SANTA ISABEL ANA BAYLEY SETON
Isabel Ana (Elizabeth Ann) Bayley nasceu em 28 de
Agosto de 1774. O seu pai, Richard Bayley, um cirurgião de alta reputação,
muito devotado à sua profissão, era anglicano. A sua mãe, Catherine Charlton,
era filha de um ministro episcopal da Igreja de St. Andrew, em Staten Island.
Do seu casamento nasceram três crianças, todas mulheres: Mary Magdalen,
Elizabeth Ann, e Catherine Josephine, nesta ordem de nascença.
Quando Isabel Ana tinha dois anos de idade, foi
proclamada a declaração de independência dos Estados Unidos. Durante a sua
infância viveu a agitação e a violência da revolução americana. O seu pai era
defensor da Monarquia Britânica, pois seguia a carreira de cirurgião na armada
britânica. Mas, quando a nova nação foi estabelecida, foi recebido
calorosamente e foram-lhe concedidos altos cargos na comunidade nova-iorquina.
Um dos seus projectos, a construção de um hospital para pobres - um Lazaretto -
foi aprovado pela política local. O Doutor Bayley, começou a dedicar-se mais ao
Lazaretto do que à sua própria família. Como a guerra não lhe tinha causado
grande perda financeira, a infância de Isabel foi vivida com desafogo económico
e com grandes comodidades. Os problemas e sofrimentos de Isabel começaram quando perdeu
a sua mãe, aos três anos de idade, cuja morte ocorreu no dia 8 de Maio de 1777.
Com as filhas para cuidar e fazendo o papel de pai e mãe, Richard Bailey -
terminado um ano de viuvez - casou-se com Charlotte Amelia Barclay, filha de
Andrew Barclay e Helena Roosevelt, cujo pai foi o fundador da dinastia Roosevelt,
nos E.U.A.
Isabel - bela e vivaz, falando fluentemente a língua
francesa, excelente música e cheia de talentos - cresceu e tornou-se uma presença
frequente e popular nas festas e nos bailes da sociedade nova-iorquina. Apesar
de todas estas facilidades, Isabel enfrentou graves problemas durante o tempo
da adolescência por julgar, em seu coração, que o seu pai não a amava, uma vez
que voltou a casar logo após a morte da sua primeira esposa. Deste segundo
casamento, nasceu o meio-irmão de Isabel: Guy Charleton Bayley. Anos mais
tarde, do casamento de Guy Charleton, nasceu um menino, sobrinho de Isabel,
chamado James Roosevelt Bayley, que viria a ser arcebispo de Baltimore. Apesar
do seu sentimento, Isabel mostrou sempre grande afeição e carinho pelo pai e
respeito, dedicação pela sua madrasta que, como o seu pai, era uma piedosa
anglicana. A madrasta, porém, não nutria por Isabel os mesmos sentimentos; por
isso, Isabel, frequentemente, passava as suas férias na casa de um tio, em Nova
Rochelle, não muito longe de Nova Iorque.
O pai não descurou a sua educação e transmitiu-lhe um
conjunto de boas maneiras e introduziu-a nos meios académicos e intelectuais.
Isabel estudava livros e cadernos de todas as ciências, manifestando um
interesse especial pelos assuntos histórico-religiosos. Como resultado da sua
educação, Isabel tornou-se profundamente religiosa: começou a usar, em volta do
pescoço, um pequeno crucifixo; deliciava-se com a leitura das escrituras,
especialmente do Livro dos Salmos; meditava e rezava com o livro "A
imitação de Cristo". Também apreciava alguns trabalhos de Rousseau. O seu
estudo e a sua reflexão fez dela uma grande humanista. Quando Isabel fez dezanove anos, casou-se, no dia 25
de Janeiro de 1794, na Igreja de São Paulo - uma das mais antigas igrejas
anglicanas de Nova Iorque, ainda existente - com William Magee Seton, um rico
comerciante de Nova Iorque e foram morar na elegante Wall Street.
Na sua cunhada, Rebecca Seton, Isabel encontrou a
"amiga da sua alma " e, como tinham o gosto de praticar obras de
caridade, passaram a ser conhecidas como "as irmãs protestantes da
caridade".
Problemas de negócios culminaram com a morte do seu
sogro, em 1798. A partir desse momento, Isabel e o seu marido tornaram-se o
sustentáculo da ‘família Seton’, dando-lhe ajuda económica e auxiliando-a nos
afazeres gerais. Em 1801, faleceu o seu pai, o doutor Bayley, devido à epidemia
da febre-amarela. A vida de Isabel sofreu um rude golpe. Na sua aflição e
ansiedade pela salvação do seu pai, durante o período da sua doença fatal,
Isabel ofereceu, a Deus, a vida da sua filha pequena, Catherine. Mas, a vida
desta sua filha prolongou-se até aos noventa anos, como Irmã Catherine, das
Filhas da Caridade, de Nova Iorque.
Em 1803, William Seton foi acometido de uma
tuberculose e o casal tentou fazer um tratamento com uma viagem a Itália, em
busca de cura. Por causa desta viagem, os Seton venderam todos os pertences de
luxo da sua casa: vasos, quadros e pratas, provavelmente herdados por Isabel,
de seu pai. Nessa viagem, foram acompanhados pela filha mais velha, Ana Maria.
Em Itália, fixaram-se em Livorno, em casa dos Filicchi, amigos de negócio de
William. As outras crianças do casal, William, Richard, Rebecca, e Catherine,
foram deixados no cuidado de Rebecca Seton.
O esforço de Isabel para cuidar da saúde do seu amado
esposo foi descrito no seu diário de viagem. Contudo esta viagem foi
infrutífera. A saúde de William deteriorou-se rapidamente e culminou com o seu
falecimento, em 27 de Dezembro de 1803, na cidade de Pisa. William Seton tinha
37 anos de idade. Isabel procurou conforto na sua fé; consolou-a o acreditar na
redenção eterna.
Isabel Seton decidiu, então, passar algum tempo com a
família Filicchi, em Itália. Nas igrejas italianas, começou a admirar a beleza
da fé católica. Preocupada com a doença da sua filha, entretanto contraída, e
com a sua própria saúde, regressou aos Estados Unidos, acompanhada por António
Filicchi, e aportou em Nova Iorque a 3 de Junho de 1804. Infortunadamente, a sua
"amiga da alma" e cunhada Rebecca Seton, faleceu no mês de Julho
seguinte à sua chegada.
Começou, para Isabel, um tempo de grande perplexidade
espiritual. Na sua oração interrogava Deus: “Senhor, se eu estou correcta, que
a vossa graça me ilumine para fazer a vossa vontade!... Se estou errada, Oh,
ensinai o meu coração a encontrar o melhor caminho." O Reverendo Hobart - que tinha grande influência sobre
ela - usou todos os seus esforços para a dissuadir em relação a fé católica; ao
mesmo tempo, António Filicchi apresentava-lhe as razões para aderir à verdade
da fé católica. Com este objectivo, António Filicchi promoveu um encontro entre
Isabel e o Bispo católico de Nova Iorque, Monsenhor Cheverus, escrevendo,
também, sobre este assunto, ao Bispo Carroll. Por sua vez, Isabel rezava para
conseguir alguma luz. Numa Quarta-Feira, dia 14 de Março de 1805, Isabel foi
recebida na Igreja Católica de São Pedro, na Rua Barclay, em Nova Iorque, pelo
Padre Matthew O'Brien. No dia seguinte, 25 de Março, fez a sua primeira
comunhão, com um fervor extraordinário. Isabel Seton tinha consciência da tempestade que a sua
conversão ao catolicismo iria provocar entre os seus parentes protestantes e os
seus amigos, numa altura em que mais precisava da sua ajuda e do seu. Pouco restava
já da sua fortuna, mas muitos dos seus parentes teriam ajudado à sustentação
económica das suas crianças se não tivesse surgido a barreira da conversão de Isabel.
Mesmo sabendo das dificuldades por que iriam passar, manteve-se firme na
decisão de viver segundo a fé católica. Então colocou-se ao serviço de um católico inglês,
chamado White, que, com a sua esposa, estava a tentar abrir uma escola para
crianças, nos subúrbios de Nova Iorque mas, estranhamente surgiu a notícia de
que a escola não poderia abrir. Alguns amigos, cheios de fé, arranjaram com que a Sra.
Seton pudesse abrir um internato para algumas crianças de uma escola
protestante, administrada pelo pastor da Igreja de São Marcos (St. Mark's
Church).
Em Janeiro de 1806, Cecilia Seton, a mais jovem
cunhada de Isabel, caiu gravemente doente e pediu para ver a cunhada convertida.
Então, Isabel foi visitá-la e tornou-se uma visita frequente.
Cecilia Seton confidenciou-lhe que, também, desejava
tornar-se católica. Quando foi conhecida a decisão de Cecília, Isabel foi
ameaçada para que deixasse o Estado de Nova Iorque. Quando a sua saúde lho
permitiu, Cecília abandonou a sua casa e refugiou-se junto de Isabel e foi
recebida na religião católica. Quando faleceu a esposa do seu irmão, Cecília
retornou à família. Entretanto, o internato para crianças, orientado por Isabel
Seton, foi obrigado a fechar. Ajudada por António Filicchi, Isabel enviou as suas
filhas para o Colégio Georgetown, onde estariam em segurança e onde fariam os
seus estudos. Isabel decidiu partir para o Canadá, onde esperava
encontrar refúgio e serenidade em algum Convento e onde os seus serviços de
pedagoga ajudassem a sustentar as suas três filhas. Porém, o bispo Caroll não
aprovou este projecto e, então, Isabel abandonou este seu plano. O padre Dubourg,
do Seminário de Santa Maria de Baltimore, no Maryland, encontrou-a em Nova Iorque
e sugeriu-lhe a abertura de uma escola para as crianças daquela cidade. Então,
Isabel e as suas filhas partiram para Baltimore, onde chegaram no dia da Festa
do Corpo de Deus de 1808. De toda a região, vinham alunos para estudar no
Colégio St. Mary. Isabel abriu uma pequena escola, próximo da capela do
Seminário de Santa Maria. Isabel ficou imensamente feliz por poder praticar a
sua religião: agora tinha inteira liberdade, podia participar na eucaristia e
na comunhão diárias.
Desde a sua estada em Itália, Isabel sonhava com a
vida religiosa. Agora podia fazer essa experiência no recolhimento da sua casa.
Assumiu, praticamente, a vida de uma religiosa. Inspirada nas roupas usadas por
certas freiras italianas, começou a vestir-se de um modo diferente. “Roupas
esquisitas” comentavam as pessoas da cidade. Nessa altura, Cecilia Conway, de Filadélfia, pensava
ir para a Europa para responder ao anseio do seu coração de se fazer religiosa.
Ouvindo falar do projecto de Isabel Seton, veio juntar-se a ela. Mais tarde, chegaram
outras jovens que assumiram responsabilidades nesta nova ‘comunidade religiosa’.
Entretanto, a pequena escola encheu-se de alunos e não podia acomodar mais.
O Sr. Cooper, um convertido e seminarista do Estado da
Virgínia, tendo ouvido falar da obra de Isabel Seton, ofereceu 10.000 dólares
para que Isabel fundasse uma instituição para ensinar crianças pobres.
Com esse dinheiro, Isabel comprou um terreno perto de
Emmitsburg e a cerca de três quilómetros do Colégio St. Mary. Enquanto isso,
Cecilia Seton e a sua irmã Harriet resolveram juntar-se a Isabel, em Baltimore.
Como primeira medida para a formação da futura
comunidade religiosa, Isabel e a sua filha, Ana, fizeram votos de pobreza,
castidade e obediência, privadamente, perante o Arcebispo Carroll. Em Junho de
1808, a comunidade religiosa foi transferida para Emmitsburg. O grande fervor e
mortificação de Madre Seton, imitado pelas suas Irmãs, transformou as dificuldades,
problemas e sofrimentos em raios de luz para a pequena comunidade nascente. Em Dezembro de 1809, faleceu Harriet Seton, também
convertida ao catolicismo; em Abril do ano seguinte, faleceu Cecília Seton. Em 1810, por intermédio do Bispo Flaget, foi pedida a
vinda, de França, das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, para ajudar a
alicerçar a regra e o espírito de São Vicente de Paulo nesta pequena
comunidade. Disponibilizaram-se para esta missão três Irmãs francesas; porém,
Napoleão proibiu-as de deixar a França. Por isso, as constituições desta
comunidade, inspiradas em São Vicente de Paulo e com algumas alterações em
relação à regra das Irmãs de França, foram aprovadas pelo Arcebispo Caroll, em
Janeiro de 1812.
Contra a sua vontade, porque queria dedicar-se ao
cuidado das crianças, Isabel foi eleita superiora da nova congregação. Muitas jovens
juntaram-se à comunidade. No dia 12 de Março de 1812, Ana Seton - filha da
Madre Isabel Seton, que tinha aderido à congregação - morreu durante o noviciado.
O Arcebispo Carrol permitiu que, no seu leito de morte, Ana fizesse os seus
votos de religiosa.
Em 19 de Julho de 1813, dezoito irmãs fizeram os seus
votos. O fervor da comunidade granjeou a admiração de todos. A escola para
meninas prosperou e contribuiu para a sustentação das Irmãs e para a ajuda aos
mais pobres.Em 1814, as Irmãs foram convidadas a cuidar de um
asilo-orfanato, em Filadélfia; em 1817, foram enviadas para Nova Iorque.Isabel tinha grande facilidade em escrever. Escreveu
os seus diários e muita correspondência que mostram uma alma toda em chamas
pelo amor de Deus e zelo pelas almas. Nesta sua caminhada espiritual e ascética
foi acompanhada pelo padre Bruti, depois Bispo e declarado Beato, pela Igreja
Católica. A sua transparente sinceridade e o seu grande encanto ajudaram-na,
maravilhosamente, no trabalho de santificação das almas. No dia da sua morte, Isabel
alimentou-se, unicamente, com um cálice de vinho do Porto. Nos momentos que
antecederam o desenlace, Isabel começou, ela mesma, as orações para a sua morte.
Uma de suas Irmãs, sabendo como ela gostava de francês, rezou o Glória e o Magnificat
em francês com ela.
Isabel faleceu com 46 anos de idade, às primeiras
horas do dia 4 de Janeiro de 1821, acometida de tuberculose. As suas últimas
palavras foram: "Sejam filhas da Igreja", ditas como conselho para as
suas seguidoras. A Irmã Isabel Seton está sepultada na sede da Congregação, em
Emmitsburg, Maryland, na Basílica a ela dedicada.
Em 1880, o Cardeal Gibbons (então Arcebispo) começou a
preparar a causa da sua canonização.
A comunidade religiosa fundada pela Madre Isabel Seton
observa as regras que São Vicente de Paulo tinha elaborado. Encontram-se
espalhadas por 30 dioceses dos Estados Unidos, e fazem parte da Sociedade das
Irmãs da Caridade, espalhadas por todo o mundo.Isabel Ana Seton, fundadora das Irmãs da Caridade, de
São Vicente de Paulo, nos Estados Unidos, foi beatificada, no dia 17 de Março
de 1963, pelo Papa João XXIII, e canonizada na Basílica de São Pedro, Roma, no
dia 14 de Setembro de 1975, pelo Papa Paulo VI.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 4 de
Janeiro.
