PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA DE JESUS CRUCIFICADO PETKOVIC

Maria Petkovic nasceu no dia 10 de Dezembro de 1892, na ilha de Korcula, em Blato, na Diocese de Dubrovnik , Croácia. Desde a mais tenra infância - apesar da precariedade da sua saúde - mostrou nobreza de espírito, apego à família e à Igreja, e sensibilidade para com os necessitados. As mortes e destruições causadas pela primeira guerra mundial influenciaram a sua opção vocacional, já marcada por uma vida familiar cristã exemplar, caracterizada pela obediência, o amor filial e a observância dos preceitos divinos.
Em 21 de Novembro de 1906, fez o voto de virgindade e, depois de alguns anos de contacto com os membros da Associação das Filhas de Maria, foi inspirada a fundar a Associação do Bom Pastor, cujo carisma se caracterizava pela visita aos doentes, a preparação dos adolescentes para a primeira comunhão e a reparação das ofensas feitas a Jesus.
Em 1915, fundou também a Sociedade das Mães Católicas, formada por uma centena de mulheres e, a partir de 1917, passou a orientar as Terceiras Franciscanas que, então, contavam com cerca de duzentos membros, ajudando a "Cozinha Popular" das Irmãs Servas da Caridade a distribuir, aproximadamente, três mil refeições às pessoas mais necessitadas, e prometendo solenemente ao Bispo Ordinário local que, a partir de então, viveria no meio dos pobres. E o Senhor infundiu muitos dons na sua alma eleita, que difundia luminosidade à sua volta.
Em 1919, Maria entrou no convento das Servas da Caridade. Todavia, por motivos políticos, as irmãs fundadoras, que eram italianas, tiveram de regressar à pátria e, por isso, o Bispo local nomeou Maria superiora provisória da nova ordem, cujos fundamentos espirituais seriam a obediência, o amor e o altruísmo. No final desse mesmo ano, Maria fundou três instituições de assistência à infância necessitada e, embora se considerasse indigna, compreendeu, com grande clarividência, que Deus a estava a preparar para grandes obras. A nova congregação, do ramo franciscano, foi fundada oficialmente no dia 4 de Outubro de 1920, com o título de Filhas da Misericórdia e a jovem recebeu o nome religioso de Maria de Jesus Crucificado e foi eleita superiora-geral.
A jovem fundadora encontrou-se imediatamente diante de infinitas dificuldades, que procurava vencer com a oração, a fé em Deus e o trabalho árduo:  a educação dos jovens membros, o plano de trabalho, a construção de novas casas, a falta de meios de sustento, a redacção das primeiras Constituições (aprovadas em 1923), a consolidação e a conservação da identidade da sua instituição religiosa. Durante quarenta anos à frente da Congregação (de 1920 a 1952, foi eleita superiora-geral cinco vezes consecutivas), a Madre Maria abriu vinte e duas casas, preparando trinta religiosas para as missões na América Latina, onde viriam a ser fundadas novas casas (Argentina, Paraguai, Chile, Peru e Uruguai), assim como em Itália e em Espanha. A Sagrada Congregação para os Religiosos reconheceu esta ordem como "instituição canónica" em 1927 atribuindo-lhe, no ano seguinte, a condição de "direito diocesano" e, em 1944, por ocasião do 25º aniversário de fundação, também o "decretum laudis".
A espiritualidade de Maria apresenta três aspectos de base:  provavelmente marcada pela experiência de bondade vivida em família, manifestava uma relação filial repleta de confiança no Pai misericordioso; além disso, a profunda confiança no amor ao Filho, que inspirou toda a sua vida; por fim, a incessante invocação da sabedoria do Espírito Santo, que é o actor de toda a santificação. As virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, em relação a Deus e ao próximo, e as virtudes cardeais que ela exerceu ao nível mais excelso, realçaram a sua sensibilidade ao voto de castidade. Maria de Jesus Crucificado distinguiu-se ainda na fidelidade à Igreja e na obediência perfeita, mesmo nos momentos mais difíceis da sua vida:  quando recebeu respostas negativas dos responsáveis a vários níveis; quando deixou o cargo do governo da sua Congregação;  quando ficou paralisada na parte esquerda do seu corpo, nos últimos três anos de vida, aceitando como sinal da Vontade divina tudo aquilo que a Igreja lhe ensinava.
Foi uma mulher forte, de consciência recta, grande trabalhadora e capaz de suportar todo o tipo de dor e sofrimento, permanecendo sempre aberta às inspirações do Espírito Santo e aos preceitos da Igreja, como no-lo mostram a sua vida e as suas numerosas obras. É por isso que, com fama de santidade e um milagre já reconhecido, agora pode ser elevada às honras dos altares pela Igreja que ela tanto amou.
A semente de santidade que Deus lançou no coração da pequena Maria cresceu primeiro na sua consciência e depois no seu compromisso, revigorando-se na família e na comunidade paroquial, onde amadureceram os primeiros frutos de amor ao próximo, no carisma que a levou a fundar novas casas em ordem a ajudar as pessoas marginalizadas da sociedade, para maior glória de Deus e a honra da Igreja católica.
A Irmã Maria de Jesus Petkovic faleceu no dia 9 de Julho de 1966, em Roma, depois de um prolongado período de enfermidade e indizíveis sofrimentos.
As “Filhas da Misericórdia” contam com mais de 430 religiosas que trabalham em 12 países da Europa e da América. Dedicam-se à educação das crianças e da juventude; à assistência de pessoas idosas e enfermas e ao apostolado nas paróquias.
Foi beatificada em Dubrovnik, na Croácia, no dia 6 de Junho de 2003, pelo Papa João Paulo II. É a primeira mulher da Igreja croata a ser beatificada, nos tempos mais recentes.
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 9 de Julho.