PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Ouvistes que foi dito aos antigos…Eu, porém, digo-vos” (cf. Mateus 5, 21-22) O Evangelho de hoje (cf. Mt 5,17-37) é tirado do “Sermão da Montanha” e trata o tema do cumprimento da Lei: como devo cumprir a Lei, como fazer. Jesus quer ajudar os seus ouvintes a ter uma abordagem justa das prescrições dos Mandamentos, dados a Moisés, exortando-os a estarem disponíveis para Deus que nos educa na verdadeira liberdade e responsabilidade através da Lei. Trata-se de a viver como um instrumento de liberdade. Não esqueçamos isto: viver a Lei como um instrumento de liberdade, que me ajuda a ser mais livre; que me ajuda a não ser escravo das paixões e do pecado. Pensemos nas guerras; pensemos nas consequências das guerras; pensemos naquela menina que morreu de frio na Síria, anteontem. Muitas calamidades, muitas!... Este é o resultado das paixões e as pessoas que fazem a guerra não sabem dominar as suas paixões. Não cumprem a Lei. Quando cedemos às tentações e paixões, não somos senhores nem protagonistas da nossa vida, mas tornamo-nos incapazes de a gerir com vontade e responsabilidade. O discurso de Jesus está estruturado em quatro antíteses, expressas com a fórmula «Ouvistes o que foi dito... Eu, porém, digo-vos». Estas antíteses referem-se a tantas situações da vida diária: assassínio, adultério, divórcio e juramentos. Jesus não supri-me as prescrições relativas a estes problemas, mas explica o seu pleno significado e indica o espírito com que devem ser observadas. Ele encoraja-nos a passar da observância formal da Lei para uma observância substancial, aceitando a Lei no coração, que é o centro das intenções, decisões, palavras e gestos de cada um de nós. Do coração partem as boas e as más acções. Ao aceitar a Lei de Deus, no coração, entendemos que quando não amamos o próximo, de algum modo matamo-nos a nós mesmos e aos outros, porque o ódio, a rivalidade e a divisão matam a caridade fraterna que está na base das relações interpessoais. E isto é válido para o que eu disse sobre as guerras e também para a tagarelice, porque a língua mata. Ao aceitar a Lei de Deus, no coração, compreende-se que os desejos devem ser guiados, porque nem tudo o que se deseja pode ser obtido, e não é bom ceder a sentimentos egoístas e possessivos. Quando se aceita a Lei de Deus, no coração, compreende-se que se deve abandonar um estilo de vida feito de promessas não mantidas, assim como passar da proibição do perjúrio à decisão de não jurar nada, assumindo a atitude de plena sinceridade com todos. Jesus está consciente de que não é fácil viver os Mandamentos de uma forma tão abrangente. Por isso, oferece-nos a ajuda do seu amor: Ele veio ao mundo não só para cumprir a Lei, mas também para nos conceder a sua Graça, para que possamos fazer a vontade de Deus, amando-o e amando os nossos irmãos. Tudo, tudo podemos fazer com a graça de Deus! Aliás, a santidade mais não é do que guardar esta gratuitidade que Deus nos deu, esta Graça. Trata-se de confiar e recomendar-se a Ele, à Sua Graça, àquela gratuitidade que Ele nos concedeu e aceitar a mão que Ele nos estende constantemente, para que os nossos esforços e os nossos necessários compromissos sejam sustentados pela Sua ajuda, cheia de bondade e misericórdia. Hoje, Jesus pede-nos para progredirmos no caminho do amor que Ele nos indicou e que parte do coração. Este é o caminho a seguir para viver como cristãos. Que a Virgem Maria nos ajude a seguir o caminho traçado pelo seu Filho, para alcançarmos a verdadeira alegria e difundirmos a justiça e a paz por toda a parte. (cf. Papa Francisco, na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro, Roma, no dia 1 de Fevereiro de 2020)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

SANTOS POPULARES


BEATO FRANCISCO PACHECO

Francisco Borges Pacheco nasceu na Quinta de Barrô, Correlhã, em Ponte de Lima, Portugal, em 1565. Era filho de Garcia Lopes Pacheco e de Maria Borges de Mesquita, fidalgos de nobre linhagem. Aos 10 anos de idade, ao saber que o seu tio, o Padre Diogo de Mesquita, irmão da sua mãe, tinha sido martirizado no Japão, ficou de tal forma entusiasmado que fez a promessa de seguir o seu exemplo.
Com 20 anos, entrou na Companhia de Jesus e tomou o hábito, em Coimbra, no dia 30 de Dezembro de 1585. Em 1592, sendo ainda estudante de filosofia, partiu para a Índia, onde, em Goa, foi ordenado sacerdote. Em Macau, exerceu as funções de Provincial e Reitor do Colégio de Macau e ensinou teologia. Depois, partiu para o Japão. Em 1604, já ele estava no Japão, donde teve de fugir, duas vezes, devido ao clima de perseguição que aí se vivia. No Japão, desempenhou um trabalho extraordinário na organização da Igreja Local, quer como construtor de comunidades de base, quer como Administrador Apostólico da sua Diocese. Todo o seu fervor missionário esteve orientado para a evangelização dos japoneses. Mas, uma cruel perseguição contra a comunidade cristã, promovida pelo Xogun, remeteu-a às catacumbas, levando o Padre Francisco a passar, também, à clandestinidade, esperando que a situação se alterasse. A vida deste missionário passou a ser marcada pela permanente expectativa do martírio, por causa da sua fé e do seu amor a Jesus. No auge da perseguição, em 1626, foi preso e levado para Nagasáqui onde foi condenado à morte. Morreu queimado, em fogo lento, no dia 20 de Junho de 1626.
Numa das suas últimas cartas, escreveu: “Estamos todos já muito cansados e cortados, dos trabalhos desta perseguição; porém, as esperanças de nos caber alguma boa sorte de martírio nos animam e fazem continuar, e fazer da fraqueza forças, esperando nessa hora em que nos caiba a ditosa sorte”.
Depois da breve abertura ao mundo e à civilização ocidental, o Japão voltou a fechar-se ao exterior, mergulhando num profundo isolamento.
A evangelização do Japão deixou marcas profundas na população. A Igreja da clandestinidade, mesmo na ausência de missionários e de sacerdotes, continuou a viver o seu amor e a sua fé em Jesus, mesmo frente à perseguição e ao martírio.
Quando, em 1854, o Japão se viu forçado a abrir-se ao relacionamento internacional, abrindo os seus portos às potências ocidentais, o regresso dos missionários encontrou comunidades cristãs vivas, organizadas, dinâmicas no testemunho de Cristo. A semente deixada pelos missionários, sobretudo os missionários portugueses, tinha dado muito fruto.
Com a abertura, sucederam-se os acordos, os tratados, a cooperação. As embaixadas que, na altura, abriram as suas portas no Japão, constataram a existência de uma prática regular, embora oculta e retraída, dos preceitos cristãos, de recitações e cânticos em português antigo, deturpado mas reconhecível, e a veneração de medalhas, legendadas em português, distribuídas há mais de duzentos anos e, zelosamente, conservadas de geração em geração.
O Padre Francisco Borges Pacheco foi um dos responsáveis por esta extraordinária presença da fé cristã, no Japão.

O Padre Francisco Pacheco, mártir da fé cristã, no Japão, foi beatificado, no dia 7 de Julho de 1867, pelo Papa Pio IX. A sua memória litúrgica celebra-se no dia 20 de Junho.