BEATO JORGE (JERZY) POPIELUSZKO
Jorge nasceu no dia 14 de Setembro de 1947, na aldeia
de Okopy, na região de Białystok, Polónia. Os seus pais, Mariana e Vladislau,
trabalhavam na agricultura. As condições de vida eram difíceis, mas o casal
Popieluszko criou os filhos com muito cuidado. Católicos fervorosos, em
primeiro lugar estava o Senhor, a Santa Missa e a oração em família. Jorge
decidiu ir para o Seminário depois de ter terminado o ensino secundário. O
chamamento ao sacerdócio levou-o a entrar no Seminário Arquidiocesano de Varsóvia,
em 1965. Foi ordenado sacerdote no dia 28 de Maio de 1972.
Durante o seu ministério sacerdotal realizou imensas
tarefas apostólicas. Em Fevereiro de 1979, foi nomeado capelão dos médicos
católicos de Varsóvia. Dedicou-se, com muita atenção, às questões da defesa da
vida dos nascituros e da necessidade de verdadeira às mulheres grávidas,
sobretudo às que se encontravam em situações difíceis. No domingo, 31 de Agosto
de 1980, quando o país inteiro estava paralisado por uma onda de greves, os
trabalhadores dos estaleiros de Huta - que estavam em protesto, em Varsóvia - procuraram
um sacerdote que pudesse celebrar a santa missa nas suas instalações. O Cardeal
Wyszyński, acompanhado pelo seu secretário e sem qualquer plano prévio, parou
em frente da Igreja de Santo Estanislau Kostka. Ali, constatou que apenas o
padre Popiełuszko poderia ir. Este episódio poderia parecer um acaso mas,
naquele momento, começou a grande aventura do ministério espiritual do Padre
Popieluszko em favor do povo trabalhador da Polónia. Depois da missa, o Padre Jorge
ficou nos estaleiros até à noite e, a partir daí, começou a vir várias vezes
por semana.Desde o início da agitação laboral, na Polónia, o Padre Popiełuszko foi "alvo" dos Serviços Secretos da República Popular da Polónia. Várias vezes, os agentes invadiram o presbitério. Várias vezes, esteve preso. Foi por milagre que escapou da condenação de uma prisão mais prolongada. Ao ficar em liberdade, ocupou-se, com devoção, à organização de ajuda aos presos, às suas famílias e todos que se encontravam em situação difícil.
O Padre Popiełuszko gostava das pessoas; interessava-se por cada uma, pela sua vida, pelas suas ideias, pelos seus problemas. Atraía-as para si porque sentiam a sua bondade. Foi mestre em estabelecer contactos, construir relacionamentos, criar laços… Apoiava todos os que andavam à procura de realização ou sofriam de isolamento. Ajudava, com um carinho especial, aqueles que precisavam de tratamento psiquiátrico, chegando a pagar os tratamentos aos que não tinham possibilidade, uma vez que eram muito caros. Sem temer as dificuldades, intercedia por aqueles que eram os mais oprimidos, defendendo a sua dignidade humana.
Como escreveu o Papa João Paulo II, na Encíclica ‘Veritas Splendor’, os mártires são os guardiões “da fronteira entre a verdade e a mentira”. O Padre Popiełuszko defendeu, durante toda a sua vida, uma fronteira clara entre a verdade e a mentira. Falava do valor da verdade e da mediocridade das mentiras apoiadas em muitas palavras que, mesmo assim, desapareciam rapidamente. Nos seus sermões, falou muito sobre a liberdade; ressaltava, constantemente, que a liberdade não significava anarquia, isto é, fazer tudo o que se quisesse, mas, sim, a livre busca do bem: vencer o mal com o bem; recusar o ódio, a repressão e a vingança.
Na fidelidade à sua pregação, o Padre Popiełuszko, frequentemente, levava café quente aos policiais enregelados que, durante o inverno, em plena lei marcial, vigiavam a sua casa.
A partir de Fevereiro de 1982, começou a celebrar a missa pela Polónia, no último domingo de cada mês: a igreja enchia-se de multidões de fiéis que vinham rezar com ele e escutar a sua palavra: ouviam-no os trabalhadores, os professores, os opositores e até mesmo aqueles que pertenciam ao partido ao partido comunista polaco. Vinham de toda a Polónia e, de mês para mês, vinham mais e mais pessoas. Não é de admirar que, imediatamente, as autoridades aparecessem com atitudes provocatórias e intimidatórias. Nas ‘Missas pela Pátria’ ocorriam muitas conversões; muitos voltaram ao seio da Igreja depois de muitos anos, ou até depois de dezenas de anos; muitos pediram para ser baptizados.
Mês após mês, a atmosfera em volta do Padre Popiełuszko começou a ser cada vez mais tensa.
Era sempre seguido pela polícia; a sua residência estava constantemente vigiada; o seu telefone estava sob escuta e as suas chamadas eram sempre gravadas. Na imprensa surgiram escritos difamatórios. Passou muitas horas a ser ouvido, no posto policial.
Em Setembro de 1983, juntamente com Lech Walesa, organizou a primeira peregrinação de trabalhadores a Jasna Góra (o santuário mariano de Częstochowa ). Esta iniciativa ainda hoje se mantém. Um ano mais tarde, começaram a surgir os telefonemas anónimos, com ameaças: “Se fores novamente a Jasna Góra, vais morrer”.
Em 19 de Outubro de 1984, o Padre Popiełuszko foi para Bydgoszcz onde, na Igreja dos Santos Mártires Polacos, celebrou a Santa Missa. As suas últimas palavras foram: "Rezemos para que não nos deixemos dominar pelo medo e pela intimidação, mas principalmente do desejo de vingança e de violência." À noite, no caminho de regresso a casa, o carro do padre foi mandado parar, na estrada, por uma patrulha “policial”. Na verdade, vestidos com uniformes da milícia estavam os agentes dos Serviços Secretos: Grzegorz Piotrowski, Waldemar Chmielewski e Leszek Pękała. Tinham recebido, do seu comandante, Adão Pietruszka, ordens especiais que os isentaria de qualquer controle. O Padre Popieluszko foi amordaçado; foi espancado, com um bastão de madeira, até ficar inconsciente. O seu o corpo mutilado foi colocado num saco, cheio de pedras, e atirado ao rio Vístula, perto de uma barragem, na região de Włocławek. O corpo foi encontrado no dia 30 de Outubro. Durante este período, toda a Polónia rezou pelo regresso do Padre Jorge Popieluszko. A notícia do seu assassinato deu a volta ao mundo. O seu funeral, realizado no dia 3 de Novembro de 1984, reuniu cerca de 800 mil pessoas de todo o país. Dois dias depois, começaram a chegar à Cúria Diocesana de Varsóvia os primeiros pedidos para a sua beatificação.
Os lugares associados ao martírio do Padre Jorge Popiełuszko tornaram-se, rapidamente, lugares de peregrinação. Milhares e milhares de pessoas rezavam, depositavam flores e ascendiam velas no local do assassinato do padre Jorge. No dia 6 de Novembro de 1984, nesse lugar, foi levantada uma grande cruz, aí colocada pelos paroquianos de Bydgoszcz. Ao lugar onde foi sepultado, começaram a chegar multidões de peregrinos que, em fila, tinham de esperar várias horas para poderem rezar junto do seu túmulo. Muitas pessoas rezam ao Senhor por intercessão do Padre Jorge Popieluszko e, muitos, recebem graças especiais.
O Presidente Lech Kaczyński decidiu homenagear o Padre Popiełuszko, a título póstumo, com a mais alta condecoração polaca: a Ordem da Águia Branca.
No dia 6 de Junho de 2010, em Varsóvia, o Padre Jorge Popieluszko foi beatificado numa celebração presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, em representação do Papa Bento XVI. Uma semana depois, dia 13 de Junho, o Papa, na Audiência-Geral, em Roma, lembrando o testemunho de vida do Padre Popieluszko, disse: “…Exerceu o seu generoso e corajoso ministério junto de todos os que se empenhavam em favor da liberdade, a defesa da vida e da sua dignidade. Essa sua acção ao serviço do bem e da verdade era um sinal de contradição para o regime que então governava a Polónia. Foi o amor do Coração de Cristo que o levou a dar a vida, e o seu testemunho foi semente de uma nova primavera na Igreja e na sociedade…”.
A memória litúrgica do Beato Jorge Popieluszko celebra-se no dia 19 de Outubro.
