SÃO DOMINGOS
DE GUSMÃO
Domingos era filho de Joana de Aza e de Félix de
Gusmão. Nasceu, no dia 24 de Junho de 1170, em Caleruega, Burgos, na zona de
fronteira do Reino de Castela. Os seus pais pertenciam à pequena nobreza
guerreira, encarregada de assegurar as praças militares da fronteira com o sul,
dominado ainda pelos muçulmanos.
Domingos teve, desde cedo, o desejo da vida religiosa.
Em 1189, foi estudar para Palência, tornando-se, após a conclusão dos estudos, em
1196, membro do cabido da sua diocese natal, Osma.
Em 1203, o rei de Castela pediu ao bispo de Osma que
fosse negociar e trazer uma princesa da Dinamarca para se tornar esposa do seu
filho. Domingos foi escolhido para ser o companheiro de viagem do seu bispo,
Diogo. Durante a viagem, Domingos ficou impressionado com o desconhecimento da
doutrina cristã dos povos da Europa do norte, tornando-se-lhe evidente que era necessário
ir evangelizar aqueles povos.
Em 1205, Domingos e Diogo, para a conclusão do objectivo
inicial da viagem, realizaram nova missão ao norte da Europa, tendo também efectuado
uma peregrinação a Roma e a Cister. No sul de França, junto de Montpellier,
encontraram os legados do Papa que pregavam contra as heresias dos Albigenses,
ou Cátaros. A Igreja demonstrou grande paciência com este grupo, procurando
chamá-lo ao caminho da verdadeira fé. De 1119 - quando a heresia foi condenada
no Concílio de Toulouse - até 1179, Roma enviou pregadores para a região, sem
obter muito sucesso. Diogo e Domingos, perante a evidência das dificuldades
sentidas na missão dos legados papais, convencem-nos a adoptar uma estratégia
de simplicidade, ao estilo apostólico, e mendicante, pois que os Legados, até
aí, deslocavam-se com grande pompa, criados, e riquezas. Os Legados deixam-se
convencer, despachando para casa tudo o que fosse supérfluo, na condição de que
Diogo e Domingos os acompanhassem e os dirigissem na missão. O Papa Inocêncio
III, descobrindo virtudes nesta nova forma de pregação, aprovou-a e mandou
Diogo e Domingos para a “santa pregação”. Diogo, sendo bispo, por razão das
suas responsabilidades e não podendo ficar muito mais tempo naquela região,
regressou à sua diocese, falecendo pouco tempo depois. Domingos continuou na
região, a maior parte das vezes, sozinho.
Em 1206, um grupo de mulheres - por si convertido do
catarismo - pediu-lhe apoio e ele encontrou uma casa para elas morarem, em
Prouille; deu-lhes uma regra de vida simples, de oração e de contemplação. Este
grupo veio a ser a primeira comunidade religiosa dominicana de monjas de
clausura. Domingos encarava esta comunidade como “ponto de apoio à santa
pregação”. Estas religiosas, por intermédio da oração, tornaram-se um grande apoio
espiritual à missão dos pregadores. Em 1208, Domingos encontrou-se
completamente sozinho na missão de pregar pelas localidades do sul de França.
Em 1210, estava na região de Toulouse, que foi palco de violentos combates
entre senhores feudais e heréticos cátaros.
Em 1214, em Carcassonne, Domingos assistiu às duras
batalhas entre as duas partes. Aqui, começou a juntar um pequeno grupo de
companheiros que com ele adoptam a vida de pregadores itinerantes. No mesmo
ano, tornou-se pároco de Fanjeaux, localidade junto de Prouille e da sua
comunidade feminina.
Em 1215, em Toulouse adoptou uma regra de vida para a
sua comunidade de pregadores, obtendo a aprovação do Bispo local. No entanto, o
seu objectivo era criar uma ordem religiosa que não ficasse limitada a um
local, a uma diocese, mas que tivesse um mandato geral, de forma a poder actuar
em todos os territórios onde fosse necessária a evangelização. Dirigiu-se,
nesse mesmo ano, a Roma, onde decorria o Concílio de Latrão. Queria obter o
reconhecimento da sua Ordem. No entanto, o Concílio, perante tantos e
diferentes novos movimentos que surgiram um pouco por todo lado, e para evitar
a anarquia, decidiu proibir o surgimento de novas ordens religiosas.
Aconselhado pelo Papa, e de regresso a Toulouse,
Domingos e os seus companheiros estudam as várias Regras de vida religiosa já
existentes e optam pela Regra de Santo Agostinho. Entretanto, o Papa Inocêncio
III morreu e Honório III tornou-se Papa. O novo Papa era um admirador e amigo
de Domingos e dos seus pregadores. Em 1216, Domingos voltou a Roma com a sua
Regra e, a seu pedido, o Papa pediu à Universidade de Paris o envio a Toulouse
de alguns professores, destinados ao ensino e à pregação. Entretanto, o Papa
confirmou a regra da Ordem dos Pregadores, como religiosos “totalmente
dedicados ao anúncio da palavra de Deus”. Após o reconhecimento da Ordem,
Domingos enviou os seus primeiros discípulos, dois a dois, a fundar novas
comunidades em Paris, Bolonha, Roma e em Espanha. Domingos acreditava que
apenas o estudo profundo da Bíblia poderia dar os meios necessários para uma
pregação eficaz. Assim, enviou os seus irmãos para as principais cidades
universitárias do seu tempo, para adquirem os conhecimentos necessários e, ao
mesmo tempo, agirem e recrutarem novos membros entre as camadas estudantis e
intelectuais do seu tempo.
Em 1218, Domingos estava em Roma, a visitar as novas
casas. Depois dirigiu-se para a Península Ibérica, onde um dos seus primeiros
companheiros, o português Soeiro Gomes, tinha fundado algumas casas. No início
de 1219, Domingos foi a Paris e, em seguida, regressou a Itália.
Em 1220, reuniu, em Bolonha, o primeiro Capítulo da
Ordem, onde foram feitas algumas alterações às constituições canónicas.
Estiveram presentes dezenas de frades, vindos de muitos pontos distantes da
Europa. Foi adoptado o modelo de governo democrático, pelo qual todos os
superiores de casas são eleitos por todos os membros da comunidade. Em 1221,
fundou, em Roma, o convento de monjas de São Sisto e realizou o segundo
Capítulo da Ordem, que decidiu organizar a Ordem em províncias. O modelo
democrático estendeu-se a toda a Ordem, determinando que em cada Capítulo Geral
participariam, por direito, os Priores Provinciais e os delegados eleitos por
todas as comunidades, sendo que o Mestre-geral da Ordem dos Pregadores é também
eleito. Foram enviados irmãos pregadores para Inglaterra, a Escandinávia, a Polónia,
a Hungria e a Alemanha.
Completamente desgastado pelo esforço, Domingos de
Gusmão morreu no dia 6 de Agosto de 1221, em Bolonha. Foi canonizado no dia 2
de Julho de 1234, em Roma, pelo Papa Gregório IX. A sua memória litúrgica
celebra-se no dia 8 de Agosto.
