SÃO JOSÉ MARELLO
José Marello nasceu no dia 26 de Dezembro de 1844, em
Turim -Itália. Os seus pais, Vincenzo e Ana Maria, eram da cidade de São
Martino Alfieri. José tinha quatro anos quando a sua mãe morreu. O seu pai,
então, deixou o seu comércio em Turim e voltou, com os filhos, para a sua
cidade natal, onde estes receberiam melhor educação e mais carinho, com a ajuda
dos avós. Apesar de ter perdido a mãe, José teve uma infância igual à das
crianças do seu tempo, marcada pela simplicidade, humildade e atenção aos
outros, valores que aprendeu dos seus avós e do seu pai, pessoas profundamente
humanas e de uma fé sólida e praticada. Crescendo num ambiente de grande
espiritualidade, cedo se entusiasmou pela vida da sua paróquia e da Igreja.
Aos 10 anos, desempenhava o serviço do altar como
acólito, e, aos 12 anos, pediu para ir para o seminário, com a intenção de se
tornar sacerdote. Apesar da oposição do pai, que respeitou o seu desejo, José
seguiu o seu projecto e entrou no Seminário Menor de Asti, no dia 31 de Outubro
de 1856.Durante a sua permanência no Seminário, desenvolveu uma grande sensibilidade para as questões ambientais. Na sua formação, deu sempre muita importância às necessidades sociais, pastorais e espirituais do seu tempo. Preparou-se, com entusiasmo, para estar mais atento aos outros e seguir Cristo no testemunho da caridade.
Foi ordenado presbítero com 24 anos de idade, no dia 19 de Setembro de 1868, na Catedral de Asti, pela imposição das mãos de Mons. Carlos Sávio. No dia 21 de Outubro, desse mesmo ano, foi nomeado secretário do Bispo, Mons. No exercício destas funções, teve oportunidade de conhecer os meandros do governo da Diocese, sobretudo no contacto com as comunidades quando acompanhava o Bispo nas suas visitas pastorais. Pelas suas capacidades intelectuais, organizativas e pela sua dedicação ao trabalho, acompanhou Mons. Carlos Sávio ao Concílio Vaticano I, desde o dia 21 de Novembro de 1869 até ao verão de 1870. Nesta ocasião, teve oportunidade de se encontrar com o Cardeal Gioacchino Pecci, futuro Papa Leão XIII. Juntamente com o Bispo Sávio, foi recebido, em audiência privada, pelo Papa Pio IX.
Em 14 de Março de 1878, fundou a Congregação dos Oblatos de São José que teve a sua primeira sede no Instituto Michelerio. Acompanhavam-no quatro jovens que, na vivência comunitária, encarnavam o carisma da nova congregação religiosa: imitar, em tudo, São José sobretudo no seu amor a Jesus, no seu escondimento e na alegria do trabalho – “cartuxos em casa e apóstolos no exterior”. No dia 4 de Novembro de 1884, mudou-se, com os membros do seu Instituto, para o Hospício de Santa Clara, que se tornou a Casa-Mãe da Congregação. Esta nova família religiosa começou a desenvolver o seu trabalho apostólico, humilde e silencioso, abrindo um orfanato, onde recebia as crianças mais desfavorecidas. Mais tarde, abriu o hospício que veio a ser a nova sede da Congregação. Depois de consolidada a orgânica estrutural da Congregação, os seus membros começaram a desenvolver actividades apostólicas nas paróquias, escolas, colégios, orfanatos, no ensino da religião. Davam especial atenção aos jovens e aos mais pobres.
Em 23 de Novembro de 1888, foi nomeado Bispo de Acqui. A sua nomeação foi uma autêntica surpresa. Foi ordenado bispo, em Roma, no dia 17 de Fevereiro de 1889, e tomou posse canónica da sua diocese, no dia 16 de Junho. Tinha 44 anos de idade. Durante os seis anos do seu ministério episcopal, visitou todas as paróquias da diocese. O contacto directo com a população era, no seu entender, o seu primeiro dever. Por onde passava, a sua presença e a sua palavra despertavam sentimentos de entusiasmo e de fé. Em todos os lugares, comentavam o trabalho do seu bispo, dizendo: “É um santo”
Desempenhou um trabalho apostólico dedicado, generoso e dinâmico cujo fruto fortaleceu, imenso, o bem espiritual dos seus diocesanos. No parecer dos consultores da Congregação para as Causas dos Santos "Mons. Marello aparece como um pastor zeloso, um modelo de virtudes praticadas heroicamente, na simplicidade e na humildade do dia-a-dia. Amava a vida despercebida, embora não pudesse deixar de ser admirado pelo seu carácter afável e terno. Homem de grande virtude e de um grande amor a Deus, estava aberto a todas as iniciativas de caridade".
Mons. José Marello faleceu no dia 30 de Maio de 1895, na cidade de Savona. Depois da sua morte foi chamado de "Mártir dos pobres", "Pastor famoso", "Apóstolo dos jovens". Por sua intercessão foram obtidas imensas graças e ajudas de Deus.
No dia 26 de Setembro de 1993, o Papa João Paulo II presidiu, em Asti, à celebração da sua beatificação, apresentando-o aos pastores do Povo de Deus, aos membros da Congregação e a todos os fiéis como um exemplo e um modelo de amor para com todos e de trabalho, incansável e silencioso, em favor da juventude e dos marginalizados.
Foi canonizado, em 25 de Novembro de 2001, pelo Papa João Paulo II. Na homilia da celebração, disse o Papa:… "Agradou a Deus que residisse n'Ele toda a plenitude" (Cl 1, 19). Desta plenitude foi tornado participante São José Marello, como sacerdote do clero de Asti e como Bispo da diocese de Acqui. Plenitude de graça, fomentada nele pela forte devoção a Maria Santíssima; plenitude do sacerdócio, que Deus lhe conferiu como dom e empenho; plenitude de santidade, que lhe adveio ao conformar-se com Cristo, Bom Pastor. D. Marello formou-se no período áureo da santidade do Piemonte, quando, entre numerosas formas de hostilidade contra a Igreja e a fé católica, floresceram exemplos do espírito e da caridade, como Cottolengo, Cafasso, Dom Bosco, Murialdo e Allamano. Jovem bom e inteligente, apaixonado pela cultura e pelo empenho civil, o nosso Santo encontrou só em Cristo a síntese de qualquer ideal e a Ele se consagrou no Sacerdócio. "Ocupar-me dos interesses de Jesus" foi o mote da sua vida, e por isso se reflectiu totalmente em S. José, o esposo de Maria, o "guarda do Redentor". De São José atraiu-o fortemente o serviço escondido, alimentado por uma profunda espiritualidade. Ele soube transmitir este estilo aos Oblatos de São José, a Congregação por ele fundada. Gostava de lhes repetir: "Sede extraordinários nas coisas ordinárias" e acrescentava: "Sede cartuxos em casa e apóstolos fora de casa". Da sua forte personalidade, o Senhor quis servir-se para a sua Igreja, chamando-o ao Episcopado da Diocese de Acqui, onde, em poucos anos, gastou pela grei todas as suas energias, deixando uma marca que o tempo não cancelou”…
A sua memória litúrgica faz-se no dia 30 de Maio.
