BEATA
TARCÍSIA MACKIV
Olga Mackiv nasceu no dia 23 de Março de 1919, na aldeia de
Khodoriv, na região ucraniana de Lviv. Educada cristãmente, no seio da sua
família, ao chegar à juventude sentiu-se chamada à vida religiosa. Com 18 anos
de idade, no dia 3 de Março de 1938, entrou para o Instituto das Irmãs Servas
de Maria Imaculada.
Dois anos e meio depois, no dia 5 de Novembro de 1940, fez os
seus primeiros votos e recebeu o nome religioso de Tarcísia. Destinada para
Priora do convento de Krystynopil, na Polónia, exerceu essa missão com piedade
e determinação. Entretanto os comunistas apoderaram-se de todo o país. A Irmã
Tarcísia fez um voto privado, na presença de seu director espiritual, o Padre
Volodomyr Kovalyk, aceitando sacrificar a sua própria vida para a conversão da
Rússia e para o bem da Igreja Católica.
Na manhã de 17 de Julho de 1944, a Irmã Tarcísia e as suas
companheiras tiveram de se refugiar nas caves do Mosteiro, por causa de um
intenso bombardeamento das forças soviéticas.
No dia seguinte, um soldado soviético tocou à campainha. A Irmã
Tarcísia correu para abrir a porta, pensando que seria o capelão, de quem
estavam à espera. Quando abriu a porta, o soldado olhou para ela e disparou à
queima-roupa, matando-a de imediato. No outro dia, o militar voltou ao Mosteiro
e confessou, com toda a naturalidade, que tinha disparado contra a Irmã
Tarcísia pelo facto de ser uma monja católica.
A Irmã Tarcísia - Olga Mackiv - foi
beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 27 de Junho de 2001, juntamente com
outras 24 vítimas do regime soviético, de nacionalidade ucraniana, durante a
sua visita à Ucrânia. Na Homilia da Missa,
no Hipódromo de Lviv, o
Santo Padre disse: “… Os servos de Deus, hoje inscritos no Álbum dos Beatos,
representam todas as componentes da Comunidade eclesial: entre eles,
encontram-se Bispos e sacerdotes, monges, monjas e leigos. Eles foram provados
de muitas maneiras por parte dos seguidores das ideologias nefastas do nazismo
e do comunismo. Consciente dos sofrimentos a que eram submetidos estes fiéis
discípulos de Cristo, o meu Predecessor Pio XII, com solícita participação,
manifestava a sua solidariedade àqueles "que perseveram na fé e resistem
aos inimigos do cristianismo com a mesma invencível fortaleza com que
resistiram outrora os seus antepassados" e louvava a sua coragem por terem
permanecido "fielmente unidos ao Romano Pontífice e aos seus
pastores" (Carta apostólica Orientales Ecclesias, 15 de Dezembro de 1952;
AAS 45 [1953], 8).
Amparados pela graça divina, eles
percorreram até ao fim o caminho da vitória. É um caminho que passa através do
perdão e da reconciliação; caminho que conduz à luz resplandecente da Páscoa,
depois do sacrifício do Calvário. Estes nossos irmãos e irmãs são os
representantes conhecidos de uma multidão de heróis anónimos homens e mulheres,
maridos e esposas, sacerdotes e consagrados, jovens e idosos que no decurso do
século XX, o "século do martírio", enfrentaram a perseguição, a
violência e a morte para não renunciar à sua fé.(…) Com eles também foram
perseguidos e mortos, por causa de Cristo, cristãos de outras Confissões. O seu
martírio comum é um forte apelo à reconciliação e à unidade. É o ecumenismo dos
mártires e das testemunhas da fé, que indica o caminho da unidade aos cristãos
do século XXI. Que o seu sacrifício seja uma lição concreta de vida para todos.
Não se trata, sem dúvida, de uma tarefa fácil. Ao longo dos últimos séculos,
acumularam-se demasiados estereótipos de pensamento, muitos ressentimentos
recíprocos e demasiada intolerância. O único meio para desimpedir este caminho
é esquecer o passado, pedir e oferecer o perdão uns aos outros pelas ofensas
feitas e recebidas, e confiar sem limites na acção renovadora do Espírito
Santo.
Estes mártires ensinam-nos a fidelidade
ao duplo mandamento do amor: amor a Deus, amor aos irmãos…”
A sua memória litúrgica celebra-se no
dia 18 de Julho.
