Começou logo a trabalhar e a sua primeira preocupação foi evangelizar: levando Cristo – ela bem o sabia, graças aos ensinamentos do mestre Allamano - chegaria também a civilização, como sempre aconteceu. A sua catequese foi a da Tradição da Igreja: Deus amou tanto os homens que lhes deu o seu Filho unigénito, para que todos os homens sejam salvos; acreditar é oferecer-se a Deus com a mente, com o coração e com as obras; a única riqueza que se deve guardar é a alma espiritual e imortal; o único mal de que devemos ter medo é o pecado que recusa Deus e arruína a alma; o diabo existe e é preciso, com todas as forças, vencer as tentações; a morte não é uma fatalidade, mas passagem para a vida verdadeira, "entrada feliz na Casa de Deus ou queda ruinosa no fogo do inferno, de acordo com o julgamento que Deus fará de cada um de nós", assim explica, no livro “À luz de uma candeia”, a irmã Gian Paola Mina, missionária da Consolata e a primeira biógrafa da Irmã Irene Stefani. "Para a Irmã Irene, a vida é um olhar para o alto e, por isso, a grande visão do Céu permeia todas as suas cartas com o anúncio da Ressurreição que, já na Igreja primitiva, tinha influenciado um novo conceito de vida e de morte, dando força incrível aos mártires: … ‘Se Cristo ressuscitou, nós também ressuscitaremos com Ele '.
A partir da sua correspondência, é possível realçar a fé e a caridade que permeava a vida da Irmã Irene, como, mostra a carta enviada, em 1928, a Filipe Warothe, um cristão de Ghekondi, que trabalhava em Nairobi: "Caro Filipe: peço-te para cuidares dos nossos cristãos que chegam aí. Tu conheces bem a situação de Nairobi e sabes, também, quantos perigos existem aí, pelo que os nossos cristãos, correm o risco de se perder. Cuida das suas almas e, procura, também, obter ajuda para a igreja. São duas coisas que não podem ser separadas: o coração dos homens e o templo material. De facto, o Espírito Santo revelou que Deus habita no coração dos homens bons. Sabes que se fizeres o que te peço, terás realizado uma obra verdadeiramente apostólica. Pensa como o Senhor é bom para connosco: por uma coisa pequena que lhe damos, Ele recompensa-nos com um prémio tão grande que ultrapassa a nossa imaginação. Além disso, não basta que um se torne rico: é preciso enriquecer todos os outros: falo da verdadeira riqueza, a única que é necessária, a riqueza da alma. Tu, portanto, deves instruir os outros para darem o seu contributo para as necessidades da Igreja, como tu foste beneficiado pelos seus sacerdotes... ".
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Irmã Irene ajudou - no hospital militar, em Kilwa Kivinje, na Tanzânia - os transportadores ou carregadores indígenas, vítimas da fome e da peste. A Irmã Irene, bela e sorridente, cuida de todos com amor materno e infinita doçura, guardando tudo no seu coração, como Maria. Em 1920, vai para Ghekondi, onde começou a trabalhar na escola. Quando não estava a ensinar, andava de palhota em palhota, com o rosário na mão e, enquanto passava as contas e rezava a ‘Ave Maria’, procurava novos alunos para a alfabetização mas, também, mães em dificuldade, idosos a quem levar Jesus e auxílio... e baptizava. Nos anos de missão, a Irmã Irene obteve muitas conversões e baptizou cerca de quatro mil pessoas. Um apostolado silencioso, mas muito fértil. Para os doentes e as pessoas de Ghekondi - que a vê sempre pronta a acudir, a ajudar, a cuidar, a ensinar com uma sensibilidade angélica - a Irmã Irene é Nyaata, que significa "Mãe de Misericórdia". Desta mãe permaneceram, como relíquia, sinal e símbolo emblemático do seu apostolado, as botas que usou para percorrer quilómetros e quilómetros, a pé e depressa, de dia e de noite, com alegria ou cansaço, com o único objectivo da salvar as almas.
Uma manhã, entrando num acampamento militar, encontrou uma cama vazia, pertencente a um certo Athiambo, um homem que ela estava a preparar para o baptismo. Perguntou por ele e disseram-lhe que estava na praia, junto de outros cadáveres. Ela não desistiu. Correu à praia e, encontrando-o ainda vivo, levou-o para longe da maré e baptizou-o; depois, correu depressa ao hospital e voltou com uma maca e dois carregadores. À Irmã Cristina Moresco, sua companheira, que lhe perguntou se não tinha sentido nojo ao tocar naqueles cadáveres para encontrar Athiambo, a Irmã Irene respondeu: "Na verdade, sim; mas eu não pensava senão na alma".
Em 14 de Setembro 1930, foi a Nyeri, para participar num retiro. Foi aqui que aconteceu uma coisa extraordinária, verdadeiramente mística: a Irmã Irene viu toda a sua vida como num filme... e Jesus falou-lhe, comunicando-lhe palavras que, na sua alma missionária, a marcaram como um fogo: "O pecado crucifica Jesus, novamente. É melhor mil mortes que um só pecado…Esquece tudo... Esvazia-te de ti mesma… Ser missionária é o mesmo que ser apóstolo, virgem, mártir…"
Neste contexto inteiramente sobrenatural, a Irmã Irene Stefani amadureceu a sua oferta, a sua oblação: para o bem das missões e para a salvação das almas não é suficiente trabalhar como o fazia até agora; devia dar toda a sua vida.
A Irmã Irene revelou, à sua Superiora, a sua vontade de oferecer toda a sua vida, em sacrifício, pela salvação das almas. Mas, a Superiora, não lhe permitiu este seu acto de heroicidade. Então, recomeçou a trabalhar com mais zelo e eficiência do que antes. No entanto, a Irmã Irene não desistiu e, muitas vezes, voltou a interrogar a sua Superiora acerca daquele desejo que a assaltava constantemente: dar a vida pelas missões. Por fim, a Superiora cedeu.
Então, em Ghekondi, surgiu uma epidemia de peste. A Irmã Irene acorria, prontamente, a oferecer a sua ajuda, o seu conforto e a sua oração. No Domingo, dia 26 de Outubro de 1930, Festa de Cristo Rei, a Irmã, durante a missa, acusou os primeiros sintomas da peste. A Irmã Margarida Maria Durando ficou de vigília, durante todas as noites, e sugeriu-lhe uma pequenina oração: "Coração de Jesus, vítima de caridade, faz-me para Ti hóstia pura, santa e agradável a Deus". Na sua fragilidade, a Irmã Irene repetia, vezes sem conta, aquela oração de entrega e de confiança. No dia 31 de Outubro de 1930, morreu, com 39 anos, e com o nome de Jesus, José e Maria nos lábios. Com São Paulo, ela podia dizer: "Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a todo o custo. Faço tudo por causa do Evangelho "(1 Cor 9,22-23).
“Foi o amor que a matou” logo comentaram os africanos. Era o selo de uma existência toda marcada pela caridade heroica, que emanava da constante e profunda busca da santidade. Expressou este anseio nas suas últimas palavras: “sou toda de Jesus, de Maria, de São José, agora e sempre por toda a eternidade”
A Irmã Irene Stefani morreu com uma grande fama de santidade, que permaneceu sempre viva, testemunhada com vivacidade, mesmo à distância de mais de cinquenta anos.
A Irmã Irene Mercedes Stefani foi beatificada pelo Papa Francisco, no dia 23 de Maio de 2015, numa celebração eucarística, em Nyeri, presidida pelo Arcebispo de Nairobi, o cardeal John Njue, em representação do Papa.
A sua memória litúrgica celbra-se no dia 31 de Outubro.
