SANTO
AFONSO RODRIGUEZ
AFONSO RODRIGUEZ
Afonso Rodriguez nasceu no dia 25 de Julho de 1533, na
cidade espanhola de Segóvia. Foi o segundo filho de uma família cristã de 7
filhos e 4 filhas. Os seus pais, Diego Rodríguez e Maria Gómez, eram
comerciantes de lã e de tecidos. Ainda jovem, teve que interromper os seus
estudos para cuidar dos negócios da família, devido à morte do seu pai. Mais
tarde, com 27 anos casou-se com Maria Suarez, com quem teve três filhos. Ficou
viúvo aos 32 anos. Tendo perdido a esposa e os filhos, procurou continuar a sua
vida de comerciante mas, vivia em tal angústia que se descuidou dos negócios.
Com muitas dívidas, foi perdendo, dia-a-dia, o entusiasmo e o gosto pelas
coisas materiais. Por esse motivo, entrando em crise espiritual, Afonso entregou-se
à oração e à penitência. Ajudado por um sacerdote, descobriu a sua vocação a
ser irmão religioso.
A conversão de Afonso foi profunda e definitiva. No
mês de Janeiro
de 1571, com 38 anos, começou o seu noviciado.
Ainda noviço, em Agosto desse mesmo ano, foi destinado para o Colégio do Monte
Sião, em Palma de Maiorca. Irmão auxiliar da Companhia, exerceu, durante muitos
anos, o ofício de porteiro e ocupou-se de outros trabalhos domésticos. E foi como simples
porteiro, vivendo na simplicidade e dedicação ao próximo, que ele fez a sua
profunda experiência de Deus e viveu intensamente a espiritualidade cristã. Exteriormente, a vida de Afonso
parecia reflectir a plácida tranquilidade da linda ilha em que viveu. Sem
grandes preocupações, com poucas responsabilidades, dentro dum quadro de
monótona rotina, com poucas oportunidades para o heroísmo que gera santos.
Aparentemente, é um bom Irmão entre os outros Irmãos. Mas outro é o Afonso que
se nos revela nos seus escritos. Numa incansável fidelidade à graça, Afonso viveu
intimamente a espiritualidade daquele momento histórico, com todos os seus
valores e todas as suas limitações. Aquela «luz tão particular» do tempo
da sua conversão foi-se intensificando cada vez mais, ao longo da sua vida na
Companhia. Afonso
procurava, constantemente, o filão inesgotável de santificação
que é o conhecimento próprio e o conhecimento de Deus. Rezava,
muitas vezes, como Santo Agostinho: «Senhor, que eu Vos conheça a Vós e me conheça a mim!»
As contínuas graças de oração e contemplação que Deus lhe
vai concedendo marcam novas etapas na ascensão espiritual de Afonso,
mas não alteram a clareza da sua visão ascética e não o afastam do critério
inaciano: «que
o amor deve consistir mais em obras do que em palavras». Na
contínua oração com Deus, não se descuida em fazer, o mais perfeitamente que
pode, com a ajuda da graça, a vontade do Senhor. Toda a sua actividade
diária, repetida e monótona durante longos anos, vem a ser para ele ocasião da
maior fidelidade a Deus. Isto explica o seu amor característico e ardente à
obediência, entendida como ele a entendeu e como a descreve nos seus escritos:
execução fiel e plena das indicações ou ordens do Superior, por amor de Deus a
quem vê sempre presente na pessoa daquele que manda.
O amor concreto, com que Afonso
quer amar a Deus,
leva-o a querer também, e a pedir, que não só ele mas todos os homens, a
criação inteira, amem a Deus e não se afastem do serviço de Deus.
Na íntima união de Afonso com Deus, Maria
esteve sempre muito presente: «Minha senhora, a Virgem Maria», «doce Maria»,
«Maria!»,
como ele lhe chama. Num momento grave de sofrimento físico e de abandono
interior, Afonso
sentiu que até o demónio escarnecia dele, dizendo-lhe: «Onde está Maria?».
Mas, nestas ocasiões, ela vinha invariavelmente em sua ajuda, dizendo-lhe: «Onde Eu estou, não há que
temer…» A devoção a Nossa Senhora tem raízes profundas
em Afonso: desde a infância, confessava ele, no seio da família e da cidade
onde nasceu, Segóvia, era grande a devoção a Maria. Quanto tinha já 75 anos,
cresceu nele tanto amor e devoção a Nossa Senhora que, falando várias
vezes com Ela,
Lhe
pedia que suplicasse ao seu bendito Filho que o fizesse muito devoto e
imitador de ambos.
Cresceu tanto o seu amor a Nossa Senhora que, noutra ocasião, Lhe disse
que a amava
a Ela mais, do que Ela a ele. E Nossa Senhora respondeu-lhe:
“Isso não.
Eu é que te amo mais a ti”». Com os anos, esta comunicação com Maria e o
amor que lhe tem tornam-se cada vez mais espontâneos e íntimos: «Nossa Senhora
mostrava-lhe, por palavras e acções, que o amava muito».
Ao vê-lo tão unido ao Senhor, tão cheio de Deus,
foram muitos os que recorreram a ele, procurando conselho e luz espiritual;
alentou a muitos a generosidade para com Deus; com muitos, manteve uma fiel
correspondência epistolar, cheia de sensatez espiritual, desejo de comunicar o
que ele sentia de Deus e de fazer bem a todos.
Durante quase quarenta anos foi religioso exemplar,
exercendo o humilde mister de porteiro. Foi este jesuíta o confidente que
preparou Pedro Claver para o seu ministério sacerdotal em favor dos mais
desprezados. Afonso Rodriguez era, de facto, um grande mestre na oração e na
espiritualidade. Dotado de dons sobrenaturais e carismas, desenvolveu grande
apostolado, chegando a possuir um numeroso grupo de discípulos, sendo o mais
notável dos seus filhos espirituais S. Pedro Claver. Sob a influência de
Afonso,
Claver dedicou-se ao apostolado entre os escravos abandonados e
cheios de sofrimentos.
Porteiro no Colégio de Monte Sião, escreveu ele:
«Quanto
tocavam à porta, fazia interiormente actos de alegria, pelo caminho, como se
fosse abrir a porta a Deus. E, como se fosse Ele que tivesse tocado à
campainha, ia-Lhe dizendo: “Já vou, Senhor"!”».
Afonso
Rodríguez morreu em Palma de
Maiorca (Ilhas Baleares), no dia 31 de Outubro de 1617. Foi
canonizado por Leão XIII, no dia 15 de Janeiro de 1888.
A memória
litúrgica de Santo Afonso Rodriguez celebra-se no dia 31 de Outubro.
