Por motivos de saúde, teve de voltar para a sua família e prosseguiu os estudos em casa, continuando a viver em espírito de piedade, cuidando, sobretudo, da assiduidade na oração. Entretanto, começou a frequentar o Conservatório das Teresianas, de Vico Equense; contudo, sempre devido à sua saúde delicada, não pôde continuar o Conservatório e teve de regressar a casa. Depois de ter melhorado, sentiu o desejo de entrar num convento de clausura, mas os seus pais opuseram-se, conhecendo a dureza da vida conventual. Para a consolar, o confessor concedeu-lhe a comunhão quotidiana e, aos 15 anos, permitiu que se consagrasse ao Senhor com os três votos perpétuos, aconselhando-a a tornar-se "monja em casa".
No dia 8 de Junho de 1867, emitiu a sua profissão entre as Terciárias dos Servos de Maria, assumindo o nome de Irmã Maria Madalena da Paixão. O Bispo de Castellammare, Mons. Francisco Xavier Petagna, confiou-lhe a direcção da “Pia União das Filhas de Maria” e a catequese das meninas da cidade.
As várias epidemias de cólera que se abateram sobre Castellammare impeliram a jovem a fundar, naquela altura, o “Instituto das Irmãs Compassionistas” (1869), que, segundo as suas próprias palavras, deveria "compadecer-se de Jesus apaixonado e de Nossa Senhora das Dores, e, a partir deles, do próximo em todas as suas necessidades, tanto do espírito como do corpo".
As suas companheiras também vestiram o hábito das Terciárias Servitas, e, em 27 de Maio de 1871, D. Petagna aprovou o Instituto, concedendo-lhe identidade canónica. Em 10 de Novembro de 1893, o Geral dos Servitas assinou o decreto que agregava o Instituto à Ordem, e em 10 de Julho de 1928, o Papa Pio XI aprovou o Instituto, concedendo-lhe reconhecimento pontifício.
As inúmeras provações físicas e espirituais que a Madre Maria Madalena teve de suportar no seu caminho para a santidade contribuíram para fortalecer a sua fé. Nada diminuiu a seu empenho na obra por ela iniciada, à qual se dedicou incansavelmente.
A Madre Maria Madalena morreu de pneumonia, no dia 13 de Dezembro de 1921. No dia 19 de Agosto de 1929, os seus restos mortais foram transladados para o Santuário do Sagrado Coração, em Scanzano, que ela tinha mandado construir.
A Congregação das Irmãs Compassionistas Servas de Maria, fundada pela Madre Maria Madalena da Paixão, desempenha uma grande obra em favor da infância através de escolas, de semi-internatos e de casas-família. A semente lançada pela Madre Maria Madalena da Paixão converteu-se, hoje, numa grande árvore, cujos ramos se estenderam às terras que acolheram as suas raízes. Actualmente, existem 24 comunidades, na Itália; 14 no Canadá, Chile, Índia, Filipinas, Indonésia e México. Constituem a Congregação cerca de 350 religiosas, 34 noviças e 35 postulantes.
Maria Madalena da Paixão foi beatificada no dia 15 de Abril de 2007, pelo Papa Bento XVI, em cerimónia presidida pela Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. Na homilia da missa, o Cardeal disse: “…Para a Madre Maria Madalena Starace, Jesus era verdadeiramente "o Primeiro e o Último, o Vivente"; basta pensar que dedicava num só dia, por vezes oito horas, outras vezes cinco horas contínuas ao diálogo com Deus. Ela dirigia o seu Instituto ajoelhada diante do altar, falando primeiro ao Senhor da vida de cada uma das fundações e dos problemas individuais das suas filhas. Desde os anos da infância, vivida à sombra da mãe tão devota da Virgem das Dores, foi-se radicando no coração de Constância (assim se chamava no século a nossa Beata), o estímulo a uma relação interior com Jesus cada vez mais forte. Quem a orientou para as necessidades de se ocupar das necessidades da juventude foi o Pastor da Diocese, animado por santo zelo, D. Petagna, que não duvidou em lhe confiar a tarefa quer de dirigir um pequeno grupo de jovens da Piedosa União das Filhas de Maria, quer de ensinar o catecismo às crianças. O pequeno grupo cresceu, aumentaram as órfãs e também as jovens dispostas a unir-se ao apostolado realizado pela irmã Starace, até chegar à aprovação do novo Instituto das "Compassionistas" em 1871. (…)Ao espírito de sacrifício e de disponibilidade para ser vítima do amor divino, a Beata Maria Madalena tinha sido predisposta pelo exemplo luminoso de Santa Margarida Alacoque beatificada por Pio IX em 1864, com 19 anos de idade. O Coração de Jesus, vítima sacrificada por nós, juntamente com a dor do Coração da Mãe aos pés da Cruz, tornou-se o tema constante da reflexão espiritual da Madre Starace. Falava disto, podemos dizer, quotidianamente às suas Filhas, para as exortar à generosidade ao enfrentar os sacrifícios exigidos para realizar a união profunda com Deus. Às provações Madre Starace opunha a arma da oração, a aceitação da cruz e o abandono à vontade de Deus. "Da Cruz não se desce, escreveu ela, mas ressuscita-se quando tudo está cumprido".(…) A nova Beata Maria Madalena,(…) mostra-nos que força exercem no coração de Deus a fé, a humildade, o sacrifício de si, a total abnegação pessoal, a pobreza e a caridade vividas evangelicamente. Aprendamos dela a elevar o olhar para o alto, para Aquele que é o Primeiro e o Último, o Vivo, em cujo nome sacrificou a vida em benefício dos pobres, das crianças, dos idosos e em cujo espírito educou as suas filhas, com a certeza de que só vivendo assim se consegue ser felizes também na terra…”
