- ENCERRAMENTO VICARIAL DO ANO JUBILAR DA
MISERICÓRDIA
Como planeado, a
Vigararia de Santa Maria da Feira celebrou o encerramento do Ano da Misericórdia
com a Eucaristia de acção de graças e compromisso, presidida pelo Sr. D.
António Augusto, bispo-auxiliar do Porto.
A Igreja Matriz
da Feira estava repleta de fiéis. O canto litúrgico esteve ao cuidado do Coro
Litúrgico de Milheirós de Poiares. A celebração contou com a presença de
acólitos, diáconos e presbíteros que exercem o seu ministério nesta vigararia.
- NOTA PASTORAL DE D. ANTÓNIO FRANCISCO
DOS SANTOS,
BISPO DO PORTO
No
Ano Santo da Misericórdia, que estamos a viver, o Papa Francisco não esqueceu
nada nem ninguém. Bem pelo contrário, procurou integrar-nos a todos neste
movimento que a misericórdia de Deus abraça, envolve e anima.
Assim
se entende tudo quanto o Papa Francisco tem dito e tem feito em mensagens e em
gestos, ao longo deste ano. Assim se devem ler as suas palavras do passado dia
21 de Outubro, quando falava, em Roma, aos Membros do Congresso Internacional
da Pastoral Vocacional, promovido pela Congregação do Clero e os convidava a:
“sair, ver e chamar” (Discurso de 21.10.2016).
Aqui
radica, segundo o Papa Francisco, a pedagogia de uma pastoral vocacional pró-activa.
Diz-nos o Papa Francisco que a pastoral vocacional é, antes de mais e acima de
tudo, um convite ao encontro com o Senhor Jesus. Deve levar-nos a aprender o
estilo de Jesus, que passou pelos lugares da vida quotidiana daqueles que
chamou e passou sem pressa. Assim se deve compreender, também, a Semana dos
Seminários, que agora começa, sob o tema: Movidos pela misericórdia de Deus.
Convido,
por isso, toda a Diocese a fazer da Semana dos Seminários paradigma de todas as
semanas naquilo que à pastoral vocacional se reporta. Importa que interiorizemos
e integremos com criatividade na nossa acção pastoral esta dinâmica de quem sai
ao encontro das pessoas, das famílias e das comunidades; de quem cruza o olhar
atento e sem pressa com tantos jovens que hoje preenchem os nossos grupos
paroquiais e procuram horizontes de entrega, com inexcedível generosidade e
encantadora autenticidade de vida; de quem vai ao encontro daqueles a quem Deus
convida para trabalhar na sua messe. A proximidade, as palavras, o testemunho e
as iniciativas pastorais são elementos e sinais mediadores do chamamento
divino.
Nada
se consegue, porém, neste âmbito da acção pastoral, sem oração confiante e
perseverante; sem permanente e coerente testemunho dos cristãos, das famílias,
dos movimentos apostólicos e das comunidades; sem o alegre e feliz exemplo de
todos nós sacerdotes, diáconos e consagrados; sem a gratidão da Igreja no seu
todo àqueles que trabalham na vanguarda da missão da pastoral vocacional e dos
Seminários.
Dou
graças a Deus por todos e a todos testemunho, por igual, a alegria e a gratidão
da Igreja do Porto. Acompanho com solicitude, alegria e gratidão os jovens, os
formadores, os colaboradores e os benfeitores, que no Pré-Seminário, no
Seminário do Bom Pastor, no Seminário de Santa Teresa do Menino Jesus e no Seminário
de Nossa Senhora da Conceição vivem, trabalham, rezam, confiam e sonham, dando
a vida por inteiro a Deus para o serviço da Igreja do Porto.
Lembro
com a mesma alegria nesta minha oração e neste testemunho de gratidão as
dioceses de Coimbra e de Vila Real, que connosco caminham através dos seus
seminaristas, integrados na Comunidade de vida e de formação do Seminário Maior
de Nossa Senhora da Conceição e da Faculdade de Teologia, no Porto.
Que
a Semana dos Seminários nos conceda a alegria da bênção de Deus e nos traga a
certeza da oração, da dedicação, do afecto e da generosidade de todas as
famílias e comunidades da Diocese pelos Seminários. Movidos pela misericórdia
de Deus, a hora que vivemos é de alegria, de confiança e de gratidão,
conscientes que estamos de que Deus, rico de misericórdia, nos anima a
trabalhar com entusiasmo para que continuem a surgir no terreno fecundo da
nossa Diocese vocações para o ministério ordenado e para a vida consagrada.
Também
aqui e agora somos convidados a implorar a bênção de Maria que acompanha com
solicitude materna a Igreja e os seus servidores, para que nos renove nas
fontes da alegria, da confiança, da generosidade e da gratidão.
2-
Conclusão do Ano Santo da Misericórdia – Misericordiosos como o Pai
Estamos
a chegar ao termo do Ano Santo da Misericórdia. Como em todos os Jubileus
celebrados ao longo da história, as razões que os determinaram, as motivações
que lhes deram sentido no coração de cada Papa e a bênção que trouxeram à
Igreja devem permanecer e continuar para lá do tempo circunscrito da sua
realização.
Um
ano depois do seu início, sentimos como foi providencial a iniciativa do Papa
Francisco, ao convocar este Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Percebemos
bem como a Igreja precisava desta lufada de nova missão que irrompe da
misericórdia divina, acolhida e traduzida na vida de todos os dias. E não nos
surpreende a alma aberta do mundo que acolheu esta iniciativa do Papa Francisco
com alargada aprovação e atento interesse. Todos precisávamos deste Jubileu e
de quanto ele nos trouxe de bênção, de compaixão e de apelo a vidas
transformadas pela misericórdia de Deus e realizadoras das obras de
misericórdia.
Trouxe-nos
este Jubileu a valorização de uma urgente cultura do encontro, da proximidade,
da compaixão e da misericórdia. Abriu à Igreja caminhos novos de uma pastoral
próxima, atenta a todos e capaz de fazer chegar a cada pessoa esta certeza
única de que Deus nos ama como Pai, rico de misericórdia. Deu a cada um de nós
este gosto e esta coragem de sabermos que a porta da misericórdia está sempre
aberta para nos conduzir a Deus na procura de reconciliação, de misericórdia,
de perdão e de paz. Este Jubileu incentivou-nos a sairmos ao encontro dos
irmãos, renovados nas fontes da alegria. Acordou em todos nós e bem para lá de
nós o desejo e o dever de praticar as obras de misericórdia, com alegria. E
tanto foi feito, mercê da graça de Deus e do acolhimento de quantos acolheram
este Ano Santo da Misericórdia com inesgotável alegria e encanto.
Queremos
celebrar a conclusão do Ano Santo de modo digno e em acção de graças, como nos
propõe o Papa Francisco. Assim, venho convidar, em comunhão com os Irmãos
Bispos que servimos a Igreja do Porto, toda a Diocese para a celebração
conclusiva do Ano Santo da Misericórdia, na Sé do Porto, na Eucaristia das 16
horas do próximo dia 20 de novembro, na solenidade de Cristo Rei e Senhor do
Universo.
Será
para todos nós, amados diocesanos, presbíteros, diáconos, consagrados (as) e
leigos (as) uma bênção celebrarmos esta hora na comunhão da mesma fé, na
unidade da Igreja que somos e na gratidão pelo bem por todos realizado ao longo
do Jubileu da Misericórdia.
Convido
as paróquias e as vigararias e apelo igualmente às comunidades religiosas, aos
movimentos apostólicos, aos agentes de pastoral e às instituições para que
façamos desta hora um momento de acção de graças e de envio em missão, para que
possamos irradiar por toda a parte o amor misericordioso de Deus.
Lembro
que as Santas Casas da Misericórdia e tantas outras instituições se sentiram
particularmente envolvidas e motivadas pelo apelo do Papa Francisco. Que assim
continuem com o gesto de presença na Catedral neste dia e com a sua acção
diariamente realizada para bem de todos nós.
Celebraremos,
também, nesse dia, e a essa hora, na Eucaristia, como já é habitual, a
instituição de ministérios de seis Leitores e de seis Acólitos a caminho do
presbiterado e de três Acólitos em ordem ao diaconado permanente.
3.
Caminhada de Advento-Natal – Com Maria e José, sonhar a alegria do Natal
Habituamo-nos
a celebrar o Natal, ao ritmo do calendário do ano. Mas o Natal precisa de ser
melhor conhecido e mais amado: conhecido, à luz da misericórdia divina, na
continuidade de tanto que aprendemos neste Ano Santo da Misericórdia; amado, como
berço da misericórdia infinita do Pai revelada no rosto de Jesus, nascido na
gruta de Belém.
Nesse
sentido, a Diocese do Porto vem propor, a exemplo dos anos anteriores, às
famílias, às paróquias, às comunidades e à sociedade no seu todo, por que não
dizê-lo, uma Caminhada comum e transversal a toda a acção pastoral. Esta
proposta de Caminhada de Advento - Natal assenta na ideia de sonhar com Maria e
José o que Deus sonha, convidando-nos a celebrar, na alegria do Natal, o
nascimento de Jesus.
Recorremos
nesta Caminhada à imagem da árvore no seu significado real de raiz, tronco,
ramos, flores e frutos e na sua dimensão simbólica de sonhos que se embalam em
cada família e crescem em cada comunidade. Teremos particularmente presente ”a
alegria do amor em família”, inspirados na Exortação Apostólica do Papa
Francisco “Amoris Laetitia”.
Para
que os sonhos das famílias se realizem e os projectos pastorais das comunidades
se cumpram, no quadro do Plano Pastoral da Diocese, propõe-se esta Caminhada de
Advento-Natal oferecer um caminho de oração em família e em comunidade, numa
estrutura simples, familiar e comunitária, marcada pela recitação dos mistérios
do rosário, associados à infância de Jesus.
São
passos de caminhada que queremos propor, acessíveis a todos, nas sendas felizes
das bem-aventuranças do Evangelho, prosseguindo, também deste modo e por este
meio o caminho sinodal que sonhamos, motivando pessoas e mobilizando famílias,
comunidades, movimentos apostólicos, secretariados e serviços diocesanos, tendo
sempre presente o lema desta etapa pastoral: “Com Maria, renovai-vos nas
fontes da Alegria!”.
Porto,
6 de Novembro de 2016, dia litúrgico de S. Nuno
António, Bispo do Porto


