SANTA
JULIANA FALCONIERI
Juliana Falconieri nasceu em 1270. Era filha de
Caríssimo Falconieri e Ricordata. O seu pai era irmão de Alexis Falconieri,-
depois declarado santo - um dos fundadores dos Servitas. Caríssimo era muito
rico; tinha muito jeito e habilidade comercial. Temendo não ter ganhado honestamente
as suas posses, pediu ao Papa Urbano IV a absolvição geral e empregou os seus
haveres em boas obras. Já era muito idoso, quando lhe nasceu a filha, Juliana.
As primeiras palavras que a menina pronunciou foram ‘Jesus’ e ‘Maria’.
Pronunciava-as tão frequentemente, que a ama muito se admirava e a sua piedosa
mãe olhava-a com imensa alegria. Juliana perdeu o pai pouco depois; apenas se
lembrava de tê-lo visto. Muito mais tempo conservou o seu bem-aventurado tio
Alexis, que foi seu pai, na piedade.
O bem-aventurado Alexis dizia à sua cunhada que ela
tinha dado à luz não uma menina, mas um anjo. À medida que crescia, Juliana
ocupava-se muito mais com os exercícios de devoção que lhe ensinava o santo
tio, do que com os afazeres das mulheres, a que a sua mãe se empenhava em
habituá-la. Em lugar de manejar as agulhas e o fuso, construía pequenos
altares, lia livros de piedade, cantava louvores a Nossa Senhora e recitava muitas
orações. A sua mãe ralhava com ela, dizendo-lhe que se não soubesse cuidar das
tarefas domésticas, dificilmente encontraria um marido. Juliana contentava-se
em responder: ‘Quando vier o tempo, a santa Virgem providenciará’.
Com o decorrer dos anos, Juliana tornou-se numa jovem
muito bela e muito virtuosa. A sua mãe alimentava a esperança de a ver casada com
alguém que fosse de nobre família. Muitas vezes, falava disso com o pessoal da
casa. Mas Juliana tinha outros pensamentos e outros projectos. Entretanto, Caríssimo
morreu algum tempo depois.
Com 14 anos, em 1284, Juliana recebeu o hábito da
Ordem Terceira dos Servos de Maria (chamados de “Servitas”), que lhe foi
entregue por Filipe Benício, mais tarde canonizado. Meditou piedosamente,
durante o ano da provação, nos mistérios escondidos no seu hábito de Terceira
Servita: a túnica negra lembrava-lhe a tristeza de Maria, no Calvário, e a
grandeza do seu martírio diante dos sofrimentos do seu filho; o cinto de
cabedal lembrava-lhe a pele do Salvador dilacerada pelos açoites, pelos pregos
e pela lança; o véu branco, a pureza da Virgem; a coroa, os louvores que lhe
foram rendidos pelo Arcanjo; o livro sugeria-lhe as meditações sobre a paixão
de Jesus Cristo; o manto recordava-lhe a protecção da mão de Deus, a quem se alegrava
de pertencer; o círio, a lâmpada acesa que devia ter sempre pronta, como virgem
prudente, para ir ao encontro do esposo. Meditando, assim, sobre o seu piedoso
hábito, Juliana foi uma edificação constante para a mãe, para a sua família e para
todas as irmãs. No ano seguinte, em 1285, foi, também, na presença deste homem
bom e santo, Filipe Benício, que fez a sua profissão religiosa. Pouco tempo,
Frei Benício faleceu, e recomendou-lhe que cuidasse de toda a Ordem mas, sobretudo
do ramo feminino.
A lembrança deste santo homem despertava nela, de dia
para dia, um maior desejo de perfeição. Embora, continuando a viver com a sua
mãe, Juliana fazia muita penitência: jejuava às quartas e sextas-feiras, não
recebendo senão a santa comunhão; aos sábados, comia apenas um pouco de pão e
tomava água, e passava o dia a contemplar as Sete Dores de Maria; na
sexta-feira dedicava-se a contemplar os mistérios da Paixão do Senhor, em honra
dos quais se flagelava até ao sangue.
Depois da morte da sua mãe, dedicou-se a reunir as
jovens que, querendo consagrar-se a Deus como ela, ainda viviam nas casas das
suas famílias. Uma vez todas instaladas na casa, ela própria quis pedir a
admissão, de pés nus e com uma corda ao pescoço, batendo à porta.
O papa Bento XI, em 1304, declarou esta Congregação uma
verdadeira Ordem religiosa. Dois anos mais tarde, Juliana aceitou ser a superiora
da Ordem. Tendo viva consciência de que aquele que ocupa o primeiro lugar deve
ser o servo dos outros, procurava sempre os trabalhos mais humildes. Dormia
pouco, estendida sobre chão nu. As suas orações, que chegavam a durar o dia
inteiro, deram-lhe força e coragem para resistir às mais terríveis tentações.
Pacificou discórdias civis; interessou-se pelos pobres
e pelos doentes, que ela curava pelo contacto das suas mãos.
No fim da sua vida, por causa de uma doença do estômago,
não podia receber nenhum alimento algum, nem mesmo a sagrada comunhão. Na hora
da morte, não podendo receber o viático, suplicou ao padre Tiago de Campo Regio
que, ao menos, trouxesse o cibório para a sua cela. Então, deitando-se por
terra e com os braços em cruz, pediu que estendessem um corporal sobre o seu
peito e que a santa hóstia fosse aí depositada. Consta que aconteceu algo de
extraordinário: assim que a hóstia foi depositada sobre o seu peito, desapareceu
misteriosamente e Juliana morreu dizendo: “Meu doce Jesus”! Era o dia 19 de Junho
de 1341.
Quando lavavam o seu corpo, preparando-o para ser
sepultado, viram sobre o seu coração, a marca de uma hóstia, como um selo, e com
a imagem de Jesus crucificado. O Senhor, que ela tanto desejara receber,
tinha-a escutado para além de toda esperança. Em memória desse milagre, as
“Mantellate” (assim foram apelidadas as Irmãs Servitas) trazem, sobre o lado
esquerdo do escapulário, a imagem de uma hóstia. Seu corpo é venerado em
Florença, na basílica da Santíssima Anunciada.
Juliana Falconieri foi proclamada santa pelo Papa
Clemente XII, em 1737.
A memória litúrgica de Santa Juliana Falconieri faz-se
no dia 19 de Junho.
