O testemunho destes mártires franciscanos, despertou em Fernando de Bulhões o desejo de se tornar franciscano. Aos 30 anos, pediu para entrar na Ordem dos Frades Menores e, aí, recebeu o nome de António, sendo-lhe concedida imediata permissão para partir para o norte de África.
Desembarcou, no inverno de 1220. Mas, uma persistente doença obrigou-o a voltar para a Portugal. No regresso, o navio foi desviado por uma violenta tempestade e foi parar às costas da Sicília, na Itália. Frei António foi recolhido pelos seus irmãos franciscanos italianos, que o levaram para a cidade de Messina, onde foi tratado até recuperar a saúde.
Em fins de Maio de 1221, realizou-se, em Assis, o Capítulo Geral da Ordem dos Frades Menores, para o qual todos os religiosos foram convidados. Foi aí que António conheceu Francisco de Assis. Terminado o Capítulo, foi enviado para o pequeno eremitério de Montepaolo, perto de Forli, no Norte de Itália, onde residiam seis Frades. Foi-lhe atribuído a tarefa de presidir à celebração da Santa Missa para os seus irmãos e de ajudar nos trabalhos domésticos. Desejando preservar a humildade, António nunca revelou os seus conhecimentos e raramente era visto com livros, além do breviário e do missal.
Na cidade de Forli havia um convento de estudos da Ordem de São Domingos. Em Setembro de 1222, os Dominicanos convidaram os Franciscanos para participarem na cerimónia das ordenações sacerdotais, naquele convento. Na hora própria, o superior dos Dominicanos dirigiu-se aos Franciscanos, para que um deles fizesse a pregação. O Superior do eremitério de Montepaolo pediu ao irmão António que subisse ao púlpito e dissesse «tudo o que lhe fosse sugerido pelo Espírito Santo». As primeiras palavras foram simples, mas, em seguida, tornam-se firmes, seguras e convincentes, a ponto de impressionarem todos os presentes. A notícia deste facto percorreu toda a região e, em pouco tempo, António foi nomeado pregador oficial da Ordem.
Naquela época, surgiram alguns movimentos heréticos, entre os quais os Cátaros e os Albigenses, que renovavam as antigas correntes gnósticas e maniqueístas. António foi enviado a pregar às populações heréticas, procurando esclarecê-las acerca da verdadeira doutrina. O conhecimento profundo das Escrituras dava às suas palavras uma autoridade invulgar, lançando no coração de ouvintes raízes tão fundas, que a todos arrebatava e reconduzia à verdade. Tanto pregou no Norte da Itália, como no sul da França, onde se destacam Montpellier, Le Puy, Arles, Toulouse, Limoges, Bourges, entre outras cidades. O seu ofício de pregador valeu-lhe o título de «Arca do Testamento». António foi também director de estudos e professor de teologia. Segundo algumas fontes, o próprio São Francisco o teria incumbido dessas funções. Em Bolonha, fundou e dirigiu a primeira escola da Ordem Franciscana.
Em 1226, foi nomeado Custódio dos Frades Menores da região de Limoges e, em 1227, é nomeado Superior Maior da província da Romagna, que abrangia todo o norte da Itália. António exerceu este cargo até Maio de 1230. Depois, foi para Pádua, pregando sucessivamente nas 55 igrejas da região. Em fins de 1231, com a saúde muito abalada, António retira-se para o castelo de Camposampiero, perto de Pádua. Aí, escreveu e reviu os seus Sermões, dedicando longas horas à meditação espiritual.
Um dia, estando em Camposampiero, sentiu-se mal à mesa e pediu a um dos irmãos que o levasse para Pádua. No caminho, sentindo-se desfalecer, teve de ficar no mosteiro das clarissas, em Arcella. António só teve tempo para se confessar e receber a unção. Morreu dizendo: «Vejo o meu Senhor». Era o dia 13 de Junho de 1231.
Dada a sua fama de santidade, no dia da sua morte, todos queriam fazer-se guardas dos seus restos mortais. As monjas Clarissas do Mosteiro onde morreu, de acordo com os Franciscanos de Arcella, tentaram ocultar o seu falecimento. Mas, as crianças de Arcella, ao saberem da notícia, saíram por todos os lados a gritar: «Morreu o Santo! Morreu o padre-santo». O povo da região acorreu todo a Arcella. Como a última vontade do Santo tinha sido ir para Pádua, o seu corpo acabou por ser para aí conduzido, 4 dias depois da sua morte, no dia 17 de Junho de 1231, que era uma Terça-Feira.
A devoção por aquele homem, verdadeiramente eleito pelo Céu, era geral. Todos queriam vê-lo, ficar junto do seu caixão, tocar de alguma forma o corpo de António, já canonizado pelo povo em vida e proclamado logo após a sua morte. Os primeiros milagres surgem no dia do seu enterro, em Pádua. Nos dias seguintes, toda a gente se encaminha para o túmulo do bem-aventurado António.
Os populares de Pádua, representados pelas autoridades civis e religiosos, apresentaram na Cúria Pontifícia, então em Rieti, uma delegação a pedir a canonização do irmão António. O processo foi aberto no início de Julho de 1231, ainda não tinha passado um mês da morte do Servo de Deus. E a cerimónia de canonização ocorreu no dia 30 de Maio de 1232, solenidade do Pentecostes, na catedral de Espoleto. Em menos de um ano, o processo ficou concluído. O nome de António foi inscrito no catálogo dos Santos, pela bula da canonização “Cum dicat Dominus”, que manda celebrar a sua festa todos os anos, no dia 13 de Junho. (cf.SNPC)
