SÃO PEDRO DE
ALCÂNTARA
Juan de Garabito y Vilela de Sanabria nasceu em Alcântara,
Espanha, em 1499, no seio de uma família nobre. O seu pai, Don Alonso Garabito,
homem de grande influência política e económica, era advogado e governador da
cidade; a sua mãe, Dona Maria Vilela y Sanabria, era de família nobre,
possuidora de uma forte personalidade e de grande virtude. Juan estudou na escola
local e, antes de concluir os seus estudos de filosofia, o seu pai faleceu, em
1507. Com a idade de 12 anos, o seu padrasto, Alonso Barrantes, envia-o para a
Universidade de Salamanca, para a continuar os seus estudos. Tornou um
estudante singular, pela sua aplicação às disciplinas académicas; pela sua
dedicação às pessoas mais carentes; pelas suas visitas aos doentes nos
hospitais e, sobretudo, pela sua constante inquietação acerca do sentido da sua
vida e de como consagrá-la a Deus de todo o coração. Durante as férias de
verão, não se interessava com os passeios costumeiros que via nos seus colegas,
mas passava o seu tempo a visitar os mosteiros e a sonhar em consagrar-se a
Deus. Porém, mas as formas de vida religiosa do seu tempo não o satisfaziam.
Então, pediu a Deus, incessantemente que lhe mostrasse o caminho a seguir. Um
dia, depois de terminar as aulas, estando em oração numa Igreja, viu entrar
alguns homens, todos com grande e extraordinária humildade de vida, vestidos de
castanho-escuro, com uma corda de três nós e "descalços". Como que
impelido pelo Espírito Santo, levantou-se rapidamente e dirigiu-se ao encontro
daqueles frades, conta-lhes a sua angústia e pede-lhes orientação para as suas
interrogações. Foi acolhido por Frei Francisco Fregenal da Custódia do Santo
Evangelho que o compreendeu e o ajudou a discernir a sua vocação. Então, Juan,
com 16 anos de idade, resolveu tornar-se "Franciscano Descalço". Abandonou
os estudos e, entrou, em 1515, no Convento de São Francisco de los Majarretes,
perto de Valência de Alcântara, entre Castela e Portugal. Como era costume na
época, adoptou o nome de Frei Pedro de Alcântara. Foi ordenado sacerdote, em
1524, com 25 anos de idade.
Em 1539, veio para Portugal para ajudar o seu parente,
Martim de Santa Maria Benavides, a reformar uma das mais significativas
províncias franciscanas. De 1542 a 1544, foi guardião e mestre de noviços, em
Palhais. Com a morte de Martim, em 1546, foi Frei Pedro de Alcântara quem deu
seguimento ao seu trabalho, sendo, por isso, muito apreciado pelo rei Dom João
III.
Fixou-se na Serra da Arrábida e, aí, ajudou a fundar
uma série de mosteiros para os chamados Arrábidos - ou Capuchos, noutras zonas
do país - nomeadamente o chamado Convento de Nossa Senhora da Arrábida. A regra
da comunidade foi escrita por ele, numa povoação ali perto, chamada Azeitão.
Em 1555, iniciou a reforma da Ordem dos Frades Menores
Capuchinhos, mediante as regras "alcantarinas", hoje conhecidas como
de "Estricta Observância". Mais tarde, alguns dos frades “Arrábidos” foram
colocados no Convento de Mafra, por Dom João V. Acabaram por ser expulsos de
Portugal, em 1834, a quando da implantação do liberalismo, com D. Pedro IV, sendo,
então, reintegrados na Ordem de São Francisco.
Foi um notável pregador e um grande místico, amigo e
confessor de Santa Teresa de Jesus (Santa Teresa de Ávila) a quem ajudou, em
1559, na tarefa de reforma da Ordem dos Carmelitas, juntamente com São João da
Cruz. Escreveu o "Tratado da Oração e Meditação" que terá sido lido
por São Francisco de Sales e inspirado a sua vida apostólica e actividade
pastoral.
Consta que Frei Pedro de Alcântara dormia muito pouco
e que, a maior parte das vezes, dormia sentado. Porque a maior parte do tempo
estava acordado, enquanto os frades seus irmãos dormiam, é considerado o padroeiro
dos adoradores nocturnos.
Frei Pedro de Alcântara foi beatificado, em Roma, pelo
Papa Gregório XV, no dia 18 de Abril de 1622 e canonizado pelo Papa Clemente IX,
no dia 28 de Abril de 1669.
A festa litúrgica de São Pedro de Alcântara é
celebrada no dia 18 de Outubro.
Em 1826, no 4º centenário da sua morte, São Pedro de
Alcântara foi declarado padroeiro do Brasil.
