BEATO CLÁUDIO GRANZOTTO
Ricardo Granzotto nasceu no dia 23 de Agosto de 1900,
em Santa Lucia di Piave, Treviso - Itália. A sua família era de condição
modesta, mas muito cristã. A natureza dotou-o de uma vontade forte e de uma
bondade transparente que o tornava simpático a todos. Trabalhou na dureza do
campo e, depois, como carpinteiro e pedreiro. Esta experiência moldou o seu
carácter e formou o seu coração no sacrifício e na generosidade. Aos 15 anos,
sentiu a paixão pela arte, especialmente a escultura que, imediatamente, se tornou
o maior sonho da sua vida. No dia 2 de Abril de 1918, decorrendo a 1ª grande
guerra, foi forçado a partir para a frente militar. Depois, passou quatro anos
em Roma, Forli, Nápoles, Sant'Arcangelo di Romagna e Albânia. Com a idade de 22
anos e com a ajuda do seu pároco, Mons. Morando, entrou, com grandes
sacrifícios e com uma determinação admirável, na Academia de Belas Artes de
Veneza. Aos 29 anos, já professor na Academia, ganhou o mais alto diploma
atribuído pela Academia, com a pontuação máxima na área da escultura. Quando tudo
apontava um caminho brilhante a este jovem professor, o Senhor chamou-o para a
vida franciscana, unindo a beleza do seu ideal artístico à beleza, ainda mais
sublime, da santidade. Em 7 de Dezembro de 1933, entrou para a Ordem dos Frades
Menores em São Francisco do Deserto, em Veneza, adoptando o nome de Cláudio.
Naquela altura, o ministro provincial dos Frades Menores de Veneza, escreveu ao
arcipreste de Santa Lucia di Piave, dizendo: "A Ordem recebe não só um
artista, mas também um santo".
Começou, então, a sua subida ao monte santo de Deus: uma
viagem marcada pelo imenso amor de Deus; pelo abandono total nas Suas mãos.
Frei Cláudio fez da sua vida uma vida de oração. Muitas vezes, sente-se atraído
para a capela, onde passa muitas horas em adoração diante do Santíssimo
Sacramento. Tinha um grande amor por todos mas, especialmente, pelos pobres e
pelos doentes. Na sua simplicidade e humildade, obedecia pronta e generosamente.
Vivia uma castidade feliz e radiante.A heroicidade das suas virtudes alimentava-se na Eucaristia, na piedade reparadora e na devoção filial a Maria Imaculada. Amava a Mãe do Senhor do mais fundo do coração, a ponto de dizer: "Eu sou o escravo da Virgem... A Virgem quer a minha salvação, porque há muito tempo que estou dedicado ao seu Coração Imaculado…" Para mostrar o seu amor filial a Maria, a Virgem de Nazaré, construiu quatro grutas à semelhança da Gruta de Lurdes.
Frei Cláudio escreveu: "Senhor, concede-me o dom dos teus espinhos e, assim, terei a certeza de que aceitaste o sacrifício da minha vida…” Atacado por um tumor cerebral, no dia 15 de Agosto de 1947, no Hospital Civil de Pádua, encontrou-se com Aquele a quem tinha confessado: "Eu quero viver e morrer dizendo e mostrando a todos que eu Te amo mais do que a todos os tesouros da terra e partir para o céu”. A Rainha dos Anjos, a quem reverenciou e honrou com todo seu coração, acolheu-o no dia em que a Igreja celebra a Festa da sua Assunção, satisfazendo assim o desejo do seu servo: "… No dia da Assunção eu vou…"
Os seus restos mortais repousam em Chiampo, ao pé da gruta de Lourdes, convertida, segundo o seu desejo, em "lugar de oração e de encontro de Deus com cada pessoa."
No início da sua vida franciscana, Frei Cláudio escreveu: "Eu quero que a minha vida permaneça escondida como um grão de areia." Mas o plano de Deus para este humilde frade menor era muito diferente. A sua fama de santidade - que ele procurou agarrar durante a sua vida -, depois da sua morte, espalhou-se, rapidamente, através do Veneto, por toda a Itália e muitas outras partes do mundo. A 16 de Dezembro de 1959, o então bispo de Vittorio Veneto, Mons. Albino Luciani, o futuro Papa João Paulo I, começou o processo diocesano em ordem à sua beatificação.
Com a sua vida de artista, de franciscano e de fidelidade ao Evangelho, ele transmitiu uma mensagem de alegria e de esperança não só aos homens da sua época, mas também aos de hoje. Escultor de matéria inerte, soube tornar-se eloquente testemunho da beleza divina. Frei Cláudio Granzotto era, acima de tudo, um escultor da alma: "Entreguei-me totalmente a Jesus. Tive de me esforçar muito... É preciso deixarmo-nos moldar por Ele, caso contrário, viveremos a vida em vão…"
Em Cristo, ele bebeu o ardor que fez de toda a sua vida um fogo da caridade. Com a santidade da sua vida, aparece diante da Igreja, diante dos artistas e dos homens mais importantes dos nossos tempos, como expressão da nova humanidade que o Espírito de Jesus ressuscitado quer fazer irradiar pela terra inteira, abrindo os horizontes infinitos do Amor.
Frei Cláudio (Ricardo) Granzotto foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 20 de Novembro de 1994. Na homilia da missa, o Papa disse: “… O amor a Cristo, "Filho do Homem" e o serviço ao reino de Deus resplandecem, de um modo muito especial, na vida do Beato Cláudio Granzotto. Último de nove filhos, aprendeu, na sua família e no trabalho duro dos campos, o temor de Deus, a prática sincera da vida cristã, a generosa solidariedade, a disponibilidade de sacrifício e de amor. Graças à sua docilidade ao Espírito e à educação familiar tão incisiva, a existência terrena de Cláudio Granzotto tornou-se uma peregrinação constante para a santidade, para o cume da perfeição evangélica. Verdadeiro filho do ‘Pobrezinho de Assis’, foi capaz de expressar a contemplação da infinita beleza divina na arte da escultura, da qual ele era mestre, transformando-a num instrumento privilegiado de apostolado e evangelização. A sua santidade brilhou, especialmente na aceitação do sofrimento e da morte, em união com a Cruz de Cristo. Assim, tornou-se modelo para os religiosos, na sua total dedicação ao amor do Senhor; para os artistas em busca da beleza de Deus e para os doentes, na sua amorosa adesão a Cristo crucificado…”
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 15 de Agosto.
