BEATA MARIA RAFAELA CIMATTI
Santina Cimatti nasceu no dia 6 de Junho de 1861, em
Faenza, na província da Romagna – Itália. O seu pai era um humilde lavrador; a
sua mãe trabalhava como tecedeira. A natureza dotou-a com um rosto sorridente,
sereno e bonito, iluminado por olhos profundos e calmos. Vivendo no seio de uma
família pobre, Santina não teve oportunidade de estudar: a sua família
precisava do seu trabalho para ajudar no orçamento familiar. Por isso, começou
a ajudar a mãe nos trabalhos de tecelagem e a cuidar dos afazeres domésticos.
Teve vários irmãos, mas os únicos que sobreviveram, Luís e Vicente, entraram,
ainda muito jovens, para a Congregação Salesiana. Então, Santina considerou
importante ficar junto da sua mãe para a ajudar e cuidar dela. Entretanto,
surgiu a oportunidade de ir trabalhar para casa de um sacerdote, como empregada
doméstica.
Em Novembro de 1889, com 28 anos de idade, entrou para
a Congregação das Irmãs Hospitaleiras da Misericórdia, na Casa-Mãe da congregação,
em São João de Latrão, Roma. Como era costume, naquela época, adoptou o nome de
Maria Rafaela. Em 1893, foi enviada para o Hospital de São Bento, em Alatri,
onde começou a exercer a sua profissão de enfermeira. Depois, foi enviada para
o Hospital Humberto I, em Frosinone, onde, a partir de 1921, exerceu, também, a
missão de superiora da Comunidade. Entre 1928 e 1940, desempenhou a missão de
superiora, na Comunidade de Alatri.Em 1943, contraiu uma doença que se viria a manifestar incurável. A Irmã Maria Rafaela Cimatti faleceu no dia 23 de Junho de 1945.
O principal campo de apostolado da Irmã Rafaela foi a farmácia, onde trabalhou durante 34 anos. No entanto, quando era necessário, estava sempre disponível para os doentes e para qualquer serviço da sua comunidade. O trabalho da farmácia - entre pílulas, xaropes e preparados no almofariz – foi, para Rafaela, um dom de Deus: através deste compromisso, simples e contínuo, vivido no dia-a-dia, ela pôde realizar, com exemplar dedicação, o verdadeiro amor ao próximo.
Quando a doença bateu, fortemente, à sua porta, encontrou, na oração, o seu grande apoio e a sua fortaleza. Dias difíceis e dramáticos foram vividos pela Irmã Rafaela, em Frosinone, durante o tempo da guerra. Visitou e confortou os doentes. Quando percebeu - através da agitação e inquietação do pessoal do Hospital – que a cidade de Alatri poderia ser bombardeada, a fim de suster o avanço das forças aliadas, Rafaela – usando todas as suas últimas energias – pediu ao Bispo que a acompanhasse até ao General Kesselring, a fim de o pressionarem a mudar o plano estratégico dos alemães. Com esta acção, conseguiu que Alatri fosse preservada. "Milagre” – ouviu-se gritar por toda a parte – “Um anjo salvou a nossa cidade."
Todos os dias, a irmã Rafaela experimentava a presença de Deus naqueles que sofriam: nunca se esquecia que o homem precisava de um amor concreto, mesmo nos pequenos acontecimentos diários. Uma sua paciente contou: "…Era muito jovem, mas já sofria de várias doenças. Então, fui internada no Hospital para uma operação ao apêndice. Estava muito preocupada e senti-me perdida com a ausência da minha mãe… Comecei a chorar convulsivamente, como nunca tinha chorado antes. A Irmã Rafaela notou minha profunda prostração moral e perguntou-me: ‘Porque estás a chorar?’ Eu respondi: ‘Eu estou mal e não tenho aqui a minha mãe!...’ Num tom cheio de carinho e de compreensão, disse-me: ‘E eu não sou a mãe? Porque estou aqui? Cada irmã hospitaleira deve ser a mãe de quem sofre…’."
A Irmã Rafaela soube ser, para as irmãs da sua comunidade, uma superiora atenta e gentil. Nunca quis ser servida mas, que cada uma servisse a comunidade. Uma das Irmãs escreveu: "Não exibia a importância do cargo que desempenhava… Considerava-se a serva das Irmãs, ajudando-as no seu trabalho. Se fosse necessário, também ela ajudava a remendar e a confecionar as meias das outras Irmãs.
A Irmã Maria Rafaela Cimatti foi beatificada, pelo Papa João Paulo II, no dia 12 de Maio de 1996. Na homilia, disse o Papa: “ … A Misericórdia divina é a chave de leitura da espiritualidade simples e profunda de Maria Rafaela Cimatti, religiosa das Irmãs Hospitaleiras da Misericórdia. Na infinita misericórdia de Deus, de que fala o salmista, ela encontrou inspiração para a sua acção, especialmente no serviço aos pobres e aos sofredores. Esta mulher, que hoje é elevada à glória dos altares, gastou a sua vida numa total consagração a Deus e no silencioso e diário serviço aos doentes. Viveu com espírito de sacrifício e sempre com pronta disponibilidade quer nas humildes tarefas diárias, quer na escuta e no acolhimento de quantos a ela recorriam à procura de conselho ou conforto, quer nas funções de responsabilidade a que, repetidamente, foi chamada. No nosso tempo, marcado frequentemente pela indiferença e pela tentação de se fechar, frente às necessidades do próximo, esta humilde religiosa é um luminoso exemplo de feminilidade plenamente realizada no dom de si. Ela anuncia e testemunha a esperança evangélica, manifestando a quantos sofrem, no corpo ou no espírito, o rosto de ‘Deus, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações’ (cf. 2 Cor. 1,4).
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 23 de Junho.
