Depois da morte do pai, Luísa viu-se obrigada a gerir o negócio da família, revelando os seus dotes administrativos. Contudo, esta nova tarefa não a impediu de frequentar, como voluntária, o Lar de Idosos, onde, na enfermaria, prestava assistência aos doentes crónicos.
Quando auxiliava o seu pai nas actividades apostólicas, Luísa conheceu o Padre Carlos Steeb, que se tornou o seu confessor. O Padre Carlos Steeb tinha nascido no dia 18 de Dezembro de 1773, em Tübingen - Würtemberg, Alemanha, no seio de uma família de convicções profundamente luteranas. Frequentou uma escola de renome, de tradição humanista (“Anatolicum”), onde fez um estudo sério e sistemático. Aos 15 anos, o estudo na área do comércio levou-o a deslocar-se a Paris, onde permaneceu pouco tempo, devido à agitação da Revolução Francesa. Em seguida, foi para Verona, onde fez amizade com pessoas que professavam, convictamente, a fé católica. Esta amizade levou-o a questionar a problemática da fé luterana. Após um período de longa e profunda reflexão, converteu-se ao catolicismo e entrou no seminário para ser sacerdote. Ao informar a sua família desta decisão, foi rejeitado por todos. Os seus pais deixaram de o reconhecer como filho, privando-o do direito hereditário e recusando-lhe qualquer comunicação com os seus familiares.
Luísa partilhou com o Padre Steeb o seu desejo de professar os votos religiosos. Ele aconselhou-a a rezar e a esperar que o Senhor lhe revelasse os seus desígnios. Depois de algum tempo de prova, ao serviço dos anciãos e dos doentes, o Padre Steeb propôs-lhe ser a fundadora de um instituto religioso que cuidasse dos pobres e dos necessitados. Luísa respondeu afirmativamente a esta proposta, vendo nela o chamamento e a vontade do próprio Senhor Jesus. No dia 2 de Novembro de 1840, Luísa Poloni fundou o Instituto das Irmãs da Misericórdia. No dia 10 de Setembro de 1848, fez a sua profissão religiosa, consagrando-se inteiramente ao amor de Cristo e ao amor dos mais pobres. Nesta circunstância, assumiu o nome de Vicência Maria Poloni.
O Padre Carlos Steeb, que há muito sonhava com uma obra desta natureza e acompanhou todo o processo da constituição do Instituto das Irmãs da Misericórdia, chamava, carinhosamente, às Irmãs: “mãos piedosas”
Ao escrever a Regra para o Instituto, o Padre Carlos Steeb põs em evidência, no mistério da Encarnação e da Redenção, o modelo mais alto para viver a misericórdia: Jesus Cristo, o unigénito Filho de Deus, por amor da Humanidade, fez-se carne. A misericórdia é um dom de Deus que deve ser representado pelas Irmãs nas diversas formas visíveis de caridade; a misericórdia é um sentimento profundo que se comove perante o sofrimento e o desânimo dos outros.
Desde então, a Madre Vicência dedicou a sua vida a Deus como educadora de numerosos jovens, consagrando-se ao serviço dos pobres e dos enfermos e percorrendo um caminho que deixou três marcas: uma profunda vida interior que fazia de Cristo o eixo do seu caminho; um grande amor a Deus e à Eucaristia; um estilo de humildade, simplicidade e caridade que orienta o agir somente por Deus, amado e servido no próximo sofredor.
A actualidade da mensagem da vida da Madre Vicência é-nos dada, sobretudo, pela eterna novidade da misericórdia. Numa época em que, aparentemente, parece que não necessitamos de mais nada, porque tudo está acessível, na realidade a misericórdia é mais do que nunca necessária.
A Madre Vicência faleceu no dia 11 de Novembro de 1855, deixando como testamento uma só coisa: a caridade. Foi beatificada, em Verona, no dia 21 de Setembro de 2008, pelo Papa Bento XVI, numa celebração presidida pelo Prefeito da Congregação para as causas dos Santos, D. José Saraiva Martins.
As Irmãs da Misericórdia estão presente, hoje, na Itália, na Alemanha, em Portugal, na Albânia, na Tanzânia, em Angola, no Burundi, na Argentina, no Brasil e no Chile.
A memória litúrgica da Beata Vicência Maria Poloni faz-se no dia 11 de Novembro.
