BEATO
FRANCISCO PACHECO
Francisco Borges Pacheco nasceu na Quinta de Barrô,
Correlhã, em Ponte de Lima, Portugal, em 1565. Era filho de Garcia Lopes
Pacheco e de Maria Borges de Mesquita, fidalgos de nobre linhagem. Aos 10 anos
de idade, ao saber que o seu tio, o Padre Diogo de Mesquita, irmão da sua mãe,
tinha sido martirizado no Japão, ficou de tal forma entusiasmado que fez a promessa
de seguir o seu exemplo.
Com 20 anos, entrou na Companhia de Jesus e tomou o
hábito, em Coimbra, no dia 30 de Dezembro de 1585. Em 1592, sendo ainda
estudante de filosofia, partiu para a Índia, onde, em Goa, foi ordenado
sacerdote. Em Macau, exerceu as funções de Provincial e Reitor do Colégio de Macau
e ensinou teologia. Depois, partiu para o Japão. Em 1604, já ele estava no
Japão, donde teve de fugir, duas vezes, devido ao clima de perseguição que aí
se vivia. No Japão, desempenhou um trabalho extraordinário na organização da
Igreja Local, quer como construtor de comunidades de base, quer como
Administrador Apostólico da sua Diocese. Todo o seu fervor missionário esteve
orientado para a evangelização dos japoneses. Mas, uma cruel perseguição contra
a comunidade cristã, promovida pelo Xogun, remeteu-a às catacumbas, levando o
Padre Francisco a passar, também, à clandestinidade, esperando que a situação
se alterasse. A vida deste missionário passou a ser marcada pela permanente
expectativa do martírio, por causa da sua fé e do seu amor a Jesus. No auge da
perseguição, em 1626, foi preso e levado para Nagasáqui onde foi condenado à
morte. Morreu queimado, em fogo lento, no dia 20 de Junho de 1626.
Numa das suas últimas cartas, escreveu: “Estamos todos
já muito cansados e cortados, dos trabalhos desta perseguição; porém, as
esperanças de nos caber alguma boa sorte de martírio nos animam e fazem
continuar, e fazer da fraqueza forças, esperando nessa hora em que nos caiba a
ditosa sorte”.
Depois da breve abertura ao mundo e à civilização
ocidental, o Japão voltou a fechar-se ao exterior, mergulhando num profundo
isolamento.
A evangelização do Japão deixou marcas profundas na
população. A Igreja da clandestinidade, mesmo na ausência de missionários e de
sacerdotes, continuou a viver o seu amor e a sua fé em Jesus, mesmo frente à
perseguição e ao martírio.
Quando, em 1854, o Japão se viu forçado a abrir-se ao
relacionamento internacional, abrindo os seus portos às potências ocidentais, o
regresso dos missionários encontrou comunidades cristãs vivas, organizadas,
dinâmicas no testemunho de Cristo. A semente deixada pelos missionários,
sobretudo os missionários portugueses, tinha dado muito fruto.
Com a abertura, sucederam-se os acordos, os tratados,
a cooperação. As embaixadas que, na altura, abriram as suas portas no Japão,
constataram a existência de uma prática regular, embora oculta e retraída, dos
preceitos cristãos, de recitações e cânticos em português antigo, deturpado mas
reconhecível, e a veneração de medalhas, legendadas em português, distribuídas
há mais de duzentos anos e, zelosamente, conservadas de geração em geração.
O Padre Francisco Borges Pacheco foi um dos
responsáveis por esta extraordinária presença da fé cristã, no Japão.
O Padre Francisco Pacheco, mártir da fé cristã, no
Japão, foi beatificado, no dia 7 de Julho de 1867, pelo Papa Pio IX. A sua
memória litúrgica celebra-se no dia 20 de Junho.
