BEATA MARIA
TUCI
Maria (ou Marije) Tuci nasceu na aldeia de Ndërfushaz,
em Mirditë, na Albânia, no dia 12 de Março de 1928. Era filha de Nicolau Mark
Tuci e de Dila Fusha.
Frequentou o ensino média-superior no colégio de
Scutari, das Irmãs do Instituto das Pobres Filhas das Santas Chagas, fundado em
Florença, Itália, pela Irmã Ana Lapini, cujo processo de beatificação está em
curso. A presença destas religiosas na Albânia remonta a 1879, quando, dezanove
anos depois da morte da sua fundadora, foram chamadas pelo padre franciscano
Giampiero de Bergamo a criar uma comunidade nesse país.
Com as Irmãs, Maria aprendeu não só as disciplinas
académicas, mas também a forma de estar ao lado do seu povo. Por este motivo,
pediu para ser admitida entre as suas aspirantes à vida religiosa.
Em 1946, com a sua companheira, Davida Markagjoni,
recebeu, de D. Frano Gjini, bispo de Shën Llezhri-Oroshit, actualmente Diocese
de Rrëshen a missão de ir como professora primária para a região de Gozan e
Sang. As duas jovens foram escolhidas pela sua tenacidade na defesa daquilo em
que acreditavam. Em pouco tempo, tiveram oportunidade de o demonstrar: num Estado
que se vangloriava de ser o primeiro estado do mundo completamente ateu, elas
procuravam manter viva, nos mais pequenos, a certeza da presença de Deus,
ensinando, secretamente, o catecismo.
Para proporcionar às crianças o material escolar,
Maria, frequentemente, pagava-o do seu próprio bolso. Além disso, juntamente
com outros jovens de escolas católicas e, também, com alguns seminaristas, começou
a distribuir panfletos contra a primeira eleição-farsa do regime. Para assistir
à missa, na cidade vizinha de Geziq, andava, todos os dias, cerca de seis ou
sete quilómetros.
No entanto, a perseguição - que já ameaçava os
católicos e não só - forçou as Irmãs do Instituto das Santas Chagas de origem
italiana a deixar o país ou a dispersar-se, uma vez que eram acusadas de
pertencerem a organizações do Estado Italiano conotadas como "fascistas".
Com base na documentação guardada na Cúria da
Arquidiocese de Scutari, sabe-se que no dia 11 de Agosto de 1949, ela – que
tinha regressado à sua casa paterna – foi presa: era a única mulher num grupo
de cerca de trezentas pessoas, entre as quais alguns familiares e conhecidos.
Alguns dias antes, em 7 de Agosto, tinha sido assassinado Bardhok Biba, secretário
do Partido Comunista, do Distrito de Mirditë: evidentemente, as autoridades
andavam à procura de um possível bode expiatório. Entre outras coisas, este
distrito era o único com uma população maioritariamente católica.
As condições em que Maria e os outros detidos se
encontravam – ela tinha sido condenada a três anos de prisão - foram relatados,
mais tarde: estavam numa cela sem luz e sem renovação de ar, onde a água da
chuva ensopava os colchões dos prisioneiros e onde a única maneira de se aquecerem
era amontoar-se uns por cima dos outros.
Privada de tudo, Maria foi levada da cela, vezes sem
conta, e torturada para que revelasse o nome do assassino de Biba: era fechada
num saco, sem roupa, juntamente com um gato enfurecido. Depois, o saco era
açoitado com varas e o gato arranhava e mordia o seu corpo indefeso.
Impressionado pela sua personalidade e beleza física, um dos membros da Polícia
Secreta, Hilmi Seiti, quis, à força, abusar dela. Maria, com uma coragem fora
do comum, resistiu decididamente, com todas as forças do seu corpo e do seu
espírito, confiando-se à protecção da Virgem Mãe. Então, as torturas foram
intensificadas até à exaustão.
Por causa dos vexames a que foi sujeita, Maria teve de
ser levada para o hospital civil de Scutari. No dia 22 de Agosto de 1950,
algumas das freiras e suas companheiras conseguiram permissão para a visitar:
estava tão desfigurada que mal a puderam reconhecer. À sua companheira Davida,
que fazia parte do seu grupo, disse: "Cumpriu-se a palavra de Hilmi Seiti:
‘Reduzir-te-ei a um estado tal que, até os teus familiares, não te
reconhecerão’... Agradeço a Deus porque morro livre”. Dois meses depois, no dia
24 de Outubro de 1950, Maria morreu, entregando a sua alma nas mãos de Deus.
Os seus restos mortais foram reconhecidos e
recolhidos, somente depois da queda do regime, por algumas Irmãs entre as que, de
volta à sua família ou dispersas pelas montanhas, tinham permanecido fiéis à
sua vocação e à sua consagração.
Em 1991, depois de algumas pesquisas, constatou-se
que, das cem Irmãs e postulantes que constituíam a Congregação, apenas vinte e
oito tinham perseverado. Estas foram enviadas para Itália a fim de serem
cuidadas. Aquelas que ainda não tinham emitido os seus votos puderam, finalmente,
fazê-lo.
Inicialmente enterrada no cemitério católico de
Scutari, Maria Tuci repousa, agora, na Igreja das Irmãs das Santas Chagas, em
Scutari.
Maria Tuci é a única mulher na lista dos 38 mártires
albaneses, da qual também faz parte o Bispo Frano Gjini, que serão beatificados
em Scutari, no próximo dia 5 de Novembro de 2016.
Em sua memória, o seu nome foi atribuído a um colégio
para raparigas, em Rreshen, e gerido pelas Irmãs Servas do Senhor e da Virgem
de Matará, o ramo feminino do Instituto do Verbo Encarnado.
A memória litúrgica da Beata Maria Tuci ficará marcada
para o dia 24 de Outubro.
