Temos partilhado isso mesmo nas reuniões realizadas aos vários níveis do nosso percurso e nas diferentes instâncias da corresponsabilidade pastoral. Verificamos, igualmente, como os passos dados nos revelam o sentido de comunhão e o espírito de renovação que nos cumpre imprimir em todas as propostas e metas de acção pastoral.
Com este espírito e com esta pedagogia saberemos fazer da “Alegria do Evangelho a nossa missão” e proclamar “Felizes os Misericordiosos!” Assim se consolida a comunhão diocesana neste caminho sinodal e se fortalece o desígnio de missão que a todos deve envolver e mobilizar, como nos pede o Papa Francisco.
A Caminhada de Advento-Natal 2015-2016, que tem por tema: ”Há mais alegria em dar(-se): felizes os misericordiosos”, cujo texto está, a partir de hoje, já disponibilizado na página da Diocese e em formato impresso, constitui mais uma etapa a cumprir este desígnio de missão e esta metodologia pastoral. Convidamos todas as comunidades cristãs, comunidades religiosas, movimentos e grupos apostólicos a aproveitar este contributo pastoral para mobilizar todos os seus membros para a preparação e celebração do nascimento de Jesus.
A vocação nasce sempre no coração de Deus, que olha todos os seus filhos com misericórdia e entre eles escolhe alguns para que, envolvidos e configurados sacramentalmente com Cristo, Bom Pastor e rosto de Misericórdia, O possam seguir para continuarem no tempo este ministério de amor, de bondade e de misericórdia
A Semana dos Seminários ajuda os jovens, os seminaristas, as famílias, as comunidades a voltar-se para Deus, porque Ele nos “olha com misericórdia” e continua a chamar trabalhadores para a Sua Messe, como nos lembra o lema desta Semana.
Cumpre-nos rezar com persistência para que Deus, ao chamar, encontre no coração das famílias do nosso tempo e no chão fecundo das comunidades da nossa Diocese jovens que se disponham a seguir o Mestre com alegria, generosidade e perseverança.
Dou graças a Deus pelos nossos Seminários, por quantos aí vivem e trabalham, pelos seminaristas, equipas formadoras, colaboradores, amigos e beneméritos. A Semana dos Seminários é sempre uma hora feliz de acção de graças a Deus e de gratidão às pessoas pelos Seminários que temos, pelo bem imprescindível que realizam e pela missão insubstituível que cumprem.
A missão de formar pastores é de toda a Igreja e a favor de toda a Igreja. Sabemos, porém, que a missão específica da formação está confiada, por mandato da Igreja e para bem de todo o Povo cristão, às Equipas Formadoras dos nossos Seminários e a quantos, sob a sua orientação, aí trabalham, muitas vezes de forma discreta e silenciosa. É de gratidão, também, para todos eles esta palavra, consciente da delicadeza da missão e do peso do trabalho que a Igreja lhes confia.
As comunidades paroquiais, no seu todo, com as crianças, jovens, famílias, idosos, doentes, grupos e movimentos são, assim, convidadas a fazer desta Semana tempo abençoado de oração, de comunhão e de generosidade com os nossos Seminários.
Temos na nossa Diocese uma bela iniciativa de oração, em cadeia contínua, sob o nome de “Rogai - Oração pelas Vocações”, que nos une mais intensamente ao espírito da Semana dos Seminários e da Semana de oração pelas Vocações e as amplia a todo o tempo do ano pastoral e à dimensão de toda a vida da Igreja diocesana. “Rogai – Oração pelas Vocações” é um convite à oração diária, organizada por vigararias e estendida a todas e a cada uma das paróquias da Diocese.
Aos pais, aos párocos, aos catequistas e aos educadores cristãos pedimos que atendam e acompanhem as crianças, os adolescentes e os jovens no seu itinerário de fé e no seu discernimento vocacional e aproveitem mais intensamente esta Semana dos Seminários para falar do valor e da importância da vocação sacerdotal e dar a conhecer o percurso vocacional do Pré-Seminário e a missão e vida dos Seminários.
Pertence-nos aplanar os caminhos daqueles que se sentem chamados à vida sacerdotal e agradecer a Deus os seminaristas que hoje temos. Uns e outros são um dom de Deus e uma bênção para a nossa Diocese.
Ao rezarmos pelas Vocações e pelos Seminários, estamos a implorar de Deus o olhar de misericórdia para connosco e a criar no coração dos jovens, no seio das famílias e no ambiente das comunidades uma cultura vocacional que faça de cada um de nós mediador do chamamento de Deus, que continua a dizer, hoje, como aos primeiros discípulos: “Vem e Segue-Me!” (Mt. 19, 21 ).
Agradecemos a Deus o tempo aqui vivido e a missão realizada na nossa Diocese. Só Deus conhece o zelo da sua entrega, a dedicação do seu trabalho e o exemplar testemunho que a todos nos deixa.
Desejamos expressar a D. João Lavrador a gratidão de toda a Igreja do Porto e queremos fazê-lo em gesto de comunhão fraterna e de celebração diocesana no próximo dia 22 de Novembro, solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo, e dia habitualmente escolhido na nossa Diocese para a Instituição dos Ministérios de Leitor e de Acólito em ordem ao Diaconado Permanente e ao Presbiterado. Para facilitar a presença de todos e possibilitar a participação dos sacerdotes vamos alterar a hora a celebração da Eucaristia das 11 horas para as 16 horas.
Convido, assim, a Igreja Diocesana para participar na celebração da Eucaristia, na Sé Catedral, no próximo dia 22, às 16 horas, com a Instituição de Ministérios e com a expressão da nossa gratidão a D. João Lavrador pelo ministério episcopal exercido ao serviço da Igreja do Porto.
O senhor D. João Lavrador entrará na Diocese de Angra, nos Açores, o seu novo campo de missão episcopal, no domingo seguinte, 29 de Novembro.
Confiemos desde já a nova missão episcopal de D. João Lavrador à protecção materna de Maria, Mãe da Igreja, para que seja nos Açores Pastor segundo o coração de Cristo, Bom Pastor.
Porto, 28 de outubro de 2015
António, Bispo do Porto
“A Semana Nacional dos Seminários ocorre, neste ano de 2015, pouco tempo antes do início do Ano Santo da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco como um ano jubilar de graça para a Igreja e para a humanidade. Em sintonia com a Igreja Universal, desejamos que o trabalho, a catequese e a oração pelas vocações sacerdotais, pelos seminários e pelos sacerdotes nasçam da certeza de que Deus é misericordioso com todos os seus filhos. A característica fundamental do agir de Deus é a misericórdia, como nos revela a Escritura, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Toda a História da Salvação e cada uma das acções de Deus que dela fazem parte estão ao serviço da salvação da humanidade, podendo dizer-se que se trata da história da misericórdia de Deus com os homens. Ao dizer que Deus é amor, São João reafirma a centralidade da misericórdia na revelação feita por Jesus, Aquele que pelas suas palavras e acções nos deu a conhecer quem é Deus e como é Deus. A Igreja fundada por Jesus Cristo é chamada a dar corpo ao desejo misericordioso de Deus de salvar toda a humanidade, em todos os tempos da história. (…)
A vocação sacerdotal nasce do coração misericordioso de Deus, que olha para os seus filhos e escolhe alguns para que, sacramentalmente, sejam configurados com Jesus Cristo, Pastor e Cabeça da Igreja. (…)
Os Evangelhos apresentam Jesus que passa pelos mais variados lugares onde se desenvolve a vida humana, olha com predilecção para alguns, escolhe-os e chama-os para O seguirem. Sem explicações que satisfaçam a sua admiração e sem argumentos que respondam às suas interrogações, mas somente porque se sentiram tocados pelo seu amor misericordioso, deixaram tudo e seguiram-n’O. (…) O sacerdote, homem chamado e escolhido de entre os outros homens, é fruto do olhar misericordioso de Jesus, que quer salvar a todos. Não se trata de alguém perfeito, irrepreensível e santo, mas de alguém para quem o Senhor olhou com misericórdia, sem explicação nem motivação compreensíveis. A vocação sacerdotal somente se compreende no contexto deste mistério do amor de Deus, que não se explica nem se justifica, mas que simplesmente se manifesta.
Os seminaristas, desejosos de conhecer o mistério da sua vocação, entrem no mistério do amor de Deus pela humanidade e por si mesmos, sintam-se sinceramente pecadores e doentes como todos os outros homens, e darão infinitas graças a Deus por os eleger e chamar a partilhar a grandeza da Sua companhia.
Aos jovens convidamos a entrar na contemplação do rosto misericordioso de Deus que os escolhe e os chama. Aceitem humildemente a sua condição de pecadores e necessitados da misericórdia de Deus e ela manifestar-se-á como fonte de perdão e de salvação. Muitos sentirão o apelo a andar com o Senhor e a aprender d’Ele, conhecerão a vocação a que os chama e terão alegria e coragem para a seguir fielmente, porque quando alguém se deixa tocar pelo olhar misericordioso de Jesus, torna-se disponível para ficar com Ele para sempre.
Senhor Jesus, concede a toda a Igreja, felizes e santas vocações sacerdotais.
Ámen”

