PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

SANTOS POPULARES


BEATO CARLOS I DA ÁUSTRIA

Carlos de Áustria nasceu no dia 17 de Agosto de 1887, no Castelo de Persenbeug, na região da Áustria Inferior. Os seus pais eram o Arquiduque Otto Francisco da Áustria e a Princesa Maria Josefina da Saxónia, filha do último Rei da Saxónia. O Imperador Francisco José I era o tio-avô de Carlos.
Carlos recebeu uma educação verdadeiramente católica e, até ao fim da adolescência, foi acompanhado pela oração de um grupo de pessoas, uma vez que uma religiosa estigmatizada lhe tinha profetizado grandes sofrimentos e ataques contra ele. Desta “cadeia de oração” surgiu, depois da morte de Carlos, a «Liga de oração do imperador Carlos, para a paz dos povos» que, em 1963, se tornou numa comunidade de oração reconhecida pela Igreja.
Bem cedo, cresceu em Carlos um grande amor pela Eucaristia e pelo Coração de Jesus. Carlos rezava sempre, pedindo a luz do Espírito Santo, antes de todas as decisões importantes.
No dia 21 de Outubro de 1911, Carlos casou com a Princesa Zita de Bourbon e Parma. Nos dez anos da sua vida matrimonial, formaram um casal imensamente feliz e extraordinariamente exemplar, que recebeu o dom de oito filhos. No seu leito da morte, Carlos dizia ainda a Zita: «Amo-te sem limites!».
Em 28 de Junho de 1914, após o assassinato, num atentado, do Arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono – acontecimento que originou a Primeira Guerra Mundial -, Carlos tornou-se o herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro. Com a morte do Imperador Francisco José, a 21 de Novembro de 1916, Carlos tornou-se Imperador da Áustria. No dia 30 de Dezembro é, também, coroado Rei apostólico da Hungria.
A missão e serviço de governar foram entendidos pelo Imperador Carlos como um caminho para seguir e servir Cristo: no amor pelos povos a ele confiados, no empenho pelo seu bem e no dom da sua vida por eles. O dever mais sagrado de um Rei - o empenho pela paz - foi colocado por Carlos no centro das suas preocupações, no decorrer da terrível guerra. Único entre todos os responsáveis políticos, apoiou os esforços para a paz protagonizados pelo Papa Bento XV.
No que diz respeito à política interna, mesmo nos tempos extremamente difíceis, encetou uma ampla e exemplar legislação social, inspirada no ensinamento social cristão.
O seu comportamento tornou possível, no final do conflito, uma transição para uma nova ordem sem guerra civil. Todavia, foi banido da sua própria pátria. Carlos foi obrigado a abdicar do trono Austro-Húngaro no dia 11 de Novembro de 1918.
Depois de viver algum tempo na Suíça, Carlos foi mandado para o exílio: o seu destino foi a Ilha da Madeira.
Reduzido à pobreza, viveu com a sua família numa casa extremamente humilde e bastante húmida. Por isso, adoeceu gravemente, aceitando a doença como um sacrifício pela paz e pela unidade dos seus povos.
Carlos suportou o seu sofrimento sem lamentações, perdoando a todos aqueles que o tinham magoado e ofendido.
Carlos I, imperador da Áustria morreu no dia 1 de Abril de 1922, com seu o olhar dirigido para o Santíssimo Sacramento e o seu coração entregue a Jesus. Carlos, no leito da morte, recordava, constantemente, o lema da sua vida: «Todo o meu empenho é sempre, em todas as coisas, conhecer o mais claramente possível e seguir a vontade de Deus, e isto da forma perfeita».
Carlos da Áustria foi beatificado, no dia 3 de Outubro de 2004, pelo Papa João Paulo II. O dia litúrgico da sua memória é 21 de Outubro.