Em 1915, fundou também a Sociedade das Mães Católicas, formada por uma centena de mulheres e, a partir de 1917, passou a orientar as Terceiras Franciscanas que, então, contavam com cerca de duzentos membros, ajudando a "Cozinha Popular" das Irmãs Servas da Caridade a distribuir, aproximadamente, três mil refeições às pessoas mais necessitadas, e prometendo solenemente ao Bispo Ordinário local que, a partir de então, viveria no meio dos pobres. E o Senhor infundiu muitos dons na sua alma eleita, que difundia luminosidade à sua volta.
Em 1919, Maria entrou no convento das Servas da Caridade. Todavia, por motivos políticos, as irmãs fundadoras, que eram italianas, tiveram de regressar à pátria e, por isso, o Bispo local nomeou Maria superiora provisória da nova ordem, cujos fundamentos espirituais seriam a obediência, o amor e o altruísmo. No final desse mesmo ano, Maria fundou três instituições de assistência à infância necessitada e, embora se considerasse indigna, compreendeu, com grande clarividência, que Deus a estava a preparar para grandes obras. A nova congregação, do ramo franciscano, foi fundada oficialmente no dia 4 de Outubro de 1920, com o título de Filhas da Misericórdia e a jovem recebeu o nome religioso de Maria de Jesus Crucificado e foi eleita superiora-geral.
A jovem fundadora encontrou-se imediatamente diante de infinitas dificuldades, que procurava vencer com a oração, a fé em Deus e o trabalho árduo: a educação dos jovens membros, o plano de trabalho, a construção de novas casas, a falta de meios de sustento, a redacção das primeiras Constituições (aprovadas em 1923), a consolidação e a conservação da identidade da sua instituição religiosa. Durante quarenta anos à frente da Congregação (de 1920 a 1952, foi eleita superiora-geral cinco vezes consecutivas), a Madre Maria abriu vinte e duas casas, preparando trinta religiosas para as missões na América Latina, onde viriam a ser fundadas novas casas (Argentina, Paraguai, Chile, Peru e Uruguai), assim como em Itália e em Espanha. A Sagrada Congregação para os Religiosos reconheceu esta ordem como "instituição canónica" em 1927 atribuindo-lhe, no ano seguinte, a condição de "direito diocesano" e, em 1944, por ocasião do 25º aniversário de fundação, também o "decretum laudis".
A espiritualidade de Maria apresenta três aspectos de base: provavelmente marcada pela experiência de bondade vivida em família, manifestava uma relação filial repleta de confiança no Pai misericordioso; além disso, a profunda confiança no amor ao Filho, que inspirou toda a sua vida; por fim, a incessante invocação da sabedoria do Espírito Santo, que é o actor de toda a santificação. As virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, em relação a Deus e ao próximo, e as virtudes cardeais que ela exerceu ao nível mais excelso, realçaram a sua sensibilidade ao voto de castidade. Maria de Jesus Crucificado distinguiu-se ainda na fidelidade à Igreja e na obediência perfeita, mesmo nos momentos mais difíceis da sua vida: quando recebeu respostas negativas dos responsáveis a vários níveis; quando deixou o cargo do governo da sua Congregação; quando ficou paralisada na parte esquerda do seu corpo, nos últimos três anos de vida, aceitando como sinal da Vontade divina tudo aquilo que a Igreja lhe ensinava.
Foi uma mulher forte, de consciência recta, grande trabalhadora e capaz de suportar todo o tipo de dor e sofrimento, permanecendo sempre aberta às inspirações do Espírito Santo e aos preceitos da Igreja, como no-lo mostram a sua vida e as suas numerosas obras. É por isso que, com fama de santidade e um milagre já reconhecido, agora pode ser elevada às honras dos altares pela Igreja que ela tanto amou.
A semente de santidade que Deus lançou no coração da pequena Maria cresceu primeiro na sua consciência e depois no seu compromisso, revigorando-se na família e na comunidade paroquial, onde amadureceram os primeiros frutos de amor ao próximo, no carisma que a levou a fundar novas casas em ordem a ajudar as pessoas marginalizadas da sociedade, para maior glória de Deus e a honra da Igreja católica.
A Irmã Maria de Jesus Petkovic faleceu no dia 9 de Julho de 1966, em Roma, depois de um prolongado período de enfermidade e indizíveis sofrimentos.
As “Filhas da Misericórdia” contam com mais de 430 religiosas que trabalham em 12 países da Europa e da América. Dedicam-se à educação das crianças e da juventude; à assistência de pessoas idosas e enfermas e ao apostolado nas paróquias.
Foi beatificada em Dubrovnik, na Croácia, no dia 6 de Junho de 2003, pelo Papa João Paulo II. É a primeira mulher da Igreja croata a ser beatificada, nos tempos mais recentes.
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 9 de Julho.
