BEATA
CECÍLIA EUSEPI
Cecilia Eusepi nasceu em Monte Romano, uma pequenina
cidade da província de Viterbo, Itália, no dia 17 de Fevereiro de 1910,
festividade dos Sete Santos Fundadores da Congregação dos Servos de Maria.
Foi a última filha de António Eusepi e de Paulina
Mannucci, pobres de bens da terra, mas ricos de fé, de simplicidade e de
bondade. Este casal exemplar teve onze filhos. Cecília foi baptizada no dia 26
de Fevereiro, na Igreja da Paróquia do Espírito Santo, pelo Padre Hugo
Fulignoli. Ficou órfã muito cedo. O seu pai, ao morrer, confiou-a ao cuidado do
tio materno, Filipe Mannucci, que foi para ela um verdadeiro pai, cheio de
ternura e de bondade.
A sua família foi viver para Nepi, uma antiga cidadezinha
da Túscia, a cerca de quarenta quilómetros de Roma. Nessa época, era uma
cidadezinha tranquila, pacata, com os dinamismos de uma cidadezinha rural. Com
a mãe viúva e o tio materno estabeleceram-se a três quilómetros da aldeia, numa
propriedade chamada “La Massa” que pertencia aos Duques Lante della Rovere,
onde o tio trabalhava como caseiro.
Muito vivaz e sensível, cresceu rodeada de um
particular afecto, principalmente por parte do tio. Aos seis anos, como muitas
meninas do povoado, foi mandada para a escola do Mosteiro Cisterciense de Nepi,
que hospedava, na comunidade, as órfãs de guerra. Pela sua grande sensibilidade
e pela rapidez com que aprendia tudo o que lhe era ensinado, as monjas não
esconderam a esperança de, um dia, a terem como companheira dentro dos muros do
Mosteiro.
Mas, a vida monástica não atraía Cecília. A cem metros
do Mosteiro, ficava a Paróquia de São Ptolomeu, sob a responsabilidade dos
Padres da Congregação dos Servos de Maria, que tinha anexo o seminário, cheio
de jovens que se preparavam para ser sacerdotes missionários. À volta da Paróquia
de São Ptolomeu gravitava toda a vida juvenil da pequena cidade.
Concluída a escola primária, Cecília, como muitas
outras jovens, passava a maior parte do seu tempo ali; foi neste contexto que
amadureceu, precocemente e com surpreendente clareza, a sua vocação. Aos doze
anos, juntamente com outras colegas maiores, pediu para entrar como terciária
na ordem dos Servos de Maria e, no ano seguinte, apesar da tenra idade e das
tentativas para dissuadi-la, por parte dos familiares, obteve do bispo a
dispensa para entrar, como postulante, nas “Mantellates” Servas de Maria (uma
forma de introdução à consagração religiosa). Depois, foi estudar em Roma, em
Pistoia (na Toscana) e depois em Zara (actual Zadar, na Croácia).
Mas, o seu desejo de partir como missionária não nunca
se realizaria. Em Outubro de 1926, foi atingida pela uma doença que, dois anos
depois, a levaria à morte. Nesta circunstância, foi obrigada a voltar para
Nepi. A pedido do Pe. Gabriele Roschini, seu confessor, escreveu as suas
memórias e entregou-as em Junho de 1927, num caderninho de escola. Quem lê
aquela narração poderá, porventura, admirar-se com o modo infantil e
confidencial como Cecília fala da sua ligação de pertença a Jesus; mas toda a
sua sabedoria está neste ser criança abandonada à graça de Deus. Exactamente
como Santa Teresa de Lisieux. Ela mesma diz isso: “Chegarei a Jesus por um
pequeno atalho, breve, muito breve, que me foi traçado pela pequena Teresa do
Menino Jesus”.
Foi justamente a leitura da "História de uma
alma" que provocou em Cecília, ainda menina, o desejo de abraçar a vida
religiosa. Cecília ainda não tinha completado dez anos e Teresa de Lisieux ainda
não tinha sido proclamada santa. Mais tarde diria: “Jamais pensei em chamá-la
de irmã, embora tivesse notado entre a minha alma e a sua uma grande
semelhança, não pela correspondência à graça, mas pelos dons de graça que Jesus
nos concedeu”.
No dia 23 de Outubro de 1926, depois de voltar para
Nepi, iniciou, para Cecília, o último e breve percurso da sua vida, marcado
pela manifestação e agravamento progressivo da tuberculose. Este período tornou-se
ainda mais doloroso pela solidão do chamado por ela “exílio em La Massa”. Um
exílio sofrido pela consciência de não poder mais professar os votos, pelo
afastamento de Nepi e as calúnias por parte dos proprietários do local. Como
único conforto tinha a sua devoção filial a Nossa Senhora das Dores, que ela
chama o seu “coração”, e à Eucaristia, o seu “tesouro”. O Pe. Roschini ia, duas
vezes por semana, com qualquer condição de tempo, pontualmente, levar-lhe a
comunhão.
Não faltam, para romper o seu exílio, as frequentes
visitas dos camponeses, dos colegas da Acção Católica e dos jovens seminaristas
acompanhados pelos padres que, com frequência, pediam-lhe conselhos para as suas
homilias.
Nestes últimos anos, Cecília aprofundou a consciência
de que o seu caminho seria breve. Um “pequeno caminho”, como dizia ela, feito
de “humildade, abandono, amor”. Até o fim dos seus dias, sempre manifestou
sentimentos de simplicidade e de alegria. Faleceu cantando as orações a Maria,
que tinha aprendido quando era pequena. Era o dia 1 de Outubro de 1928. E
também esta data parece quase uma coincidência: Teresa de Lisieux morrera no dia
precedente, no dia 30 de Setembro de 1897. Em 1927, ano em que Teresa de
Lisieux foi proclamada, pelo Papa Pio XI, padroeira das missões, no dia 1 de Outubro,
Teresa apareceu num sonho de Cecília - assim está documentado no seu diário - preanunciando
a sua morte, exactamente para aquele dia.
Cecília desejava repousar para sempre na Igreja de São
Ptolomeu, aos pés do altar de Nossa Senhora das Dores, ali onde estava o seu
“coração”. E também este desejo lhe foi concedido durante a guerra: por temor
dos bombardeamentos, os frades decidiram transportar os seus restos mortais
para o interior da igreja. Naquela ocasião, foi feito um reconhecimento dos
seus restos e os presentes viram, com surpresa, que o seu corpo estava intacto
- assim como se encontra até agora - “e a pele era tão macia”, lembra Pe.
Pietro, pároco de São Ptolomeu, “que parecia que estava a dormir...”.
Esta é a história de uma jovem cristã. Não foi um génio;
não deixou obras. Nada de excessivo, nada de especial. Mas, a sua vida teve a
marca de um amor total e profundo a Jesus e a Maria.
Cecília Eusepi foi beatificada, no dia 17 de Junho de
2012, pelo Papa Bento XVI. A cerimónia realizou-se em Nepi, na Diocese de Civita Catellana, perto de Roma e foi
presidida, em nome do Papa, pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação
para as Causas dos Santos.
A memória litúrgica da Beata Cecília Eusepi celebra-se
no dia 1 de Outubro.
