BEATO CLEMENTE AUGUSTO GRAF VON GALEN,
BISPO
Clemente Augusto nasceu em 16 Março de 1878, no castelo
de Dinklage, Oldenburg - Alemanha. Foi o décimo primeiro dos treze filhos dos
Condes Fernando e Elisabete von Spee. Cresceu numa família cristã, de uma fé
viva, profunda e operante. Iniciou os seus estudos no colégio jesuíta de Feldberg
e obteve o grau de bacharel, em 1896, em Vechta. Em 1897, começou a estudar
todo o tipo de temas: literatura, história e filosofia. Em 1899, conheceu,
pessoalmente, o Papa Leão XIII, numa audiência privada. Nessa ocasião, decidiu
ser padre. Continuou os seus estudos em Fribourg (Suíça), Innsbruck (Áustria) e
Münster (Alemanha). Recebeu a Ordenação Sacerdotal no dia 28 de Maio de 1904.
Durante um breve período, exerceu o seu ministério sacerdotal
como vigário cooperador do pároco da Catedral de Münster; depois, foi nomeado
vigário cooperador da igreja de São Matias, em Berlim. Começou, assim, a sua actividade
sacerdotal na capital do antigo império alemão, que durou 23 anos. Trabalhou durante
alguns anos como cooperador na paróquia de São Clemente; algum tempo depois, foi
nomeado pároco de São Matias, em Berlim-Schöneberg. Aí viveu os terríveis anos
da Primeira Guerra Mundial, os distúrbios do pós-guerra e um longo período da
época de Weimar. A situação da diáspora em Berlim forçou-o a enfrentar enormes
desafios pastorais. Nesta época, teve lugar um acontecimento memorável que
mudaría, por completo a sua vida: um dia, quando fazia um sermão, na Igreja de
São Matias, notou, entre os fiéis, a presença do Núncio Apostólico. Apanhado
pela surpresa, perdeu o fio condutor do sermão e começou a gaguejar, sem saber
o que dizer. O Núncio do Papa chamava-se Eugénio Pacelli, o futuro papa Pio
XII. Desde esse momento, ficaram sempre muito amigos. Em 1929, foi nomeado pároco da igreja de St. Lambert, em
Münster.Com a morte do bispo Johannes Poggenburg, foi nomeado bispo de Münster. Recebeu a ordenação episcopal em 28 de Outubro de 1933. Escolheu o lema: "Nec laudibus, nec timore": “Nem com elogios nem com ameaças” (… me desviarei dos caminhos de Deus).
Na sua primeira carta pastoral, para a Quaresma de 1934, desmascarou a ideologia neopagã do nacional-socialismo. Nos anos seguintes, defendeu, constantemente, a liberdade da Igreja, das associações católicos e do ensino da religião. Num sermão, na catedral de Xanten, na primavera de 1936, acusou abertamente o regime nazista de discriminar os cristãos, de os prender e, até mesmo, de os matar.
O Mons. Clemente Augusto von Galen foi um dos bispos que o Papa Pio XI convidou a ir a Roma, em Janeiro de 1937, para falar com eles sobre a situação na Alemanha e para preparar a encíclica "Mit Brennender Sorge" (com grande preocupação), onde o Papa acusou o regime nazista, perante a opinião mundial. Grande repercussão mundial, pela sua declarada resistência frontal ao nacional-socialismo, tiveram os três famosos sermões proferidos no Verão de 1941: a 13 de Julho e 03 de Agosto, na igreja de St. Lambert e a 20 Julho- na paróquia de Nossa Senhora, em Münster, também chamada "Überwasserkirche" (Igreja sobre as águas). Neles, condenou os abusos do Estado e reclamou o direito à vida, à inviolabilidade e à liberdade dos cidadãos. Criticou, duramente, o assassinato de portadores de deficiências físicas e mentais, considerados "improdutivos". Pela sua coragem foi apelidado de "Leão de Münster". A autoridade nacional sentiu-se fortemente ferida e queria prendê-lo e assassiná-lo, mas temeu perder o apoio da população católica da diocese de Münster, nos tempos da guerra. O bispo sofreu muito porque, em seu lugar, levaram para os campos de concentração 24 membros do clero secular e 18 do clero religioso: 10 deles perderam a vida.
Nos meses difíceis do pós- guerra, muitas pessoas recorreram a ele. Opunha-se abertamente às autoridades de ocupação, quando cometiam alguma injustiça. Protestou, vigorosamente, contra a opinião, então dominante, da culpabilidade colectiva dos alemães.
O Papa Pio XII fê-lo cardeal, em 18 de Fevereiro de 1946, em reconhecimento da sua atitude destemida, durante o período do nazismo. Os fiéis que encheram a Basílica de São Pedro aplaudiram-no quando recebeu, das mãos do Papa, os sinais da dignidade cardinalícia. Ao regressar à sua diocese, em 16 de Março de 1946, foi recebido, com vibrante entusiasmo, por uma grande multidão. Diante das ruínas da catedral, destruída pelos bombardeamentos da guerra, fez o seu último discurso. No dia seguinte, após uma urgente cirurgia, ficou muito doente.
O Cardeal Graf von Galen morreu, alguns dias depois, a 22 de Março de 1946. Foi sepultado na capela de São Ludgero, da catedral em ruínas.
Foi um homem de fé profunda e muito piedoso, como atestam as suas cartas. Um dos seus primeiros actos pastorais foi a instituição da adoração perpétua, na igreja de St. Servatius, de Münster. Na oração, encontrou a força para a sua firme resistência à injustiça e desumanidade, praticadas pelos poderosos nazistas; na oração encontrou a ajuda para o dinamismo da sua acção pastoral. Muitas vezes, ao amanhecer, ia em peregrinação ao Santuário da Virgem, em Telgte, pedir a ajuda e a protecção da Mãe de Deus. Permanece, ainda hoje, um modelo de como lidar com a "ditadura" da moda ou da opinião pública, e ensina-nos onde encontrar a força para viver, com entusiasmo, a profundidade da fé pessoal e para testemunhar, com alegria, a verdadeira religião.
Foi beatificado pelo Papa Bento XVI, no dia 9 de Outubro de 2005, na Praça de São Pedro.
A sua memória litúrgica faz-se no dia 22 de Março.
