesse na cidade, repleta de hereges e dos seus espias; levaram-no para a vizinha aldeia de Sillalai. Os seus habitantes eram católicos tão fontais e resolutos que os holandeses, para evitar uma revolta, resolveram ignorá-los. Assim, a aldeia transformou-se no quartel-general da missão do Pe. Vaz. De lá, ele atendia Jaffna e as redondezas. Mas, ser católico não era tarefa fácil e começaram a surgir os primeiros mártires.
Dom Pedro era um jovem católico, rico e influente. Mas era, também, ambicioso e, para estar nas boas graças do novo poder, renegou a fé católica.  Quando o Pe. Vaz chegou a Jaffna, Dom Pedro não pôde resistir à pressão da consciência; foi vê-lo e voltou convertido. Embora ambicioso, ele não era medíocre. E praticou grandes e severas penitências para compensar a sua apostasia.
Na véspera do Natal de 1689, o Pe. Vaz, valendo-se do privilégio desse dia, tinha programado celebrar a Santa Missa em três casas diferentes. Enquanto os fiéis esperavam, em cada uma delas rezando o Rosário, as três residências foram invadidas, ao mesmo tempo, pelos soldados protestantes. Alguém os havia traído. O Pe. Vaz escapou milagrosamente. Porém, mais de 300 católicos foram feitos prisioneiros. O comandante holandês mandou libertar as mulheres, crianças e a maioria dos homens, depois de lhes ter cobrado uma pesada multa. Mas manteve prisioneiros os oito líderes das comunidades católicas. A sua cólera concentrou-se, sobretudo, em Dom Pedro, que havia repudiado a pseudo-religião reformada e todos os favores dos hereges. Ou ele voltaria atrás, ou seria executado. Dom Pedro não se dignou responder. Foi duramente flagelado para que cedesse. Enquanto os violentos golpes se sucediam, Dom Pedro foi meditando na Paixão do Salvador, até perder os sentidos. Semi-morto, foi lançado na prisão, onde os seus sete companheiros o esperavam. Voltando a si, mal teve forças para exortar os outros a perseverarem na fé católica, tendo morrido de seguida. Seguindo o seu exemplo e a sua coragem, os outros mantiveram-se firmes na sua fé. Foram condenados a trabalhos forçados, e todos morreram, num breve espaço de tempo, vítimas de sofrimentos físicos e morais.
Depois do que aconteceu em Jaffna, o Pe. Vaz julgou que, permanecer lá, seria arriscar continuamente a sua vida e a do seu rebanho. Dirigiu-se, então, para Kandy onde, há várias décadas, os cristãos estavam sem pastor. Mas foi precedido por um calvinista francês, que convenceu o rei local de que o missionário era um espião português. Logo que chegou, o apóstolo foi metido na prisão.
Naquela circunstância, o futuro do catolicismo no Ceilão dependeu, humanamente falando, da tocante fidelidade, desapego e sensibilidade de alma de um tecelão que costumava preparar tecidos bordados para o rei e para a corte de Kandy. Quis saber da prisão do Pe. Vaz. Preparou, com esmero, o mais elaborado tecido que jamais tinha feito, e dirigiu-se ao palácio. Maravilhado, o monarca perguntou-lhe quanto queria por aquela obra de arte. “Nada mais do que a permissão de ver e falar com o sacerdote que Vossa Majestade tem em sua prisão” - foi a surpreendente resposta.
Realmente, o ter a possibilidade de confessar-se, depois de tantos anos, era o melhor pagamento que esse verdadeiro cristão poderia receber. O rei ficou tão sensibilizado com o amor do tecelão à sua religião, que lhe respondeu que não só ele, mas todos os cristãos que quisessem falar com o padre poderiam fazê-lo livremente.
Assim, em virtude desse acto de generosidade e desprendimento de um simples fiel, o Pe. José Vaz pôde transformar a prisão, durante dois anos, na sua primeira paróquia. Foi-lhe permitido fazer uma cobertura de folhas de coqueiro no quintal da prisão e, lá, ele celebrava, pregava, atendia confissões, realizava casamentos e baptismos, ensinava catecismo e preparava crianças para a Primeira Comunhão. No fim desse período, convencido da inocência do missionário, o rei libertou-o, autorizando-o, além disso, a construir uma igreja na capital.
A vida do Pe. José Vaz foi tão admirável que um dos seus auxiliares, escrevendo ao Superior do Oratório de Goa, em 1698, diz: “Como o género de vida do Pe. Vaz é, na realidade, mais sobre-humano que natural, o povo do país credita-lhe muitos milagres. Mesmo os pagãos e os muçulmanos relatam, sobre ele, factos que são os mais extraordinários”.
O P. José Vaz amava, ardentemente, Jesus Cristo; venerava a Sua Cruz e seguia os caminhos dolorosos da Sua Paixão. Certo dia, estando a pregar, começou a ter febre muito alta. Levado para Kandy, ficou sem poder ter-se de pé, porque as suas pernas paralisaram. No entanto, sabendo que dois agonizantes necessitavam dos últimos sacramentos, arrastando-se, deixou o seu leito para ir socorrê-los. A caminho da segunda visita, o carro de boi, em que se fazia transportar, tombou e o Pe. Vaz rolou, de considerável altura, para o fundo de uma ravina. Por causa deste acidente, ficou inteiramente paralisado; formou-se um abcesso no seu ouvido direito e o seu maxilar endureceu. Durante quatro dias, esteve impossibilitado de fechar a boca. No decorrer desses tormentos, o seu único alívio era pronunciar o nome de Jesus, oferecendo-Lhe os seus sofrimentos.
Vendo que os seus dias estavam a chegar ao fim, confiou ao Pe. José Menezes o cargo de Vigário Geral do bispo de Cochim e o de Superior Geral dos Oratorianos no Ceilão.
O Padre José Vaz faleceu no dia 16 de Janeiro de 1711. Foi beatificado, no dia 21 de Janeiro de 1995, pelo Papa João Paulo II - numa cerimónia solene efectuada em Colombo, capital do antigo reino de Ceilão, chamado, agora, Sri Lanka - que o proclamou “Apóstolo do Sri Lanka”. Na homilia da missa, o Papa disse: “…José Vaz é, justamente, considerado o segundo fundador da Igreja, no Sri Lanka. Veio da sua India nativa e foi um padre que se dedicou a Jesus Cristo, à sua terra de antigas tradições espirituais, uma terra extravasando de respeito pelo ‘Sanyasi’, o homem da santidade, o homem de Deus.(…) Veio para esta terra para proclamar a mensagem [do Evangelho]. Pregou o nome de Cristo por obediência à Verdade e pelo desejo de dividir com os outros o caminho que conduz à vida eterna. O Padre José Vaz foi um grande missionário; pertenceu a uma lista interminável de ardentes mensageiros do Evangelho, de missionários que em todos os tempos deixaram a sua terra para levar a luz da fé a outros povos. O Padre José Vaz foi um verdadeiro herdeiro de São Francisco Xavier; foi um verdadeiro filho da sua Goa querida, distinta pelas suas profundas tradições cristãs e missionárias. O Padre Vaz foi um filho da Ásia que se tornou um missionário na Ásia…”  A arquidiocese de Goa, de onde o Beato Padre José Vaz é originário, decidiu - na abertura solene do novo milénio - escolhê-lo como padroeiro principal da arquidiocese. A sua memória litúrgica faz-se no dia 16 de Janeiro.